ATIVIDADES DESPORTIVAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

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1 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva CAPÍTULO X ATIVIDADES DESPORTIVAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA Prof a. Ms. Dalva Alves dos Santos Filha ATIVIDADES FÍSICAS PARA SURDOS PREFÁCIO 49

2 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva INTRODUÇÃO A audição é o sentido através do qual percebemos os sons. Os conteúdos ou as associações de sons nos afetam de diferentes formas: podem nos alegrar, entristecer, amedrontar. Podem nos estressar ou acalmar. Mas, principalmente, nos permitem compreender o mundo à nossa volta, adquirir conhecimentos, ter acesso às informações, compartilhar sentimentos. Logo, uma deficiência na audição certamente trará consequências para o desenvolvimento do indivíduo, uma vez que ela é essencial para a aquisição da língua oral a forma mais usual de comunicação entre os seres humanos. A deficiência auditiva/surdez pode ser herdada ou adquirida devido a complicações na gestação ou no parto, ao uso de drogas ototóxicas, à infecção por determinadas doenças, como a meningite, e à excessiva exposição ao barulho. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a surdez corresponde a 15% do total de casos de deficiência em todo o mundo e aproximadamente metade deles poderia ser evitada através de prevenção. No Brasil existem indícios de um aumento nos casos de surdez adquirida na infância, decorrente da falta de atenção à saúde, principalmente a prevenção de doenças infecto-contagiosas (SOUZA, 2003). Dados estatísticos recentes dão conta dos números: o último Censo Demográfico (IBGE, 2000) encontrou pessoas com alguma ou grande dificuldade permanente de ouvir. Já o Censo Escolar 1 /2007 computou alunos com problemas auditivos matriculados na Educação Básica (Ensino Regular e Educação de Jovens e Adultos), nas escolas de todo o país. Desse total, alunos possuem algum grau de perda auditiva, enquanto são surdos. Do total de surdos, estão incluídos em classes comuns. Esse fato 50 1 Censo realizado pelo MEC/INEP, anualmente, em todas as escolas do Brasil.

3 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva trouxe a necessidade de preparar os professores para atender, de forma adequada, a essa população. O objetivo deste texto é, portanto, fornecer informações básicas sobre a audição, a deficiência e o deficiente auditivo/surdo, para facilitar a intervenção do professor de Educação Física, nas turmas onde esses alunos estiverem incluídos. Serão apresentadas, primeiramente e de forma bastante resumida, as condições normais do aparelho auditivo e do processo da audição, seguidas de informações relativas à deficiência auditiva e suas consequências para a educação de crianças surdas. Por último serão abordados os tópicos referentes à atividade física de forma geral e à participação dos surdos no esporte. 51

4 Figura 1 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva AUDIÇÃO O processo normal da audição é complexo, assim como o aparelho auditivo humano (figura 1). Inicia-se com a captação de ondas sonoras pelo pavilhão auricular. Através do conduto auditivo, estas chegam à orelha média, que é uma câmara preenchida com ar. Nela estão contidos o tímpano, a trompa de Eustáquio responsável por igualar a pressão interna com a externa - e os três ossículos (martelo, bigorna e estribo). As ondas sonoras provocam vibração no tímpano, que faz vibrar os ossículos que, por sua vez, transmitem a vibração para a orelha interna. Na cóclea, as ondas sonoras se propagam no meio líquido e são transformadas em impulsos elétricos. Estes são enviados ao cérebro pelo nervo vestíbulo-coclear. No cérebro se dá a decodificação dos sons, o que caracteriza a audição propriamente dita. 52

5 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva O quadro a seguir detalha as três partes do aparelho auditivo e as funções de cada uma delas. Quadro 1 Parte Estruturas Função Orelha externa Orelha média Orelha interna - pavilhão auricular (orelha) - conduto (ou meato) auditivo externo - membrana timpânica (tímpano) - cadeia ossicular - trompa de Eustáquio - ligamentos - músculos - nervo facial - vestíbulo (responsável pelo equilíbrio) - cóclea (responsável pela audição) Captar e conduzir o som até a orelha média Conduzir as ondas sonoras até a orelha interna Receber e transformar o som em impulso nervoso e enviá-lo ao cérebro O processo da audição ocorre quando todos os mecanismos de captação, condução e percepção do som estão funcionando perfeitamente. Qualquer problema nas orelhas externa e média (responsáveis pela captação e condução do som) pode diminuir a audição, mas, normalmente, pode ser solucionado com medicamentos e procedimentos ambulatoriais ou cirúrgicos. Já os problemas na orelha interna (responsável pela percepção do som) não podem ser resolvidos, o que significa dizer que sempre haverá a impossibilidade de perceber alguns ou muitos sons. Isso ocorre porque, nesse caso, existe lesão nas células responsáveis por reconhecer cada tipo de som. Assim sendo, a 53

6 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva quantidade e a qualidade das células afetadas é que vão determinar quais sons cada pessoa surda será capaz de perceber. Embora quase todos os surdos sejam capazes de detectar a presença de algum tipo de som, essa audição residual é pouco útil, mesmo com o uso de prótese auditiva 2, pois não poderá ser usada como principal meio de obter informações através da fala (SMITH, 2008). Além das condições do aparelho auditivo, algumas características do som também influem na audição. Uma delas é a sua capacidade de se propagar nos meios gasoso, líquido ou sólido. Essa propagação, como já foi visto, se dá sob a forma de ondas. As ondas sonoras provocam vibrações tais, que são capazes de ser transmitidas para o cérebro através do ouvido (meio gasoso / ar) e do corpo como um todo (meio sólido / ossos). Outras características que influenciam diretamente a qualidade da audição são a intensidade e a frequência. A intensidade é determinada pela amplitude da onda sonora, refere-se ao volume do som e é o que permite distinguir um som forte de um som fraco. É medida em decibéis (db). A frequência varia de acordo com a quantidade de ondas emitidas em um determinado espaço de tempo e é o que faz com que um som seja alto (agudo) ou baixo (grave). É medida em Hertz (Hz) ou ciclos por segundo. Assim sendo, a capacidade de ouvir determinados sons vai depender da conjugação entre o grau de perda em decibéis (que pode ser remediado, até certo ponto, com a amplificação do som) e a preservação de células capazes de perceber as diferentes frequências na orelha interna. É, basicamente, a partir do cruzamento dessas duas informações que se obtém o resultado da audiometria, que é o exame que determina o grau de audição das pessoas Aparelhos eletrônicos individuais, de vários tipos, cuja função é amplificar os sons. São fabricados em laboratórios acústicos, seguindo normas e padrões internacionais. A prescrição de modelos específicos é baseada no resultado do exame audiométrico.

7 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva A figura a seguir ilustra, de forma simplificada, a grade onde são marcados os resultados dos testes de audição e traçado o gráfico audiométrico. Figura 2 Hz db

8 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva DEFICIÊNCIA AUDITIVA Essa expressão sugere a diminuição ou a ausência da capacidade para ouvir determinados sons, devido a fatores que afetem quaisquer das partes do aparelho auditivo. A Política Nacional de Educação Especial 3 (BRASIL, 1994) define a deficiência auditiva como sendo a perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da capacidade de compreender a fala através do ouvido. Essa definição permite concluir que: 1) existem diferentes graus de perda auditiva; 2) a surdez pode ocorrer em diferentes fases do desenvolvimento; e 3) a sua pior consequência é a impossibilidade de ouvir a voz humana. Dependendo da época da instalação da deficiência e do grau da perda auditiva, o indivíduo pode ter dificuldades no relacionamento, na comunicação, na compreensão de conceitos e regras e na apreensão de conhecimentos através do meio mais comum, que é a língua oral (fala). Existe mais de um padrão de classificação de perda auditiva. Em todos, na audição normal, o limiar de audibilidade vai até 25 db em todas as frequências do espectro sonoro, que varia entre 250 e 8000 Hz (figura 2). Isso significa que perdas auditivas até 25 db não prejudicam a audição que, portanto, é considerada normal. Já para os demais graus de perda auditiva, existe variação entre os padrões de classificação. Optou-se, aqui, pela classificação segundo o Padrão ANSI (1969), descrita a seguir A definição foi retirada do documento de 1994 porque a nova Política Nacional de Educação Especial, elaborada em 2008, não traz definições.

9 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva Quadro 2 Classificação Perda auditiva Audição normal Deficiência leve Deficiência moderada Deficiência acentuada Deficiência severa Deficiência profunda 0 a 25 db 26 a 40 db 41 a 55 db 56 a 70 db 71 a 90 db Acima de 90 db Para facilitar a compreensão do conteúdo do quadro anteriormente apresentado, os graus de perda auditiva podem ser traduzidos da seguinte forma: a perda leve permite ouvir os sons, desde que estejam um pouco mais intensos. Na perda moderada há a necessidade de se repetir algumas vezes o que foi dito e dificuldade de falar ao telefone, com a possibilidade de troca da palavra ouvida por outra foneticamente semelhante (ex: pato/gato, cão/não, céu/mel). A perda acentuada não permite ouvir o telefone, a campainha e a televisão, tornando necessário o apoio visual para a compreensão da fala. A perda severa permite escutar sons fortes, como o de caminhão, avião, serra elétrica, mas não permite ouvir a voz humana sem muita amplificação. Na perda profunda só são audíveis sons graves que produzam vibração, como o trovão e avião (INES, 2005). Assim sendo, se uma criança já nasce surda ou adquire uma surdez severa ou profunda antes de ter acesso à língua oral de sua comunidade, vai ter muitas dificuldades de se integrar ao mundo dos ouvintes. Felipe (1988) atribui essa dificuldade ao fato de todo grupo social estar inserido em uma cultura e de a interação dos membros de cada cultura envolver processos linguísticos. Explica-se, assim, a necessidade 57

10 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva de os surdos terem domínio da língua que é usada pelo grupo social, para que haja comunicação e inserção cultural. Apesar disso, sabe-se que a língua de mais fácil acesso para os surdos é a de sinais. Reconhecida como sua língua natural, é por meio dela que esses indivíduos constroem sua identidade e desenvolvem-se nos aspectos afetivo, cognitivo e social. Ocorre que, como as demais línguas naturais 4, as de sinais também são adquiridas através do contato com as pessoas que a utilizam, mas apenas crianças surdas filhas de pais surdos costumam aprendê-la de forma natural e como primeira língua, no período próprio de desenvolvimento da linguagem. Essas crianças, além da aquisição da língua, crescerão em contato com o que o construto sócio-antropológico da surdez convencionou chamar de cultura surda. Nesse modelo, a surdez não está baseada na deficiência e a falta ou a diminuição da audição não são relevantes. Aqui, a marca da surdez é a diferença e os surdos são vistos como um grupo minoritário que tem em comum a mesma língua e os mesmos valores culturais (SOUZA, 2003). Já as crianças surdas filhas de pais ouvintes, com raríssimas exceções, só costumam entrar em contato com aquela que deveria ser sua primeira língua, quando vão para uma escola especial ou conhecem outros surdos. Normalmente, vivem no mundo dos ouvintes, mas não usufruem da exposição à língua oral nos estágios iniciais do desenvolvimento, ficando impossibilitadas de adquiri-la e de ter acesso à cultura do grupo. Tendo em vista a necessidade do domínio de uma língua para a organização do pensamento e o desenvolvimento da cognição (FERNANDES, 2003), faz-se necessário que, desde cedo, a criança surda seja exposta à língua de sinais e que a família e a escola a utilizem como meio de comunicação e instrução Segundo Fernandes (2003), uma língua é considerada natural quando é própria de uma comunidade de falantes que a usam como meio de comunicação e pode ser naturalmente adquirida como língua materna.

11 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva EDUCAÇÃO DE SURDOS Considerações gerais No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão dos surdos pela Lei nº , de Apesar disso, em seu parágrafo único, a referida lei reza que a LIBRAS não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa. Dessa forma, a lei assegura ao surdo o uso da língua de sinais e exige dos sistemas educacionais o ensino, tanto da LIBRAS, quanto do Português, na modalidade escrita. A inclusão de crianças surdas na rede regular de ensino, proposta pela Constituição Federal (1988), incentivada pela Lei 9.304, que dita as Bases da Educação Nacional (1996) e defendida pela nova Política Nacional de Educação Especial (2008), vai gerar a necessidade da presença de um surdo adulto que lhes sirva de modelo lingüístico, e do aprendizado da LIBRAS pelo restante da comunidade escolar. Cabe esclarecer, aqui, que as línguas orais e as de sinais são independentes entre si e possuem estruturas completamente diferentes uma é de modalidade oral-auditiva e a outra, de modalidades espaçovisual e que a língua oral, principalmente na forma escrita, é muito mais complexa que a de sinais, o que dificulta o seu aprendizado por parte dos surdos que usam a LIBRAS. Por serem tão diferentes, é aconselhável que sejam ensinadas separadamente e que a LIBRAS seja, no caso dos surdos, prioritária. O Português, na modalidade escrita, deve ser ensinado como segunda língua, o que implica uma educação bilíngue. Como nem as escolas, nem os professores estão preparados para lidar, adequadamente, com as questões referentes à educação dos surdos, a inclusão desses indivíduos nas turmas regulares tem se mostrado, na maioria das vezes, mais complicada e menos eficiente que a inclusão de indivíduos com outros tipos de necessidades educacionais especiais. 59

12 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva Língua de Sinais Por definição, linguagem é um sistema de comunicação, natural ou artificial, humano ou não (LYONS, 1987), ou seja, uma forma de comunicação ampla que inclui expressões faciais, a forma de se vestir, os sinais de trânsito, a música, a pintura, a linguagem de outros animais. Já o conceito de língua é mais restrito. Nas palavras de Fernandes (2003),... é um tipo de linguagem e define-se como um sistema abstrato de regras gramaticais (p.16). Logo, a língua pode ser entendida como um conjunto de regras gramaticais que identificam sua estrutura nos seus diversos planos, como o dos sons, da formação e das classes de palavras e da semântica, para citar apenas alguns. As línguas de sinais obedecem ao mesmo conceito e, como as línguas orais, também possuem estrutura e gramática próprias, que incluem, entre outras coisas: 1) Alfabeto manual, usado para digitar nomes que não possuem um sinal próprio e para configurar a mão na realização de um sinal; 2) Sinais, que correspondem às palavras. Um sinal é composto por uma configuração de mão(s), um movimento e um ponto de articulação em relação ao corpo. Para melhor compreensão, encontram-se, a seguir, alguns exemplos de como se formam os sinais. Configuração de mãos forma que a(s) mão(s) assumem para executar um sinal. Exemplos: Telefone (Y) Desculpa (Y) Tio (C) Curso (C) } } Configuração da mão em Y Configuração da mão em C 60

13 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva Movimento Deslocamento da(s) mão(s) no espaço. Exemplos: Não ter = mão em L, tremendo Resolver = mão em C, girando para baixo Ponto de articulação Local do corpo onde o sinal se realiza. Exemplos: Ter = polegar tocando o tórax, mão em L Desculpa = dedos tocando o queixo, mão em Y O número de configurações de mãos é grande, mas limitado. Com elas são realizados todos os sinais possíveis em todas as línguas de sinais do mundo. O quadro a seguir mostra as configurações de mãos. 61

14 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva Quadro 3 62

15 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva ATIVIDADE FÍSICA PARA SURDOS Considerações gerais A deficiência auditiva e a surdez afetam apenas o aparelho auditivo, não trazendo nenhum outro prejuízo, além dos já citados. Dessa forma, o desenvolvimento motor de crianças surdas costuma seguir os padrões de normalidade, não havendo, portanto, nenhuma restrição à prática de atividades físicas. Quando a surdez é acompanhada de outra deficiência 5 ou de algum outro comprometimento, as possíveis restrições estarão relacionadas a esses(s) outro(s) problema(s). A escolha de atividades físicas para crianças surdas pode e deve respeitar os mesmos critérios usados para a seleção de atividades para crianças sem deficiência, ou seja, as condições de saúde, faixa etária, condicionamento físico, habilidades já adquiridas, interesses, entre outros. As atividades aeróbicas são muito importantes, pois as crianças que não se utilizam da fala costumam ter uma respiração curta, isto é, não enchem completamente os pulmões, diminuindo, com isso, a capacidade de expansão da caixa torácica e a atividade dos músculos envolvidos na respiração. Assim sendo, além de todos os benefícios cardiovasculares já conhecidos, no caso dos surdos, as atividades aeróbicas também podem contribuir, indiretamente, para facilitar o aprendizado da emissão de sons da fala, nos casos em que a família e a criança se interessem pela oralização 6. Não havendo nenhuma restrição física e/ou cognitiva associada, os surdos podem praticar qualquer tipo de atividade física, esportiva ou 5 Alguns fatores causadores da surdez, como a rubéola materna durante a gravidez, podem desencadear outras deficiências, concomitantemente. Além disso, uma segunda deficiência pode instalar-se, antes ou depois da surdez, devido a causas externas (acidentes, traumas), originando uma deficiência múltipla. 6 Aprendizado da fala, através de metodologias específicas, que incluem a emissão de fonemas (e, depois, de sílabas e palavras) e o controle da voz, com o auxílio da respiração. 63

16 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva rítmica. No caso dos jogos e esportes, não há necessidade de adaptação na forma de ensinar, conduzir ou arbitrar. Tampouco há adaptações nas regras de cada modalidade. Em se tratando de crianças pequenas menos atentas, ou de atividades cujas regras ainda estejam sendo aprendidas, pode-se usar uma bandeira para a arbitragem, pois, por ser um estímulo visual, chama a atenção das crianças mais rapidamente e facilita a intervenção do professor/árbitro. Já as atividades rítmicas, devem ser incentivadas como forma de desenvolver o ritmo interno individual, inerente a todo ser vivo, e de criar condições para a adaptação a ritmos externos, ditados por uma música, uma sequência de sons, um texto ou por movimentos. Pode parecer estranha a ideia de desenvolver atividades rítmicas com crianças surdas, mas, para Santos Filha (1989), a importância dessas atividades está no fato de que todas as atividades humanas respirar, andar, falar, mastigar, gesticular são essencialmente rítmicas e subordinadas ao ritmo individual de cada ser humano (...) e de que a má estruturação rítmica dessas funções pode manifestar-se sob a forma de lentidões, agitações, impulsividade, nos diferentes distúrbios psicomotores (p. 11). Assim, o que se busca com os trabalhos de (re)estruturação rítmica e de educação do movimento é evitar ou minimizar quaisquer desses distúrbios. Cabe ressaltar que um trabalho corporal visando ao desenvolvimento rítmico não precisa, necessariamente, ser acompanhado de música. No entanto, é uma forma de trazer para o surdo um universo a que ele não tem acesso espontaneamente. A música é formada por ritmo e som, cujas combinações são infinitas e marcadas pelas diferentes formas de movimento (som) alternadas com todas as possíveis formas de repouso (pausa). Logo, o ritmo musical e o do movimento (também formado pela alternância entre contração e relaxamento ou, dito de outra forma, movimentos propriamente ditos e pausas) devem estar em consonância, para que se estabeleça a organização dos movimentos e o desenvolvimento do senso rítmico. A opção por músicas cujos tempos fortes sejam claramente marcados e próximos, de cadência lenta e regular ou rápida e variada, ou quaisquer outras, dependerão dos movimentos que se deseja praticar e da estimulação que se deseja obter (SANTOS FILHA, 1989). 64

17 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva As atividades rítmicas para surdos também propiciam a sua participação em atividades aparentemente difíceis para eles, como o teatro, a dança e a ginástica rítmica, por exemplo. Deve-se ter em mente, no entanto, que as atividades que envolvem coreografia costumam demandar um pouco mais de tempo de treinamento do que com crianças ouvintes, pois é necessário um grande número de repetições, até que o ritmo seja internalizado. Isso ocorre porque não é possível para os surdos usufruírem do auxílio da trilha sonora, uma vez que, mesmo com boa amplificação, eles não conseguem perceber a maior parte das nuances de uma música, principalmente quando afastados da fonte sonora. Estratégias de ensino/comunicação Embora não haja necessidade de adaptações nas atividades, algumas estratégias de ensino podem facilitar a condução da aula ou de determinadas atividades. A principal delas é a demonstração, que pode ser usada quando não existe uma língua comum ou um código já estabelecido que permita transmitir ao(s) aluno(s) as instruções necessárias para a execução da atividade. O modelo pode ser o professor e/ou outro(s) aluno(s), e permite ao surdo visualizar tanto um movimento a ser realizado quanto uma situação permitida ou não durante um jogo (regra), por exemplo. Outra estratégia é o uso de pistas visuais. Cartelas coloridas ou bandeirinhas podem substituir comandos de voz durante uma atividade; figuras podem indicar o movimento a ser feito; fichas com números podem evidenciar sequências de atividades, ou a repetição de uma atividade já realizada, ou o número de uma tarefa a ser executada, ou a quantidade de crianças que devem se agrupar. As possibilidades são muitas e tornam a aula mais interessante, também para os alunos que ouvem. A demonstração e as pistas visuais facilitam a compreensão dos alunos e o trabalho do professor, mas não devem substituir a comunicação através de uma língua, seja o Português ou a LIBRAS. Assim sendo, o professor deve interessar-se por aprender a língua de sinais e ter alguns cuidados com a comunicação oral. São eles: 1. Manter o rosto visível; 65

18 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva 2. Falar de frente, sem exagerar os movimentos labiais e quando o aluno estiver olhando; 3. Usar frases curtas e simples, mas corretas; 4. Usar gestos, se necessário, e esforçar-se para entender os gestos da criança; 5. Recorrer a outras formas de comunicação (desenho, esquemas, escrita, mímica), se houver necessidade. Outras orientações ao Professor A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas turmas regulares vai exigir alguns cuidados dos professores, tanto na forma de planejar quanto na de conduzir suas aulas. No caso específico da inclusão de alunos surdos, é aconselhável que o planejamento seja feito em função da turma (faixa etária, número de alunos, conhecimento prévio, entre outros fatores) e não do(s) aluno(s) surdo(s), pois este(s) pode(m) participar de qualquer atividade. As estratégias a serem usadas é que devem contemplar os diferentes níveis de desenvolvimento dos alunos e as diferenças linguísticas dos surdos. 66 Para escolher estratégias adequadas, o professor deve conhecer seus alunos e estar informado sobre a etiologia (origem), a gravidade (grau de perda auditiva) e o período de instalação da surdez (antes ou depois da aquisição da linguagem). Dessa forma, poderá escolher atividades adequadas para o nível de desenvolvimento da turma e estratégias de comunicação e estimulação auditiva (se for o caso) condizentes com as necessidades do(s) aluno(s) surdo(s). O professor também deve observar se alguém usa prótese auditiva, para orientar sobre o seu uso ou não durante uma determinada atividade. As próteses custam caro e são frágeis. Portanto, devem ser retiradas durante atividades aquáticas, acrobáticas e que impliquem contato físico e quedas, como lutas, por exemplo. Se, por qualquer motivo, a prótese estiver se soltando do local com facilidade, deve ser retirada antes de qualquer atividade. Uma vez retirada, deve ser guardada em local seco, limpo e seguro. O professor também deve estar ciente de que, uma vez

19 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva sem prótese, as respostas auditivas da criança podem ser diferentes, dependendo do ganho que o aparelho possa lhe proporcionar. Por outro lado, o uso da prótese deve ser incentivado durante atividades rítmicas com estimulação sonora (exceto se esta for realizada na água). Cabe lembrar, no entanto, que grande parte dos alunos não tem acesso à prótese e que muitos a rejeitam, pois ela representa a deficiência. Assim sendo, o professor não deve esperar que muitos alunos sejam usuários de próteses, nem evitar atividades rítmicas com base nesse fato. O importante é diversificar, tanto quanto possível, as atividades desenvolvidas na aula e as oportunidades de participação dos alunos nos eventos escolares. Por fim, é importante ressaltar que o relacionamento do professor com o(s) aluno(s) surdo(s) é que vai permitir ou não a real inclusão desse(s) indivíduo(s) nas aulas de Educação Física. Atitudes de discriminação ou rejeição podem contaminar os demais alunos e tornar o(s) surdo(s) completamente excluído(s) de todo o processo educacional e social. Por outro lado, atitudes de aceitação e interesse favorecem a convivência, criam laços afetivos, estimulam a confiança, facilitam a aprendizagem. Para tanto, é necessário o professor ser paciente e acolhedor, sem deixar de estabelecer limites; enxergar mais a criança que a deficiência; e considerar as limitações, mas enfatizar as capacidades. Esportes para surdos Por decisão das entidades internacionais filiadas ao Comitê Internacional de Desporto de Surdos CISS, na sigla em francês os surdos não participam dos Jogos Paraolímpicos. Eles possuem uma organização desportiva própria e bem organizada, que realiza jogos mundiais de verão, nos mesmos moldes das Olimpíadas, também de quatro em quatro anos, além de jogos de inverno, no intervalo entre dois jogos de verão consecutivos. Para se ter uma ideia da grandiosidade dessa estrutura, a Summer Deaflympics como é conhecida internacionalmente - já está a caminho de sua 21ª edição, que será realizada na cidade de Taipei, em Taiwan, em setembro de A edição anterior, disputada em 2005 na cidade de Melbourne, contou com a participação de 64 países e

20 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva atletas em busca de medalhas em vinte diferentes modalidades esportivas. No Brasil, a entidade máxima de desporto de surdos é a Confederação Brasileira de Desporto de Surdos (CBDS), cuja sede, atualmente, é em Belo Horizonte. A ela estão filiadas as federações e associações estaduais, mas nem as entidades locais nem a nacional têm grande expressão, em termos de resultados. Apesar de já terem participado de algumas edições das Olimpíadas de Surdos, em nenhuma delas os atletas brasileiros conquistaram medalhas. Independentemente, no entanto, de existirem competições específicas para atletas surdos, estes podem competir com pessoas não surdas, em igualdade de condições, como aconteceu nos Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália (2000), em que um atleta surdo da África do Sul chegou à final da prova de 200 metros borboleta e foi o segundo colocado (medalha de prata), entre os melhores nadadores do mundo. 68

21 Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva CONSIDERAÇÕES FINAIS Incluir alguém em um grupo é dar-lhe condições para que possa participar ativamente das ideias e atividades desse grupo. Para isso é necessário que haja acolhimento, respeito às diferenças e um canal de comunicação. Sabe-se que as escolas regulares ainda não estão suficientemente preparadas para receber e propiciar uma inclusão satisfatória de crianças surdas, mas isso precisa mudar. É hora de a comunidade escolar abrir-se para essa nova experiência, pois, com a troca, todos têm a ganhar. As aulas de Educação Física podem ser momentos e espaços privilegiados para se iniciar uma mudança de comportamento dentro da escola. Por se constituírem de conteúdos atraentes e de forte apelo visual além de privilegiar experiências corporais em detrimento das educacionais formais os surdos tendem a integrar-se mais facilmente nessas que em outras atividades pedagógicas. O papel do professor de Educação Física em todo esse processo é primordial e deve ser assumido com responsabilidade. Existem, atualmente, muitas fontes de informação disponíveis (instituições, internet, livros, periódicos), mas, mais do que isso, é preciso que haja o reconhecimento do direito de TODAS as crianças de participar das aulas de Educação Física e demais atividades escolares. 69

22 Volume D Atividades desportivas para Pessoas com Deficiência Auditiva BIBLIOGRAFIAS BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial: livro 1/MEC/SEESP Brasília: a Secretaria, BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. BRASIL. Lei nº , de 24 de abril de Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais LIBRAS e dá outras providências. IBGE. Censo Demográfico Disponível em Acesso em 12/01/2009. INEP. Censo Escolar Disponível em: Acesso em 12/01/2009. FELIPE, T. A. O signo gestual-visual e sua estrutura frasal na língua dos sinais dos centros urbanos brasileiros LSCB (Dissertação de Mestrado) Recife: UFPE FERNANDES, E. Linguagem e Surdez Porto Alegre: Artmed, INES. Série Audiologia (Edição Revisada) Rio de Janeiro: Autor, LYONS, J. Linguagem e lingüística: uma introdução Rio de Janeiro: Guanabara, SANTOS FILHA, D. A. A Linguagem de Crianças Deficientes Auditivas do INES: um estudo avaliativo (Dissertação de Mestrado) UFRJ: Rio de Janeiro, SANTOS FILHA, D. A. Ginástica Rítmica Desportiva na Aquisição da Linguagem de Crianças Deficientes Auditivas. (Especialização) IBMR: Rio de Janeiro,

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