AS MUDANÇAS NO MODO E ESTILO DO ENSINO NA ERA DO CONHECIMENTO *

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1 AS MUDANÇAS NO MODO E ESTILO DO ENSINO NA ERA DO CONHECIMENTO * Alexandre Pereira Barbosa (FMU) ** Introdução O mundo está numa constante e cada vez mais acelerada mudança. Hoje, as questões referentes à violência, ao desemprego e à insegurança nos dão a sensação de que temos cada vez menos tempo para fazer as tarefas do dia-a-dia, alterando o cotidiano das pessoas, tornando-nos verdadeiros escravos do relógio, das tecnologias e formas como adquirimos as coisas, inclusive a informação e o conhecimento, num curto espaço de tempo. Nesse contexto, quando o assunto tratado é a educação, torna-se importante fazermos a distinção entre informação e conhecimento, para que possamos lidar melhor com esses assuntos num mundo onde o acesso rápido pode garantir, por exemplo, maior sucesso pessoal ou profissional. Edgar Morin (1991), comentando Claude Shannon, nos diz que O significado do primeiro termo dessa citação é evidentemente o seguinte: a informação pode ser concebida como uma unidade discreta, como partícula que é destacada na teoria da comunicação de Claude Shannon. Essa unidade elementar da informação, chamada de bit, só adquire sentido se for integrada a um conhecimento que a organiza. (...) O conhecimento é aquilo que permite situar a informação, contextualizá-la e globalizá-la, ou seja, inseri-la num conjunto. (Idem, ibidem, p. 124) Também é importante destacar que as tecnologias já disponíveis como a Internet, TV paga, aberta ou digital facilitam, num primeiro momento, esse acesso à * Monografia apresentada à pós-graduação Lato Sensu da UniFMU Universidade Faculdades Metropolitanas Unidas, para a obtenção do título de Especialista em Docência do Ensino Superior, em ** Graduado em Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista e Pós-graduado em Docência do Ensino Superior, pela UniFMU. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Marketing, Comunicação e Tecnologia. Diretor Proprietário da APB Consultoria & Marketing. Editor do GuiaFácil - Itapevi, Jandira, Barueri e região. Professor Universitário da Faculdade Eça de Queiros Faceq. Consultor/Instrutor para os Ensinos Técnico e Profissionalizante do SENAC. Parceiro e Educador da Associação de Deficientes Visuais e Amigos Adeva. 1

2 informação, causando-nos a sensação de apreensão do conhecimento, quando, na verdade, estamos apenas passando os olhos num amontoado de textos e vídeos disponibilizados por esses canais, sem formar um conhecimento real daquilo que é observado. Esse tempo atual e dinâmico, dominado pela informática, s, Orkut s, Twitter s, Facebok s e MSN s entre outros, é definido por João Antonio Zuffo (2003) como a Infoera - A era da informação e do conhecimento, onde as tecnologias passam a fazer parte do nosso cotidiano numa espécie de caminho sem volta, auxiliando e integrando-se à vida contemporânea. A Infoera interliga as pessoas em redes de comunicação globais com os seus celulares bluetooth 1 e redes wireless 2, por exemplo, exigindo delas uma nova compreensão e uma reflexão sobre os novos problemas colocados à coletividade humana. Nas escolas particulares e até nas da rede pública, das capitais e grandes centros urbanos, a tecnologia também mudou a forma como os alunos se relacionam, pesquisam e interagem na sala de aula, durante o processo de aprendizagem. Costumeiramente eles ficam plugados nas comunidades ou nas salas de batepapo, mesmo quando não estão na sala de aula, e as bibliotecas já cederam lugar para as conhecidas pesquisas nos sites como o Google 3, por exemplo, onde as pesquisas e os trabalhos escolares ficam prontos em questão de minutos. Uma pesquisa realizada pelo IBGE em março de 2007 para traçar o perfil do internauta brasileiro mostra que no Brasil 71,7% utilizam a Internet para a educação e a aprendizagem. O percentual aumenta para 90% entre os estudantes, devido ao fato de que a rede mundial é mais acessada pelos jovens, muitos deles matriculados nas escolas da rede pública ou particular do país. Segundo apontou o IBGE, somente em 2007 foram, ao todo, 14 milhões de estudantes que acessando a Internet, entraram em contato direto com a tecnologia no seu dia-a-dia. 1 A tecnologia Bluetooth é, basicamente, um padrão para comunicação sem-fio de baixo custo e de curto alcance. Através dele permite-se a comunicação sem fio entre aparelhos eletrônicos que podem ser telefones celulares, Palmtops, computadores, scanners, impressoras, equipamentos de escritório, enfim, qualquer aparelho que possua um chip Bluetooth. Esta comunicação realiza-se através de ondas de rádio na frequência de 2.4 GHz, que não necessita licença e está disponível em quase todo o mundo. acessado e traduzido do site em 18 de junho de 2007: 2 Wireless é a tecnologia que permite a conexão entre computadores e redes através da transmissão e recepção de sinais de rádio. acessado no site em 17 de junho de 2007: 3 Google é um site de buscas e pesquisas criado em 1998, pelo americano Larry Page e o russo Sergey Brin. 2

3 Vejamos também o que disseram Cláudia Zamboni de Almeida, Martha Barcellos Vieira e Naura Andrade Luciano (2002), do Laboratório de Ambiente Virtual de Aprendizagem da Universidade de Caxias do Sul, sobre a utilização da tecnologia na educação: O nosso desafio está em transformar a aprendizagem baseada na transmissão da informação em construção e reconstrução do conhecimento numa espiral contínua. (...) O uso de novas tecnologias, nesta perspectiva, é o de explorar as particularidades e possibilidades de trocas qualitativas no ambiente de aprendizagem. Essas trocas são a essência e a condição, para que a proposta de educação virtual aconteça, alterando-se a idéia de que ambientes virtuais sejam apenas uma apresentação mais agradável de conteúdos. (ALMEIDA et al. 2002, disponível em Acessado em 12 de julho de 2007) Todos esses dados nos levam a repensar o papel do educador na sala de aula, e na forma como são pensadas e preparadas as aulas por esse profissional. Com o avanço da tecnologia, entramos num processo de mudança, em que o papel do educador passará de detentor dos conhecimentos, para orientador do educando na busca pelo saber. Em nossa avaliação, a tecnologia atual, quando utilizada corretamente, nos dá maior acesso à informação e melhor apreensão de conteúdos por parte dos educandos, sendo também um facilitador na apresentação mais dinâmica das aulas por parte dos educadores. A proposta desta monografia é estudar a importância da tecnologia aliada à educação, sugerindo ainda a apropriação das ferramentas tecnológicas e da informática disponíveis, por parte dos educadores, como forma de aproximação entre educador e educando, no processo de ensino-aprendizagem. Além da finalidade acadêmica, este estudo propõe-se a ser um material de apoio aos novos educadores, bem como àqueles que necessitam de atualização para a prática profissional na educação. 1 História da tecnologia e da educação no Brasil. As Políticas Públicas: seus erros e acertos A relação entre a educação brasileira e a informática como recurso tecnológico empregado na busca por uma qualidade maior em educação é polêmica e vem servindo de tema para diversos estudos e encontros educacionais onde se discute e, muitas vezes, se questiona o uso dessas tecnologias e a real qualidade que elas agregam à aula. Fernando José de Almeida (1988) se posiciona de forma favorável em relação ao uso político da informática na educação e as suas consequências no controle do poder, afirmando que 3

4 Este fascinante e misterioso instrumento informático, que está nas mãos dos especialistas, tende a ser controlador de muitas relações humanas, científicas, políticas e artísticas. Seguramente muitos parâmetros do que será belo, ou a verdadeira ciência ou justiça social, ou o que é o aluno educado, ou o bom professor ou o currículo adequado passarão por suas habilidades, competências e decisões. (Idem, ibidem, p. 38) Em 2006, a professora Margarita Victoria Gómez da ECA/USP, num artigo publicado na Internet com o título Paulo Freire: Re-Leitura para uma teoria da Informática na Educação escreveu que (...) Paulo Freire não desprezou a cultura midiática. Considerou que as competências de um professor são as da leitura e da escrita, bem como a competência de saber enfrentar os fatos cotidianos através da comunicação humana, seja esta por meio da escrita ou de redes telemáticas. Ou seja, propõe que se trabalhe em favor do alfabetismo conceptual e político, porém sempre em relação dialética. Nesta ótica, a questão é desvendar, desarmar e recriar fatos complexos de leitura e escrita. (...) A teoria vai além do âmbito escolar. Ela está preocupada com os espaços públicos onde o conhecimento é produzido desde que o professor da escola pública, cada vez mais, se move em espaços amplificados de educação, enfrenta trabalhos com grupos diversos, organiza-se como educador, compreende linguagens múltiplas: desde a materna, a audiovisual até a informática. (Idem, disponível em Acessado em acessado em 15 de junho de 2007) Não se trata apenas de desenvolver um conteúdo em datashow ou solicitar uma pesquisa pela Internet para os alunos. Mas sim na forma como essa tecnologia poderá ser apropriada pelo educador e o auxiliará no processo de ensino-aprendizagem, e na construção do conhecimento por parte do educando. Almeida (1988) conta que na década de 70, motivado pela possibilidade de crescimento da indústria bélica, o Brasil já pensava em desenvolver o seu primeiro computador nacional, uma vez que para se desenvolver armamentos modernos e competitivos, a informática nacional também teria que ser desenvolvida. Isso colocaria o país em condições de competir com os países da chamada Trilateral Europa, Japão e Estados Unidos, já bastante desenvolvidos tecnologicamente naquela época. Contudo, somente compras da indústria bélica não eram suficientes para o avanço tecnológico no Brasil. A educação tornou-se então a outra importante fonte que impulsionaria o crescimento da informática no país. Sobre esse período, Almeida (1988) afirma o seguinte: O ingresso da educação nesta esteira se deu pela necessidade de ampliar os campos de suporte à indústria de informática nacional. Apenas as compras da indústria bélica não permitiriam à informática se sustentar. Outros setores precisavam ser chamados a este consumo. È verdade que a educação não representa o grande mercado, mas pode ser fator decisivo enquanto formadora da mente e das necessidades dos usuários das próximas décadas. (Idem, ibidem, p. 14) 4

5 Em 1982 aconteceu em Brasília o I Seminário Nacional Informática na Educação, promovido pelo MEC, a Secretaria Especial de Informática na Educação SEI e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), onde os especialistas em ensino e informática debateram sobre a conveniência ou não de se utilizar o computador como ferramenta tecnológica de auxílio no processo de ensinoaprendizagem. Almeida (1988) escreve que, em 1983, na Universidade Federal da Bahia foi traçada uma linha política governamental para a implantação da informática na educação. O projeto batizado de EDUCOM - Projeto Brasileiro de Informática na Educação foi o primeiro do governo a tratar da informática na educação. Ele agregou diversos pesquisadores da área e teve por princípio o investimento em pesquisas educacionais. Materiais instrucionais programados seriam testados nas escolas e validados por equipes de psicólogos, sociólogos, professores das áreas envolvidas e os técnicos em informática. O projeto foi implantado em universidades públicas, voltado à pesquisa no uso de informática educacional, à capacitação de recursos humanos e à criação de subsídios para a elaboração de políticas públicas no setor. As Universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de Campinas (UNICAMP) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram as primeiras entidades que participaram das pesquisas sobre a utilização do computador na educação brasileira. Para Almeida (1988), uma das metas do projeto EDUCOM, foi a de desenvolver a pesquisa do uso da informática na educação, ou seja, perceber como o aluno aprende, sendo apoiado pelo recurso da informática e se isso melhora efetivamente sua aprendizagem. Outra meta era a de levar os computadores até as escolas públicas, possibilitando às mesmas oportunidades que as escolas particulares ofereciam aos seus alunos. A Professora de Pós-Graduação da PUC/SP Maria Candida Moraes (1997), que coordenou as atividades de informática na educação desenvolvidas pelo MEC, relata que De acordo com os relatórios de pesquisas, o EDUCOM produziu num período de 5 anos 4 teses de doutorado, 17 teses de mestrados, 5 livros, 165 artigos publicados, mais de duas centenas de conferências e palestras ministradas, além de vários cursos de extensão, especialização e treinamento de professores. Sistemas de autor e vários software educacionais foram desenvolvidos, dos quais alguns foram os primeiros colocados em concursos nacionais. Assessoramentos técnicos foram prestados às várias secretarias 5

6 estaduais e municipais de educação, aos comitês assessores de programas ministeriais, bem como desenvolvidos programas de cooperação técnica, nacional e internacional, promovidos pela OEA e UNESCO. (MORAES, Disponível em acessado em 08 de agosto de 2007) Segundo Almeida (1988), outra tentativa de aliar a educação com a tecnologia no Brasil, ocorreu com a frustrada implantação do sistema LOGO 4 em algumas escolas do país. Desenvolvido pelo matemático Seymour Papert, discípulo de Jean Piaget, o sistema LOGO tinha o objetivo de desenvolver a reativação dos significados do conhecimento, através do uso de instrumentação computacional. Para Bossuet (1982) A teoria LOGO privilegia a apropriação da tecnologia pelo usuário. Fundada na individualização ela propõe micromundos de logiciel <programa> e materiais estruturados, no interior dos quais os usuários podem elaborar modelos de pensamento ou descobrir novos. (Idem, ibidem, p. 52) O sistema LOGO pretendia desenvolver um trabalho em que o Educando programaria o computador de forma racional, criativa e espontânea, quase sem instruções. Em 2000, a Doutora em Educação Maria Helena Silveira Bonilla, o Doutor em Ciências/Comunicação pela USP e o Professor Nelson De Luca Pretto, que tem Posdoutorado no Centre for Cultural Studies/Goldsmiths College, comentam a introdução do sistema LOGO no Brasil dizendo que Em 1975, a Unicamp promove intercâmbio entre seus pesquisadores e os do Massachusetts Institute of Technology, o famoso MIT, nos Estados Unidos, com destaque para Seymour Papert e Marvin Minsky. Desse intercâmbio nasce um projeto para utilização dos computadores em educação, utilizando a linguagem LOGO desenvolvida por Papert -, estando envolvidos no mesmo um grupo interdisciplinar de especialistas das áreas de computação, linguística e psicologia educacional. A partir de 1977 o projeto passou a envolver crianças, sob a coordenação de dois mestrandos em computação. (BONILLA et al., Disponível em Acessado em 07 de agosto de 2007) Já em 1989, segundo dados disponíveis no portal do Ministério da Educação, foi criado o Programa Nacional de Informática na Educação - ProInfo, que tinha, como objetivo, criar e desenvolver núcleos, distribuídos pelo país, a fim de desenvolver a formação de educadores na utilização da informática na educação, o desenvolvimento de metodologias, processos e sistemas na área educacional. 4 LOGO Linguagem de programação desenvolvida em 1968, no Media Lab do Massachusetts Institute of Technology. 6

7 Na época, foram criados os núcleos: Centros de Informática na Educação Superior (CIES); Centros de Informática na Educação Técnica (CIET); e, Centros de Informática na Educação de 1º e 2º Graus (CIEds). Mais tarde, em 1997 o ProInfo, foi apresentado pelo MEC, para iniciar o processo de universalização da utilização da tecnologia de ponta na rede público de ensino. As principais metas do ProInfo eram na época, a melhoria na qualidade do processo ensino-aprendizagem, que possibilitaria a criação de uma nova ecologia cognitiva, propiciando uma educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico. Atualmente, o ProInfo é desenvolvido pela Secretaria de Educação a Distância (SEED), por meio do Departamento de Infra-Estrutura Tecnológica (DITEC), em parceria com as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais. O programa funciona de forma descentralizada, sendo que, em cada estado, existe uma Coordenação Estadual do ProInfo, cuja atribuição principal é a de introduzir o uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas da rede pública, além de articular as atividades desenvolvidas sob sua jurisdição, em especial as ações dos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTEs). 1.1 Análises do Programa de Informatização da Rede Pública de Ensino do Governo do Estado de São Paulo na década de 90 Analisando individualmente a atuação dos estados, a partir do início da década de 90 e, baseando-nos em nossa experiência pessoal como educador na rede pública, no período que acompanhou a informatização das escolas, a partir do início da década de 90, consideramos que o Governo do Estado de São Paulo pecou gravemente pela falta de planejamento e muitos milhões de reais foram gastos, com a compra de computadores que simplesmente ficaram guardados nos laboratórios de informática, ou nos depósitos das escolas. Sobre essa questão o Mestre em Sociologia e Doutor em Educação pela USP, Professor Sérgio Paulino Abranches (2000), afirma que a introdução da informática na educação (...) não foi acompanhada de uma política sistemática de investimentos no setor, restringindo-se muitas vezes à regulamentação de uso e distribuição dos produtos da informática. Este fato fez com que, ao invés de ter um crescimento autossustentado, aumentasse a distância para com os países que já dominavam esta tecnologia, uma vez que cresce a cada dia o número de produtos de informática. Entendendo deste modo a questão, esta segunda 7

8 posição quanto à introdução da informática na educação não logrou maiores avanços. (ABRANCHES, Disponível em Acessado em 08 de agosto de 2007) Também em nossa avaliação não se considerou antecipadamente a necessidade da capacitação dos funcionários e educadores no sentido de possibilitar a sua familiarização com as ferramentas tecnológicas. Não foram elaboradas as propostas curriculares para a utilização dos equipamentos durante as aulas ou em projetos interdisciplinares, por exemplo. Enquanto isso, as Diretorias Regionais de Educação e os gestores escolares aguardavam sem saber o que fazer com equipamentos. Quanto à capacitação dos educadores, Oliveira (1997), comenta a necessidade de se ter uma política educacional específica na área, propondo que os professores sejam atores deste processo. O seu trabalho mostra que o grau de desconhecimento por parte dos educadores da utilização da informática para a prática pedagógica é um dos grandes fatores a inibir que se chegue a resultados satisfatórios. Oliveira (1997) acaba por concluir (...) ser de fundamental importância que haja uma preocupação com a capacitação dos professores, uma vez que constatamos como sendo quase total o desconhecimento dos professores do que seja informática ao iniciarem-se neste projeto" (Idem, ibidem, p. 163). A Doutora em Educação Maria Helena Silveira Bonilla, e o Doutor em Ciências/Comunicação pela USP e Professor Nelson De Luca Pretto (2000), opinam ainda que Na década de 90, o que se vimos é a manutenção de um sistema no qual os professores são, como sempre, dirigidos de fora. As políticas e estratégias são elaboradas pelos governos, empresas e órgãos, nacionais e internacionais, e chegam à escola com o objetivo de colocá-la no caminho certo, relegando os educadores a figurantes de uma montagem que incluí altíssimas verbas para a produção e para os patrocinadores, pouco restando para os professores, os quais deveriam ser os principais atores do processo. (BONILHA et al., Disponível em Acessado em 07 de agosto de 2007) Com base nas citações dos autores até agora e em nossa experiência pessoal como educador, acreditamos que o resultado foi que, com raras exceções, os profissionais ou educadores habilitados chegaram com meses e, em alguns casos, até anos de atraso, e os laboratórios de informática só foram disponibilizados para os educandos quando os computadores estavam obsoletos ou necessitavam de atualizações nos equipamentos ou nos programas. 8

9 1.2 Análise do Programa Nacional de Informática na Educação - ProInfo na atualidade Em 2007, o Governo Federal anunciou que iria adotar o uso dos minicomputadores para os alunos da rede pública. A iniciativa nos pareceu ser positiva na época. Imaginar uma sala de aula com meios e condições ideais para a prática educacional, onde todos os educandos tivessem computadores com acesso à Internet, com certeza seria uma revolução no modo de pensar e fazer educação. Contudo, não é só o computador o instrumento tecnológico capaz de trazer qualidade à aula. O método adotado pelo educador e as outras circunstâncias materiais como o prédio escolar e as condições das salas de aula, por exemplo, são necessárias no processo de educação. Álvaro Vieira Pinto (1985) acentua a importância das condições estruturais: (...) a importância das condições materiais (instalações, recursos didáticos e prédio da escola) tem duplo sentido: por seu efeito psicológico e por sua significação sociológica. Neste último sentido, a escola representa a primeira revelação à criança de seu status social (a escola rica, a escola pobre), porque é no edifício escolar que pela primeira vez a criança toma contato com a capacidade da sociedade de atendê-la. A escola é o primeiro produto social que está feito exclusivamente para ela. (PINTO, 1985, p. 49) Para além da análise de Vieira Pinto (1985), poderíamos dizer que a escola de hoje, com grades, ao mesmo tempo em que dá maior segurança para os alunos, causanos uma sensação de insegurança que acompanhará o educando por toda a sua vida, além de demonstrar a fragilidade do governo em fornecer o mínimo para que o aluno possa desenvolver-se, tendo as condições necessárias para o aprendizado. Parece-nos, hoje, mais uma postura política populista, do que uma real preocupação com a inserção da tecnologia na educação (como instrumento para a melhoria na qualidade e na apreensão dos conteúdos por parte dos educandos), quando o governo, ao anunciar em rede nacional o uso dos minicomputadores pelos alunos, não tem respostas para questões como: De que forma acontecerá o treinamento dos educadores e educandos, para essa nova tecnologia em sala de aula? Quando e por quem serão elaboradas as práticas educacionais e propostas interdisciplinares para a utilização dos equipamentos? Como serão feitos controles no acesso aos conteúdos por parte dos alunos? 9

10 Atualmente, segundo as repórteres da Agência Brasil, Irene Lobo e Juliana Andrade (2010), uma parcela significativa das escolas já conta com laboratórios de informática no Brasil. Na matéria intitulada Inclusão Digital Computador em todas as Escolas, as autoras afirmam: Até 2010, o governo pretende instalar laboratórios de informática em todas as 130 mil instituições de ensino público do país, um investimento avaliado em R$ 650 milhões. As primeiras escolas beneficiadas serão as do ensino médio. Todas vão ter pelo menos um laboratório de informática até o mês de dezembro, o que equivale a escolas desse nível em todo o país. (LOBO; ANDRADE, Disponível em ew. Acessado em 07 de março de 2010) Lobo e Andrade (2010) comentam ainda que o ProInfo é o responsável pela informatização das escolas, citando o gerente do programa, José Guilherme Ribeiro, e as suas declarações sobre a informatização da rede pública de ensino: (...) Depois de informatizadas as instituições de ensino médio, o foco serão as escolas que atendem a 5ª e a 8ª séries e os estabelecimentos urbanos e rurais, que deverão ser equipadas em Em seguida, virão as escolas de 1ª à 4ª séries, que deverão ser atendidas em 2009 e (...) Em 2007, vamos atender em torno de 12 mil escolas - cinco mil escolas rurais e sete mil urbanas. Em 2008, tentaremos atender, no total das escolas rurais e urbanas, em torno de 14 a 15 mil escolas. E, nos anos de 2009 e 2010, em torno de 30 mil escolas por ano. (LOBO; ANDRADE, Disponível em ew. Acessado em 07 de março de 2010) Apesar de nos causar estranheza, o fato de o texto ser produzido em dezembro de 2010, mas citar ações de 2007, 2008 e 2009 como eventos que ainda serão realizados, as informatizações são dadas como concluídas no portal do MEC. Contudo a questão da capacitação docente e orientação para o planejamento educacional com a inserção da informática como ferramenta de ensino no cotidiano dos educandos também não é considerada nesse estágio do programa de informatização da educação comandada pelo Governo Federal. Oliveira (1997) comenta sobre a necessidade de se ter uma política educacional específica na área, mostrando ainda que o grau de desconhecimento por parte dos educadores sobre a utilização da informática para a prática pedagógica é um dos grandes fatores inibidores dos resultados satisfatórios. A esse respeito Angelita Marçal Flores (1996) escreve que a Informática deve habilitar e dar oportunidade ao aluno de adquirir novos conhecimentos, facilitar o processo ensino-aprendizagem e ser um complemento de conteúdos curriculares, com vistas ao desenvolvimento integral do indivíduo. 10

11 Quanto à questão do acesso à Internet nas escolas, a situação ficou demonstrada na pesquisa realizada pelo IBGE em 2007, para traçar o perfil do internauta brasileiro. O Instituto mostrou que no período, apenas 18% dos estudantes acessaram a Internet em algum estabelecimento de ensino. Cerca de 5% disseram utilizar somente nesse local. A Revista Veja também publicou em sua edição de número 2100, de fevereiro de 2009, uma pesquisa que ilustra o perfil dos jovens internautas. A revista entrevistou pais, educandos e educadores para identificar hábitos e comportamentos que formam os jovens da era digital. Segundo a pesquisa, eles gastam diariamente, 3 horas e 40 minutos navegando na Internet. Dedicando quase 4 horas à Internet, os jovens poderiam ampliar as suas possibilidades de educação e trabalhos de pesquisa, por exemplo, pois podem, através de cursos, blogs e afins, aproximar-se de outros jovens; trocando experiências e conhecimentos, entre outras coisas. Com isso, entende-se que seja fundamental que governos, instituições de ensino e, em especial os educadores, fomentem um uso mais elaborado da Internet, aumentando as possibilidades que a rede oferece para os educandos, apresentando estratégias de ensino que promovam a aprendizagem e contribuindo para a construção de saberes na era do conhecimento. Outra questão a ser considerada é a qualidade do acesso à Internet no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), em 2010, a banda larga teve um crescimento de 71% no País em relação a Foram ao todo 14,2 milhões de novos assinantes. Na contramão dessa expansão, o Brasil ficou na 76ª posição no ranking mundial de velocidade de banda larga, de 168 países analisados pela consultoria mundial Ookla, que compara e classifica as velocidades de acesso e downloads feitos por consumidores. O Brasil ficou atrás de países como Gana e Cazaquistão, que ocupam o 39 e o 52 lugares. Voltando à questão das salas de aula, é importante ressaltar que pouquíssimas escolas de educação infantil, ensino fundamental e médio possuem aulas de informática na grade curricular e os equipamentos são utilizados, em sua maioria, pelos alunos que possuem conhecimento em informática, o que acaba, em nossa análise, por excluir os que não têm conhecimento ou que não possuem condições financeiras para fazer um curso particular. Já no ensino superior, a realidade tecnológica é um pouco diferente. As exigências para atuar no ensino superior fazem com que as instituições de ensino 11

12 privado tornem públicos anualmente os seus laboratórios, computadores e bibliotecas. Isso fica claro no Decreto Oficial 2.207/1997, que regulamenta a Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 1996), e determina em seu Artigo 12: (...) Na ocasião do anúncio previsto no caput deste artigo, as instituições de ensino superior também tornarão públicas: a) a qualificação do seu corpo docente em efetivo exercício nos cursos de graduação; b) a descrição dos recursos materiais à disposição dos alunos, tais como: 1. laboratórios; 2. computadores; 3. acessos às redes de informação e acervo das bibliotecas; (...) 2º O não-cumprimento do disposto no parágrafo anterior acarretará inquérito administrativo nos termos do art. 7º deste Decreto. (DECRETO 2.207, de 15 de abril de 1997, que regulamenta a Lei número das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de Disponível em Acessado em 04 de junho de 2007 no site) O controle exercido pelo Ministério da Educação dessas autorizações, exigindo das instituições de ensino superior que disponibilizem as tecnologias para os alunos, tornam as instituições mais atuais e ligadas às novas tecnologias. A esse respeito, Margarita Victoria Gómez (2006), comenta que: (...) Um dos eixos básicos deve ser o da apropriação, pelos educadores, dos avanços científicos do conhecimento humano que possam contribuir para a qualidade da escola que se deseja. Inovar não é criar do nada, dizia Paulo Freire, mas ter a sabedoria de revisitar (sic) o velho. Revisitar (sic) sua prática para pensar a informática na escola é coerente com o sonho de fazer uma escola de qualidade para uma cidadania crítica. Isto implica, por sua vez, o conceito de escola cidadã, ou seja, o lugar de produção de conhecimento, de leitura e de escrita onde o computador ou a rede de computadores constituirão elementos dinamizadores, favorecendo o funcionamento progressivo da instituição e da própria cidadania democrática. (Gómez, Disponível em acessado em 15 de junho de 2007) De posse dessas informações, conclui-se que é importante que se pense com cautela e que se planeje a tecnologia aliada à educação de forma a não se incorrer nos erros históricos já cometidos do passado. Todos os autores mencionados até o momento defendem a importância da tecnologia na educação como instrumento a ser apropriado pelo educador na busca por uma educação de qualidade e atualizada com o ritmo da vida contemporânea. Acreditamos pessoalmente que a grande questão está na introdução desta tecnologia, sem que seja definida a política de acompanhamento, uma proposta pedagógica, um sistema de formação continuada para os educadores, e o monitoramento dos trabalhos desenvolvidos pelos educandos no processo de ensino-aprendizagem com o uso da microinformática. 12

13 Deixar a capacitação dos educadores para segunda ou terceira etapa do processo de informatização da educação é um equívoco e uma questão que precisa ser revista pelos governos e gestores da educação no Brasil. 2 As relações entre a educação, a tecnologia e o trabalho. O Futuro que se desenha na Infoera João Antonio Zuffo (2003) vai definir o tempo atual, dominado pela informática como a Infoera - A era da informação e do conhecimento, em que as tecnologias passam a fazer parte do nosso cotidiano numa espécie de caminho sem volta, auxiliando e integrando-se à vida contemporânea. Zuffo (2003) desenvolve uma teoria evolutiva da tecnologia na humanidade, levando em conta a evolução da informática no passado recente que serve de base para as suas previsões sobre os rumos da informática que em breve estará totalmente integrada à nossa vida. Com a propriedade de quem já formou uma plêiade de mestres e doutores, tendo mais de duzentas publicações entre artigos nacionais e estrangeiros, e dezenas de livros, Zuffo (ibidem) nos diz que a educação e as relações entre as pessoas também mudam na Infoera. Sua primeira constatação é a de que com o avanço tecnológico há uma reestruturação virtual dos relacionamentos sociais que provocam mudanças no comportamento das pessoas. Nesse âmbito as tecnologias da Informação adquirem uma importância cada vez maior na evolução da sociedade: Levando-se em consideração que Zuffo escreveu o livro em 2003, percebe-se que as suas previsões quanto à facilidade no acesso se concretizaram, pois atualmente, essa facilidade em manter contato com o outro distante, como se esse estivesse ao lado, já é uma realidade comum para quem utiliza a Internet como ferramenta no trabalho ou para estudos e consultas. Também podemos observar o desenvolvimento extremamente rápido das comunicações sem fio (wireless), sobretudo no que diz respeito aos telefones celulares. Zuffo (2003) comenta que no Brasil, o número de celulares era zero em 1996 e atingiu 21 milhões em Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), esse número saltou para incríveis 175,6 milhões em Janeiro de Os telefones celulares estão evoluindo muito rapidamente em termos tecnológicos e já 13

14 estão possibilitando ao grande público acesso à Internet móvel e a sites através de comandos de voz. Temos então novas modalidades de interação social, de negócios e, na educação, novas formas de elaboração e apresentação dos trabalhos escolares. Acreditamos que em pouco tempo será comum para o educador da rede pública, apresentar um tema para um trabalho escolar, e os educandos acessarem e pesquisarem na Internet, em tempo real, as informações referentes ao trabalho proposto, através do seu telefone celular. Pelo menos isso já esta se tornando hábito nos ensinos particulares e superior. As escolas e as salas de aula informatizadas, em breve, serão mais interativas, tornando-se uma importante ferramenta do educador na sua busca por uma aula com qualidade e que verdadeiramente auxilie o educando na sua busca pelo conhecimento. Isso fica claro na análise de Zuffo, quando ele comenta a evolução da informática, fazendo uma previsão para os próximos trinta anos. Segundo ele: (...) o Eniac foi desenvolvido durante a Segunda Grande Guerra e conhecido em Trinta anos depois, tínhamos o Apple, microcomputador portátil de uso geral, totalmente visível. Mais trinta anos, em 2006, grande parte dos computadores em forma de pastilhas estarão embutidos nas coisas, sendo totalmente invisíveis ao usuário externo. Mais trinta anos, os computadores serão visíveis apenas ao mercado profissional, sendo totalmente invisíveis ao usuário. Dessa forma, será possível que um utensílio qualquer ou uma parede projete determinada imagem ou localize determinada informação a partir de um pedido verbal. (ZUFFO, 2003, p. 40) Acreditamos que toda essa evolução tecnológica, com mudança nas formas de comunicar, pensar e agir da sociedade deverá alterar a relação comportamental nas atividades profissionais e exigirá um enorme esforço na formação e capacitação de recursos humanos, desde os professores do ensino fundamental até os envolvidos com o ensino virtual; os grupos de estudantes e educadores profissionais do ensino superior. Segundo Zuffo (2003), também será necessário desenvolver métodos e processos que permitam a utilização da plena potência do ensino virtual, de forma que ele possa atingir milhões e milhões de pessoas. Atualmente, a educação deve ser orientada para a formação de líderes dotados de elevado espírito inovador, liderança e alta criatividade. Concordamos com o Professor Zuffo na sua constatação de que É fundamental que nossos dirigentes estejam profundamente convictos de que os bens intangíveis gerados pelos ambientes culturais científico-tecnológicos serão o esteio e a razão de ser da Infoeconomia, economia alterada pela evolução tecnológica (2003, p. 159). 14

15 E se a tendência é para um mundo cada vez mais conectado e informatizado, devemos como educadores, acompanhar e aproveitar essa evolução em nosso benefício e em benefício dos educandos, tendo em vista o nosso desenvolvimento e a emancipação dos nossos povos. Borba (2001) nos diz que (...) os seres humanos são constituídos por técnicas que estendem e modificam o seu raciocínio e, ao mesmo tempo, esses mesmos seres humanos estão constantemente transformando essas técnicas (Idem, ibidem, p.46). Com isso entendemos a informática como uma ferramenta que não é neutra. Quando a usamos, estamos sendo modificados por ela. Atualmente todas as tecnologias que permitam a conexão do educando e do educador com o meio externo à sala de aula, tais como projetores de alta resolução, salas ou ambientes para a realidade virtual, celulares com conexão sem fio à Internet serão utilizados na busca por mais conhecimento e na formação dos indivíduos da nossa nova sociedade. Zuffo (2003) irá chamá-los de Infocidadãos. Acreditamos que o educador profissional que atua ou pretende atuar na Infoera precisa se apropriar das ferramentas tecnológicas para favorecer a mediação entre o educando e o conhecimento, uma vez que a tecnologia mudou o modo de fazer a aula, e também a maneira como os educandos apreendem os conteúdos no Brasil. Pensamos também que é papel dos governos, a capacitação e o constante aperfeiçoamento dos educadores para tal evolução tecnológica. Além disso, o grande desafio do educador é o de adaptar a informática ao currículo escolar, utilizando o computador como instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados, além de preparar os educandos para o mercado de trabalho e o mundo informatizado. Assim, o educador deve se dar conta da importância da informática no trabalho e na educação, e utilizá-la como um meio para melhorar a qualidade de ensino. O papel do educador é o de mostrar ao educando para que serve o conhecimento. Ele precisa enxergar-se, apenas, como uma parte do processo de aprendizado, que levará o aluno ao sucesso profissional e pessoal. 3 Usando a informática como instrumento didático-pedagógico. As opiniões dos especialistas sobre a tecnologia em sala de aula. A pergunta que muitos educadores fazem hoje em dia é: Como eu posso usar a informática como um instrumento didático-pedagógico, em favor de uma aula rica em 15

16 conteúdos e que leve o educando a se questionar, buscando as repostas e construindo o conhecimento? A resposta não é fácil, pois nem todos são treinados ou estão acostumados a lidar com o computador na escola. Mas de uma coisa todos temos certeza: o computador é uma ferramenta indispensável para se medir o grau de desenvolvimento de uma sociedade e um instrumento importante na educação moderna. Nesse sentido, Giovannini (1987) esclarece que: E para Lesoure (1988), O computador realiza hoje o momento de síntese entre as extremidades mais avançadas das tecnologias e a matemática, que pela própria natureza, permite exprimir conceitos de grande complexidade através de equações sintéticas. (...) O computador, apesar de ser um dos últimos rebentos da família dos produtos eletrônicos, transformou-se numa realidade característica das sociedades industriais evoluídas, a ponto de hoje ser possível medir o grau de desenvolvimento de uma sociedade em termos do número de computadores utilizados. (Idem, ibidem, p. 228) (...) para que a Informática penetre na escola, uma condição local essencial deve ser cumprida: a existência de uma equipe de professores motivados, capazes de dedicar tempo a um projeto pedagógico preciso, e dispondo de meios que lhes permitam adquirir ou adaptar os programas, garantir a manutenção e estocagem do material e organizar os locais necessários. (Idem, ibidem, p.21) O atual desafio do educador é o de enfrentar a chamada "Era da Informação", na qual se unem a informática e as telecomunicações, articulando a sua experiência e o saber aos recursos tecnológicos disponíveis pela instituição de ensino na formatação das suas aulas. Paulo Freire, analisando a articulação entre o saber, as novas tecnologias e a educação, afirmou em 1993 que Exatamente porque somos programados, somos capazes de pôr-nos diante da programação e pensar sobre ela, indagar e até desviá-la (...) Somos capazes de inferir até na programação da que somos resultado (...) A vocação humana é a de "saber" o mundo através da linguagem que fomos capazes de inventar socialmente (...) nos tornamos capazes de desnudar o mundo e de "falar" o mundo. Só podemos falar do mundo porque transformamos o mundo, e o processo não poderia ser ao inverso. Neste sentido, a linguagem não só é veículo do saber, senão que é saber. Não se pode compreender a vida histórica, social e política dos homens fora dele e da necessidade de saber. (...) Necessita-se de homens, de mulheres, que ao lado dos saberes técnicos e científicos, estejam também inclinados a conhecer o mundo de outra forma, através de tipos de saberes não preestabelecidos. A negação disto seria repetir o processo hegemônico das classes dominantes, que sempre determinaram o que podem e devem saber as classes dominadas. (FREIRE, 1993, p.25-34) Estudar e conhecer as ferramentas tecnológicas disponíveis é função do educador comprometido com a educação e com a qualidade do ensino no Brasil e no mundo. Não se sabe ainda, se um novo meio de comunicação irá surgir em sala de aula, 16

17 ou se haverá apenas a união do computador com Internet, do televisor ou data show, em um único aparelho eletrodoméstico a ser usado pelo educador. Algumas instituições de ensino já montam uma espécie de armário onde todos esses equipamentos ficam conectados uns aos outros, ficando disponíveis nas salas de aula para quando os educadores necessitarem. O que se sabe é que a informática, com todas as suas possibilidades técnicas, fortalece o sistema educacional e aponta para uma nova sociedade, que buscará o conhecimento por simulação das realidades virtuais, apreendidas pelos educandos nas salas de aula ou em ambientes especiais para o aprendizado. Sobre isso Pierre Lévy nos diz que "(...) emerge, neste final de século XX, um conhecimento, por simulação, que os epistemologistas ainda não inventaram" (Idem, 1993, p. 33). O conhecimento, por simulação, talvez seja a base da nova escola, da nova educação e do novo papel educativo do professor. O educador, por sua vez, deve ser o principal agente na inovação educacional. Sem ele, nenhuma mudança ocorrerá e não haverá transformação e evolução da educação e da sociedade. É através da tecnologia de simulação que o educando encontrará fora da sala de aula, nos ambientes virtuais de ensino, as respostas para as suas dúvidas. Será no ciberespaço, o ambiente onde diversos indivíduos podem compartilhar as informações em comunidades específicas, que o conhecimento será produzido e difundido. Quanto à didática, em sala de aula, o educador deverá fornecer, com os seus pressupostos filosóficos, uma visão de indivíduo na sociedade, colocando um objetivo à educação. Os educandos devem ser estimulados a gerar conhecimentos com o uso do computador, e não simplesmente copiar textos. O educador tem que agir como o orientador para o trabalho a ser desenvolvido. Caberá aos educandos, o papel de perceber, conceituar, generalizar as descobertas formando o conhecimento. Também, de nada adiantará pedir para os educandos fazerem pesquisas na Internet sem orientações e acompanhamento do educador. Caberá ao educador o papel de instruir os educandos para que estes não façam cópias simples dos textos encontrados nos sites. Tais propostas devem ajudar na elaboração das pesquisasem sites confiáveis, gerando conhecimentos com o material pesquisado. Sobre essa questão Almeida (1988) coloca que: (...) Dever-se-ia criar uma metodologia de uso do computador na educação, não a metodologia que se encontra costumeiramente por aí, nem a metodologia empacotada nos primeiros programas educacionais. É 17

18 importante uma metodologia como norteadora da prática pedagógica. (Idem, ibidem, p. 367) A professora de Informática Educativa Edna Alves, que tem mais de uma década de experiência na área, no seu artigo A introdução da informática na educação, publicado no portal WebArtigos em 15 de novembro de 2010, relaciona algumas práticas úteis no dia a dia, para a utilização dos computadores e da Internet pelos educadores e educandos. Ela diz que são (...) muitas as possibilidades de uso das TIC de forma inovadora e criativa, tanto por parte do aluno, quanto do professor. Há uma gama de recursos que podem auxiliar o processo de ensino e aprendizagem (ALVES, Disponível em: Acessado em 11 de abril de 2011). Outra dimensão da metodologia do ensino seria aquela que a fizesse ser criada a partir da análise do trabalho, ou seja, que formasse a estrutura curricular, os programas, as estratégias que os educadores adotam, as formas de avaliação, levantando toda a problemática, desde os seus currículos e programas até o sistema de avaliação, detectando os pontos de entraves ao desenvolvimento da sua prática cotidiana educativa. Seria feito um levantamento da problemática, para detectar os itens em que o computador pode dar uma contribuição para sua solução. O computador, nesse caso, entra no fim de um processo de análise crítica dos problemas pedagógicos, ao invés de entrar como uma solução a priori, sem ter sido feito um levantamento do problema. Só a partir disso é que se devem elaborar programas educacionais com apoio do computador. Almeida (1988) defende uma "metodologia de produção de material informatizado aplicado à educação" (Idem, ibidem, p. 367), em que o professor utiliza todos os recursos da Informática para fazer gráficos, desenhos, ilustrações e textos em suas aulas, sem conhecer computação, pois vai utilizar apenas os recursos da máquina. O curso montado para uma aula e passado para a estrutura computacional, é de uma instrução programada, bastante sofisticada, que está embutida dentro do computador, e o conhecimento que um professor precisa ter de programação para montar um curso com esse recurso é extremamente pequeno. Se fosse criada uma metodologia de produção de material de informática aplicada à educação, na qual tivéssemos muitos recursos à disposição, para produzir os nossos cursos com uma metodologia mais sofisticada, mais aprofundada, as 18

19 consequências pedagógicas seriam várias e benéficas. Além disso, é necessário também um acompanhamento pedagógico extremamente crítico dos programas produzidos. É muito fácil lançar programas sem que haja acompanhamento pedagógico ou avaliação sistemática das suas implicações no aluno e até nas relações disciplinares. Entretanto, é preciso fazer uma análise pedagógica em profundidade, e não apenas utilizar esse recurso como se fosse bom por essência, simplesmente por ser informatizado; por pertencer à informática, ele pode até representar um fator negativo para a escola, decorrendo disto, a necessidade de se refletir sobre ele, analisando-o com muito cuidado. Por fim, nenhum outro recurso, que podemos considerar aqui como didático, possui tantas funções quanto o computador conectado à Internet. A popularização do conhecimento e da informatização está cada vez mais presente em nossas vidas. Cabe ao educador utilizar esse conhecimento para trabalhar os conteúdos pedagógicos, levando os educandos a analisar o que acontece na sociedade e no mundo globalizado. É nossa a tarefa de construir uma educação voltada para a realidade e para o mercado de trabalho, que exigirá cada vez mais conhecimentos dos nossos educandos. Considerações Finais A Informatização da Educação no Brasil não foi planejada corretamente no passado. Até pelo desconhecimento dos brasileiros sobre a nova tecnologia que, na época era restrita aos países com maior desenvolvimento tecnológico e com mais recursos. Afinal a informática custava muito caro. Projetos como o Educom e a frustrada tentativa de se implementar o sistema LOGO no país, tropeçaram na época, pela falta de recursos para implementação e principalmente no treinamento dos educadores que foram deixados à margem do processo. Em São Paulo, alguns avanços ocorreram no início da década de noventa com a instalação de alguns laboratórios nas escolas da rede estadual. Contudo, sem o treinamento necessário, a maior parte dos laboratórios de informática foi liberada para a utilização dos alunos com meses e, em outras situações, com anos de atraso. Em 2007 o Governo Federal anunciou que todos os estudantes do Brasil receberiam laptops até o ano de Isso também não ocorreu. Atualmente o portal do Ministério da Educação MEC, anuncia que todas as escolas com mais de 50 alunos no Brasil, já receberam a infraestrutura; os computadores 19

20 necessários para que se use a informática como ferramenta dos educadores, na educação e formação dos educandos para a sociedade da informação e do conhecimento. Mas o portal é desatualizado e não apresenta a real situação do Brasil quanto à infraestrutura e os laboratórios de informática instalados pelo país; também não aponta como ocorrerá a implementação dos laboratórios em escolas menores e no âmbito rural. Assustadoramente, o portal do MEC ainda afirma que o treinamento dos educadores acontecerá até o ano de 2015, após a implantação da Internet nas escolas brasileiras. Mesmo com os avanços tecnológicos e com o barateamento dos equipamentos os educadores ainda não utilizam os computadores como instrumentos pedagógicos, ou como ferramentas didáticas facilitadoras do aprendizado. Talvez, por não serem treinados para isso, ou pelo fato de que a Informática ou a Educação Digital não estarem inseridas na grade de aulas, ou na proposta curricular da educação da maioria das escolas, no Brasil. O ensino de disciplinas como matemática, português, história ou geografia, entre outras, não são trabalhadas com o auxílio da tecnologia. Então, se conclui que os laboratórios de informática e o acesso à Internet são subutilizados pelas escolas, governo e educadores. Os educandos também não utilizam os computadores e a Internet corretamente nas pesquisas e na elaboração dos trabalhos acadêmicos. Não existe prática educacional e os laboratórios de informáticas nas escolas, quando utilizados, são usados para acessos pessoais às redes sociais. Vivemos o famoso jeitinho brasileiro de lidar com as questões tecnológicas e da informática e Internet aplicadas à educação. No entanto, existem também pontos positivos a serem trabalhados, como, por exemplo, a consciência por parte de todos os envolvidos no processo (Governos, Educadores, Educandos e sociedade de forma geral), da importância que o conhecimento e o domínio da informática são vitais para o profissional deste, e dos próximos séculos. Apesar da tardia chegada dos laboratórios de informática e da Internet nas escolas, percebe-se que existe um movimento no sentido de tornar essas tecnologias disponíveis à maior parcela possível de brasileiros, ávidos por informação e conhecimento. E, mesmo de forma básica, a Internet já faz parte da vida dos estudantes brasileiros, ainda que apenas para o acesso às redes sociais. Mesmo que pontuais, algumas iniciativas são tomadas no sentido de treinar os professores, capacitando-os para o ensino da Educação Digital e a correta utilização das tecnologias na educação e na formação dos estudantes, para um mercado de trabalho, 20

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