SERVICE-ORIENTED ARCHITECTURE INTEGRATING ERP SYSTEMS

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1 SERVICE-ORIENTED ARCHITECTURE INTEGRATING ERP SYSTEMS Fernando Antônio Guimarães Tenório (Universidade Federal de Sergipe, Sergipe, Brasil) From the mid-90s to the present day, the Enterprise Resource Planning - ERP have become quite popular in large, medium and even small businesses, integrating their industries and making them more competitive in today's business environment. Another fairly common feature is currently merging companies or even productive branch of business, making them a single large corporation, requiring, in most cases, the integration of their information systems, which systems such ERP. The big problem is how to make such integration, since there are few tools Enterprise Application Integration - EAI available, and, in most cases, the option is to implement a new ERP system and single for the new company formed, burdening spending waste of time, beyond organizational and cultural impact. Within this context, this paper presents the advantages of using Service Oriented Architecture - SOA as a tool for EAI integration of ERP systems. Keywords: Systems, Integration, ERP, SOA. Da metade da década de 90 até os dias atuais, os sistemas Enterprise Resource Planning ERP tornaram-se bastante populares nas grandes, médias e até pequenas empresas, integrando seus setores e tornando-as mais competitivas no atual ambiente de negócios. Outra característica bastante comum atualmente é a fusão de empresas de mesmo ramo produtivo ou de negócios, tornando-as uma única grande corporação, sendo necessária, na maioria dos casos, a integração de seus sistemas de informação, tais quais os sistemas ERP. O grande problema está em como fazer tal integração, pois são poucas as ferramentas de Enterprise Application Integration EAI disponíveis, e, na maioria dos casos, opta-se por implementar um novo e único sistema ERP para a nova empresa formada, onerando gastos, desperdício de tempo, além do impacto organizacional e cultural. Dentro deste contexto, o presente artigo apresenta as vantagens do uso da Arquitetura Orientada a Serviço SOA como uma ferramenta de EAI para a integração de sistemas ERP. Palavras-chave: Sistemas, Integração, ERP, SOA. 1. INTRODUÇÃO: São incontestáveis as vantagens que os sistemas Enterprise Resource Planning ERP podem trazer às empresas que os implementam. Para Medeiros Junior (2007), entre as diversas vantagens providas pelos sistemas ERP, podem ser destacas a padronização e automação dos processos de negócio das empresas, fazendo com que o fluxo de informações entre esses processos ocorra em tempo real, gerando menor desperdício de tempo e maior confiabilidade das informações geradas. Entretanto, tais sistemas ainda apresentam diversos problemas, principalmente relacionados ao seu processo de implantação, demandando onerosos dispêndios de tempo e dinheiro. Ademais, Souza (2000) ressalta que a implantação de sistemas ERP geram uma profunda mudança na forma organizacional das empresas, sendo essas obrigadas a mudar muitos de seus procedimentos organizacionais para adaptar-se ao sistema, podendo gerar 1587

2 certa resistência, por parte dos funcionários, e, possíveis erros na execução de processos de negócio. Segundo pesquisa feita pela Panorama (2012), com empresas que utilizam ERP em todo o mundo, 61% dessas afirmaram ter tido dificuldades relacionadas ao processo de implantação do sistema relacionados a extrapolação dos prazos financeiros e temporais acordados. A pesquisa também constatou que os principais problemas encontrados estavam relacionados a questões organizacionais, corroborando assim com a afirmação de Souza (2000). Além dos problemas organizacionais, outro entrave associado aos sistemas ERP é a sua integração demais sistemas de informação, tais como sistemas de Apoio a Tomada de Decisão (SAD), Customer Relationship Management (CRM) e até outros sistemas ERP. Em um mundo cada vez mais competitivo, varias empresas se fundem ou formam parcerias do tipo joint-ventures almejando maiores vantagens competitivas, fazendo com que haja uma necessidade de interação entre suas plataformas de TI, incluindo os sistemas ERP. Fazendo uma analogia, pode-se imaginar duas empresas, uma delas, em seu parque computacional utiliza o sistema operacional Linux junto ao banco de dados Oracle com um sistema ERP de mesma marca. Uma outra empresa possui o sistema operacional Windows em seu parque computacional, utilizando banco de dados Oracle e sistema ERP R/3, da Alemã SAP. Se essas duas empresas resolverem formar uma parceria joint-venture, podese imaginar que seria necessário uma reestruturação organizacional nas duas empresas para a implementação de um único sistema ERP, ocasionando grande impacto organizacional, demasiados custos de implementação e, consequentemente, dispêndio de tempo e dinheiro. Diante desta realidade, empresas fornecedoras de sistemas ERP viram-se obrigadas a fornecer ferramentas para integração de seus sistemas ERP com demais sistemas de informação. Assim, os Enterprise Application Integration EAI, surgem como ferramentas que fornecem essa integração, baseado em servidores de troca de mensagem entre aplicações e adaptadores, capazes de elaborar infra-estruturas intra e interorganizacionais integradas, flexíveis e manejáveis. As ferramentas de EAI podem ser fornecidas pelas próprias empresas desenvolvedoras de sistemas ERP, contudo, neste caso em específico (Com exceção da SAP e Oracle, que possuem ferramentas de integração baseadas em SOA) tais ferramentas ou só integram seus próprios sistemas, ou são proprietárias, gerando uma dependência, entre fornecedor do sistema para fazer essa integração e as empresas clientes, gerando, para essas últimas, custos e desperdício de tempo. Uma alternativa são as ferramentas de EAI baseadas na Arquitetura Orientada a serviço SOA, que permitem a integração de qualquer tipo de sistema ERP, independentemente da plataforma usada, da linguagem e do banco de dados usado. Por meio de uma EAI baseada em SOA dois sistemas ERP podem ser integrados de tal forma que não será necessário fazer nenhuma reestruturação profunda, bastando integrar os data warehouse das duas empresas através de adaptadores e aplicativos que funcionam como uma espécie de tradutor universal, os Enterprise service bus - ESB necessário para a integração não só entre os sistemas ERP, como também com os sistemas de informação da empresa, tais como sistemas de Business Intelligence BI e Customer relationship management CRM, trazendo benefícios como redução de custos, processos de negócios mais organizados, integração de dados, objetos e processos, aumento da produtividade e agilidade na resposta a mudança. Diante do exposto, o presente artigo tem como objetivo apresentar as vantagens do uso da SOA como ferramenta de EAI para a integração de sistemas ERP distintos entre empresas de uma mesma cadeia produtiva. Para tanto, o trabalho foi dividido em quatro seções além 1588

3 da introdução, em que a primeira apresenta uma revisão da literatura acerca dos conceitos, vantagens e desafios relacionados aos sistemas ERP e SOA, a segunda seção traz a metodologia de pesquisa utilizada neste trabalho, a seção três apresenta o uso da SOA como ferramenta de integração e a seção quatro traz as conclusões deste estudo. 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 ENTERPRISE RESOURCE PLANNING ERP De acordo com Souza e Saccol (2010), os ERPs são sistemas de informação adquiridos na forma de pacotes comerciais de software, permitindo a integração de dados dos sistemas de informação e dos processos de negócios ao longo de uma organização. Ainda segundo os autores, tais sistemas surgiram no inicio dos anos 90, com a promessa de integrar todos os departamentos de uma empresa, por meio de módulos de softwares customizáveis na qual toda a informação gerada pudesse ser armazenada em um único banco de dados. Em síntese os sistemas ERP (SOUZA; ZWICKER, 2003: 11): São pacotes comerciais de software; Incorporam modelos padrões de processos de negócios; Constituem sistemas integrados de informação; Utilizam um banco de dados corporativo; Possuem grande abrangência funcional; Requerem procedimentos de ajuste para que possam ser utilizados em determinada empresa (parametrizações e customizações). Destarte, depreende-se que os sistemas ERP podem trazer inúmeras vantagens as empresas que o implementa. Para Davenport (1998), os ERP são como um sonho que se torna real, ao conseguir integrar, de forma perfeita, toda a informação que flui através de uma empresa. Corroborando Davenport (1998), Ross (1999), elenca diversos motivos que justificam a implantação de um sistema ERP. Tais motivos são: (a) necessidade de plataforma comum; (b) melhoria de processos de negócio; (c) visibilidade de dados; (d) redução de custos operacionais; (e) aumento de eficiência de atendimento aos clientes e; (f) melhoria de processos de decisão estratégicos. Diante do exposto, depreende-se que os sistemas ERP podem trazer vantagens competitivas às empresas que o adotam, por conseguir resolver problemas de integração, disponibilidade e confiabilidade de informações, incorporando, em um único sistema, as funcionalidades necessárias para suportar os diversos processos de negócio encontrados em uma organização (OLIVEIRA; RAMOS, 2002). Contudo, vale ressaltar que os sistemas ERP são Softwares prontos, comprados na forma de pacotes e pouco customizáveis, sendo a empresa adquirente, ciente do grande impacto com a sua implantação, indo desde ao modo como ocorrem as trocas de informações, até a uma mudança organizacional profunda de seu modelo de trabalho e sua organização setorial, fazendo com que a empresa saia de uma visão departamental para um modelo organizacional cujo foco são os processos (SOUZA, 2010). Dessa forma, a próxima seção tem como objetivo apresentar o processo de implantação de um sistema ERP. 3.2 IMPLANTAÇÃO Para autores como Davenport (1998), Esteves e Carvalho (2000), Souza e Zwicker (2003) e Gâmboa, Caputo e Ettore Filho (2004), a etapa de implantação do sistema ERP é bastante 1589

4 crítica, devido, principalmente, ao elevado dispêndio financeiro gasto com treinamento de pessoal e novos investimentos em Hardware e Software. Segundo Souza e Zwicker (2003), a implantação de um sistema ERP se dá em quatro fases, sendo estas a decisão, implementação, estabilização e utilização, conforme pode ser observado na figura 1 a seguir. Figura 1 - Etapas de Implantação do ERP Fonte: Adaptado de Souza e Zwicker (2003). Na etapa de decisão e seleção são decididos o fornecedor do sistema ERP, o planejamento da implementação, a escolha da equipe de implementação, as metas a serem cumpridas, bem como a sua estratégia de implementação. Na etapa de implementação, tem-se a viabilização em si do sistema, onde os módulos são implantados, customizados, a configuração do Hardware é escolhida para dar suporte aos módulos e é realizado o treinamento dos usuários do sistema. Essa etapa pode ser feita de três maneiras: small bang, onde os módulos são implementados individualmente; implementação por fases, onde dois módulos são implementados e postos para funcionar de uma vez e; big bang, onde todos os módulos são implementados e postos para funcionar de uma só vez. A implementação por small bang é a mais recomendada por grande parte das empresas fornecedoras de sistemas ERP, pois facilita a adaptação da empresa ao sistema. A etapa de estabilização é a mais crucial, pois é neste momento que o sistema ERP começa a ser usado e, com isso, aparecem os possíveis erros de programação, as falhas no treinamento dos usuários do sistema e os erros na escolha da configuração do Hardware. A partir da fase de estabilização, a empresa já começa a depender do sistema ERP, sendo de fundamental importância para o sucesso da implementação que todos os problemas e falhas sejam imediatamente corrigidos. A etapa de utilização já é o uso maciço do sistema ERP, com todas as suas funcionalidades em pleno funcionamento, gerando agilidade nos processos e na troca de informações dentro dos setores da empresa. 3.3 IMPACTO GERADO PELA IMPLEMENTAÇÃO Os sistemas ERP mudam por completo toda a estrutura organizacional de uma empresa. Os departamentos agora são dependentes um dos outros, sem hierarquia entre eles, os 1590

5 funcionários precisam ser treinados e campanhas de endomarketing são necessárias para mostrar como o sistema ERP pode reduzir o tempo de trabalho e tornar os processos mais organizados e rápidos. Tal impacto decorre da necessidade de mudanças organizacionais profundas, pois as empresas, normalmente orientadas a uma visão hierárquica e departamental, são obrigadas a adaptar-se a uma visão orientada a objetos, isto é, conjuntos de atividades que cruzam e integram os departamentos. Além disso, muitas vezes as empresas são obrigadas a mudar seus procedimentos para adaptar-se as funcionalidades do pacote (SOUZA, 2000: 51). Tendo em vista todos esses problemas, as empresas que almejam implantar um sistema ERP, devem ter em mente que o planejamento para sua implementação deve ser feita com muito cuidado, por uma equipe de analistas e consultores altamente capacitada, pois uma implantação mal sucedida pode gerar impactos organizacionais irreversíveis. 3.4 ARQUITETURA ORIENTADA A SERVIÇO SOA A Arquitetura Orientada a Serviço é um padrão de engenharia de Software recente, com cerca de 10 anos, a qual inexiste consenso quanto a sua definição, fazendo com que surjam, na literatura, diferentes conceitos e abordagens. Para Krafzig, Banke e Slama (2004), SOA pode ser entendida como um conjunto de declarações que tem como função descrever e atribuir funcionalidades a componentes de Software. Tais descrições contem a estrutura técnica, limitações e características de cada um dos componentes, bem como as interfaces utilizadas por eles. De forma mais completa, Fujita (2009) define SOA como uma nova forma para o desenvolvimento de sistemas de informação baseada em um conjunto de componentes modularizados, autônomos e fracamente acoplados, denominados serviços, em que cada um deles possuem processos e comportamentos distintos, estabelecidos através de contratos firmados entre o desenvolvedor e o cliente. Em contraste, a Organization for the Advancement of Structured Information Standards (OASIS), procura definir SOA de forma mais simplista, ao compreender este tipo de arquitetura de Software como um conjunto de funções de negócio, chamadas de serviços, que combinadas geram novas aplicações, denominadas de serviços compostos (OASIS, 2012). Ademais, para que SOA possa funcionar, faz-se necessário um conjunto de aplicações essências na integração dos componentes de Software, conforme pode ser visto na figura 2 a seguir. 1591

6 Figura 2 - Componentes SOA Fonte: Autor (2012) Conforme observado na Figura 2, a SOA é composta por quatro aplicações, o Enterprise Service Bus (ESB), os adaptadores, o Service Broker e o Registro SOA. O ESB tem como função conectar todos os serviços que formam a arquitetura SOA, dando origem aos serviços compostos. Pode-se pensar no ESB como um roteador, nterligando cada um dos componentes SOA. Os adaptadores servem para fazer com que um componente de Software se comunique com o outro. De forma geral, os componentes de Software são escritos em diferentes linguagens de programação, sendo necessário o uso de adaptadores para padronizar as linguagens e fazer com que eles se comuniquem. O Service Broker e Registro SOA tem as funções, respectivamente, de buscar e armazenar as informações de cada componente de Software. Dessa forma, cada novo componente de Software adicionado a SOA deve ter sua descrição anexada ao Service Broker. Visando facilitar o entendimento sobre SOA, pode-se fazer uma analogia entre um sistema baseado na Arquitetura Orientada a Serviço e um sistema de distribuição de água de uma casa. Considere as pias, torneiras e chuveiros as interfaces de cada serviço, por exemplo, o chuveiro é a interface do serviço banho, a pia da cozinha é a interface do serviço lavar louça e assim por diante. Agora suponha que nesse sistema de distribuição, há uma gigantesca caixa de água responsável por liberar água para todas as pias, chuveiros e torneiras da casa. Na analogia, a caixa de água faz o papel de data warehouse do sistema e a água as informações armazenadas por ele. A caixa de água armazena e distribui a água para todas as pias, chuveiros e torneiras da casa através de um distribuidor central, que na nossa analogia seria 1592

7 o ESB, onde seriam ligados desde canos de meia polegada até canos de duas polegadas e meia ou mais. Os canos são a linguagem de programação usada em cada serviço, o chuveiro usa um cano de polegada diferente da torneira do jardim, mas mesmo assim recorre à mesma caixa de água, ou seja, o mesmo data warehouse. Os usuários do chuveiro, das pias, e das torneiras não sabem como a água chega lá, mas sabem que chega, isso pode ser comparado ao recurso chamado caixa-preta na SOA, em que o usuário do serviço só tem acesso à sua interface. Ademais, uma torneira pode se tornar, a depender da necessidade, um chuveiro futuramente, não sendo necessárias mudanças como a água chega ao chuveiro,, ou seja, uma mudança do serviço sem a necessidade de mudanças na sua linguagem de programação, uma reusabilidade daquele mesmo serviço que antes era uma torneira, passando a ser um chuveiro. Os sistemas baseados na SOA são assim, um serviço pode ser reusado em outros tipos de aplicações, sendo esta uma característica essencial na SOA, sua reusabilidade. Após a analogia feita, acredita-se que SOA possa ter sido melhor compreendida. Assim, pode-se ressaltar as vantagens que o uso dessa arquitetura pode proporcionar, tais como: Permitir a integração de sistemas distintos, eliminando a necessidade de descartar os sistemas já usados dentro da empresa; Utilizar o modelo cliente/servidor, do qual o usuário só tem acesso aos detalhes exibidos na interface (Caixa-preta) Reduzindo o risco de dano ao sistema; Pacotes de Software podem ser reusados, pois os mesmos, através do ESB podem ser integrados com qualquer outro tipo de serviço; Integrar vários sistemas de informação da empresa, como a integração entre os ERP, Sistemas de informação gerencial (SIG), Sistemas de apoio a decisão SAD, Custonship Relatioship Management CRM e os sistemas de Business Intelligence BI; Redução dos custos de integração entre dois ou mais sistemas; Menor impacto organizacional na empresa. 3.5 SOA COMO FERRAMENTA DE INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS Por meio de suas aplicações, em especial os adaptadores e o ESB, a SOA pode ser vista como uma poderosa ferramenta de integração de sistemas, baseando-se no conceito de web services que, como o próprio nome diz, são serviços providos através da tecnologia web, ou seja, um serviço é interligado ao outro através de uma interface e se comunicam utilizando uma linguagem padrão da web, como por exemplo, o XML. Para um melhor entendimento, suponha uma empresa que possua um sistema para o setor financeiro, acessado via browser, suponha também que esse sistema possua vários serviços, como de conversão de moedas e calculadora. O usuário do sistema só possui acesso a interface do serviço, não sabendo como é feito o procedimento de conversão de moeda ou os cálculos efetuados pela calculadora. É nesse contexto que entra o conceito de integração baseada em SOA, ESB e adaptadores web service, pois os serviços de calculadora e conversão de moedas podem utilizar linguagens diferentes e serem interligados através do ESB com o sistema financeiro que por sua vez utiliza web service para a interação com a interface do usuário. Os mesmos serviços de calculadora e conversão de moedas podem ser reutilizáveis em outros sistemas, tais como sistemas de tomada de decisão que necessitem fazer cálculos e converter valores financeiros. 1593

8 2. METODOLOGIA DE PESQUISA Para a realização deste trabalho, fora feita uma análise documental por meio de fontes de dados secundários coletados em artigos científicos e nos sitios das ferramentas de integração aqui apresentadas. Por fim, foram testadas as seguintes ferramentas de integração baseadas na SOA: Oracle SOA Suite, Microsoft BizTalk, Apache Service mix, sendo instaladas e configuradas em maquinas próprias, objetivando apresentar o Hardware necessário para o bom desempenho de cada uma delas, o preço e um comparativo final, com os pontos fortes e fracos de cada ferramenta, bem como o ambiente empresarial recomendado para o uso de cada uma delas. 3. USO DA SOA NA INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS ERP No caso da integração de sistemas ERP baseado na SOA/ESB, os módulos do sistema ERP entram como os serviços e o ESB traduz as informações dos data warehouse de cada sistema, lançando-as em um novo data warehouse unificado. Quando um módulo do sistema ERP invocar algum dado, o ESB ira procurar dentro do data warehouse unificado e enviará ao módulo, ou seja ao serviço requisitante. O nível de implementação visto nessa integração é o de dados, pois somente esses serão integrados, sendo a SOA sendo responsável pela orientação dos dados dentro dos serviços, no caso, os módulos dos sistemas ERP integrados, que manterão suas interfaces e funcionalidades, mudando somente a forma como os módulos, aqui chamados de serviços irão interagir uns com os outros. Quando grandes corporações se fundem é natural que essas abandonem seus sistemas ERP independentes e implantem um único sistema para as duas, gerando assim todo o processo arriscado de implantação. Utilizando a SOA como ferramenta de integração, uma corporação poderá integrar sistemas ERP, mantendo em cada um suas características e funcionalidades, sem a necessidade de mudanças em sua interface, poupando novos treinamentos por parte dos funcionários. Os custos da integração serão bem mais baixos frente ao custo de um novo sistema ERP, pois de acordo com Souza e Saccol (2010), os custos com a implantação de sistemas ERP estão em torno de R$ 10 milhões para uma grande corporação, enquanto que os gastos com integração, se for usado um sistema de integração baseado na SOA, será de, no máximo, R$ 2 milhões. Após todas as evidências acima citadas, nota-se que a integração de sistemas ERP compreende estratégia viável e econômica para corporações que se fundem e não querem perder seus atuais e efetivos sistemas de informação. 3.1 FERRAMENTAS DE INTEGRAÇÃO Para a realização deste trabalho, foram testadas três ferramentas de integração baseadas na SOA. A primeira e mais importante delas é a ferramenta da Oracle, a Oracle SOA Suite 11g, seguida pela ferramenta da Microsoft, a BizTalk Server e por ultimo a ferramenta open source da Sun, a Apache service Mix, a descrição de tais ferramentas bem como um comparativo das mesmas serão apresentados a seguir Oracle soa Suite 11g 1594

9 O Oracle SOA Suite 11g faz parte do Oracle fusion middleware 11g, um conjunto de produtos de software que envolve grande variedade de ferramentas e serviços, dando suporte completo nas fases de desenvolvimento, implantação e gerenciamento de sistemas de informação. A Oracle criou a SOA Suite para que as empresas e organizações possam contar com uma infraestrutura TI mais ágil, flexível e que ofereça rendimento. Por meio da integração dos dados e a lógica de negócio de seus sistemas separados, a suíte SOA permite às organizações unir os objetivos de negócio com a infraestrutura de TI. Estas características explicam sua alta aceitação e clara liderança no mercado (ORACLE, 2010). Essa ferramenta permite desenvolver toda a modelagem de integração de sistemas heterogêneos, por meio da SOA, dispondo de mais de 300 adaptadores para conexão com outros sistemas, incluindo os da SAP e Baan. É formada por vários componentes, com destaque para o Oracle adapters e o Oracle service bus Biztalk Server Assim como o Oracle SOA suite, o BizTalk Server, da Microsoft, é um conjunto de aplicativos e ferramentas, que permitem a integração entre sistemas distintos baseando-se na SOA, dando total suporte ao desenvolvimento e modelagem da integração dos sistemas de informação da empresa e permitindo a integração com futuros serviços. Algumas das principais características dessa suite são: Simplificar e automatizar a interoperabilidade entre sistemas, visando redução de custos e erros; Ganhos de desempenho significativos nos processos de negocio; Menor mudança organizacional dentro da empresa, pois os sistemas continuarão possuindo uma independência entre eles, mantendo assim suas características; Promover melhor agilidade no gerenciamento de todos os sistemas; Integrar eliminando a redundância; Permite a integração com sistemas de informação externos ao BizTalk Server. Dentre as ferramentas que essa suite possui, duas merecem destaque: O BizTalk B2B e o BizTalk ESB toolkit Apache Service Mix Das três ferramentas apresentadas nesta pesquisa, o Apache Service Mix é a única que é gratuita, podendo ser encontrada na Internet para Download. Existem poucas informações acerca dessa suite na internet. Assim como as outras ferramentas, o apache service mix utiliza a tecnologia de web services para prover a integração de sistemas de informação distintos, baseando-se na SOA. Seu ESB utiliza a tecnologia Java Business Integration, um conjunto de ferramentas voltadas para integração de sistemas de informação baseadas na linguagem de programação Java. 3.2 PREÇO 1595

10 Com exceção do Apache Service Mix, as ferramentas aqui apresentadas possuem um alto custo para aquisição de suas licenças de uso, bem como um alto custo com o hardware necessário para a instalação da ferramenta Oracle soa Suite 11g A Oracle vende os pacotes do Oracle Fusion Middleware separadamente, como o Oracle SOA Suite é um pacote do Oracle Fusion Middleware, o mesmo deve ser comprado individualmente, sendo necessária também a compra do Oracle ESB toolkit. O preço dos componentes é dado por servidor, como é feito com sistemas operacionais como o Windows. Os valores são dados em real e as informações foram extraídas no sitio da Oracle. Os preços serão apresentados a seguir. Oracle SOA Suite: R$ ,00 Oracle ESB toolkit: R$ ,00 Somando todos os valores o preço final da ferramenta de EAI da Oracle baseado na SOA é de $ Caso a empresa queira o suporte da própria Oracle, o investimento anual será de R$ 2.807, Microsoft Biztalk Server Existem duas versões do BizTalk Server, a standart voltada a implantação em médias e pequenas empresas, sendo limitada a cinco aplicações do BizTalk Server. A versão mais completa é a Enterprise, projetada para empresas que exigem agilidade e disponibilidade na integração de seus sistemas, bem como escalabilidade para um número ilimitado de sistemas a serem integrados. O preço da licença das duas versões serão apresentados a seguir. Assim como o Oracle soa suíte, a licença é por servidor e os valores são apresentados em Real: Standart Edition: $ ,00 Enterprise Edition: R$ ,00 Um detalhe importante é o fato da ferramenta da Microsoft só funcionar em seu sistema operacional, ou seja, para implantar o BizTalk será necessário também uma licença para o Windows Server 2003/2008/2012, com valor médio de mil dólares para a versão 2012, segundo o sitio da própria Microsoft Apache Service Mix A ferramenta da Apache é gratuita, sendo de código aberto, fazendo com que o gasto seja somente relacionado ao investimento com Hardware e equipe de implantação. 3.3 HARDWARE NECESSÁRIO Outro parâmetro importante para uma comparação é o hardware exigido por cada ferramenta aqui apresentada. Através dos sitios das fornecedoras, são encontrados os requerimentos mínimos necessários para a utilização de cada ferramenta. O Oracle SOA suíte requer um servidor de aplicação com no mínimo uma CPU Pentium dual-core de 1.5ghz, com 4gb de memória RAM e no mínimo 15GB de espaço livre em disco rígido. 1596

11 Os requerimentos mínimos da ferramenta da Microsoft são bem mais modestos que os exigidos pela ferramenta da Oracle, o BizTalk Server exige um processador single core de 1ghz, ou dual de 900mhz ou quad core de 700mhz, 1gb de RAM e 15gb de espaço livre no disco rígido. Vale ressaltar que a versão do BizTalk Server é a O apache Service Mix possui poucas informações acerca do hardware necessário para sua instalação, a única informação encontrada em seu sitio é que a ferramenta requer apenas 100mb de espaço no disco rígido. De acordo com os requisitos mínimos necessários de cada ferramenta, chega-se a conclusão que as três não exigem requisitos de hardware muito poderoso para o seu funcionamento. Como o objeto dessa pesquisa é a integração de sistemas ERP distintos, não haverá necessidade de servidores poderosos, pois os únicos sistemas a serem integrados serão dois sistemas ERP. Em pesquisa realizada nos sítios de fabricantes de servidores, constatou-se que o servidor que melhor atende aos requisitos das ferramentas, com o menor custo possível é o Dell Power edge R510, seu preço, de acordo com a sua fabricante, a Dell, é de 8 mil dólares. 3.4 AMBIENTE CORPORATIVO Como foi visto ao longo deste trabalho, as três ferramentas de integração são bastante ágeis e flexíveis no que diz respeito à integração de sistemas ERP. Se duas empresas de mesma cadeia produtiva ou de negócios se unem possuindo cada uma um sistema ERP distinto, é mais vantajoso integrar os mesmos usando as ferramentas aqui apresentadas ao invés de implementar um novo e único sistema ERP, pois os gastos serão menores, não sendo necessário a realização de profundas mudanças organizacionais dentro das empresas. Não existe, dentre as três ferramentas aqui apresentadas, uma que sobressai a outra. Cada uma, conforme visto ao longo deste trabalho, possui vantagens e desvantagens como, por exemplo, a ferramenta da Oracle que apresenta a vantagem de possuir vários adaptadores e em contrapartida possui um alto custo de aquisição, a da Microsoft com sua interface simples e ágil, um ótimo custo, mas limitada na questão de adaptadores e na plataforma operacional usada (No caso, o sistema operacional deve ser obrigatoriamente o Windows) e a ferramenta da apache, que apesar de gratuita possui poucos adaptadores, sendo também a mais complicada de implantar por não possuir interface gráfica. Com base nos testes realizados com cada uma das ferramentas, recomenda-se, para grandes corporações que se unem, a utilização do sistema da Oracle, pois dentre as ferramentas apresentadas, é a mais robusta, podendo integrar não só sistemas ERP como também demais sistemas de informação utilizados pela empresa e, através dos recursos da SOA, montar uma plataforma de sistemas hierárquicos integrados onde os sistemas de nível operacional, tais como os sistemas ERP, poderão ser integrados aos sistemas tático e estratégico, fornecendo para os dois últimos informações importantes, auxiliando não só nas tomadas de decisão como também no fornecimento de dados importantes acerca do funcionamento da empresa, facilitando o seu gerenciamento. Para as médias corporações, que possuem sua plataforma tecnológica baseada no sistema operacional Windows, da Microsoft, é mais recomendável o uso da ferramenta BizTalk, pois a mesma possui quase todos os recursos disponíveis na plataforma da Oracle, sendo mais fácil de implantar e configurar, mais barata e exigir menos do hardware. Para as pequenas empresas que se unem e possuem cada uma pequenos sistemas ERP de fornecedores conhecidos, a ferramenta recomendada é a da Apache, pois o único custo relacionado ao uso dessa aplicação é o da equipe, que deverá ser formada por pessoas que 1597

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