O Empreendedorismo no Desenvolvimento Econômico e Social pelas Pequenas e Médias Empresas. *

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1 O Empreendedorismo no Desenvolvimento Econômico e Social pelas Pequenas e Médias Empresas. * Lúcio Alcântara ** Senhores Contadores, É com muita honra que em nome do hospitaleiro povo cearense participo da sessão de abertura deste seminário internacional e dou as boas vindas a todos. Espero que nos intervalos, ou ao final dos trabalhos, os senhores possam usufruir das belezas e da cultura do Estado do Ceará. O tema que me foi solicitado abordar, ou seja, o papel das microempresas no desenvolvimento econômico, me é muito grato. Durante a campanha eleitoral, criamos um fórum denominado Movimento Ceará Cidadania, em que mais de 900 voluntários discutiram questões relevantes, e um dos temas que suscitou maior interesse foi justamente a situação do empreendedorismo e do papel das pequeno e médias empresas no desenvolvimento sócio-econômico do Ceará. Os debates desaguaram na criação de uma Secretaria do Trabalho e do Empreendedorismo, que faz parte da estratégia governamental para acelerar o desenvolvimento do estado, bem como formalizar uma política voltada para parcerias que estimulem as atividades produtivas. Eu quero ressaltar que micro e pequenas empresas estão sendo alvo de atenção por parte de fomuladores de políticas públicas que, a par de sua esmagadora presença na economia nacional, vêem nessas empresas a * Palestra no VII Seminário Internacional do CILEA. Hotel Caesar Park. Fortaleza(CE). 24 de agosto de ** Governador do Estado do Ceará ( ). 1

2 possibilidade de amortecer os choques que as recentes reformas estruturais têm provocado no nível geral de emprego das economias afetadas. Por um lado, o enxugamento do estado em todos os níveis criou uma classe de desempregados até bem pouco não comum, oriunda do setor público ou estatal. Por outro lado, a classe de desempregados do setor privado sofreu também inchamento, devido a medidas de reestruturação produtiva para se inserir o Brasil no processo de globalização. Como resultante dessas duas forças, e ainda considerando as baixas taxas de crescimento da economia nacional nas duas últimas décadas, o desemprego tem crescido significativamente no Brasil. As pequenas empresas são lembradas como se fossem uma panacéia para solucionar os transtornos do desemprego. Recorre-se a elas como a um colchão de amortecimento dos choques macroeconômicos, em vez de considerá-las agentes eficientes de produção, capazes de acelerar o crescimento e lograr ganhos de competitividade para a economia nacional. Esse tem sido o viés das políticas recentes de apoio às pequenas empresas, não só em nosso país, mas em grande parte do mundo em desenvolvimento. No Brasil, até a primeira metade da década de 90, um dos principais programas de apoio às pequenas empresas encontrava-se abrigado em um órgão de promoção social, a extinta Legião Brasileira de Assistência, a LBA. A realidade tem sido diferente em países como Itália e Taiwan, que conseguiram alcançar taxas de crescimento apreciáveis nas duas últimas décadas. Nesses, e em muitos outros países, as pequenas empresas constituem parte relevante do aparelho produtivo nacional, e recebem dos governos tratamento correspondente a seu papel na economia. As políticas de apoio ao segmento vinculam-se a estratégias de crescimento econômico, 2

3 expansão da renda nacional, ganhos de competitividade e aumento das exportações, ou seja, objetivos essencialmente econômicos, em contraposição à mera proteção social. Estruturas de produção do tipo clusters têm cada vez mais constituído a tônica das receitas para o desenvolvimento econômico. Como consistem de aglomerações de unidades produtivas participantes de um determinado negócio, os clusters favorecem a eficiência produtiva, pois a proximidade facilita e encoraja a especialização, o compartilhamento e complementaridade, a cooperação, a troca de informações e o aprendizado. Dentro desse enfoque, um dos objetivos do governo do Ceará é incentivar a indústria e o comercio de produtos de consumo popular. A promoção de pequenos negócios voltados para a produção de consumo popular vem se expandindo, em boa medida, como uma política adequada para oferecer oportunidade de ganhos à crescente força de mão-de-obra não inserida no mercado formal de trabalho cearense. Buscar-se- á também aumentar a efetividade dos programas de capacitação, por meio de uma melhor integração entre a demanda de mãode-obra qualificada e a oferta de treinamento, e a integração entre as diversas instituições que atuam na área de capacitação, como CVTs, CENTECs, IDT e Sistema S. Paralelamente, serão implementados programas, em parceria com as prefeituras e a iniciativa privada, para oferecer estágios práticos remunerados a estudantes de segundo grau, universitários e recém-formados. Um dos objetivos do atual programa de governo do Ceará é justamente a modernização das micro, pequeno e média agroindústrias. O apoio à instalação de agroindústrias estará orientado como ação de regionalização, priorizando-se as áreas dos Agropolos, que têm maiores possibilidades de 3

4 produzir o ano inteiro, em função da agricultura irrigada e da idéia de formação de novos arranjos de cadeias produtivas no meio rural. Um outro objetivo pe promover o estímulo ao desenvolvimento local nos setores e municípios em que essas atividades são mais viáveis. Para que este isso seja alcançado é necessário estimular investimentos em novos equipamentos e utilização de insumos mais modernos, pois uma das características das pequenas empresas é a defasagem tecnológica e a falta de informações sobre novos materiais, matéria-prima, componentes e acessórios. Eu citaria ainda, como objetivo de alta importância, a promoção da capacitação empresarial e tecnológica nas micro e pequenas empresas. Para que esse objetivo seja alcançado, é preciso promover a capacitação empresarial mediante cursos e encontros que disseminem idéias sobre estratégia empresarial, gestão e outros temas. Fundamental também um maior envolvimento de órgãos como o SENAI, SEBRAE, sindicatos, associações, ONGs, universidades e centros de treinamento, nos moldes de um sistema empresa-escola. Gostaria de me referir agora ao Programa Ceará Empreendedor, que objetiva apoiar a criação de um ambiente favorável às microempresas e empresas de pequeno porte. Para dar suporte às ações do programa, foram concebidos os seguintes subprogramas: Simplificação da Legislação Tributária; Financiamento; Capacitação e Consultoria Técnica; Incubação de micro e pequenos negócios; Apoio à Comercialização; Apoio ao Cooperativismo e Associativismo. Temos também em vista o programa de minidistritos industriais e o programa de intermediação de mão-de-obra, que tem por objetivo diminuir 4

5 as taxas de desemprego mediante a colocação de trabalhadores no mercado de trabalho formal e informal. O Programa Portas Abertas visa contribuir para a geração de emprego e renda de jovens de 16 a 24 anos, por meio dos projetos Primeiro Emprego, Primeiro Estágio e Primeiro Negócio, e reinserção de trabalhadores com idade acima de 40 anos, via ações de educação profissional, intermediação de mão-de-obra e requalificação. Estamos também lançando o programa de inclusão de segmentos especiais, que objetiva inserir no mercado de trabalho e no empreendedorismo portadores de necessidades especiais, índios e negros, em particular as mulheres. O programa de artesanato e produção familiar também está sendo iniciado, bem com o programa de promoção à exportação, que visa promover ações de comercialização de produtos, valorizando também a economia solidária, em nível nacional e internacional. Espero ter dado, neste breve espaço de tempo. uma noção do que penso sobre empreendedorismo e apoio às pequeno e médias empresas, e encerro esperando que desse Seminário surjam idéias inovadoras que possam ser absorvidas pela administração do Ceará. Muito obrigado. 5

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