Informe Técnico. Orientações para Vigilância e Manejo de Casos Suspeitos de Doença pelo Vírus Ebola (DVE)

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1 Subsecretaria de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde Subsecretaria de Atenção Hospitalar Urgência e Emergência Informe Técnico Orientações para Vigilância e Manejo de Casos Suspeitos de Doença pelo Vírus Ebola (DVE) Versão Preliminar 3.0 em 25/08/2014 DEFINIÇÕES DE CASOS CASO SUSPEITO: Indivíduo procedente, nos últimos 21 dias, de país com transmissão atual de Ebola (Libéria, Guiné e Serra Leoa) que apresente febre de início súbito, podendo ser acompanhada de sinais de hemorragia, como: diarreia sanguinolenta, gengivorragia, enterorregia, hemorragias internas, sinais purpúricos e hematúria. Embora existam casos na Nigéria, todos são secundários a um caso proveniente da Libéria. No contexto atual, a Nigéria não é considerada como possível origem de casos que venham para o Brasil. CASO PROVÁVEL: caso suspeito com histórico de contato com pessoa doente, participação em funerais ou rituais fúnebres de pessoas com suspeita da doença ou contato com animais doentes ou mortos. CONTACTANTE: Indivíduo assintomático que teve contato com sangue, fluido ou secreção de caso suspeito ou confirmado; ou que dormiu na mesma casa; ou teve contato físico direto com casos suspeitos ou com corpo de casos suspeitos que foram a óbito (funeral); ou teve contato com roupa ou roupa de cama de casos suspeitos; ou que tenha sido amamentado por casos suspeitos (bebês). CASO CONFIRMADO: Caso suspeito com resultado conclusivo para Ebola realizado em Laboratório de Referência. CASO DESCARTADO: Caso suspeito com dois resultados negativos para Ebola realizados em Laboratório de Referência 1

2 INFORMAÇÕES SOBRE A DOENÇA A Doença pelo Vírus Ebola (DVE) é causada por vírus da família Filoviridae, gênero Ebolavirus. Quando a infecção ocorre, os sintomas geralmente começam de forma abrupta. A primeira espécie de vírus Ebola foi descoberta em 1976, onde atualmente é a República Democrática do Congo, próximo ao rio Ebola. Desde então, os surtos têm ocorrido esporadicamente. A infecção pelo vírus Ebola ocasiona febre (superior a 38 C), cefaleia, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, inapetência, odinofagia e pode ser acompanhada de manifestações hemorrágicas. ATENDIMENTO INICIAL DO CASO SUSPEITO EM SERVIÇO DE SAÚDE Para classificar o paciente como caso suspeito, questioná-lo (e/ou o acompanhante) sobre o histórico de viagem nos últimos 21 dias para a Libéria, Serra Leoa e Guiné. O serviço de saúde público ou privado que atender um caso suspeito de DVE deverá adotar as medidas de biossegurança, notificar imediatamente a CIEVS SMS-Rio, para validar a definição de caso suspeito. A partir disso a CIEVS SMS-Rio acionará o SAMU para transporte do paciente ao Hospital de Referência definido pela SES-RJ. NO ACOLHIMENTO DA UNIDADE DE SAÚDE: Caso suspeito de DVE: Conduzir imediatamente para um local de isolamento ou observação individual e comunicar o caso ao médico. Pacientes que estejam deambulando: - Neste trajeto, não é necessário o uso de EPI nos que estejam sem sintomas respiratórios. - Na presença de sintomas respiratórios, oferecer máscara cirúrgica. Para os demais pacientes, que necessitem ser conduzidos de maca ou cadeira de rodas, adotar imediatamente medidas de biossegurança (precaução padrão) Importante: - o local de isolamento ou de observação individual deve ter banheiro privativo. - nas Unidades de Saúde, tanto de Emergência ou de Atenção Primária, que não tenham sala de isolamento ou de observação individual, eleger local com banheiro privativo para funcionar como tal. UPA e CER com leito de observação individual Caso estas instalações estejam ocupadas, disponibilizá-las imediatamente para o paciente suspeito de Ebola, remanejando o paciente que já estava em observação para outro local, Ex. Consultório. 2

3 APÓS ACOMODAÇÃO NO LEITO DE ISOLAMENTO : Fazer contato com a CIEVS da SMS-RJ e notificar imediatamente o caso suspeito Orientar o paciente, familiares e/ou acompanhantes, sobre os procedimentos que estão sendo adotados. Familiares e acompanhantes assintomáticos não devem ser colocados junto ao paciente no isolamento ou observação individual. Os contatos de casos suspeitos ou confirmados serão monitorados pela vigilância epidemiológica por 21 dias após a última exposição conhecida. E só serão considerados casos suspeitos a partir da manifestação de quaisquer sintomas compatíveis com DVE. Impedir a movimentação ou o transporte do paciente para fora do quarto de isolamento. Todos os profissionais de saúde encarregados do atendimento direto aos pacientes suspeitos de DVE devem estar protegidos utilizando os seguintes EPIs, especificados na Nota Técnica 2/2014 GGTES/ANVISA: macacão com mangas compridas, punho e tornozelos com elástico, resistente à abrasão e à penetração viral, costuras termosseladas, com abertura e fechamento frontal por zíper; máscara cirúrgica; máscara de proteção respiratória PFF2 ou N95 somente quando indicado, em procedimentos que gerem aerossóis; protetor facial; botas impermeáveis; luvas descartáveis e avental descartável, impermeável e resistente a fluidos; Recomenda-se que os procedimentos de paramentação e retirada dos EPI sejam realizados em dupla, permitindo a observação cuidadosa da rotina de biossegurança preconizada; estão incluídos neste procedimento também os profissionais de limpeza que devem ser supervisionados por um profissional de saúde; Atenção especial à lavagem das mãos, antes e imediatamente após a retirada de EPI, por parte dos profissionais que realizam os procedimentos, utilizando antisséptico como o álcool-gel ou soluções padronizadas pelo serviço. Realizar imediatamente após a remoção dos EPI. Estetoscópios, esfigmomanômetros e termômetros se não forem descartáveis devem sofrer desinfecção após o uso. 3

4 Todos os EPI deverão ser descartados como resíduos do Grupo A1, conforme descrição na RDC/Anvisa nº 306 de 04 de dezembro de 2004, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Todos os resíduos gerados pelo caso suspeito no local do primeiro atendimento e na ambulância deverão ser encaminhados, juntamente com o paciente, ao hospital de referência acondicionados em saco VERMELHO autoclavável (conforme NBR 9191/2000 da ABNT), DUPLO, para descarte de lixo hospitalar infectante. DETECÇÃO E NOTIFICAÇÃO DE CASOS SUSPEITOS A Doença pelo Vírus Ebola de notificação compulsória imediata e esta deve ser realizada pelo profissional de saúde ou pelo serviço que prestar o primeiro atendimento ao paciente, pelo meio mais rápido disponível, de acordo com a Portaria Nº 1.271, de 06 de junho de Telefones para a NOTIFICAÇÃO IMEDIATADA: CIEVS SMS RIO CIEVS - SES- RJ CIEVS Nacional Telefones fixos: / Plantão CIEVS Rio (24 horas) e Telefones fixos: / / Plantão CIEVS SES: / Telefone: PERÍODO DE INCUBAÇÃO O período de incubação pode variar de 2 a 21 dias. TRANSMISSÃO Não há transmissão durante o período de incubação, esta só ocorre após o aparecimento dos sintomas. A infecção ocorre por contato direto através da pele não integra ou das mucosas com sangue, ou outros fluidos corporais ou secreções (fezes, urina, saliva, sêmen) de pessoas infectadas e também através do contato com ambientes contaminados com fluidos infecciosos de um paciente (cadáveres também transmitem a doença) com DVE, tais como roupa suja, roupa de cama usada, ou agulhas ou outros objetos usados. 4

5 ACOMPANHAMENTO NA UNIDADE DE ORIGEM O paciente somente ficará na unidade durante o período em que aguarda sua remoção para o hospital de referência. O contato com o hospital de referência e o acionamento do transporte do paciente pelo SAMU, será feito pela CIEVS SMS-Rio. O acionamento do SAMU e do hospital de referência será realizados pela CIEVS SMS-Rio imediatamente após o caso ser notificado pela unidade e confirmado como caso de DVE pela CIEVS SMS-Rio. Enquanto aguarda-se a transferência do paciente, NÃO realizar procedimentos invasivos, tais como coleta de exames laboratoriais, instalação de acesso venoso entre outros. Só realizar procedimentos que sejam indispensáveis ao suporte e manutenção da vida em pacientes instáveis do ponto de vista hemodinâmico e para tal devem ser rigorosamente observadas as normas de biossegurança e a utilização dos EPIs. PROCEDIMENTOS PARA DIAGNÓSTICO LABORATORIAL A realização de procedimentos invasivos para avaliação da condição clínica do paciente e diagnóstico laboratorial é de competência exclusiva do hospital de referência. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Cabe exclusivamente ao Hospital de Referência a coleta de espécimes clínicas para realização de quaisquer exames complementares necessários, seja para a confirmação da DVE, e/ou para acompanhamento clínico ou para diagnóstico diferencial. TRATAMENTO à vida. Não existe tratamento específico para a doença, sendo limitado às medidas de suporte INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA A investigação hospitalar será de responsabilidade da equipe do Hospital de referência e será repassada a CIEVS SMS-Rio. 5

6 A investigação complementar (em ambiente extra- hospitalar), sempre que necessário, será realizada pela CIEVS SMS-Rio com apoio da Coordenação de Vigilância Epidemiológica e Equipes Vigilância locais. REFERENCIA BIBLIOGRAFICA Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo de Vigilância e Manejo de Casos Suspeitos de Doença pelo Vírus Ebola. 1 edição. Brasília: Ministério da Saúde, In mimeo, 2014, 10p. id=429&itemid=187 EBOLA FINAL-OKF.pdf 6

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