TRAUMA RAQUIMEDULAR (TRM)

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1 Protocolo: Nº 63 Elaborado por: Manoel Emiliano Última revisão: 30/08/2011 Revisores: Samantha Vieira Maria Clara Mayrink TRAUMA RAQUIMEDULAR (TRM) DEFINIÇÃO: O Trauma Raquimedular (TRM) constitui o conjunto de alterações, temporárias ou permanentes, nas funções motora, sensitiva ou autonômica, consequentes à ação de agentes físicos sobre a coluna vertebral e os elementos do sistema nervoso nela contidos. O acometimento da coluna cervical acontece em 2/3 dos pacientes com TRM e freqüentemente apresentam lesões simultâneas, como trauma torácico, abdominal e lesões vasculares do sistema vértebro-carotídeo. FISIOPATOLOGIA: Tipos de Lesões: Primária: lesão imediata ao trauma devido contusão mecânica e hemorragia. Secundária: eventos bioquímicos que levam à disfunção e morte celular. Lesão Produzida por Manejo Inadequado ou pela sua severidade (Hipóxia, edema, hipotensão, compressão). Medula Espinhal Pares de nervos se ramificam e chegam à todo o corpo; Levam impulsos sensitivos do corpo para o cérebro; Levam impulsos motores de cérebro para o corpo. Pág. 01

2 ANATOMIA Coluna Vertebral É composta por: 7 vértebras cervicais 12 vértebras torácicas 5 vértebras lombares 5 vértebras sacrais-cóccix PRINCIPAIS CAUSAS DE TRM Acidente automobilístico; Mergulho em água rasa; Queda de altura; Ferimento por FAF; Acidentes esportivos. LESÕES DE COLUNA Fraturas por compressão de vértebras; Fraturas que produzem pequenos fragmentos de ossos, que podem alojar-se no canal espinhal, próximo à medula; Subluxação, que é o deslocamento parcial de vértebras do seu alinhamento normal na coluna espinhal; Pág. 02

3 Superestiramento ou laceração dos ligamentos e músculos, produzindo uma relação instável entre as vértebras. Mecanismo da Lesão Hiperextensão Hiperflexão Carga lateral Ferimentos penetrantes Carga axial Energia cinética importante pode produzir lesões da coluna e medula; Exame normal com alto potencial de lesão deve ser considerado lesão de coluna; Pág. 03

4 Erro no exame inicial pode desencadear lesões permanentes; Alto índice de mortalidade. SINAIS E SINTOMAS Sinais e sintomas do TRM dependem do nível da lesão, com ou sem comprometimento neurológico, geralmente com alterações motoras (paralisias ou apenas diminuição de força muscular - paresia) e sensitivas (anestesia, diminuição da sensibilidade e parestesias - formigamento, amortecimento etc.) Sinais locais: Dor local intensa, Deformidades ósseas, Edema e equimoses; Espasmo muscular, torcicolo; Desvio de traquéia; Posição da cabeça e dificuldade ou dor ao tentar colocá-ia à posição neutra; Sintomas sistêmicos: Plegia, paresia e parestesias; Hipotensão arterial com bradicardia; Priapismo; Paralisia dos segmentos do corpo, abaixo da lesão; Perda do controle esfincteriano. Alterações neurológicas (sempre comparando um lado com o outro): - Déficit de força muscular, ou seja, diminuição de força ou paralisia uni ou bilateral abaixo da lesão medular; - Déficit de sensibilidade, ou seja, alteração sensitiva abaixo do nível da lesão; - Diminuição ou ausência de reflexos tendinosos; Pág. 04

5 - Disfunção autonômica em que o paciente perde a capacidade de controlar Esfíncteres. Todas as vítimas inconsciêntes deverão ser consideradas e tratadas como portadoras de lesões na coluna cervical. Principais sinais clínicos que sugerem TRM cervical em vítima inconsciente: Ausência de reflexos; Respiração diafragmática; Flexão apenas de membros superiores; Resposta a estímulo doloroso somente acima da clavícula; Hipotensão com bradicardia, sem sinais de hipovolêmica; Parada Cardiorrespiratória Lesões de coluna cervical alta (C1 a C4) podem levar à parada respiratória devido à paralisia de musculatura respiratória - diafragma. Cuidados importantes na avaliação de vítimas com TRM: Hipoventilação Lesões de coluna cervical de C5 a T1 podem levar à paralisia de musculatura intercostal, causando dificuldade respiratória e hipoventilação. Lesões Mascaradas Lesões medulares costumam mascarar outras lesões, pois a ausência de sensibilidade deixaria passar um abdômen agudo por inabilidade de sentir dor. Luxações cervicais altas - podem ocasionar desvio cervical com torcicolo, não se devendo tentar corrigir a rotação. CONDUTA: As unidades de SBV e ou USA deverão sempre que suspeitar do paciente com suspeita TRM: Imobilizar a coluna para prevenir lesões neurológicas adicionais. Nesta etapa é essencial o atendimento pré-hospitalar adequado às vítimas, incluindo avaliação clínica e imobilização. Pág. 05

6 1. Realizar estabilização da coluna cervical, utilizando colar cervical apropriado e avaliar nível de consciência da vítima; 2. Proceder com o exame primário do paciente, realizando as intervenções que forem necessárias; 3. Ofertar oxigênio suplementar com máscara de alto fluxo. (Conforme Orientação do Médico Regulador) 4. Movimentar a vítima em bloco, impedindo movimentos bruscos do pescoço e do tronco; 5. Instalação sobre uma prancha longa; 6. Associado a coxins laterais rente ao pescoço e cabeça; 7. Proteger o paciente da hipotermia; 8. Fixação na prancha longa com tirantes; 9. Encaminhar o paciente para o Hospital de destino conforme orientação da regulação. Os socorristas devem estar conscientes de que a manipulação, movimentos e imobilização inadequados podem causar dano adicional ao traumatismo de coluna vertebral e piorar o prognóstico da lesão REFERÊNCIAS Delfino, HKA. Lesões traumáticas da coluna cervical. 1ª ed. Ed. Bevilacqua,2005. PHTLS. Atendimento pré-hospitalar ao traumatizado: básico e avançado. 5 ed. Rio de Janeiro: Comitê do PHTLS do National Association of Emergency Medical Technicans (NAEMT) em colaboração com o Colégio Americano de Cirurgiões, Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Modulo XV Traumas e Emergências Cirúrgicas II. Pág. 06

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