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1 II Reunião de Ministros de Meio Ambiente do MERCOSUL 8 de novembro de 2004, Brasília, Brasil Ata da Reunião nº 02/04 Realizou-se na cidade de Brasília, República Federativa do Brasil, no dia 8 de novembro de 2004, a II Reunião de Ministros de Meio Ambiente do MERCOSUL, com a presença da Ministra de Meio Ambiente da República Federativa do Brasil, Senadora Marina Silva, do Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da República Argentina, Dr. Atílio Savino, do Diretor Nacional do Meio Ambiente da República Oriental do Uruguai, Dr. Andrés Saizar e da Coordenadora do Escritório do PNUMA no Brasil, Sra. Cristina Montenegro. A lista de participantes consta como Anexo I. A Agenda da Reunião consta como Anexo II. A Ministra do Meio Ambiente do Brasil, no exercício da Presidência Pro Tempore, deu início à sessão, dando as boas vindas aos participantes e agradecendo sua presença. A Ministra lamentou as ausências, inclusive dos representantes dos Estados Associados, e relembrou a importância dos esforços de inserção da dimensão ambiental nas outras esferas de ação do MERCOSUL. 1. Aprovação da Agenda. A Ministra do Meio Ambiente do Brasil, Senadora Marina Silva, apresentou a agenda para consideração dos participantes, tendo sido aprovada. 2. A Iniciativa HEMA. A delegação do Brasil fez um breve histórico da iniciativa HEMA e informou que, na próxima reunião da Iniciativa, a ser realizada em junho de 2005, na Argentina, serão discutidas a finalização da Agenda, a declaração ministerial e questões ligadas ao financiamento da Iniciativa. A respeito do papel do Brasil como representante do Cone Sul, sinalizou-se a importância de que os Estados Partes que ainda não participam efetivamente da Iniciativa, se somem a ela de forma ao melhor desenvolvimento de seus resultados e à melhor atuação do representante do Cone Sul. A Argentina considerou importante dar seguimento à Iniciativa, trabalhando com outros países para integrar a questão de saúde e meio ambiente, e que a Iniciativa HEMA deve trabalhar no sentido de avançar na implementação das Metas de Desenvolvimento do 1

2 Milênio. Os resultados da reunião de junho poderão ser utilizados como subsídio para a próxima Assembléia Geral das Nações Unidas em 2005, que avaliará a implementação das Metas do Milênio, bem como para a reunião da Cúpula das Américas no final de Em função da necessidade de tratamento integrado dos temas saúde e meio ambiente, a Ministra Marina Silva sugeriu que a próxima reunião dos Ministros de Meio Ambiente do MERCOSUL fosse realizada conjuntamente com a Reunião de Ministros de Saúde do MERCOSUL, não só para preparar a posição do bloco para a próxima reunião da HEMA, como também para discutir outros pontos comuns na pauta dos dois setores. A sugestão foi aprovada pelos demais presentes. 3. Análise das Assimetrias na Legislação Ambiental dos Países do MERCOSUL. O tema foi apresentado pelo Brasil em função da necessidade genérica de tratamento dos problemas ambientais decorrentes da existência de assimetrias na legislação ambiental dos Estados Partes do MERCOSUL. Como exemplo dessa questão, a delegação brasileira apresentou um histórico do caso da importação de pneus usados no âmbito do MERCOSUL, cujo tratamento tem sido, até o momento, feito exclusivamente sob a ótica comercial. Argentina afirmou a importância de que, em função dos problemas ambientais e sanitários, os países do MERCOSUL avancem na harmonização de suas legislações ambientais, especificamente no sentido de proibir, a exemplo da Argentina, a importação de pneus usados. Sua intervenção foi seguida pelo Uruguai, que afirmou não ser a proibição da importação de pneus uma opção possível para o Uruguai no momento, em função de aspectos de diversa natureza e por ser o tema tratado como uma oportunidade de negócios naquele país. A Ministra Marina Silva fez intervenção no sentido de que deve haver maior empenho em tratar essas questões de maneira multidisciplinar, e que as soluções na área ambiental devem ser consideradas, em conjunto com o tratamento das diferenças econômicas, sociais, ambientais e culturais dos países do bloco. Mencionou, ainda, que os Estados com estruturas e marcos legislativos mais avançados podem proporcionar meios, recursos e assistência técnica aos Estados menos capacitados nesse sentido. Finalmente, a Ministra propôs a criação, no âmbito do SGT-6, e no marco da implementação do Acordo Quadro sobre Meio Ambiente do MERCOSUL, de um grupo ad hoc para, priorizando os temas desde o ponto de vista ambiental, estudar as assimetrias legislativas no âmbito do MERCOSUL. O Uruguai acrescentou que o Grupo ad hoc deva também considerar, em sua análise, o passivo ambiental dos países. A proposta foi aceita pelos demais participantes da reunião. 4. Comércio e Meio Ambiente no MERCOSUL. O Dr. Atílio Savino, Chefe da delegação Argentina, ressaltou que muitas vezes a questão ambiental não é considerada ao se tratar de questões como investimentos, propriedade intelectual e comércio, além dos processos de criação de zonas de livre comércio de que participe o MERCOSUL. Afirmou a importância de se realizar um estudo para aprofundar 2

3 essa questão e de aproveitar a oportunidade para desenvolver uma posição conjunta para subsidiar a representação do bloco nos diversos foros econômicos internacionais. A delegação do Brasil informou já haver diversas iniciativas dessa natureza no âmbito do MERCOSUL, como, por exemplo, o workshop a ser realizado pelo PNUMA e DFID, e um seminário técnico do Banco Mundial sobre bens e serviços ambientais no âmbito do MERCOSUL. A Sra. Cristina Montenegro relatou que o PNUMA tem programas que abordam a relação entre políticas de comércio e de meio ambiente, inclusive um manual para integração de políticas comerciais e ambientais, distribuído na Reunião, e que sua experiência nessa área poderia ser útil às iniciativas subregionais. Consultou a Reunião sobre a possibilidade de apoio do PNUMA ao MERCOSUL nessa área, proposta que foi aceita pelos participantes. Finalmente, sugeriu também que a CEPAL, que tem experiências importantes nesse tema, fosse convidada a oferecer aportes à Reunião, e sugerindo que as áreas negociadoras do MERCOSUL contemplem essa preocupação. A Ministra Marina Silva insistiu na necessidade de que a Reunião de Ministros de Meio Ambiente e o SGT-6 trabalhem de forma pró-ativa, se fazendo representar nas negociações relativas a comércio e meio ambiente. Finalmente, foi proposto que, na próxima Reunião dos Ministros, representante do GMC seja convidado a apresentar a estratégia do MERCOSUL que tem sido utilizada para incluir a perspectiva de desenvolvimento sustentável nas negociações de acordos comerciais de que seja parte o MERCOSUL, particularmente do processo em curso com a União Européia, a fim de que a Reunião possa apresentar sugestões na condução do processo. As propostas foram aceitas pelos demais participantes. 5. GEO MERCOSUL Assinatura do Memorando de Entendimento com o PNUMA. A Sra. Cristina Montenegro referiu-se à proposta de Memorando de Entendimento apresentada pelo PNUMA para elaboração do GEO-MERCOSUL e mencionou a necessidade de maior aprofundamento de diversos temas, o que deveria ser feito pelo SGT-6 em sua reunião, para que possa ocorrer a assinatura do documento. Solicitou, ainda, aos Ministros, que especificassem suas orientações e enfoques prioritários em relação ao conteúdo do GEO, de forma a que ele possa efetivamente refletir as demandas da subregião. O Brasil reafirmou a importância de que o GEO-MERCOSUL possa efetivamente constituir-se num documento a ser utilizado pelos tomadores de decisão na formulação de políticas públicas. Segundo a avaliação apresentada em recente reunião do México, o GEO tem tido utilização mais na área acadêmica e educacional do que entre os tomadores de decisão, e é importante que o GEO-MERCOSUL reflita esse resultado e incorpore mudanças em sua estrutura e conteúdo de forma a contemplar os reais objetivos da publicação. Da mesma forma, considerando que a maior parte dos usuários do GEO utiliza o formato eletrônico (Internet), o produto final do GEO-MERCOSUL deve também refletir essa realidade e focar-se menos na publicação impressa do que em produtos de fácil utilização em formato eletrônico. Afirmou, ainda, a necessidade de que a resposta do MERCOSUL ao PNUMA aconteça em curto prazo de forma a não paralisar o 3

4 processo. A Argentina sinalizou que é importante reafirmar o papel do SGT-6 nesse processo, como instância política definidora da estrutura e conteúdo do GEO, como elemento de ligação com o PNUMA para determinar as diretrizes políticas do produto. Havendo consenso em relação às colocações na reunião, ficou decidido encaminhamento da questão nesses termos pelo SGT Gestão Integrada de Recursos Hídricos no MERCOSUL. O tema de recursos hídricos é exemplo de tema que, no MERCOSUL, tem interfaces com diversas outras áreas. A Presidência Pro Tempore apresentou várias iniciativas regionais na área de recursos hídricos, com particular destaque para as discussões sobre o Aqüífero Guarani. O Ministro Everton Vargas informou aos presentes sobre o processo em curso de discussão de minuta de acordo do MERCOSUL para o Aqüífero Guarani. Em função dessa informação, a Ministra Marina Silva fez proposta, aceita pelos presentes, de que representante do Grupo de Alto Nível para o Aqüífero Guarani fosse convidado para a próxima Reunião de Ministros do Meio Ambiente. A Argentina fez recomendação, igualmente aceita pelos presentes, de que o acordo sobre o Aqüífero Guarani ora em discussão seja apresentado, antes de sua assinatura, aos Ministros do Meio Ambiente. Uruguai propôs que em todos os projetos de gestão de recursos hídricos na região se obtenha a maior quantidade de produtos regionalizados possível, como exemplo no projeto da Bacia do Prata. Finalmente, o Brasil sugeriu que a proposta sobre Gestão Integrada de Recursos Hídricos apresentada ao SGT-6 em 2002 seja atualizada pelo Subgrupo, de forma a contemplar os avanços no tratamento da questão, e apresentada à Reunião de Ministros, para que seja avaliada e discutida nos seus encaminhamentos. Por questões de tratamento institucional em seus países, os presentes acordaram que a discussão do instrumento se dê em torno da Gestão Ambiental Integrada de Recursos Hídricos. 7. Mudança do Clima COP-10, Buenos Aires. O Dr. Atilio Savino falou sobre as preparações da COP-10, que a decisão da Rússia criou novas perspectivas para o enfoque da Conferência. O momento é favorável à discussão de instrumentos de implementação. O PNUMA no sentido de subsidiar a participação da região na COP-10 promoveu um estudo das iniciativas e capacidades instaladas na América Latina e Caribe e de perspectivas futuras para a região, inclusive para depois de encerrado o primeiro período de compromisso. As conclusões do documento Perspectivas para os Países da América Latina e Caribe frente às Mudanças Climáticas foram relatadas pelo Sr. Fábio Feldmann, um dos consultores do estudo. É de grande importância para a região a articulação e intercâmbio das iniciativas e 4

5 experiências. Uma das áreas passíveis para essa articulação é a de vulnerabilidade e adaptação. Identificação de modelos que possam ser replicados em outros países. O representante do Ministério das Relações Exteriores apontou para a necessidade da discussão na COP10 do futuro do regime climático. Apontou as oportunidades para os projetos de MDL com a entrada em vigor do Protocolo, salientando a necessidade de regras comuns se possível com o mínimo de restrições e condicionalidades. O Uruguai expôs a situação em relação ao cumprimento da CNUMC, destacando que já apresentou sua 2 a Comunicação Nacional e que tem cumprido com todos os elementos necessários para aprovar projetos MDL. Em relação à COP-10, Uruguai salientou a necessidade de mecanismos de financiamento para a elaboração das comunicações nacionais e para a implementação de medidas de adaptação. 8. Assuntos Diversos. Considerando o reduzido período de duração da Presidência Pro Tempore (6 meses) e a existência de dificuldades comuns a todos os países do MERCOSUL, o Brasil sugeriu a criação no âmbito da Reunião de Ministros e, a título de sugestão, no SGT-6 de um Grupo de Trabalho de Apoio à Presidência Pro Tempore, composto pelo País anterior e pelo País seguinte a exercer a Presidência. Esse grupo, de caráter consultivo e de apoio operacional teria a função de apoiar o País no exercício da Presidência, de acordo com sua orientação e conforme sua demanda, na elaboração da agenda das reuniões, na preparação de documentos de referência, na redação de instrumentos para decisão, na organização das reuniões, na redação das atas e no seguimento das decisões, entre outras funções. A proposta foi aprovada por consenso. A Argentina sugeriu que cada País elabore iniciativas na área de resíduos sólidos e que esse tema seja tratado nas reuniões do SGT-6. Alertou as esferas institucionais do MERCOSUL para que haja maior interação entre os foros e se evite sobreposição, como no caso da criação de grupo de trabalho sobre meio ambiente no âmbito do SGT-11. Propôs também buscar meios de assegurar a participação efetiva dos Estados Associados nos foros de Meio Ambiente, particularmente para favorecer a relação com a Comunidade Andina de Nações. E por último relembrou o compromisso de apoiar os pequenos estados insulares. 9. Marcação de data e local da próxima Reunião de Ministros O Brasil sugeriu que a próxima reunião de Ministros de Meio Ambiente seja realizada antes da reunião de Ministros de Meio Ambiente e Saúde das Américas, previstas para os dias 17 e 18 de junho de 2005, provavelmente no dia 15 de junho. 5

6 ANEXOS Os anexos que integram a presente Ata são os seguintes: Anexo I Anexo II Lista de Participantes Agenda da Reunião Pela República Argentina Pela República Federativa do Brasil Pela República Oriental do Uruguai 6

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