Breve guia. do euro. Assuntos Económicos e Financeiros

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1 Breve guia do euro Assuntos Económicos e Financeiros

2 Sobre o euro O euro nasceu em 1999: surgiu inicialmente em extratos de pagamento, contas e faturas. Em 1 de janeiro de 2002, as notas e moedas em euros entraram pela primeira vez nas caixas dos bancos, caixas registadoras, porta-moedas e bolsos dos europeus. Foi mais um grande passo no sentido da integração económica europeia, um percurso iniciado com a criação da Comunidade Económica Europeia em Então e agora: o caminho para o euro A fundação da Comunidade Económica Europeia cria um mercado comum para a livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais entre os Estados-Membros. O mercado comum prospera e alarga-se, mas o comércio é dificultado pela existência de várias moedas em circulação. O Tratado de Maastricht determina que a Europa terá uma moeda única forte e estável para o século XXI. O euro é lançado como uma moeda «virtual». Nasce o euro e começam a circular cerca de 8 mil milhões de notas e 38 mil milhões de moedas em euros. O alargamento da zona euro, que criou a segunda maior economia do mundo, é um processo em curso. Qual é o objetivo? O euro e a União Económica e Monetária (UEM) visam permitir que as economias funcionem de forma mais eficiente e eficaz, criando mais emprego e prosperidade para os europeus. O euro à lupa O símbolo do euro é. A conceção das notas em euros é comum a todos os Estados-Membros da zona euro. O euro em todo o mundo É surpreendente onde se pode encontrar o euro! O euro é utilizado nas Caraíbas (Guadalupe, Martinica e São Bartolomeu), no oceano Índico (Maiote e Reunião) e no oceano Atlântico (Açores, Canárias, Madeira e São Pedro e Miquelão), bem como em Ceuta e Melilha na costa do Norte de África e na Guiana Francesa na América do Sul, sendo também utilizado no Mónaco, São Marino, Cidade do Vaticano e Andorra como moeda nacional e no Kosovo e Montenegro como moeda efetiva. Vários elementos de segurança foram incluídos nas notas em euros. Observa bem e verifica! As moedas em euros têm uma face comum e uma face específica de cada país.

3 Medindo os benefícios O euro teve de fazer face a alguns desafios bem conhecidos nos últimos anos. A crise da dívida revelou pontos fracos que têm de ser cuidadosamente analisados e resolvidos. O quadro da União Económica e Monetária (UEM) foi reforçado em consequência. Embora tenha sido importante refletir sobre os problemas de governação económica, não se podem esquecer os grandes benefícios que o euro proporcionou à Europa, aos seus cidadãos e às suas empresas. Quais as vantagens para os cidadãos? Mais escolha, melhores preços Existe uma maior concorrência entre lojas e entre fornecedores. Logo, beneficiamos de preços mais baixos e os aumentos de preços são mais controlados. As compras transfronteiriças são muito mais fáceis! Na zona euro já não precisamos de calcular as taxas de câmbio: podemos agora comparar claramente os preços e temos mais escolha. Uma moeda estável A taxa de inflação na zona euro foi de cerca de 2% por ano desde o início do euro. É uma inflação muito estável e baixa quando comparada com as taxas de 20% (por vezes, mesmo superiores) que alguns países da UE registaram nos anos setenta e oitenta. Viagens mais baratas e mais fáceis Quando viajamos na zona euro, a nossa vida é muito mais fácil do que anteriormente porque não é preciso trocar de moeda e não temos que pagar quaisquer taxas de câmbio. O euro também pode ser facilmente cambiado em muitos países fora da área do euro estimando- -se que, em termos de valor, cerca de 20% a 25% das notas em euros circulem fora da zona euro. Quais as vantagens para as empresas? É simples: taxas de juro mais baixas = mais investimento Uma inflação baixa mantém as taxas de juro baixas. As empresas podem obter empréstimos a taxas mais favoráveis para investirem, por exemplo, em novas máquinas ou em investigação e desenvolvimento. Novos produtos, novos serviços e maior produtividade. Crescimento económico e mais e melhor emprego. A estabilidade económica incentiva o planeamento a longo prazo Hoje em dia, as empresas europeias estão em melhor posição para realizar investimentos a longo prazo. Como as taxas de juro são estáveis, é mais fácil prever se o seu investimento vai gerar lucros. Menores riscos e custos reduzidos incentivam as trocas comerciais e os investimentos transfronteiriços No passado, o comércio entre os países da UE envolvia muitas moedas com taxas de câmbio flutuantes. Para fazer face a este risco, as empresas tinham que vender a preços mais elevados no estrangeiro, o que desincentivava o comércio. Este risco já não existe. Além disso, o comércio num mercado único com a mesma moeda é simplesmente mais eficiente do que o comércio em muitos mercados com várias moedas. Antes da introdução do euro, o custo da conversão das moedas na UE foi estimado em 20 a 25 mil milhões de euros por ano. Estes custos já desapareceram na zona euro.

4 Quais as vantagens para a Europa? Os mercados financeiros estão mais integrados A integração económica e monetária torna muito mais fácil mobilizar os capitais para investir onde podem ser mais eficientes. O alargamento dos mercados financeiros na zona euro, com uma regulamentação e supervisão adequadas, também torna os capitais mais disponíveis para o investimento e permite que os investidores repartam os riscos de forma mais alargada. Maior facilidade do comércio internacional O euro está a ser cada vez mais utilizado nas transações comerciais internacionais, graças à sua força e disponibilidade e à confiança que inspira. Isso permite que as empresas da zona euro paguem e recebam em euros, ficando menos vulneráveis às flutuações cambiais mundiais e facilitando as trocas comerciais aos nossos parceiros. A área do euro tem uma maior presença internacional Os principais intervenientes da economia mundial reúnem-se em grupos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o G7/G20, para promoverem a estabilidade nos mercados mundiais. O euro é hoje a segunda moeda mundial mais importante, a seguir ao dólar americano. Sendo um dos mais importantes blocos económicos mundiais, a UE tem um maior protagonismo no mundo. Benefícios do euro: breve recapitulação A UEM e o euro proporcionam-nos: uma moeda estável um melhor desempenho económico inflação e taxas de juro mais baixas um enquadramento mais sólido para as finanças públicas transparência dos preços maior protagonismo para a UE na economia mundial a eliminação dos custos cambiais maior facilidade para o comércio internacional mercados financeiros mais integrados com uma regulamentação e supervisão adequadas um símbolo concreto da identidade europeia

5 Mitos sobre o euro: vamos refletir melhor Mito: o euro fez os preços aumentar Ao reduzir a inflação e aumentar a concorrência, o euro tornou efetivamente a vida mais barata! De facto, os dados sobre os preços no consumidor revelam que, em média, a adoção do euro causou muito menos aumentos de preços do que geralmente se pensa e o seu efeito global nos preços foi muito reduzido (um impacto pontual em 2002 entre 0,1% e 0,3%) Mito: o euro implicou uma perda de soberania nacional indesejável Quando um país adota o euro, partilha voluntariamente um certo grau de soberania, dado que os governos têm de coordenar as suas políticas económicas e controlar as suas despesas. No mundo globalizado atual, a soberania nacional é um conceito relativo. Ao coordenar as suas políticas, os governos podem, efetivamente, adquirir influência e poder na esfera económica. Factos e números Com a criação do euro, entraram em circulação 38 mil milhões de moedas. Isso correspondia a cerca de 124 moedas por cada pessoa da zona euro nesse momento Na primeira década após a introdução do euro em 1999, foram criados cerca de 8,7 milhões de novos postos de trabalho na zona euro, contra apenas 1,5 milhões nos sete anos anteriores. 8,7m O custo médio da transferência de 100 euros foi reduzido de 24 para 2,40 euros, graças às regras sobre os pagamentos transfronteiriços em euros introduzidas em Desde dezembro de 2006, o valor das notas e moedas em euros em circulação tem sido geralmente superior ao valor dos dólares americanos em circulação. 1,5m Apoiar a criação de emprego ,40 Reduzir as taxas das transferências 2006 Competir a nível mundial

6 As regras do jogo: adoção e governação do euro Problemas surgidos ao longo do caminho A recente crise financeira e da dívida soberana revelou a existência de fragilidades no quadro de coordenação das políticas económicas da UEM. Em resposta a esta situação, a UE reforçou as regras e procedimentos através dos quais os países da zona euro coordenam as suas políticas económicas e orçamentais. Estas alterações vão ajudar as nossas economias a recuperar da crise atual e a prevenir a ocorrência de crises semelhantes no futuro. A adesão ao clube Todos os países da UE são elegíveis para a aderir ao euro. No entanto, os países que pretendem aderir têm de satisfazer um certo número de critérios para demonstrarem que as suas economias estão preparadas para ter o euro como a sua moeda. Estes critérios de entrada ou convergência avaliam se as finanças públicas apresentam uma trajetória sustentável, respeitando parâmetros de referência a nível do défice orçamental e da dívida pública. Visam igualmente assegurar que os países atingiram um elevado grau de estabilidade macroeconómica e competitividade em termos de inflação e taxas de juro a longo prazo baixas, bem como de taxas de câmbio estáveis. Garantir a solidez das finanças públicas para assegurar o êxito da participação na zona euro O euro oferece muitas vantagens potenciais, mas só se os países participantes adotarem políticas económicas sãs. Por este motivo, desde o início, a adesão ao euro implica a obrigação estrita de evitar défices orçamentais excessivos e manter a dívida pública em níveis sustentáveis. Este compromisso de adoção de políticas orçamentais sãs é controlado no âmbito do chamado Pacto de Estabilidade e Crescimento. Este pacto foi consideravelmente reforçado em consequência da crise económica. Os governos devem agora submeter os seus projetos de planos orçamentais ao escrutínio da Comissão e dos outros países da zona euro. Estão em vigor mecanismos de supervisão rigorosos para verificar se os países cumprem efetivamente os objetivos orçamentais que todos os países da zona euro se comprometeram a respeitar e, se necessário, podem ser impostas sanções. Assegurar a competitividade e promover o crescimento A solidez das finanças públicas não é o único instrumento para estimular a economia na zona euro. A crise revelou igualmente a necessidade de uma nova abordagem relativamente à regulamentação dos serviços financeiros e de um acompanhamento atento da evolução dos mercados financeiros. Foram igualmente estabelecidos novos instrumentos de supervisão para garantir que os países da zona euro adotam políticas económicas que asseguram a competitividade e promovem o crescimento e o emprego. Sendo melhor prevenir do que remediar, estes novos instrumentos de supervisão visam igualmente evitar a criação de «bolhas» com efeitos nefastos nos mercados imobiliários.

7 Quem é quem? Comissão Europeia A Comissão, em especial a Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros (DG ECFIN), acompanham a evolução económica em toda a UE e ajudam a aplicar e desenvolver a legislação acima referida. Banco Central Europeu (BCE) O BCE é uma instituição independente da UE, que toma as decisões em matéria de política monetária na zona euro com o objetivo de manter a estabilidade dos preços. Parlamento Europeu (PE) O Parlamento Europeu é o órgão legislativo deste processo. Toma conhecimento, debate e vota. Toma decisões, em conjunto com o Conselho, ou emite o seu parecer sobre a adoção de uma determinada política. Ecofin e Eurogrupo São as reuniões do Conselho em que a maior parte das decisões é tomada. O Ecofin é composto pelos ministros das Finanças de todos os Estados-Membros da UE; o Eurogrupo é constituído pelos ministros das Finanças de todos os Estados-Membros da zona euro.

8 Portugal Irlanda Espanha Dinamarca Estónia Reino Letónia Unido Países Baixos Lituânia Bélgica Polónia Alemanha Luxemburgo República Checa França Áustria Eslovénia Croácia Itália Suécia Finlândia Eslováquia Hungria Roménia Bulgária Zona euro Estados-Membros da UE com opção de não participação no euro Estados-Membros da UE que ainda não adotaram o euro KC PT-N Malta Grécia Chipre Para mais informações O euro Comissão Europeia Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros Comissão Europeia Banco Central Europeu União Europeia, 2015 Reprodução autorizada mediante indicação da fonte ISBN doi: /13437

9 Comissão Europeia Rumo à moeda única: o caminho para o euro 1957 Preparar o futuro do nosso mercado comum A fundação da Comunidade Económica Europeia em 1957 marcou o nascimento de um mercado comum e o início da integração europeia. Permitiu uma crescente liberdade de circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais entre os Estados-Membros, sem entraves O mercado comum torna-se uma realidade Com o aumento dos intercâmbios e movimentos em toda a Europa, tornou-se claro que o mercado único estava limitado pela existência de várias moedas em circulação. Como ultrapassar este obstáculo à integração? Em 1992, o Tratado de Maastricht determinou que a Europa teria uma moeda única forte e estável para o século XXI Nasce o euro Em 1 de janeiro de 2002, as notas e moedas de euros chegaram às caixas dos bancos, caixas registadoras, porta-moedas e bolsos. Desde então, a zona euro tem crescido, proporcionando benefícios concretos para um número cada vez maior de cidadãos e de empresas. O alargamento da zona euro é um processo dinâmico em curso. ATUALMENTE Assegurar o futuro do euro Desde o início foram estabelecidos critérios e regras para assegurar a estabilidade e harmonia da economia da zona euro. No entanto, em resposta a algumas fragilidades evidenciadas durante a crise, estas têm vindo a ser reforçadas para formar um novo quadro de governação económica da UE que aplica as regras destinadas a ajudar a recuperação dos países da área do euro em dificuldades e evitar problemas semelhantes no futuro. Assuntos Económicos e Financeiros

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