Custos da empresa. Custos da empresa, economias de escala, gama e experiência

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1 Custos da empresa, economias de escala, gama e experiência IST, LEGI - Teoria Económica II Margarida Catalão Lopes 1 Custos da empresa Como vimos, a óptima para a empresa depende da receita, mas depende também dos custos. A escolha do ponto [0,*] depende da interacção entre receitas e custos. 2 Os registos contabilísticos são úteis para o exterior (auditorias, contractos com bancos), quando é preciso números que sejam verificáveis. São valores históricos. Mas para a decisão interna da empresa (escolha da óptima) o custo relevante é o custo económico. 3

2 O custo económico difere do custo contabilístico porque: i) inclui o custo de oportunidade ii)não leva em conta os custos afundados. Custo de oportunidade: valor da melhor aplicação alternativa (ex: o que receberia se aplicasse o capital no melhor projecto alternativo). 4 Custos afundados: são custos que já foram incorridos e que são irreversíveis, irrecuperáveis se a empresa interromper a actividade, logo irrelevantes para a tomada de decisão. Ex: despesas com estudo de mercado; (máquina já instalada). 5 Grau de afundamento depende da durabilidade: quanto mais depressa um investimento se amortizar, mais depressa o seu valor vai ser incorporado no valor do produto e da especificidade: quanto mais específico, mais afundado, porque menos susceptível de ser convertido. Faça a empresa o que fizer, não vai conseguir recuperar os custos afundados, logo eles não vão pesar na sua tomada de decisão. 6

3 Função custo: relaciona custos da empresa com quantidade produzida. Custos fixos: são independentes da produzida. Existem mesmo que não produza nada. Ex: renda do escritório. Custos semi-fixos: são fixos por escalões. Ex: se o movimento do escritório aumentar muito, pode ser preciso alugar mais uma sala. Custos variáveis: variam com a produzida. Ex: montante pago em salários. 7 Alguns custos têm componentes fixas e componentes variáveis. Ex: se não puder despedir trabalhadores, esses salários são CF; para além disso são CV. Custo Total = CF + CV. Curva de CT une os pontos de produção eficiente: produzir cada a custo mínimo (ou para um determinado CT obter a maior possível). 8 Os pontos acima da curva de CT são pontos de produção ineficiente. Custo Total CT CF Custo Marg. g mínimo do g corresponde ao ponto de inflexão do CT * Custo marginal: g=dct/d. Diz-nos quanto varia o CT quando a produzida aumenta uma unidade. 9

4 Custo médio: =CT/. São decrescentes até intersectarem o g, isto é, intersecção de e g dá-se no ponto mínimo de. g g 10 Custo fixo médio: CFM=CF/. São sempre decrescentes e tendem para zero à medida que aumenta. CFM Custo variável médio: CVM=CV/. São decrescentes até intersectarem o g, isto é, intersecção de CVM e g dá-se no mínimo de CVM. CVM g g CFM CVM 11 No curto prazo não é possível ajustar todos os factores produtivos. No longo prazo é. Logo, função de longo prazo é a envolvente das funções de curto prazo. CP P CP M CP G Curto Prazo LP Longo Prazo 12

5 Economias de escala A tecnologia de produção (reflectida na função custos) influencia a dimensão da empresa e, portanto, a estrutura do mercado (nº e dimensão das empresas que nele actuam). 13 Economias de escala (ou rendimentos crescentes à escala): decrescentes com (escala da produção). uanto maior a dimensão da empresa, mais eficiente ela é. Acontece quando g<. Estão normalmente associadas a elevados CF de actividade (ex: electricidade, gás, tv cabo, telefones). 14 Deseconomias de escala: de longo prazo crescentes com. A função que temos vindo a ver (em forma de U) tem economias de escala até certo ponto e deseconomias a partir daí. economias deseconomias de escala de escala 15

6 Se existem economias de escala para todo o relevante, então o ideal é existir só uma empresa: monopólio natural. A sua dimensão é determinada pela dimensão da D. $ $ $ D mercado D mercado D mercado Monopólio natural Uma empresa Mercado concorrencial Muitas empresas (pequenas) Oligopólio Poucas empresas (grandes) 16 Casos particulares: g constante com CF: sempre decrescentes, a tender para g. Ecs. de escala permanentes g sem CF: =g =g 17 A função pode ser primeiro decrescente, depois ter uma zona em que é aproximadamente constante, e por fim passar a crescente. Neste caso, o ponto de menor para o qual os são mínimos é a chamada Escala Mínima Eficiente (EME). Se a empresa aumentar acima da EME não tem ganhos de eficiência. ( 1 ) (EME) 1 EME 18

7 Em =EME as economias de escala esgotam-se. Medição da desvantagem de custo associada a escala inferior a EME: ( 1 ) ( EME) ( EME) Se esta desvantagem for pequena, as economias de escala têm pouca importância. 19 Técnicas para obter estimativas das economias de escala: econométrica - estimar função a partir dos dados observados (nuvem de pontos com pares ordenados (,())) inquirir directamente os responsáveis pelo processo produtivo observar nº de empresas em diferentes dimensões ao longo do tempo (a dimensão que tiver menores custos será a que tenderá a concentrar mais empresas técnica do sobrevivente) 20 Economias de gama Economias de gama: é mais eficiente ser uma única empresa a produzir vários produtos (ex: carros e jeeps) do que as mesmas quantidades serem produzidas por empresas diferentes. CT( 1, 2 )< CT( 1,0)+CT(0, 2 ) Produção conjunta é mais eficiente que produção separada (não tem a ver com a escala de produção). 21

8 Fontes de economias de escala e de economias de gama: disseminação de CF tecnologias mais eficientes por vezes só podem ser usadas para escalas maiores maior especialização regra do cubo-quadrado (em certos processos produtivos o custo é quadrático, mas a capacidade é cúbica) I&D por vezes só é rentável fazer-se acima de determinada escala e quando se faz pode servir para mais de um produto descontos de fornecedores economias de marketing 22 Não existem economias de escala e de gama em todos os sectores. É preciso averiguar se existem ou não. 23 Fontes de deseconomias de escala: maiores custos laborais (devido a maiores benefícios sociais; maior peso da sindicalização) burocracia, maiores dificuldades de comunicação entre a gestão e os trabalhadores existência de activos não replicáveis (só disponíveis até certa dimensão de, depois é preciso substituí-los) 24

9 Economias de experiência Economias de experiência ou de aprendizagem (ou economias de escala dinâmicas): custo unitário de produção decrescente com a quantidade já produzida. Há acumulação de experiência e know-how. produção acumulada 25 É diferente de economias de escala (têm a ver com produzida actualmente; deslocações ao longo da curva de ), pois economias de experiência têm a ver com a produção acumulada (deslocações da curva de ). economias de escala economias de experiência Exemplo: C =C 1. -β C é o custo unitário após a produção de unidades, C 1 é o custo da 1ª unidade, β>0 é o parâmetro que mede a intensidade das economias de experiência. 27

10 Ciclo de vida do produto e economias de experiência e de gama: durante a fase de crescimento é possível acumular ecs. de experiência. Numa empresa multi-produto bens em fase de maturidade podem subsidiar produtos novos: esta estratégia pode justificar a multi-produção, mas a única boa justificação é a existência de ecs. de gama. Vendas A B C D Tempo Ciclo de Vida de um Produto: A - Introdução B - Crescimento C - Maturidade D - Declínio 28 Exemplo: Link para exemplo 29

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