PPP FERRAMENTA PARA A PREVENÇÃO. Antonio Carlos Castellar de Castro. Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF

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1 PPP FERRAMENTA PARA A PREVENÇÃO Antonio Carlos Castellar de Castro Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF

2 RESUMO O advento do Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP em 01/01/2004 no nosso ordenamento jurídico trouxe dificuldades para a maioria das empresas, incluindo as do setor elétrico, em virtude, principalmente, do aumento dos requisitos exigidos pela legislação para respaldar as informações fornecidas no documento, quando comparados àqueles relativos aos documentos então vigentes anteriormente previstos nos normativos da Previdência Social com a mesma finalidade, qual seja, a da empresa fornecer informações relativas às condições de trabalho do segurado, com vistas à solicitação deste junto ao órgão previdenciário do reconhecimento de períodos de tempo laborados em condições especiais. Inserida neste contexto, a CHESF procurou, mesmo antes da vigência do PPP, adotar uma estratégia corporativa para se adequar à nova realidade, minimizando os seus impactos negativos tanto na Empresa quanto nos empregados e exempregados, e transformando as dificuldades de antes em oportunidades de melhoria da gestão de segurança e saúde no ambiente de trabalho e numa ferramenta para prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais.

3 1- INTRODUÇÃO O Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP está previsto no artigo 58 da Lei 8.213/91, com redação dada pela Medida Provisória n.º 1.523/96 e convertida na Lei 9.528, de 10 de dezembro de Sua regulamentação se deu pela Instrução Normativa nº. 78 de 18 de julho de 2002, do Ministério da Previdência Social. Trata-se de um documento histórico-laboral dos trabalhadores, apresentado em formulário próprio, que conterá um grande número de informações detalhadas, sobre suas atividades, exposição a agentes nocivos à saúde, resultados de exames médicos e outras informações de caráter administrativo. De acordo com a legislação, será solicitado pelo INSS, sempre que o segurado necessitar de algum benefício da Previdência Social, como por exemplo: aposentadoria especial, entrada no auxílio doença, após os 15 dias de afastamento ou no auxílio acidente, por ocasião de acidente de trabalho. Na prática, isso acontece necessariamente atualmente apenas para o caso de reconhecimento de períodos de tempo trabalhados em condições especiais para fins de aposentadoria do segurado. A exigência do PPP trouxe dificuldades para a maioria das empresas, inclusive do setor elétrico, neste incluída a Companhia Hidroelétrica do São Francisco CHESF. Isso ocorreu principalmente em virtude do maior número e qualidade das informações que passou a ser exigida pelo órgão previdenciário num mesmo documento, quando comparado com os documentos anteriormente vigentes na legislação, em diferentes períodos (SB - 40, DISES BE 5235, DSS-8030, DIRBEN 8030), com finalidade de solicitação de aposentadoria especial pelo segurado. Outra

4 dificuldade foram as constantes mudanças que ocorreram ao longo do tempo em instrumentos normativos da Previdência Social relativos à questão. Objetivando diminuir essas dificuldades, para a Empresa, seus empregados e exempregados a CHESF realizou um trabalho com foco na prevenção, que passou por um melhor entendimento dos vários aspectos envolvidos, correção dos pontos falhos no processo interno e que ainda continua na busca da melhoria contínua, a fim de fazer com que o PPP possa ser utilizado efetivamente como um instrumento para melhoria das condições de segurança e saúde dos trabalhadores e traga benefícios às empresas e ao país. 2- DESENVOLVIMENTO 2.1 Fundamentação Técnica e Legal De acordo com o Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS, o objetivo do PPP foi o de agilizar a concessão das aposentadorias e benefícios em geral. Este documento foi elaborado de modo a aumentar as informações já contidas no antigo DIRBEN 8030 e a incorporar os dados complementares das condições de saúde dos trabalhadores, a fim de comparar os dados que a empresa fornece ao INSS, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Informações à Previdência Social GFIP com a informação prestada no PPP. O PPP deve ser entregue ao trabalhador quando da rescisão contratual e deve ser mantido atualizado, contendo todas as alterações ocorridas nas atividades desenvolvidas pelo empregado, quando tiver havido modificações ambientais que alterem medições de intensidade ou qualidade de algum agente nocivo. Os agentes nocivos são aqueles que possam trazer ou ocasionar danos à saúde ou à integridade física do trabalhador nos ambientes de trabalho, em função de sua natureza, concentração, intensidade e fator de exposição. Considera-se para fins da concessão da aposentadoria especial, exclusivamente, os agentes relacionados no

5 anexo IV do RPS (Regulamento da Previdência Social), aprovado pelo Decreto Nº /99, ratificado pela IN INSS/ PR Nº. 29 de 04/06/2008. O PPP respalda ocorrências e movimentações em GFIP, sendo elaborado pela empresa empregadora, com base no Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) e/ou no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA e assinado pelo representante legal da empresa ou seu preposto, indicando o nome do engenheiro de segurança do trabalho e do médico do trabalho, responsáveis pelos registros ambientais e de monitoramento biológico. O PPP, alternativamente, até 31 de Dezembro de 2003, poderia ser substituído pelos formulários SB - 40, DISES BE 5235, DSS-8030, DIRBEN 8030, de acordo com a época de sua emissão. A não manutenção do Perfil Profissiográfico Previdenciário atualizado ou o não fornecimento do mesmo ao empregado, por ocasião do encerramento do contrato de trabalho, poderá levar à aplicação de multa. O valor da multa pode variar de R$ 991,03 a ,12 por empregado. A empresa, seus prepostos, o engenheiro de segurança e o médico do trabalho são responsáveis pela veracidade das informações prestadas no PPP, podendo incorrer em responsabilização civil e criminal, conforme o caso. 2.2 Etapas do trabalho na CHESF Participação em treinamentos e palestras ministrados por empresas e profissionais especializados, bem como em eventos afins desde 2002 que a CHESF, principalmente através dos seus profissionais de segurança do trabalho, saúde ocupacional e da área de pessoal tem procurado participar de vários eventos correlatos, objetivando uma melhor qualificação para tratamento da questão, considerando principalmente o grande dinamismo da legislação previdenciária e a

6 sua melhor aplicação no setor elétrico. Neste caso, a participação nos SENSE, inclusive com outros trabalhos apresentados no Seminário, tem sido fundamental Levantamento e emissão dos DIRBEN 8030 pendentes até 31/12/03 este procedimento foi realizado nas diversas áreas da CHESF, objetivando diminuir ao máximo o passivo de situações que passariam a requerer a emissão de PPP a partir de 2004, com benefícios tanto para os trabalhadores como para a Empresa, já que o novo documento necessitaria de informações mais completas, e quanto mais remoto fosse o período de tempo analisado, maiores seriam as dificuldades para o seu reconhecimento como especial. Um fator importante que corroborou com o sucesso desta etapa foi a migração que ocorreu em 2002 para os Planos de Contribuição Definida CD da Fundação Chesf de Assistência e Seguridade Social FACHESF, da qual a Empresa é patrocinadora, objetivando a suplementação de aposentadoria para os empregados. Nessa ocasião, foi solicitado que estes informassem, com os respectivos documentos que comprovassem todos os períodos de tempo laborados em condições especiais, objetivando que a Fundação fizesse um planejamento relativo aos 50% dos recursos financeiros que necessitaria apropriar para cada empregado. Isso representou também um ganho a mais para este, em função do maior valor de reserva total apropriada em seu nome. Entretanto, mesmo com a divulgação massiva feita na ocasião ainda é possível encontrar algumas pessoas que não apropriaram previamente os respectivos períodos especiais. Para estas, agora, somente pode ser emitido o PPP, se for o caso Elaboração dos LTCAT e compatibilização com o PPRA e com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, realizadas pelos órgãos de segurança do trabalho e saúde ocupacional- estas atividades foram realizadas inicialmente em todas as áreas da Empresa e passam por um processo de melhoria contínua. Na CHESF, os agentes nocivos hoje existentes aos quais seus empregados podem estar expostos seu ambiente de trabalho são os seguintes, com base no anexo IV do Regulamento da Previdência Social RPS: Físicos ruído ( há empregados terceirizados sujeitos a pressão atmosférica anormal).

7 Químicos mercúrio e aminas aromáticas. Biológicos - microorganismos e parasitas infecto-contagiosos vivos e suas toxinas (estes apenas em pequenas áreas segregadas de hospital no caso dos profissionais que exerçam a atividade de modo permanente). Para elaborar os LTCAT é necessário identificar os grupos homogêneos de exposição, ou seja, a categoria dos empregados que realizam atividades nas mesmas condições. Após uma auditoria do INSS realizada na Empresa em 2004, verificou-se a necessidade de explicitar nos PPRA das instalações, quando fosse o caso, os valores das dosimetrias de ruído realizadas para elaboração dos LTCAT, objetivando melhor separar os níveis de exposição para efeitos das informações para PPP, das medições pontuais de ruído do PPRA que possuem valores superiores às doses medidas. Isso reflete diretamente na necessidade de recolhimento ou não do adicional da GFIP para os empregados que lá exerçam as atividades. Recomenda-se que isso seja realizado sempre que houver avaliações quantitativas para fins de PPP. Os LTCAT devem ser atualizados no mínimo uma vez por ano, a exemplo do PPRA, sendo ambos aprovados por um engenheiro de segurança do trabalho. As informações do PCMSO também devem estar atualizadas e compatibilizadas com o PPRA e LTCAT, respaldando os dados de Monitoramento Biológico do PPP. Objetivando diminuir o risco de eventuais questionamentos dos trabalhadores quanto aos resultados encontrados nas dosimetrias dos agentes nocivos, em especial o ruído, o agente mais presente, a CHESF tem procurado contratar consultorias especializadas para a realização das mesmas e, sempre que possível, as fundações, que têm natureza pública. A adoção de medidas de proteção coletivas, principalmente, e individuais, incluindo as de ordem administrativa, têm contribuído para reduzir a exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos, além dos limites de tolerância estabelecidos na legislação Identificação dos empregados expostos pertencentes aos diversos grupos homogêneos e preenchimento de aplicativo informatizado A identificação é feita pelas respectivas áreas de segurança do trabalho da Sede e regionais, sendo recomendável, sempre que possível, reunir-se com os gerentes ou responsáveis das

8 áreas envolvidas objetivando melhores esclarecimentos. Para períodos a partir de 01/01/2004, data de vigência do PPP preenche-se um aplicativo informatizado, objetivando assegurar a emissão imediata do documento pelo órgão de pessoal. sempre que for necessário. O aplicativo tem vários itens, similares aos do PPP, que devem ser preenchidos, respectivamente, pelas diversas áreas da Empresa competentes para prestar as informações solicitadas. Assim, as informações que vão fazer parte do Aplicativo para Registros Administrativos devem ser fornecidas pelo órgão de pessoal, exceto as relativas a acidente do trabalho, que ficam sob responsabilidade da área de segurança do trabalho, através do Aplicativo para Atualização do Histórico de Acidentes do Trabalho, visando assegurar a sua compatibilidade com as estatísticas de acidentes divulgadas pela área e com os acidentes efetivamente registrados no INSS. O Aplicativo para Alimentação de Registros Ambientais é utilizado pelas respectivas áreas de segurança do trabalho onde o empregado é lotado. O Aplicativo para a Monitoração Biológica é utilizado pela respectiva área de saúde ocupacional, com aprovação dos registros pelo médico do trabalho. Entretanto, por restrições legais, a Resolução do Conselho Federal de Medicina CFM nº de 08/01/2004, não se pode permitir que a informação seja visualizada por outras pessoas além do médico, do perito do INSS e do próprio interessado, e apenas entregue no caso de solicitação da perícia médica do órgão previdenciário, visando-se evitar eventuais argüições de discriminações pessoais Elaboração de instrumentos normativos apropriados com ampla divulgação do processo junto às áreas Em 01/11/2008 entraram em vigor na CHESF dois instrumentos normativos, objetivando disciplinar o processo de PPP na Empresa: a RN-02/2008 RH-92 aprovada pelo Presidente e a IN-RH , aprovada pelo Superintendente de Recursos Humanos. Houve divulgação dos mesmos para os empregados através da rede interna. Em paralelo foram realizadas reuniões específicas na Sede e Regionais com as áreas envolvidas com o preenchimento do PPP pessoal, cargos e salários, segurança do trabalho e saúde ocupacional. O órgão normativo de segurança do trabalho tem sido convidado ainda para fazer

9 apresentações sobre o assunto em diversas áreas da Empresa, bem como, juntamente com as áreas regionais de segurança do trabalho, presta permanente assessoria a gerentes, assessores e demais empregados. O processo inicia-se no órgão de pessoal local de lotação do empregado e concluise também nesse órgão, com a entrega do PPP ao solicitante, se for o caso, de acordo com o resultado da análise realizada pela área de segurança do trabalho. Caso não seja fornecido o PPP, será dada uma justificativa àquele, com base no Parecer Técnico emitido ou caso já tenha sido emitido outro documento anteriormente pela empresa com a mesma finalidade. Apenas no caso de perda do documento, registrada pelo solicitante em Boletim de Ocorrência (BO) policial, será emitido PPP. O PPP é assinado pelo Gerente de Órgão ligado diretamente ao Diretor relativo ao órgão de lotação do empregado. O preenchimento do PPP é feito eletronicamente no formulário do INSS, por cada uma das áreas envolvidas, conforme descrito acima, considerando-se os dados do Aplicativo informatizado descrito no item e o seu fluxo também ocorre eletronicamente. O órgão de pessoal é que emite o formulário inicialmente e preenche os dados da Seção Administrativa, considerando também as informações prestadas pelo gerente do órgão de lotação do empregado ou do órgão sucessor, no período considerado, constantes do documento Ficha para subsidiar as informações para PPP. 3- CONCLUSÕES A emissão dos DIRBEN 8030 para os empregados até 31/12/03 possibilitou que estes já fizessem um planejamento relativo ao tempo de trabalho previsto até a aposentadoria, inclusive com apropriação de recursos por parte da fundação de assistência e previdência complementar da qual a Empresa é patrocinadora, e uma redução do passivo de situações a serem contempladas com o PPP. Foi ainda obtida uma redução do recolhimento total do adicional do RAT da GFIP pela Empresa para os empregados que permanecem trabalhando em condições especiais, com um maior conhecimento do assunto e compatibilização das informações do LTCAT, do PPRA e do PCMSO, e com a adoção de medidas de proteção coletivas e individuais, como organização do trabalho e maior controle dos EPI visando garantir a sua eficácia.

10 Foram identificadas poucas áreas onde haja empregados da Empresa com exposição a agentes nocivos Usinas (Ruído), Hospital (microorganismos), laboratório (aminas aromáticas e mercúrio) e gráfica (aminas aromáticas), acima dos limites de tolerância ou dentro dos requisitos qualitativos. Novas medições dos agentes nocivos químicos estão sendo realizadas, objetivando se determinar a quantificação dos mesmos, quando for possível, e assim poder efetuar uma análise mais adequada. Considerando-se ainda a implementação do Programa de Conservação Auditiva (PCA), com ações já iniciadas, e de outras medidas de proteção espera-se uma redução significativa no valor total do adicional do Risco Acidente do Trabalho - RAT (antigo Seguro Acidente do Trabalho SAT) da GFIP, devido no caso de o trabalho ser realizado em condições especiais, pago pela CHESF. Desse modo, considera-se que, em médio prazo, seja possível que a Empresa reduza o recolhimento tributário relativo a seu Fator Acidentário de Prevenção FAP, em função da diminuição do seu risco de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. Finalmente, pode-se dizer que a CHESF utilizou a exigência do PPP como instrumento de melhoria da gestão de segurança e saúde no trabalho, com foco na prevenção, otimizando a compatibilização de informações entre os LTCAT, PPRA, PCMSO e o PPP, e contemplando tanto interesses dos trabalhadores como da Empresa.

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