VITICULTURA. Nutrição Mineral da Vinha. Por: Augusto Peixe

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1 VITICULTURA Nutrição Mineral da Vinha Por: Augusto Peixe

2 Necessidades em Elementos Nutritivos Nove Macroelementos C, O, H, N, K, P, Mg, S, Ca Seis Microelementos Fe, Zn, B, Mn, Cu, Mo Quatro outros elementos (Si, Al, Cl, Na), estão ainda presentes na composição mineral dos órgãos da videira, não se podendo considerar indispensáveis. Extracções anuais de Macronutrinetes Exportações Totais N P2O5 K2O CaO MgO Vinha 10Ton/ha kg/ha/ano kg/ha/ano kg/ha/ano kg/ha/ano kg/ha/ano Milho 14Ton/ha kg/ha kg/ha kg/ha Exportações totais Vs. Exportações Reais

3 Os Macronutrientes Azoto Origem: Fertilização mineral Mineralização da Matéria Orgânica Fixação por microorganismos do solo Modo de Acção: Favorece o desenvolvimento vegetativo

4 Azoto (Cont...) Excesso de Adubação Azotada: - Maior desavinho - Atraso na maturação - Dificuldade de atempamento da madeira - Maior sensibilidade a doenças criptogâmicas Épocas criticas de disponibilidade: -Abrolhamento (mobilização das reservas) -Floração - Crescimento activo dos ramos - Engrossamento do bago

5 NOTAS: Ainda que a videira não tenha elevadas exigências em azoto, quando comparada com outras espécies, este é um dos elementos mais importantes nos programas anuais de fertilização. Um excesso de fertilização azotada conduz a um vigor excessivo da planta e, aumentando o ensombramento, pode conduzir a uma redução da qualidade da uva. Tradicionalmente as adubações azotadas de manutenção eram efectuadas no Final do Inverno- Inicio da Primavera, por forma a que o azoto pudesse estar presente na zona de absorção das raízes na altura do abrolhamento. Sabemos actualmente que o abrolhamento da vinha está principalmente dependente das reservas azotadas presentes no caule e raízes e não das disponibilidades no solo nessa altura. Assim sendo, considera-se hoje que, o período mais eficaz para a aplicação de azoto é o que vai desde o vingamento do fruto até ao período pós-colheita. Documento de leitura obrigatória Peacock, B et al. (2004) - Best Management Practices for Nitrogen Fertilization of Grapevines. University of California Cooperative Extension. Ver mais informação no último diapositivo.

6 Fósforo Origem: Fertilização mineral Degradação da rocha mãe Modo de Acção: De um modo geral participa nos processos de: -Desenvolvimento celular -Aumento da capacidade de acumulação de reservas Épocas criticas de disponibilidade: - Antes da paragem de crescimento dos sarmentos - Antes da maturação do bago

7 A carência em fósforo não é comum em solos com ph superior a 5 e com teores de alumínio inferiores a ppm. Fonte: Bates, T (2001) Vineyard Nutrient Management Por essa razão, não é muito vulgar o aparecimento de sintomatologia de deficiência nas regiões climática e edáficamente adaptadas à cultura da vinha (Atenção à actual expansão das vinhas para regiões sub-tropicais). Este é dos macronutrinetes menos estudados nesta cultura, sendo normal dizer-se que a vinha não responde a adubações fosfatadas. Sabe-se hoje que o fósforo é importante no desenvolvimento radicular e que uma deficiência em fósforo pode inibir o movimento do magnésio das raízes para os ramos e folhas, causando deficiência deste último.

8 Sintomatologia de Deficiência em Fósforo. Esta primeira imagem foi retirada da capa de uma publicação da Univ. da Califórnia, onde aparecia a seguinte legenda: Folha de Cabernet Sauvignon com sintomatologia característica de deficiência em fósforo. Note-se a cor avermelhada da zona externa do limbo característica da deficiência em castas tintas. Nesta imagem apresenta-se uma planta de Pinot noir, numa vinha implantada em solos com valor muito baixos de ph. Esta é uma folha de Riesling de uma vinha também instalada em solos ácidos. Nota-se a presença de manchas necrosadas mas a cultivar branca não exibe o vermelho característico das castas tintas.

9 Potássio Origem: -Entra na composição de numerosos silicatos e só a fracção que resulta da degradação destes durante a génese do solo, está disponível para as plantas. -Fertilização mineral Modo de Acção: -Influencia indirectamente a qualidade do vinho, pela sua acção sobre o valor do ph do mosto. -Intervém na capacidade de produção de hidratos de carbono, na sua migração e acumulação nos diferentes órgãos da videira, especialmente nos frutos. Excesso de Adubação Potássica: -Antagonismo com o Mg Épocas criticas de disponibilidade: - Durante a floração - Na maturação do bago

10 Factores que podem contribuir para a diminuição dos valor de potássio obtidos por análise foliar Antagonismo com o Magnésio Existe uma correlação negativa não linear entre as concentrações de magnésio e potássio encontradas nas análises foliares (Figura) uma vez que os dois nutrientes competem pelos mesmos pontos de absorção pelas raízes Normalmente enquanto as concentrações de um sobem as do outro descem, sendo importante encontrar um ponto de equilíbrio, para prevenir a possível deficiência de qualquer um deles. A correcção do ph do solo com recurso ao calcário dolomítico, pode por vezes conduzir a um significativo aumento das concentrações de magnésio, dificultando a absorção de potássio. Fonte: Bates, T (2001) Vineyard Nutrient Management Restrições ao desenvolvimento radicular: seca, excesso de produção, pragas e doenças que afectam o sistema radical (Ex:Filoxera), mobilização profunda do solo em vinhas instaladas etc Deficiência Hídrica: A mobilidade do potássio é muito baixa em solos secos. Colheita: A epiderme das uvas tem conteúdos elevados de potássio. Em caso de dificuldade de absorção deste pelas raízes, o nutriente é mobilizado das reservas dos órgãos aéreos, resultando numa descida significativa dos valores encontrados por análise foliar.

11 Sintomatologia de Deficiência em Potássio A deficiência em potássio produz uma sintomatologia de clorose entre as nervuras que começa na margem das folhas da zona média/terminal dos sarmentos. Se não for corrigida a sintomatologia acaba por afectar as folhas da base assim como o desenvolvimento dos frutos, a sua cor e a resistência da planta às baixas temperaturas. Nestas imagens vemos diferentes aspectos da sintomatologia de carência em potássio, aumentando da direita (folha normal) para a esquerda (carência severa). Os sintomas são primeiramente visíveis nas margens do limbo, afectando posteriormente toda a folha com a característica tonalidade amarela entre as nervuras.

12 Sintomatologia de Deficiência em Potássio (cont ) Ao contrário dos que é comum nas maior parte das sintomatologia de deficiência nutritiva, no caso do potássio os sintomas começam na zona média a terminal dos ramos e progridem dai para a base dos mesmos. O enrolamento do limbo das folhas para a página inferior, não sendo um sintoma exclusivo, é também característico de uma deficiência em potássio. A planta apresentada nesta figura está infectada com uma estirpe do vírus do enrolamento. Os sintomas são muito similares aos da deficiência em potássio porque a origem da sintomatologia é a mesma - concentrações baixas de potássio no limbo da folha. O vírus do enrolamento interfere com o transporte do potássio na videira. Podermos diferenciar a sintomatologia associada os vírus da originada por uma deficiência em potássio, porque o primeiro afecta inicialmente as folhas mais velhas. As videiras afectadas pelo enrolamento apresentarão uma concentração de K + elevada no pecíolo e baixa no limbo da folha, enquanto que videiras com deficiência em K+ apresentarão valores baixos em nas análises de ambas as estruturas foliares.

13 Magnésio Tanto a concentração individual dos catiões dibásicos Magnésio e Cálcio como do catião monobásico, Potássio, como o equilíbrio entre eles, é de grande importância para um normal desenvolvimento da videira Fonte: Bates, T (2001) Vineyard Nutrient Management Por definição, um solo ácido tem baixos níveis de iões Ca e Mg. (Figura) A correcção do ph do solo em vinhas estabelecidas tanto com cal como com calcário dolomítico, é difícil, devido sua baixa mobilidade no solo. Já os nutrientes que contêm cálcio no primeiro e cálcio e magnésio no segundo caso, apresentam elevada mobilidade, podendo atingir níveis que dificultam a absorção de outros nutrientes. Refira-se o caso do ferro, em solos com níveis elevados de calcário activo, conduzindo aos conhecidos problemas de clorose férrica ou ao balanço mesmos favorável entre Mg e K, dificultando a absorção deste último (Ver Figura do diapositivo 10).

14 Como já vimos quando falámos sobre o Potássio, este e o Magnésio competem pelos mesmos pontos de absorção pelas raízes. Daí, como também já referimos, a importância de manter um equilíbrio entre os dois. Se adicionarmos K ao solo de uma vinha com níveis baixos de K e de Mg, poderemos estar a criar uma deficiência em Mg. Do mesmo modo, uma adição em excesso de Mg, que pode ocorrer pela aplicação de calcário dolomitico durante uma tentativa de correcção do ph, principalmente em vinha já instaladas, pode causar uma carência em potássio. Tanto uma como outra não ficarão a dever-se à falta dos nutrientes no complexo de troca do solo mais sim ao desequilíbrio provocado. É por estas razões que uma análise de solos, mesmo tendo apenas em conta os nutrientes disponíveis no complexo de troca e não os seu valores totais, nos diz muito pouco sobre a sua possibilidade de assimilação pela planta. Sintomatologia de Deficiência em Magnésio Como componente da clorofila que é, as deficiências em Mg manifestam-se pelo amarelecimento das folhas. Esta sintomatologia de carência não é especifica mas, uma observação cuidada permite-nos verificar que a clorose causada por este tipo de deficiência surge entre as nervuras, começando muitas vezes em zonas afatadas da margem das mesmas.

15 Cobre O combate às doenças causadas por fungos, recorrendo a fungicidas à base de cobre levou a que não seja normal encontrar casos de carência neste nutriente. Sintomas de toxicidade causados por um excesso do mesmo são bastante mais frequentes. Boro Deficiência em Boro, pode ocorrer em solos onde grande parte da camada arável foi removida pela erosão, em solos ácidos (ph<5), ou ainda em solos com valores elevados de ph (7,5-8,5) (Ver Figura no diapositivo seguinte). As necessidades da vinha em Boro são baixas (aprox. 25ppm). Em concentrações mais elevadas, o Boro é tóxico para a vinha. O principal problema com este nutriente, é a sua manutenção dentro dos níveis normais, uma vez que é estreito o patamar entre a carência e a toxicidade. Sabe-se hoje que a deficiência em Boro, pode ser responsável por baixas taxas de germinação do pólen e crescimento do tubo polínico, causando problemas de vingamento do fruto. É pois natural que o principal sintoma de deficiência em Boro, seja um excesso de desavinho ou de bagoinha, conduzindo a cachos mal formados (Figura). A deformação dos bagos vingados é também uma característica comum.

16 ¾Influência do ph do solo na disponibilidade de nutrientes Documento de leitura obrigatória Bates, T (2001) Vineyard Nutrient Management, Cornell University. Ver mais informação no último diapositivo.

17 Determinação das doses de nutrientes a aplicar Análise de solos Análise foliar Comportamento da planta em ensaios de campo

18 Apoio à Interpretação dos valores obtidos por análise foliar Fonte: Christensen, P (2001)- Use of Tissue Analysis in Viticulture Documento de leitura obrigatória Christensen, P (2001)- Use of Tissue Analysis in Viticulture. University of California- Cooperative Extension, Kearney Agricultural Center, Pub. NG10-00.Ver mais informação no último diapositivo.

19 Elementos de apoio de leitura obrigatória Peacock, B et al. (2004) - Best Management Practices for Nitrogen Fertilization of Grapevines. University of California Cooperative Extension,. Disponível na página Web. da disciplina ou em: Bates, T (2001) Vineyard Nutrient Management, Cornell University. Disponível na página Web. da disciplina ou em: Christensen, P (2001)- Use of Tissue Analysis in Viticulture. University of California-Cooperative Extension, Kearney Agricultural Center, Pub. NG Disponível na página Web. da disciplina

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