A outra face (oculta) da doença celíaca

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A outra face (oculta) da doença celíaca"

Transcrição

1 Capítulo 3 A outra face (oculta) da doença celíaca Lorete Maria da Silva Kotze Inicialmente serão assinalados tópicos atuais sobre doença celíaca, para melhor entendimento e, no final do capítulo, estarão listados os dados que se referem à face oculta da enfermidade. Conceitos Glúten é uma substância albuminóide, insolúvel em água que, com o amido e outros compostos, se encontra na farinha de trigo, centeio, cevada e aveia. Constitui a massa coesiva que permanece quando a pasta de farinha dos cereais é lavada para se removerem os grânulos de amido. A doença por sensiblidade ao glúten pode ser definida como um estado de resposta imunológica, tanto celular como humoral, ao glúten dos citados cereais. O dano pode surgir na pele (dermatite herpetiforme), na mucosa oral (estomatite aftosa de repetição), nas articulações (algumas artrites) ou no rim (nefropatia por IgA), 1, 35 mas a doença celíaca (DC) é a forma mais freqüente de apresentação. É também conhecida como espru celíaco, espru não tropical, enteropatia glúteninduzida, enteropatia glúten-sensível, esteatorréia idiopática ou espru idiopático. 9 A intolerância ao glúten é permanente. Atualmente, considera-se a DC como uma doença multissistêmica, sendo o intestino delgado o local primário. Os novos paradigmas da DC estão calcados em três avanços: a) o reconhecimento de apresentações sutis e não usuais; b) o detalhamento do espectro patológico, a partir da classificação de Marsh; 35 c) o desenvolvimento de testes

2 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica sorológicos de alta sensibilidade e especificidade, levando à demonstração de que a DC é muito comum, fazendo com que médicos de qualquer especialidade testem os pacientes para DC. 19 Epidemiologia A DC acomete indivíduos de qualquer idade e de ambos os sexos, predominando o feminino, tanto em séries pediátricas como de adultos. É classicamente descrita em indivíduos de etnia branca, ocorrendo, com maior freqüência, nos países anglo-saxônicos e nórdicos. Entretanto, pode ser considerada de distribuição mundial, pois tem sido relatada em nativos de diversos países. Já foi descrita em todos os grupos étnicos, sendo considerada internacional. 10,59 A proporção de pessoas em determinada população com DC em um determinado período (prevalência) depende de como se define a doença: se de forma latente, não-diagnosticada ou diagnosticada. De modo geral, em estudos baseados em soroepidemiologia, há consenso de que para cada caso diagnosticado haja de 3 a 7 casos não-diagnosticados e que de 1% a 3% da população geral se tornará afetada em alguma época de sua vida. Estudos mostram que o aumento secular no diagnóstico de DC seja devido ao elevado índice de suspeição clínica e à disponibilidade dos testes sorológicos de alta sensibilidade e especificidade. Por outro lado, a incidência varia de país a país. No Brasil, em doadores de sangue, Gandolfi et al. 18 assinalaram 1/681, em Brasília, usando anticorpos antiendomísio IgA (EmA IgA); em Curitiba, com EmA IgA e antitransglutaminase (anti-ttg), Nisihara et al. 41 encontraram 1/1.000; em Ribeirão Preto e Melo et al. 40 detectaram 1/375 com anti-ttg e EmA. Fasano et al. 16 assinalam a prevalência da DC como segue: risco para familiares de primeiro grau = 1:10; risco para familiares de segundo grau = 1:39; risco para pacientes sintomáticos = 1:56; grupos de risco = 1:133. Genética A DC está ligada à presença de antígenos HLA DQ2 (90% a 95%) e DQ8 no restante dos pacientes. Também se associa a haplotipos das classes I e II (A, B, DR, DQ). 22, 50 Tais condições são necessárias, mas não suficientes para o desenvolvimento da afecção. Glúten é o fator-chave: sem glúten não há DC. Não há expectativa de que populações que não apresentam DQ2 (exs., chineses e japoneses) tenham DC, à exceção de indivíduos DQ8. Estimativas de riscos, do ponto de vista genético: 59 população geral = 1%; indivíduos DQ2 ou DQ8 = 2% a 3%; familiares de primeiro grau, HLA desconhecido = 10% a 15%; familiares de primeiro grau DQ2 ou DQ8 = 20% a 30%. 46

3 Lorete Maria da Silva Kotze Corroborando dados de literatura, Kotze et al. 32 avaliaram a presença de EmA em 214 familiares de 82 famílias de pacientes celíacos brasileiros, tendo encontrado 13,7% de positividade nos de primeiro grau e 6,45% nos de segundo grau. Em 3 famílias houve gêmeos positivos. Tais dados reforçam a importância do rastreamento em todos os familiares dos celíacos, enfatizando a indicação de biópsia intestinal nos positivos, mesmo na ausência de sintomatologia clínica. Como conclusão, a tipagem HLA serve de marcador genético, é dado importante em situações especiais e para detectar familiares de alto risco para DC, porém não é determinação de rotina. 55,56 Os linfócitos intra-epiteliais (LIE), considerados também como marcadores genéticos, são células T que se localizam por fora da membrana basal, entre as células epiteliais. 17 Os que apresentam os receptores gama/delta são importantes na manutenção da integridade epitelial por destruir células infectadas, transformadas ou danificadas. No indivíduo normal, os LIE predominantes não expressam esses receptores, mas nos celíacos estão significativamente elevados, mesmo após dieta sem glúten. Seu aumento sugere o diagnóstico de DC, porém podem aumentar na alergia alimentar, com densidade menor do que na DC. 24 Tal fato permite identificar formas latentes de DC, tanto em indivíduos com arquitetura mucosa preservada e presença de anticorpos positivos como em familiares de celíacos. Em pacientes com outras expressões de sensibilidade ao glúten, tais como dermatite herpetiforme, aftas recorrentes e artralgias, a presença de tais células aponta para o correto diagnóstico. 21 Fisiopatologia Na lâmina própria da mucosa do intestino delgado, encontram-se células T CD4+ glúten-específicas, que reconheceriam os peptídeos derivados do glúten, e linfócitos da classe HLA, principalmente DQ2. As células T secretam várias interleucinas e fator de necrose tumoral, com papel no desenvolvimento das lesões. 51 Atualmente, considera-se que a DC esteja associada a uma resposta auto-imune altamente específica ao endomísio, estrutura da matriz extracelular. O antígeno endomisial foi recentemente identificado como transglutaminase tecidual (ttg). A gliadina da dieta atravessa a barreira epitelial intestinal e é exposta à ttg. Essa enzima é secretada em pequenas quantidades principalmente por células mononucleares, fibroblastos e células endoteliais que residem na matriz subepitelial do intestino. Ambos, o influxo de gliadina e a liberação da ttg aumentam durante infecção viral ou bacteriana, conhecidamente deflagradoras de DC clinicamente silenciosa. Os peptídeos derivados da gliadina, das variantes da gliadina desaminada pela ttg ou complexos gliadina-ttg são, então, levados às células apresentadoras de antígenos (APC) que carregam o gene HLA-DQ2. As células CD4+ que 47

4 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica reconhecem esses peptídeos através de seus receptores complementares (TCR) tornam possível uma resposta Th1 ou Th2, com secreção de citocina. 48 Citocinas Th1 (primariamente fator de necrose tumoral alfa) induzem os fibroblastos intestinais a liberarem metaloproteinases da matriz (proteoglicans MMP-3). Em adição, MMP-3 podem superativar MMP-1. A resposta Th2 promove a maturação de células B e expansão das células plasmáticas que produzem anticorpos IgA contra gliadina, ttg e ligação cruzada de complexos gliadinattg. Essas células B podem ser preferencialmente estimuladas, porque também podem apresentar antígenos como peptídeos de gliadina desaminada às células T específicas da DC (Figura 3.1). Auto-anticorpos à ttg podem ter papel na patogênese da DC. A ttg, como as plasminas, é necessária para a ativação do fator de crescimento transformador beta (TGF-β). Recentemente, demonstrou-se, in vitro, que esse fator é necessário para a diferenciação do epitélio intestinal, bem como para a reparação às lesões da mucosa. Experiências in vitro mostram que os autoanticorpos anti- ttg bloqueiam a diferenciação epitelial da mucosa celíaca, explicando a falta de diferenciação no epitélio das vilosidades nessa afecção. 48 Figura 3.1 Fisiopatologia da doença celíaca. 48

5 Lorete Maria da Silva Kotze Classificação clínica da DC A classificação clínica da DC sofreu modificações. Atualmente, muitos autores concordam com a que segue: 35 Forma clássica: sintomas predominantes gastrointestinais; Forma atípica: sintomas predominantes não-gastrointestinais; habitualmente mono ou oligossintomática; Forma silenciosa: sem sintomas, a despeito da presença de lesões intestinais características. Outros preferem a apontada no quadro 3.1. Quadro 3.1 Tipos de doença celíaca Tipo Sintomas Anticorpos Enteropatia Genética Clássica Potencial Silenciosa Latente antes Latente atual Quadro clínico A DC é uma afecção comum em crianças como o é em adultos, com predominância em mulheres (2,9 x 1 homem), mas nos idosos há predomínio do sexo masculino. Ainda a queixa de diarréia é a mais freqüente, porém a média de intervalo entre o aparecimento dos sintomas e o 19, 35 diagnóstico é em torno de 11 anos. O espectro de apresentação clínica também é grande e, nos dias atuais, manifestações extra-intestinais (anemia e baixa estatura, por exemplo) são mais comuns que os sintomas clássicos de má absorção intestinal. Nota-se diminuição da gravidade clínica da DC e a obesidade chega a 27% dos casos. Portanto, atualmente quase não se vêem mais pacientes 19, 35 desnutridos com má absorção. O quadro clínico na DC varia muito, dependendo da gravidade e extensão das lesões, bem como da idade do paciente. Podem-se encontrar desde sinais e sintomas de má absorção de apenas um nutriente (anemia, por exemplo), até pandisabsorção, com repercussões graves à nutrição do indivíduo e ameaça à sua vida (Figura 3.2). Considerar que em países familiarizados com a DC a apresentação clássica com má absorção grave e caquexia, descrita nos livrostextos, está cada vez mais rara. Os médicos devem se lembrar deste diagnóstico ao atenderem pacientes com dispepsia e/ou síndrome do intestino irritável; ou os especialistas em outras doenças auto-imunes. 35 A DC caracteriza-se por uma miríade de manifestações clínicas, inclusive através de complicações, tais como 49

6 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica anemia, osteoporose ou problemas gineco-obstétricos. 31 Figura 3.2 Apresentação clínica clássica da doença celíaca. Paciente desnutrido com distensão abdominal e protrusão umbilical. Para orientação didática e prática, seguem-se sintomas e sinais clínicos de DC relacionados aos diversos aparelhos e sistemas, seja como manifestações isoladas, seja como parte do mosaico clínico dos pacientes. 29 a) Gerais: anorexia, cansaço, emagrecimento, fraqueza, hiperfagia, malestar; baixa estatura, construção delgada, desgaste físico, febrícula, hipotensão. b) Digestivas: dispepsia, distensão abdominal, flatulência, fezes gordurosas, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia, constipação; abdômen escavado ou globoso, aftas, alças intestinais palpáveis, alterações da língua, aumento de ruídos hidroáereos, peristalse visível. c) Musculoesqueléticas: artralgia, dor óssea, miopatia proximal; alterações da marcha, artrite, deformidades ósseas, osteomalacia, raquitismo. d) Gineco-obstétricas: amenorréia secundária, atraso na menarca, aumento de abortamentos, diminuição da fertilidade, menopausa precoce 31, oligospermia; diminuição dos caracteres sexuais secundários, diminuição do sêmen, hipogonadismo. a) Endocrinológicas: baixa estatura, atraso de desenvolvimento sexual. 29 b) Neuropsiquiátricas: irritabilidade, choro fácil, ansiedade, depressão, 26 tentativa de suicídio; degeneração cerebroespinhal, neuropatia periférica, ataxia. c) Metabólicas: câimbras, diurese noturna, parestesias, tetania. d) Hematológicas: anemia, hematomas, sangramento. i) Tegumentares: alterações nos cabelos, edema, hematomas, lesões pruriginosas, lesões bolhosas, pigmentação de pele, poiquinolíquia, rashes. Como se deduz, a DC pode cursar com qualquer sintoma ou sinal, tornando muitas vezes difícil o diagnóstico. Também se deve considerar a ocorrência de doenças associdas. 33 Numerosas condições têm sido relatadas com DC, tanto em crianças como em adultos. Geralmente são afecções com envolvimento de mecanismos auto-imunes e/ou ligadas a antígenos do sistema HLA. Por ordem alfabética: acidose tubular renal alveolite fibrosante artrite reumatóide 50

7 Lorete Maria da Silva Kotze asma e atopia câncer do intestino delgado cânceres do esôfago e da faringe cirrose biliar primária coarctação da aorta deficiência de Ig A diabetes mellitus doença de Addison doenças da tireóide epilepsia com calcificações cerebrais fibrose cística hemossiderose pulmonar * alergia alimentar linfoma lúpus eritematoso disseminado pancreatite crônica poliomiosite psoríase síndrome de Down 42 * síndrome do intestino irritável síndrome de Sjögren O quadro clínico pode ser um mosaico entre os sintomas e sinais da DC e da entidade associada. O diagnóstico de ambas será feito conforme a natureza da comorbidade. 35 Apresentações atípicas (não digestivas) 7 Dermatite herpetiforme Dermatite herpetiforme (DH) é a manifestação cutânea da DC que é mais bem diagnosticada pela identificação de IgA granular nas papilas dérmicas. É mais prevalente em homens do que em mulheres, sendo a idade média estimada em 40,1 e 36,2 anos nos sexos masculino e feminino, respectivamente. 61 Entretanto, na experiência da autora, em 17 casos diagnosticados, 2 são homens e 15, mulheres. Cerca de 20% dos pacientes apresentam má absorção intestinal, 20% apresentam a forma atípica da DC e em 60% a DC é silenciosa. Anemia é detectada em 10% dos pacientes, alterações tireoideanas em 15% a 20% (predomínio de hipotireoidismo) e há descrição de aumento da incidência de linfomas. Atenção: de 10% a 30% dos pacientes podem ser negativos para os testes de EmA IgA e anti-ttg IgA. 61 DH pode preceder os sinais e sintomas de DC, ou surgir após alguns anos depois do diagnóstico da doença intestinal. Ambas podem aparecer numa mesma família. Sua relação é com o mesmo fenótipo de antígenos HLA de classe II, mostrando 90% dos pacientes positividade para HLA DQ2 e os outros restantes para HLA DQ8. Pode ou não haver lesões intestinais, mas a autora recomenda biópsia em todos os casos, além da determinação dos auto-anticorpos. As lesões são placas urticariformes e vesículas altamente pruriginosas de distribuição simétrica, predominando em áreas de extensão dos joelhos, cotovelos, dorso e glútea (Figura 3.3). O dado mais valioso para o diagnóstico é a demonstração de 51

8 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica depósitos granulares de IgA na derme superior de qualquer ponto do tegumento, através de imunofluorescência direta. O tratamento com dapsona (diaminodifenilsulfona) suprime a inflamação da pele, mas não tem efeito sobre as alterações intestinais. O tratamento é a supressão do glúten. A determinação dos anticorpos EmA e anti-ttg é útil tanto para o diagnóstico como para a monitoração da dieta. 61 Alterações ósseas Fêmur e coluna espinhal À densitometria óssea, cerca de 7% apresentam osteopenia e/ou osteoporose em fêmur e coluna, predominando em mulheres em pré-menopausa e em homens, conseqüente a alterações no 29, 35 metabolismo do cálcio. Dentes Alterações do esmalte dentário. 29 Diagnóstico Figura 3.3 Dermatite herpetiforme: lesões vesicobolhosas em paciente sem diarréia e com atrofia parcial de vilosidades intestinais. Anemia Oito por cento ou mais apresentam anemia como manifestação inicial de DC; 31 e 15% dos pacientes com anemia quando triados para DC. Diagnóstico clínico Uma anamnese detalhada, com exame físico cuidadoso e dados objetivos de exames laboratoriais, leva à suspeita de DC. Entretanto, o conhecimento das diferentes formas clínicas da afecção (atípica, silenciosa, latente, potencial) veio demonstrar que um diagnóstico exclusivamente clínico é utopia. 35 No Brasil, a coexistência de outras enteropatias, ligadas sobretudo à desnutrição e às parasitoses, dissimula as manifestações típicas da afecção. Portanto, é possível que, entre as inúmeras observações de diarréias persistentes, a DC esteja envolvida. Não se deve esquecer, porém, que sinais ou sintomas extradigestivos podem chamar a atenção para outro sistema ou aparelho, desviando o raciocínio do médico

9 Lorete Maria da Silva Kotze Testes sorológicos Os avanços nos métodos sorológicos para diagnóstico da DC, nas últimas duas décadas, trouxeram benefícios e segurança tanto para os pacientes quanto para os médicos. Considerando-se que até então apenas critérios clínicos e histológicos estavam disponíveis para o diagnóstico, a viabilização de métodos não-invasivos veio favorecer o diagnóstico precoce da afecção, além de possibilitar amplos estudos de triagem em populações e em familiares de celíacos. Formas latentes ou atípicas da DC passaram a ser diagnosticadas mais facilmente. Triagens de DC tornaram-se freqüentes em pacientes com diabetes mellitus insulino-dependente, doenças auto-imunes da tireóide, síndrome de Down, déficit de crescimento, diarréias 27, 54 crônicas, deficiência de IgA etc. Apesar de ter sido considerada padrãoouro no diagnóstico da DC, nem sempre a biópsia intestinal, isoladamente, consegue determinar com precisão este diagnóstico, daí atualmente se considerar como padrão-ouro o somatório dos dados histológicos com o resultado dos testes sorológicos. 59 Todos os testes devem ser feitos após determinação dos níveis séricos de imunoglobulinas, pois cerca de 12% dos celíacos apresentam também deficiência de IgA e poderão ter resultados falso-negativos. Nesses casos, haverá necessidade de se realizar testes com IgG. 6,14 Anticorpos antigliadina São determinados por enzimaimunoensaio (ELISA). Cada laboratório fornece seus valores de referência. Os marcadores IgG são mais sensíveis (AGA IgG): sensibilidade 62% a 96% e especificidade de 63% a 97%); os IgA (AGA IgA) são mais específicos: sensibilidade de 46% a 92% e especificidade de 83% a 92%. Entretanto, podem ser identificados em indivíduos normais, com doenças auto-imunes, intolerância à proteína do leite de vaca, infecções e parasitoses intestinais. O consenso atual é de que sejam utilizados em crianças com menos de 2 anos. São úteis na monitorização da dieta, pois são os primeiros a se elevarem. Níveis normais não excluem DC. Anticorpos antiendomísio (EmA IgA) Anticorpos antiendomísio são anticorpos da classe IgA diretos contra a camada linear da musculatura lisa dos primatas e correlacionam-se positivamente com a gravidade da lesão da mucosa intestinal. Adsorvemse num componente amorfo adjacente a fibrilas finas de colágeno no tecido conectivo endomisial. Essas fibrilas conectam células musculares lisas, feixes de músculo liso e tecido elástico vizinhos. São detectados por imunofluorescência indireta em esôfago de macaco ou cordão umbilical humano. 58 As vantagens de usar este último substrato são: substrato comumente disponível; rico em fibrilas de reticulina; endomísio em torno das fibrilas musculares lisas na parede da veia e das duas artérias não contém IgA, evitando reação imunológica cruzada. 53

10 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica O resultado é fornecido como negativo ou positivo (título definido como a mais alta diluição com imunofluorescência: 1/2,5 a 1/80). 27 Diversos autores preconizam esse teste baseando-se em alta porcentagem de sensibilidade e de especificidade para DC. Kotze et al. 27 encontraram 100% de sensibilidade e 99,3% de especificidade em celíacos brasileiros. Sua limitação é a de ser positivo em pacientes acima de 2 anos de idade. É excelente para diagnóstico, monitorização da dieta, rastreamento de familiares de celíacos, rastreamento em pacientes com doenças autoimunes 53 e para estudos epidemiológicos. Anticorpos antitransglutaminase (anti-ttg IgA) Recentemente foram descritos anticorpos contra transglutaminase tecidual (Ttg IgA), 52 detectados pelo método de ELISA, conforme descrito por Dieterich et al., 15 com sensibilidade e especificidade habitualmente superponíveis às do EmA. A transglutaminase pode ser o principal, se não o único, auto-antígeno endomisial alvo envolvido na fisiopatologia da DC, reconhecendose as gliadinas ricas em glutamina como um de seus poucos substratos. Os anticorpos anti-ttg IgA, quando em altos títulos, estão intimamente associados ao diagnóstico da DC, embora baixos títulos não possam ser considerados doença-específicos. De acordo com Dieterich et al., 15 a pesquisa dos anti-ttg IgA por ELISA tende a ser um importante recurso de triagem populacional, por representar um ensaio quantitativo, independente da variação interobservador, além de ser de fácil execução. Cada laboratório fornece as dosagens consideradas normais ou alteradas, dependendo do kit comercial utilizado. As amostras com resultados inferiores a 20 unidades habitualmente são consideradas negativas, conforme critérios do kit utilizado. 30 A desvantagem é que pode dar níveis considerados positivos em outras doenças sistêmicas ou gastrointestinais (distúrbios neuronais, câncer, infecção pelo HIV, doenças inflamatórias intestinais, diabetes mellitus, cirrose hepática, catarata e várias doenças autoimunes). Comparação entre EmA IgA e antittg IgA Nos últimos anos, inúmeros estudos têm sido realizados comparando a pesquisa dos anticorpos EmA, por imunofluorescência indireta, com os anticorpos anti-ttg, por ELISA. Tais estudos têm evidenciado uma excelente correlação entre os EmA e anti-ttg nos aspectos de sensibilidade, com melhores resultados para os EmA IgA em termos de especificidade, segundo relatos de diferentes autores. Tais dados foram corroborados pela autora. 30 Observa-se uma ampla variabilidade de resultados interlaboratórios, possivelmente relacionada a fatores técnicos, esperando-se que os kits comerciais ainda tenham como meta o firme propósito de eliminá-la, minimizando as discrepâncias e aumentando a acurácia dos testes. 54

11 Lorete Maria da Silva Kotze Concluindo, é possível afirmar que a pesquisa dos anticorpos anti-ttg IgA certamente consiste em um valioso avanço nos estudos de DC. Ao tornar o diagnóstico sorológico mais acessível a inúmeros laboratórios, além de favorecer os estudos populacionais e de familiares, passou a representar um importante recurso na seleção de candidatos a biópsias intestinais. Cabe a cada serviço, no entanto, adotar rígidos critérios em termos de correlação clínico-laboratorial. Os resultados dos estudos do grupo da autora evidenciaram que em pacientes celíacos com altos níveis de anticorpos há uma excelente correlação da pesquisa dos anticorpos anti-ttg-iga com o EmA-IgA, não se incorrendo em risco de resultados falsonegativos. 54 Entretanto, como também evidenciado por alguns autores, baixos níveis de anti-ttg-iga fazem superposição com outras doenças, especialmente as hepáticas. Torna-se, assim, inquestionável a maior confiabilidade do EmA-IgA nas situações possíveis de baixos níveis de anticorpos, como no diagnóstico de crianças menores de 2 anos de idade, triagem de familiares e/ou monitoramento da dieta isenta de glúten. Quanto ao custo do exame, a estrutura do laboratório é que vai representar o diferencial e mostrar a melhor opção metodológica. Para serviços que rotineiramente realizam técnicas de ELISA e já dispõem dos equipamentos necessários, certamente a pesquisa dos anticorpos anti-ttg-iga vai se adequar melhor. Para laboratórios que dispõem de microscópio de fluorescência e criostato, sem dúvida a pesquisa do EmA-IgA por imunofluorescência indireta representará a melhor opção, com um custo bastante reduzido por exame, principalmente se o laboratório tiver condições de preparar o próprio substrato da reação, com cortes criostáticos de cordão umbilical humano. 54 Doença celíaca seronegativa Tanto os pacientes com sorologia positiva como negativa têm as mesmas características clínicas, havendo correlação com as alterações histológicas da mucosa intestinal. 2,46 Em conclusão, os testes sorológicos são úteis para detecção de formas silenciosas de DC, seja em crianças, adultos, seja em familiares de celíacos, e também para esclarecimento de formas monossintomáticas. Na monitorização do tratamento, os testes são importantes, pois, após 3 meses de dieta sem glúten, os anticorpos devem diminuir, mas só vão negativar após 12 a 24 meses, variando de indivíduo a indivíduo. Sua elevação significa nãoaderência à dieta, que deve ser revista. Nos pacientes com dúvida diagnóstica em que é feita a provocação com glúten, os anticorpos se elevam, podendo-se até dispensar novas biópsias. É óbvio que a realização simultânea de vários testes sempre será o ideal para rastreamento dos casos que deverão ser submetidos à biópsia intestinal. 30 Doença celíaca e outros autoanticorpos A coexistência de DC com uma série de outras doenças auto-imunes tem sido relatada. Demonstrou-se que o início de uma doença auto-imune predispõe ao aparecimento de outras. 55

12 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica Bases imunogenéticas têm sido assinaladas como causas dessas associações, possivelmente relacionadas a marcadores sorológicos e do sistema HLA classes I e II. Tais afecções são mais prevalentes com o aumentar da idade do paciente ao diagnóstico e à duração da exposição ao glúten. Diversos estudos de triagem para DC entre os familiares de primeiro grau dos pacientes com DC foram relatados, mas a ocorrência de outras afecções autoimunes raramente tem sido publicada. Sabendo-se que a DC mesmo tratada ou silenciosa predispõe a outras afecções auto-imunes, o grupo da autora considerou relevante executar um amplo espectro de detecção de auto-anticorpos em pacientes celíacos e seus familiares. 53 EmA IgA foi positivo em 100% dos celíacos ingerindo glúten e em 16,1% de seus familiares. Os dados estão no quadro 3.2. Quadro 3.2 Positividade de auto-anticorpos em pacientes celíacos e seus familiares em relação aos controles AA Celíacos Familiares Controles SMA 3,6% 0,8% 2,0% AMA LKM ANA 8,9 5,1 0 GPCA 3,6 3,4 0 ANCA TMA 16,1 9,3 2,9 Total 25,0 17,8 4,9 AA: auto-anticorpos; SMA: anticorpo antimúsculo liso; AMA: anticorpo antimitocondrial; LKM: anticorpo antimicrossomal de fígado e rim; ANA: anticorpo antinuclear; GPCA: anticorpo anticélula gástrica parietal; TMA: anticorpo antimicrossomal de tireóide. Chamou a atenção a alta positividade dos AA tanto nos pacientes quanto nos familiares, com predominância dos relacionados à tireóide. 33 Não houve diferença em relação ao tratamento, concluindo-se que os celíacos, mesmo obedecendo à dieta isenta de glúten, devem ser monitorados quanto ao surgimento de outras doenças autoimunes, principalmente de tireóide. Tais resultados enfatizam o valor do rastreamento de diferentes autoanticorpos nos pacientes celíacos e seus familiares e corroboram a necessidade de avaliação completa e seguimento desses indivíduos por toda a vida

13 Lorete Maria da Silva Kotze Endoscopia digestiva alta (EDA) e biópsia peroral do intestino delgado Geralmente os pacientes são submetidos a este exame por dispepsia, dor abdominal superior ou Doença do Refluxo Gastroesofágico (que melhora consideravelmente após dieta isenta de glúten, atribuindo-se a alterações da motilidade que ocorre na DC). Embora a endoscopia permita a coleta de fragmentos, pode não ser suficientemente sensível para detectar todas as manifestações de DC na população. Cerca de 10% apresentam alterações à EDA. Os achados característicos são: pregas escalonadas, fissuras e padrão mosaico; achatamento das pregas; pregas de pequeno tamanho ou desaparecimento com insuflação máxima. Brocchi et al. 8 relataram perda das pregas de Kerkring no duodeno descendente como característica de pacientes com DC. Consideram que tal aspecto endoscópico tem 88% de especificidade. Outros aspectos descritos são perda da granulosidade, padrão mosaico, pregas mais espessadas e proeminentes, concêntricas e vasos sangüíneos visíveis. Observa-se perda ou redução na proeminência das pregas duodenais em aproximadamente 70% dos celíacos (Figura 3.4A). O estudo italiano de Vjero et al. 57 mostrou que quando os endoscopistas olham atentamente a mucosa duodenal, há aumento significativo do número de casos diagnosticados como DC, sugerido pela macroscopia e confirmado pelos achados histológicos nas várias biópsias realizadas. Magnificação de imagens e cromoendoscopia Através da endoscopia e com o uso de 5-10 ml de solução de índigocarmim a 1%, pode-se predizer áreas de atrofia vilositária (Figura 3.4B). Tal visão tem importância para dirigir as biópsias, principalmente quando há áreas de alterações focais (patchy) que 3, 20 revelam doença persistente. B Figura 3.4 Aspectos endoscópicos na doença celíaca. A. Diminuição de pregas em D2, com mucosa irregular entre as remanescentes à endoscopia convencional. B. Magnificação de imagem com cromoscopia, ressaltando o aspecto atrófico da mucosa (gentileza de Dr. Mauro Bonatto). A 57

14 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica Cápsula endoscópica Com o advento da cápsula endoscópica (Wireless Capsule Endoscopy) tem sido possível determinar melhor a extensão da atrofia das vilosidades intestinais na DC, reconhecer complicações como ulcerações e, mais importante ainda, excluir tumores, principalmente nos casos de refratariedade ao tratamento. O diagnóstico por este método chega a ser de 87%. 13 Estudo histológico A biópsia peroral do intestino delgado pode ser realizada através de cápsulas ou durante endoscopia digestiva. 34 O que tem importância é o correto manejo dos fragmentos, para adequada orientação dos cortes e análise acurada dos espécimes. Para tal, recomenda-se colocá-los em papel de filtro embebido ou não em soro fisiológico e com a superfície vilositária para cima. Na experiência de Kotze e Pisani, 25 independentemente do aparelho ou local da biópsia, o diagnóstico de DC pôde ser feito, corroborando o fato, havia muito conhecido, de que essa enfermidade compromete mais o duodeno e o jejuno proximal, justamente segmentos em que se visualiza a mucosa com os videofibroscópios e nos quais se podem colher, sob visão direta, quantos fragmentos forem necessários para exames. Assim, como já salientam Kotze e Pisani 23 desde 1982, em trabalhos brasileiros, biópsias duodenais são comparáveis às obtidas na região do ligamento de Treitz com aparelhos convencionais, fato também assinalado na literatura por Marsh 37 e Meijer et al. 39 Nos celíacos não tratados, percebese, à estereoscopia, mucosa lisa e com orifícios que correspondem à abertura das criptas; ou aspecto cerebriforme ou em mosaico. Estes mesmos achados são observados com endoscopia e magnificação de imagens, com ou sem cromoscopia. 20 A mucosa do intestino delgado é a que apresenta alterações importantes, sendo as outras camadas habitualmente normais à histologia. Atrofia de mucosa está presente em 85% dos pacientes com DC 44 e a atrofia total é muito mais freqüente no duodeno distal ou no jejuno proximal. Em 50% dos casos, há atrofia vilositária idêntica ao longo do duodeno e não há áreas duodenais histologicamente normais (Figura 3.5). Alguns pacientes, crianças ou adultos, podem apresentar lesões no duodeno de distribuição focal (patchy): lesões com atrofia total podem estar adjacentes ou coexistir com atrofia leve ou parcial e, possivelmente, com áreas normais. Assim, Kotze 34 e Ravelli et al. 45 recomendam quatro a cinco biópsias seqüenciais: flexura duodenojejunal (se possível), porção transversa do duodeno, porção descendente distal do duodeno, porção proximal do duodeno e bulbo duodenal. Em centros onde é possível, realiza-se imuno-histoquímica com anticorpo monoclonal anti-cd3 para melhor identificação dos LIE (principalmente quando há dúvida diagnóstica). Em 1992, Marsh 37 sugeriu um 58

15 Lorete Maria da Silva Kotze espectro de sensibilidade ao glúten com seu respectivo repertório de alterações na mucosa, advindo da sensibilização dos linfócitos T. Para esse autor, pelo menos quatro padrões distintos, interrelacionados e seqüenciais de alterações da mucosa poderiam ser reconhecidos. Tipo infiltrativo (tipo I) Arquitetura normal da mucosa, epitélio das vilosidades marcadamente infiltrado por população de pequenos linfócitos não-mitóticos glútendependentes (LIE). Tal lesão é encontrada em cerca de 40% dos pacientes portadores de dermatite herpetiforme não tratada; pode ser detectada em aproximadamente 10% de familiares de primeiro grau de pacientes celíacos. Habitualmente não se associa a sintomas gastrointestinais nem à absorção. dos portadores de dermatite herpetiforme e em mais ou menos 50% dos familiares de primeiro grau dos celíacos. Pode ser reproduzida com alta dose de glúten no reteste ou desafio, em diferentes tempos. Tipo hipoplásico (tipo IV) Lesão descrita nos casos de refratariedade à dieta isenta de glúten, nos quais a mucosa apresenta intensa hipoplasia de criptas, além da redução das vilosidades. A classificação brasileira de Barbieri et al. 4 é aceita por muitos serviços por apresentar aspectos histológicos de maior praticidade para o gastroenterologista interpretar. Tipo hiperplásico (tipo II) Semelhança com o tipo 1. Soma-se alongamento das criptas cujo epitélio, como nas vilosidades, também se apresenta infiltrado por pequenos LIE não-mitóticos. É visto em aproximadamente 20% dos pacientes não tratados de dermatite herpetiforme e também quando se provoca o reteste com quantidades moderadas de glúten, revelando resposta imune mediada por linfócitos T. Tipo destrutivo (tipo III) Lesão idêntica à chamada típica mucosa achatada da DC que preenche os critérios para considerá-la como do tipo imunidade mediada por células. Ocorre em pacientes sintomáticos, pode ser vista em cerca de 40% a 50% Figura 3.5 Histologia da mucosa entérica na doença celíaca: padrão celíaco com atrofia de vilosidades, hiperplasia de criptas e aumento do número de linfócitos intra-epiteliais. 59

16 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica Somente os dados da biópsia do intestino delgado somados à sorologia positiva confirmam definitivamente o diagnóstico de DC. Isto é o padrãoouro atual. Exames de imagem Trânsito intestinal. Os dados radiológicos encontrados na DC são semelhantes aos observados em afecções que cursam com má absorção intestinal. Dilatações, pregas alargadas, fragmentações e floculação do contraste são os achados mais comuns, sendo mais evidentes no intestino proximal. Raramente há rigidez e perda do padrão mucoso. Cerca de 12% dos celíacos têm raios X de intestino delgado normais, e pacientes com DC grave podem ter apenas discretas alterações radiológicas. Assim, o exame serve somente para se ter idéia global, para diagnóstico diferencial com outras afecções e para excluir ou detectar a presença de linfoma. Pode haver dilatação dos cólons nos celíacos com constipação. A idade óssea atrasada em relação à cronológica pode ser detectada em alguns pacientes e serve para avaliar a evolução e o tratamento. 29 Radiografia óssea pode demonstrar desmineralização com diminuição da densidade, osteoporose, fraturas e pseudofraturas. Têm muita importância clínica para monitorizar a suplementação de cálcio e vitamina D no tratamento. A densitometria óssea, que determina a densidade mineral óssea, mostra níveis de osteopenia ou de osteoporose em pacientes com ou sem ingestão de glúten e serve ainda para monitorar a reposição de cálcio e vitamina D. 29 Deve ser realizada ao diagnóstico em todos os pacientes, a começar por crianças maiores. Diagnóstico diferencial O diagnóstico diferencial, do ponto de vista clínico, é feito nas crianças, com afecções que cursam com diarréia crônica e má absorção, especialmente fibrose cística, alergia alimentar desnutrição primária e diarréia persistente. Devido à distensão abdominal, e, nos casos com constipação, o diagnóstico diferencial será feito com o megacólon congênito. Cuidadosa avaliação clínica se faz necessária para saber a época do desmame e da introdução de cereais na alimentação. Infelizmente, o abandono do aleitamento materno e a introdução precoce de alimento industrializado levam crianças de até 3 ou 4 meses de vida a apresentar diarréia e vômitos por DC, gerando dúvidas diagnósticas em relação a outras intolerâncias alimentares bastante comuns nessa faixa etária. 29 Em adolescentes e adultos, o diagnóstico diferencial é feito com essas e outras causas de má absorção intestinal, como doença de Whipple, deficiência imunológica comum variável, gastroenterocolopatia eosinofílica, doença de Crohn, síndrome da imunodeficiência adquirida e linfomas

17 Lorete Maria da Silva Kotze Do ponto de vista histológico, a diferenciação se faz com entidades que apresentam encurtamento ou achatamento das vilosidades, a saber: alergia alimentar, enterite aguda (viral, bacteriana, por Giardia lamblia, actínica), enterite crônica espru tropical, doença de Whipple, imunodeficiências, gastroenterite eosinofílica, linfomas, diarréia persistente, doença enxerto versus hospedeiro e desnutrição protéico-calórica. Embora essas entidades possam apresentar-se com vilosidades diminuídas em altura e mais alargadas, hiperplasia das criptas é observada marcadamente na DC. Além disso, o número de LIE não sobe a níveis tão elevados como os habitualmente encontrados na DC. 24 Tratamento Uma vez confirmado o diagnóstico de DC, a dieta sem glúten deverá se manter por toda a vida. 28,35 Ao planejála, deverão ser considerados os seguintes fatores: situação fisiopatológica e necessidades nutricionais que se relacionam com a idade do paciente, etapa evolutiva da DC e estado de gravidade do doente. A ampliação da dieta deve ser progressiva e individualizada, apesar da resposta terapêutica rápida, pois há retrocessos na evolução intimamente ligados a técnicas dietéticas inadequadas. Portanto, numa dieta de exclusão, tem-se que levar em conta que deverá ser equilibrada para as necessidades do paciente. O glúten não é uma proteína indispensável e pode ser substituído por outras proteínas vegetais e animais. Assim, o tratamento para DC é basicamente dietético, 12 com exclusão definitiva de glúten do trigo, centeio, cevada e aveia. Medicamentos são utilizados apenas para correção de carências (vitaminas, sais minerais e proteínas), como coadjuvantes para facilitar a digestão de gorduras (enzimas pancreáticas) e para tratamento de infecções concomitantes (antimicrobianos). O tratamento tem por objetivos: eliminar as alterações fisiopatológicas intestinais; facilitar e favorecer a absorção dos nutrientes; normalizar o trânsito intestinal; recuperar o estado nutricional do paciente; melhorar a qualidade de vida dos pacientes. 28 Evolução e prognóstico Após a retirada de glúten da dieta, a resposta clínica com desaparecimento dos sintomas é bastante rápida dias ou semanas, com evolução extremamente gratificante. Os defeitos absortivos desaparecem, a diarréia cessa, há perda do edema e surgimento de apetite, às vezes voraz. Inicia-se recuperação nutricional com ganho de peso e retomada da velocidade de crescimento, normalizando-se peso/ estatura em cerca de 15 meses, nas crianças, e estas retornam à deambulação. Os adolescentes iniciam ganho ponderal logo a seguir e muitos até necessitam de controle em poucos 61

18 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica meses; a melhora do psiquismo que passa da irritabilidade, depressão ou apatia à participação na vida familiar e na escolar, tomando gosto pelas brincadeiras e trabalho, chega muitas vezes à euforia. Há uma verdadeira mudança no aspecto do indivíduo, revelando melhor qualidade de vida. A fertilidade volta ao normal, devendose orientar as celíacas quanto a possíveis gestações e planejamento familiar. 31 Nos celíacos cujos sintomas iniciamse na idade adulta, o prognóstico também é favorável, mas as alterações ósseas, se existentes, podem não ser totalmente recuperáveis. O risco de desenvolver malignidade é o mesmo da população normal para os pacientes aderentes à dieta isenta de glúten. 38 Aumenta muito nos nãoaderentes, mais para linfomas, neoplasias de esôfago e laringe e adenocarcinoma do intestino delgado. Conclui-se que os pacientes devam ser reassegurados em relação à dieta adequada e vigiados e reinvestigados a qualquer modificação referida. 36 A DC só é fatal quando não é reconhecida e o paciente chega à desnutrição muito grave, ocorrendo hemorragias, infecções recorrentes ou insuficiência supra-renal. Com o advento da nutrição parenteral, doentes podem ser recuperados de estados extremamente inquietantes. Pode haver quiescência da DC na adolescência, mas não se deve esquecer que a história natural da afecção é de exacerbações intermitentes e remissões relativas. Como a incapacidade de tolerância ao glúten é permanente, entre a terceira e quarta décadas a doença pode manifestar-se novamente, com qualquer das modalidades apontadas. Quando a diarréia não desaparece após o tratamento da DC, além da ingestão consciente ou inadvertida de glúten, as causas podem ser: má absorção de lactose ou frutose da dieta; supercrescimento bacteriano; síndrome do intestino irritável; esteatorréia secundária à insuficiência pancreática; colite microscópica (colagenosa ou linfocítica); disfunção esfincteriana anal com incontinência. Tais causas merecem a devida atenção para o correto diagnóstico. Como linfomas e outras neoplasias, principalmente de esôfago, são descritos nos pacientes celíacos e de difícil diagnóstico, conclui-se que os doentes devam ser vigiados e que, periodicamente, ou à mínima manifestação clínica e/ou laboratorial, sejam exaustivamente reinvestigados. Nesses casos, o prognóstico é limitado. 36 Causas da morte na DC A DC refratária é uma condição rara em pacientes geralmente acima de 47 anos de idade. Cellier et al. 11 descreveram a presença de uma população anormal de LIE CD3, sugerindo que seja classificada como linfoma intra-epitelial críptico. As condições clínicas são desfavoráveis e a sobrevida é curta. 62

19 Lorete Maria da Silva Kotze Como assinalado, os celíacos apresentam alto risco de morte por doenças malignas do tubo gastrointestinal e linfomas, mas pouco se sabe das outras causas de morte. Em estudo recente, Peters et al. 43 assinalaram que, num período de 30 anos, numa população sueca, além dessas afecções, encontraram como causa da morte: doenças auto-imunes (artrite reumatóide), doenças difusas do tecido conectivo, doenças alérgicas (asma), doenças inflamatórias intestinais (retocolite e doença de Crohn), diabetes, imunodeficiências, tuberculose, pneumonias e nefrites. Atenção para as características de disfunção imunológica dessas enfermidades. 47 Novos horizontes Recentemente se identificou o peptídeo responsável pela intolerância ao glúten nos celíacos. A resposta imune que desencadeiam os pacientes é ocasionada por uma molécula longa, composta por 33 aminoácidos, que não pode decompor-se no interior do intestino. Essa molécula em contato com uma enzima bacteriana, a prolilendopeptidase, rompe-se em partículas aparentemente não danosas. Tais fatos já foram demonstrados em tecidos humanos e em ratos, por Shan et al., 49 o que poderia, no futuro, chegar a se converter em um simples suplemento oral para os doentes com DC. Pela identificação da fração tóxica do glúten capaz de unir-se de forma restritiva ao heterodímero DQ2 nos pacientes com DC, no futuro, mais ou menos próximo, o bloqueio ou modificação desses epitopos, 5 ou o desenho de outras estratégias de intervenção para alterar ou impedir o desenvolvimento da doença em indivíduos suscetíveis, são metas que estão sendo estudadas: um composto que bloqueie o local de adesão na molécula HLA poderia ter a capacidade de se ligar fortemente a essa molécula, ser proteoliticamente estável e ainda impedir o desenvolvimento de uma resposta de células T. Tais compostos estão sendo pesquisados. Clínicos de várias especialidades devem ter alto índice de suspeição para o diagnóstico de DC e, em particular, devem prestar acurada atenção quando se trata de grupos de risco. Clínicos de várias especialidades devem ter alto índice de suspeição para o diagnóstico de DC e, em particular, devem prestar acurada atenção quando se trata de grupos de risco. Na atualidade, há estudos dirigidos à imunorregulação da resposta imune ao glúten, mas a vacina ainda se encontra em fase de experimentação. Outras estratégias: criar tolerância à gliadina mediante administração nasal desta; utilização de anticorpos monoclonais para neutralizar a IL-15. Conclusões Enquanto se aguardam novas pesquisas, segue o consenso de que a DC é causada por intolerância permanente ao glúten, o diagnóstico é feito pela sorologia + biópsia do intestino delgado e seu tratamento é a exclusão definitiva do glúten da dieta (Quadro 3.3)

20 Gastroenterologia: da Patogenia à Prática Clínica Questionamentos Quem triar? Como triar? Quando triar? Devem os assintomáticos ser tratados? Deveriam todas as crianças ser triadas para DC? Deveriam todos os adultos ser triados para DC? A resposta dos autores é que tal prática não é recomendada, mas devese ficar alerta para os grupos de risco. Armadilhas da face oculta da doença celíaca 1. Por ser mais freqüente em indivíduos caucasianos, não pensar em DC em brasileiros, esquecendo-se da miscigenação no país. 2. Por ser mais freqüente em mulheres, não pensar em DC em pacientes do sexo masculino. 3. Por ser relativamente infreqüente na adolescência, não pensar em DC nessa faixa etária. 4. Por ser mais rara no idoso, não pensar em DC neste grupo, mesmo sabendo que os testes sorológicos podem dar negativos. 5. Não aventar o diagnóstico de DC em pacientes obesos. 6. Não pesquisar DC em pacientes com dispepsia ou síndrome do intestino irritável com quadros não muito característicos. 7. Não pesquisar DC em pacientes com notória intolerância à lactose. 8. Não pesquisar DC em pacientes com anemia refratária ao tratamento, nem mesmo com osteopenia/osteoporose em idade jovem. 9. Não pesquisar DC em pacientes com queixas abdominais associadas à constipação, achando que DC só cursa com diarréia. 10. Não pesquisar DC em mulheres com menarca atrasada, abortos de repetição ou infertilidade. 11. Não pesquisar DC em familiares de celíacos, mesmo assintomáticos. 12. Não pesquisar DC em pacientes de grupos de risco: diabéticos, tireoidopatas, portadores de colagenoses, imunodeficientes de IgA, com ataxia, com síndrome de Down etc. 13. Não pesquisar DC em pacientes com alterações importantes do esmalte dentário sinalizadas pelo dentista. 14. Não informar convenientemente o endoscopista da suspeita de DC, solicitando biópsias duodenais mesmo com aspecto macroscópico normal. 15. Não discutir o caso com o patologista, nem solicitar revisão de lâminas quando a clínica do paciente é sugestiva de DC. 16. Não esquecer que há uma minoria de pacientes com DC cujos testes sorológicos são negativos, devendo estes ser submetidos à biópsia desde que a clínica sugira DC. 64

DOENÇA CELÍACA. Universidade Federal de Pernambuco UFPE Processos Patológicos Gerais - PPG Nutrição

DOENÇA CELÍACA. Universidade Federal de Pernambuco UFPE Processos Patológicos Gerais - PPG Nutrição Universidade Federal de Pernambuco UFPE Processos Patológicos Gerais - PPG Nutrição DOENÇA CELÍACA Grupo: Camila Tenório Danniely Soares Érica Ouriques Isabelle Priscila Juliana Arraes Renata Batista O

Leia mais

Dr. José Cesar Junqueira Ph.D Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Dr. José Cesar Junqueira Ph.D Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Doença a Celíaca Dr. José Cesar Junqueira Ph.D Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNI-RIO Doença a Celíaca Histórico Arateus da Capadócia - 200 AC Gee - 1888 Dicke 1950 ESPGHAN 1969 revistos

Leia mais

Simpósio: Sorologia na doença celíaca: o que há de novo?

Simpósio: Sorologia na doença celíaca: o que há de novo? Simpósio: Sorologia na doença celíaca: o que há de novo? Ana Renata Badan Especializanda de 1º Ano Disciplina de Gastroenterologia Departamento de Pediatria Escola Paulista de Medicina Universidade Federal

Leia mais

Distrito Federal ACELBRA-DF

Distrito Federal ACELBRA-DF CÂMARA SETORIAL DE CADEIA PRODUTIVA DA MANDIOCA E DERIVADOS DOENÇA A CELIACA Apresentação: Paulo Roberto Ferreira da Silva Presidente da Associação dos Celíacos de Brasília ACELBRA-DF Vice-Presidente da

Leia mais

Rejeição de Transplantes Doenças Auto-Imunes

Rejeição de Transplantes Doenças Auto-Imunes Rejeição de Transplantes Doenças Auto-Imunes Mecanismos da rejeição de transplantes Envolve várias reações de hipersensibilidade, tanto humoral quanto celular Habilidade cirúrgica dominada para vários

Leia mais

Doenças predominantemente associadas à Doença Celíaca. Fernanda Duarte Talissa Varêda

Doenças predominantemente associadas à Doença Celíaca. Fernanda Duarte Talissa Varêda Doenças predominantemente associadas à Doença Celíaca Fernanda Duarte Talissa Varêda DOENÇA CELÍACA A doença celíaca é causada por uma resposta imunológica inapropriada, geneticamente determinada, contra

Leia mais

O QUE É A DOENÇA CELÍACA?

O QUE É A DOENÇA CELÍACA? O QUE É A DOENÇA CELÍACA? Texto de apoio ao curso de Especialização Atividade física adaptada e saúde Prof. Dr. Luzimar Teixeira É uma intolerância permanente ao Glúten que acomete indivíduos com predisposição

Leia mais

INFORMATIVO SCHÄR BRASIL. Líder em alimentos sem glúten UMA MARCA. Olá,

INFORMATIVO SCHÄR BRASIL. Líder em alimentos sem glúten UMA MARCA. Olá, INFORMATIVO SCHÄR BRASIL Olá, Confira a nova edição do Informativo Schär Brasil, que nesta segunda publicação foca seu conteúdo na população infantil. Apresentamos um estudo realizado pela Dr. Gemma Castillejo,

Leia mais

Doença Celíaca. Curso: Hotelaria Variante Restaurante/Bar Formador: João Ribeiro Formando: Inês Paiva Ano/Turma: 10ºD Ano Lectivo: 2011/2012

Doença Celíaca. Curso: Hotelaria Variante Restaurante/Bar Formador: João Ribeiro Formando: Inês Paiva Ano/Turma: 10ºD Ano Lectivo: 2011/2012 Doença Celíaca Curso: Hotelaria Variante Restaurante/Bar Formador: João Ribeiro Formando: Inês Paiva Ano/Turma: 10ºD Ano Lectivo: 2011/2012 ANO LECTIVO 2010-2011 PÁGINA - 2 Índice Introdução...3 O que

Leia mais

Doença celíaca. Coeliac disease CONCEITOS PREVALÊNCIA E INCIDÊNCIA EPIDEMIOLOGIA ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO

Doença celíaca. Coeliac disease CONCEITOS PREVALÊNCIA E INCIDÊNCIA EPIDEMIOLOGIA ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO Doença celíaca Coeliac disease Lorete Maria da Silva Kotze Professora Adjunta de Gastroenteorologia da Universidade Federal do Paraná. International Member of the American College

Leia mais

DIVERTÍCULO DIVERTÍCULO VERDADEIRO FALSO Composto por todas as camadas da parede intestinal Não possui uma das porções da parede intestinal DIVERTICULOSE OU DOENÇA DIVERTICULAR Termos empregados para

Leia mais

DOENÇA CELÍACA ATÍPICA EM ADOLESCENTE COM DIABETES MELLITUS TIPO 1: RELATO DE CASO

DOENÇA CELÍACA ATÍPICA EM ADOLESCENTE COM DIABETES MELLITUS TIPO 1: RELATO DE CASO DOENÇA CELÍACA ATÍPICA EM ADOLESCENTE COM DIABETES MELLITUS TIPO 1: RELATO DE CASO Nabel Anderson de Lencaster Saldanha da Cunha 1 Maria Auxiliadora Ferreira Brito Almino 2 Kédma Suelen Braga Barros 3

Leia mais

Linfomas gastrointestinais

Linfomas gastrointestinais Linfomas gastrointestinais Louise Gracielle de Melo e Costa R3 do Serviço de Patologia SAPC/HU-UFJF Introdução Linfomas extranodais: a maioria é de TGI. Ainda assim, linfomas primários gastrointestinais

Leia mais

DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL. Profª. Thais de A. Almeida Aula 21/05/13

DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL. Profª. Thais de A. Almeida Aula 21/05/13 DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL Profª. Thais de A. Almeida Aula 21/05/13 Doença Inflamatória Intestinal Acometimento inflamatório crônico do TGI. Mulheres > homens. Pacientes jovens (± 20 anos). Doença

Leia mais

Perguntas e respostas sobre imunodeficiências primárias

Perguntas e respostas sobre imunodeficiências primárias Perguntas e respostas sobre imunodeficiências primárias Texto elaborado pelos Drs Pérsio Roxo Júnior e Tatiana Lawrence 1. O que é imunodeficiência? 2. Estas alterações do sistema imunológico são hereditárias?

Leia mais

Abordagem. Fisiologia Histologia. Aspectos Clínicos. ANATOMIA -Partes constituintes -Vascularização e Inervação -Relações

Abordagem. Fisiologia Histologia. Aspectos Clínicos. ANATOMIA -Partes constituintes -Vascularização e Inervação -Relações Intestino Delgado Abordagem ANATOMIA -Partes constituintes -Vascularização e Inervação -Relações Fisiologia Histologia Aspectos Clínicos Anatomia Do estômago ao intestino grosso Maior porção do trato digestivo

Leia mais

Suspeita clínic a de doença celíaca. + IgA sérica POSITIVO 3? Anti-gliadina IgG POSITIVO?

Suspeita clínic a de doença celíaca. + IgA sérica POSITIVO 3? Anti-gliadina IgG POSITIVO? DOENÇA CELÍACA Suspeita clínic a de doença celíaca ttg 1 IgA ou Antiendomísio (AEM) IgA 2 + IgA sérica 3? Probabilidade de doença celíaca é baixa Probabilidade de doença celíaca é alta Deficiência de IgA?

Leia mais

Fibrose Cística. Triagem Neonatal

Fibrose Cística. Triagem Neonatal Fibrose Cística Triagem Neonatal Fibrose cística Doença hereditária autossômica e recessiva, mais frequente na população branca; Distúrbio funcional das glândulas exócrinas acometendo principalmente os

Leia mais

DESVENDANDO 8 MITOS SOBRE A INTOLERÂNCIA À LACTOSE

DESVENDANDO 8 MITOS SOBRE A INTOLERÂNCIA À LACTOSE 1 DESVENDANDO 8 S SOBRE A INTOLERÂNCIA À LACTOSE 2 3 Conhecendo a INTOLERÂNCIA À LACTOSE DESVENDANDO S Contém lactose A lactose, encontrada no leite e seus derivados é um carboidrato, e é conhecida popularmente

Leia mais

Mestrado Integrado em Medicina Artigo de Revisão Bibliográfica 2009/2010. Doença Celíaca

Mestrado Integrado em Medicina Artigo de Revisão Bibliográfica 2009/2010. Doença Celíaca Mestrado Integrado em Medicina Artigo de Revisão Bibliográfica 2009/2010 Doença Celíaca Aluna: Cátia Andreia de Oliveira Matos Tutor: Dr.ª Marta Salgado Rodrigues Porto, Junho de 2010 Resumo Introdução:

Leia mais

Doença Celíaca: um problema de saúde pública universal

Doença Celíaca: um problema de saúde pública universal Doença Celíaca: um problema de saúde pública universal Prof. Dr. Ulysses Fagundes Neto Professor Titular Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica Escola Paulista de Medicina/UNIFESP 1 Doença Celíaca:

Leia mais

LINFOMAS. Maria Otávia da Costa Negro Xavier. Maio -2013

LINFOMAS. Maria Otávia da Costa Negro Xavier. Maio -2013 LINFOMAS GASTROINTESTINAIS Maria Otávia da Costa Negro Xavier Maio -2013 1 INTRODUÇÃO Cerca de 1 a 4% de todas as malignidades gastrointestinais são linfomas. Por definição os linfomas gastrointestinais

Leia mais

Tipos de Diabetes. Diabetes Gestacional

Tipos de Diabetes. Diabetes Gestacional Tipos de Diabetes Diabetes Gestacional Na gravidez, duas situações envolvendo o diabetes podem acontecer: a mulher que já tinha diabetes e engravida e o diabetes gestacional. O diabetes gestacional é a

Leia mais

Estudo da Incidência de Doença Celíaca na Região Autónoma da Madeira DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Estudo da Incidência de Doença Celíaca na Região Autónoma da Madeira DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DM Estudo da Incidência de Doença Celíaca na Região Autónoma da Madeira Fabiana José de Abreu Gonçalves Estudo da Incidência de Doença Celíaca na Região Autónoma da Madeira DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Fabiana

Leia mais

SÍNDROME DE HIPER-IgM

SÍNDROME DE HIPER-IgM SÍNDROME DE HIPER-IgM Esta brochura é para ser usada pelos pacientes e pelas suas famílias e não deve substituir o aconselhamento de um imunologista clínico. 1 Também disponível: AGAMAGLOBULINEMIA LIGADA

Leia mais

Especialização em SAÚDE DA FAMÍLIA. Caso complexo Natasha. Fundamentação teórica Dispepsia

Especialização em SAÚDE DA FAMÍLIA. Caso complexo Natasha. Fundamentação teórica Dispepsia Caso complexo Natasha Especialização em Fundamentação teórica DISPEPSIA Vinícius Fontanesi Blum Os sintomas relacionados ao trato digestivo representam uma das queixas mais comuns na prática clínica diária.

Leia mais

Sumário. Data: 23/05/2013 NOTA TÉCNICA 75/2013. Medicamento/ x dieta Material Procedimento Cobertura. Solicitante. Processo Número 0024 13 023060-0

Sumário. Data: 23/05/2013 NOTA TÉCNICA 75/2013. Medicamento/ x dieta Material Procedimento Cobertura. Solicitante. Processo Número 0024 13 023060-0 NOTA TÉCNICA 75/2013 Solicitante Juiz de Direito Dr.Alexsander Antenor Penna Silva Comarca de João Monlevade Processo Número 0024 13 023060-0 Data: 23/05/2013 Medicamento/ x dieta Material Procedimento

Leia mais

Portuguese Summary. Resumo

Portuguese Summary. Resumo Portuguese Summary Resumo 176 Resumo Cerca de 1 em 100 indivíduos não podem comer pão, macarrão ou biscoitos, pois eles têm uma condição chamada de doença celíaca (DC). DC é causada por uma das intolerâncias

Leia mais

FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM II. Nutrição Enteral Profª.Enfª:Darlene Carvalho

FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM II. Nutrição Enteral Profª.Enfª:Darlene Carvalho FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM II Nutrição Enteral Profª.Enfª:Darlene Carvalho NUTRIÇÃO ENTERAL INDICAÇÕES: Disfagia grave por obstrução ou disfunção da orofaringe ou do esôfago, como megaesôfago chagásico,

Leia mais

Dermatite Herpetiforme (DH): doença bolhosa cutânea crônica auto-imune caracterizada por intenso prurido e sensação de queimação

Dermatite Herpetiforme (DH): doença bolhosa cutânea crônica auto-imune caracterizada por intenso prurido e sensação de queimação Dermatite Herpetiforme (DH): doença bolhosa cutânea crônica auto-imune caracterizada por intenso prurido e sensação de queimação intolerância ao glúten Há evidências de que a DH deve ser considerada um

Leia mais

CAMPANHA PELA INCLUSÃO DA ANÁLISE MOLECULAR DO GENE RET EM PACIENTES COM CARCINOMA MEDULAR E SEUS FAMILIARES PELO SUS.

CAMPANHA PELA INCLUSÃO DA ANÁLISE MOLECULAR DO GENE RET EM PACIENTES COM CARCINOMA MEDULAR E SEUS FAMILIARES PELO SUS. Laura S. W ard CAMPANHA PELA INCLUSÃO DA ANÁLISE MOLECULAR DO GENE RET EM PACIENTES COM CARCINOMA MEDULAR E SEUS FAMILIARES PELO SUS. Nódulos da Tiróide e o Carcinoma Medular Nódulos da tiróide são um

Leia mais

Palácio dos Bandeirantes Av. Morumbi, 4.500 - Morumbi - CEP 05698-900 - Fone: 3745-3344 Nº 223 DOE de 28/11/07. Saúde GABINETE DO SECRETÁRIO

Palácio dos Bandeirantes Av. Morumbi, 4.500 - Morumbi - CEP 05698-900 - Fone: 3745-3344 Nº 223 DOE de 28/11/07. Saúde GABINETE DO SECRETÁRIO Diário Oficial Estado de São Paulo Poder Executivo Seção I Palácio dos Bandeirantes Av. Morumbi, 4.500 - Morumbi - CEP 05698-900 - Fone: 3745-3344 Nº 223 DOE de 28/11/07 Saúde GABINETE DO SECRETÁRIO Resolução

Leia mais

Patologia Geral AIDS

Patologia Geral AIDS Patologia Geral AIDS Carlos Castilho de Barros Augusto Schneider http://wp.ufpel.edu.br/patogeralnutricao/ SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (AIDS ou SIDA) Doença causada pela infecção com o vírus

Leia mais

COD PROTOCOLOS DE GASTROENTEROLOGIA

COD PROTOCOLOS DE GASTROENTEROLOGIA X COD PROTOCOLOS DE GASTROENTEROLOGIA ( ) 18.01 Abdome Agudo Diagnóstico (algoritmo) ( ) 18.02 Abdome Agudo Inflamatório Diagnóstico e Tratamento ( ) 18.03 Abdome Agudo na Criança ( ) 18.04 Abdome Agudo

Leia mais

NEOPLASIA DE CÓLON: UMA ANÁLISE DA PREVALÊNCIA E TAXA DE MORTALIDADE NO PERÍODO DE 1998 A 2010 NO BRASIL

NEOPLASIA DE CÓLON: UMA ANÁLISE DA PREVALÊNCIA E TAXA DE MORTALIDADE NO PERÍODO DE 1998 A 2010 NO BRASIL 25 a 28 de Outubro de 2011 ISBN 978-85-8084-055-1 NEOPLASIA DE CÓLON: UMA ANÁLISE DA PREVALÊNCIA E TAXA DE MORTALIDADE NO PERÍODO DE 1998 A 2010 NO BRASIL Camila Forestiero 1 ;Jaqueline Tanaka 2 ; Ivan

Leia mais

ESCLERODERMIA LOCALIZADA LOCALIZED SCLERODERMA

ESCLERODERMIA LOCALIZADA LOCALIZED SCLERODERMA ESCLERODERMIA LOCALIZADA LOCALIZED SCLERODERMA Esclerodermia significa pele dura. O termo esclerodermia localizada se refere ao fato de que o processo nosológico está localizado na pele. Por vezes o termo

Leia mais

47 Por que preciso de insulina?

47 Por que preciso de insulina? A U A UL LA Por que preciso de insulina? A Medicina e a Biologia conseguiram decifrar muitos dos processos químicos dos seres vivos. As descobertas que se referem ao corpo humano chamam mais a atenção

Leia mais

Estado do Espírito Santo CÂMARA MUNICIPAL DE VILA VELHA "Deus seja Louvado"

Estado do Espírito Santo CÂMARA MUNICIPAL DE VILA VELHA Deus seja Louvado PROJETO DE LEI Nº /2015 EMENTA: DISPÕE SOBRE CRIAÇÃO DE UM PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DIFERENCIADA PARA ALUNOS ALÉRGICOS NA REDE DE ENSINO MUNICIPAL DE VILA VELHA E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. A Câmara Municipal

Leia mais

N o 35. Março 2015. O mieloma múltiplo é uma. MIELOMA MÚLTIPLO: Novo Medicamento no tratamento contra o Câncer de Medula Óssea

N o 35. Março 2015. O mieloma múltiplo é uma. MIELOMA MÚLTIPLO: Novo Medicamento no tratamento contra o Câncer de Medula Óssea N o 35 Março 2015 Centro de Farmacovigilância da UNIFAL-MG Site: www2.unifal-mg.edu.br/cefal Email: cefal@unifal-mg.edu.br Tel: (35) 3299-1273 Equipe editorial: prof. Dr. Ricardo Rascado; profa. Drª. Luciene

Leia mais

DOENÇA CELÍACA E GASTRONOMIA: CONVERSAS PRELIMINARES DE UM PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA FACULDADE SENAC DE PERNANBUCO

DOENÇA CELÍACA E GASTRONOMIA: CONVERSAS PRELIMINARES DE UM PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA FACULDADE SENAC DE PERNANBUCO 1 DOENÇA CELÍACA E GASTRONOMIA: CONVERSAS PRELIMINARES DE UM PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA FACULDADE SENAC DE PERNANBUCO LUCIANA ALBUQUERQUE LYRA,SANDRA MARINHO DE OLIVEIRA E MARCOS ALEXANDRE DE MELO

Leia mais

diagnóstico de doença celíaca em adultos

diagnóstico de doença celíaca em adultos Artigo de Revisão diagnóstico de doença celíaca em adultos Tatiana Sudbrack da Gama e Silva 1, Tania Weber Furlanetto 2 Trabalho realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

Leia mais

A Gastroenterologia Visão e perspectivas atuais

A Gastroenterologia Visão e perspectivas atuais A Gastroenterologia Visão e perspectivas atuais A opção pela Gastroenterologia 23 Sociedades Federadas Regionais 54 Serviços de Gastroenterologia reconhecidos e aprovadas pelo MEC 1986 Sede do VI Congresso

Leia mais

Intolerâncias Alimentares Distúrbios da Deglutição

Intolerâncias Alimentares Distúrbios da Deglutição Intolerâncias Alimentares Distúrbios da Deglutição Intolerâncias Alimentares Alergias alimentares Intolerâncias metabólicas Reações farmacológicas Erros congênitos do metabolismo Alergia alimentar Mediada

Leia mais

5.1 Doenças do esôfago: acalasia, esofagite, hérnia hiatal, câncer de cabeça e pescoço, câncer de esôfago, cirurgias

5.1 Doenças do esôfago: acalasia, esofagite, hérnia hiatal, câncer de cabeça e pescoço, câncer de esôfago, cirurgias MÓDULO I NUTRIÇÃO CLÍNICA 1-Absorção, digestão, energia, água e álcool 2-Vitaminas e minerais 3-Proteínas, lipídios, carboidratos e fibras 4-Cálculo das necessidades energéticas 5-Doenças do aparelho digestivo

Leia mais

Entenda tudo sobre a Síndrome do Intestino Irritável

Entenda tudo sobre a Síndrome do Intestino Irritável Entenda tudo sobre a Síndrome do Intestino Irritável Apesar de ainda não existir cura definitiva para esse problema de saúde crônico, uma diferenciação entre essa patologia e a sensibilidade ao glúten

Leia mais

Doença Celíaca mitos e verdades

Doença Celíaca mitos e verdades Doença Celíaca mitos e verdades Trigo - História Existem evidências arqueológicas de um pão pesado na era Paleolítica na Europa, há 30.000 anos atrás, embora a alimentação fosse principalmente baseada

Leia mais

PROVA TEÓRICO-PRÁTICA

PROVA TEÓRICO-PRÁTICA PROVA TEÓRICO-PRÁTICA 1. Na atresia de esôfago pode ocorrer fistula traqueoesofágica. No esquema abaixo estão várias opções possíveis. A alternativa indica a forma mais freqüente é: Resposta B 2. Criança

Leia mais

Pâncreas. Pancreatite aguda. Escolha uma das opções abaixo para ler mais detalhes.

Pâncreas. Pancreatite aguda. Escolha uma das opções abaixo para ler mais detalhes. Pâncreas Escolha uma das opções abaixo para ler mais detalhes. Pancreatite aguda Pancreatite crônica Cistos pancreáticos Câncer de Pancrêas Pancreatite aguda O pâncreas é um órgão com duas funções básicas:

Leia mais

IMUNODEFICIÊNCIA COMUN VARIÁVEL

IMUNODEFICIÊNCIA COMUN VARIÁVEL IMUNODEFICIÊNCIA COMUN VARIÁVEL Esta brochura é para ser usada pelos pacientes e pelas suas famílias e não deve substituir o aconselhamento de um imunologista clínico. 1 Também disponível: AGAMAGLOBULINEMIA

Leia mais

DOENÇAS DO SISTEMA MUSCULAR ESQUELÉTICO. Claudia de Lima Witzel

DOENÇAS DO SISTEMA MUSCULAR ESQUELÉTICO. Claudia de Lima Witzel DOENÇAS DO SISTEMA MUSCULAR ESQUELÉTICO Claudia de Lima Witzel SISTEMA MUSCULAR O tecido muscular é de origem mesodérmica (camada média, das três camadas germinativas primárias do embrião, da qual derivam

Leia mais

DOENÇA CELÍACA NO ADULTO

DOENÇA CELÍACA NO ADULTO FACULDADE DE CIÊNCIAS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DA UNIVERSIDADE DO PORTO DOENÇA CELÍACA NO ADULTO LUÍSA MARIA ANJOS TRINDADE 2001/2002 INDICE RESUMO I. INTRODUÇÃO II. DESENVOLVIMENTO DO TEMA 1. HISTÓRIA

Leia mais

Alterações Metabolismo Carboidratos DIABETES

Alterações Metabolismo Carboidratos DIABETES 5.5.2009 Alterações Metabolismo Carboidratos DIABETES Introdução Diabetes Mellitus é uma doença metabólica, causada pelo aumento da quantidade de glicose sanguínea A glicose é a principal fonte de energia

Leia mais

Distúrbios Gastrointetinais

Distúrbios Gastrointetinais Distúrbios Gastrointetinais Anatomia Gastrointestinal Doenças do tubo digestivo Patologias do Esôfago Classificação segundo o mecanismo da doença Anomalias do desenvolvimento (exs: Atresias; hérnias;estenoses)

Leia mais

DOENÇA CELÍACA: revisão bibliográfica

DOENÇA CELÍACA: revisão bibliográfica SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL HOSPITAL REGIONAL DA ASA SUL RESIDÊNCIA MÉDICA EM PEDIATRIA HELENA CAMPOS FARO DOENÇA CELÍACA: revisão bibliográfica MONOGRAFIA DE ESPECIALIZAÇÃO EM PEDIATRIA

Leia mais

Conhecimento dos pediatras sobre doença celíaca: estudo piloto

Conhecimento dos pediatras sobre doença celíaca: estudo piloto Conhecimento dos pediatras sobre doença celíaca ARTIGO ORIGINAL ISSN 1677-5090 2010 Revista de Ciências Médicas e Biológicas Conhecimento dos pediatras sobre doença celíaca: estudo piloto The pediatricians

Leia mais

TESTE DO PEZINHO. Informações sobre as doenças pesquisadas no teste do pezinho:

TESTE DO PEZINHO. Informações sobre as doenças pesquisadas no teste do pezinho: TESTE DO PEZINHO Informações sobre as doenças pesquisadas no teste do pezinho: 1) FENILCETONÚRIA Doença causada por falta de uma substância (enzima) que transforma a fenilalanina (aminoácido) em tirosina.

Leia mais

INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS

INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS CINÉTICA DO FERRO Danni Wanderson Introdução A importância do ferro em nosso organismo está ligado desde as funções imune, até as inúmeras funções fisiológicas, como

Leia mais

Profa. Susana M.I. Saad Faculdade de Ciências Farmacêuticas Universidade de São Paulo

Profa. Susana M.I. Saad Faculdade de Ciências Farmacêuticas Universidade de São Paulo XIV Congresso Brasileiro de Nutrologia Simpósio ILSI Brasil Probióticos e Saúde Profa. Dra. Susana Marta Isay Saad Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica USP e-mail susaad@usp.br Alimentos

Leia mais

Caso Clínico. Andrea Canelas

Caso Clínico. Andrea Canelas Caso Clínico Andrea Canelas 28-06 06-2006 Identificação Sexo: Idade: 79 anos Raça: a: Caucasiana Naturalidade: Coimbra História da doença a actual Seguida na consulta de Gastro desde Novembro de 2005:

Leia mais

7º Imagem da Semana: Radiografia de Tórax

7º Imagem da Semana: Radiografia de Tórax 7º Imagem da Semana: Radiografia de Tórax Legenda da Imagem 1: Radiografia de tórax em incidência póstero-anterior Legenda da Imagem 2: Radiografia de tórax em perfil Enunciado: Homem de 38 anos, natural

Leia mais

Tumor carcinoide de duodeno: um tumor raro em local incomum. Série de casos de uma única instituição

Tumor carcinoide de duodeno: um tumor raro em local incomum. Série de casos de uma única instituição Tumor carcinoide de duodeno: um tumor raro em local incomum. Série de casos de uma única instituição Jaques Waisberg- Orientador do Programa de Pós Graduação do Instituto de Assistência Médica ao Servidor

Leia mais

PALAVRAS-CHAVE Projetos de pesquisa. Patologia. Epidemiologia. Trato gastrointestinal.

PALAVRAS-CHAVE Projetos de pesquisa. Patologia. Epidemiologia. Trato gastrointestinal. 13. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ISSN 2238-9113 ÁREA TEMÁTICA: (marque uma das opções) ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( X) SAÚDE

Leia mais

Métodos sorológicos de Diagnóstico e Pesquisa. Reação Ag-Ac in vitro

Métodos sorológicos de Diagnóstico e Pesquisa. Reação Ag-Ac in vitro Métodos sorológicos de Diagnóstico e Pesquisa Reação Ag-Ac in vitro Testes sorológicos Uso de soro ou outros fluidos biológicos de paciente p/ diagnóstico laboratorial Demonstração de anticorpos específicos

Leia mais

TEMA: NEOCATE NA ALERGIA A LEITE DE VACA (APLV)

TEMA: NEOCATE NA ALERGIA A LEITE DE VACA (APLV) NOTA TÉCNICA 24/2014 Solicitante Regina Célia Silva Neves Juizado Fazenda Pública de Itaúna Processo Número 0338.13.012.595-2 Data: 07/02/2014 Medicamento/ dieta x Material Procedimento Cobertura TEMA:

Leia mais

PERFIL NUTRICIONAL DE PACIENTES INTERNADOS EM UM HOSPITAL DE LONDRINA-PARANÁ

PERFIL NUTRICIONAL DE PACIENTES INTERNADOS EM UM HOSPITAL DE LONDRINA-PARANÁ PERFIL NUTRICIONAL DE PACIENTES INTERNADOS EM UM HOSPITAL DE LONDRINA-PARANÁ SCHUINDT, P. S; ANDRADE, A. H. G. RESUMO A grande incidência de desnutrição hospitalar enfatiza a necessidade de estudos sobre

Leia mais

Métodos para detecção de alérgenos em alimentos. Gerlinde Teixeira Departamento de Imunobiologia Universidade Federal Fluminense

Métodos para detecção de alérgenos em alimentos. Gerlinde Teixeira Departamento de Imunobiologia Universidade Federal Fluminense Métodos para detecção de alérgenos em alimentos Gerlinde Teixeira Departamento de Imunobiologia Universidade Federal Fluminense Antigenos vs Alérgenos Antigeno Imunógeno Qualquer substância capaz de estimular

Leia mais

PROVA ESPECÍFICA Cargo 48. Na reação de hipersensibilidade imediata do tipo I, qual dos seguintes mediadores é neoformado nos tecidos?

PROVA ESPECÍFICA Cargo 48. Na reação de hipersensibilidade imediata do tipo I, qual dos seguintes mediadores é neoformado nos tecidos? 11 PROVA ESPECÍFICA Cargo 48 QUESTÃO 26 Na reação de hipersensibilidade imediata do tipo I, qual dos seguintes mediadores é neoformado nos tecidos? a) Heparina. b) Histamina. c) Fator ativador de plaquetas

Leia mais

Será que égastrite? Luciana Dias Moretzsohn Faculdade de Medicina da UFMG

Será que égastrite? Luciana Dias Moretzsohn Faculdade de Medicina da UFMG Será que égastrite? Luciana Dias Moretzsohn Faculdade de Medicina da UFMG Sintomas Dor na região do estômago Estômago estufado Empanzinamento Azia Arrotos frequentes Cólica na barriga Vômitos e náusea

Leia mais

DOENÇA CELÍACA 1. Alimentos e intolerâncias alimentares

DOENÇA CELÍACA 1. Alimentos e intolerâncias alimentares DOENÇA CELÍACA 1 Alimentos e intolerâncias alimentares Todos sabemos que os alimentos são indispensáveis à vida pois fornecem as substâncias necessárias para o normal crescimento e desenvolvimento e até

Leia mais

Imagem da Semana: Radiografia e Ressonância Magnética (RM)

Imagem da Semana: Radiografia e Ressonância Magnética (RM) Imagem da Semana: Radiografia e Ressonância Magnética (RM) Imagem 01. Radiografia anteroposterior do terço proximal da perna esquerda. Imagem 02. Ressonância magnética do mesmo paciente, no plano coronal

Leia mais

DOENÇAS AUTO-IMUNES MUCOCUTÂNEAS

DOENÇAS AUTO-IMUNES MUCOCUTÂNEAS Curso: Graduação em Odontologia 4º e 5º Períodos Disciplina: Patologia Oral DOENÇAS AUTO-IMUNES MUCOCUTÂNEAS http://lucinei.wikispaces.com Prof.Dr. Lucinei Roberto de Oliveira 2012 DOENÇAS AUTO-IMUNES

Leia mais

DO PACIENTE RENAL Tratamento conservador

DO PACIENTE RENAL Tratamento conservador aminidicionário DO PACIENTE RENAL Tratamento conservador Ao paciente e seus familiares, este pequeno dicionário tem a intenção de ajudar no entendimento da doença que passou a fazer parte das suas vidas.

Leia mais

World Gastroenterology Organisation Global Guidelines. Doença celíaca. Abril de 2012

World Gastroenterology Organisation Global Guidelines. Doença celíaca. Abril de 2012 Page 1 World Gastroenterology Organisation Global Guidelines Doença celíaca Abril de 2012 Equipe de revisão Julio C. Bai (Presidente, Argentina) Michael Fried (Suíça) Gino Roberto Corazza (Itália) Detlef

Leia mais

DIABETES MELLITUS ( DM ) Autor: Dr. Mauro Antonio Czepielewski www.abcdasaude.com.br/artigo.php?127

DIABETES MELLITUS ( DM ) Autor: Dr. Mauro Antonio Czepielewski www.abcdasaude.com.br/artigo.php?127 DIABETES MELLITUS ( DM ) Autor: Dr. Mauro Antonio Czepielewski www.abcdasaude.com.br/artigo.php?127 Sinônimos: Diabetes, hiperglicemia Nomes populares: Açúcar no sangue, aumento de açúcar. O que é? Doença

Leia mais

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR.

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. São pequenas partículas originadas do citoplasma dos megacariócitos na medula óssea, desprovidas de núcleo (sem capacidade de síntese

Leia mais

ALIMENTAÇÃO Preventiva. Volume I

ALIMENTAÇÃO Preventiva. Volume I ALIMENTAÇÃO Preventiva Volume I By porque evoluir é preciso Que o teu alimento seja seu medicamento Hipócrates Pai da medicina moderna Não coma, nutra-se! Existem muitas informações importantes disponíveis,

Leia mais

Laboratórios Ferring

Laboratórios Ferring Pentasa Sachê mesalazina Laboratórios Ferring IDENTIFICAÇÃO DO MEDICAMENTO Pentasa Sachê mesalazina APRESENTAÇÕES Grânulos de liberação prolongada de: - 1 g disponível em embalagens com 50 sachês - 2 g

Leia mais

Avaliação por Imagem do Pâncreas. Aula Prá8ca Abdome 4

Avaliação por Imagem do Pâncreas. Aula Prá8ca Abdome 4 Avaliação por Imagem do Pâncreas Aula Prá8ca Abdome 4 Obje8vos 1. Entender papel dos métodos de imagem (RX, US, TC e RM) na avaliação de lesões focais e difusas do pâncreas. 2. Revisar principais aspectos

Leia mais

GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO HOSPITAL NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS

GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO HOSPITAL NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS POP n.º: I 22 Página 1 de 5 1. Sinonímia Beta 2 Microglobulina, b2m 2. Aplicabilidade Aos técnicos e bioquímicos do setor de imunologia 3. Aplicação clínica A beta-2-microglobulina é uma proteína presente

Leia mais

Doença Celíaca refratária ao tratamento

Doença Celíaca refratária ao tratamento Doença Celíaca refratária ao tratamento Denise Tiemi Miyakawa Residente de 4º ano Dsciplina de Gastroenterologia Pediátrica Escola Paulista de Medicina Universidade Federal de São Paulo Introdução Causa

Leia mais

O que é o câncer de mama?

O que é o câncer de mama? O que é o câncer de mama? As células do corpo normalmente se dividem de forma controlada. Novas células são formadas para substituir células velhas ou que sofreram danos. No entanto, às vezes, quando células

Leia mais

Solicitante: Marly Gonçalves Pinto - PJPI 3998-2 - Oficial de Apoio Judicial B - Escrivã Judicial da Comarca de Cláudio/MG.

Solicitante: Marly Gonçalves Pinto - PJPI 3998-2 - Oficial de Apoio Judicial B - Escrivã Judicial da Comarca de Cláudio/MG. NOTA TÉCNICA 91/2013 Data: 12/06/2013 Medicamento x Material Procedimento Cobertura Solicitante: Marly Gonçalves Pinto - PJPI 3998-2 - Oficial de Apoio Judicial B - Escrivã Judicial da Comarca de Cláudio/MG.

Leia mais

como intervir Héber Salvador de Castro Ribeiro Departamento de Cirurgia Abdominal A.C. Camargo Cancer Center

como intervir Héber Salvador de Castro Ribeiro Departamento de Cirurgia Abdominal A.C. Camargo Cancer Center Esôfago de Barrett: quando acompanhar e como intervir Héber Salvador de Castro Ribeiro Departamento de Cirurgia Abdominal A.C. Camargo Cancer Center Não possuo conflitos de interesse; Esôfago de Barrett

Leia mais

Diagnóstico do câncer

Diagnóstico do câncer UNESC FACULDADES ENFERMAGEM - ONCOLOGIA FLÁVIA NUNES Diagnóstico do câncer Evidenciado: Investigação diagnóstica por suspeita de câncer e as intervenções de enfermagem no cuidado ao cliente _ investigação

Leia mais

UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DARIANE REIPS DOENÇA CELÍACA: ASPECTOS CLÍNICOS E NUTRICIONAIS

UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DARIANE REIPS DOENÇA CELÍACA: ASPECTOS CLÍNICOS E NUTRICIONAIS UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DARIANE REIPS DOENÇA CELÍACA: ASPECTOS CLÍNICOS E NUTRICIONAIS Ijuí, RS 2011 DARIANE REIPS DOENÇA CELÍACA: ASPECTOS CLÍNICOS E

Leia mais

CÂnCER DE EnDOMéTRIO. Estados anovulatórios (ex: Síndrome dos ovários policísticos) Hiperadrenocortisolismo

CÂnCER DE EnDOMéTRIO. Estados anovulatórios (ex: Síndrome dos ovários policísticos) Hiperadrenocortisolismo CAPÍTULO 3 CÂnCER DE EnDOMéTRIO O Câncer de endométrio, nos Estados Unidos, é o câncer pélvico feminino mais comum. No Brasil, o câncer de corpo de útero perde em número de casos apenas para o câncer de

Leia mais

TEXTO BÁSICO PARA SUBSIDIAR TRABALHOS EDUCATIVOS NA SEMANA DE COMBATE À DENGUE 1

TEXTO BÁSICO PARA SUBSIDIAR TRABALHOS EDUCATIVOS NA SEMANA DE COMBATE À DENGUE 1 TEXTO BÁSICO PARA SUBSIDIAR TRABALHOS EDUCATIVOS NA SEMANA DE COMBATE À DENGUE 1 A Dengue A dengue é uma doença infecciosa de origem viral, febril, aguda, que apesar de não ter medicamento específico exige

Leia mais

www.pediatric-rheumathology.printo.it DERMATOMIOSITE JUVENIL

www.pediatric-rheumathology.printo.it DERMATOMIOSITE JUVENIL www.pediatric-rheumathology.printo.it DERMATOMIOSITE JUVENIL O que é? A Dermatomiosite Juvenil (DMJ) pertence ao grupo das chamadas doenças auto-imunes. Nas doenças auto-imunes há uma reação anormal do

Leia mais

Veículo: Jornal da Comunidade Data: 24 a 30/07/2010 Seção: Comunidade Vip Pág.: 4 Assunto: Diabetes

Veículo: Jornal da Comunidade Data: 24 a 30/07/2010 Seção: Comunidade Vip Pág.: 4 Assunto: Diabetes Veículo: Jornal da Comunidade Data: 24 a 30/07/2010 Seção: Comunidade Vip Pág.: 4 Assunto: Diabetes Uma vida normal com diabetes Obesidade, histórico familiar e sedentarismo são alguns dos principais fatores

Leia mais

Hepatite auto-imune: Indicações de tratamento e outros cuidados específicos

Hepatite auto-imune: Indicações de tratamento e outros cuidados específicos Associação Paulista para o Estudo do Fígado Hepatite auto-imune: Indicações de tratamento e outros cuidados específicos Fabrício Guimarães Souza -FMUSP- 1- Indicações e problemas do tratamento 2- Condições

Leia mais

Diário Oficial REPÚBLICA FEDERATIVA DO

Diário Oficial REPÚBLICA FEDERATIVA DO Diário Oficial REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Imprensa Nacional BRASÍLIA DF Nº 179 DOU 18/09/09 seção 1 - p. 79 SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE PORTARIA No- 307, DE 17 DE SETEMBRO DE 2009 O Secretário de

Leia mais

ESCLERODERMIA: UMA VISÃO GERAL SCLERODERMA: OVERVIEW AND CAUSES

ESCLERODERMIA: UMA VISÃO GERAL SCLERODERMA: OVERVIEW AND CAUSES ESCLERODERMIA: UMA VISÃO GERAL SCLERODERMA: OVERVIEW AND CAUSES INTRODUÇÃO A esclerodermia é uma doença auto-imune, o que significa uma situação onde o sistema imunológico ataca os tecidos do próprio organismo.

Leia mais

Curso de Patologia Digestiva

Curso de Patologia Digestiva Curso de Patologia Digestiva Neoplasias Linfóides do Tracto Gastro-Intestinal Aspectos Histológicos Sofia Loureiro dos Santos Serviço de Anatomia Patológica Hospital Fernando Fonseca, EPE SPG, Lisboa,

Leia mais

Considerando as sugestões apresentadas à Consulta Pública SAS/MS Nº 8, de 29 de julho de 2008;

Considerando as sugestões apresentadas à Consulta Pública SAS/MS Nº 8, de 29 de julho de 2008; PORTARIA Nº 307, DE 17 DE SETEMBRO DE 2009 O Secretário de Atenção à Saúde, no uso de suas atribuições, Considerando que a Doença Celíaca apresenta um caráter crônico, identifica-se pela intolerância permanente

Leia mais

Neoplasias 2. Adriano de Carvalho Nascimento

Neoplasias 2. Adriano de Carvalho Nascimento Neoplasias 2 Adriano de Carvalho Nascimento Biologia tumoral Carcinogênese História natural do câncer Aspectos clínicos dos tumores Biologia tumoral Carcinogênese (bases moleculares do câncer): Dano genético

Leia mais

DOENÇA CELÍACA 23 de agosto de 2008

DOENÇA CELÍACA 23 de agosto de 2008 DOENÇA CELÍACA 23 de agosto de 2008 Alvaro Largura, PhD Presidente do Instituto de Investigação Científica do Paraná Diretor técnico do Alvaro Centro de Análises e Pesquisa Clínicas 2 Marcador de DC 2007

Leia mais

ANEXO PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS DA DOENÇA CELÍACA

ANEXO PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS DA DOENÇA CELÍACA N.º 179 - Seção 1, sexta-feira, 18 de setembro de 2009 Ministério da Saúde SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE PORTARIA Nº 307, DE 17 DE SETEMBRO DE 2009 O Secretário de Atenção à Saúde, no uso de suas atribuições,

Leia mais

Subespecialidade de Gastrenterologia Pediátrica conteúdo funcional, formação e titulação

Subespecialidade de Gastrenterologia Pediátrica conteúdo funcional, formação e titulação Subespecialidade de Gastrenterologia Pediátrica conteúdo funcional, formação e titulação 1. Tipo de trabalho e responsabilidades principais O Gastrenterologista Pediátrico é um médico com formação em Pediatria

Leia mais

CÂNCER GÁSTRICO PRECOCE

CÂNCER GÁSTRICO PRECOCE CÂNCER GÁSTRICO PRECOCE Hospital Municipal Cardoso Fontes Serviço de Cirurgia Geral Chefe do serviço: Dr. Nelson Medina Coeli Expositor: Dra. Ana Carolina Assaf 16/09/04 René Lambert DEFINIÇÃO Carcinoma

Leia mais