Estudo da ocorrência de veranicos em Lavras - MG

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1 Estudo da ocorrência de veranicos em Lavras - MG Jaime dos Santos Filho 16 Jailson de Araújo Rodrigues 2 6 Ana Paula C. Madeira Silva 3 Joel Augusto Muniz 4 Luiz Gonsaga de Carvalho 5 1- Introdução O conhecimento sobre a duração, quantidade e distribuição da precipitação pluviométrica é fundamental em diversos contextos, tais como manejo de recursos hídricos, erosão hídrica e para o planejamento de culturas agrícolas tais como: preparo do solo e o plantio das sementes, principalmente em áreas não irrigadas que são dependentes das características do regime pluviométrico local. Além da influência em culturas agrícolas, longos períodos de estiagem podem afetar o nível de água nos mananciais e em reservatórios das usinas hidrelétricas, acarretando problemas no abastecimento urbano de água e na geração de energia elétrica. A impossibilidade no conhecimento exato da precipitação pluviométrica, em relação ao tempo e espaço, em função de sua natureza aleatória, motivou o desenvolvimento de diversos trabalhos na modelagem deste fenômeno hidrológico. Por exemplo, Sobrinho et. al. (2011) elaboraram uma Rede Neural Artificial, do tipo FeedForward Multilayer Perceptron para estimar a evapotranspiração de referência num conjunto de dados climáticos diários, em Dourados, MS, entre os meses de janeiro de 2005 e outubro de 2008; Longo et. al. (2006) avaliaram o uso das distribuições gama e log-normal na estimativa de precipitações pluviais quinzenais no Estado do Paraná; Beijo et. al. (2005) determinaram as estimativas pontual e intervalar da precipitação diária máxima na região de Lavras (MG), utilizand a distribuição de valores extremos do tipo I; Cruz et. al. (2004) simularam veranicos com diferentes durações para identificar suas respectivas probabilidades de ocorrência para dezembro, janeiro e fevereiro no Estado do Rio de Janeiro. 1 IFBA CONQUISTA / DEX UFLA. 2 IFBA EUNAPÓLIS 3 UFSJ CSL 4 DEX UFLA 5 DEG UFLA 6 Agradecimento à Capes pelo apoio financeiro 1

2 O veranico, fenômeno que se caracteriza por períodos de interrupção da precipitação pluviométrica durante a estação chuvosa, tem influência direta sobre a produtividade das culturas, principalmente quando seu período de ocorrência coincide com a fase na qual a planta é mais sensível à deficiência hídrica. O principal objetivo deste trabalho é a identificação do fenômeno veranico no município de Lavras, estado de Minas Gerais, tomando por base dados reais de uma série histórica de precipitação diária, coletados no período de 01/01/1970 á 31/12/2010, dados esses obtidos dos registros pluviométricos da Estação Climatológica Principal de Lavras-MG, situada no Campus da Universidade Federal de Lavras, em Lavras, Minas Gerais, em convênio com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A Estação Climatológica está situada nas coordenadas geográficas de 21º14'30 de latitude Sul, 45º00'10 longitude Oeste de Greenwich. 2- Material e métodos Este estudo baseou-se numa série de 41 anos de precipitação pluviométrica diária. Estes dados foram analisados, e os anos com valores anômalos foram eliminados. Esta análise é necessária para controlar os dados, uma vez que, parte das medições foi feita manualmente, e diversos problemas relacionados como ausência de observações, descontinuidade de observações e, em alguns casos, registros irreais foram observados na série história estudada. Nesse trabalho, os veranicos foram convencionados com uma sequência de no mínimo, quatro dias consecutivos com ocorrência de precipitações pluviométricas abaixo de 1 mm. O objetivo deste trabalho é o estudo de identificação e ocorrência de veranicos, fenômeno no município de Lavras, após a definição de parâmetros como dias secos (dias em que a precipitação pluviométrica é menor que 1 mm) e períodos contínuos sem precipitação (quantidade de dias secos sucessivos). 3- Resultados e discussões Após exame cuidadoso da série de precipitações foi observado à ocorrência de veranicos em quase todos os anos dentro do período chuvoso de Lavras, sendo que em alguns anos houve repetição de veranicos (com tempo de duração menor) no mesmo mês. As figuras 1, 2 e 3 mostram a evolução temporal e o número de dias das ocorrências de veranico na estação chuvosa (dezembro a fevereiro), respectivamente nos meses de 2

3 dezembro, janeiro e fevereiro registrados no município de Lavras no período de janeiro de 1970 a dezembro de Figura 1: Evolução temporal da ocorrência de veranicos em dezembro, em Lavras. Figura 2: Evolução temporal da ocorrência de veranicos em janeiro, em Lavras. Figura 1: Evolução temporal da ocorrência de veranicos em fevereiro, em Lavras. Foram registrados 60 veranicos no mês de dezembro, sendo que o maior aconteceu em 2010 e teve a duração de 10 dias, em janeiro registrou-se 57 veranicos, o maior aconteceu em 1990 com duração de 18 dias e em fevereiro o maior evento foi registrado em 1977 com 19 dias de duração. Diniz, et. al. (2006), observaram que a frequência média no Sertão da Microrregião de Petrolina é de aproximadamente 25 dias consecutivos sem registros de chuvas num período de 120 dias, correspondente a quadra chuvosa de janeiro a abril e que nos anos de 1980, 1981 e 1982 ocorreram os maiores veranicos com 45, 41 e 43 dias respectivamente. 3

4 Santana, et. al. (2005), estudando a variabilidade de veranicos sobre o estado de Pernambuco, observaram que na quadra janeiro a abril, o maior período de dias secos ocorreu no ano de 1951, com 57 dias. Entre fevereiro e maio, ocorreu o maior veranico no ano de 1919, com 85 dias. Já de março a junho, no ano de 1993, o maior veranico, teve duração de 52 dias. O maior veranico registrado entre abril e julho, foi em 1994, com duração de 37 dias. Leal, et. al. (2006), estudaram o fenômeno de veranico em três municípios (Itumbiara, Goiatuba e Quirinópolis) do estado de Goiás. Pelo estudo ficou caracterizada a existência do fenômeno nos três municípios, sendo que este pode ser considerado como de caráter extremo, pois as perdas no setor agrícola, o mais importante da economia da Região, foram muito grandes, inclusive tendo sido reconhecida situação de emergência no município de Quirinópolis, que teve o máximo de 24 dias sem ocorrência de precipitação. A tabela 1 apresenta a quantidade de veranicos que foi registrada por mês, entre os anos estudados. Tabela 1: Quantidade de veranicos que foi registrada por mês, entre os anos estudados. Meses Quant. de veranicos Dezembro Janeiro Fevereiro O fenômeno veranico foi registrado em aproximadamente 78% dos anos durante o mês de dezembro, no mês de janeiro houve uma pequena queda na ocorrência deste fenômeno para 76% e em fevereiro a ocorrência subiu para 83%. Observa-se que as maiores frequências são da ocorrência de 1 ou 2 veranicos por mês. Sendo que o mês de fevereiro teve o maior número de veranicos. 4- Conclusões Este trabalho permitiu verificar a ocorrência do veranico no municipio de Lavras no estado de Minas Gerais, por meio da análise da série histórica de precipitação pluviométrica diária, dados coletados no período de 01/01/1970 á 31/12/2010. No período, os maiores veranicos foram observados nos anos de 2010, 1990 e 1977 com duração de 10, 18 e 19 dias, respectivamente para os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Os veranicos são mais frequentes no mês de fevereiro. 4

5 A frequência de ocorrência e a duração de períodos de estiagem dentro do período chuvoso revelam a necessidade da inclusão de estudos sobre a ocorrência de veranicos. É importante a realização de estudos de ocorrência de veranicos associados a outras variáveis que influenciam a precipitação pluviométrica como a distribuição de temperatura do ar, umidade relativa do ar, temperatura dos oceanos, precipitação em áreas circunvizinhas ao municipio estudado. A realização de tais trabalhos irá contribuir para o entendimento das relações existentes entre a ocorrência de veranico e as variações climáticas globais, o que será util para o planejamento da agricultura. 5- Referências [1] CRUZ, E. S.; et. al. Ocorrência de veranicos no estado do Rio de Janeiro. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v.24, n.1, p.68-79, jan./abr [2] BEIJO, L. A.; MUNIZ, J. A.; CASTRO NETO, P. Tempo de retorno das precipitações máximas em Lavras (MG) pela distribuição de valores extremos do Tipo I. Ciências Agrotécnicas, Lavras, v. 29, n. 3, p , maio/jun (2005). [3] DINIZ, M. C. S.; et. al. Estudo climatológico da ocorrência de veranicos na microrregião de Petrolina - Pe. Revista SODEBRAS Volume 1 N 3 - Março/2006. [4] LEAL, L. do S. M.; et. al. Estudo de caso de veranico em três municípios na região sul do estado de Goiás. Disponível em: Acesso em: 13 de março de [5] LONGO, J. L.; SAMPAIO, C. S.; QUEIROZ, M. M. F.; SUSZEK, M. Uso das distribuições gama e log-normal na estimativa de precipitação provável quinzenal. Revista Varia Scientia, Cascavel, v. 6, n. 3, p , [6] SANTANA, S. C.; LACERDA, F. F. e SIMÕES, R. de S. Um estudo da variabilidade de veranicos sobre o estado de Pernambuco. Disponível em: 17/publicacoes/12%20-%20simp-climatologia-veranico-2005.pdf Acesso em: 23 de fevereiro de [7] SOBRINHO, T. A.; RODRIGUES, D. B. B., OLIVEIRA, P. T. S.; REBUCCI, L. C. S.; PERTUSSATTI, C. A. Estimativa da evapotranspiração de referência através de redes neurais artificiais. Revista Brasileira de Meteorologia, v.26, n.2, ,

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