Estimulação precoce e a Terapia Ocupacional, uma união que promove o desenvolvimento psicomotor de crianças com Síndrome de Down.

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1 Estimulação precoce e a Terapia Ocupacional, uma união que promove o desenvolvimento psicomotor de crianças com Síndrome de Down. Conceituando a Síndrome de Down (SD) Pedromônico; Perissinoto; Ramalho (2000) a definem como Uma alteração cromossômica caracterizada pela presença de material genético extra no cromossomo 21. A manifestação desta síndrome é caracterizada por atraso nas funções motoras e mentais. Sobre o desenvolvimento das habilidades motoras, estudos apontam que a criança apresenta atraso nas aquisições de marcos motores básicos que surgem em tempo diferenciado ao de uma criança com desenvolvimento motor, conforme Sarro e Salina (1999). Garcia, et al (1995) descreve um atraso no déficit motor no período referente a primeira infância. Desta forma, o desempenho funcional de crianças com SD pode apresentar-se inferior às demais crianças, mas ao se interagirem com outras crianças este atraso pode ser recuperado ao longo do seu desenvolvimento. Vale ressaltar que, o atraso do desenvolvimento não é um padrão, pois tanto os marcos motores quanto o desenvolvimento da inteligência não só dependem da alteração cromossômica, mas também do potencial genético e do meio em que vive conforme Antunes (2004); Pazin e Martins (2007). Em acordo com Souza (2003) é importante esclarecer aos pais e familiares que a criança com SD segue a mesma sequência de desenvolvimento das demais crianças, passa pelos mesmos marcos de desenvolvimento, como relatado acima, mas que pode haver uma diferença no ritmo em que estes marcos são alcançados, sendo mais lentos. Os bebês com síndrome de Down nascem com um número menor de células nervosas no cérebro e por isso com uma menor capacidade de desenvolvimento intelectual. A capacidade maturativa que atinge a criança vai depender da estimulação que tenha recebido e o ajude a se desenvolver (Franco, 2001). Diante de tal fato, autores concordam que a estimulação do bebê é necessária durante os primeiros anos de vida, pois é neste período que o sistema nervoso do bebê tem uma maior plasticidade para estabelecer novas conexões (COSENZA, 2011; GOLEMAN, 2001; FRANCA E LAGE, 2013). Assim, conforme Bussolo, Heemann (s/d), um ambiente estimulador e diversificado é fundamental, por favorecer a produção das sinapses, pois são estas conexões neuronais que vão ampliar as possibilidades da criança e influenciar no desenvolvimento do bebê. Desta forma, para plasticidade

2 neuronal (a capacidade do cérebro em desenvolver novas conexões sinápticas entre neurônios), deve se criar um ambiente que estimule o desenvolvimento na fase inicial da vida da criança, ativando partes importantes do cérebro, portanto as experiências, vivenciadas e habilidades adquiridas pela criança nesta fase vão proporcionar aprendizagens para a vida adulta. Também ressalta que o meio, social, cultural, natural também influenciam na formação da criança, assim todas as áreas de formação irão contemplar o desenvolvimento da criança em sua totalidade. Com conhecimentos prévios de que a estimulação é importante para o desenvolvimento da criança, os programas de estimulação precoce ajudam o bebê com SD a adquirir habilidades não desenvolvidas e aptidões que outras crianças aprendem sozinhas, uma vez que a estimulação precoce tem o objetivo claro de aproveitar a plasticidade neuronal para ativar e promover as estruturas cerebrais (Franco, 2001; Flórez, 2005). As Diretrizes Educacionais sobre Estimulação Precoce apontam o significado da estimulação precoce como um o conjunto de atividades e de recursos humanos e ambientais incentivadores que são destinados a proporcionar à criança, nos seus primeiros anos de vida, experiências significativas para alcançar pleno desenvolvimento no seu processo evolutivo (Brasil, 1995, p.11). O tratamento de estimulação precoce é possível devido a grande plasticidade neuronal nos primeiros três anos de vida (RAMOS, 2011). Ele modifica todo o desenvolvimento do indivíduo, formando as bases para um desenvolvimento harmônico. (RAMOS, 2011). Em minha experiência profissional em escolas especiais pude perceber que alguns pais podem se sentir desmotivados com a demora de seus filhos para adquirirem habilidades ainda não recebidas, deste modo quanto mais cedo for iniciada a estimulação precoce, melhores serão os resultados obtidos e mais rápidos são as chances de um rápido desenvolvimento (Franco, 2001; Puschel 2000). Em um programa de estimulação precoce o trabalho é realizado por uma equipe multidisciplinar, com Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Psicologia, Fonoaudiologia, Pedagogia, e demais profissionais que auxiliam no bom desenvolvimento da criança. Dentro do programa, de acordo com Sarro (1999) os profissionais deverão identificar as condições e necessidades da criança; respeitar à sequência de etapas e as posturas adquiridas; realizar atividades agradáveis para o terapeuta e a criança; e apoiar a família. A família é muito importante para o êxito do desenvolvimento familiar, pois Alves, et al (2009), relata que a participação ativa dos pais durante o processo assegura a eficácia

3 do plano de tratamento e a continuidade desta estimulação em casa. Segundo Levy (2001) a estimulação precoce em crianças com SD tem como objetivos desenvolver a capacidade da criança de acordo com seu grau de comprometimento e da fase de desenvolvimento em que se encontra; inibir os reflexos primitivos; normalizar o tônus muscular; melhorar posturas; estimular o desenvolvimento motor normal; orientar quanto às atividades da vida diária. A Terapia Ocupacional dentro da estimulação precoce irá favorecer o desenvolvimento neurológico, psicológico e motor por meio de atividades com uso de métodos diversos como a estimulação sensorial (uso de bolas, texturas diversas), a psicomotricidade, o brincar, dentre outras; e também a orientação para que a família continue a estimulação em casa, ensinando-os técnicas de manipulação, posicionamento e interação com a criança visando à aquisição de habilidades, autonomia e melhora nas atividades cotidianas (ALVES, et al, 2009). Conclui-se que a estimulação precoce não só trabalha para recuperar a fase de desenvolvimento que a criança com SD não alcançou, mas fazer com que ela não deixe de passar por todas as fases do desenvolvimento. A criança com SD deve ser tratada de forma única, pois cada uma tem sua forma de se desenvolver, o terapeuta deverá respeitar a criança, o seu contexto familiar e social. REFERÊNCIAS ALVES, C. M.; ALVES, F. D. G.; ANTONELO, R. T. Síndrome de Down: A Percepção Materna na evolução do Desenvolvimento Neuropsicomotor da criança de 0 a 4 anos em tratamento com a Terapia Ocupacional no Centro de Reabilitação Física Dom Bosco. Disponível em: <http://www.unisalesiano.edu.br/encontro2009/trabalho/aceitos/po pdf> Acesso em 01/05/15. ANTUNES, G. A. A. O enfrentamento da Síndrome de Down: Uma abordagem do comportamento materno e do tratamento fisioterapêutico f. Monografia (Graduação em Fisioterapia)-Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Disponível em: <http://www.ucg.br/ucg/institutos/nepss/monografia/monografia_15.pdf>. Acesso em: 01/05/15. BUSSOLO, I; HEEMANN, A. A importância da mediação no desenvolvimento na primeira infância. Disponível em:<http://www.imap.curitiba.pr.gov.br/wpcontent/uploads/2014/03/a%20import%c3%a2ncia%20da%20media%c3%a7%c3%a3o %20no%20desenvolvimento%20na%20primeira%20inf%C3%A2ncia.pdf> Acesso em:

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