Mais Valia 2.0 O Software Público e a Economia do Conhecimento

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1 Mais Valia 2.0 O Software Público e a Economia do Conhecimento Eduardo Ferreira dos Santos 1 1 Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Brasília DF Brasil Abstract. The wealthyness concept has allways been related to the accumulation of goods and economicity, wich was associated to a intangible good suh as software through the restrictive license. The Internet evolution and free licenses undertake this logic and show us how the innovation can be faster and the wealthyness can be spread using the long tail concepts. The Brazillian Public Software and, more recently, the Virtual Public Market are the first real application example in the whole world. This work s goal is to study it and show it a practical example. Resumo. O conceito de riqueza sempre esteve relacionado à acumulação de bens e ganho de economicidade, o que foi associado a um bem intangível como o software através da licença restritiva. A evolução da Internet e o licenciamento livre subverte essa lógica e mostra como a inovação pode ser mais rápida através da colaboração e como a riqueza pode ser melhor distribuída nos conceitos da teoria da cauda longa. O Software Público e, mais recentemente, o Mercado Público Virtual constituem o primeiro exemplo no mundo de aplicação do modelo ao ecossistema. O objetivo do trabalho é conceituar todas essas nuances e apresentar o exemplo prático no Portal. 1. Introdução O conceito de riqueza sempre esteve associado à acumulação de bens. Segundo a Wikipédia[Riqueza 2008], Riqueza é a situação referente à abundância na posse de

2 dinheiro e propriedades móveis, imóveis e semoventes; o contrário de pobreza. Também se aplica à condição de alguém ter em abundância um determinado bem de valor. Esse conceito diz claramente que, quanto maior a quantidade de bens que conseguimos acumular, mais rico somos. No Manifesto Comunista [Marx and Engels 1848], Marx e Engels foram um pouco mais além, dizendo que "A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos dos particulares, a formação e o crescimento do capital; (...) Este baseia-se exclusivamente na concorrência dos operários entre si". Além do conceito de concorrência, que será mais profundamente explorado durante o trabalho, algumas perguntas se fazem presentes ao observar o cenário: quem acumula o bem? Como a riqueza acumulada é distribuída? O último questionamento foi o cerne da revolução comunista, que tinha como principal objetivo a abolição da propriedade privada para instituir a propriedade coletiva. Acreditavam eles que o cerne da distribuição estava na propriedade. Também este conceito merece uma investigação mais profunda. Em seu artigo [Simon and Vieira 2007], o professor Imre Simon nos mostra como A propriedade é essencial para o funcionamento dos mercados tradicionais. Ela garante o lucro... De fato uma revolução social importante aconteceu com a introdução dos Mercados, que preconizavam ser os entes providos de neutralidade e auto-regulados que poderiam gerar o equilíbrio na distribuição da riqueza. Quando se trata de algo palpável ou tangível podemos aplicar a teoria tradicional de lucro, mas o que podemos dizer sobre bens como o conhecimento? A quem pertence toda a Sabedoria da humanidade? E quem pode lucrar com ela? Perguntas do tipo geraram a criação de um modelo de bens conhecidos como intangíveis. Uma forma pela qual o Mercado tenta tratá-los é tentando descobrir qual a quantidade de riqueza que eles podem gerar. Já existem muitos estudos que tentam traduzir o caráter intangível de algumas empresas em números, normalmente associados à marca.

3 Quando tratamos de um bem como o conhecimento, esse caráter intangível ganha uma importância ainda maior. O valor associado à marca de empresas produtoras de tecnologia e conhecimento está normalmente associado à soma da quantidade de mentes brilhantes que estão em seu quadro de funcionários. Aí talvez esteja a característica mais importante dessa mudança: como o conhecimento não pode ser aprisionado dentro de uma organização, reter as pessoas é fundamental. A experiência de disponibilização de um software desenvolvido pelo Governo Brasileiro trouxe um impacto que não estava inicialmente previsto, já que a idéia era simplesmente devolver à sociedade o dinheiro dos impostos em forma de software. Todavia, o fenômeno de crescimento de sua base de usuários e a criação de um ecossistema ao redor do software causaram uma reflexão importante à todos os envolvidos. Algumas dessas reflexões são desenvolvidas no artigo que relata a experiência de disponibilização do Cacic [Peterle et al. 2006]:...a vivência de interações em uma comunidade de desenvolvimento ativa e gerenciada tem se mostrado como potente antídoto para resistências em disponibilizar soluções desenvolvidas internamente e mesmo para utilizar softwares livres em maior escala. O raciocínio na linha foi completado pelo Secretário de Logística e Tecnologia da Informação, Rogério Santanna, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo no dia 28 de setembro de 2007, onde ele diz que É preciso entender que o código aberto é apenas uma parte do software livre. Talvez a parte mais importante não seja isso, mas a criação de uma comunidade de pessoas e de empresas que compartilham suas melhorias, fazendo com que a ferramenta evolua, melhore, se qualifique e incremente inovações com a rapidez que as abordagens tradicionais fechadas não conseguem fazer. A criação desse ambiente central de comunidade, que vamos chamar de ecossistema será o objeto de análise de nosso estudo. Trataremos as principais teorias sociais e econômicas que o envolvem com o objetivo de, ao final do estudo, termos uma idéia de como se formou, qual o seu impacto no sociedade, e o que deve acontecer no futuro.

4 2. Riqueza e Propriedade 2.1. Riqueza Segundo o Manifesto Comunista [Marx and Engels 1848] "A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação de riqueza nas mãos dos particulares, a formação do crescimento do capital; a condição de existência do capital é o trabalho assalariado. Este baseia-se unicamente na concorrência dos operários entre si". Vamos destacar duas palavras para uma análise mais aprofundada: capital e concorrência. O conceito de riqueza, como vimos na Introdução, está quase sempre associado ao de propriedade. Quando Marx introduz o conceito de capital, seu objetivo é separar dois tipos de propriedade: a do empregado sobre seu dinheiro e a do patrão sobre seu empregado. O capital, algo qualificado como negativo, é o acúmulo de bens obtido pelo patrão pela exploração ou apropriação do trabalho de outrem. Tal idéia é melhor explicada um pouco mais à frente: "Mas o trabalho do proletário, o trabalho assalariado, cria propriedade para o proletário? De nenhum modo. Cria o capital, isto é, a propriedade que explora o trabalho assalariado e que só pode aumentar sob a condição de produzir novo trabalho assalariado, a fim de explorá-lo novamente. Em sua forma atual, a propriedade de move entre os dois termos antagônicos: capital e trabalho assalariado". Para Marx, a riqueza estava atrelada exclusivamente ao acúmulo de capital, que por sua vez alçava o indivíduo automaticamente à categoria de burguês. Na visão dos comunistas, só havia uma saída para a distribuição da riqueza: "...os comunistas podem resumir sua teoria numa fórmula única: a abolição da propriedade privada". Todo o ambiente apresentado está centrado na visão da concorrência, como está explicitado no início da seção. Até mesmo o trabalho de mais proletários era prejudicial à distribuição, já que se há duas pessoas disponíveis para executar o mesmo serviço, será selecionada aquela que apresentar o menor valor por seu trabalho.

5 Colocando as palavras de Marx em um contexto histórico, temos de nos lembrar que a revolução industrial era um fenômeno recente. A maior parte dos serviços executados pela população da época estavam relacionados à produção de material industrializado, e a história já nos mostrou que o comunismo, na maneira como foi implantado, não deu certo na maior parte dos países. Os motivos do assim chamado "fracasso"do comunismo são muitos, já foram amplamente discutidos, e uma nova abordagem para o fato traria pouca ou nenhuma contribuição. Mas há algo na descrição do contexto que pode ser objeto de análise mais profunda, e está implícito basicamente na natureza do bem Propriedade Uma profunda análise do sistema atual de propriedades é feita pelo professor Imre Simon em seu artigo [Simon and Vieira 2007], que nos traz uma reflexão bastante pertinente: "A propriedade é essencial para o funcionamento dos mercados tradicionais. Ela garante o lucro (...) Os homens, no entanto, não se relacionam com os objetos sejam eles naturais ou produzidos apenas por meio dos mecanismos da propriedade". Essa lógica já havia sido percebida por Marx ao dizer que os comunistas desejavam a abolição da propriedade privada e não da propriedade de maneira geral. O exemplo dá a entender que existe algum outro mecanismo de riqueza que não está necessariamente relacionado à propriedade, e sim a outros fatores. Aos mecanismos geradores de riquezas onde a propriedade não pode ser definida ou associada, há uma definição dada por [Simon and Vieira 2007] e por ele chamada commons: "Commons são conjuntos de recursos utilizados em comum por uma determinada comunidade. Todos os membros dessa comunidade podem utilizá-los, de forma transparente, sem necessidade de permissões de acesso. (...) São commons também os recursos recursos ambientais compartilhados, como o ar e a água, e alguns bens essenciais para a vida nas cidades: ruas, parques, pontes, etc." Aos mecanismos citados, que podem ser definidos como sociais acima de tudo, fica difícil definir a propriedade em sua definição tradicional. Não podemos dizer, mesmo

6 que em alguns locais aconteçam tentativas estapafúrdias de apropriação e estelionato, que este ou aquele indivíduo são donos da praia em que nos banhamos, ou da água que bebemos. No último exemplo, como será estudado na próxima seção, ainda há tentativas de atribuir um caráter proprietário ao bem apresentando uma conta a quem o consome, mas como diz [Simon and Vieira 2007], trata-se de uma necessidade natural de criação de regras de preservação. As regras de convivência entre os seres humanos não permitem, teoricamente, que um só ser consuma toda a água existente. Aplica-se o mesmo exemplo ao ar, que está cada vez mais ameaçado pela poluição e tornando-se até mesmo escasso em algumas partes do globo terrestre. A falta de água ou de ar, ainda que tratem-se de commons importantes, acontecem principalmente pela natureza do bem. A água consumida por um certamente faltará ao outro, assim como a quantidade de ar poluído jogado na atmosfera certamente causará a diminuição de ar puro em alguma parte do globo. O professor [Simon and Vieira 2007] nos apresenta aqui mais um importante conceito: "...os commons materiais são chamados de extinguíveis, competitivos ou rivais, no sentido de que o meu uso de um recurso rivaliza com o seu uso." Na definição de [Marx and Engels 1848], os commons não são bens passíveis de propriedade e devem ser protegidos. A proteção se torna ainda mais importante por causa da liberdade associada ao seu uso, pois conforme citação em [Simon and Vieira 2007] do pensador Hardin "...os commons sempre tenderiam à extinção, pois a liberdade que permitem conduziria a uso irresponsável e excessivo". É a primeira vez em que talvez a palavra mais importante de toda essa discussão é citada: liberdade. 3. Escassez, Provisionamento e Caráter Intangível dos Bens 3.1. Escassez e Caráter Intangível dos Bens Um dos mais importantes princípios econômicos é aquele relacionado à escassez. Como diz Paul Samuelson, no seu clássico Curso de Economia Moderna: "Os problemas do que, como e para quem produzir, não constituiriam nenhuma

7 dificuldade se os recursos fossem ilimitados, se fosse possível produzir quantidades ilimitadas de cada produto, ou se as necessidades humanas fossem assim totalmente satisfeitas.(...) Em uma palavra: não haveria bens econômicos. Todas as coisas seriam livres como a água e o ar". Na definição tradicional, só podem ser chamados de bens aqueles que foram escassos. Ele é o fundamento que baseia os mercados tradicionais e encontra sua expressão na lei da oferta e da procura. Um determinado bem só pode ganhar economicidade quando a quantidade de pessoas que o possuem é menor que a quantidade que quer comprar. Se todos pudessem ter a um custo cada vez menor chegaria um ponto em que o preço tenderia a zero, e o fato de vendê-lo não faria mais sentido. Todavia, existem alguns bens que são de difícil mensuração de valor, conforme nos mostra [Meffe 2008]: "Na economia dos bens tangíveis, estruturada no princípio da escassez, os recursos são limitados e de fácil mensuração, o que facilita a identificação contábil. Quando trabalhamos com bens intangíveis uma parte do custo é abstrato e de difícil aferição. Algo que já convivemos, por exemplo, com a marca, a patente, a pesquisa, o conhecimento e a informação". O trecho acima sugere a existência de bens econômicos que não se encaixam na definição tradicional, principalmente por ferir o princípio da escassez. Alguns pensadores como BENKLER E TOFFLER têm trabalhado um pouco além da definição do commons clássico, principalmente nas últimas duas décadas. Percebeu-se que existem outros fatores, não tão facilmente definidos, que são passíveis de tornar-se riqueza. O grande primeiro impacto talvez tenha sido causado por [Tofler and Tofler 2007] quando define o conhecimento como importante fator de riqueza. [Simon and Vieira 2007] traduziu-os como commons de conhecimento ou intelectual. O caráter intrínseco do conhecimento agrega ao bem uma característica muito importante: a não-rivalidade. Existe um dito popular que diz: quando uma pessoa chega

8 para conversar com a outra e cada uma tem uma idéia, ao final do diálogo ambos têm duas idéias. Não é possível acabar com o conhecimento utilizando-o muito, pelo contrário, como diz [Simon and Vieira 2007]: "...a cada vez que uma pessoa entra em contato com um conhecimento ele se multiplica; pertence à pessoa que entrou em contato com ele, mas nem por isso deixa de existir em sua fonte original". A capacidade de multiplicação por utilização vai além ainda dos conceitos de rivalidade, principalmente aplicada ao bem software. Cada vez que uma pessoa entra em contato com um determinado bem, sua capacidade não só aumenta, mas o coletivo como um todo engrandece, seja pela quantidade de usuários experientes que podem ajudar outros, seja pela melhoria do código-fonte que é sua raiz e essência. Aí surge o conceito de anti-rivalidade Provisionamento Voltando à teoria econômica clássica, uma outra importante questão vem à tona: se o bem não gera escassez, não há aumento de economicidade, ou seja, não dá lucro. Se não dá lucro, como ele pode continuar gerando riqueza? Ou como fiz [Simon and Vieira 2007],...como garantir que haverá incentivo suficiente para que os bens sejam produzidos? A primeira tentativa de resposta é da por [Tofler and Tofler 2007]: "Os aspectos intangíveis que associamos às propriedades tangíveis estão se multiplicando rapidamente. (...) Um estudo da Brookings Institution descobriu que, já em 1982, os bens intangíveis de mineradoras e indústrias manufatureiras representavam 38% do valor total de mercado das empresas. Dez anos depois (...) o componente intangível representava 62% - ou quase dois terços do valor real". Nesse caso, o mercado reconhece o valor intangível da empresa pois imagina que a capacidade de inovação e o reconhecimento por parte dos compradores está bastante associado à marca, o que na maior parte dos casos representa a verdade. É muito comum ouvir falar em responsabilidade social e valorização dos ativos intangíveis como uma

9 tentativa de agregar valor sem necessariamente alocar recursos tangíveis. Uma empresa que é conhecida por inovar, respeitar a natureza e contribuir com a comunidade em que se insere certamente tem um valor intangível maior, ainda que seu negócio não esteja necessariamente associado a bens intangíveis. Quando falamos de software um caráter tangível é inserido no software através da licença restritiva, numa tentativa de aumentar a economicidade do bem e facilitar seu provisionamento. Se o mercado tradicional fosse uma verdade absoluta não haveria questionamentos ao modelo e com certeza seguiria sem contestação. Contudo, estamos vivendo na era da informação, e o conhecimento é um componente cada vez mais estratégico. Quando uma licença restritiva é aplicada a um software, parte do conhecimento utilizado em sua concepção está atrelado ao produto. Uma vez que não pode ser revelado sob risco de perda da vantagem estratégica, a colaboração entre os atores envolvidas em seu ecossistema está restrito ao que for permitido pelas empresas detentoras do código. 4. Modelos de Licenciamento 4.1. Licenças e contratos restritivos Há ainda questões importantes a serem levantadas, como se um bem é intangível e antirival, como é possível vendê-lo? É possível comprar a mente de alguém? Pode parecer uma pergunta um tanto quanto inadequada e exagerada, mas uma reportagem do jornal Correio Braziliense [Faria 2008], expôs muito bem a sua importância na economia de até alguns anos atrás. Zé ramalho está impedido de lançar, desde 2005, um CD e um DVD com sucessos compostos por ele mesmo. (...) O conflito ao qual ele se refere começou em 1999, quando um grupo de 28 editoras musicais (...) (Abem) tentou aumentar as taxas das gravadoras para usar as músicas em CD s e DVD s. O reajuste não foi aceito. Iniciou-se aí um jogo de estratégia em que até o rei Roberto Carlos virou peão. (...) "As editoras simplesmente deixaram de autorizar a reprodução em DVD das obras dos artistas que representam."(...) Tanto Zé Ramalho quanto Roberto e Erasmo movem processo contra

10 a editora EMI Songs, tentando rescindir os contratos pelos quais cederam os direitos patrimoniais de suas canções À época da assinatura do contrato ainda acreditava-se que a venda de discos ou cobrança de taxas pela exibição das músicas seria para sempre um negócio rentável. O modelo se mostrava como sendo bom para todos: para o artista, que tinha o seu garantido sem precisar compor e para a gravadora, que podia cobrar pela exibição do conteúdo produzido. Contudo, a revolução do peering ou compartilhamento aconteceu e as vendas de discos caíram vertiginosamente. Os direitos de composição sobre a venda de discos deixaram de ser a principal fonte de renda para os músicos, ao mesmo tempo em que o acesso às suas canções aumentou consideravelmente, já que não é mais necessário comprar um disco com preço acima da faixa de renda da população para ouvir a música. O principal negócio passa a ser então a venda de apresentações. Nada melhor para vender a apresentação do que uma amostra de vídeo que contém suas principais partes e um público entusiasmado aplaudindo. Foi aí que ganhou importância o mercado de DVD s. Ao mesmo tempo em que a disseminação por meios não oficiais da música é boa para o artista é péssima para a gravadora, pois não gera receita sobre vendas de discos. Como o DVD é, e pode ser que não seja mais em breve, consumido por uma classe de poder aquisitivo maior a tendência é que os meios oficiais sejam procurados no momento da aquisição. Como não há mais nenhuma receita que possa ser extraída do artista para a gravadora, o que resta a ela é agarrar-se ao DVD como fonte de renda. Quase sempre que baixamos ou compramos um software de computador, estamos sujeito a um contrato com o desenvolvedor, que também é conhecido como licença. Uma melhor definição encontramos em [Falcão et al. 2007]: O Software no Brasil é regido pelo direito autoral. Na sua maioria das vezes, essa proteção decorrente da lei segue aliada aos termos conferidos por um contrato atinente a determinado software. Esse contrato é denominado de "licença". A licença de um software estabelece um rol de direitos e deveres que se projetam sobre um determinado

11 software. Uma vez que a produção de software está associada a conhecimento, podemos inferir que também ele é um bem intangível, assim como a produção de música. No exemplo que vimos, Zé Ramalho, como autor das canções, fez um contrato com uma editora no qual cedeu os direitos de exploração comercial sobre todas as suas canções. Mesmo tendo como característica intrínseca a intangibilidade, o contrato de venda atribui fantasiosamente um caráter tangível às suas composições, uma vez que foi estabelecido e pago um preço por elas. A sua capacidade criativa não foi vendida à editora, pois ainda se trata de algo única e exclusivamente seu, mas todo o produto gerado não pertence mais à ele. Na legislação brasileira isso é possível porque o direito autoral, como vimos acima, permite a celebração de um contrato entre as partes, que deve ser respeitado por todos os que assinaram ou concordaram com ele. Estamos diante de um dos exemplos mais comuns de associação de caráter tangível a um bem intangível. Mesmo a reprodução da música sendo teoricamente ilimitada, o contrato restringe sua realização exigindo uma quantia em dinheiro para sua permissão. Isso acaba gerando uma "falsa escassez", e os valores das obras diminuem ou aumentam de acordo com a lei da oferta e da procura. As obras de algumas editoras acabam ganhando uma "economicidade forçada", que será controlada sim por variáveis econômicas. Contudo, há um importante elemento que muitas vezes não é observado: o contrato se estende a todos os usuários. É fácil visualizar a relação comercial existente entre a editora e o compositor, mas não é tão simples compreender o vínculo entre gravadora e usuário, aquele que compra a obra. Uma vez estabelecido o contrato sobre o direito da música à editora, esta o vende à gravadora para que produza os discos. Num último momento, o mesmo contrato é estendido ao usuário no momento da compra, sob os quais recaem novos direitos estabelecidos pela gravadora. À medida em que o produto do conhecimento do músico (obra) vai caminhando

12 no processo, a tendência é haver contratos cada vez mais restritivos. No caso da música, a editora possui o direito de alterar a obra, enquanto a gravadora possui o direito de gravála e revendê-la. Já no caso do usuário, até a transferência de mídia é restrita e, na maior parte dos casos, proibida. O único direito normalmente é reproduzir, e mesmo assim num ambiente limitado. Quando trazemos o exemplo para o software, a situação é ainda mais caótica. O fluxo de licenciamento pode ser muito mais complexo e envolver muitos mais variáveis do que um obra musical. Um bom exemplo é um contrato de utilização de banco de dados: paga-se por processador, por máquina, por quantidade de conexões, por perfil de uso, e muitas outras nuances. Softwares antivírus podem ser gratuitos para uso em casa e pagos para uso comercial, ou ainda pago por um determinado número de meses e a partir daí cobra-se pelas atualizações. Nos sistemas operacionais, pode ser possível a utilização somente em uma máquina específica, como é o caso das licenças que vêm de fábrica. Com toda a complexidade, é praticamente impossível para o usuário entender o tipo de contrato que está assinando. Se no caso da compra de um CD ou DVD não está claro para a maior parte das pessoas onde pode e onde não pode reproduzir a música, no caso do software a tendência é que a maior parte não tenha a menor idéia das suas liberdades em relação a ele. Diferentemente de um contrato que possui um papel para ser lido e assinado, na maior parte dos softwares o contrato só aparece após a compra do produto, no momento da instalação. Mais um agravante para que seu conteúdo seja desconhecido. O ambiente descrito não é novidade para ninguém, mas a novidade talvez esteja no que aconteceu com Zé Ramalho, conforme mostra a reportagem. No ano de 2005 foi realizada a gravação de seu DVD ao Vivo para comemorar os 25 anos de carreira. A idéia, que é óbvia e já foi bastante utilizada por outros artistas, era fazer um espetáculo bem produzido para alavancar a venda de DVD s e apresentações ao redor do país. Todavia, por uma pendência jurídica de valores, a editora que detém os direitos sobre as canções que ele nem mesmo escreveu, proibiu a comercialização do DVD, propriedade da gravadora.

13 Foi assim que um contrato de licenciamento, que será discutido mais adiante, "comprou"a mente do artista. Mesmo cercado de advogados muito experientes que leram e releram o seu contrato, ele não foi capaz de prever o que aconteceria. Quando um usuário leigo lê uma licença que pode restringir sua liberdade, ele é capaz de tomar uma decisão pensada e consciente? 4.2. Software Livre e Creative Commons O exemplo de Zé Ramalho encontra um paralelo no episódio que impulsionou a criação do Software Livre. Na década de 70 os programas de computador era desenvolvidos de forma aberta naturalmente. O não acesso ao código-fonte era um exceção muito mal vista pelo meio acadêmico, que na época talvez fosse o principal usuário de programas de computador. Na equipe de programadores do MIT existia, à época, um jovem chamado Richard Stallman. Ele trabalhava numa rede que estava conectada a uma impressora que, por sua vez, era gerenciada por um programa desenvolvido pela própria equipe. No ano de 1984 o programa foi substituído por um outro que havia sido desenvolvido por uma empresa, e Stallman solicitou à ela o acesso ao código-fonte para poder ajustá-lo às necessidades do laboratório. A empresa negou o acesso, o que foi considerado uma ofensa. Afinal, o programa era fruto de um esforço coletivo, e a restrição de acesso impedia seu compartilhamento. O episódio foi impulso que geraria, um ano mais tarde, a Free Software Foundation. Seu objetivo era fomentar o acesso ao código-fonte dos programas para partilhar o conhecimento que ali se fazia presente. Com o fechamento do Unix pela AT&T, a instituição decidiu aproveitar a oportunidade e criar um sistema operacional que fosse totalmente aberto: o GNU (do termo em inglês GNU is Not Unix), que foi baseado num contrato chamado GPL (GNU General Public License). Sua criação praticamente inventou o termo Software Livre, que é baseado em quatro pilares básicos: 1. A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito. 2. A liberdade de estudar como o programa funciona, e de adaptá-lo às suas necessidades. O acesso ao código fonte é uma condição prévia para o exercício dessa

14 liberdade. 3. A liberdade de redistribuir cópias, de modo que você possa auxiliar outras pessoas. 4. A liberdade de aperfeiçoar o programa e distribuir esses aperfeiçoamentos para o público, de modo a beneficiar toda a comunidade. O acesso ao código fonte é também uma condição prévia para o exercício dessa liberdade. [Falcão et al. 2007] Se a licença acima fosse aplicada a música, ela estaria basicamente o seguinte: pegue essa música, ouça onde quiser, dê à seus amigos para que ouçam, modifique-a como quiser e, caso queira alterá-la e vendê-la, sinta-se à vontade para fazê-lo, desde que as pessoas que comprarem possam fazer as mesmas coisas. Pode parecer uma utopia e, até certo ponto, algo impensável se analisarmos o mercado de música tradicional. Afinal, como pode uma gravadora, que vende unicamente discos, ser viável economicamente respeitando as mesmas liberdades que as propostas por Stallman? Fundada em 1998 por João Marcelo Bôscoli, músico e filho de Elis Regina, a gravadora Trama tinha como principal objetivo criar um novo modelo de negócios para a música, que privilegiasse o artista que não tinha espaço na mídia. O modelo de divulgação de um artista musical nos veículos tradicionais é caro, e a ferramenta visualizada como oportunidade par Bôscoli como divulgação foi a Internet. Seus ideais foram divulgados no Manifesto Trama [Bôscoli and Szajman 2008], que aclamava a fundação da gravadora. Coincidência ou não, existem alguns pontos no Manifesto que guardam semelhança com os princípios defendidos por Stallman: Nós da trama acreditamos que: (...) Devemos preservar e valorizar as relações humanas. (...) A tecnologia existe para servir a música, e não contrário. (...) A tecnologia digital (Internet, celular, TV, etc.) é a maior difusora da música da história da humanidade, convergindo divulgação e consumo em tempo real. Propósito original. Não havia uma gravadora no início dos tempos e um artista foi pedir um emprego. Havia sim um artista e ao redor dele se construiu um negócio. Toda vez que essa direção for invertida teremos problemas, pois o propósito

15 é e sempre será a MÚSICA. Nós da trama acreditamos que: (...) Incentivar o artista nacional para que seu trabalho tenha forma, acabamento e linguagem reconhecíveis internacionalmente. (...) Manter uma constante busca por inovação, renovação, consolidação e perpetuação das obras artísticas brasileiras Utilizar a tecnologia digital como facilitadora da prospecção artística, da criação, produção, interação, promoção e distribuição de música. Criar relações baseadas no respeito, liberdade e compartilhamento de visão e estética de uma forma consensual, nunca imposta. Ainda que Bôscoli não tenha tido a mesma preocupação de Stallman em criar um contrato específico para os desenvolvedores, há alguns pontos em comum que merecem ser destacados. As preocupações com o compartilhamento do conhecimento e a colaboração entre os entes envolvidos são pontos centrais em ambos os discursos, além da liberdade de execução. A Trama não é a maior gravadora do país, mas está viva há dez anos e sempre utilizou a rede como principal meio de divulgação. A generalização das liberdades defendidas pela FSF a outras formas de conhecimento gerou o termo creative commons, que se transformou num movimento e possui um sítio na Internet no endereço Para o artista a principal vantagem é a distribuição granula rizada e sem custo. Para a Trama, pode ser um indício de criação de um novo mercado para as músicas: de apropriadores a difusores de conhecimento musical Liberdade na Legislação Brasileira Já sabemos que a licença é um contrato e, por tratar da legislação da propriedade intelectual, cabe ao desenvolvedor original ou criador definir o modelo que será adotado. Todavia, quais são os aspectos legais presentes na legislação brasileira? Como podem ser garantidas todas as liberdades defendidas pela FSF? O estudo realizado pela FGV

16 [Falcão et al. 2007] nos ajuda a entender a legislação e os diferentes modelos de licenciamento. São três as dimensões a partir das quais se enfoca o Software Livre em suas relações com os princípios constitucionais: uma dimensão formal, como contrato privado e duas dimensões substantivas (...) A primeira dimensão compreende a simples relação de troca entre o autor do código fonte e seus múltiplos, inominados e sucessivos usuários. Nesta dimensão, estamos nos domínios dos direitos de propriedade e, dentro deste, na seara específica da propriedade intelectual. O foco é o contrato, com os direitos e obrigações nele estabelecidos entre o autor e os usuários em torno do usar, gozar e dispor do software livre. Quando trata da dimensão jurídica, o autor trata do conceito de contrato de licenciamento em rede, que seria uma evolução do licenciamento tradicional. Pela definição um contrato tradicional se dá entre duas partes na troca de um produto ou serviço por dinheiro; no caso tratado, quando a transação entre as partes se completa, o custo se transforma na obrigação de transmissão do legado. Isso significa que os direitos garantidos a quem adquire o software se transformam em deveres, que devem ser repassados nos mesmos termos sucessivamente. Caso aquele que adquirir não concordar com os termos do contrato, ele tem a liberdade de não executar a transação, mas não pode fazê-lo e desrespeitar o contrato depois. Por isso é um princípio que se propaga em rede. O contrato de licenciamento em rede, como definido pelos autores, possui seis características principais: 1....todas as partes são ao mesmo tempo contratados e contratantes, licenciados e licenciantes. 2. Esta cláusula de compartilhamento exerce pelo menos duas funções. Primeiro, transforma o contrato de licenciamento numa oferta erga omnes (...) Segundo, não cria nenhuma escassez legal, como no contrato liberal clássico. 3. Mesmo que surja para satisfazer uma necessidade muito específica, o interesse coletivo é respeitado no desenvolvimento do software, já que a vontade da mai-

17 oria determina seu rumo. São muito comuns o surgimento de grupos sociais ou comunidades ao seu redor. 4. Quem determina o interesse da comunidade não é o Estado ou o Mercado, e sim o próprio interesse manifestado através da liberdade de adaptá-lo. Esta característica subverte a lógica de Mercado e a dicotomia clássica entre interesses privados egoístas e interesses públicos altruístas. 5. O lucro deixa de ser o fim e passa a ser o meio. Os interesses individuais e sociais podem levar o mesmo produto a vários caminhos diferentes, sem prejuízo a nenhuma das partes. 6. Não há níveis de contrato e lucro como numa transação tradicional. Ao mesmo tempo em que são vendedores do produto, os entes envolvidos podem ser também produtores, todos sujeitos ao mesmo contrato e com possibilidades de ganho equiparadas por definição. Quando saímos das questões constitucionais e nos aproximamos do direito privado, há alguns detalhes que são ainda mais sutis, mas são bastante significativos quando na definição de modelo de negócios. É importante mencionar que Software Livre não se confunde com software de código aberto. Um software pode ter seu código aberto, mas não propiciar as liberdades descritas na introdução do presente estudo com relação aos seus usuários. (...) Em outras palavras, todo software livre deverá ter seu código aberto, mas nem todo software de código aberto será um software livre. Ele só o será no caso de, além do código aberto, garantir através de uma licença as quatro liberdades fundamentais: executar, estudar, redistribuir e aperfeiçoar. O livro da FGV traz uma consideração bastante importante: o grau de liberdade sobre o software varia com a licença, que muda muito de acordo com cada fabricante. Para a maior parte das pessoas Open Source ou Código Aberto e Free Software ou Software Livre são a mesma coisa, mas o trecho acima mostra claramente que há ou podem haver diferenças.

18 Na comunidade de Software Livre surgiu, no ano de 1997, a OSI ou Open Source Initiative. Tudo começou com um artigo de Eric Raymod, onde ele defendia a liberação de código e de forma rápida, ainda que não estivesse acabado. Eric e um grupo de outras pessoas foram convidados para ajudar nos termos de liberação do código para o Netscape, que na época já não era o mais usado, e a empresa que o detinha tinha medo de que o projeto morresse. Foi então que, no dia 3 de fevereiro de 1998, Eric, John "Maddog Hall", Larry Augustin, Sam Ockman, Michael Tieman, Todd Anderson, Chris Petterson e outros criaram o termo open source ou código aberto. Como havia uma espécie de "barreira moral"entre as empresas e o software livre, como conhecido na época, o objetivo do termo código aberto foi um caminho encontrado por eles para que as empresas pudessem abrir o código de seus programas sem ter que enfrentar a comunidade, considerada muito radical. A idéia pareceu atraente e logo o próprio Linus Torvalds decidiu promover o uso de termo. No dia 8 de abril do mesmo ano, uma grande reunião das principais comunidades da "cultura hacker"aconteceu na Free Software Summit de Tim O Reilly, dentre elas Apache, Perl, Python, Linux e muitos outros. Naquele dia eles decidiram promover o uso do termo código aberto para livra-se do pragmatismo e estar mais próximo do mercado, assim como Raymond vinha pregando [Tiemann 2008]. A idéia inicial era apenas criar um termo que estivesse mais próximo das empresas e menos sujeito ao crivo "sensacionalista"da comunidade e da FSF, como nos diz [Evangelista 2005]: Não há diferenças substanciais entre o que os termos software livre e código aberto pretendem definir. Ambos estabelecem praticamente os mesmos parâmetros que uma licença de software deve conter para ser considerada livre ou aberta. Ambas estabelecem, na prática, que o software deve respeitar aquelas quatro liberdades básicas que a FSF estabeleceu. Mas os defensores do termo código aberto afirmam que o termo fez com que os empresários percebessem que o software livre também pode ser comercializado. Teriam sido mudanças pragmáticas e não ideológicas.

19 A possibilidade de comercialização abriu, de fato, as portas para muitas empresas, que viram na nova definição um modelo que poderia ser lucrativo. Todavia, abriu-se também uma brecha para pequenas alterações que, apesar de manter algumas características básicas como o acesso ao código-fonte, apresenta certos tipos de restrição a algumas das outras liberdades. Do ponto de vista do usuário, que em sua maior parte não se preocupa com as liberdades, a sensação de poder baixar o software gratuitamente dá a idéia de que qualquer software que possa ser utilizado sem pagamento de licenças ou royalties é livre, e isso nem sempre é verdade. Software Livre não significa, em nenhum momento, software grátis, sendo possível inclusive a cobrança desde que as liberdades sejam respeitadas. O "perigo"do termo é novamente abordado por [Evangelista 2005] quando fala do retorno de Bruce Perens à comunidade Debian: Em fevereiro de 1999, Bruce Perens, alegando divergências éticas e pessoais com Eric Raymond, abandonou a Open Source Initiative e retornou à comunidade Debian, de quem havia se distanciado. O fez por meio de um enviado à lista de discussão dos desenvolvedores Debian intitulado "It s time to talk about free software again". (...) ele afirma que open source e free software significam a mesma coisa, mas que a OSI não tem enfatizado a importância da liberdade, o que considera um erro. A entrada das empresas no mundo do Software Livre é bastante importante, mas o que elas precisam entender é que não basta apenas abrir o código dos seus produtos: é preciso aprender a trabalhar em rede. A organização caótica das comunidades e seu modo de produção difuso normalmente não combinam com as estruturas hierárquicas da maior parte das organizações. Até por isso algumas empresas têm adotados modelos de licenciamento próprios e buscado o selo da FSF e da OSI para ter o aval da comunidade e não serem mau vistas. Todavia, uma nova economia está surgindo, e elas precisam entender e conceber modelos que gerem riqueza sem restrição de liberdade. O aumento da intangibilidade, a necessidade de clareza e, principalmente, a evolução da Internet, têm gerado uma economia que subverte a lógica tradicional dos mercados.

20 É o que ficou conhecido no mundo inteiro como Wikinomics. 5. Wikinomics Wikinomics é, em primeiro lugar, um livro [Tapscott 2007] lançado para entender a economia do compartilhamento criada através da Internet. A tese de onde partem os autores diz: De fato, com um número cada vez maior de empresas percebendo os benefícios da colaboração em massa, esse novo modo de organização acabará por substituir as estruturas empresariais tradicionais como motor primário de criação de riqueza na economia. Mas afinal, que colaboração é essa da qual falam os autores? Qual foi a grande mudança também percebida por Toffler que valorizou o conhecimento como nunca e possibilitou a revolução no modelo econômico? Grande parte dessa mudança pode ser creditada à disseminação da Internet. O conhecimento sempre esteve em algum lugar do mundo, mas nunca foi tão rápido chegar até ele. Em muitos casos, é possível fazê-lo com um ou dois cliques de mouse. O infográfico a seguir mostra um pouco da evolução da rede com o passar do tempo:

21 Figura 1. Visão Google das Mudanças As primeiras tentativas de indexação e busca de conteúdo na rede vão de antes de 1994, mas só nessa data elas ganham alguma importância através do Yahoo! Contudo, o foco ainda era bastante comercial e a sensação do usuário era de dificuldade em encontrar seu verdadeiro desejo. A partir de 1998, com a chegada do Google e seu algoritmo de pagerank, o foco passou a ser entregar ao usuário o que ele realmente queria, e não o que estavam pagando para que ele visse. Foi quando as pesquisas pela rede se tornaram melhores e a utilidade do ponto de vista de quem busca também aumentou consideravelmente. Ainda na visão empresarial do Google sobre a rede, em 2000 ocorre uma grande mudança com a chegada da Amazon trazendo o comércio à rede. Entre os anos de 2000 e 2003 ocorre uma explosão na quantidade de usuários com acesso à Internet, relacionada principalmente à massificação da banda larga. Além de ter mais usuários eles também ficam conectados por mais tempo, e a interação entre eles cresce através de pequenas redes de contato. Como ele está mais tempo conectado e seus amigos também, eles passam a

22 utilizar a rede também para interagir. É então que Tim O Reilly inventaria o termo que ficou famoso e seria amplamente utilizado: Web 2.0. Uma definição interessante para o termo é dada por [Reis 2008]: "Web 2.0 é uma série de aplicações que propiciam e potencializam a formação de redes sociais digitais. Redes sociais são coletivos de pessoas e agentes que interagem direta ou indiretamente entre si e constroem certos padrões recorrentes de relacionamento e comportamento". Com essa mudança o usuário passa de consumidor de conteúdo em uma nova mídia a produtor de conteúdo nos mais diferentes formatos. De forma gradativa, algumas revoluções foram acontecendo no comportamento do usuário. Talvez o termo seja um pouco ousado demais para traduzir o que ocorreu, mas o seu sentido de mudança brusca e alteração dos padrões ajuda a descrever a forte quebra de paradigmas em alguns setores, principalmente naqueles relacionados à mídia e comunicação Primeira revolução: blogues Na lista dos 100 homens mais influentes do Brasil sempre estiveram presentes personalidades conhecidas do grande público ou da mídia especializada, que gostava de chamá-los de intelectuais. Todavia, uma montagem feito no computador fez que um ilustre desconhecido (pelo menos entre o público tradicional) fosse alvo até mesmo de menções críticas entre os parlamentares. A montagem com a foto da Senadora Heloísa Helena na capa da revista Playboy rendeu até mesmo ameaças de retaliação e comentários inconformados. No ano de 2007, Antônio Tabet, conhecido pelo blog Kibeloco esteve na lista dos 100 mais. O que alçou um funcionário da produção do apresentador Luciano Huck à condição de celebridade foi o fenômeno da blogosfera, expressão que sintetiza o universo dos Blogues. Não fosse a Internet, Antônio talvez conseguisse algumas risadas de seus colegas de trabalho, ou até mesmo a participação em algum programa de auditório, mas certamente não estaria na fatídica lista. Graças a rede todas as suas "piadas"e opiniões

23 mais sérias ão lidas diariamente por milhares de pessoas, a ponto de uma montagem em seu endereço ter sido motivo de citação entre os parlamentares. Para empresas e governo, trata-se de uma mudança comportamental importante. O "papo de botequim", ou aquela conversa informal feita durante um cafezinho, ganharam dimensões nunca antes vistas na história da humanidade. Em qualquer lugar do mundo, a qualquer momento, a opinião de uma pessoa pode estar fazendo diferença para outra, e com isso a disseminação da informação ganha incalculável velocidade. É a oportunidade de saber, quase que instantaneamente, a opinião de um produto ou serviço por parte do público final, ou usuário consumidor. Com a mesma velocidade que a informação é disseminada, cresce a consciência por parte do usuário de que sua opinião faz a diferença. As caríssimas pesquisas de opinião e mercado utilizadas no lançamento de um novo produto ou serviço podem ir por terra ao desconsiderar uma variável não inicialmente prevista, e basta um insatisfeito para que a imagem da empresa fique arranhada por muito tempo. Afinal, aquele único insatisfeito não aparece nas estatísticas, mas o seu blog pode estar disponível na Internet e a sua insatisfação certamente será registrada Segunda revolução: Wikipédia Desde que aprendemos a escrever o conhecimento sempre foi um objeto restrito. A primeira barreira foi o domínio da técnica, depois o conhecimento das línguas, e por fim a dificuldade de acesso. Muitos pesquisadores estimam que grande parte do conhecimento da humanidade se perdeu quando a biblioteca de Alexandria foi queimada, e grande parte ainda não foi recuperado. A Idade das Trevas ficou assim conhecida pela dificuldade do acesso aos livros, que por sua vez eram a única fonte confiável de conhecimento oficial. Proliferavam então os contadores de história que sempre acrescentavam aos fatos elementos místicos e comprometiam a transmissão da ciência. Com o crescimento e popularização das bibliotecas e a necessidade de aprender cada vez mais cedo, o que surgiu foi a necessidade de organizar a informação. Livros

24 como compêndios foram os primeiros a aparecer, e foram logo substituídos pelas enciclopédias. Como a quantidade de informações acessível à população cresceu, as enciclopédias ganharam economicidade ao garantir a qualidade da informação de maneira facilmente acessível. Uma criança de qualquer idade seria capaz de acessar o conteúdo desejado e encontrar referências confiáveis caso desejasse aprofundar-se no tema. Parecia o modelo ideal, até a chegada da Internet. O criador da Wikipédia, Jim Wales, teve uma idéia revolucionária, conforme cita o livro [Tapscott 2007]: "Imagine um mundo onde cada pessoa do planeta tem acesso livre à soma de todo o conhecimento humano. É isso que estamos fazendo" A Wikipédia, como idealizada por seu criador, é hoje o maior repositório de informações de maneira organizada que a humanidade já conseguiu juntar. Os seus críticos dizem que, por se tratar de um repositório aberto, não há como garantir a confiabilidade. Qualquer usuário pode, em tese, alterar um verbete de maneira maliciosa o que prejudicaria a qualidade das informações. Sobre o fato, uma análise minuciosa é apresentada no Wikinomics: "...em maio de 2005 um usuário anônimo da Wikipédia criou um artigo quase inteiramente ficcional sobre John Seigenthaler Sr., ex-diretor do jornal USA Today. (...) Aproximadamente nos quatro meses seguintes, qualquer usuário da Wikipédia (...) que procurasse Seigenthaler leria essa biografia equivocada. (...) O incidente expôs a fraqueza mais óbvia da Wikipédia: qualquer um pode se dizer especialista em qualquer assunto". Todavia, o livro continua: "Quanto às imprecisões, as chamadas fontes especializadas talvez não tenham tanta razão para reivindicar autoridade quanto pensam. De fato, comparações desfavoráveis entre a Wikipédia e a Britânica talvez não se baseiem em muitos fatos concretos. A análise comparativa da Revista Nature de 42 verbetes científicos em ambas as fontes

25 revelou uma diferença surpreendentemente pequena. A Wikipédia continha quatro imprecisões por verbete; a Britânica três." A última análise esclarece o fenômeno que estamos tentando analisar: "Infelizmente para a Britânica, suas queixas passam ao largo do centro da questão os erros citados na Wikipédia já foram corrigidos há muito tempo, enquanto os erros da Britânica persistem." Temos uma realidade presente onde a Wikipédia tem uma velocidade de revisão e criação de novos verbetes muito rápida, uma vez que pode ser feita por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. No que tange à Britânica, o processo é lento, demorado e, acima de tudo, bastante custoso. As antigas verdades sobre o valor do conhecimento e o modelo de negócios construído através de sua exploração já não podem mais ser considerados absolutos: a lógica da construção compartilhada e difusa subverte conceitos e mostra uma capacidade de acúmulo que tende ao infinito Terceira revolução: YouTube Existe um documentário feito pela rede britânica estatal de televisão que roda no submundo da rede como um vídeo proibido por abordar o monopólio da televisão no Brasil. Muito Além do Cidadão Kane trata da história da Rede Globo de Televisão no final da década de 80 e começo da década de 90, onde sua liderança na audiência está consolidada e não há sombras de ameaça. O filme faz uma referência ao clássico de Orson Welles que fala da história de um grande milionário americano que dominava também toda a imprensa. O fato é que, em todos os países do mundo, as empresas de comunicação audiovisual são monopólios ou oligopólios. Não existe real concorrência e, nos mercados mais competitivos do mundo, existem três emissoras que exercem real concorrência. O Brasil é só mais um caso e, mesmo com o crescimento da Rede Record, teremos uma distribuição entre duas, mas ainda um oligopólio bastante centralizador. Algumas iniciativas, contudo, têm trazido à tona uma nova realidade.

26 No começo do ano de 2007 um episódio ficou muito famoso nos veículos que tratam da vida das celebridades e na rede: o episódio Daniela Cicarelli. As tórridas cenas de amor que protagonizou com seu namorado nas praias da Espanha e, como não poderia ser diferente, chegaram também ao Brasil. Acostumada a utilizar dos artifícios da legislação brasileira para tentar proteger sua privacidade, ela prometeu processar todos os que mantivessem registros de seus momentos, e a maior parte dos veículos cedeu à pressão. O que ela não contava era com um agente de propagação que não cede a pressões nem obedece lógicas comerciais: a Internet. Vários usuários postaram quase que ao mesmo tempo o famigerado vídeo no You- Tube, site onde os usuários podem enviar seus vídeos, e nem mesmo a vigilância da empresa controladora conseguiu deter o ímpeto dos internautas. Foi aí que os advogados de Cicarelli tiveram uma idéia que acabaria custando mais caro a ela do que a "ofensa à sua honra": pediram à justiça o bloqueio do endereço do YouTube no Brasil, pedido que foi aceito pela Justiça brasileira. Durante quase dois dias o conteúdo ficou inacessível para usuários brasileiros. Cicarelli, na época, trabalhava na emissora MTV, que sempre apostou no público jovem e com acesso à Internet como seu principal alvo. O resultado foi uma enxurrada de cartas e mensagens eletrônicas à emissora de usuários que acessavam regularmente o YouTube e se sentiram violados pela atitude da apresentadora. Prometeram até mesmo o boicote à rede caso ela não desistisse da ação. O episódio rendeu um pedido de desculpas aos fãs por parte da apresentadora, que ainda teve que receber parte deles que realizaram um protesto na frente da emissora para conversar. Foi o primeiro sinal de que havia algo de novo no território dominado pelas emissoras de TV. A própria emissora já havia percebido que algo estava mudando. Decidiu retirar do ar praticamente todos os clipes musicais e disponibilizá-los para assistir no seu "Overdrive", nada mais que uma cópia do YouTube com seus programas. Quase todos os artistas lançam seus clipes no YouTube, e já há vídeos que têm audiência maior que muitos programas de televisão. O maior exemplo é o programa Na polícia e nas ruas,

27 veiculado a princípio numa emissora do Nordeste do Brasil mas que ganhou projeção nacional com algumas de suas "consagradas"reportagens. A mais famosa é a do Jeremias, que até funk virou. Existe uma inversão importante na lógica de mercado: a partir do Youtube, é possível produzir vídeos caseiros que não obedecem a nenhum tipo de lógica comercial. O único caminho é a vontade de quem produz, que pode ter sua sensação compartilhada com outros a ponto de tornar-se um vídeo bastante popular. Abaixo os monopólios e viva a criatividade! 5.4. Quarta revolução: del.icio.us Os críticos da rede diziam que procurar conteúdo na Internet significava o mesmo que largar alguém na biblioteca de Alexandria, a maior da antigüidade, sem ao menos um mapa. Apesar de o conhecimento estar por lá, seria praticamente impossível encontrá-lo. Como mostramos na Figura 1, o problema já tinha sido percebido por vários atores importantes, mas a principal contribuição foi feita pelo Google e seu algoritmo de pagerank. As buscas se tornaram mais rápidas, mas como o crescimento da rede é exponencial, a dificuldade em encontrar o que realmente se deseja pode ser grande. Já existem grupos de estudo que estudam a melhor forma de chegar à informação utilizando o Google, e até mesmo palestras e oficinas são realizadas com o tema. Existem aí alguns desafios que são difíceis de resolver. A mesma palavra pode ter significados diferentes para o mesmo usuário, dependendo do que está sendo buscado naquele momento. Como a precisão não é absoluta, um certo refinamento se faz necessário, que é feito diretamente por quem a executa e não passa por filtros de máquina. Nesse ponto, a experiência em utilizar a rede pode fazer a diferença, o que não pode ser facilmente ensinado. Você pode até ensinar uma pessoa a utilizar o computador, mas a sua experiência em navegar é única e exclusivamente sua. Serviços como del.icio.us e Digg tentam facilitar a transmissão da experiência utilizando um conceito bastante recente: a folksonomia. Em oposição á taxonomia que

28 faz uma classificação de cima pra baixo, seu objetivo é que cada usuário crie suas próprias marcações. Quem nunca encontrou um conteúdo que achou interessante através de uma busca e depois não conseguiu encontrá-lo novamente? Seria uma maneira de associar conteúdo na rede à sua impressão no momento e que o viu. Quando essa impressão é transmitida a mais usuários, temos um fenômeno único de colaboração que pode ser observado somente por causa da Internet A Economia do Compartilhamento Que a Internet é capaz de difundir conhecimento, já conseguimos perceber. Mas como todas essas revoluções se aplicam ao mudo real dos negócios? Como podem ser aplicadas a empresas? Uma dica nos é dada pelo livro Wikinomics [Tapscott 2007], utilizando o exemplo da empresa Goldcorp. No final da década de 90, a Goldcorp era uma empresa de mineração que possuía uma mina no norte do Canadá, E estava enfrentando uma grave crise. Greves, dívidas prolongadas e alto custo de produção foram alguns dos fatores que levaram a empresa a ser adquirida por um fundo mútuo, que conseguiu tornar-se sócio majoritário da empresa após uma longa batalha com os outros acionistas. O indicado para o cargo foi um jovem chamado Greg McEwen, que assumiu o cargo já propondo um desafio aos geólogos da empresa: encontrar mais ouro na propriedade da empresa. Ele liberou US$ 10 milhões de dólares para a pesquisa e e movimentou a equipe para que fosse atrás de resultados. Mesmo não confiando muito no novo patrão, as equipes perfuraram as áreas mais profundas da mina e, para sua surpresa, algumas semanas depois encontraram algumas jazidas. A descoberta era surpreendente, uma vez que testes indicaram uma quantidade de ouro trinta vezes superior ao que estava sendo extraído naquele momento. Todavia, mesmo sabendo que havia um grande valor ali, os geólogos tinham dificuldade em determinar a localização exata e o valor do ouro. Como a saúde financeira da empresa ia mal, tempo era algo que eles não tinham, e McEwen precisava resolver o problema rapidamente.

29 Sem saber o que fazer ele decidiu tirar uma licença para reflexão no ano de 1999, e foi convidado a assistir uma palestra de Linus Torvalds no MIT. Ao ouvir sobre sua experiência de compartilhamento e código aberto, ele teve uma idéia que revolucionaria o Mercado de mineração, estremeceria os quadros da empresa e faria saltar sua vida profissional. Após as curtas férias, convocou uma reunião na empresa com o chefe da equipe de pesquisa e pediu a ele que liberasse na rede todos os dados geológicos dos terrenos da empresa desde Sob seus olhares incrédulos, disse que "pediriam ao mundo que nos diga onde encontrar as próximas 170 toneladas de ouro. Era o início do desafio Gold- Corp, que distribuía US$ 575 mil em dinheiro para os participantes que apresentassem os melhores resultados reais. Ainda hoje a atitude de McEwen pode parecer um tanto quanto ousada demais aos nossos olhos. Sua idéia seria algo semelhante ao anúncio por parte da Petrobras, maior empresa brasileira, que colocaria na Internet todos os estudos realizados na camada présal. Numa era onde o petróleo parece cada vez mais escasso a simples menção da idéia parece loucura. Mas foi algo similar ao realizado pela GoldCorp. As inscrições para o concurso vieram de todas as partes do mundo e de todas as áreas do conhecimento, dentre as quais matemáticos e militares em busca do prêmio. Mais surpreendente ainda foi o resultado do concurso: foram localizados 110 alvos para extração, dentre os quais 110 não haviam sido percebidos ainda pela empresa. Mais de 80% deles produziram quantidades significativas de ouro, resultando em incríveis 230 toneladas de ouro. O faturamento da empresa saltou de US$ 100 milhões para US$ 9 bilhões em aproximadamente 10 anos. Para muitos o exemplo da empresa GoldCorp e seu presidente louco são apenas casos isolados e nem sempre liberar simplesmente as informações pode gerar inovação e riqueza. Novamente, o Wikinomics [Tapscott 2007] nos ajuda a derrubar o mito: segundo dadas da AAAS, a associação de cientistas americanos, a dificuldade de acessos

30 prejudicou as pesquisas para: 25% dos pesquisadores acadêmicos; 76% dos pesquisadores industriais. Os dados acima revelam que ainda existe uma tendência muito grande a guardar os dados das pesquisas, que são enxergados como diferenciais competitivos, principalmente nas empresas. De posse dos dados e com o exemplo da GoldCorp, é inevitável que uma pergunta venha à cabeça: o atual sistema de pesquisas está facilitando ou dificultando a inovação? Não há dúvidas de que uma maior abertura é necessária, mas ao mesmo tempo as empresas precisam manter o que pode ser considerado para elas um diferencial. Novamente a questão do provisionamento vem à tona: se as pesquisas forem todas abertas, quem vai pagar por elas? O livro Wikinomics tenta responder à questão lançando o conceito de base comum de produção....a sociedade precisa induzir o investimento privado necessário para traduzir novo conhecimento em inovações econômicas (...) E o que conseguirá atingir esse equilíbrio da melhor maneira mecanismos de mercado ou intervenção governamental?" Algum tipo tipo de abertura é importante, mas quem deve garantir o provisionamento? A questão é respondida pelo livro da seguinte forma: "...recompensar a criatividade e o investimento é central para promover a inovação. (...) Na economia atual, precisamos de um sistema de propriedade intelectual que recompense a inovação e estimule a abertura". As Wikinomics provam que estamos presenciando um novo momento, principalmente no que diz respeito à base comum de produção. A experiência brasileira nos permite dizer que estamos na frente, pois somos o único a ter um elemento centralizador, como veremos mais à frente.

31 6. Governos e Software Livre Quando falamos em Software Livre no Governo, a primeira pergunta que vem à tona é: por que utilizar? Já é fato conhecido que vários Governos ao redor do mundo têm adotado políticas de incentivo, mas dependendo da abordagem apresentada por cada um deles, a opção pode ser desde pura e simplesmente técnica até a criação de uma política de Estado. Para tentar descobrir as motivações, faremos uma análise focada em três campos: os governos de Brasil, Estados Unidos e União Européia. O primeiro por se tratar do caso de uso que estamos querendo estudar; os outros dois por serem talvez os mais importantes e complexos mercados do mundo, cujas decisões afetam o ciclo econômico de todo o mundo Software Livre no Governo Americano Os Estados Unidos da América sempre tiveram uma postura pragmática em relação ao Mercado: nunca deixar que princípios ideológicos influenciem o Mercado. Informar que houve uma decisão de governo em favor da utilização de Software Livre pode parecer, num primeiro momento, ir contra a lógica do não-intervencionismo. Para nos servir de guia no entendimento dos aspectos econômicos e sociais que levaram a tal decisão, utilizamos como referência o livro DTA - Desenvolvimento de Tecnologias Abertas [Herz et al. 2006], traduzido pelo ITI para o Português do Brasil. Em suas primeiras páginas, encontramos o seguinte trecho: "Para cumprir suas missões, o Departamento de Defesa (DoD, na sigla em inglês) deve se atualizar continuamente à medida que as ameaças e as tecnologias mudam e evoluem. (...) Mas, mesmo enquanto as capacidades emergentes são identificadas e avaliadas, os métodos de aquisição e elaboração de projetos são inadequados para acompanhar as rápidas mudanças nas tecnologias, especialmente no software e na tecnologia da informação (TI)." O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) talvez seja o órgão de maior importância na manutenção da filosofia norte-americana de manutenção do poderio mi-

32 litar e liderança na evolução tecnológica, principalmente na indústria bélica. Quando falamos de software, contudo, a capacidade de absorção da inovação fornecida através de uma tecnologia de código fechado é reduzida. Se levarmos à questão software ao governo nos EUA, de acordo com o DoD, os métodos de aquisição são inadequados para que as melhores tecnologias sejam sempre adquiridas. Podemos afirmar então que os processos burocráticos americanos não são capazes de acompanhar a evolução da tecnologia de forma a garantir que o DoD possua sempre o que há de mais moderno na área de TI. Abrir mão de tal garantia é relevar os interesses nacionais, de acordo com o próprio DTA: "Os Interesses Nacionais dos Estados Unidos da América O DoD tem dois interesses concorrentes: 1. Assegurar a defesa dos Estados Unidos da América (EUA) e; 2. Prover apoio e estimular o crescimento da base industrial norte-americana, que fornece materiais e sistemas para que o DoD possa cumprir sua missão." Por mais incrível que possa aparecer àqueles que não conhecem a complexidade do mercado de software, existem algumas empresas no mundo que são as maiores em sua área de atuação e não têm sede nos Estados Unidos. Se e governo utiliza uma tecnologia que não foi fornecida por ele, sem acesso ao seu código-fonte, não é exagero afirmar ser impossível de garantir a segurança das informações. Em caso de guerra om outros países onde ficam situadas as empresas detentoras de uma determinada tecnologia, poderia haver motivação para a inserção de algum código malicioso que poderia afetar em pouco tempo algum sistema vital para a defesa do país. Um bom exemplo é o caso da plataforma ERP da empresa alemã SAP: boa parte do PIB dos EUA encontra-se em seus sistemas de código-fechado. Caso haja uma improvável reversão estratégica no mundo, as finanças do país podem tornar-se repentinamente um ponto vulnerável. Há ainda o segundo aspecto abordado: se as empresas não têm sede nos EUA, não há como garantir que comprar um software de código fechado numa outra empresa traga inovação para dentro do país. O dinheiro investido pelo governo está fomentando

33 a inovação em outro lugar, indo de encontro ao interesse nacional. O livro cita ainda a preocupação com a perda de Mercado por parte das empresas americanas em Software Livre, onde países como Índia, China e Brasil têm abocanhado participações cada vez mais significativas. Ainda que as quantias sejam pequenas, é mais um Mercado sendo criado e mais uma oportunidade para a indústria americana fincar sua bandeira. O DoD, como órgão de fomento da indústria, deve trabalhar para que isso aconteça. Mesmo analisando o melhor cenário para a indústria norte-americana, onde o Governo compra software proprietário das empresas nacionais, ainda há o problema do modelo de contratação. No caso de bens tangíveis como a indústria bélica, a simples injeção de dinheiro por meio das compras é suficiente para o fomento. Como o software não é um bem tangível e tem origem difusa, o processo de compra pode nem sempre ser o mais ágil e, muitas vezes, quando a compra é finalizada já existe tecnologia melhor. Como a compra do produto software não necessariamente significa a troca de conhecimento entre as partes envolvidas, o Governo pode acabar provocando uma concentração exagerada numa determinada empresa, o que é ruim para a competitividade no mercado interno. No caso onde o desenvolvimento é realizado internamente pela equipe do DoD ou por alguma empresa contratada que cria um produto de propriedade interna, pode haver uma limitação ainda mais grave. Alguns sistemas internos são estruturantes e estratégicos, e todo o seu processo de desenvolvimento possui algum tipo de restrição. Quando um outro departamento do mesmo órgão precisa de uma solução similar, uma espécie de "escassez artificial"é criada. Mesmo possuindo o produto, a instituição se vê obrigada a adquiri-lo novamente, num modelo que é ainda pior do ponto de vista estratégico, já que não gera inovação nem contribui para o fomento da indústria, excetuando-se a que for contratada. Do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, o governo americano tem sentido fortemente o impacto na inovação causado pela amarração a tecnologias proprietárias. Existem muitos sistemas legados que são estruturantes de governo e, como foram desenvolvidos tendo como foco o "aprisionamento"às suas tecnologias base, não é exagero

34 dizer que existe uma situação de "aprisionamento"à tecnologias obsoletas. Com o avanço das linguagens de programação é praticamente impossível pensar o desenvolvimento de um novo sistema em Clipper, por exemplo, mas existem alguns serviços importantes para a sociedade que estão presos a ela. A manutenção se torna então um problema que cria dificuldades em cascata: como não é uma tecnologia inovadora, há cada vez menos profissionais. Com a escassez de conhecimento, fica difícil ampliar a capacidade de produção, ao mesmo tempo em que migrar completamente pode ter um custo alto demais. Pode parecer um cenário desanimador no sentido da inovação, e realmente é, mas do ponto de vista da defesa dos EUA é ainda pior. A restrição da capacidade de reagir e responder a adversidades e mudanças tecnológicas que ignoram conflitos militares fica extremamente prejudicada, e o DoD fica impedido de cumprir plenamente sua missão. Já que todos os problemas acimas foram diagnosticados, a pergunta óbvia que aparece na seqüência é: como resolver a questão? O DoD elenca alguns pontos como chave.... os processos de negociação e desenvolvimento de software do DoD precisam sair da camisa de força de um modelo de aquisição próprio da era pré-industrial. Se o DoD dirigir seus esforços no sentido de aumentar o uso de software de código aberto (OSS, na sigla em inglês) e criar um repositório colaborativo interno para os códigos, esses esforços terão efeitos transformadores. Para resolver a questão é preciso, em primeiro lugar, alterar o modelo de contratação do governo norte-americano. Em seguida, aumentar o uso dos softwares de código aberto e, por fim, incentivar a colaboração de maneira global. Alguns pontos merecem um destaque em separado, pois serão abordados mais à frente em nosso estudo:... os processos de negociação e desenvolvimento de software do DoD precisam sair da camisa de força de um modelo de aquisição próprio da era pré-industrial. Se o DoD dirigir seus esforços no sentido de aumentar o uso de software de código aberto (OSS, na sigla em inglês) e criar um repositório colaborativo interno para os

35 códigos, esses esforços terão efeitos transformadores. Pode ter passado despercebido para a maior parte dos leitores, mas em nenhum momento o DoD cita a questão custo como importante para a adoção de Software Livre. É um detalhe pequeno, mas muito importante, pois transmite a leitura estratégica feita em cima da colaboração, em detrimento da análise simplista dos custos. Afinal, utilizando uma frase cada vez mais comum na comunidade, Software Livre não é software grátis Software Livre na União Européia No ano de 2007 foi realizado um estudo na União Européia com o objetivo de analisar uma iniciativa que parecia inovadoras no momento: a liberação de software produzido pelo governo com licença livre à sociedade [Ghosh et al. 2007]. Os casos trataram foram: 1. A distribuição GNU/LinEx desenvolvida pelo governo da província de Extremadura, na Espanha; 2. O distrito londrino de Camden e a ferramenta APLAWS; 3. A emissora pública VPRO da Holanda e a ferramenta de gerência de conteúdo MMBASE; 4. O software forense NFI; 5. O hospital de Beaumont e as ferramentas livres utilizadas internamente; 6. A ferramenta CommunesPlone e as prefeituras da Bélgica. O principal objetivo da análise foi entender o que motivou a liberação de software em licença livre pelos governos e sua relação com o que eles chamam de FLOSS (Free, Libre and Open Source Software). Alguns questionários foram realizados com os administradores públicos para tentar entender seus principais problemas e motivações para a adoção de FLOSS, e ao perceber que a motivação foi grande o suficiente para que o próprio governo liberasse no mesmo modelo, um estudo mais profundo foi realizado. Os dados da pesquisa apresentados no relatório [Ghosh et al. 2007] nos ajudam a entender algumas das motivações para a utilização de Software Livre de maneira geral. Os autores do estudo separaram a avaliação do impacto em seis itens:

36 1. Fatores econômicos motivadores: Além das oportunidades para o desenvolvimento do mercado interno já citadas, vale destacar que o custo acaba sendo significativo, uma vez que o Software Livre não envolve o pagamento de licenças. 2. Flexibilidade: Você acha que sua organização é dependente demais dos fornecedores? OSOSS 2003 OSOSS 2004 FLOSSPOLS 2004 Sim Não Não sei 7.3 Número de fornecedores de software OSOSS 2003 OSOSS 2004 FLOSSPOLS fornecedores Mais de 4 fornecedores Além de estar muito dependentes dos fornecedores, na maior parte dos governos a dependência estava nas mãos de 1-4 empresas. Em se tratando de estratégia de governo o problema pode ser grave devido ao caráter estratégico do software para governos, como já citamos no DTA. Além disso, a possibilidade de auditar o código-fonte fornece uma capacidade de controle significativamente maior. 3. Características técnicas: A percepção entre os que já utilizam é que a qualidade do Software Livre é maior de forma geral, mas o fator pode ser discutido dependendo da ótica com que se analisa. O fato é que, para alguns setores, as possibilidades geradas pelo modelo de licenciamento acabaram por criar um produto melhor e mais aderente às necessidades do usuário 4. Criação e compartilhamento do conhecimento: Por todas as características já discutidas e apresentadas, o modelo livre oferece maior possibilidade de giro do ciclo do conhecimento.

37 A percepção final é a de que o mais importante é vencer a barreira inicial causada por desconfiança, inércia ou preconceito. Quando o administrador público é apresentado ao modelo do Software Livre, dificilmente ocorrerá o desejo de voltar atrás na decisão. 7. Software Público Brasileiro No ano de 2000, o Livro Verde [Takahashi 2000] já falava do papel do governo na nova sociedade da informação: O governo, nos níveis federal, estadual e municipal, tem o papel de assegurar o acesso universal às tecnologias de informação e comunicação e a seus benefícios, independentemente da localização geográfica e da situação social do cidadão, garantindo níveis básicos de serviços, estimulando a interoperabilidade de tecnologias e de redes. O modelo de desenvolvimento em Software Livre obedece todas as características observadas pelo Livro Verde, já que basta um acesso à Internet e capacidade de aprender para ter acesso ao conhecimento e à inovação. Já prevendo o aprisionamento nos padrões proprietários, o livro já prevê a importância da interoperabilidade como garantia de inovação. Há ainda, contudo, uma característica mais importante, que pode ser o cerne de economias dinâmicas na ótica do Wikinomics. Em um mundo em que conhecimento, informação, criatividade e inovação são fatores de riqueza, a diversidade cultural é para ser reconhecida e explorada como fator de vantagem competitiva. Ainda que não não haja geração de capital financeiro de forma direta, a inovação por si só pode ser considerada parte da riqueza de um país. No caso do Brasil, há um componente cultural que pode se tornar uma clara vantagem competitiva no que diz respeito à colaboração: a tendência interacionista do povo. Nós gostamos de conversar, interagir, trocar idéias e somos apreciadores da liberdade irrestrita. Quando se trata da criação de uma base comum, tais características são um diferencial para o país.

38 7.1. Compartilhamento Mais do que fomentar a geração de riqueza no país, também é e deve ser preocupação de qualquer governo fazer um bom uso do dinheiro público. Como vimos no exemplo do governo norte-americano, por questões de impossibilidade estratégica ou até mesmo por falta de conhecimento, uma escassez artificial pode ser gerada em torno de uma determinada solução. Para evitar a recompra, a PROCERGS [PROCERGS 2001] fez uma análise da situação das instituições públicas propondo uma solução. A análise das limitações estruturais da gestão pública: uma demanda descontrolada e crescente, exigindo imediatamente melhores serviços públicos; grandes restrições orçamentárias e pouca capacidade de financiamento; dificuldades administrativas e mudanças tecnológicas aceleradas mostra que os problemas foram ampliados nas áreas de informática e telecomunicações, exigindo que os entes públicos que atuam nestas áreas adotem uma estratégia suficientemente eficaz para cumprir sua missão e objetivos. Esta estratégia propõe a sinergia dos esforços realizados por todos esses entes públicos para obter escala, reduzir e ratear custos, aumentar rapidez e produtividade, evitar duplicação de investimentos, recuperar funcionalidades, racionalizar a gestão, eliminar a ociosidade e alcançar muitos outros benefícios. A iniciativa de compartilhamento teria como meta transformar o software num bem público, amparado pelos princípios da indivisibilidade e da não-rivalidade, que pudesse ser utilizado por todos. Para definir o bem software no contexto apresentado foi utilizado pela primeira vez o termo Software Público, e alguns anos depois, num universo bastante diferente do que havia sido apresentado, serviria de base para a iniciativa CACIC A iniciativa Cacic No artigo "A Materialização do Conceito de Software Público"[Peterle et al. 2006], os membros da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nos oferecem um histórico do surgimento do Cacic:

39 ...a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento - SLTI/MP, vivia o desafio de atender às suas atribuições como órgão central do SISP - Sistema de Administração de Recursos de Informática e Informação da Administração Pública Federal ( Decreto no. 1048, de 21 de janeiro de criação do SISP - e decreto 5.134, de 7 de julho de 2004, a SLTI é seu órgão central.) Neste sentido, deve-se registrar que, até o início de 2003, o suporte à função mais elementar do SISP - obtenção das informações de inventário do imenso parque instalado no Governo Federal - era feito através de aplicação que exigia que coordenadores de informática dos órgãos informassem periodicamente os totais de cada dispositivo/ferramenta instalados em redes locais sob sua responsabilidade. Ainda que a estratégia fosse sustentada por decreto do presidente do Comitê Gestor de Governo Eletrônico (Resolução N o 14 de 6 de dezembro de Comitê Executivo do Governo Eletrônico.), jamais resultou em informações confiáveis. Desta forma, em outubro de 2003, foram iniciados estudos para a adoção de software baseado em arquitetura de agentes, como alternativa mais racional para obtenção do inventário de recursos. Os estudos, conduzidos no ambiente do Ministério do Planejamento, em parceria entre a SLTI e a coordenação de informática do Ministério, incluíram a avaliação de soluções de mercado e do setor público, dentre elas o CACIC. Para a Secretaria era essencial a solução do problema de inventário do parque computacional do governo, que fazia parte de suas responsabilidades. Paralelamente, a DATAPREV realizava o desenvolvimento de uma ferramenta de maneira despretensiosa, apenas para resolver seus problemas internos. Algum tempo antes, havia sido instituído o decreto presidencial 29/03, que instituía a formação do Comitê Técnico de Implementação de Software Livre e determinava que o governo deveria adquirir somente programas de código aberto ou livres. Ao tomar conhecimento da iniciativa da DATAPREV, o Grupo Técnico de Migração para Software Livre do Governo Federal, que surgiu para apoiar os Comitês que tratam de Software Livre e Sistemas Legados, procedeu uma avaliação da solução e comparação do Cacic desenvolvido pela DATAPREV com as alternativas de

40 mercado. A experiência foi importante não só do ponto de vista técnico, mas também como experiência piloto de compartilhamento entre os vários órgãos da administração pública. O que se percebeu também foi que o acesso ao código-fonte do programa constitui característica importante para o compartilhamento. Por isso e também por atender algumas característica de interoperabilidade que são comuns em soluções livres, a Secretaria optou pela adoção do CACIC. Os frutos colhidos com a experiência são citados no artigo [Peterle et al. 2006]: (...) o caráter cada vez mais estratégico do software para governos e sociedade, (...) justificariam que iniciativas de cooperação governamental no sentido de compartilhar e publicizar software fossem freqüentes e numerosas Aspectos Legais Para que o compartilhamento pudesse acontecer de fato existiam algumas premissas que foram definidas como primordiais entre os membros do consórcio,e talvez a mais importante fosse o marco legal. O processo de liberação de código por parte de uma empresa pública era considerado por muitos nebulosos, e não haveria garantias jurídicas de que seus membros não sofreriam penalidades jurídicas. Era necessário construir então uma garantia que desse sustentação ao modelo, conforme citado no artigo: Restava no entanto o desafio de garantir que o processo fosse conduzido sob condições juridicamente sustentáveis, conforme tratado no tópico anterior. No caso em questão, tais garantias envolviam: que os dirigentes da DATAPREV não viessem a ser juridicamente questionados quanto a eventual dano causado aos interesses da empresa pela cessão do produto; que a DATAPREV ou a SLTI/MP não viessem a ser responsabilizadas por problemas decorrentes do uso do software pelos potenciais usuários; que os demais órgãos não viessem a ser surpreendidos pela alegação de uso não

41 autorizado do CACIC; que houvesse garantias de que toda melhoria incorporada ao software pudesse ser reusada pela comunidade usuária, e por conseqüência retornasse à instituição patrocinadora do desenvolvimento original: a DATAPREV. Como se tratava de uma estratégia nova e revolucionária, não era possível afirmar que todas as garantias seriam respeitadas. Possuindo conhecimento sobre os modelos de licenciamento, a escolha da licença livre GPL parece o contrato ideal, mas nenhum tipo de adoção de tal contrato tinha sido realizado por qualquer órgão da Administração Pública. Todavia, ao invés de inibir, a inexistência de ação similar motivou todos os envolvidos a criar um marco legal que pudesse garantir a disponibilização. Foram partes importantes no processo o INPI e o modelo de registro, o estudo sobre a licença GPL realizado pela FGV [Falcão et al. 2007] e as consultorias jurídicas do Ministério do Planejamento/SLTI, DATAPREV e a procuradoria jurídica do ITI. O processo de liberação consistiu basicamente em quatro etapas, que até hoje servem de modelos para disponibilização de soluções no Portal do Software Público: 1. Manifestação do desejo por parte do desenvolvedor original em fazer a liberação do código na Licença Pública Geral (LPG, em Português), por meio de ofício à SLTI/MP; 2. Resposta da SLTI/MP informando os procedimentos que devem ser adotados referentes ao registro no INPI; 3. Encaminhamento do registro do código, do nome e da marca no INPI por parte do desenvolvedor informando o modelo de licenciamento proposto e o desejo de liberar o código à sociedade; 4. Emissão de nota técnica por parte da SLTI/MP informando que, conforme parecer da Procuradoria Geral do ITI, o modelo de licenciamento proposto é benéfico à sociedade e aceito pela Administração Pública; 5. Liberação do software à sociedade através do Portal do Software Público Brasileiro

42 Vale a pena ressaltar aqui que a liberação do código é apenas parte do processo de disponibilização à sociedade. O software possui três elementos que o constituem: 1. Código-fonte; 2. Nome; 3. Marca. Em todos os estudos jurídicos que apresentamos, inclusive a análise a FSF, as liberdades estão associadas principalmente ao código-fonte e suas formas de distribuição. Todavia, quando tratamos de bens intangíveis o nome e a marca constituem elementos muito importantes por agregar valor ao produto final. A idéia de criar uma estrutura de amparo legal é que todos os participantes do ecossistema possam competir em condições de igualdade, e para que isso seja possível todos eles precisam possuir o mesmo produto. No Software Público Brasileiro, tanto nome quanto marca pertencem à sociedade brasileira, pertencendo a todos e a ninguém ao mesmo tempo. Uma análise maior sobre a importância dos elementos no ecossistema será feita mais à frente Foco no Ecossistema A iniciativa mostrou em pouco tempo que as teorias acerca da economia e fomento da inovação estavam corretas. Além dos órgãos membros do consórcio, rapidamente apareceram muitos outros interessados em adotá-lo. O mais incrível no que se pode chamar de explosão que aconteceu logo após sua liberação foi que o Cacic, nem de longe, era o que apresentava melhores características técnicas. Ainda mais surpreendente foi a adesão de outros membros da sociedade que não estavam previstos inicialmente. Empresas, desenvolvedores independentes e instituições de ensino logo se interessaram pelo Cacic e decidiram participar da comunidade, cada um à sua maneira. Sua utilização em grande escala acelerou muito o desenvolvimento do software, tornando-o ainda mais interessante comercialmente e gerando um ciclo virtuoso de desenvolvimento, que vamos chamar de ecossistema. Entre os responsáveis pelo projeto havia a sensação de que algo diferente estava

43 acontecendo. Afinal, só na primeira semana foram mais de duzentos downloads do Cacic. Mesmo contando com uma estrutura precária, a comunidade de desenvolvimento se mostrava muito ativa, ao ponto de na segunda versão aparecer contribuições de empresas privadas no código. Tais contribuições motivaram a percepção de que havia uma quantidade significativa de empresas que estavam interessadas não apenas em utilizar o Cacic, mas também vendê-lo como produto aos seus clientes. Para tentar mapear o ambiente de negócios que parecia se formar ao seu redor, em 2006 foi criado o primeiro cadastro de prestadores de serviço. Seu objetivo principal era facilitar o contato entre a oferta empresas e autônomos prestadores de serviço e demanda empresas usuárias do software, mas que precisavam de serviços especializados. O primeiro levantamento entre os negócios realizados ao redor do Cacic foi feito em Novembro de 2006, quando havia 275 prestadores de serviço cadastrados. Dentre os que responderam à pesquisa, 27 eram empresas e 20 autônomos (pessoa física), e alguns pontos de destaque são interessantes: As empresas tinham 58 clientes, enquanto os autônomos tinham 24; 10 novos contratos foram gerados com base no Cacic: 8 entre as empresas e 2 entre os autônomos; Não houve substituição de solução, ou seja, o Cacic foi instalado como solução de inventário onde ainda não havia nenhuma. O último item talvez seja o que mereça mais atenção. Teoricamente, o Software Livre atende demanda reprimida, principalmente por permitir o acesso a uma solução de qualidade sem o custo da licença. No caso do Cacic, a pesquisa foi uma comprovação do modelo. Quando se fala de política de estado, tratar da demanda reprimida pode significar diminuir a quantidade de excluídos, que são aqueles que desejam mas não possuem condições de ter. Se trazemos o exemplo ao software, a "inclusão"torna-se ainda mais importante, pois é um bem que pode ser alterado e melhorado para todos. Mesmo com o aumento da quantidade de soluções disponibilizada à sociedade, ainda podemos dizer que o Cacic é um exemplo de ecossistema de negócios em torno

44 do software: comunidade ativa, muitos usuários e movimentação da economia. O Wikinomics nos dizia que a garantia de provisionamento é muito importante para continuar garantindo a inovação, que por sua vez acontece mais rápido em modelos abertos. Podemos dizer que estamos diante de um modelo de desenvolvimento sustentável, onde até mesmo as soluções proprietárias saem ganhando. Para entender o processo, analisemos o gráfico da Figura 2:

45 Figura 2. Evolução do Software Proprietário X Livre O gráfico traz uma análise do modelo econômico de oferta e demanda. Teoricamente a oferta nunca atende totalmente a demanda, mas há pontos em que a curva pode ser tangenciada; esses são os pontos de maior atendimento. Quando a curva está num ponto mais baixo o bem ganha economicidade, pois é o momento em que há muito mais demanda que oferta. Como vimos nas seções anteriores não poderíamos aplicar a lei de Oferta e Demanda ao software, já que se trata de um bem anti-rival, mas a licença dá a ele um caráter artificialmente tangível. Quando não há restrição é possível tangenciar por mais tempo a curva da demanda, uma vez que as necessidades podem ser atendidas sem necessariamente implicar em custo. Se há mais interesse no bem a tendência é que sua qualidade evolua, para que atenda ainda mais pessoas e continue sendo demandado. No caso do software proprietário, é necessário que ele também evolua para aumentar sua demanda e ganhar economicidade, o que gera mais recursos para seu desenvolvimento também. Podemos dizer que nesse ponto há uma bolha de qualidade, onde a qualidade do software livre impulsiona também melhorias no software proprietário.

46 7.5. Papel do Estado Quando a discussão atinge a qualidade e como pode ser construído um modelo que seja bom para todos, como o exemplo do Cacic mostrou possível, forma-se uma grande discussão acerca do papel do Estado. É claro que o compartilhamento de soluções e o modelo colaborativo de desenvolvimento são importantes para o governo, que tem como sua principal missão a distribuição da riqueza. Quando pensamos em estruturas tecnológicas de integração, não podemos esquecer que ela á realizada por pessoas, e onde se agrupam pessoas criam-se dinâmicas sociais que podem se tornar complexas. Ao mesmo tempo, ainda há uma série de sistemas e instituições que necessitam de softwares de código fechado para a manutenção de serviços vitais à vida do cidadão. A grande questão passa a ser então a criação de um espaço onde todos os envolvidos possam conviver em condições de igualdade, mas que privilegie a redistribuição do conhecimento à sociedade utilizando tecnologias e padrões abertos. O ambiente descrito nos remete à criação do projeto GENOMA, muito bem descrita no Wikinomics [Tapscott 2007]. No começo da década de 90, as empresas farmacêuticas tinham um grave problema a resolver. Seu negócio principal sempre foi a fabricação e venda de remédios, um processo bastante custoso e com baixo índice de acerto. São necessários milhões de desenvolvimento em drogas erradas até a descoberta de um princípio ativo que se revele útil, que muitas vezes não está relacionado à pesquisa inicial. Como a competitividade é grande, a tendência é que cada indústria mantenha os seus dados de pesquisa o mais sigilosos possível, para não correr o risco de ver alguns de seus milhões em pesquisa indo parar no bolso do concorrente. Todavia, com o avanço da genética, quase todas elas chegaram a uma conclusão inevitável: se conseguirmos entender como o ser humano é feito por dentro, podemos mapear possíveis doenças antes mesmo de se manifestarem. Parar que isso fosse possível era necessário mapear todas as combinações possíveis de gens que formariam um ser humano. Iniciou-se então uma verdadeira "corrida"entre as empresas, pois imaginavase que aquele que conseguisse completar o mapa primeiro poderia produzir os melhores

47 remédios. O que as grandes farmacêuticas não contavam era com o surgimento das pequenas empresas de biotecnologia. Alguém teve a percepção de que para ganhar algum dinheiro não era preciso mapear todos os genes; apenas os certos. Qualquer empresa poderia mapear um gene sem nem mesmo saber se ele servia para alguma coisa. Se daqui a dez, vinte ou trinta anos as pesquisas indicassem que havia alguma utilidade nele, seria possível cobrar royalties em cima daquele gene. Como o negócio das empresas farmacêuticas era fabricar remédio e não mapear genes, elas perceberam que acabariam se tornando reféns das empresas de biotecnologias. Mesmo que pagassem para descobrir o gene, de nada adiantaria se ele já estivesse patenteado por alguém. Foi aí que surgiu o projeto GENOMA. Elas imaginaram que, ao criar uma base pública de genes, seria impossível a qualquer outra empresa reclamar propriedade sobre ela. Afinal, a base de genes não pertenceria a ninguém especificamente, mas à sociedade como um todo. Fazendo um paralelo ao exemplo do GENOMA, o Software Público Brasileiro é mais do que um Portal para o compartilhamento de soluções. É um espaço aberto para o compartilhamento da riqueza produzida pelo commons intelectual de forma aberta, transformando-o num bem público. Pode ser ainda uma política de governo que privilegia a distribuição de riqueza na sociedade através da liberação de código produzido pelo estado e por seus entes sociais. Desde o dia 20 de maio de 2008, o software público é também uma política de Estado, culminando com a edição da Instrução Normativa 04/2008. Entre várias outras considerações importantes, a IN diz que: Antes de contratar, o gestor deve verificar se não existe solução similar cadastrada no Portal. Caso haja, seu uso ou customização é preferencial; Após a contratação, o software deverá ser catalogado e poderá ser disponibilizado no Portal. Com a adoção de uma política de incentivo às soluções abertas e, principalmente,

48 ao Software Público, o governo brasileiro utiliza seu poder de financiamento para garantir o provisionamento. Agregando mais valor às soluções do Portal, o modelo livre garante que as melhorias sejam aproveitadas por todos em condições de igualdade, contribuindo também para o fortalecimento do ecossistema. 8. Mais Valia 2.0 e a Revolução na Economia 8.1. Princípios e Teorias Econômicas O mundo já percebeu que os commons podem ser fonte de inestimável riqueza, e não é de hoje. Na Idade Média os mosteiros se tornaram pousadas temporárias para viajantes e aventureiros, que sempre deixavam algum tipo de contribuição para sua manutenção. Certos monges eram conhecidos por fabricar uma fórmula específica de cerveja que era muito apreciada, o que tornava suas acomodações as mais procuradas e, por que não, as mais valiosas. No antigo Egito somente os escribas tinham permissão para ler e escrever, o que os fazia galgar uma posição privilegiada na sociedade, além de serem transmissores oficiais da história para as futuras gerações. No século passado as guerras alçaram os cientistas a uma posição estratégica, pois qualquer nova tecnologia poderia ser um diferencial para a Vitória, o que acabou acontecendo com os estudos de Einstein que culminaram na bomba atômica. Agora vivemos um momento especial na valorização do conhecimento, conforme citado por [Tofler and Tofler 2007]: O conhecimento sempre foi um fator importante para a criação da riqueza. Mas em nenhum sistema de riqueza anterior o setor de conhecimento representava um papel tão destacado quanto no atual. É claro que as estruturas de riqueza associadas ao conhecimento já são amplamente conhecidas, mas em nenhum outro momento da história a economia dos bens intangíveis teve um papel tão importante. Um modelo econômico associado ao caráter intangível dos bens, todavia, traz algumas mudanças que podem ser consideradas radicais para muitos, e algumas rupturas podem ser necessárias. Alguns dos desafios são explorados por Toffler:

49 Quer estejamos lidando bem ou mal com os elementos intangíveis, quer os protejamos ou não, nunca antes houve algo parecido na história do capitalismo. E nada desafia tão profundamente o conceito de propriedade. No entanto, a mudança que nos leva rumo à intangibilidade revolucionária é apenas o primeiro passo da "reforma radical"do capitalismo. Uma reforma à qual pode não sobreviver. Em outras palavras, o que está em jogo na nova economia não é a riqueza. Não há dúvidas de que a produção acelerada continuará, com a tendência de aumentar com o passar do tempo. A grande mudança está em cima do conceito de propriedade. De acordo com análise realizada por ele e por outros especialistas, um modelo que tem o domínio do intelecto como sistema econômico está fadado ao fracasso. O que os advogados e a indústria estão tentando fazer é adiar o inevitável. A questão passa a ser então o provisionamento. As Wikinomics nos dizem que a abertura é importante, mas que os incentivos passam a ser necessários para que a inovação continue e se multiplique. É necessária a construção de um modelo econômico baseado na abertura, com a participação da sociedade, que seja viável. Segundo [Ghosh et al. 2007], as estruturas teóricas dos dois modelos padrões da organização industrial podem ser desenvolvidas: Cournot (1838) e Hotelling (1929), merecendo destaque no momento o de Cournot. As premissas que os definem partem do princípio que o mercado possui um oligopólio, e que os custos marginais associados ao produto existem e representam uma parte significativa do custo total. Embora pareça uma violação dos princípios do desenvolvimento de software, que por padrão possuem custo fixo muito elevados e custo marginal baixo, há uma linha de defesa para a tese apresentada: Os princípios partem dos altos custos de desenvolvimento de qualquer peça de software um pouco mais sofisticada, que é considerado o custo da primeira unidade. O custo da segunda e das unidades subseqüentes representam apenas o custo da duplicação eletrônica (virtualmente zero) e da instalação. Mesmo sendo muito pessimista em relação ao tempo consumido na instalação, o custo é insignificante perto do desenvolvimento. A estrutura de custos é baseada na natureza da "tecnologia da produção", que permite

50 alta extensibilidade e codificação perfeita (Shy, 2001). No caso, "produção"indica a duplicação e a instalação de uma peça fixa de código de software, representando apenas uma versão do produto. A caracterização tradicional apresentada não se mantém sempre, como é observado um pouco mais a frente:...firmas que produzem software empacotado têm estruturas de custo bastante diferente de firmas que fornecem customização. A natureza dos custos marginais de firmas que fornecem software customizado ou serviços dependem bastante da taxa de reuso. Seu custo marginal pode ser significativamente maior dependendo da dificuldade de reutilizar as especificações dos usuários, os desenhos, os códigos-fonte e as metodologias. Para uma firma que trabalhe com apenas uma versão do mesmo sistema aplicado a muitos clientes, o custo de customização e reuso é baixo, a empresa possui uma vantagem competitiva. Todavia, se seu portfólio de produtos se resume a uma única solução, manter o produto sem nenhuma melhoria não atrairá a próxima geração de usuários. Para resolver a questão as empresas que trabalham com produto lançam inúmeras versões do mesmo software e tentam revendê-la aos mesmos clientes e atrair mais usuários. Como se trata do mesmo usuário ou de um que tem a mesma necessidade, o custo marginal diminui significativamente, uma vez que uma nova versão normalmente significa repaginar a anterior. Há quem possa realizar a defesa de que o modelo baseado em produto é mais rentável por esse aspecto, mas o mercado de serviços representa quase 50% do mercado europeu, como vimos em [Ghosh et al. 2007]. Mesmo no caso de empresas que produzem software como produto, o esforço de manter o comprometimento com os usuários de atualizar constantemente faz com que os custos marginais sejam positivos também. O estudo da União Européia nos dá uma idéia do mercado apresentando o questionário realizado com os administradores públicos sobre o tipo de serviço que eles contratam sobre o software:

51 Com que freqüência você precisa customizar o software após sua implementação? OSOSS 2003 OSOSS 2004 FLOSSPOLS 2004 Nunca De vez em quando Regularmente Freqüentemente Quase sempre Não sei 2.9 Qual o seu grau de utilização de serviços de manutenção externos? OSOSS 2003 OSOSS 2004 FLOSSPOLS 2004 Nunca De vez em quando Regularmente Freqüentemente Quase sempre Os dados nos dão uma idéia do tamanho do mercado de serviços associados ao software. O modelo de Cournot parte de algumas premissas: Existe um grupo restrito de empresas que produzem produtos similares, fornecendo a elas um poder relativo no mercado. O usuário pode mudar entre os produtos das empresas concorrentes com um nível de dificuldade baixo; Elas não cooperam entre si; O número de empresas no segmento é fixo; A quantidade de produção e o preço é parte de um jogo entre elas, que tomam as decisões quase que simultaneamente.

52 O comportamento das empresas oligopolistas tem um reflexo sobre os usuários, que pode ser resumido em: O preço obtido com o modelo oligopolista é menor que o preço num monopólio, o que implica em lucros menores; O preço é maior que o obtido num modelo perfeitamente competitivo; Conforme o número de empresas aumenta, tanto o preço quanto o lucro de cada uma diminui; Quanto menor o market share da empresa, maior o seu custo de produção marginal. O modelo de desenvolvimento livre afeta bastante a estrutura de custos de um produto de software no modelo de Cournot. Como a base de conhecimento gerada é comum a todas as empresas que trabalham praticamente com o mesmo produto, os custo marginais associados caem drasticamente e a quantidade de inputs é significativamente maior a cada versão. No estudo de [Ghosh et al. 2007], a mudança é analisada da seguinte forma: Como o market share de cada empresa é determinado pelos custos no modelo de Cournot e o lucro é determinado pelo market share e pelos custos, um efeito dominó de redução de lucros é observado nas empresas. Tanto a participação no mercado quanto o poder das grandes empresas cairão, enquanto os das empresas menores subirão. (...) Na indústria de software estabelecida, os gastos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) tendem a ser financiados pelos lucros obtidos, e há uma evidência que as empresas tendem a gastar uma proporção fixa (em torno de 15%) dos seus lucros em P&D. (...) A diminuição da participação significará uma redução no lucros das maiores empresas, o que significa uma diminuição nos recursos aplicados em P&D. O oposto acontece com as menores empresas que têm mais dinheiro para o processo de P&D. Vale a pena lembrar que os dados apresentados representam as empresas européias. No Brasil, estima-se que esse gasto seja significativamente inferior. Mesmo no

53 caso do modelo apresentado, sabe-se que as grandes empresas têm uma base de conhecimento acumulada ao longo dos anos bastante grande. Isso significa que, para produzir inovação, é necessário um investimento ainda maior, pois elas precisam partir do ponto em que estão para um outro no futuro de maior conhecimento acumulado. No caso das empresas pequenas, como não há grandes estruturas ou conhecimento acumulados, uma quantidade menor de dinheiro pode gerar uma inovação maior. Analisando o modelo de Cournot aplicado ao Software Livre, a introdução de um produto em condições de competição igual por parte das empresas tende a reduzir o lucro das grandes, mas aumentar o das pequenas. Mesmo sabendo que o lucro das maiores companhias diminui, a quantidade de inovação cresce, pois aumenta o lucro das menores e conseqüentemente seu investimento em P&D. Nesse caso específico, a mesma quantia em investimentos gera uma maior inovação. No caso do Portal do Software Público o caráter econômico associado tem uma importância ainda maior. Sempre se soube que o maior problema do Brasil são as desigualdades econômicas e sociais, representadas pela má distribuição de renda e pelas desigualdades regionais, respectivamente. Imaginar um modelo que seja possível reduzir os aspectos citados já seria muito importante para a sociedade. Perceber que é possível, ainda assim, aumentar a inovação no país é um bônus. Dentre as ações que são realizadas para viabilizar a implementação do modelo teórico podemos destacar: Liberação de Software pelos entes da administração pública com licença livre no Portal do Software Público; Fomento à participação da comunidade através do Prêmio Ação Coletiva; Cadastro dos prestadores de serviço associados às soluções do Portal e referência à participação dos prestadores cadastrados no Mercado Público Virtual; Parceria com instituições de ensino públicas e privadas que vão permitir a formação de mão de obra qualificada inserindo os softwares no currículo dos alunos; IN 04/2008 que determina que as contratações realizadas pela administração pública federal devem se dar em cima das soluções cadastradas no Portal, preferen-

54 cialmente, transformando-o numa política de Estado. Há ainda uma oportunidade bastante significativa para jovens universitários e empreendedores. Grande parte do custo associado ao software está relacionado ao desenvolvimento do produto, conhecido na teoria como custo de entrada. No Portal existe uma grande quantidade de produtos de alto valor agregado, que podem ser totalmente internalizados pelas empresas e adicionados ao seu portfólio, bastando apenas o cadastramento na respectiva comunidade. Podemos dizer, sem exagero, que um jovem tem à sua disposição uma seleção que, somados os custos, ultrapassa facilmente os R$ 20 milhões. Tudo o que o cidadão precisa fazer é acessar a documentação disponível, estudar a solução, tornar-se ativo na comunidade e cadastrar-se no Mercado Público Virtual. Um ambiente completo de negócios estará disponível sem nenhum custo Liberdade Real e Imediata Como vimos nas seções anteriores, o software é composto de três elementos: o códigofonte, o nome e a marca. O estudo da Fundação Getúlio Vargas [Falcão et al. 2007] sobre a licença GPL da FSF nos garante a liberdade em cima do código, o que resolve parte do problema. Os outros dois elementos merecem uma atenção especial, e quem nos ajuda na análise é [Tofler and Tofler 2007]: Os aspectos intangíveis que associamos às propriedades tangíveis estão se multiplicando rapidamente. (...) Um estudo da Brookings Institution descobriu que, já em 1982, os bens intangíveis de mineradoras e indústrias manufatureiras representavam 38% do valor total de mercado das empresas. Dez anos depois (...) o componente intangível representava 62% - ou quase dois terços do valor real. Se podemos dizer que existem aspectos de valor associados à indústrias manufatureiras, o que dizer da indústria do conhecimento como a do software? É claro que os bens intangíveis são mais significativos em seu valor total. É o caso do Google [Folha 2007]: O Google se tornou a marca mais cara do mundo em 2006, avaliada em US$ 66,3 bilhões, segundo o ranking BrandZ. A pesquisa, feita em parceria com o jornal

55 "Financial Times", foi publicado nesta segunda-feira (23) pela empresa de consultoria Millward Brown. Os números mostram como a marca pode representar uma fatia significativa do valor de cada um das empresas. Além da capacidade de inovação associada, outros componentes tais como confiabilidade, qualidade e valor social são componentes importantes na valoração de tais elementos. Quando falamos de empresas associadas a marcas, fica clara a definição de que o valor associado entra como ativo no balanço contábil. No caso de uma companhia que trabalha com código proprietário, não há problema nenhum na prática; afinal, somente ela ou seus parceiros podem vender o produto final. Todavia, quando pensamos em produtos de código aberto, surge uma questão importante: se o commons intelectual produzido através do software de código aberto gera riqueza, a quem ela pertence? O livro Wikinomics, como vimos na seção anterior, defende um ponto de equilíbrio entre a intervenção governamental e a iniciativa privada. Ao internalizarmos o processo de melhoria na mesma comunidade utilizando a licença GPL, todo a inovação gerada pelo desenvolvimento retorna à comunidade. Contudo, o código-fonte é parte da riqueza gerada pelo modelo. Há ainda fatores como confiabilidade, conhecimento e segurança que não podem ser fornecidos por programadores apenas. Mesmo sabendo que o sistema operacional se chama GNU/Linux, grande parte das pessoas, principalmente os leigos, conhecem apenas o nome Linux e a marca do pingüim. No caso da distribuição corporativa mais famosa entre os responsáveis pelo departamento de TI nas empresas, o símbolo do chapéu vermelho e o nome Red Hat têm uma presença muito forte. Muitos acreditam até que o pingüim e o chapéu são sistemas operacionais diferentes, quando de fato são o mesmo, apesar da diferença que existe entre as distribuições. No caso do nome e da marca cabe fazermos uma análise mais profunda. Como a Red Hat é uma distribuição que pertence a uma única empresa, nada impede que ela se aproprie dos benefícios que as melhorias realizadas no código proporcionam, desde que sejam retornadas à comunidade. O retorno gerado pela marca é uma forma de "com-

56 pensar"financeiramente a contribuição fornecida à comunidade. Contudo, existem muitos outros projetos que utilizam a mesma base de código e não representam necessariamente o produto de uma companhia, como é o caso da comunidade Debian. Existem várias cópias da distribuição realizando trabalhos críticos em muitos ambientes de produção, e há um sentimento na comunidade que a define como a mais estável e segura. Diferentemente da Red Hat, não existe uma única empresa por trás de seu desenvolvimento, mas uma comunidade internacional que também envolve empresas que trabalha nas melhorias e correções. Como o nome e a marca pertencem à comunidade de maneira geral, nada impede que qualquer um em qualquer lugar do mundo realize a implantação do Debian como produto. Não existe um representante oficial ou uma empresa que detenha a marcar. O mesmo acontece no mercado de bancos de dados livres. o MySQL sempre teve seu desenvolvimento dominado pela MySQL AB, empresa que realizar o controle de versões e decidia o futuro do projeto. No caso do PostgreSQL não há uma empresa específica, mas um time de desenvolvedores espalhado por várias empresas que é responsável por tudo o que acontece, juntamente com a comunidade. Os exemplos nos permitem fazer uma clara separação: ainda que todos possuam licenças homologadas pela FSF que permitem chamá-los de livres, o modelo de desenvolvimento á bastante diferente. Fazendo uma análise fria e simplista, não é exagero dizer que todas as contribuições geradas pela comunidade ao MySQL favorecem à empresa MySQL AB (recentemente comprada pela Sun), no sentido que ela é detentora da marca. Como vimos no exemplo do Google, o valor intangível associado à marca pode ser bastante significativo, e tornar melhor um software que possua a marca da empresa significa aumentar o seu valor de mercado. Quanto melhores forem as contribuições, maior o valor agregado que pode ser somado ao ativo da empresa, funcionando como uma espécie de marketing indireto. No caso do desenvolvimento realizado por comunidade, é muito difícil que uma única empresa consiga associar seu nome e/ou sua marcar a uma solução livre. Além do

57 modelo de desenvolvimento ser mais complexo, a empresa não tem o poder de decidir sozinha o rumo do projeto para atender seus interesses econômicos imediatos. É claro que o acesso ao código permite que as modificações sejam feitas respeitando a vontade de qualquer um, mas tomar um caminho diferente pode resultar num fork ou bifurcação, o que tornaria necessário reconstruir as relações de confiança que já existem no produto inicial. Um movimento importante que sinaliza o caminho foi feito pela empresa Sun: até julho do ano de 2008 estava em seu quadro de funcionários um dos principais desenvolvedores do PostgreSQL. Alguns dias após a aquisição da MySQL AB, Josh foi demitido da Sun. Ainda que ele tenha negado pessoalmente que sua saída tenha sido motivada pela compra da MySQL, dizendo ainda que o suporte ao PostgreSQL ia continuar dentro da empresa, o fato causa pelo menos uma certa desconfiança. Josh sempre disse que o objetivo principal da Sun é ser a maior empresa em suporte a bancos de dados do mundo, e que sua contratação teria sido o pontapé inicial para a formação de um time de PostgreSQL dentro da empresa. Sabendo do processo de "dominação"da linguagem de programação Java no mundo, onde a estratégia da empresa foi ter se tornado com o passar dos anos sinônimo de Java, não é de se estranhar que estivessem tentando fazer o mesmo com o banco de dados. Quem conhece a comunidade PostgreSQL intimamente sabe como ela é participativa e granular, tornando quase impossível a padronização dessa ou daquela empresa como fornecedor oficial. O MySQL parece então a escolha mais adequada aos desejos da empresa. O caso da Red Hat talvez seja um pouco mais grave, pois até mesmo a comunidade de desenvolvedores fica hospedada nos seus servidores. Se você se tornar um participante ativo dentro da comunidade e quiser se tornar fornecedor do produto, existem duas opções: entrar para o quadro de funcionários da empresa ou tornar-se um parceiro credenciado. Ainda que, teoricamente, seja possível a qualquer desenvolvedor com um conhecimento razoável oferecer suporte ou quaisquer outros serviços, não é o que acontece na prática. Mais: todas as contribuições feitas ao código-fonte que melhorem a qualidade do produto podem ser contabilizadas como ativo pela empresa uma vez que

58 aumenta o valor associado à marca. No Portal do Software Público Brasileiro acreditamos que seja possível conceber um espaço que corrija essas distorções. Criamos não apenas um repositório de código aberto, mas também um espaço onde o software é tratado como um bem público. Tanto o nome quanto a marca são de propriedade da sociedade brasileira e, por que não imaginar, da sociedade mundial. Todas as empresas que quiserem oferecer algum dos produtos oferecidos no Portal podem oferecer todos os componentes de riqueza associados à eles, sem que haja nenhum tipo de apropriação. A idéia é que qualquer pessoa, em qualquer lugar, tenha acesso a exatamente as mesmas ferramentas, que por sua vez estão conectadas diretamente à comunidade. O que propomos é liberdade irrestrita, real e imediata no software. Para que a liberdade proposta seja possível, alguns elementos chave precisam ser respeitados: 1. Acreditamos que a estrutura de colaboração e compartilhamento por si só é um bem público, e toda a riqueza construída em conjunto deve estar disponível a todos em condições de igualdade no mesmo ambiente; 2. Entendemos que o código aberto é apenas parte do Software Livre. Mais importante ainda é o respeito à comunidade, que deve ser entendia como ponto central de qualquer atividade associada ao software; 3. A verdadeira garantia de conhecimento está na relação das empresas com a comunidade. Elas são parte importante do ecossistema, mas representam apenas uma parte; 4. Comunidade, instituições de ensino e prestadores de serviço constituem uma base comum de produção de software livre Mais Valia 2.0 O Wikinomics nos traz uma reflexão bastante importante sobre o papel do estado: E o que conseguirá atingir esse equilíbrio da melhor maneira mecanismos de

59 mercado ou intervenção governamental? Podemos complementar o questionamento dizendo: quem deve proteger o commons intelectual produzido através de software? Durante muito tempo a política neoliberal pregou a auto-regulação dos mercados econômicos, e nos dias de hoje vimos que a intervenção dos governos de todo o mundo evitou uma verdadeiro colapso na economia mundial. Quem nos ajuda a responder a pergunta é o professor Felipe Perez, da IESA: O Software tratado como um bem público pode ocasionar uma revolução que transcende qualitativamente a Revolução Industrial, pois inverte a lógica de apropriação privada desta Revolução. Ou seja, estamos pensando na possibilidade de realizar um caminho inverso de apropriação; se passar de um bem privado para um bem público. A idéia defendida pelo professor pode ser chamada de Mais Valia 2.0. O conceito não chega a ser novidade, e já havia sido citado por [Evangelista 2007], mas num contexto de recriação da idéia original de Marx: No século XIX, Karl Marx desenvolveu um conceito chamado mais-valia. Explicando-o muito rapidamente, seria a diferença entre o que um operário produz e o que ele realmente ganha. (...) Essa diferença é a mais-valia; e vai para o bolso do patrão. Essa diferença não é representativa da quantidade de trabalho de gerenciamento executada pelo patrão, isso já foi descontado como custo de produção. É o lucro mesmo, aquilo que faz com que o dono da empresa, trabalhando as mesmas horas que um funcionário seu igualmente qualificado, ganhe mais. (...) Ao acompanhar a valorização exponencial dos empreendimentos 2.0 não dá para deixar de pensar que há uma mais-valia sendo extraída. Evangelista defendia a repetição do conceito imaginando que as empresas da nova Internet se apropriam do conhecimento do usuário comum para auferir lucros. Sua idéia de fato tem sustentação numa análise superficial, mas o que o professor Felipe Perez propôs vai um pouco mais além da recriação: é uma verdadeira subversão. Numa empresa fortemente associada a bens intangíveis como a de software, grande parte de seu valor está

60 relacionado à qualidade dos profissionais que a compõem e à sua capacidade de inovação. Perder um profissional representa para o empresário a perda de parte de seus bens. Para o profissional que sai de uma empresa, pode-se dizer que ele perdeu a remuneração de seu trabalho naquele momento, mas diferentemente da Revolução Industrial ele não precisa do antigo patrão para produzir. Toda a sua capacidade vai com ele, e não é exagero dizer que parte da empresa também. Nas empresas que trabalham com modelos de desenvolvimento fechados, a licença impede que o conhecimento adquirido seja facilmente reaproveitado restringindo o acesso. Quando trabalhamos com modelos abertos, a restrição simplesmente inexiste, e o usuário pode passar de funcionário demitido a concorrente quase que instantaneamente. Por isso dizemos que a Mais Valia 2.0 é a subversão dos conceitos de Marx: num ambiente de compartilhamento aberto, na relação entre patrões e empregados todos tendem a ganhar. 9. Conclusão Quando há um grande clamor popular em torno da quebra de uma estrutura que atua como dominante é necessário o acendimento de um pequeno estopim que inicia todo o processo de quebra de paradigmas. Quando analisamos a história da sociedade moderna, a mudança aconteceu onde três fatores importantes atuaram em conjunto: tempo, local e oportunidade. Todos os teóricos apontam para uma grande mudança nas estruturas tradicionais de propriedade, sendo apenas uma questão de tempo sua completa superação. Há um sentimento comum em várias partes do mundo que o atual modelo não responde aos clamores éticos e sociais, ainda que em muitos casos a força econômica das corporações consiga suplantá-lo ou diminui-lo. Na discussão da proposta de padrão aberto para documentos OpenXML proposta pela Microsoft na ISO tivemos uma prova de como a força de uma corporação que quer se manter no poder pode afetar o julgamento de até mesmo países inteiros. O povo brasileiro é um povo que gosta de conversar. Algumas populações do

61 mundo podem nos considerar intrometidos ou falantes demais, mas o fato é que interação sobre foi a maior característica do povo. A Internet tornou mais evidente o potencial colaborativo do povo, uma vez que diminuiu a distância entre as pessoas de forma geral. Quando trazemos a capacidade de comunicação através da Internet para a indústria de software agregamos um componente bastante interessante ao desenvolvedor que, por padrão, tem que saber interagir. O modelo de licenciamento livre representou a oportunidade de canalizar o potencial criativo do programador brasileiro, que é reconhecidamente grande, a algo que representa e vai representar uma parcela importante da economia do futuro. O Wikinomics já nos dizia que algo do tipo poderia acontecer e já estava acontecendo em outras partes do mundo, com redes de conhecimento aberto como o Projeto GENOMA e o Innocentive, o que foi chamado por eles de base comum de produção. Também já era previsto pelos autores que o Estado precisaria participar de forma mais efetiva não regulando o mercado apenas, mas sim sendo seu principal parceiro e incentivador da abertura. O ponto de equilíbrio precisaria ser encontrado de alguma forma, em alguma parte do mundo. Acreditamos que o ecossistema do Portal do Software Público Brasileiro é o modelo do que talvez seja a rede de conhecimento do futuro. Mais do que apenas um ambiente de compartilhamento de soluções ele representa um ambiente sustentável de geração de riquezas através do software. O possível amento de participação no mercado de uma determinada solução acarretará numa necessidade muito maior de mão-de-obra qualificada, e a parceria com as instituições de ensino deve resolver o problema. Em se tratando de Governo, a principal preocupação passa a ser o esvaziamento de iniciativa motivado por uma mudança política. A solução de continuidade de qualquer política pública no Brasil e em qualquer país do mundo passa pela adoção por parte da sociedade e de outras instituições, de tal forma que seja impossível ou inviável o simples fim de uma iniciativa. Os teóricos apontam a linha limítrofe para a mudança de uma política de Governo, que é partidária e depende de quem está no poder, para uma política de Estado, que é uma

62 atitude do país como um todo. No sentido de promover a transformação necessária à continuidade do modelo tanto do ponto de vista da continuidade quanto da viabilidade uma complexa teia de relacionamentos foi construída, o que pode ser conhecido por nós como ecossistema. Todos os poderes do Estado brasileiro possuem soluções liberadas no Portal, enquanto membros da sociedade civil organizada nacional e internacional nos ajudam a tocar outros projetos que correm em paralelo.

63 Figura 3. Ecossistema do Portal do Software Público Brasileiro O maior desafio que se apresenta é a capacidade de dar vazão a todas as iniciativas que se desenham por parte dos envolvidos no ecossistema. Como cada um dos envolvidos possui estrutura própria e o modelo é aberto por natureza, é bastante provável que projetos e iniciativas paralelas não previstas pelos responsáveis apareçam a todo o momento. Existe aí um grande risco de descentralização desorganizada que deve ser controlada sob o risco de desmaterialização da base comum de produção e da perda da centralização nas comunidades, que no atual modelo representam o lugar onde tudo acontece. Agir coletivamente, respeitar e valorizar as diferenças, propiciar mais oportunidades às comunidades e, sobretudo, aumentar o nível de articulação governamental podem ser os elementos facilitadores para que que a estrutura não só se mantenha, mas que cresça ainda mais.

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