Plano de Formação. Condicionamento ambiental das explorações pecuárias. REAP

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1 Plano de Formação

2 1. Enquadramento A produção animal encontra-se perante um aumento das pressões a partir da sociedade para cumprir a legislação ambiental, para que os sistemas de produção sejam explorados de uma forma sustentável e compatível com o ambiente. Recentemente tem sido produzida legislação a nível nacional e internacional que visa a protecção do ambiente, assegurando níveis de qualidade do ar e das águas que não apresentem impacto negativo significativo sobre a saúde humana e o ambiente. Neste sentido, cada Estado Membro da União Europeia deve preparar e implementar as melhores técnicas disponíveis para a protecção do ambiente com vista à resolução dos problemas identificados. A Ordem dos Engenheiros propõe esta acção de formação pós-graduada no âmbito dos domínios de intervenção do Colégio de Engenharia Agronómica, contribuindo para a valorização e qualificação profissional dos Engenheiros. 2. Objectivos Gerais Tem como objectivos gerais dotar os formandos de conhecimentos e competências para a identificação problemas ambientais associados a explorações pecuárias, nomeadamente: Conhecer as fontes e compreender os mecanismos de poluição gerados pela produção animal; Implementar procedimentos que contribuam para a sustentabilidade dos sistemas de produção animal e o cumprimento dos requisitos legais aplicáveis ao sector. 3. Objectivos Específicos Tem como objectivos específicos dotar os formandos de conhecimentos e competências para a resolução de problemas ambientais associados a explorações pecuárias, nomeadamente: Identificar e quantificar os problemas ambientais sobre o ar, água e solos e aplicar técnicas de mitigação ao nível das explorações pecuárias; Selecção e aplicação de soluções integradas de gestão de efluentes pecuários, incluindo a minimização das emissões gasosas nas explorações, processos de tratamento e de aplicação racional aos solos; Elaboração de planos de gestão de efluentes pecuários conforme o regime de exercício da actividade pecuária. Página 1 de 9

3 4. Conteúdo Programático MÓDULO 1 - Qualidade ambiental em produção animal Total de horas de contacto: 16 (8 h teóricas + 8 h práticas) Conteúdos programáticos da componente teórica 1. Condicionantes legais à actividade pecuária 1.1 Condicionantes ambientais Estratégia nacional para os efluentes agro-pecuários e agro-industriais (ENEAPAI) Regime de exercício da actividade pecuária (REAP) Normas de gestão de efluentes pecuários Normas da actividade pecuária (ruminantes, suínos, aves, equídeos e coelhos) Licenciamento ambiental de explorações pecuárias Avaliação do impacte ambiental (AIA) Programa nacional para as alterações climáticas (PNAC) Tectos de emissão nacional de poluentes atmosféricos Inventariação de poluentes atmosféricos 1.2 Condicionantes ao bem-estar animal Normas mínimas de protecção dos animais nas explorações pecuárias Normas mínimas de protecção de vitelos nas explorações pecuárias Normas mínimas de protecção de galinhas poedeiras nas explorações Normas mínimas de protecção de suínos para efeitos de criação e engorda Protecção dos animais durante o transporte dos animais e operações afins 2. Produção animal e qualidade ambiental 2.1 Ciclos de nutrientes (carbono, azoto e fósforo) Transformação de formas orgânicas em formas inorgânicas Formas gasosas e lixiviação no perfil dos solos 2.2 Fontes de poluição Aplicação de fertilizantes aos solos Página 2 de 9

4 2.2.2 Manejo de efluentes na exploração pecuária 2.3 Efeitos sobre o ambiente, saúde pública, sanidade animal e condições de trabalho Efeitos da emissão de poluentes para a atmosfera e para a água na saúde pública Poluentes com efeito acidificante (NH 3 e NO) nos ecossistemas Poluentes com efeito de estufa e degradação da camada do ozono (N 2 O, CO 2 e CH 4 ) Poluentes com efeito na eutrofização das águas (nitratos e fosfatos) Efeitos da concentração de poluentes (gases e matéria particulada) nas instalações pecuárias sobre a sanidade animal e condições de trabalho Efeitos da gestão de efluentes pecuários na contaminação fecal e qualidade das águas superficiais e subterrâneas 3. Emissão de gases com efeito de estufa (CH 4 e N 2 O) e acidificante (NH 3 e NO), compostos orgânicos voláteis (VOCs), de matéria particulada (PM 2,5 e PM 10,0 ) e de odores com origem nos sistemas de produção animal e das diferentes etapas da gestão dos efluentes produzidos 3.1 Origem 3.2 Transformações 3.3 Processos de formação 3.4 Emissão e estimativa das emissões em explorações pecuárias 4. Técnicas de mitigação do impacto ambiental (emissões gasosas, odores e matéria particulada) e relação com o maneio animal, pastoreio, instalações, armazenamento, soluções de tratamento e aplicação ao solo de efluentes pecuários 4.1 Estratégias de pré-excreção Produtividade animal Dieta alimentar Aditivos 4.2 Estratégias de pós-excreção Concepção das instalações e pavimentos Concepção das estruturas de armazenamento Aplicação de aditivos Pré-tratamento dos efluentes Técnicas e equipamentos de aplicação de efluentes aos solos Página 3 de 9

5 Conteúdos programáticos da componente prática a) Identificação dos elementos condicionantes, de cariz ambiental e de bem-estar animal, necessários para exercício da actividade pecuária b) Metodologias e equipamentos de medição de gases, odores, matéria particulada e nutrientes no meio hídrico c) Estimativa das emissões para o ar e para a água, factores de emissão e inventariação, técnicas de mitigação do impacte ambiental associado aos sistemas de produção animal MÓDULO 2 - Gestão de efluentes pecuários Total de horas de contacto: 33 (16 h teóricas + 17 h práticas) Conteúdos programáticos da componente teórica 1. Origem dos efluentes pecuários 1.1 Produção de efluentes e relação com os sistemas de produção animal 1.2 Tipos de efluentes e relação com os sistemas de alojamento 1.3 Consumos de água para ingestão e lavagens 1.4 Estratégias para a minimização da produção de efluentes e sua reutilização 2. Caracterização dos efluentes pecuários 2.1 Características físicas 2.2 Características químicas 2.3 Características biológicas 3. Processos de tratamento de efluentes pecuários 3.1 Separação de sólidos-líquidos Separação mecânica Separação química 3.2 Compostagem Factores que influenciam o processo Tecnologias de compostagem Utilização do composto 3.3 Digestão anaeróbia Factores que influenciam o processo Processos de digestão anaeróbia Aproveitamento do biogás 3.4 Tratamento aeróbio da fracção líquida Controlo de odores Redução da matéria orgânica e controlo das formas azotadas Sistemas de tratamento aeróbio descontínuo, semi-contínuo e contínuo Parâmetros de controlo 3.5 Lagunagem Lagoas anaeróbias Lagoas facultativas Página 4 de 9

6 3.6 Tratamento vegetativo Características das espécies utilizadas Soluções técnicas de tratamento 4 Valorização agrícola e ambiental de efluentes pecuários 4.1 Estruturas de armazenamento de efluentes Materiais Características Dimensionamento 4.2 Planeamento da aplicação de efluentes aos solos Quantificação do valor fertilizante dos efluentes (azoto, fósforo e potássio) Épocas Doses a aplicar Fluxos e perdas de azoto associados à aplicação de efluentes aos solos: estratégias para minimização das perdas Equipamentos de transporte, de espalhamento e de incorporação de efluentes no solo Planos de fertilização (contabilização do valor fertilizante dos efluentes para as culturas) 5 Balanço de nutrientes (azoto, fósforo e potássio) ao nível da exploração pecuária e sustentabilidade dos sistemas de produção animal Conteúdos programáticos da componente prática Definição do plano de gestão de efluentes pecuários a) Caracterização e estimativa da produção de efluentes em explorações pecuárias b) Selecção de soluções de gestão de efluentes pecuários ao nível da exploração c) Cálculo das necessidades de armazenamento de efluentes d) Elaboração do plano de gestão de efluentes 5. Modelo pedagógico A exposição dos conteúdos programáticos de cada um dos módulos decorrerá em sala de aula, assim como a orientação dos formandos para a elaboração dos trabalhos práticos. Prevê-se que as aulas serão constituídas por uma sessão teórica seguida de aplicação prática, as quais representam cerca de 50% da carga horária total do curso. Página 5 de 9

7 Regime de Faltas As aulas serão de carácter obrigatório sendo registadas as presenças pelo Docente em todas as sessões. No entanto, em casos excepcionais devidamente justificados o Docente e/ou a Coordenação podem aceitar a justificação da ausência. Horário As aulas deste curso decorrerão nas datas apresentadas no cronograma seguinte: CRONOGRAMA DE AULAS Data Hora Formador h (2 horas) Prof. Doutor José Luís Pereira h h (6 horas) Prof. Doutor José Luís Pereira h (2 horas) Prof. Doutor José Luís Pereira h h (6 horas) Prof. Doutor José Luís Pereira h (3 horas) Prof. Doutor David Fangueiro h h (6 horas) Prof. Doutor David Fangueiro h (2 horas) Prof. Doutor David Fangueiro h h (6 horas) Prof. Doutor David Fangueiro h (2 horas) Prof. Doutor Henrique Trindade h h (6 horas) Prof. Doutor Henrique Trindade h (2 horas) Prof. Doutor Henrique Trindade h h (6 horas) Prof. Doutor Henrique Trindade Página 6 de 9

8 6. Corpo Docente do Curso Prof. Doutor José Luís da Silva Pereira, Instituto Politécnico de Viseu (16 h - docência do Módulo 1). Doutorado em Engenharia Rural, Professor Adjunto do Departamento de Zootecnia, Engenharia Rural e Veterinária da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu. Prof. Doutor David Paulo Fangueiro, Universidade Técnica de Lisboa (17 h - docência dos pontos 1, 2 e 3 do Módulo 2). Doutorado em Química, Investigador Auxiliar da Unidade de Investigação em Química Ambiental do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa. Prof. Doutor Henrique Manuel da Fonseca Trindade, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (16 h - docência do pontos 4 e 5 do Módulo 2). Agregado em Ciências da Engenharia Agronómica / Agricultura e Ambiente, Professor Associado com Agregação do Departamento de Agronomia da Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 7. Logística A logística para garantir o funcionamento do curso será assegurada pelos Serviços Administrativos da OERN. Número de participantes por Curso O funcionamento de cada edição do curso está condicionado a um número mínimo de 15 formandos ou máximo de 30 formandos. Inscrição Os destinatários deste curso são preferencialmente os titulares de um curso superior nos domínios do Colégio de Engenharia Agronómica, estudantes do ensino superior e profissionais, com curriculum considerado relevante. A candidatura, e posterior inscrição, são formalizadas através do preenchimento do boletim de candidatura nos termos usualmente utilizados nos cursos de formação da Ordem dos Engenheiros. No final do Curso será emitido um Certificado de aproveitamento aos formandos que frequentarem o curso e tiverem obtido aprovação na avaliação prevista, nos termos previstos nos estatutos da Ordem dos Engenheiros para a realização de formação pós-graduada. Membros da Ordem: 349 NãoMembrodaOrdem:399 Página 7 de 9

9 Avaliação Pretende-se que os formandos realizem um trabalho prático individual sobre: planos de gestão de efluentes pecuários; estimativa das emissões para o ar e para a água, técnicas de mitigação do impacte ambiental associado aos sistemas de produção animal. O corpo Docente do curso avaliará os trabalhos desenvolvidos, tendo em consideração a evolução na aquisição de competências por parte dos formandos. Local de realização do Curso O Curso realiza-se nas instalações da Ordem dos Engenheiros Região Norte, rua Rodrigues Sampaio, nº123 - Porto. Página 8 de 9

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