NARRATIVA ESTÉTICO-PEDAGÓGICA. Realidade virtual, educação e pesquisa no mundo on-line

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1 NARRATIVA ESTÉTICO-PEDAGÓGICA Realidade virtual, educação e pesquisa no mundo on-line Joana Luíza Lara Pena - Bacharelado e Licenciatura em Artes Visuais, (FAV/UFG). Pósgraduanda em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas pela Universidade de Brasília (UNB). Tutora de ensino a distancia. (Faculdade de Artes Visuais - UFG). Leda Maria de Barros Guimarães - Doutora (Faculdade de Artes Visuais - UFG). Resumo: A presente narrativa consiste no relato de uma experiência realizada no curso de extensão no ambiente virtual de aprendizagem - AVA, ofertado pela Faculdade de Artes Visuais, modalidade ead. O curso de extensão propôs um estudo e treinamento no metaverso; Second Life (segunda vida); simulador de realidade virtual 3D para criação de avatares (personagens virtuais) e manipulação e utilização espaços multifacetados no SL, na construção de saberes e apropriação de jogos para aprendizagens das artes visuais. PALAVRAS-CHAVE: Second Life; Avatar; Ensino a Distancia. 1. Introdução As universidades públicas brasileira que vem ofertando cursos na modalidade a distância a partir de 2005 carecem de iniciativas de pesquisa e investimento no desenvolvimento de softwares para a exploração pedagógica das formas de ensino e aprendizagem ainda muito colados ao modelo presencial. Explicações para essa carência são muitas e não nos compete nesse momento discuti-las, mas, para este texto, podemos apontar um descompasso entre as ousadias pedagógicas desconectadas das ousadias tecnológicas. A Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás oferta desde 2007 a formação de professores na modalidade a distância com significativos avanços neste empreendimento. Além de um currículo que dialoga com questões contemporâneas de arte e cultura esses futuros professores estão sendo formados existindo (não exclusivamente) em ambientes virtuais, comunicando-se via fóruns, chats, utilizando ferramentas tais como, criando blogs, pesquisando em sites, ou seja, bem diferentes da maioria dos professores que tem medo do uso do computador na escola ou de outras tecnologias nas salas de aulas. Costumamos encontrar escolas com laboratórios de informática fechados ou sub utilizados, e enquanto estes laboratórios estão vazio as lan houses costumas ser lotadas de jovens barulhentos que interagem com games de toda espécie e transitam pelas redes sociais. No entanto, apesar de reconhecermos que a estudar em um curso a distância já propicia uma formação diferenciada, era nosso desejo trazer para o nosso curso uma experiência que de fato propiciasse outra forma de ensinar aprender artes visuais. A oportunidade surgiu em 2011 com a oferta de cursos de extensão para que os alunos pudessem por um lado, amealhar horas complementares exigidas pela UFG e em segundo lugar, enriquecer o repertório dos alunos com conhecimentos que não estavam no currículo

2 oficial. A variedade de cursos ofertados foi grande: "Rodando a Baiana": O Terreiro e suas visualidades; Comunicação: ferramenta para gestão escolar; Alquimia tintas naturais; As imagens que invadem as salas de aula: reflexões sobre cultura visual; Criação e Produção de Cartaz Publicitário; Educação infantil: história, desenvolvimento e ações educativas; Os locais da sexualidade e do gênero na arte/educação contemporânea; Popularização da imagem: entre a inspiração e a cópia; Processos de criação na gravura: Do Estêncil ao Digital; Sujeitos e Territórios: Um relato sobre a importância da arte-educação, numa perspectiva crítica, no cotidiano de crianças moradoras da periferia urbana; História da imagem: ampliando a história da arte; Filosofia da arte; Podcast: meio para processo de ensino aprendizagem; Moda e cinema: análise de figurinos aplicada ao estudo da história da moda; Fotografia: Técnicas e olhar com a câmera digital amadora; Criação de Movie Maker e sua aplicação em sala de aula. É aqui que as autoras desse texto entram no jogo: Leda Guimarães, na época coordenadora do curso, provocada pela tutora Joanna Penna, aceita a possibilidade de ofertar um curso de Second Life -SL. Não sabíamos ao certo qual seria o interesse dos nossos alunos/as uma vez que sempre reclamavam das dificuldades relacionadas a acesso e navegabilidade nas disciplinas regulares durante o semestre letivo. Além disso, a proposta em trabalhar um software em um curso de EAD em ambiente de aprendizagem AVA surgiu como um grande desafio, já que os cursistas teriam que ter como base um computador que pudesse fazer uma leitura mais fidelíssima do mundo virtual, no que se diz respeito ao visualizador. Esse visualizador teria que cumprir a função básica que era codificar nos espaços do SL o ambiente virtual as interfaces (paisagem, locais, pessoas, objetos, estruturas etc.). A configuração básica exigiu de cada computador um conjunto de características do sistema como placa de vídeo, processador, conexão a cabo e DSL, sistema operacional, memória que rodasse o simulador e uma rede¹. No entanto fomos surpreendidas pela alta procura por este curso o que demonstra que nem sempre a dificuldade se encontra nas operações de acesso e uso de ferramentas digitais. O curso Second Life Realidade Virtual: Educação e Pesquisa em um Mundo on-line - foi ofertado a duas turmas: a primeira de 05/01/11 a 05/02/11 e a segunda de 05/02/11 a 05/03/11. Cada turma teve o total de 14 vagas, separados por dois grupos de 7 (sete) alunos. Os alunos cursaram de forma paralela ao Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA, discutindo teoricamente cada conceito interligados ao SL, e de forma prática a partir de um treinamento oferecido pela tutora do curso e por um apoio técnico dentro do SL. (fig. 01). 2. Fundamentação teórica O Second Life é um ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano. Pode ser encarado como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social. O nome second life significa em inglês segunda vida, que pode ser interpretado como uma "vida paralela", uma segunda vida além da vida principal, real. Dentro do próprio jogo, o jargão utilizado para se referir à primeira vida, ou seja, à vida real do usuário, é RL ou Real Life que se traduz literalmente por vida real. Na atualidade educadores transitam no SL em busca de possibilidades educativas, em um espaço tido como segunda vida com perspectiva de transgredir com a realidade virtual apresentada. Este simulador virtual, ainda pouco explorado pedagogicamente, pode se constituir num extraordinário espaço pedagógico para o campo da arte/educação. O mundo apresentado é também criado por Avatares, característica da web 2.0, é um lugar com terra e céu, rios, mares, árvores, desertos, campos, florestas, chuvas, ventos, neve e outros elementos da natureza que existem no nosso mundo real, com dias e noites que podem ser manipulados, conforme a necessidade.

3 No SL as pessoas podem ter dois perfis; uma como avatar residente, e outra como pessoa do mundo real. A designação avatar vem de uma história complexa, porém, são assim reconhecidos no SL, porque se refere a um personagem que alguém assume em jogo virtual ou simulador. Os avatares são controlados por teclado e mouse de um computador, esse é a forma de interação e os comandos são diversos. Vida virtual - Treinamento. Da direita para esquerda, Nilva, Joanna (professora), Eliane primeiro plano, Brunna Madrigal (apoio técnico) e Adriana (de costas). O Marcos nesse momento caiu...rsrs! O curso pretendeu através das experiências práticas discutir questões relativas à web 2.0, aplicações de novas tecnologias na educação, sobre as tecnologias, o consumo dentro do conceito de modernidade líquida, e a vida virtual. A proposta uniu o Second Life a outro ambiente virtual o AVA em atividades colaborativas interativas e criativas, possibilitando um aprendizado e pesquisa no mundo virtual e ao mesmo tempo, buscou uma forma prazerosa aprender, nesse sentido, o alunado ao confronta-se com seu avatar no Second Life pode criar um processo de auto-aprendizagem. Para Matar e Valente (2007, p.84), essas novas tecnologias da Web estão redesenhando a educação, criando novas e interessantes oportunidades de ensino e aprendizagem, mas personalizadas, sociais e flexíveis. No mundo atual do metaverso meta e universo (Second Life), mostra um novo modo e uma nova forma de ambiente que se modifica em tempo real à medida que seus usuários vão interagindo com ele. Através dessas interações coletivas, há também a possibilidade dos alunos despertarem a capacidade de produzir novos conhecimentos, promovendo novas formas de experiências que se dá de modos diferenciados pelas interações uns com os outros. As novas formas de ensino/aprendizagem, estão abrindo um novo paradigma na educação tornando bastante interessante. Uma observação, é que o site da Second Life é todo em inglês, daí ocorre também a possibilidade do alunado estar pesquisarem para descobrir a definição das palavras. Além disso, pode vir a construir um glossário lingüístico. Contudo, as fronteiras vêm sendo quebradas, e o objetivo é tornar a aprendizagem mais participativa, motivada e dinâmica, induzindo os alunos, a maior capacidade de argumentação e liberdade de expressão. (Maria Neuma G. de Aguiar, aluna UAB 1- pólo São Simão -depoimento) ¹. Rede. Um grupo de equipamentos conectados de forma a transmitir informações entre eles e compartilhar recursos. Quando esta palavra iniciar com a maiúscula (Rede), estaremos nos referindo à internet. CAPISANI (2008.p.52).

4 Para Braga (2009) a realidade virtual é um dos ambientes mais poderosos propostos pela revolução da informática, devido à sua capacidade de envolver o usuário nas atividades dispostas. Inicialmente, os programas realidade virtual estavam voltados para jogos e entretenimento, rapidamente esses programas se adaptaram as funções pedagógicas. Figura. 01. Treinamento no Shopping Free Rock dos Avatares. Esmeralda, Dalmiron, Brunna Madrigal, Joanna Fav Eternal e Maria José. SL Procedimentos metodológicos A estrutura teórica norteadora do curso baseou-se no estudo experimental do metaverso; Second Life, e seus ambientes virtuais em 3D, museus, galerias de arte, universidades, como propostas mediadoras desses ambientes, com intuito de pesquisa e conhecimento. Os procedimentos metodológicos partiram da utilização do software, seu conhecimento básico, da utilização de recurso free do SL, locais como auditórium, infozone, scritórium, como também outros aplicativos free disponibilizados na web. A estrutura do curso dentro do ambiente de aprendizagem baseou-se na utilização dos recursos: fóruns de debates, fóruns de duvidas, fóruns de planejamento, fóruns de estudo de inventário, glossários com termos do SL, diário de bordo, galeria de videotutorial, além da utilização de softwares free, galerias de imagens (banco de dados), espaço de compartilhamento de arquivos (Acrobat), tradutor, utilização das mídias, áudios, vídeos, aulas gravadas e conteúdos audiovisuais (videoconferências), cada um dos recursos foram distribuídos em etapas diferentes do curso. O aluno tinha como roteiro uma agenda semanal de percurso que trazia as ações que aconteceriam no AVA e no SL. A imersão no Second Life, de acordo com AU (2008.p.9), é um termo vago, mas quer dizer exatamente isso: se o mundo do Second Life e dos Residentes é descrito como figuras em três dimensões no seu computador, com massa, textura e interação dinâmica entre a luz e sombra, e se os sons de dentro desse mundo são estereofônicos quando um Residente se aproxima pelas suas costas, você ouve seus passos abafados como se ele estivesse atrás de você -, a experiência toda é suficientemente realista para dar-lhe a sensação de envolvimento físico. Para que o aluno pudesse sentir-se envolvido e imergir no SL, o treinamento dos avatares foi tarefa primordial dentro do curso para utilização perfeita dos recursos do metaverso. O curso possibilitou discussões e construção colaborativa do conhecimento, a

5 partir dos estudos em buscas de alternativas problematizadas em grupo para a efetivação do aprendizado. A agenda de percurso norteou os passos dos alunos tanto no mundo virtual, quanto no AVA, os alunos tiveram que se cadastrar no site oficial do Second Life¹ e descer (instalar) o software free, a partir de videostutoriais construídos para o curso. Um passo importante, foi o fórum de estudos do inventário, bem antes de adentrar no SL, esse fórum de forma de tutorial básico, ofereceu visualmente os passo-a-passo para utilização do menu que dispunha as ferramentas do SL, que seriam acessados durante toda a navegação. Esse painel do menu é distribuído por várias funções, como por exemplo guia de destinos, mapa-mundi, minha aparência, residências liden, meu painel, guia rápido etc. A função meu perfil apresenta a identidade do avatar real e virtual (residente), com possibilidades de fotos no perfil real e virtual. A abas do menu também disponibiliza o ícone, pessoas, onde tem funções de localizar, adicionar, mapear, e identificar os grupos que estão aderidos. O menu também disponibiliza um ícone do inventário, que são separados por pastas arquivos, que se subdivide em outras pastas. Essas pastas guardam tudo que é do residente, praticamente uma biblioteca que contém separados por pastas objetos, roupas, animações, parte do corpo (configurações de seu avatar), cartões (calling cards), gestos, álbum de fotos, scripts, sons, e um dos mais importantes, landmarks; pontos de referencias, à uma marcação tridimensional, um acesso fácil a um local exato no mundo. Ambiente virtual de Aprendizagem do Curso de Licenciatura em Artes Visuais Pagina do curso de Second Life O aluno aprendeu como utilizar esse menu, bem como na parte teórica fundamentos oferecidos pelo fórum e depois na parte prática quando estava dentro do simulador. A parte teórica foi oferecida e discutida nos fóruns no AVA, com fóruns de discussão, agendamento de tarefas, leitura, vídeos, etc. A parte prática foi feita dentro do SL, por um apoio de um suporte técnico uma avatar convidada para dar esse treinamento. (fig.03). ¹. Site oficial:

6 Figura 02. Imagem: Mundo Virtual. Treinamento no SL. Bruna Madrigal. No primeiro plano avatares, Joanna Fav Eternal, da esquerda para direita Margarida, Esmeralda, Brunna Madrigal, e Maria Neuma. SL A avatar Bruna Madrigal de nome real (Fabiana Siqueira) residente do SL desde 2009, é designer formada pela Universidade Federal de Goiás e foi convidada para participar do curso, pois sabia explicar de forma fácil os recursos e locais de treinamento. Juntamente com a tutora Joanna Penna (avatar Joanna Fav Eternal), Brunna Madrigal forneceu apoiou na parte técnica já que a quantidade de alunos era grande. O nascimento de cada avatar no SL aconteceu paulatinamente, foi uma experiência parecida com um nascer de novo, e com muitas expectativas, tanto da parte dos professores tutores, quanto dos alunos (a). O mais interessante é que o nervosismo foi geral, todos (as) os alunos (as), no começo se perdiam, não controlavam seus avatares, caiam (desconectavam) apertavam botão errado, perdiam os cabelos, as roupas do corpo, parte do corpo, houve de tudo, mais o treinamento foi importante, pois explicou o básico para que cada um pudesse controlar seu avatar para seguir com curso. No dia 17 de fevereiro das 22 às 23h (horário do MS), estive juntamente com a Bruna Madrigal e a professora Joanna Penna, realizando um treinamento no SL, já cheguei caindo... mas tudo bem, tudo que é novidade é necessário adaptação, na aula aprendemos a nos locomover através de setas, nos comunicar teclando ou falando, ampliar uma imagem para ser melhor observada, desviar de avatares e finalizamos o momento comprando um objeto e localizando em nossas pastinhas. Gostei muito desse universo é lúdico e divertido a interação e fantástica, até parece que realmente estamos lado a lado estudando, gostaria muito de transpor esta prática para a sala de aula para a escola. Marcos de Oliveira Monteiro (2011. SL). Dentro do SL criamos um grupo (fig.04), que deu total liberdade para discutirmos questões em off sem o acesso de outros residentes em espaços públicos. O grupo foi registrado como grupo de pesquisa EAD/FAV, e teve como integrantes os alunos(a) de duas turmas de janeiro e fevereiro fato esse que comprova o interesse pela experiência proposta. Como primeira experiência utilizando um ambiente virtual para estudo e aprendizagem, posso afirmar que uma das vantagens é a forma descontraída de proporcionar a aprendizagem para os alunos, além de ser um ambiente muito utilizado pelas pessoas. Por ser um recurso virtual e em 3D o Second Life, proporciona uma interação entre os participantes, o que torna a aprendizagem mais significativa para o aluno, uma vez que simula aspectos da vida real e permitindo que ele vá além

7 de uma simples imitação, de forma mais criativa e inteligente, o que é uma característica do metaverso. Ainda o SL permite que os alunos participem de cursos, e se relacionem com outras equipes de pesquisadores ou estudantes de várias instituições, de forma online, cada qual num lugar diferente, como na EAD. Mesmo com tantas possibilidades de uso do SL na educação, muitos são os desafios para sua aplicação, posso citar a princípio acesso a Banda Larga, problemas com placa de vídeo, receio de novidades, interface que assusta no começo, etc. (depoimento Magna E. F. L. Veloso - aluna da turma UAB 1 pólo Cezarina) A função do grupo foi primordial, pois cada vez que um participante logava¹, qualquer pessoa do grupo sabia e podia ir até o avatar, da mesma forma, foi possível que nas atividades individuais dos avatares eles pudessem se encontrar nos mesmos locais e conversar sobre as experiências em off. A proprietária do grupo Owner foi Brunna Madrigal, (apoio técnico) ela pode abrir o grupo pois já era residente antiga no SL, trabalhava e morava, nesse sentido, podia abrir o grupo também porque ganhava a moeda liden. O gerenciamento ficava por conta da tutora Joanna Penna, pois ela administrava o grupo nos encontros; nas reuniões, atividades etc. A criação do grupo custou L$ 100 lidens dollares, moeda do simulador. Os convidados são chamados de Everyone e com função limitada, no caso cada aluno (a) era um Everyone. Figura. 03. Inventário. SL Em nenhuma ocasião o curso teve objetivo ou intenção de incentivar os alunos (as) ao consumo pago por lidens dollares dentro do simulador, até porque, essa transação de cartão no SL é bem complexa, e as discussões sobre o consumo dentro da modernidade líquida era nosso alvo de debate nos fóruns. Porém, as discussões não deixavam de ver que a realidade apresentada como ato de consumir está relacionada a toda a sociedade, tendo como grande problemática a banalidade entre o fetiche e a necessidade. Para tanto, a maioria dos alunos (a) chegaram a conclusões sobre o SL de que o modelo fordista também está presente no mundo virtual.

8 Figura 04. Imagem: Box Inventário do SL. Box do Grupo de Pesquisa O treinamento dos avatares começou no ambiente AVA e terminou no Second Life, as funções básicas foram ensinadas, como andar, pular, sentar, movimentar objetos, voar, vestir, editar corpo, teletransportar, usar controle de mídias; reprodução, pausa, ajuste de volume, de áudio e vídeo em stream. Utilização do chat, bate-papo por voz, utilização de gestos básicos, controle de movimento do avatar; girar, rodar, utilização de câmera; zoom, modificar ângulos, etc. Todo treinamento estava previsto para que o avatar pudesse posteriormente participar das aulas e das ações dentro so Second Life já planejadas. A função ler, por exemplo, foi fundamental, pois a dificuldade era utilizar dois recursos para tal.

9 Figura. 05. Paris Art. Noite. Alunos na Ação Educativa ao ar livre. SL No primeiro plano, avatares: Brunna Madrigal. No segundo Plano: Alunos (a) do curso e Joanna Fav Eternal (de branco). Em Paris Art, um de nossos percursos e parada principal, foi visitar as galerias de arte, a maioria particular. O portão de entrada foi na velha ponte com piso de madeira datada de 1891 com detalhes Art Nouveau sobre ferro do corrimão. (fig. 05). A entrada foi planejada para que chegássemos durante a noite, sendo que no SL o horário pode ser alterado conforme a necessidade. Como estávamos conectados às 23h horário de Brasília, nada mais que um ar de Paris na noite, com direito a foco de luz. Logo na entrada, buscamos um a um os avatares a partir do mapeamento do grupo de pesquisa, cada um que ia conectando no SL, íamos buscando para o local da aula. Paris remete ao glamour até mesmo no SL, logo na chegada a musica no ar tocava Billie Holiday, Louis Armstrong e outros. O ritmo (blues/jazz) dava um ar de época ao local. A arquitetura Art Nouveau foi nosso conteúdo básico para a acão ao ar livre, tanto como também o mobiliário, os vitrais e diversos motivos decorativos e ornamentais. Uma das paradas foi o Artchoo uma galeria no centro que dispunha de um mapa visual de toda a cidade; esse mapa trazia detalhes para os visitantes. Nessa mesma galeria, os alunos (as) puderam ler pela primeira vez uma revista de fotografia e um livro de cartuns com algumas celebridades, na ocasião, identificamos cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Frank Sinatra e outros. Todos os avatares ficaram surpresos ao ver um livro que trazia também cartuns de brasileiros. Estávamos mesmo sentindo Paris na pele. Que sensação de descoberta e deslumbramento. Como já vivenciado em disciplinas do curso, o exercício etnográfico não poderia ser esquecido. A cada local visitado os alunos (a) tinham que anotar e guardar o marco do local para visitas posteriores com mais calma. Além disso, tinham que postar no Diário de Bordo do ambiente Ava, fotografias com os devidos relatos da visita. Esta é uma tarefa que exige muita habilidade e esforço por parte dos aprendizes. No diário de bordo de 6 de março de 2011 a professora Joanna comenta com a aluna Magna: Estou surpresa com você, que fotos maravilhosas você tirou dentro do SL, agora já destaca-se como fotógrafa... muito boas... seus closes, não é nada fácil tirar foto lá de nós mesmos, afinal temos que girar muitas câmeras para conseguir ter sucesso. Esse constante diálogo e registro permitiram ver as deficiências em relação à parte técnica do curso, as reflexões, os medos e as expectativas que cada local visitado gerou nos alunos (as).

10 As galerias de Paris traziam muito luxo e muitas obras para venda, ninguém conseguiu comprar nada, não havia quadros free, (zero lidens). No entanto a parte mais importante foi o contato dos nossos cursistas com obras de vários estilos artísticos o que permitiu discussões e comentários a respeito da variedade de linguagens artísticas. Era visível admiração pelas galerias e podemos dizer que a curiosidade era o guia condutor da aprendizagem. A expressão mais utilizada pelos alunos (as) era fantástico e o estado de encantamento não deixava ninguém ir embora, se perdia a noção de tempo e quando percebíamos já era quase uma da manhã. Mas afinal, estávamos em Paris e tínhamos que aproveitar. Figura. 06. Paris Art. Aula ao ar livre sobre as galerias e museus de Paris. Primeiro plano Avatares: Brunna Madrigal, Keliane, Esmeralda, Margarida, Maria Neuma, Eduardo e Joanna Fav Eternal. SL Outro local que visitamos foi uma tumba (fig.07) bem no centro da cidade. Essa experiência foi bem diferente, alguns acharam o local inóspito, escuro, sombrio, arrepilante, ficava no subsolo numa praça rotunda. A tumba em homenagem a um cavaleiro medieval seguia toda característica de época. Para se chegar a tumba descemos uma escadaria no subsolo abaixo do nível do mar, mergulhamos entre as águas até chegar a uma espécie de galerias que lembrava um labirinto com várias entradas de arcos estilos gótico. Todos sentiram na pele Paris em dois tempos diferentes, o cultural e histórico; isso visualmente era muito claro entre o Gótico e o Nouveau. Na tumba uma das entradas nos levava a uma belíssima fonte com uma escultura gigantesca de um cavaleiro medieval e sua espada, dando uma impressão que ele a arrancava de uma pedra. Cada um cursista estabeleceu relações entre os filmes e literaturas que menciona tal gestualidade.

11 Figura. 07. Ação Educativa em Paris. Tumba de um Cavaleiro Medieval. SL Em primeiro plano avatares, Brunna Madrigal, Eduardo, Maria Neuma, Esmeralda, Joanna Fav Eternal e Margarida. Nessa mesma tumba, nosso passeio pretendia chegar à biblioteca também no estilo Gótico. Entre as entradas labirínticas do local, por segundos nos perdemos e a sensação do real e do virtual nos confundiu por segundos, o medo de perder o rumo, e o medo de encontrar o que desconhecemos foi geral. O aluno Eduardo Victor relata que Dentro da tumba foi muito estranho, um lugar cheio de "fantasmas" e bem sombrio. Havia uma sala como caveiras por todos os lados. (2011. SL). A biblioteca tinha livros muito antigos e a noção de empoeiramento era quase real, de desgaste de tempo sobre as madeiras das mesas e das estantes de livro. Alguns alunos (a) conseguiram abrir alguns livros, mais não conseguiram ler porque não estavam em português. Alguns locais do SL oferecem note card, com descrições, dados, porém a maioria tem que ser traduzidos posteriormente. Figura. 08. Ação Educativa ao ar livre. Paris Arte. Chá no final do passeio. Bistrô. SL Avatares: Esmeralda e Brunna Madrigal. Na mesa a direita de costas, Maria Neuma, ao lado esquerdo Margarida, Eduardo e Joanna Fav Eternal.

12 Depois da experiência mais tensa no final da ação educativa em Paris, terminamos nosso passeio conversando e tomando um café em um Bistrô, (fig. 08) no centro da cidade, perto do porto. A satisfação era como se estivéssemos lá mesmo, até no cardápio houve discussões e preferências. Já era bem de madrugada, e os alunos (a) não queriam ir embora, na conversa o que deu certo, o que não deu as caídas de internet, os lags, o bugs, tudo isso superado pela beleza e o encantamento sobre a cidade de Paris, a frase mais ouvida foi valeu a pena!!! Outra ação educativa aconteceu dentro do Primtings Museun, o museu apresenta versões em 3D de obras de artistas como Picasso, Hopper, Van Gohg, Rembrandt, Rene Magritte, George Bellows, Damien Hirst, Marcel Duchamp, David Hocney, Kasimir Malevich, dentre outros. O estudo foi bem interessante com os alunos (a), já que as versões das obras dispunham de uma parte bem interativa, fator importante para cada avatar dos alunos (a) praticarem os recursos do SL. A maioria das obras podia ser tocada, manipuladas, acessadas, a interação podia ser completa até entrar em algumas e participar da cena. Figura. 09. Ação Educativa no Primtings Museum. SL Versão em 2D da obra do artista surrealista Salvador Dali. Versão em 3D Voodoo Shilton Avatares: Eduardo e Keliane. Uma obra que chamou bastante a atenção nesse sentido foi o trabalho de Salvador Dali, na versão em 3D do autor Voodoo Shilton Persistence of Memory (persistência da memória). Alguns alunos (as) resolveram entrar na obra e participar como mais um elemento que contribui para a leitura da obra. (fig. 09). O interessante após a inserção dos corpos dos avatares, a obra tomou outro sentido, outra roupagem por ser também em 3D, ouviu-se até mesmo o barulho dos relógios; o tic-tac, e cada avatar, sentia uma vontade de rir pela forma que cada um foi puxado e acoplado na obra para interação. Outra obra que também despertou comentários foi a obra de Edward Hopper, na versão em 3D. As alunas Magna Eutímia e Adriana Vieira com seus avatares participaram da obra Hopper tentando ocupar os espaços das figuras originais no bar-café. A obra do artista passou a ser um desafio pessoal para fazer o espaço como evocativo e imersivo como possível. Sobre a obra do Hopper a aluna Esmeralda Maria da Silva em seu diário bordo cita, Depois de muito andar, me perder e cair no vazio resolvi sentar para descansar e ir embora (2011. SL). É justamente esse sentimento que o artista trabalha: o do vazio das multidões. Para Bauman (2001) o vazio do lugar está

13 no olho de quem vê e nas pernas ou rodas de quem anda. Vazios são os lugares em que não se entra e onde se sentiria perdido e vulnerável, surpreendido e um tanto atemorizado pela presença de humanos (p.122). Olá Joanna realizei minhas Pesquisa individual nos locais determinados: Parque AMUSEMENT PARK JUMP SCOOTER; Riverwalk Cliffhouse Arts and Atraction e FREEBie Galaxy. Apesar de ser um exercício solitário, gostei muito e gastei três horas excursionando pelos lugares indicados. Gostei de tudo, das galerias das flores, das exposições e da cidade medieval e principalmente da oportunidade de ir de uma região para outro no Riverwalk Cliffhouse Arts and Atraction. por Magna Eutimia F. Lacerda Veloso - sábado, 5 março 2011, 22:58. Re: DIÁRIO DE BORDO SOBRE SL O Primtings Museu foi um local que os avatares puderam experenciar a aprendizagem de arte de uma forma sensorial sobre outra roupagem, de versão 2D para a 3D e fazer uma viagem no tempo uma vez que o local reúne obras das obras mais clássicas as mais contemporâneas. Bem diferente daquela visão de alunos sentados em frente ao professor(a) que luta para prender a atenção dos mesmos com as aulas expositivas, mesmo que usando ferramentas como o data show e programas como o Power Point. Na agenda de percurso, nosso roteiro também se deu em visitas a Universidades e instituições como o Sebrae e a Ilha da Educação, ambos com espaços no SL de altíssima qualidade na estruturação. O Sebrae nos disponibilizou gratuitamente o Auditórium, (fig.10) onde tivemos uma aula apresentada em projeção (fig.10), relacionado ao projeto do profº. Rodrigo Gecelga, especialista em EAD e mestre em engenharia de produção, com um estudo sobre a EAD e o Second Life e suas possibilidades e desafios no ensino-aprendizagem, um material de estudo para nossas discussões no fórum também no AVA. Além desse trabalho do Gecelga, disponibilizamos uma edição da revista eletrônica do Sebrae Conhecer Sebrae, com temas ligados a EAD e ao Second Life. A proposta era discutir a educação 2.0 e uma evolução do conceito de Ensino a Distancia (EAD). O Sebrae investiu em uma plataforma dentro so SL bastante eficiente e com um visual bem Hi Tech, com tecnologia de ponta, uma estrutura que disponibiliza on-line cursos multimídia, criação e armazenamento de conteúdo, com salas de aula, auditórium, lanchonetes, espaços de convivências, jardins, espaços de treinamentos, salas de vídeos e áudios, bibliotecas, longe e outros, é conhecida como Ilha do Empreendedor, com 65 mil metros quadrados inaugurada no 6 de maio de

14 2008 no SL. Alguns alunos (a) ficaram interessados e voltar e ver a programação dos cursos oferecidos pelo Sebrae no SL. Outro local importante que também estava dentro do nosso roteiro foi a Ilha da Educação que apresenta um formato bem parecido com o do Sebrae, com algumas novidades como espaços para shows violão e voz, passeio de balão, um auditórium no formato de oca, bem interessante, além de kits gratuitos, camisetas, note cards, e outros. A ilha oferece também cursos e espaços para reuniões. Os alunos (a) visitaram a ilha individualmente para pesquisa e com intuito de ver as possibilidades de aprender a partir dos recursos oferecidos gratuitamente como landmarks para acessos aos objetos de aprendizagem. A Ilha da Educação, lugar muito bonito, e aprendi que de lá mesmo podemos acessar a internet, e pesquisar sobre a Educação dentro do SL. Nilva Salvadora (2011. SL). (fig. 11). Figura. 10. SEBRAE. Aula no Auditórium. SL Apresentação data show da pesquisa do professor Gecelca sobre o Second Life e o Ensino a Distancia. Primeiro plano avatares: Joanna Fav Eternal. Terceiro plano: Esmeralda, Eduardo, Brunna Madrigal, Keliane e Margarida. Figura. 11. Pesquisa na Ilha da Educação. Alunos do curso. SL Da direita para esquerda avatares: Keliane, Margarida e Eduardo. No roteiro do curso visitamos a Campus da Northwestern College Michigan NMC, e o seu complexo incluindo o Museu Aho que apresenta regularmente exposições rotativas a partir de uma variedade de artistas. Fora do museu no espaço aberto, acontece uma seleção de esculturas, e adjacente a ilha Ars Simulacros é palco para o trabalho de muitos artistas NMC. Os participantes do curso puderam ver o que tem de mais avançado em projetos de arte com a utilização das tecnologias, obras bem contemporâneas, como instalações, objetos interativos e não interativos, pinturas no campo expandido, site especific, esculturas, videoartes, e outros. A interatividade com as obras foi o que mais chamou de todos. É de fato uma experiência fascinante. A primeira universidade brasileira a ter um campus no SL, foi a Universidade Anhembi Morumbi em maio de 2007, no seu campus experimental virtual, os estudantes puderam conhecer de perto as profissões para as possibilidades de carreira. No final do curso, no ultimo dia fizemos um passeio mais descontraído visitando uma praia na Bahia, ensinamos os alunos (as) com seu avatares, a surfar, nadar, dirigir Jet Ski e lancha, pilotar helicóptero, voar de asa delta. Vivenciamos até mesmo a experiência de bronzeamento tudo com muito prazer e com direito a roupa de banho e filtro solar. À tarde visitamos alguns pontos turísticos como a Ilha Brasil, Copacabana Rio de Janeiro, com direito a passeio no bondinho e de um bom barzinho na praia. Outro local interessante foi um parque de diversões totalmente diferente do convencional - Amusement Park Jump Scooter; Riverwalk Cliffhouse Arts and Atraction, as muralhas da China, os jardins de Da Vince, Egypt 2, e outros locais, tudo isso em três horas. É bom lembrar que o curso durou apenas um mês e mesmo tempo no espaço virtual é sujeito a regulações.

15 Refletindo sobre a experiência Acreditamos que essa primeira experiência de um curso de SL não foi suficiente para que os alunos (a) pudessem ter mais segurança com o metaverso, e até mesmo conhecêlo. O tempo do curso foi muito curto, praticamente dentro do SL eles ficaram 15 dias. Muitas propostas surgiram como, por exemplo, de darmos outra etapa para eles que já haviam iniciado e um seqüencial que pudesse aprofundar mais nas discussões e interações com os recursos oferecidos pelo simulador. O que eles aprenderem foi o básico de sobrevivência. Também após o curso foi disponibilizado uma agenda de roteiro pós-curso, onde mapeava alguns locais que eles pudessem por conta própria visitar para conhecer e pesquisar. A agenda foi disponibilizada no AVA. Esses cursistas tiveram oportunidade de enfrentar desafios da tecnologia, de conteúdos de história da arte já oferecidos, mas pouco aproveitados nas disciplinas regulares, de conhecer contextos de educação diversificados, de lazer, de sociabilização e de muita responsabilidade pela aprendizagem de cada um e de todos. Hoje temos notícias de uma aluna que está lecionando no Second Life, dando aulas particulares de português a jamaicanos, é bem recompensador, saber que esta aluna, nunca havia entrado em nenhum jogo on line, e por ser merendeira da escola onde trabalha, tem outra perspectiva de mundo e das possibilidades de aprender a partir da tecnologia e dos jogos e ou simuladores virtuais. Nos resultados foi possível aos alunos através dessa experiência uma reflexão as novas formas de ensino/aprendizagem e a quebra de novos paradigmas na educação on line. Encerramos esse relato com a esperança de que essa experiência possa se expandir uma vez que ao que tudo indica a presença da EAD nas instâncias de ensino superior é irreversível. Resta saber se vai levantar vôos ou se vai continuar reproduzindo o que já existe. Referencias: AU, Wagner James. Os Bastidores do Second Life: notícias de um novo mundo. São Paulo: Matrix, CAPISANI. Dulcimira. Educação e Arte no Mundo Digital. Dulcimira Capisani (organizadora). Campo Grande, MS. AEAD/UMFS, FERRAZ, Paulo. Second Life Para Empreendedores: como iniciar sua segunda vida e ganhar dinheiro real no mundo virtual. São Paulo: Novatec Editora, MATTAR, João. VALENTE, Carlos. Second Life na Web 2.0 na Educação: o potencial revolucionário das novas tecnologias. São Paulo: Novatec, Sites: 9ae3-c3f9349a10f6.aspx Capturado em 17/01/2011 Capturado em 26/11/2010

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