SUSTENTABILIDADE, PRODUÇÃO MAIS LIMPA E LOGÍSTICA REVERSA EM UMA INDÚSTRIA CALÇADISTA: ESTUDO DE CASO

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1 ISSN SUSTENTABILIDADE, PRODUÇÃO MAIS LIMPA E LOGÍSTICA REVERSA EM UMA INDÚSTRIA CALÇADISTA: ESTUDO DE CASO Luiz Eduardo de Carvalho Chaves (UNIFRAN) Tadeu melo Junior (FATEC) Cristiano Fugeiro Ferreira (UNIFRAN) Resumo Neste artigo serão apresentadas as vantagens econômicas e ambientais de uma indústria calçadista que implementou a Produção Mais Limpa (P+L) na reciclagem de borracha em um ciclo fechado, envolvendo processo produtivo e logística. Um estudoo de viabilidade técnica, mencionando o benefício financeiro adquirido na reciclagem na fabricação calçadista, validou este artigo. A metodologia de Intensidade de Material do Wuppertal Institute foi aplicada para avaliar o impácto do passivo quando não é inserido na natureza na escala da biosfera como consequência da redução de emissões por conta da intervenção da produção mais limpa e da logística reversa, comparando com o financeiro. Palavras-chaves: : Indústria calçadista; Produção Mais Limpa; Ciclo fechado; Reciclagem; pó de borracha.

2 1.INTRODUÇÃO Ao falarmos de mundo contemporâneo e marco desenvolvimentista, podemos citar a Revolução Industrial, a Segunda Guerra Mundial e a Informática veio para acelerar ainda mais este desenvolvimento, propiciando a Globalização que tornou o mundo muito pequeno, um lugar muito próximo de qualquer outro e os negócios se tornaram grandiosos sem qualquer preocupação com o meio ambiente, o que valia era o lucro e o mercado. Passivos de diversos graus de degradação foram sendo descartados no meio ambiente, gerando inclusive mudanças climáticas significativas. Os resultados econômicos aos olhos capitalistas foram excelentes, ambientalmente os fatores ecológicos foram extremamente negativos, com impactos ambientais, em vários casos, comprometendo gerações. A partir da década de 80 iniciou-se, mundialmente, uma forma de pensar e agir diferente, aonde o ambiente e os seus autores, biótico e abiótico, tivessem a preferência sobre as atividades e pelo menos, o lucro deveria vir em paralelo com medidas sustentáveis e essa posição se alastrou para as empresas, pessoas, sociedade, escolas, pesquisa, enfim, para o dia a dia das pessoas. Hoje temos uma crescente conscientização dos diversos segmentos da sociedade com relação à necessidade da preservação ambiental, colocando em cheque antigos costumes praticados em nossos lares, no trabalho, pelas empresas, pelos governos, enfim, pela sociedade. Novas formas de se fazer e novas tecnologias limpas começaram a surgir, que culminou com a elaboração de uma norma, pegando carona em outra, a da qualidade (ISO 9000), que veio para estabelecer requisitos para as empresas gerenciarem seus produtos e processos, para que eles não agridam o meio ambiente, que os seres vivos não sofram com os resíduos gerados e sim beneficiados. Esta norma foi chamada de ISO Sistema de Gestão Ambiental. Hoje os processos industriais precisam se adequar a Política nacional de Resíduos Sólidos que dispõe sobre as diretrizes gerais aplicáveis aos resíduos sólidos no país. Para melhor entender, um trecho retirado da Política Nacional de Resíduo sólido, 2010, diz; a proteção da saúde pública e da qualidade do meio ambiente, não geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos, bem como destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos, educação ambiental e integração dos catadores de materiais recicláveis nas ações que envolvam o fluxo de resíduos sólidos entre outras orientações. A logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracterizado pelo conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento e reciclagem, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada, conforme citou Guarniera, A implementação da produção mais limpa (P+L) no tratamento do passivo gerado na fabricação de artefatos de borracha com vantagens econômicas e ambientais alinhada a um ciclo fechado e logística reversa é o principal objetivo desse estudo. Nesse ocorreu a destinação correta do resíduo sólido em um sistema fechado que foi criado. Será mostrado o ganho financeiro com o reuso do passivo modificado e os ganhos ambientais, comparando-os. Para Donaire (1999) na atualidade, o fator ambiental tem ganhado importância na avaliação da estratégia de marketing, pois as alterações da legislação ambiental e a crescente conscientização dos consumidores têm feito surgir riscos potencias e novas oportunidades de 2

3 comercialização de bens e serviços, que devem ser adequadamente avaliadas para garantir a competitividade da empresa e preservar sua imagem e responsabilidade social. A indústria é a principal fonte de emissão de substâncias nocivas, e afim de educar os empresários para a sustentabilidade, será apresentado como objetivo geral as vantagens econômicas e ambientais em uma indústria de borracha calçadista que implementou os conceitos de Produção Mais Limpa como decisão estratégica na reciclagem dos passivos de borracha gerados no processo. Como objetivo específico: - Apresentar o processo de reciclagem do passivo de borracha transformando-o em matéria prima; - Analisar as vantagens econômicas e ambientais presentes no processo de reciclagem na Produção Mais Limpa através da metodologia de Intensidade de Material (Wuppertal Institute).. A evolução dos processos produtivos, considerando todas as etapas que compõem o ciclo de atividades industriais, desde a matéria prima até o descarte após a vida útil do produto por parte do consumidor, e voltando a geração de novos recursos para matéria prima é o objetivo maior. 2. REFERENCIAL 2.1 Processo PCP MATÉRIA-PRIMA ALMOXARIFADO TERCEIRIZAÇÃO MISTURA Retrabalh o PREPARAÇÃO Engenhari a VULCANIZAÇÃO REFUGO MONTAGEM DO SAPATO EXPEDIÇÃO CLIENTE 3

4 Figura: Elaborado pelo autor O processo de fabricação de borracha tem várias fases indo da compra da matéria prima até o cliente, conforme descrito acima. A empresa em estudo tem funcionários e é fabricante de calçados em Franca, SP. Sua produção mensal é de pares por mês, o que por ano totalizam pares. Em borracha significa um consumo mensal de Kg/mês. Este volume de borracha gera em torno de 1,2% de refugo no processo e 1,0% em devolução. O refugo era entregue a uma empresa que jogava em um lixo, sabe-se lá aonde e para isso recebia R$0,80/Kg. Cada formulação para a produção de um tipo de borracha leva em torno de 14 matérias prima divididas em cinco categorias; 1) Elastômeros 2) Cargas de enchimento e/ou reforço: negro de fumo, pó de borracha, etc 3) Plastificantes: óleos aromáticos, nafténicos, parafínicos e DOP 4) Agentes vulcanizantes: Ativadores, Aceleradores e o Vulcanizante 5) Aditivos: Resinas, protetores, pigmentos, etc. Processo antes da intervenção MATÉRIA PRIMA Elastômeros Cargas Plastificantes Agentes vulcanizantes Aditivos REFUGO BORRACHA INTERNO CLIENTE Destino Variado? FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA CLIENTE Fluxograma do processo antes da intervenção (elaborado pelos autores) O refugo pode ocorrer em diversos pontos do processo e no cliente, mas o problema não esta aonde ocorre, mas depois, o que se fáz com o mesmo. Antes o refugo era levado para um lixão na cidade, sem qualquer preocupação. Com a implantação da reciclagem em ciclo fechado em conjunto com a logística reversa, o processo foi alterado para esta nova configuração, que não envia mais nada ao lixo de passivo de borracha, pois em um ciclo fechado reciclou todo este passivo. Isso pode ser 4

5 feito ao separar os refugos nas diversas partes do processo, bem como devolução por qualidade, para que o fornecedor de pó de borracha, a indústria Ouro Preto, transforme este refugo em pó de borracha com granolumetria especial, de 50 mash, normalmente o mercado utiliza de 30mash. Obtendo um produto de altíssima qualidade. MATÉRIA PRIMA Elastômeros Cargas Plastificantes Agentes vulcanizantes Aditivos INDÚSTRIA CALÇADISTA REFUGO BORRACHA INTERNO CLIENTE CLIENTE EMPRESA TERCERIZADA OURO PRETO BORRACHAS MICRONIZAÇÃO 60 MESH MATÉRIA PRIMA PARA COMPOSTO DE BORRACHA Processo produtivo modificado (elaborado pelo autor) 2.2 Produção Mais Limpa A indústria é a principal fonte de emissão de substâncias nocivas, e por anos, o avanço tecnológico manteve seu foco no aprimoramento de processos e produtos e seus reflexos na competitividade. Segundo Mano et. al (2005) a expressão educação ambiental foi utilizada pela primeira vez na Conferencia de Educação da Universidade de Kelle na Grã-Bretanha, em A partir dessa data, passou a ter uma dimensão cada vez mais importante para a formação de cidadãos com conhecimento do ambiente total, preocupados com os problemas associados a esse espaço que o cerca e com atitude, motivações, envolvimentos e habilidades para trabalhar, individual e coletivamente, em busca de soluções para resolver as dificuldades atuais e prevenir os futuros desajustes relacionados a sustentabilidade, busca-se com isso formas de gerenciar e melhorar as relações entre a sociedade humana e o ambiente, de modo integrado e sustentável. Brandão (2006) define sustentabilidade como um resultado favorável no qual a vida na Terra é mantida indefinidamente, denominando como desenvolvimento sustentável os princípios e processos para alcançar este resultado. Em termos econômicos é a renda proporcionada pelo planeta e não pelo capital natural que a toda atividade econômica depende. Segundo Silva et al (2008), as noções atuais de desenvolvimento sustentável diferenciam-se amplamente da idéia de crescimento presente na teoria econômica clássica. Atualmente, em termos gerais, os agentes econômicos precisam relacionar-se com a sociedade e voltar-se também para as questões ambientes, para que possam agregar valores aos produtos: valores éticos e morais, para que possam maximizar seus lucros. Assim, no 5

6 momento em que se expandem os movimentos sociais baseados na preocupação com o meio ambiente, passou-se a tratar desenvolvimento sustentável como uma harmonização entre crescimento econômico e conservação da natureza. Na Figura 1, um modelo de interação humana que segundo Giannetti e Almeida (2007) demonstra o fluxo que se referem aos princípios da sustentabilidade. Este modelo apresenta o ideal para convergir o desenvolvimento sócio-econômico sustentável, pois apresentam os recursos e serviços ambientais como base do desenvolvimento almejado. Na verdade, esses recursos são a fonte da real prosperidade humana, além de demonstrar que a sociosfera e a econosfera estão dentro da biosfera, chamando a atenção que esses não podem utilizar mais do que as capacidades intrínsecas do meio ambiente. Modelo de sustentabilidade ambiental. Fonte: Giannetti e Almeida (2006) A Produção Mais Limpa visa melhorar a eficiência, a lucratividade e a competitividade das empresas, enquanto protege o ambiente, o consumidor e o trabalhador. É um conceito de melhoria contínua que tem por conseqüência tornar o processo produtivo cada vez menos agressivos ao homem e ao meio ambiente. A implementação da Produção Mais Limpa resulta numa redução significativa dos resíduos, emissões e custos. Cada ação no sentido de reduzir o uso de matérias-primas e energia, prevenir ou reduzir a geração de resíduos, pode aumentar a produtividade e trazer benefícios econômicos para a empresa (Giannetti e Almeida 2006). Conforme o SENAI Produção mais Limpa é aplicação de uma estratégia técnica, econômica e ambiental integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem dos resíduos e emissões geradas, com benefícios ambientais, de saúde ocupacional e econômica. Outro fator importante que merece exclusividade por se tratar especificamente do assunto desse trabalho é que a Produção Mais Limpa se caracteriza pelo processo de reciclagem que de conforme Giannetti e Almeida (2006) Não são considerados parte da Produção Mais Limpa o tratamento de efluentes, a incineração a até a reciclagem de resíduos fora do processo de produção, pois não implicam na diminuição na fonte e sim de maneira reativa e corretiva. A P+L prioriza os esforços dentro de cada processo isolado, colocando a reciclagem externa entre as ultimas opções a considerar 6

7 De acordo com o SENAI, traz para as empresas vantagens ambientais e econômicas devido à preocupação de não gerar mais resíduos e emissões que afetem o meio ambiente, e como conseqüência reduz gastos desnecessários e contribui para a imagem da empresa. As vantagens ambientais da Produção mais Limpa são de evitar a poluição antes que ela seja gerada, isto é, com consciência e entendimento sobre o impacto ao meio ambiente principalmente na eliminação de resíduos, no controle da poluição, no uso racional de energia, na melhoria da saúde e segurança do trabalho, com produtos e embalagens ambientalmente adequadas já no planejamento do produto, as embalagens dos produtos devem ser eliminadas ou minimizadas. As vantagens econômicas da Produção mais limpa são aparentes em longo prazo, pois no início do projeto é investido capital na adoção de novas tecnologias e modificações de processos existentes. Essas vantagens incluem aumento na eficiência do processo gerando redução permanente de custos totais através do uso eficiente de matérias-primas, água e energia, e da redução de resíduos e emissões gerados além de boas práticas operacionais. Portanto conclui-se que é necessário implementar a Produção Mais Limpa na reciclagem de produtos no processo interno de produção, pois de um lado terá vantagens econômicas de outro estar consciente que está fazendo a coisa certa Cuidar do habitat natural com vantagens ambientais. 2.3 Cálculo da Intensidade de Material: Vantagens Ambientais A extração de recursos da natureza (ecossistemas) fez com que o Instituto Wuppertal (2008) desenvolvesse um método para avaliar as mudanças ambientais. A retirada de material do ecossistema é sempre maior que a quantidade a ser utilizada. Quanto maior os níveis de processamento, maior serão as perdas e consequentemente, maior a diferença entre o retirado e o utilizado. Esta retirada se da em diversos compartimentos ambientais, que são classificados em Abióticos, Bióticos, água e ar. Segundo ODUM (1981), os compartimentos interagem entre si, sendo o Biótico o conjunto de todos os organismos vivos e decompositores e o Abiótico, o conjunto de fatores não vivos de um ecossistema, mas que influenciam no meio Biótico, como temperatura, pressão, pluviosidade do relevo, etc. A quantidade de material de cada compartimento usado para suprir um dado material é chamado de Intensidade de Material. O cálculo se faz pegando o fluxo de entrada de massa, expresso em unidades correspondentes, multiplicando pelo fator MIF ( Mass Intensity Factors), que será a quantidade de matéria necessária para produzir uma unidade de fluxo de entrada. 2.4 Indústria calçadista No site spdesign coloca que o processo produtivo na indústria de calçados caracteriza-se pela sua descontinuidade, com o fluxo de produção ocorrendo entre estágios bastante distintos entre si. As cinco principais etapas são: Modelista: estilista-modelista cabe idealizar o produto final, considerando aspectos como as tendências da moda, os materiais a serem utilizados, a definição dos modelos e das formas que compõem o calçado, além de adequar a manufaturabilidade do produto, adaptando a sua concepção às condições e características do processo produtivo, inclusive no que tange a custos. Já ao modelista técnico cabe adaptar os novos modelos e projetos para a fabricação, verificando a escalação de modelos, palmilhas, solas e outros componentes, a comprovação dos cortes escalados e a programação de navalhas. Corte: Na etapa de corte, a matéria-prima é cortada de acordo com as determinações definidas na modelagem. As diferenças entre os processos tradicionais e os mais avançados é, 7

8 em grande parte, determinado pelo tipo de matéria-prima utilizado e seu grau de homogeneidade/ heterogeneidade. Costura ou Pesponto: de acordo com o tipo de calçado, as várias peças que compõem o cabedal são costurados, dobrados, picotados ou colados, e enfeites e fivelas podem ser aplicados. Nesta etapa o predomínio manual é total. Nesta fase também se terceiriza muito. Montagem: Na etapa de montagem, o cabedal é unido ao solado. Os processos de união são bastante variados, envolvendo costura, prensagem ou colagem. A colocação de saltos, biqueiras e palmilhas também é realizada nesta etapa. Acabamento: o calçado é desenformado e passa pelos retoques finais: colocação de forro, pintura, enceramento, etc. MODELAGEM FABRICAÇÃO PLACA BORRACHA CORTE RECICLAGEM MICRONIZAÇÃO COSTURA REFUGO MONTAGEM ACABAMENTO CLIENTE Indústria calçadista: elaborado pelos autores (Fonte). 3. ESTUDO DE CASO 8

9 Este estudo de caso tem por objetivo relatar um exemplo de aplicação do conceito de produção mais limpa em uma indústria calçadista, com significativa expressão no seu segmento de atuação. A empresa apoiou a implementação do programa Produção Mais Limpa como uma decisão estratégica, principalmente na mudança do paradigma sobre a abordagem da questão do refugo. O projeto tem como objetivo reciclar o refugo de borracha gerado internamente ou oriundos de clientes, através de um fornecedor que processará o passivo, granulando e micronizando transformando em uma matéria prima para a produção de compostos de borracha para a produção do solado do sapato. A vantagem de se utilizar o pó de borracha da própria borracha, é que sua compatibilidade é muito maior do que de um pó de borracha de outra formulação. Com essa visão objetiva-se a produtividade com responsabilidade ambiental, ou seja, todo o passivo ambiental gerado na fabricação de artefatos de borracha será utilizado em formulação de borracha, após micronização, como carga de enchimento ou aditivo para eliminar bolhas na vulcanização. No processo de definir o fornecedor, foi desenvolvido junto ao mesmo, uma micronização menor, com o mesmo custo e com um padrão de qualidade bem maior. Antes se usava com 30 mesh e passou-se a utilizar com 50 mesh. A Vantagem Econômica e Vantagem Ambiental podem ser mensuradas e mais, comparadas Processo de micronização Os refugos de borracha internos ou não são inspecionados e, se necessários, limpos (retirada de terra, matéria estranha, etc.). Em seguida são colocados em uma máquina para serem granulados, que é a trituração de forma a ficar com tamanhos de partícula em torno de 6 a 8 mm. Após este processo, os granulados serão colocados em uma máquina micronizadora, que irá passar os grânulos para 50 mesh. Nestas condições isentos de umidade e matéria estranha, estão prontos para serem utilizados como matéria prima em compostos de borracha Metodologia A metodologia selecionada para avaliar o resultado da implementação da reciclagem de borracha em uma empresa calçadista consiste em avaliar as vantagens econômicas, os resultados técnicos e Intensidade de Material. A seguir uma breve descrição desta última ferramenta Intensidade de Material No presente trabalho só os benefícios específicos em economia de material (borracha) decorrentes da intervenção P+L são avaliados. Os valores de MIF usados estão na Tabela 1 Tab. 1 - Fatores de Intensidade de Material usados no presente trabalho Borracha (SBR)* a dados da Europa Fatores de Intensidade de Material Material Abiótico Material Biótico Água Ar 5,70 146,

10 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Vantagens econômicas e comerciais na reciclagem do passivo de borracha. Segue os números para melhor visualizar a vantagem; Produção anual de borracha: Kg ; Refugo anual de borracha (1,2% + 1,0%): Kg: O pó de borracha no mercado custa R$1,8/Kg O gasto anual com o recolhimento do refugo de borracha era 5.322Kg * R$0,80 = R$4.257,60 sem garantias de uma destinação final ecologicamente correta, portanto, sujeito a penalidades legais no futuro; Benefícios financeiros: R$4257,60, imediatamente após a sua implementação. Vantagem comercial No momento, estão sendo implantadas as seguintes condições: 1. É a utilização de um selo verde e a divulgação em todos os meios que a empresa é uma empresa realmente preocupada com o meio ambiente. 2. Colocar na negociação de um novo pedido com o cliente, que o seu passivo de borracha, desde que seja entregue na fábrica será dada uma destinação ecologicamente correta (dar certificado). Uma certeza, será o aumento nas vendas. A empresa para produzir os Kg/ano, utiliza Kg de pó de borracha, ou seja, ainda compra quatro vêzes mais o que esta reciclando, portanto, tem muito para receber de passivo dos clientes. 3. Com o pó mais fino, sua aparência melhorou, ficou mais liso Viabilidade técnica da colocação do pó de borracha no composto de borracha. A compatibilidade é muito maior com o pó oriundo da mesma formulação 4.3 Resultados ambientais: intensidade de materiais Observa-se que as quantidades economizadas de borracha levam a uma expressiva economia de material em escala global (Tabelas 2), e os cálculos tiveram como base Kg, que representa o que retornou e deixou de ser comprado. Tab. 2 - Material economizado com a reciclagem Fatores de Intensidade de Material Abiotic matter Biotic matter Water Air Borracha: (g/g) a , ,3 10

11 Um reaproveitamento de 5.322Kg de borracha corresponde a ,4 Kg de material no nível abiótico, a na água e 8781,3 Kg no ar. Os benefícios financeiros em um ano pelo aproveitamento de Kg de borracha são de R$4.257,60, o que da uma razão de 1,25Kg/R$. Quando se considera a escala global, por cada real, há um benefício de ,7 de material que não é modificado nem retirado dos ecossistemas e quando se verifica um ganho financeiro de R$4.257,60 tem-se um razão de 191,60 material/r$. 5. CONCLUSÕES Vivemos em um planeta limitado de recursos naturais e o limite da ambição humana é ilimitada, portanto, somente a concientização aliada a normas internacionais e leis protetoras e reais, aonde o ganho e a natureza possam andar paralelamente, ou seja, com o uso consciente dos recursos praticando a sustentabilidade. A preocupação com o meio ambiente transcende o indivíduo indo das comunidades as empresas e vice versa, por isso a sua prática deve ser sistêmica e contínua. Na produção a gestão ambiental deve estar presente em todo o ciclo da produção. Um dos gatilhos dessa conscientização se dá nas empresas, dessa forma, os funcionários de chão-de-fábrica ambientalmente educados se aliam para a melhoria das condições de vida do planeta. Uma das formas de manter o meio ambiente saudável para as gerações futuras é através da educação ambiental que começa pelos gestores de produção que implementam conceitos de Produção Mais Limpa e conseqüentemente dissemina o conhecimento para todos os colaboradores. É possível estabelecer metas de redução na geração de resíduos no meio ambiente mesmo na pequena indústria calçadista. A implementação da Produção Mais Limpa apresenta vantagens econômicas e ambientais, portanto, o que se vê são somente ganhos, então porque não fazê-lo? Quando comparamos a razão do ganho financeiro e ambiental verificamos primeiramente, que não há perda, não há prejuízo, de uma forma geral, todos ganham, mas o meio ambiente muito mais. Porque não praticar a produção mais limpa com sustentabilidade se não há perda por parte da empresa? Quando comparamos os ganhos, não há dúvida de que houve ganho financeiro, mas o ganho ambiental foi muito maior e justifica qualquer medida neste sentido: Ganho Financeiro Ganho Ambiental Reaproveitamento -Kg R$ 4.267, , ,00 Razão ganho/kg 1,25 191,6 O ganho ambiental é muito grande, por sí só já justificaria o seu uso, imagina tendo ganho financeiro, é quase uma obrigação praticar a sustentabilidade. As empresas devem se estruturar de maneira a buscar adequações em seus processos, com o objetivo de identificar os produtos existentes que poderiam ser melhorados, e as fases do ciclo de produção que poderiam se adequar a critérios ambientalmente aceitáveis. Há muito que se fazer na prevenção da degradação do ecossistema, reconhecer esta necessidade já nos parece um grande avanço no contexto econômico financeiro. 11

12 É necessário que se incentivem programas direcionados a eficiência energética para que as empresas brasileiras adotem a disseminação de uma nova consciência ambiental na Governança Corporativa, que além de preservar o meio ambiente, proporciona vantagens econômicas. Essas vantagens se alastram além das fronteiras, haja visto que nos países mais desenvolvidos esta prática é ganhadora de pedido, ou seja, condição para se vender é praticar a sustentabilidade e/ou produção mais limpa(p+l). Os benefícios ambientais podem ser avaliados quantitativamente usando uma metodologia adequada. Isto permite acompanhar o desempenho da empresa quando é efetuada uma intervenção de P+L. É possível obter informações em escala global confrontando aspectos ambientais e financeiros. Se ganhamos na avaliação quantitativa, muito mais ganhamos na qualitativa com verdadeiramente mais qualidade de vida. Claro que a avaliação qualitativa é muito mais representativa no ponto de vista ambiental pois demonstra o quanto tivemos de ganho real para o meio ambiente e isso faz com que o limite de nossos recursos se mantenha em níveis controláveis e nosso planeta um lugar cada véz melhor para morar. REFERÊNCIAS BRANDÃO, C.E. L. Sustentabilidade e governança corporativa. In: Uma década de governança corporativa - História do IBGC, marcos e lições da experiência. São Paulo: Saraiva, GUARNIERE ODUM O, H.T Analyzing and Modeling Grassland Biomes (Review). Bioscience 31(10): PADRÃO EDITORIAL, Revista. CONSUMIDOR MODERNO. São Paulo: Padrão Editorial Ltda. Ed. Julho de DONAIRE, D. Gestão Ambiental na Empresa. São Paulo, Editora Atlas, GIANNETTI, B.F. ALMEIDA, C.M.B.V. Ecologia Industrial: Conceitos, ferramentas e aplicações. São Paulo, Editora Edgard Blücher, MANO, E. B; PACHECO, E.B.A.V.; BONELLI, C.M. Meio ambiente, poluição e reciclagem. 1ª ed. São Paulo: Edgard Blucher, SENAI.RS. Implementação de Programas de Produção mais Limpa. Porto Alegre, Centro Nacional de Tecnologias Limpas SENA-RS/UNIDO/INEP, SILVA, J. Ultemar. Responsabilidade Sócio-ambiental como diferencial competitivo nas Organizações do Século XXI. In Consciência e Desenvolvimento sustentável nas Organizações. São Paulo: Campus, Wuppertal Institute. Calculating MIPs, resources productivity of products and services. Available from: [accessed April 2008]. Wuppertal Institute.Available from: [accessed April 2008]. ( Acesso em março 2013). 12

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