A AUTONOMIA DAS ESCOLAS: DIVERSIDADE, CONTROVÉRSIA E DESAFIOS. João Barroso Universidade de Lisboa

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1 A AUTONOMIA DAS ESCOLAS: DIVERSIDADE, CONTROVÉRSIA E DESAFIOS João Barroso Universidade de Lisboa Congresso Internacional Políticas Educativas, Eficácia e Melhoria das Escolas Universidade de Évora 22 de novembro

2 Roteiro De que falamos quando falamos em autonomia? Diversidade de políticas e seus efeitos. Autonomias das escolas em Portugal sentidos das mudanças em curso. A diversidade de políticas de autonomia (1) Referenciais políticos: estatal; mercado; corporativo; sociocomunitário. Problemas a resolver: governabilidade; legitimidade; regulação; concorrência; democracia; eficácia; Agenda (política): mudança de governo ou de regime; reforma administrativa; modernização da gestão (new public management); reforma educativa; missões económicas de agências internacionais (Banco Mundial, FMI, OCDE, etc.); motivos religiosos; 2

3 A diversidade de políticas de autonomia (2) Intensidade: maior ou menor poder de decisão, atribuição de competências e alocação de recursos Objeto: autonomia administrativa, autonomia financeira, autonomia pedagógica, autonomia patrimonial,. Atores: Diretor, professores, comunidade escolar (alunos, pais), empresas de gestão, sociedade local (empresarial, associativa), A diversidade de políticas de autonomia (3) Modalidades: medidas derrogatórias; contratos de objetivos ; contratos de autonomia ; parecerias público-privadas [ charters schools, empresas de gestão escolar (EMO-educational management organizations), com ou sem fins lucrativos]; Tipos de escolas: charters schools (EUA); escolas livres (Suécia); academias (Inglaterra); escolas autónoma (Hong Kong, Singapura); independent public schools (Austrália);. 3

4 Argumentos a favor da autonomia da escola Mais democrática Mais pertinente Menos burocrática A prestação de contas é facilitada e valorizada Mais oportunidades para mobilizar recursos Maior responsabilização do diretor Anton De Grauwe - document préparé pour l'unesco, en 2005 Argumentos contra a autonomia da escola A autonomia é imposta de cima para baixo (top down), com uma reduzida internalização dos utilizadores. Os diretores são sobrecarregados de tarefas administrativas e de gestão e vêem a sua ação pedagógica reduzida. Enviezamento social na participação dos pais e de outros membros da comunidade. A competição entre as escolas é feita à custa da equidade e do «bem público». Anton De Grauwe - document préparé pour l'unesco, en

5 Evolução dos referenciais utilizados para justificar a autonomia das escolas Autonomia 1 Projeto educativo territorialização participação Autonomia 2 Avaliação qualidade prestação de contas Autonomia 3 Concorrência mercado liberdade de escolha Clivagens políticas na configuração da autonomia hard Mercado educativo Parcerias público-privadas Escola-empresa Competição (empresa) Gestão (financeira, recursos ) soft Contratos de objetivos ou de desenvolvimento Modernização administrativa Participação (comunidade) Pedagogia (objetivos, programas, métodos ensino) 5

6 Finnish Lessons. What Can the World Learn from Educational Change in Finland? Uma das principais mensagens deste livro é que, ao contrário de muitos outros sistemas educativos contemporâneos, o sistema finlandês não foi infetado pela competição do quase-mercado e pelas arriscadas políticas de avaliação por testes PASI SAHLBERG - Finish Lessons, p. 39 Autonomia: escolher ou participar? A autonomia das escolas tem vindo a ficar prisioneira da agenda dos movimentos de opinião que se opõem à carta escolar e que defendem a possibilidade de escolha da escola pelos alunos e suas famílias. Contudo, para aqueles que, como eu, continuam a defender um serviço público e universal de educação, com a garantia do Estado e com a participação dos cidadãos, o reforço da autonomia das escolas deve ser visto como uma forma de reforçar a democracia, aumentar a diversidade da oferta e flexibilizar a organização da escola pública. JBarroso 6

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