MANEJO E ALIMENTAÇÃO DE VACAS EM LACTAÇÃO

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1 AZ042 Bovinocultura de Leite Aula 09 MANEJO E ALIMENTAÇÃO DE VACAS EM LACTAÇÃO Prof. Rodrigo de Almeida Ciclo de Produção - Curva de Lactação - Consumo de Matéria Seca - Escore de Condição Corporal - Desenvolvimento Fetal A curva de lactação é didaticamente dividida em três fases: - Início: Parto até 100 dias pp. - Meio: de 101 até 200 dias pp. - Fim: de 201 até o final da lactação, normalmente entre 305 e 365 dias pp. * Mostrar slide com curvas de lactação x consumo de MS. A curva de lactação tem três principais parâmetros: Duração, Pico e Persistência! Pico - Dia de maior produção de leite na curva, normalmente entre 45 e 60 dias pós-parto. - Vacas adultas têm picos mais precoces e novilhas de 1 o parto têm picos mais tardios. - Importância: 1 kg de leite a mais no pico representa potencialmente 200 kg de leite a mais na lactação. Persistência - Grau de queda ou de inclinação na curva. - Quanto mais plana a curva, maior a produção de leite. - A persistência pode ser incrementada pela genética (vacas selecionadas têm maior persistência), por práticas de manejo (maior frequência no 1

2 número de ordenhas e uso da somatotropina bovina) e pelo atraso na cobertura (vaca prenha tem menor persistência). Curva de Ingestão de MS - O pico na produção de leite (em torno do 2 o mês) não coincide com o pico no consumo de MS (em torno do 4 o mês). - Consequentemente, a vaca leiteira (particularmente a de alta produção) entra em balanço energético negativo. - Como a vaca selecionada tem como maior prioridade produção de leite, ela começa a mobilizar suas reservas de gordura para fazer frente ao aumento de demanda na glândula mamária e, por consequência, começa a perder peso. - A perda de tecido adiposo, avaliada pelo Escore de Condição Corporal, é bem-vinda, mas não pode ser longa, nem pronunciada (perdas de até 0,5 ponto ECC estão ok). - Prioridade hoje: maximizar o consumo de MS no pós-parto, para que o balanço energético negativo não comprometa o desempenho produtivo e reprodutivo. Algumas estratégias: Proporcionar o máximo de conforto (cama, sombra, ventiladores, aspersores, etc.); Maior número de tratos; Boa disponibilidade de cocho (por exemplo, separando novilhas de 1 o parto das vacas adultas); Adoção de dieta total misturada (TMR); Inclusão de ingredientes de alta palatabilidade. - Balanços energéticos negativos longos têm uma séria implicação: como a reprodução é a última prioridade para a vaca não-prenha, ela não retorna à atividade reprodutiva! Avaliação do Desempenho Reprodutivo - Definir: Período de Serviço (Dias abertos) + Período de Gestação = Intervalo Entre Partos; Período de Lactação + Período Seco = Intervalo Entre Partos. - Valores Ideais (hoje raramente alcançados): Período de Serviço (Dias abertos) = 3 meses Período de Gestação = aproximadamente 9 meses Período de Lactação = 10 meses Período Seco = 2 meses Intervalo entre Partos = em ambos os casos, 12 meses (1 parto/ano) 2

3 - Hoje, principalmente em rebanhos de alta produção, é aceitável um período de serviço (dias abertos) de até 150 dias o que implica num intervalo entre partos de 14 meses. - Período Voluntário de Espera: dias, para que o útero esteja apto a iniciar uma nova gestação. - Número de doses/concepção: 1,5-2,0 doses/prenhez confirmada, podendo chegar a 2,5-3,0 doses/prenhez nos meses mais quentes do ano. - Lembrar que a espécie bovina tem um ciclo estral de 21 dias e que seu cio tem uma duração em torno de 8-12 horas. Meio da Lactação - Balanço energético começa a ficar positivo. - Inicia-se a recuperação do ECC. - Começar a aumentar a % de ingredientes volumosos, resíduos e subprodutos, para baratear a dieta. - Vaca deve ficar prenhe! Fim da Lactação - Balanço energético francamente positivo. - Recuperação completa do ECC (cuidado com os excessos; a vaca deveria secar com ECC de 3,25-3,50). - Período de menor retorno econômico, pelo decréscimo na produção. Maximizar o uso de ingredientes de menor custo. - Preparar a vaca para a secagem, que deve ocorrer 60 dias antes da data prevista para o próximo parto (necessidade de uma adequada escrituração zootécnica). Aspectos Práticos na Alimentação de Vacas Leiteiras - Agrupamento por Lotes: Produção x Dias em Leite x Ordem de Parição x ECC. - Nossa recomendação é que no mínimo haja a formação de 4 lotes: alta produção, mediana/baixa produção, primíparas e recém-paridas. - Razões por separar as primíparas das vacas adultas: primeiro, propicia menos competição com as vacas mais velhas, maiores e dominantes, e segundo, permite ordenhar por primeiro as vacas mais jovens que são as menos infectadas. - No lote de vacas recém-paridas deve haver um controle diário do comportamento ingestivo e das condições clínicas de cada animal. É o período de maior incidência de enfermidades de uma vaca leiteira (febre do leite, retenção de placenta, metrite, cetose, fígado gorduroso, deslocamento de abomaso, etc.). Se a vaca ficar doente neste período, sua lactação está comprometida! Este lote deve receber uma dieta de 3

4 moderada concentração energética e com ingredientes de alta palatabilidade. Após 3-4 semanas pp, a vaca pode deixar este lote e ir para o lote de vacas de alta produção. Recomendações Específicas para Vacas de Alta Produção - Propiciar as melhores condições de conforto, já que são elas que propiciam o maior retorno econômico. - Pela necessidade de maximizar consumo, fornecer a elas os volumosos de mais alta qualidade. - Fornecer uma ou mais fontes de gordura (nutriente de alta densidade calórica): caroço de algodão ou grão de soja integral ou ainda gordura protegida (sais de cálcio de ácidos graxos). - Pelo maior fornecimento de ingredientes concentrados, cuidar com quedas pronunciadas no ph ruminal (abaixo de 5,8). O quadro de acidose ruminal pode levar ao timpanismo, à laminite e à queda no teor de gordura do leite. - Se não for possível a adoção da TMR, fornecer o concentrado ao longo do dia, distribuído em pequenas refeições. Cuidar com os grãos finamente moídos ou os de alta umidade, por fermentarem mais rapidamente no rúmen. Usar o tamponante bicarbonato de sódio. - Em vacas prenhas, com adequado ECC (acima de 3,0) e em períodos de justa remuneração pelo leite, a suplementação com bst (somatotropina bovina) é recomendada. Recomendações Específicas para Vacas de Baixo Potencial Produtivo - Preferencialmente às custas de pastagens e outros alimentos volumosos. - Como os desafios não são tão grandes, o desempenho reprodutivo deveria ser próximo do ideal (1 parto/ano). - Uso de concentrados ocasional (por exemplo, em períodos de boa remuneração do leite) e exclusivo para algumas poucas vacas que se destacam. - Generalização: acima de 12 kg/dia, fornecer 1 kg de ração para cada 2 litros de leite. - No inverno, a opção cana+uréia deve ser examinada, particularmente no Norte do Paraná e em outros estados de maior temperatura ambiente. 4

5 Tabela Exigências Nutricionais para Vacas Holandesas em Diferentes Fases da sua Vida Produtiva: Item ou Nutriente Vaca Seca Vaca em Lactação pré 20-parto Recém Início Meio Fim Peso Vivo (kg) Consumo MS (kg) 14, , ,5 20,5 Produção Leite (kg) PB (%) 9,9 12,4 19,5 16,7 15,2 14,1 PDR (%) 7,7 9,6 10,5 9,8 9,7 9,5 PNDR (%) 2,2 2,8 9,0 6,9 5,5 4,6 Prot. Met. (%) 6,0 8,0 13,8 11,6 10,2 9,2 ELl (Mcal/kg) 1,32 1,52 2,22* 1,61 1,47 1,36 FDN (%) FDA (%) CNF (%) Cálcio (%) 0,44 0,48 0,79 0,60 0,61 0,62 Fósforo (%) 0,22 0,26 0,42 0,38 0,35 0,32 Magnésio (%) 0,11 0,20 0,29 0,21 0,19 0,18 Cloro (%) 0,13 0,20 0,20 0,29 0,26 0,24 Sódio (%) 0,10 0,14 0,34 0,22 0,23 0,22 Potássio (%) 0,51 0,62 1,24 1,07 1,04 1,07 Enxofre (%) 0,20 0,20 0,20 0,20 0,20 0,20 Microminerais** Vitamina A (KUI) 58 60, Vitamina D (KUI) 11,7 12, Vitamina E (UI) Fonte: 2001 NRC s Nutrient Requirements of Dairy Cattle * Estas vacas irão perder peso (valores acima de 1,80 Mcal/kg não podem ser alcançados) ** Exigências de microelementos minerais (expressos em ppm): Cobalto 0,11, Cobre 10 a 16, Iodo 0,3 a 0,4, Ferro 13 a 30, Manganês 14 a 24, Selênio 0,30 e Zinco 22 a 70. 5

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