Estratégia. em Supply Chain. LOGÍSTICOS NO BRASIL Um mapa dos condomínios logísticos e suas principais características. LOGÍSTICA

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1 LOGÍSTICA SUPPLY CHAIN MANAGEMENT N O 39 ANO VII MARÇO & ABRIL 2014 R$25,00 editora OPINIÕES Condomínios logísticos Por Alex Cecolim Política Econômica e Logística Por Paulo Guedes Cadeia de Suprimentos: Desafio do Varejo Por Edgard Liberali Filho Imprevisibilidade de demanda Por Alexandre Gonçalves ISSN Estratégia em Supply Chain Como o Supply Chain pode ser fonte de vantagem competitiva e transformar seu negócio? Por Cadu Nascimento e Cassio Azevedo Como manter a eficiência do Supply Chain em mercados emergentes? Por Aakash Deep, Craig Rawlings, Ganesan Ramachandran e Roque Cifu GUIA DE CONDOMÍNIOS LOGÍSTICOS NO BRASIL Um mapa dos condomínios logísticos e suas principais características. e mais: O desafio logístico num ano de Copa do Mundo Fórum Martins de Logística 2013 Integração e colaboração na cadeia de suprimentos Logística Reversa do pósvendas no e-commerce de um varejista Colunas: Gestão em Foco, Carreira em Foco e Supply Chain Council

2 edição 39 ano VII março & abril :: Como o Supply Chain pode ser fonte de vantagem competitiva e transformar seu negócio Você possiu uma estratégia de supply chain? Como criá-la? Como desenvolvê-la? Por: Cadu Nascimento e Cassio Azevedo 36:: Como manter a eficiência do Supply Chain em mercados emergentes? Algumas ideias sobre o que pode ser feito para manter a eficiência das cadeias de suprimento com foco em mercados emergentes. Por: Aakash Deep, Craig Rawlings, Ganesan Ramachandran e Roque Cifu 48:: Guia de Condomínios Logísticos no Brasil Um mapa dos condomínios logísticos e suas principais características. 10:: O desafio logístico num ano de Copa do Mundo Quais serão os principais desafios da logística no ano de 2014? Por: Celso Peyerl 18:: Fórum Martins de Logística 2013 Saiba como foi o Fórum Martins de Logística de 2013, que tem por objetivo compartilhar informações entre os profissionais da área. 22:: Coluna Supply Chain Council Os 5 principais desafios na gestão do Supply Chain Por: Joseph (Joe) Francis e Élcio Grassia 24:: Adequando-se à imprevisibilidade de demanda Determinando de forma mais adequada qual a estratégia adotada para atender a demanda de forma mais apropriada e eficiente. Por: Alexandre Gonçalves 42:: Coluna Carreira em Foco Fugir da concorrência! Como encontrar oportunidades nunca anunciadas? Por: Antonio J. Ornellas 66:: Logística Reversa do pós-vendas no e-commerce de um varejista Conheça o funcionamento dos processos de logística reversa de pós-venda utilizados no e-commerce de uma rede varejista. Por: Juliana Pontini e Raquel Janissek-Muniz 80:: Coluna Gestão em Foco No limite do caos Por: Donald Neumann 82:: Integração e colaboração na cadeia de suprimentos Exercitando a visão colaborativa e integradora entre os diversos atores da cadeia de suprimentos. Por: Helio Meirim 84:: A Política Econômica e a Infraestrutura Logística Uma avaliação crítica sobre as consequências que a falta de investimento no setor de logística pode trazer. Por: Paulo Guedes 88:: A Cadeia de Suprimentos e o Constante Desafio do Varejo A logística deve garantir processos eficientes que sustentem as vendas, já que não pode resolver todos os problemas que causam a ruptura. Por: Edgard Liberali Filho 92:: Condomínios logísticos Flexibilidade de expansão e compartilhamento de custos para operadores. Por: Alex Cecolim

3 :: artigo O desafio logístico num ano de Copa copa do mundo Mundo Imagine na Copa! É provável que todos já tenham falado ou ao menos ouvido essa expressão uma dúzia de vezes desde que o Brasil foi anunciado como país-sede da Copa de A preocupação não é sem fundamento. O histórico longínquo e recente do Brasil demonstra que as coisas são feitas de última hora, de qualquer jeito e a qualquer preço. É como se existisse uma mensagem subliminar que (usando um trocadilho infame para momento) aos 45 minutos do segundo tempo, o juiz mandará levantar a placa com os minutos de acréscimo necessários para que o País resolva todos os problemas. Em 3 de junho de 2003, 11 anos antes da Copa do Mundo, o Brasil oficializou a sua candidatura a sede. Após visitar quatro estádios brasileiros, Maracanã, Morumbi, Mineirão e Beira-Rio, o presidente da FIFA, Joseph Blatter enfatizou em abril de 2007 que o Brasil não tinha nenhum estádio em condições de sediar a Copa. Meses antes o então presidente Lula havia dito que o Brasil precisaria de 12 novos estádios. *1 Em 30 de outubro de 2007 o Brasil é confirmado como país-sede da Copa do Mundo de O que mudou desde então? Depois de longos seis anos. Não falemos apenas de estádios ou da infraestrutura diretamente ligada a eles e necessária para acolher o evento, como centros de comunicação, treinamentos de segurança e tantos outros. Pensemos especialmente na mudança tão necessária de mind set que poderia ter ajudado o País a preparar-se de maneira adequada para o Celso Peyerl Formado em Filosofia e Ciências da Computação. Possui pós-graduação pela Fundação Getúlio Vargas (FGV SP). Atua há mais de 10 anos em empresas de bens de consumo líderes em seu segmento, onde tem contribuído de maneira decisiva para o aperfeiçoamento do negócio. Liderou projetos na América Latina, EUA e Europa. É professor de cursos de pós-graduação em logística e palestrante em eventos nacionais e internacionais. Atualmente é o diretor de Supply Chain do Grupo L Occitane do Brasil. 10

4 evento mundial, de modo que os benefícios fossem permanentes para a população e para o País em termos de investimentos em infraestrutura. O Brasil teve a oportunidade única de prepararse de maneira exemplar, investindo de forma a mudar radicalmente a infraestrutura do País. Isso traria um resultado de médio e longo prazo bem maior que o sexto título mundial. A tendência é dizer que a oportunidade está sendo mal aproveitada e que, possivelmente, nos restará apenas a fútil alegria de erguer a Copa. Isso caso nossos coirmãos portugueses não estraguem a nossa festa com o atual melhor jogador do mundo, o Cristiano Ronaldo. Ou mesmo os hermanos argentinos ou a Alemanha que desponta como favorita. E qual é o desafio logístico num ano de Copa do Mundo? Olhando para alguns pontos importantes da logística, este artigo não tem a pretensão de esgotar o assunto. Ao contrário, é apenas um embrião para uma discussão mais profunda e saudável. O texto navega pelos aspectos logísticos atualmente mais evidentes e procura contribuir com dados e opinião mostrando nossa realidade. Apresenta também uma análise com fontes oficiais sobre a situação dos investimentos em infraestrutura ao mesmo tempo em que tenta colaborar com ideias e insights sobre o assunto. LOGÍSTICA DE PASSAGEIROS Talvez esse tema seja um dos que mais preocupa a organização do torneio, a situação dos aeroportos. Todos nós assistimos diariamente a reportagens e mais reportagens sobre as longas filas nos balcões de check in, além dos atrasos nas chegadas e saídas de voos. Caos diário provocado pela falta de espaço físico para acomodar passageiros e bagagens. O Brasil recebeu pouco mais de 6 milhões de turistas em 2013, recorde histórico. Número 17% menor que o esperado para 2014 e, grande parte dele concentrado nos meses de junho e julho durante o mundial. Não temos histórico positivo em planejar e executar eventos com grande concentração de pessoas. A Jornada Mundial da Juventude está aí para nos lembrar disso. O número de viajantes internos mais que triplicou desde O acesso de milhares de pessoas aos voos, seja pelo baixo custo das passagens, seja pelo crescimento econômico de uma camada importante da população, deve ajudar a tornar o cenário dos aeroportos Talvez esse tema seja um dos que mais preocupa a organização do torneio: a situação dos aeroportos. ainda mais complicado. De acordo com documento oficial do Conselho Nacional de Turismo *2 o Brasil apresentava o seguinte cenário em 2011: carência de planos diretores de turismo em Estados e Municípios; ausência do estabelecimento de padrões mínimos para os cursos, que possam incorporar a demanda de empresários, trabalhadores e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do turismo; carência de infraestrutura básica (acessibilidade, mobilidade urbana, saneamento); carência de infraestrutura turística (sinalização turística, equipamentos receptivos, centros de convenções e feiras, terminais de passageiros e atracadores, infraestrutura aeroportuária e aeronáutica); limitação de oferta aérea e rodoviária, face à falta de infraestrutura; precariedade dos terminais; falta de integração entre modais; falta de interconectividade da malha aeroviária doméstica x internacional; excesso de movimentação nos principais aeroportos; condições das vias; (nota do autor: apontado no documento como uma fraqueza); Imagem Brasil (insegurança). É difícil ser otimista e olhar para os pontos anteriores e crer que eles evoluíram na qualidade e velocidade necessárias para o atendimento da demanda que o Brasil tem, seja para a Copa, seja para manter o País funcionando de forma competitiva. Até dias atrás falávamos da carência de oferta de voos para várias cidades (ex.: Manaus) e o quanto isso estava inflacionando o preço das passagens. As companhias aéreas vivem anos difíceis e a Copa do Mundo pode ser o viés da navalha para melhorar as margens corroídas. Para evitar o exagero nos preços de passagens aéreas, o governo acaba de anunciar* 3 o aumento de oferta de voos. É verdade que o efeito nos preços já pode ser sentido de imediato (veja box), mas é verdade também que isso deve provocar um aumento ainda maior da demanda sobre a infraestrutura local dos aeroportos já saturados e que, provavelmente, não irão suportar o altíssimo fluxo de passageiros. Exemplo disso é Cuiabá que deve ter um aumento médio de 48% durante o período dos jogos. Fala-se em construir um terminal provisório de lona segundo a 11

5 ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann *5. Mas isso não é exclusividade de Cuiabá, Fortaleza deve seguir o mesmo caminho.* 6 No documento do Ministério do Turismo de 2011, já era citada a Precariedade dos terminais como uma das fraquezas do Brasil para o quadriênio Ao que tudo indica, o documento apresenta um bom diagnóstico da situação, mas as ações, geralmente provenientes de análises dessa natureza, parecem que não tiveram ressonância. Vivemos um cenário de infraestrutura obsoleta fruto de anos de descaso e esquecimento que agora precisa renascer das cinzas. Isso deveria ser feito de maneira planejada e com forte investimento em portos e aeroportos e não com o famoso jeitinho brasileiro. A famosa gambiarra. Estarmos presos a, praticamente, somente um canal para o transporte em massa para grandes distâncias, o aéreo. Num país continental como o nosso, onde poderíamos utilizar como alternativa o deslocamento ferroviário entre algumas capitais, particularmente no SE, isso não é possível. Erros estratégicos, mesmo no passado mais recente, nos forçam a utilizar somente o transporte aéreo, sem possibilidade de desafogar este modal. Eu imagino que durante a Copa teremos uma mudança de hábito das pessoas. O viajante interno, já escaldado pela rotina caótica dos aeroportos, provavelmente evitará viajar durante o período dos jogos. Decisão sensata. É provável que deixem as viagens para depois da Copa, uma vez que antecipar as coisas não é muito comum na nossa cultura. As próprias empresas devem refazer seus calendários internos evitando viagens de negócios durante esse período. Não devem expor os seus executivos de maneira desnecessária, seja pela complexidade da situação, seja pelo aumento do risco que situações como essa representam. Executivos de grandes empresas estão antecipando o calendário de negócios de 2014, tentando ganhar o jogo no primeiro semestre. Alguns acreditam que o fechamento de negócios deve diminuir bastante durante o torneio. Se for assim, do ponto de vista dos negócios, 2014 terá o ac e o DC (Antes e Depois da Copa). Oficialmente ainda não foi decretado nenhum feriado, mas é certo que as empresas de um modo geral liberarão os funcionários ou mesmo não terão expediente nos dias de jogos do Brasil. Isso está assustando muitos empresários que terão a produtividade de suas empresas afetada. Existem várias estimativas para o tamanho do prejuízo. Não é possível precisar qual realmente será o montante.* 7 Pelos anúncios de investimentos já feitos (e os que ainda serão) não deveremos ter problemas com o aluguel de carros. As ofertas dos grandes players foram aumentadas, o que deve gerar equilíbrio entre oferta e demanda. O mesmo não se aplica para a sinalização de trânsito em língua estrangeira que é praticamente inexistente nas entradas e saídas das cidades. LOGÍSTICA DE MATERIAIS CARGA AÉREA Com menos de 1% de participação na matriz de transportes do Brasil, o transporte aéreo de cargas ao mesmo tempo deverá sofrer um enorme impacto, mas representando um pequeno potencial ofensor na matriz como um todo. O transporte de cargas está longe de ser a primeira prioridade das empresas aéreas. Muito antes vêm os passageiros e suas bagagens entre outros tantos que cortam a frente da carga. Durante o período dos jogos essa situação deve ser bastante agravada, com o aumento do fluxo de passageiros e suas bagagens. Empresas que dependem desse modal devem estar atentas e planejar rotas alternativas ou mesmo o uso de outra modalidade quando isso for possível. As indústrias farmacêuticas e de vacinas, as empresas de transporte de materiais perecíveis entre outras devem ser as mais impactadas uma vez que o transporte aéreo ocupa um importante percentual de sua matriz interna de transportes. Em 2013, durante a Copa das Confederações, essas empresas experimentaram uma deterioração na ordem ,2% ,8% % não pavimentadas pavimentadas total de km de rodovias Gráfico 1. Extensão da malha rodoviária brasileira. Valores em km / Dados de

6 de 6 a 7% no modal aéreo. Basicamente devido a atrasos e cortes de pistas para embarque. Isso impactou muito o negócio considerando a grande dependência para as entregas em menos de 48h de produtos perecíveis. Outro fator é a baixa oferta de opções de companhias aéreas prestadoras do serviço de forma qualificada para esse tipo de produto e na quantidade necessária. CARGA RODOVIÁRIA Sendo o principal meio de transportes do País, correspondendo a mais de 60%, o modal rodoviário é um dos que mais sofrem com o esquecimento e abandono do governo. É claro que não podemos esquecer a forma inconsequente como é tratado o transporte ferroviário, mas considerando-se a significância do rodoviário na matriz, era de se esperar uma atenção maior por parte de quem tem a capacidade e obrigação de fazer os investimentos necessários. Segundo dados do Sistema Nacional de Viação *8, publicados pela CNT (Confederação Nacional de Transportes) em sua Pesquisa de Rodovias 2013 *9, existem no Brasil km de rodovias, dos quais apenas km são pavimentados, isto é, 11,8% da malha. Entre as rodovias pavimentadas, km são federais. Destes, apenas 8% são de pista dupla (5.203 km), e 2,1% (1.376 km) são vias em fase de duplicação; os demais 89,9% são de pista simples. Veja gráfico 1. Comparado com outros países, o Brasil apresenta grande deficiência em termos de infraestrutura rodoviária. Numa comparação da malha pavimentada em relação à área territorial temos o resultado conforme gráfico 2. Como todos sabemos, rodovias deficientes aumentam o custo de manutenção dos veículos, além do consumo de combustível, lubrificantes, pneus e freios. Ainda de acordo com a pesquisa, o acréscimo médio do custo operacional devido às condições do pavimento das rodovias brasileiras é de 25%. Segundo a pesquisa, se o pavimento de todas as rodovias tivesse classificação Boa ou Ótima, em 2013, seria possível uma economia de até 5% no consumo de combustível, o que representa 661 milhões de litros de óleo diesel (R$ 1,39 bilhão). No entanto, apenas 36,2% foram considerados satisfatórios (Ótimo ou Bom) e 63,8% recebeu nota Regular/Ruim/Péssimo. Importante salientar que o modal rodoviário é o maior e mais importante para o País, além do que, o índice anterior é agravado pelas condições precárias de manutenção de muitas das estradas consideradas pavimentadas, pela falta de segurança (roubos) e a falta de suporte ao usuário em outras. É bem possível que turistas europeus e americanos sintam saudades de casa ao tentarem dirigir pelas estradas brasileiras. Sempre ouvimos sobre a falta de investimentos na construção e manutenção das rodovias. Na verdade é preciso dizer que tivemos um aumento de 1.000% entre 2003 e 2011, saindo de menos de R$1bi para mais de R$11bi investidos. Mas também é necessário dizer que os números entraram numa curva descendente após É interessante notar que o valor investido é significativamente menor que o valor aprovado para o biênio , , ,0 44,8 41,6 23,8 eua china austrália rússia canadá brasil Gráfico 2. Densidade da malha pavimentada por País. Valores km pavimentados/1.000km 2 Fonte: Pesquisa CNT de Rodovias

7 20 18, ,9 13,6 13, ,8 8,7 10,3 7,8 10,3 11,2 9, ,1 1,8 2,6 0,9 3,2 2,0 5,6 5,4 4,1 2,6 5,0 5,1 4, até set/13 autorizado Gráfico 3. Evolução do investimento federal em infraestrutura rodoviária. Valores em R$ bilhões correntes ( ). Fonte: Pesquisa CNT de Rodovias pago 2012/13, mostrando a dificuldade do governo federal em administrar os investimentos. Veja gráfico 3. Nos últimos 10 anos estavam autorizados, mas não foram investidos, mais de R$ 41bi, o que poderia ter representado um fator importante em termos de segurança nas estradas e produtividade para o transporte. Em 2013 (dados até setembro) voltamos a patamares semelhantes a Um ano antes da escolha do Brasil como país-sede da Copa do Mundo. Não é possível dimensionar de forma precisa as novas dificuldades que a Copa do Mundo irá adicionar para o transporte rodoviário de cargas em geral, especialmente as de alto valor agregado como eletro-eletrônicos e medicamentos, mas é de se esperar que as autoridades (Polícia Rodoviária Federal e Estadual) foquem no trânsito de pessoas nos meses da Copa e na manutenção da ordem e segurança dos grandes eventos de imensidão pública. Os roubos de cargas tendem a aumentar. Desde agora é visível o aumento com custos de gerenciamento de risco (PGR) e existe previsão de falta de escoltas devido ao aumento da demanda uma vez que elas serão requisitadas pelas delegações das seleções, pela imprensa internacional, por políticos e por celebridades nacionais e internacionais. Dá a impressão que pouca diferença fez o fato de o País ter sido selecionado para receber um evento dessa magnitude. Mais ainda, que pouco se fez em termos de investimento de médio e longo prazo. OUTROS TRANSPORTES DE CARGA Com cerca de 25% de representatividade, o transporte ferroviário é o segundo mais importante da matriz de transportes no Brasil. Para este setor, o PIL (Programa de Investimento em Logística) lançado em agosto de 2012 praticamente não saiu do papel. Cerca de 11 mil quilômetros de ferrovias e cerca de R$ 55bi de investimentos são apenas sonho. Com o objetivo de desafogar a malha rodoviária, o governo estuda medidas de incentivo à cabotagem (o Procabotagem). O incentivo viria na forma de redução de impostos de importação caso a empresa invista na construção de embarcações. O objetivo é praticamente dobrar o número de embarcações. Priorizando a construção de porta-contêineres, graneleiros e cargueiros. Os principais problemas do plano estão no fato de que a cabotagem, apesar de proporcionar custos competitivos, apresenta um longo tempo de viagem, infraestrutura deficiente e, principalmente, falta de integração com outros modais de transporte. É claro, sem falar que isso é um plano de médio prazo e não traria nenhum efeito para ENTREGA URBANA A distribuição nos grandes centros consumidores é, a cada dia, um desafio maior. A necessidade de atendimento às regras de circulação nas zonas de restrição aliadas ao crescimento da demanda são apenas dois dos vários fatores que impactam essa atividade. Por outro lado, a entrega urbana acaba por contribuir para incrementar os problemas das grandes cidades, especialmente aqueles relacionados aos congestionamentos. Segundo o CSCMP Council of Supply Chain Ma- 14

8 nagement Professionals a entrega urbana representa cerca de 30% do volume de tráfego nas grandes cidades. No período dos jogos haverá grande concorrência pelo espaço público nas ruas, ao mesmo tempo em que haverá (assim se espera) um crescimento da demanda causado pelo aumento do consumo, fruto também do grande número de turistas. Imagina-se que o poder público deverá anunciar ações para tentar reduzir os impactos no trânsito dos grandes centros. Pontos facultativos, feriados escolares e acirramento das regras de restrição de circulação estarão, provavelmente, entre os mecanismos utilizados pelo governo. Isso, no entanto, não soluciona o problema já existente de falta de mobilidade e complexidade na entrega urbana. Em São Paulo discute-se a ampliação do rodízio municipal. Seriam mais 371 km de vias totalizando 400 novas vias. O que ainda não está claro é a forma como serão tratadas alternativas para o transporte de passageiros e cargas na cidade. Essa não é uma medida de difícil implementação, mas possui enorme repulsa pública. Normalmente não é feita em anos de eleição. Na edição de setembro/outubro desta revista *10, no artigo Distribuição Urbana: Oportunidades e Desafios, Marco Antonio Oliveira Neves faz uma excelente análise do tema e apresenta uma lista completa de ações que, se bem aplicadas, poderiam contribuir para mitigação do problema da mobilidade urbana. Entre elas, algumas de grande impacto: ampliação da rede de metrô; barateamento do transporte público; desenvolvimento de sistemas tarifários que levem em consideração a distância viajada no transporte público. O carro é um dos itens de maior desejo na população. O fato é que desde a década de 60 o governo tem dado incentivos de maneira sistemática à indústria automobilística. No começo pela necessidade do desenvolvimento e fortalecimento da indústria nacional, depois pela dependência criada em relação a um segmento que se tornou tão forte e com sindicatos tão atuantes como vimos na década de 80. Nos últimos anos houve mais incentivo com a redução do IPI que, ao mesmo tempo em que colaborou com a renovação da frota, também fez aumentar a quantidade de veículos nas ruas. C M Y CM MY CY CMY K O EFEITO MANIFESTAÇÕES Até o dia 29 de janeiro deste ano, 31 ônibus foram queimados somente na cidade de São Paulo. Compondo a impressionante média de mais de uma ocorrência a cada 24 horas. O número de manifestações não é possível afirmar com precisão. Boa parte delas começa e termina sem ser noticiada. Rolezinhos, blackblocs, prisões, depredação do patrimônio público, abuso de poder... esses serão alguns dos temas mais ouvidos em junho e julho quando o Imagine na Copa! tiver saído de moda por decurso de tempo. Como isso afetará o transporte de produtos no chamado last mile? O trânsito já saturado dos grandes centros sofrerá um grande impacto nos dias de jogos nas cidades-sede. Milhares de pessoas se deslocarão de seus trabalhos para voltar para suas casas. Muitos irão assistir nas centenas de telões que serão instalados pelo Brasil afora. O fato é que

9 em resumo: PASSAGEIROS MATERIAIS ENTREGA URBANA CENáRIO Falta de infraestrutura aumento do número de viajantes internos baixa oferta e alto custo superlotação e falta de assentos CENáRIO atraso nas cargas aéreas em função da sobrecarga dos aeroportos Malha rodoviária defi ciente e limitada Falta de opções de players no modal aéreo aumento do custo e da insegurança CENáRIO congestionamento restrição de circulação de veículos Migração da mão-de-obra para outros setores Transporte coletivo insufi - ciente Manifestações e insegurança da carga AÇãO antecipar calendário de negócios evitar viagens nos dias de jogos incentivar o uso de teleconferências AÇãO planejar rotas avaliar uso de modais alternativos rever pgrs e contratos de segurança de carga rever contratos e slas AÇãO planejar demanda no período da copa em conjunto com os principais clientes antecipação de entregas buscar horários alternativos haverá um contingente excepcional de pessoas e carros nas ruas. nas grandes cidades como são paulo, rio de Janeiro e brasília o trânsito caótico já é esperado pelo acúmulo de pessoas e grande quantidade de transporte individual. nas cidades menores, algumas delas sediando pela primeira vez um evento mundial deste porte, a inexistência de cultura de organizar tais eventos e de receber enorme quantidade de visitantes aliada ao despreparo das autoridades locais poderá transformar o trânsito num caos. as manifestações e atos públicos (estamos em ano de eleições!) devem dividir o mesmo espaço com todos os demais. Neste cenário é que se coloca o desafi o da entrega e da segurança da carga. este será o ano das manifestações. CONCLUSãO o ano da copa do Mundo no brasil não será um ano fácil para a logística. Os desafi os históricos (situação dos terminais de passageiros / condições das estradas / desafi os da mobilidade urbana) continuam presentes e, a menos de cinco meses do torneio, não dispomos mais de tempo para vencê-los. além disso, teremos novos desafi os jamais enfrentados anteriormente como as manifestações públicas e os atos políticos quase que diários. A esses desafi os outros tantos mais irão juntar-se: concentração de turistas em curto período de tempo, 16

10 a dificuldade com a língua, falta de condições de segurança em eventos, despreparo coletivo e o jeitinho brasileiro. É previsível que negócios não ligados ao evento tenham uma diminuição nos dois meses pré-evento e especialmente durante a Copa do Mundo. As menores empresas talvez tenham de lançar mão de demissões uma vez que os investimentos em negócios não-copa tendem a diminuir e a pressão pela sobrevivência será grande. Obviamente essa situação será minimizada ou amenizada num ano de eleição. Deverá haver uma migração da mão-de-obra para a área de serviços e para o varejo que estarão em alta *11 e demandando mais que as outras. As preocupações aqui são a falta de qualificação e de treinamento nessa passagem e o possível volume de demissões no período pós-copa. A recomendação é que as empresas (e mesmo as pessoas físicas) elaborem planos detalhados e os executem. Construam Planos de Contingência e mitiguem os riscos. Concentrem esforços em soluções criativas que ajudem a vencer os já conhecidos problemas e tenham a velocidade de mudar as coisas no caso de imprevistos. Em tempo, em janeiro deste ano, Estocolmo na Suécia, anunciou a sua desistência em tentar sediar os Jogos Olímpicos de Inverno em O prefeito da cidade, agora ex-candidata a sede, afirmou que eles têm outras necessidades como a construção de moradias. O primeiroministro disse que aceitar os jogos seria especular com dinheiro público *12. Vale lembrar que a Suécia é o 7º país em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil é o 85º, muito atrás do Cazaquistão que é o 69º *13. E que venha o hexa! : tems.com.br azenagem. tica da. o r TEC/UFRJ. as, Referências: *1 - *2 - *3 - e *4 - Tela Chapa e *5 - *6 - *7 - *8 - Dados do SNV de 1º de abril de 2013 *9 - Pesquisa CNT de Rodovias Disponível para download em *10 - Revista Mundo Logística. Ed. 36, páginas 8-19 *11 - *12 - e *13 - Aço ico OP 2008

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