Reforma do Estado: Introdução, comparação e limites

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1 Reforma do Estado: Introdução, comparação e limites Neves, Gleisi Heisler. Reflexões sobre a proposta de reforma do Estado brasileiro / Gleisi Heisler. Brasília: ENAP, COSTA, L. Contribuição a um projeto de reforma democrática do Estado. RAP 44(2):239-70, Mar./aBr MATIAS-PEREIRA, José. Administração pública comparada: uma avaliação das reformas administrativas do Brasil, EUA e União Européia. RAP, 42( 1) : 61-82, JAN./FEV PINHO, J. A. G. de. Reforma do Aparelho do Estado: Limites do Gerencialismo frente ao Patrimonialismo. Organizações & Sociedade. Vol. 5. N

2 Introdução Que tipo de Estado se deseja construir? Como deverá se relacionar com a sociedade e o mercado? Quais serão sua missão, objetivos, papel, formas e meios de intervenção e funções? Que características organizacionais e gerenciais necessitará adquirir para lograr êxito?

3 Introdução Há algumas décadas, estudiosos de administração têm-se dedicado a analisar as razões do malogro da maior parte das reformas administrativas já realizadas, chegando à conclusão que estão geralmente associadas às inadequações do paradigma que as instrui e das estratégias utilizadas para seu desenho e implantação

4 Introdução Analisando nossas experiências de reforma administrativa, Nascimento concluiu que elas se apoiavam em uma concepção mecanicista da administração, estando impregnadas não só pela crença de que o êxito dependia apenas de uma aplicação correta de princípios e tecnologias cientificamente embasados, como pela desconsideração das relações existentes entre organizações e burocracia públicas com o seu entorno.

5 Essa concepção explica por que essas reformas supervalorizaram a eficiência e se apoiaram em pré-requisitos inexistentes na realidade brasileira. Quais seriam os caminhos para reformas?

6 Orientação para atividades fim Problem-Oriented Preocupação com a internalização de valores, atitudes e hábitos que assegurem a continuidade do processo Sua abordagem como mudança social, incorporando a concepção da organização como um sistema aberto

7 se substituam as reformas globais e imediatistas, por outras com orientação seletiva e estratégica, já que qualquer tentativa de alterar todo o conjunto do aparelho de Estado, de uma só vez, seria inviável se supere a falsa separação entre política e administração, a percepção mecanicista desta última e o mito da neutralidade da burocracia, reconhecendo-se que nela estão presentes interesses e lutas políticas.

8 Reforma Brasileira anos 90 A última grande reforma ocorre em 1995 com EC 173 (reforma do Estado) Amparado pela popularidade e legitimidade adquiridas nas urnas, o novo Presidente inicia o seu governo organizando uma ampla reforma nas políticas e nos aparelhos do Estado pretendendo reduzir o custo Brasil, solucionar a crise da economia brasileira e garantir as condições de inserção do país na economia globalizada (SILVA, 2003)

9 Reforma Brasileira A reforma do Estado brasileiro nos anos 90 tem como marco institucional a criação do Ministério da Administração e Reforma do Estado e a elaboração do Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado

10 PDRAE 6.1 Objetivos Globais: Aumentar a governança do Estado, ou seja, sua capacidade administrativa de governar com efetividade e eficiência, voltando a ação dos serviços do Estado para o atendimento dos cidadãos; Limitar a ação do Estado àquelas funções que lhe são próprias, reservando, em princípio, os serviços não-exclusivos para a propriedade pública não-estatal, e a produção de bens e serviços para o mercado para a iniciativa privada; Transferir da União para os estados e municípios as ações de caráter local: só em casos de emergência cabe a ação direta da União; Transferir parcialmente da União para os estados as ações de caráter regional, de forma a permitir uma maior parceria entre os estados e a União.

11 PDRAE 6.2 Objetivos para o Núcleo Estratégico: Aumentar a efetividade do núcleo estratégico, de forma que os objetivos democraticamente acordados sejam adequada e efetivamente alcançados; Para isso, modernizar a administração burocrática, que no núcleo estratégico ainda se justifica pela sua segurança e efetividade, através de uma política de profissionalização do serviço público, ou seja, de uma política de carreiras, de concursos públicos anuais, de programas de educação continuada permanentes, de uma efetiva administração salarial, ao mesmo tempo que se introduz no sistema burocrático uma cultura gerencial baseada na avaliação do desempenho; Dotar o núcleo estratégico de capacidade gerencial para definir e supervisionar os contratos de gestão com as agências autônomas, responsáveis pelas atividades exclusivas de Estado, e com as organizações sociais, responsáveis pelos serviços não-exclusivos do Estado realizados em parceria com a sociedade.

12 PDRAE 6.3 Objetivos para as Atividades Exclusivas: Transformar as autarquias e fundações que possuem poder de Estado em agências autônomas, administradas segundo um contrato de gestão; o dirigente escolhido pelo Ministro segundo critérios rigorosamente profissionais, mas não necessariamente de dentro do Estado, terá ampla liberdade para administrar os recursos humanos, materiais e financeiros colocados à sua disposição, desde que atinja os objetivos qualitativos e quantitativos (indicadores de desempenho) previamente acordados; Para isso, substituir a administração pública burocrática, rígida, voltada para o controle a priori dos processos, pela administração pública gerencial, baseada no controle a posteriori dos resultados e na competição administrada; Fortalecer práticas de adoção de mecanismos que privilegiem a participação popular tanto na formulação quanto na avaliação de políticas públicas, viabilizando o controle social das mesmas.

13 PDRAE 6.4 Objetivos para os Serviços Não-Exclusivos: Transferir para o setor público não-estatal esses serviços, através de um programa de "publicização", transformando as atuais fundações públicas em organizações sociais, ou seja, em entidades de direito privado, sem fins lucrativos, que tenham autorização específica do Poder Legislativo para celebrar contrato de gestão com o Poder Executivo e assim ter direito a dotação orçamentária; Lograr, assim, uma maior autonomia e uma conseqüente maior responsabilidade para os dirigentes desses serviços; Lograr adicionalmente um controle social direto desses serviços por parte da sociedade através dos seus conselhos de administração. Mais amplamente, fortalecer práticas de adoção de mecanismos que privilegiem a participação da sociedade tanto na formulação quanto na avaliação do desempenho da organização social, viabilizando o controle social; Lograr, finalmente, uma maior parceria entre o Estado, que continuará a financiar a instituição, a própria organização social, e a sociedade a que serve e que deverá também participar minoritariamente de seu financiamento via compra de serviços e doações; Aumentar, assim, a eficiência e a qualidade dos serviços, atendendo melhor o cidadão-cliente a um custo menor.

14 PDRAE 6.5 Objetivos para a Produção para o Mercado: Dar continuidade ao processo de privatização através do Conselho de Desestatização; Reorganizar e fortalecer os órgãos de regulação dos monopólios naturais que forem privatizados; Implantar contratos de gestão nas empresas que não puderem ser privatizadas.

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17 Público Não-Estatal O setor produtivo público não-estatal é também conhecido por terceiro setor, setor não-governamental, ou setor sem fins lucrativos. Por outro lado, o espaço público não-estatal é também o espaço da democracia participativa ou direta, ou seja, é relativo à participação cidadã nos assuntos públicos. Neste trabalho se utilizará a expressão público não-estatal que define com maior precisão do que se trata: são organizações ou formas de controle públicas porque estão voltadas ao interesse geral; são não estatais porque não fazem parte do aparato do Estado, seja porque não utilizam servidores públicos ou porque não coincidem com os agentes políticos tradicionais. A expressão terceiro setor pode considerar-se também adequada na medida em que sugere uma terceira forma de propriedade entre a privada e a estatal, mas se limita ao não-estatal enquanto produção, não incluindo o não-estatal enquanto controle. A expressão não-governamental é um anglicismo, que reflete uma confusão entre Estado e governo; finalmente, a expressão sem fins lucrativos carece de limites porque as organizações corporativas também não tem fins lucrativos, sem que por isso sejam necessariamente públicas. O que é estatal é, em principio, público. O que é público pode não ser estatal, se não faz parte do aparato do Estado (Luiz Carlos Bresser-Pereira e Nuria Cunill Grau, 1999)

18 Adm. Direta e Indireta É chamado de Administração Direta o núcleo de cada Administração Pública (federal, estadual, distrital ou municipal), que corresponde à própria pessoa jurídica política (União, Estado, Distrito Federal, Municípios) e seus órgãos despersonalizados. Já Administração Indireta é o conjunto de entidades personalizadas, vinculadas normalmente a um órgão da Administração Direta (Ministério ou Secretaria), previstas no art. 4, II, do Decreto-lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967: autarquias (orçamento próprio, gestão descentralizada, ex. SAAE) fundações públicas (entidade dotada de personalidade jurídica de direito público, sem fins lucrativos, ex. FBG) empresas públicas (entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, ex.: CEF, ECT) sociedades de economia mista (há colaboração entre o Estado e particulares, ambos reunindo recursos para a realização de uma finalidade, sempre de objetivo econômico, func, regidos pela CLT, ex.: BB, Petrobrás.)

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