UMA EUROPA ENVELHECIDA. Desafios do sector europeu de serviços sénior

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1 UMA EUROPA ENVELHECIDA Desafios do sector europeu de serviços sénior

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3 ENVELHECIMENTO NA EUROPA: DESAFIOS DO SECTOR EUROPEU DE SERVIÇOS SÉNIOR ProjectoLeonardo da Vinci n LLP-2007-DK-LMP O relatório foi desenvolvido pela equipa: Dinamarca: Caesar Szwebs Alemanha: Jeanette Schmidt Ulrich Burmeister Itália: Francesca Scocchera Claudio Sdogati Elisabetta Piangerelli Diego Mancinelli Polónia: Maria Bogowolska- Wepsięć Antoni Zwiefka Portugal: Pedro Pires Vanda Duarte Reino Unido: GrahamSmith Projecto Leonardo da Vinci n.º LLP-2007-DK-LMP PARCERIA: AMU Nordjylland International Department, Denmark LEG Arbeitsmarkt- und Strukturentwicklung GmbH, Germany Cooperativa Sociale COOSS MARCHE ONLUS, Italy Urząd Marszałkowski Woj. Dolnośląskiego, Wydział Zdrowia, Poland Sociedade Promotora de Formacao, Lda, SOPROFOR, Portugal University of Strathclyde, Senior Studies Institute, Scotland Aviso Legal O projecto está a ser financiado com o apoio da Comissão Europeia. O conteúdo desta publicação reflecte exclusivamente as opiniões dos autores, não podendo a Comissão ser responsabilizada por qualquer utilização que dela possa ser feita. 2

4 Agradecimentos Gostaríamos de agradecer a todas as pessoas que nos apoiaram no desenvolvimento do nosso trabalho. Gostaríamos de lhes agradecer por toda a sua ajuda, apoio, interesse e comentários importantes. Áustria: Katharina Meichenitsch, Institute for Social Policy, Department of Economics, Vienna University of Economics and Business Administration, Vienna França: Carole Finifter, Chargée de Direction, Responsable de Formation, Centre AFPA, Montpellier St Jean de Vedas Guy Beauthauville, Responsable Service Emploi, Pôle Emploi Services Hérault, Montpellier Sonia Arnaud, Conseillère technique, URIOPSS LR, Montpellier Jean Claude Ricourt, Responsable de Formation, Centre AFPA, Montpellier St Jean de Vedas Grécia Mata Kaloudaki, Research Centre of Women's Affairs, Athens Ioannis Athanasiou, Help at Home Programme, Athens Holanda Frits Tjadens, VILANS, Expertise-center on long-term care, Utrecht Suécia Hans Dahlin, Victum Kompetensutveckling, Helsingborg Reino Unido: The Age and Employment Network (TAEN), Dr Jo Valis, NHS Education, Scotland UE em geral: Bettina Brenner, CEDEFOP - European Centre for the Development of Vocational Training, Thessaloniki, Greece 3

5 CONTEÚDOS Agradecimentos 4 1. Introdução Enquadramento do Sector Europeu de Serviços Sénior Características comuns e diferenças Responsabilidades e variedade de serviços Tendências e estratégias Dez desafios para uma Europa envelhecida Assegurar estratégias de recrutamento suficiente e conservação eficaz Novos modelos de colaboração Encontrar soluções para a procura de serviços sénior Equilibrar o nível de financiamento dos serviços Medidas habitacionais para apoiar a independência Tecnologias para apoiar a independência Mudanças nas áreas de competências e na 26 Educação e Formação Profissional 3.8 Cuidados de longa duração e grupos especiais Desafios da globalização e da migração Mudar a imagem do sector de apoio Soluções Escolhidas como Modelo Lobbying (pressão) a favor dos cidadãos sénior Combater o Trabalho Ilegal Mudar a imagem do sector e os padrões de emprego 34 Bibliografia

6 PARTE II (CD-ROM) Países Áustria República Checa Dinamarca Inglaterra/País de Gales Finlândia França Alemanha Grécia Irlanda Itália Lituânia Países Baixos Noruega Polónia Portugal Escócia Eslováquia Eslovénia Espanha Suécia 5

7 1. Introdução O objectivo principal deste estudo 1 é apresentar um estudo pan-europeu do sector de serviços sénior, identificando as práticas e os desafios actuais, assim como possíveis oportunidades para o sector tendo em conta as mudanças demográficas e sociais na Europa 2. Prevê-se que estas mudanças antevistas tenham consequências significativas no sector de serviços sénior no futuro com muitos factores, tais como a necessidade de orçamentos estatais, o aumento do custo de vida na reforma e a falta de apoio nos serviços de saúde e de acção social. Um desafio crucial é, por isso, identificar potenciais soluções para apoiar tanto os indivíduos como o sector de serviços sénior a reagir a estas mudanças. Este exercício de enquadramento deverá ser visto em conjunto com uma outra publicação Perfis Profissionais do Sector Europeu de Serviços Sénior 3, oferecendo um panorama completo dos perfis profissionais que existem actualmente nos serviços 1 O estudo é uma das publicações do projecto Leonardo da Vinci n.º LLP-2007-DK-LMP LMP 4 Leaf Clover Quality Model for Senior Service Sector, realizado em O projecto defende a abordagem positiva, encarando os desafios como potencialidade para o desenvolvimento; veja a Comunicação da Comissão: O futuro demográfico da Europa do desafio à oportunidade (DG EMPL 12 de Outubro de 2006). Futuro Demográfico (30-31 de Outubro de 2006) Livro Verde Enfrentar a mudança demográfica; uma nova solidariedade entre gerações (11/12 Julho de 2007); DG REGIO: Respostas das políticas regionais face aos novos desafios demográficos (25/26 Janeiro de 2007), 3 Todas as publicações do projecto estão disponíveis para download no Website do projecto 6

8 sénior na Europa. Esperamos que ambos os trabalhos sejam úteis para outros estudos sobre possíveis soluções que possam ter um impacto positivo e uma influência em áreas como a educação e formação, práticas de recrutamento e modelos de trabalho para trabalhadores do sector. A equipa deste projecto, responsável pelos relatórios, analisou um espectro temático mais amplo de projectos existentes, estudos e publicações, de modo a definir futuros limites do sector de serviços sénior. Esta investigação inclui elementos como apoio pessoal, desenvolvimento tecnológico, saúde e bem-estar, apoio domiciliário e alojamento adequado para os idosos. Para além disso, os investigadores realizaram visitas de estudo e entrevistas nos ambientes académicos e políticos dos países identificados. Os conteúdos do presente relatório ilustram características comuns do sector de serviços sénior num grupo de países europeus escolhidos, estabelecendo responsabilidades e a variedade de serviços existentes. O relatório descreve também um conjunto de desafios que existem actualmente, e no futuro, antes de destacar algumas soluções inovadoras que foram adoptadas em vários países da Europa. Estas soluções mostram elementos de boas práticas no que concerne à abordagem aos desafios principais apresentados no presente relatório. Por último, é apresentada uma lista completa dos perfis dos países, mostrando, mais a fundo, o estudo realizado em cada país com uma listagem de vários dados estatísticos, também eles apresentados. Aalborg- Glasgow- Ancona- Essen- Lisboa- Wroclaw

9 2. Enquadramento do Sector Europeu de Serviços Sénior De forma a salientar a mudança dos limites do sector de acção social futuro, o termo sector de serviços sénior será usado neste trabalho. O sector de serviços sénior abrange mais do que as tarefas da acção social tradicional 4 e pode ser dividido em 5 áreas gerais: Outros serviços relacionados com os idosos, ex.: saúde e bemestar, turismo, serviços relacionados com empresas, serviços domésticos, etc. Sector de acção social 1. Sector de cuidados primários (ex.: Sector de serviços sénior cuidados médicos para os idosos em lares de terceira idade) 2. Serviços pessoais e domésticos (ex.: apoio domiciliário, assistência social, limpeza) 3. Serviços relacionados com empresas (ex.: porteiro/caseiro) 4. Serviços relacionados com a área residencial (ex.: trabalhadores comunitários, enfermeiros ao domicílio) 4 A definição portuguesa de acção social é sinónima do conceito de cuidados (DE: Pflege, DA: omsorg/pleje; PL: opieka; IT: cura; GB: care), tal como é prestada noutros países da Europa. Os serviços de acção social podem destinar-se a todos os tipos de grupos mais vulneráveis, como por exemplo crianças e famílias, pessoas com deficiência, idosos e pessoas com dependências. Para efeitos deste relatório, o centro das atenções serão os idosos que vivem nas suas próprias casas e que precisam de serviços de apoio. Para além disso, também considerará indivíduos que vivem em lares institucionais e as funções de trabalho necessárias para servir estes lares. O âmbito deste estudo analisa a área dos cuidados residenciais para os idosos como sendo apenas um dos elementos relacionados com a prestação de serviços à população idosa no futuro. 8

10 5. Serviços sociais sem fins lucrativos (voluntários) Actualmente, na maior parte dos países há uma distinção clara entre serviços de cuidados primários (médicos) e secundários (acção social). O primeiro é composto por serviços constituídos por pessoal altamente profissionalizado e qualificado. Estes serviços são uniformizados e financiados, como é habitual, por financiamentos públicos ou seguros (embora os seguros de saúde privados sejam uma raridade no contexto europeu). A área da acção social, pelo contrário, centra-se mais no cliente, ou seja, é criada para apoiar a rotina diária e o modo de vida dos idosos. Pode ser vista no modelo do apoio domiciliário, tanto do alojamento como dos conteúdos dos próprios serviços. No entanto, é preciso acrescentar que em alguns países, no que concerne às áreas de trabalho de cuidados de longa duração a idosos, há limites ambíguos entre os hospitais (ou instituições similares) e os cuidados prestados em lares de terceira idade (ex.: unidades especializadas em Alzheimer em muitos países ou o conceito francês de l Hospitalisation a domicile (HAD)). O sector de cuidados primários (médicos de clínica geral médicos de família, clínicas comunitárias, hospitais, etc.) foi interessante para este estudo apenas no que concerne às questões de comunicação e colaboração entre o sistema de saúde primário e as instituições que prestam cuidados ou os ambientes domésticos dos idosos que podem ser relevantes (ex.: no caso da telemedicina). O termo seniores geralmente refere-se a pessoas reformadas com mais de 65 ou 67 anos. Esta idade pode variar consoante a profissão ou o trabalho. No presente relatório o grupo que utiliza o sector de serviços sénior é constituído por seniores com 60 anos ou mais, independentemente de estarem reformados ou a trabalhar. A característica comum é que começam a usar a variedade de serviços disponíveis para os cidadãos seniores, por exemplo, mudando-se para casas especialmente destinadas à população sénior ou usando tipos de tecnologia especialmente desenvolvidos para ajudar nos cuidados de saúde ou bem-estar Características comuns e diferenças Apesar das diferenças nas abordagens políticas e enquadramentos institucionais, os serviços de saúde e de acção social em todos os Estados Membros Europeus 9

11 enfrentam desafios semelhantes em adaptarem-se ao envelhecimento da população, alterarem modelos de emprego e família, progredirem nos desenvolvimentos tecnológicos e problemas de financiamento. A complexidade da situação torna-se pior pelo facto de, por um lado, ir haver um aumento na procura de trabalhadores no apoio social (soluções mais intensas de recrutamento e conservação) e, por outro lado, um perfil diferente de utilizadores a aceder aos serviços de cuidados, o que implica um nível mais elevado de profissionalização dos trabalhadores devido a crescentes expectativas de qualidade. Cuidados Informais Em praticamente todos os países estudados existe uma forte correlação entre os cuidados a idosos e os cuidados informais. Isto é mais comum em países como a Irlanda, Eslovénia e Itália, onde uma grande percentagem de idosos, que ainda vivem de forma independente, conta com a família para lhes prestar cuidados em casa sem qualquer assistência estatal significante. Em termos de custos, esta prática está a poupar aos governos/estados uma enorme quantia de dinheiro e requer mais apoios para permitir que as famílias possam continuar a desempenhar este trabalho, especialmente dado o panorama económico actual. Educação Os requisitos educacionais para empregados a trabalharem no sector de acção social variam por toda a Europa dependendo da profissão. Os países escandinavos, por exemplo, exigem que os cuidadores que trabalham neste sector tenham um dos dois perfis educacionais existentes actualmente. A qualificação é modular e consistente com outros sistemas sectoriais. No entanto, noutros países da Europa, tais como a Grécia e a Polónia, os padrões educacionais estão prestes a ser introduzidos. No Reino Unido e na Irlanda as qualificações baseadas nas competências dos trabalhadores na área dos cuidados têm sido recentemente revistas segundo o sistema modelo estabelecido de competências e qualidade. De um modo geral, a maioria dos países estão actualmente a rever os sistemas educacionais existentes com o objectivo de elevarem os padrões de qualidade e profissionalismo no sector. Envolvimento Governamental/Estatal A maior parte das políticas governamentais ou estatais tendem a encorajar e apoiar os idosos a viver nas suas próprias casas pelo tempo que for possível, usando, por exemplo, medidas preventivas tais como o apoio ao domicílio. Muitos países têm 10

12 sistemas privatizados no que respeita a lares institucionais, onde os residentes, e em alguns casos as famílias, têm de financiar os seus cuidados. Tecnologias de Apoio Muitos países estão já a testar e a abraçar as tecnologias de apoio. Os países do norte da Europa parecem estar mais avançados nesta questão do que os do sul da Europa, tendo algumas funções tais como a saúde e a segurança a serem controladas à distância e outras, tais como sistemas de abertura de portas por activação de voz, controlados no local pelos residentes nas comunidades habitacionais. Recrutamento e Conservação Existe uma grande falta de trabalhadores qualificados no sector dos cuidados em todos os países, o que coloca desafios às políticas governamentais relativamente aos trabalhadores migrantes, como é o caso da Noruega. Para além disso, as políticas que incluem outros grupos que não seriam habitualmente um alvo para fins de recrutamento, tais como candidatos do sexo masculino e indivíduos em mudança de carreira, estão também a ser revistas. Esta questão constitui um desafio para os sistemas educacionais baseados nas competências reconhecerem capacidades e sucessos anteriores, de modo a que um maior número de potenciais trabalhadores possa ser recrutado para o sector Responsabilidades e variedade de serviços Autoridades locais e organizações voluntárias são habitualmente os prestadores de vários serviços que permitem aos indivíduos permanecer nas suas próprias casas mais tempo e até mais tarde, embora o sector privado desempenhe também um papel importante ao oferecer instalações residenciais de longo prazo. Existem grandes diferenças entre os países europeus no que respeita à forma como os serviços de saúde e de apoio social são financiados e prestados. Dois modelos financeiros principais são evidentes: Países onde o sector de acção social tem uma obrigação pública, sendo financiado principalmente pelas receitas dos impostos gerais; Países onde um sistema de seguros existe ou os serviços são financiados por privados. Quando olhamos para as diferenças nacionais de responsabilidades entre os cuidados formais e informais, aparece um mapa da Europa mais dependente de cada 11

13 cultura. Há uma tendência para classificar as sociedades europeias menos e mais orientadas para a família de acordo com uma divisão entre o Norte e o Sul, reflectindo o nível de apoio esperado por parte da família versus a ajuda institucional, onde se encontram os países escandinavos e os Países Baixos de um lado e a Europa do sul do outro lado oposto, com a Europa continental a ser uma mistura. O gráfico seguinte mostra esta diferença. No inquérito Eurobarómetro 5 foi pedida a opinião de pessoas com menos de 40 anos sobre os planos de vida para os seus pais quando estes se tornarem débeis. Portugal Itália Alemanha Grã-bretanha Países Baixos Suécia 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% O progenitor deve mudar-se para casa de um filho Um deve mudar-se para perto do outro O progenitor deve ficar em casa, e receber visitas Um filho deve mudar-se para casa do progenitor O progenitor deve mudar-se para um lar de 3ª idade Depende/Não sei A maioria dos estudos mostra que, apesar das mudanças de mentalidade e da pressão do mercado de trabalho, a área dos cuidados informais não diminuirá, mas antes a sua natureza sofrerá alterações, sendo que os cuidadores informais irão colaborar em maior escala com intervenientes especializados do sistema de cuidados 5 Eurobarómetro A pergunta do inquérito era: Vamos supor que tinha um familiar idoso a viver sozinho. O que acha que seria melhor se este familiar já não conseguisse viver sozinho? ; ver mais em Older People, Family and living arrangements, de Cecília Tomassini em Focus on Older People no Instituto Nacional de Estatística (Reino Unido) 2007; Evert Pommer a.o., Comparing Care. Os cuidados prestados aos idosos em dez países europeus, o Instituto de Investigação Social dos Países Baixos, The Hague, 2007, p

14 formais, dependendo da natureza da especificidade das tarefas de cuidados 6. Quando a escala mais alargada de medidas dos serviços destinados aos idosos aparece na área local, esta forma tradicional de pensar sobre as responsabilidades muda gradualmente Tendências e Estratégias Tendências análogas são observadas por toda a Europa, por exemplo, procurar soluções de financiamento para oferecer residências adequadas e indicadas ou apoiar financeiramente cuidadores informais para que estes continuem a desempenhar o seu papel. Em alguns casos as diferenças regionais são evidentes, por exemplo, os países escandinavos são mais receptivos e progressistas no que concerne às tecnologias de apoio, enquanto que confiar no reforço dos cuidados familiares é algo mais comum nos países da Europa Ocidental e do Sul. Existem várias estratégias novas e não tradicionais que visam melhorar a eficiência do serviço público de saúde e reduzir o fardo que irá ter quando a onda cinzenta (grey wave) chegar em força dentro de alguns anos. O estado e construção dos sistemas de acção social, onde estão incluídas as medidas de apoio destinadas aos idosos, são distintos nos países europeus, havendo uma clara divisão entre o norte da Europa e os países do Sul e Leste. Os sistemas de acção social podem ser divididos de um modo geral em três grupos: 1. Sistema de cuidados de saúde com uma grande tradição e distinção de serviços, tipicamente base nos impostos; exemplos: países escandinavos 2. O modelo misto onde a estrutura bem desenvolvida é tanto da responsabilidade pública como privada; os processos de recrutamento e educação foram vagamente definidos e estão sujeitos a forças do mercado livre; exemplos: Reino Unido, Irlanda e Alemanha 3. Os países menos concentrados no sistema de cuidados de saúde; exemplos: Polónia, Portugal e Grécia 6 Projecto OASIS ( ), Old age and autonomy: the role of service systems and intergenerational family, solidarity. Haifa: Center for Research and Study of Aging K. Glaser a.o, Revisiting convergence and divergence: support for older people in Europe, Eur. I. Ageing (2004) 13

15 No primeiro grupo de países há uma clara tendência para reformar o sistema no que concerne à qualidade dos serviços e tornar os sistemas de recrutamento e educação mais abertos e flexíveis, para que os novos grupos possam ser facilmente integrados no mercado de trabalho. O exemplo disto mesmo é a Reforma do Sistema de Cuidados de Saúde na Dinamarca que começou em No Segundo grupo há uma forte tendência para a profissionalização do sector de acção social. No Reino Unido e na Irlanda a legislação em vigor visa elevar o nível de educação dos cuidadores, através da introdução de um nível mínimo de qualificações de entrada para os cuidadores. Em outros países, como a Itália, estão em curso revisões com o objectivo de aumentar e melhorar a profissionalização da indústria dos cuidados. O terceiro grupo de países tem estado a estabelecer a abordagem sistemática no sector de acção social, que inclui: o alargamento e novos conceitos para o apoio domiciliário e apoio residencial, incluindo a discussão sobre princípios de financiamento uniformização dos conceitos do serviço nos locais de trabalho (descrições das funções e competências, sistemas de gestão de qualidade e de controlo) uniformização da abordagem à educação e formação, que inclui a elaboração dos ficheiros centrais de competências, introduzindo os cursos que dão competências nos locais de trabalho do sector. Estes métodos são visíveis na Polónia e em Portugal. Há um interesse quase explosivo das principais empresas tecnológicas nas tecnologias de apoio e na telemedicina 8. A robótica e a tecnologia sensorial têm potencial para serem um factor crucial para a diminuição de uma enorme falta de profissionais de saúde e bem-estar. A tecnologia comunicativa permite unir profissionais e utilizadores, assim como melhorar a colaboração entre os vários níveis do sector da saúde e bem-estar. O uso da tecnologia tem de ser visto como uma forma de trabalhar de modo mais inteligente e eficiente. A tecnologia desempenha um papel secundário; e não irá substituir, de maneira alguma, o elemento humano. A essência das tarefas de apoio 8 Ver por exemplo os resultados da 9ª Conferência dos Avanços da Tecnologia de Apoio na Europa, San Sebastian, 3-5 Outubro

16 baseia-se nos elementos interpessoais, sendo que a tecnologia de apoio prestará uma ajuda extra em situações em que as tarefas de apoio sejam mais exigentes e demoradas e em que os recursos dos cuidadores e profissionais de saúde sejam limitados ou inexistentes 9. Um exemplo concreto é o acordo político existente na Dinamarca em avançar com as tecnologias economizadoras de trabalho. Esta iniciativa é financiada pelo fundo ABT, de onde foram destinados, para o período de 2009 até 2015, à introdução de soluções tecnológicas, principalmente no sector de cuidados a idosos. Outro elemento do apoio ao idoso que será cada vez mais importante é a influência do cliente. Os idosos deverão poder escolher os seus prestadores. Há um aumento previsto na interacção com o cliente em todos os níveis dos serviços. Todas estas mudanças aumentam a necessidade de comunicação entre os operadores que prestam cuidados aos idosos. Por exemplo, é necessário um maior acesso às bases de dados que contêm informações. Esta questão inclui prestadores de serviços do município, assim como prestadores do sector privado. Empresas de transporte, administradores e familiares irão também precisar de ter acesso a informações importantes. Deste modo, serão necessárias soluções TI seguras e de fácil acesso. Ter idosos a viver nas suas próprias casas significa uma maior necessidade de serviços que estejam disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. Na maioria dos países este tipo de soluções estão a começar a ser implantadas, havendo uma combinação equilibrada de um serviço de apoio domiciliário profissional e multifacetado, assim como de TI para apoiarem o auto cuidado em casa. As TI podem ajudar as pessoas a manterem-se em contacto com os seus prestadores de serviço, permitindo também que as suas equipas de profissionais sejam o mais eficiente possível. 9 A perspectiva sistemática das soluções tecnológicas está presente noutra publicação deste projecto: Technology and care (Tecnologia e Cuidados); consulte em 15

17 3. Dez desafios para uma Europa envelhecida Os desafios do sector europeu de serviços sénior podem ser resumidos nas seguintes questões-chave: 1. Falta de recrutamento versus aumento da procura por parte do utilizador de serviços e sua distinção 2. A introdução de novas agendas políticas e estratégias de desenvolvimento com o objectivo de profissionalizar e uniformizar o sector 3. Cuidados de longa duração e cuidados destinados a grupos especiais em termos de consumo de recursos, esquemas de qualidade e meios de comunicação mais avançados entre o sector primário de cuidados médicos e as instituições de acção social 4. Distinção e expansão dos limites profissionais dos serviços destinados aos idosos, comparados com a mudança dos padrões sociais, que criam uma nova necessidade de colaboração sectorial transversal e organizacional transversal. O seguinte segmento apresenta vários desafios que são comuns à maioria dos países europeus estudados. Pretende expor a agenda para a criação de estratégias a nível local, nacional e europeu. 16

18 3.1. Assegurar estratégias de recrutamento suficiente e conservação eficaz O envelhecimento da população da Europa trouxe implicações ao nível do recrutamento para o serviço de saúde e de apoio social. O sector terá de competir com outros sectores por um grupo reduzido de talento, especialmente pessoas mais novas. Por exemplo, os institutos de investigação económica estimam que na Alemanha, em 2015, serão necessários cerca de 2 milhões de postos de trabalho relacionados com a prestação de cuidados aos idosos. E, ainda que a falta de profissionais seja algo iminente, existem apenas algumas estratégias locais e nacionais de recrutamento para fazer face a este desenvolvimento. Recrutamento de novos grupos Há uma consciência por parte dos políticos e responsáveis de que uma opção para criar estratégias de recrutamento é identificar grupos não tradicionais e usá-los no mercado de trabalho escondido. Algumas soluções passam por usar trabalhadores migrantes qualificados ou desenvolver locais de trabalho agradáveis para a população sénior, onde os idosos possam ser convencidos a trabalhar até mais tarde, especialmente no que diz respeito aos reformados antecipados. Outras possibilidades incluem encorajar os que mudam constantemente de carreira, tais como trabalhadores de outros sectores, que procuram novas oportunidades de trabalho, ou adultos desempregados que pretendem reentrar no mercado de trabalho, mas que não têm qualquer experiência na área dos cuidados. Dentro destes dois grupos poderá haver um número mais elevado de homens disponíveis e atraídos por este sector predominantemente feminino. O problema escondido Um problema de extrema importância que muitos países enfrentam é a existência do mercado negro de trabalho, ou seja, trabalhadores ilegais que estão a trabalhar no sector, em parte para resolver a falta de trabalho e, muitas vezes, por um nível salarial significativamente mais baixo do que o dos trabalhadores legais. Em países como a França, Alemanha e Itália, dizem que até 50% das funções relacionadas com os cuidados são desempenhadas por trabalhadores ilegais. A situação é agravada pelo facto de provocar a descida de salários para outros, os trabalhadores legítimos. 17

19 As empresas que operam legalmente enfrentam o grande desafio de oferecer salários competitivos a potenciais trabalhadores, uma vez que os trabalhadores legais procuram muitas vezes salários mais elevados. A única vantagem que podem oferecer aos clientes é uma equipa de profissionais adequadamente formados e um serviço de qualidade elevado. Muitos políticos locais e nacionais são muitas vezes acusados de fecharem os olhos a este problema, uma vez que a existência de uma força de trabalho ilegal neste sector ajuda a resolver parcialmente os sérios problemas laborais. Há, no entanto, excepções a esta regra. A região de Trentino, no norte de Itália, iniciou um projecto, financiado pelo projecto Equal, de amnistia (licença de trabalho) e formação dos trabalhadores ilegais do sector de apoio 10. A força de trabalho envelhecida O perfil de idades nas principais funções de trabalho no sector da acção social é similar na maioria dos países. As estatísticas mostram que quase 30% dos empregados terão a oportunidade de sair do mercado de trabalho com reformas antecipadas. Políticas de conservação devem, por isso, ser estabelecidas, de modo a tornar os locais de trabalho mais atractivos para os trabalhadores idosos (com mais de 50 anos). Actualmente, iniciativas políticas estão concentradas principalmente em aumentar a idade de reforma, fazendo assim com que a reforma antecipada não seja financeiramente atractiva. Simultaneamente, políticas e estratégias devem ser também desenvolvidas de forma a atraírem trabalhadores mais novos a permanecerem mais tempo nos postos de trabalho. A duração média do tempo de serviço no sector de serviços sociais é de quatro anos, resultando numa rotatividade relativamente elevada de profissionais. Muitos locais de trabalho adaptaram-se a este problema, no entanto, há uma necessidade de rever estratégias de conservação para permitir uma maior conservação de trabalhadores, algo que ajudará também a reduzir custos de recrutamento. Outra solução é alterar o trabalho em part-time para a tempo inteiro para aquele grupo de mulheres que têm dificuldades em conjugar de forma equilibrada 10 Projecto Equal Promo Care - La promozione delle donne immigrate nei servizi di cura, coordenado pela Federazione Trentina delle Cooperative SCARL 18

20 as funções familiares e profissionais. Neste caso, devem surgir rotinas organizacionais mais flexíveis para satisfazerem as necessidades especiais deste grupo. 11 É necessário adaptar os modelos educacionais existentes tanto para os trabalhadores mais velhos, como para os mais novos. Por exemplo, muitos candidatos mais velhos podem ter mais competências e experiência profissional, mas não qualificações profissionais específicas. As competências adquiridas podem ser adequadas ao cargo, no entanto, a falta de uma qualificação formal pode torná-los inadequados para o empregador. Para que o sistema educacional seja mais flexível, são necessárias qualificações resultantes da experiência profissional e da experiência de vida, juntamente com a possibilidade de módulos educacionais mais curtos que colmatem as lacunas identificadas de qualificação Novos modelos de colaboração Já existem povoações e aldeias predominantemente ocupadas por determinadas nacionalidades, o que estabelece novos e diferentes requisitos para os serviços de saúde e de acção social locais. O actual modelo de prestação de serviços nos cuidados de saúde e na acção social foi criado com base numa relação simples entre o prestador e o utilizador individual. A equipa de profissionais que trabalha no mercado onde as necessidades são cada vez mais variadas e estão relacionadas com diferentes ramos e áreas de trabalho não consegue dar resposta neste modelo organizacional simples. Isto não se trata apenas de alargar as suas funções e áreas de competência, mas também de novas colaborações e esquemas organizacionais que envolvam intervenientes provenientes dos sistemas formais e informais dos sectores de apoio e de outros sectores (ex.: bem-estar, prevenção, turismo) e de coordenar esforços. Na maioria dos países, especialmente quando o sector formal da acção social é fraco, a questão primordial para diminuir o fardo do sector primário (ex.: hospitais) é organizar um modelo fundido de colaboração entre os hospitais, médicos de família e instituições de apoio domiciliário e de acção social. Neste caso a plataforma de comunicação é crucial, pois as informações vitais do paciente podem ser transmitidas entre os sistemas e 11 Ver o Eurobarómetro 2006 sobre possíveis soluções para o futuro problema da falta de força de trabalho devido ao envelhecimento da população inquérito feito em 25 países da Europa; em Futuro Demográfico da Europa: Factos e Números, Commission Staff Working Document, Bruxelas 2007, p

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