supervisão das obras no Rodoanel - Trecho Sul

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1 /2008 Os serviços DE supervisão das obras no Rodoanel - Trecho Sul VALTER BOULOS* CARLOS YUKIO SUZUKI** O sucesso de uma obra de porte como o Rodoanel Metropolitano Mário Covas depende de uma série de atividades além da execução propriamente dita, desde a elaboração de estudos e projetos até a supervisão e o gerenciamento dos trabalhos. O bom desenvolvimento de cada uma destas atividades é fundamental para garantir que as obras executadas atendam aos seus futuros usuários da maneira desejada, dentro de padrões de qualidade e segurança adequados, com custos e impactos ambientais aceitáveis. Embora todas estas atividades sejam fundamentais, este artigo foca especificamente os serviços de supervisão de obras necessários para tornar realidade este empreendimento, de importância fundamental para a maior cidade do país. Atividades de Supervisão de Obras Assim como na grande maioria dos casos, em linhas gerais as atividades de supervisão são necessárias para garantir que as obras sejam executadas de acordo com o projeto, dentro dos padrões de qualidade preconizados, minimizando impactos ambientais negativos Vista da OAE 108 Ponte Braço do Rio Grande e Estrada da Pedra Branca e em condições de segurança (inclusive para os próprios operários encarregados da construção). Além disso, a supervisão também é importante para manter o contratante das obras devidamente informado acerca de seu andamento, tanto sob o ponto de vista físico quanto financeiro. Dessa forma, o escopo básico da supervisão de obras pode ser sintetizado através da seguinte relação de tarefas: 1) acompanhamento e fiscalização dos serviços; 2) controle tecnológico e, quando necessário, monitoramento e controles específicos

2 divulgação / dersa /2008 na execução de obras-de-arte especiais; 3) levantamentos e acompanhamentos geométricos e topográficos, os quais embasam a elaboração ou verificação de medições e apontamentos para apuração dos quantitativos físicos dos serviços realizados; 4) elaboração de relatórios técnicos descritivos das atividades periódicas desenvolvidas durante a implantação das obras; 5) elaboração de relatórios técnicos das obras encerradas, contendo a compilação dos ensaios tecnológicos pertinentes, liberações, projeto como construído ( as built ), quadros necessários e controles geométricos e topográficos. Cabe destacar que, no caso específico do Trecho Sul do Rodoanel, dada a dimensão e os impactos do empreendimento, além da fiscalização e supervisão de obras, objeto deste artigo, foram ou estão sendo contratadas empresas para atuar na supervisão ambiental, gerenciamento social e gerenciamento geral. A atuação da supervisora insere-se, portanto, nesse contexto, tornando necessário intervir também nas interfaces com estas outras empresas. Vista da OAE 105 Ponte Braço do Rio Grande e Pintassilgo/Riviera Os Lotes de Supervisão de Obras do Trecho Sul O porte das obras também foi o fator fundamental para a opção por dividir o Trecho Sul em cinco lotes de construção, os quais coincidem com os cinco lotes de supervisão de obras e são indicados esquematicamente na figura 1. Para cada um destes lotes, a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) contratou um consórcio de empresas para responsabilizar-se pelos serviços de supervisão. Em cada um dos lotes, há obras de mo-

3 /2008 Tabela 1 - Resumo das principais obras projetadas em cada um dos lotes de supervisão Lote Principais características 1 22 obras-de-arte especiais 2 25 obras-de-arte especiais, incluindo a interseção com a Via Anchieta obras-de-arte especiais, incluindo interseção com a Rodovia dos Imigrantes e Ponte sobre a Represa Billings 30 obras-de-arte especiais, incluindo Ponte sobre a Represa Guarapiranga 5 35 obras-de-arte especiais e refúgio, separadas por um canteiro central gramado, no trecho compreendido entre a interligação com a Avenida Papa João XXIII e a interseção com a Via Anchieta; c) quatro faixas por sentido, com acostamento e refúgio, entre a interseção com a Via Anchieta e a interseção com a Rodovia dos Imigrantes; d) três faixas por sentido, com acostamento e refúgio, após a interseção com a Rodovia dos Imigrantes e até a interseção com a Rodovia Régis Bittencourt. Figura 1 - Rodoanel Trecho Sul Lotes de obras Lote 1 vimento de terra e pavimentação. Além disso, são previstas diversas obras-de-arte especiais. A tabela 1 apresenta um resumo das principais obras projetadas em cada um dos lotes de supervisão. As características básicas operacionais do Trecho Sul são: a) duas faixas por sentido, com acostamento e refúgio, separadas por um canteiro central gramado, na interligação da Avenida Papa João XXIII com o Rodoanel; b) três faixas por sentido, com acostamento Fiscalização dos trabalhos A fiscalização dos serviços corresponde ao acompanhamento da execução das obras, cabendo à supervisora tarefas dentre as quais destacam-se: 1) realizar o controle gerencial, com o acompanhamento do contrato da construtora, atentando para o cumprimento de suas cláusulas; diligências para assegurar que a construtora observe os prazos de entrega de relatórios, medições e faturas; e assessoria ao órgão contratante na análise de reivindicações da construtora; 2) orientar as construtoras na execução dos serviços, zelando pela interpretação correta dos projetos; 3) acompanhar, com pessoal técnico especializado, equipamentos e instrumental apropriado, cada etapa de cada tipo de obra; 4) registrar nos diários de obra todos e quaisquer eventos relevantes que possam impactar no ritmo de execução dos trabalhos, desde a ocorrência de atrasos por efei-

4 tos do tempo, dificuldades de desapropriação, interferências não previstas etc.; 5) Exigir que as construtoras executem os trabalhos em condições adequadas de segurança, com uso de equipamentos de proteção e sinalização adequada. Além destas tarefas de caráter geral, também são fundamentais os controles geométrico e topográfico, bem como o controle tecnológico. A título de ilustração, a figura 2 resume alguns destes controles no caso específico de implantação de obrasde-arte especiais que, conforme indicado anteriormente, são bastante numerosas ao longo do Trecho Sul do Rodoanel. /2008 Controle tecnológico O controle tecnológico consiste na realização de ensaios dos diversos materiais empregados, bem como dos produtos acabados, a fim de garantir níveis de qualidade adequados. No caso do Trecho Sul do Rodoanel, as supervisoras são responsáveis por acompanhar a realização destes ensaios por parte das empresas construtoras, assegurando que as normas cabíveis sejam observadas e realizando ensaios apenas por amostragem. Além disso, cabe à supervisora analisar e avaliar os resultados obtidos, e consubstanciar estas informações em relatórios mensais e no relatório final das obras. Naturalmente, os ensaios a serem realizados ou acompanhados dependem das características específicas das obras a serem supervisionadas. Nesse caso específico, como o Trecho Sul atravessa tanto regiões com solos moles quanto regiões com subleitos menos problemáticos e maior capacidade de suporte, o projeto de pavimentação prevê tanto a execução de trechos de pavimento flexível quanto de pavimento rígido; o uso de base de brita graduada tratada com cimento é ainda outra alternativa. A tabela 2 apresenta informações acerca dos controles tecnológicos a serem realizados caso o pavimento contenha camada de brita graduada tratada com cimento (BGTC). Como nas obras do Trecho Sul há uma enorme variedade de serviços a controlar, há centenas de ensaios a serem observados, Figura 2 - Obras-de-arte especiais

5 /2008 os quais podem ser agrupados em quadros resumo similares. Acompanhamentos geométricos e topográficos Os controles geométrico e topográfico dos serviços é fundamental não apenas para assegurar a correta locação de todos Tabela 2 - Exemplo de plano de controle tecnológico em obras de pavimentação Serviços a controlar Etapas Ensaios Regularização ou Reforço do subleito Base de brita graduada tratada com cimento (BGTC) Base de brita graduada simples (BGS) Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) - Estabelecimento de critérios de aceitação dos materiais a serem ensaiados - Controle da exploração das jazidas - Verif icação dos materiais de expurgo das jazidas - Verif icação da qualidade dos materiais componentes (agregados, cimento, água) - Dosagem de BGTC com diversos teores de cimento e água - Controle tecnológico da execução - controle no misturador - Controle sistemático na pista - Verif icação da qualidade e da granulometria dos agregados - Estudo de dosagem da BGS - Controle tecnológico da execução - controle na usina - Controle sistemático na pista - Verif icação dos materiais constituintes (agregados, f iller e ligante betuminoso) - Dosagem da mistura betuminosa - Controle sistemático na usina e na pista - Solo - Controle sistemático: Preparação (NBR 6457), Compactação (NBR 7182), Granulometria (NBR-7181), Limite de Liquidez (NBR-6459), Limite de Plasticidade (NBR-7180), Indice de Suporte Califórnia (NBR-9895) - Compactação na Pista: Teor de umidade, método do álcool ou frigideira (DNER-ME 88/94), e densidade in situ pelo método do frasco de areia (DNER-ME 92/94) Equivalente de areia (DNER ME 54), Indice de forma (DNER ME 86), Teor de matéria orgânica (DNER ME 55) - Cimento: Ensaio de cimento (NBR-5732) e gua: Matéria orgânica (NBR-6118) - Dosagem da BGTC: Compactação, Resistência a compressão simples (NBR 5739) e Resistência a tração (NBR-7222) - Controle sistemático na usina: Teor de umidade método do álcool (DNER ME 88), Teor de cimento (Titulometria), Granulometria (DNER ME 83), Compactação EI (DNER ME 129), Resist. Compressão 28 dias (NBR 5739), Resist. A tração (NBR-7222), Densidade in situ (DNER-ME 92), Def lexões recuperáveis pela Viga Benkelman (DNER-ME 24/94) Equivalente de areia (DNER ME 54), Indice de forma (DNER ME 86), Teor de matéria orgânica (DNER ME 55) - Dosagem da BGS: Granulometria (DNER ME 83), Compactação (DNER ME 129), CBR (NBR 9895) - Controle sistemático na usina: Teor de umidade método do álcool (DNER ME 88), Granulometria (DNER ME 83), Compactação (DNER ME 129), CBR (NBR 9895), Densidade in situ (DNER-ME 92), Def lexões recuperáveis pela Viga Benkelman (DNER-ME 24/94) - Ligante betuminoso: Viscosidade Saylbolt Furol (NBR-14950), Penetração (NBR), Ponto de Fulgor (NBR 11341), Solubilidade C2S (MB-166), Viscosidade absoluta, Espuma, Ponto de amolecimento (NBR 6560), Indice de suscetibilidade térmica Equivalente de areia (DNER ME 54), Indice de forma (DNER ME 86), Teor de matéria orgânica (DNER ME 55), Adesividade (DNER ME 79) - Dosagem: Composição granulométrica, Concentração crítica de f iller (ES-P00/026 DERSA), Dosagem Marshall (DNER ME 43) - Controle sistemático - Ligante betuminoso: Viscosidade Saylbolt Furol (NBR-14950), Relação viscosidade temperatura, Ponto de Fulgor (NBR 11341), Indice Pfeiffer (MB-107/ MB-164), Espuma - Controle sistemático - Agregados: Granulometria (DNER ME 83), Desgaste Abrasão Los Angeles (NBR NM51), Indice de forma (DNER ME 86), Equivalente de areia (DNER ME 554), Granulometria do filler (DNER ME 80) - Controle sistemático - Mistura Betuminosa: Teor de betume (DNER ME 53), Granulometria (DNER ME 83), Temperatura da mistura na usina e na pista, Def lexões recuperáveis pela Viga Benkelman (DNER-ME 24/94) os elementos da obra, mas também para a apuração dos quantitativos físicos dos serviços realizados, permitindo a verificação das medições apresentadas pelas empresas construtoras e que servem de base para a definição dos valores a serem remunerados pela execução das obras. As principais tarefas necessárias para tanto são: levantamento das seções primitivas do terreno; levantamento das áreas de empréstimo e depósito de materiais excedentes (DMEs); levantamento das distâncias de transporte; controle geométrico e topográfico dos serviços de terraplenagem, pavimentação, drenagem e estruturas de concreto; verificação e controle da locação e do nivelamento dos elementos de projeto; execução ou, de acordo com o contrato, verificação das medições físicas de quantidades parciais e totais executadas. Em todos os casos, deve-se verificar se a execução atende às especificações de projeto, levando em conta inclusive as margens de tolerância preconizadas. Nas obras do Rodoanel, este acompanhamento é constante e as supervisoras assumem uma postura bastante ativa, buscando evitar erros de execução ao invés de simplesmente indicá-los após cometidos. Assim como no caso do controle tecnológico, há diversas verificações que são comuns à grande maioria das obras rodoviárias, e que se aplicam também no caso do Trecho Sul do Rodoanel. Em obras de pavimentação, por exemplo, o controle topográfico e geométrico deve compreender as diversas camadas ou serviços, efetuando-se a relocação e nivelamento de eixos e bordos, além das medidas das larguras da plataforma, para cada camada especificada em projeto. Conclusão O porte e a complexidade das obras do Trecho Sul tornam fundamental a constante supervisão dos serviços de execução das obras. Estes aspectos refletem-se também na enorme variedade de ensaios a serem realizados, aumentando a complexidade dos serviços, tornando imprescindível a atuação de empresas qualificadas e confiáveis, conforme vem sendo realizado ao longo do trecho. * Valter Boulos é engenheiro civil, graduado e pós-graduado pela Escola Politécnica da USP, diretor da Planservi Engenharia Ltda. ** Carlos Yukio Suzuki é engenheiro civil, mestre e doutor em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da USP, diretor da Planservi Engenharia Ltda.

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