EDUCAÇÃO SUPERIOR E CURSO DE ODONTOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE A FORMAÇÃO DO ESPECIALISTA EM ORTODONTIA NA UNIPLAC

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1 EDUCAÇÃO SUPERIOR E CURSO DE ODONTOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE A FORMAÇÃO DO ESPECIALISTA EM ORTODONTIA NA UNIPLAC Resumo Cesar Augusto Rodenbusch Poletto 1 - UNIPLAC Lucia Ceccato de Lima 2 - UNIPLAC Grupo de Trabalho Formação de Professores e Profissionalização Docente Agência Financiadora: não contou com financiamento Nossa pesquisa pretende discutir o papel dos cursos de pós-graduação em odontologia da Uniplac na formação do cirurgião dentista da Serra Catarinense, e como está se processando a formação do especialista em ortodontia na Uniplac? Esta investigação é relevante pois a continuação dos estudos após a graduação é uma necessidade por parte dos egressos. A especialização da mão de obra do Cirurgião Dentista tem motivação na realização pessoal e na demanda do mercado. Dados sobre a procura pelos profissionais pelos cursos de pósgraduação são importantes para sintonizar a Universidade com a realidade do mercado de trabalho. O problema que vai permear toda a discussão é analisar qual a influência (ou papel) dos cursos de pós-graduação em Odontologia da Universidade do Planalto Catarinense no nível de formação do Cirurgião Dentista da Região Serrana de SC? A UNIPLAC está alinhada com o tipo de demanda do mercado de ensino de pós-graduação em Odontologia? A pedagogia mitigada das corporações de ofício revela o poder do conhecimento ao tornar o segredo o elemento básico da apropriação da força de trabalho e da produção por uma instituição impessoal. A distinção entre artes liberais e mecânicas, antes de revelarem domínios hierárquicos de separação entre teoria e prática, mostram uma ruptura social mais ampla, baseada na separação entre trabalho produtivo (mecânico) e atividade livre, ociosa. Havia uma ruptura entre produção de pensamento e produção de mercadoria. Com o advento do capitalismo não só o trabalho mecânico será elevado de condição enquanto produtor de mercadoria, mas a atividade intelectual também passará a ter seu preço. 1 - Graduado em Odontologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialista em Radiologia Odontológica pela Associação Brasileira de Odontologia de SC. Especialista em ortodontia pela Associação Maringaense de Odontologia. Mestre em Radiologia bucomaxilofacial pela UFSC. Doutorando em Ortodontia pela Pontificia Universidade Católica do Paraná. (PUCPR). Docente e Pesquisador da Uniplac. Mestrando em Educação modalidade Mestrado Acadêmico da UNIPLAC. 2 Graduada em Ciências Biológicas -UFSC. Mestre em Educação - UFSC. Doutora em Engenharia Ambiental UFSC. Professora do PPGE/UNIPLAC

2 13248 Palavras-chave: Formação de Professores. Pós Graduação em Odontologia. Formação do Especialista em Ortodontia. Introdução As relações entre as ciências naturais e sociais, unidas pela concepção de práxis, separam-se pela noção de objeto. As primeiras, no sentido positivista, das quais dificilmente podem se desvencilhar voltam-se para o estudo do natural, enquanto afastamento do que é humano, subjetivo, circunscrevendo um campo de rigor em que a interatividade, relação sujeito objeto, permanece sobre controle, supostamente incapaz de interferir decisivamente nos resultados. Nas ciências sociais que estudam a práxis humana (a produção, manutenção das instituições humanas, que vão desde a linguagem até o Estado), ainda que o rigor metodológico esforce-se por eliminar a subjetividade, o pesquisador reconhece-se como parte integrante do objeto, uma vez que os resultados das pesquisas tende a interferir no próprio objeto. Mas, na verdade, todas as ciências (quer naturais ou sociais) são atividades humanas e o saldo de ambas se dá como práxis. Há um caráter antropológico irredutível nas ciências naturais também. As ciências naturais determinar-se-iam pelo caráter quantitativo, ao passo que as ciências da práxis vinculam-se ao qualitativo. O quantitativo admite previsões e a construção de planos de trabalho. Os dois aspectos são percebidos, portanto como os mesmos, mas em perspectivas diferentes. Do ponto de vista histórico, ambas as atividades, as ciências, podem ser compreendidas enquanto práxis. A pesquisa visando aplicações técnicas, por mais objetiva, quantitativa que se pretenda, tem o seu nível de teoria prática inserida num contexto histórico mais amplo onde a teoria e a prática são práxis. Nossa pesquisa pretende discutir o papel dos cursos de pós-graduação em odontologia da Uniplac na formação do cirurgião dentista da Serra Catarinense, e como está se processando a formação do especialista em ortodontia na Uniplac? Esta investigação é relevante pois a continuação dos estudos após a graduação é uma necessidade por parte dos egressos. A especialização da mão de obra do Cirurgião Dentista tem motivação na realização pessoal e na demanda do mercado. Dados sobre a procura pelos profissionais pelos cursos de pós-graduação são importantes para sintonizar a Universidade com a realidade do mercado de trabalho.

3 13249 O problema que vai permear toda a discussão é analisar qual a influência (ou papel) dos cursos de pós-graduação em Odontologia da Universidade do Planalto Catarinense no nível de formação do Cirurgião Dentista da Região Serrana de SC? A UNIPLAC está alinhada com o tipo de demanda do mercado de ensino de pós-graduação em Odontologia? A pedagogia mitigada das corporações de ofício revela o poder do conhecimento ao tornar o segredo o elemento básico da apropriação da força de trabalho e da produção por uma instituição impessoal. A distinção entre artes liberais e mecânicas, antes de revelarem domínios hierárquicos de separação entre teoria e prática, mostram uma ruptura social mais ampla, baseada na separação entre trabalho produtivo (mecânico) e atividade livre, ociosa. Havia uma ruptura entre produção de pensamento e produção de mercadoria. Com o advento do capitalismo não só o trabalho mecânico será elevado de condição enquanto produtor de mercadoria, mas a atividade intelectual também passará a ter seu preço. Em breve tempo, a burguesia conseguirá fazer com que não só a atividade liberal oferecida pela Universidade, mais especificamente nos cursos de Odontologia, que são nosso objeto de análise mas também aquela mecânica dos mestres artesãos consideradas um merecido produto daqueles artífices e, portanto, sem absolutamente contestar a doutrina da origem divina da realidade e dos conceitos que ali estavam implicados suscetível de se transformar em uma mercadoria que pudesse ser vendida e comprada como qualquer outra. Como está se processando a formação do especialista em ortodontia na Uniplac? A produção humana intelectual e material toma-se, assim, equiparada, em certo sentido, aos fardos de algodão ou à moeda, como mercadoria das mercadorias, e assim por diante, sem proibições e sem as condenações que o magistério eclesiástico havia precedentemente explicitado em relação às trocas e manobras sobre o valor da moeda. Por ser dentista com graduação e mestrado na Federal de Santa Catarina, cursando doutorado em Ortodontia na PUCPR, pensei em investigar Como está se processando a formação do especialista em ortodontia na Uniplac? Pretendemos avaliar quais as áreas de pós-graduação em odontologia são as mais procuradas pelos dentistas da região, comparar o número de cirurgiões Dentistas especialistas antes e depois da implantação dos cursos de pósgraduação da UNIPLAC, definir a proporção dos especialistas formados pela UNIPLAC e por outras instituições de ensino. A noção liberal de Estado reflete o anseio da burguesia revolucionária no combate a um Estado marcado por interesses aristocrático-feudais. Portanto, a derrubada do poder do

4 13250 Estado corresponde ao modo através do qual o capitalismo se estrutura, rompendo com as tradições econômico-político-culturais da sociedade feudal. Nesta perspectiva, cada indivíduo, ao obter o melhor desempenho, tornando-se mais produtivo, proporciona um benefício coletivo. O Estado não deve interferir nessa liberdade natural, inerente ao ato de produzir e trocar, beneficiando a todos. Durante a sua formação o Cirurgião Dentista aprende técnicas das mais diversas áreas da odontologia. Alguns procedimentos porém não podem ser executados pelo cirurgião Dentista pois cabem apenas ao especialista fazê-lo. A Ortodontia Corretiva é um exemplo. Segundo Maruo (2009), a legislação brasileira classifica os cursos de pós-graduação em stricto sensu e lato sensu, os quais possuem normas de funcionamento próprias. As Diretrizes Curriculares Nacionais determinam que, no curso de graduação em Odontologia, seja apenas ministrada a Ortodontia Preventiva. Os tribunais brasileiros entendem que, para a prática da Ortodontia Corretiva, é necessária habilitação em curso de pós-graduação. Em outubro de 2008, segundo informações do Caderno de indicadores da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES, 2008), a odontologia brasileira contava com 92 cursos de pós-graduação stricto sensu em funcionamento. A região Sudeste concentrava 66,3% dos programas, o que equivale a 61 cursos, e as regiões Norte e Centro-oeste concentram 2,2%, equivalendo a dois cursos em cada uma das regiões. Dos programas brasileiros em funcionamento na avaliação do triênio 04/05/06, apenas um obteve conceito 7 e três programas com conceito 6, sendo que todos estão localizados na região Sudeste. O maior percentual dos programas e cursos apresenta conceito 3 (39%); 33% com conceito 4; 24% com conceito 5; 3 % com conceito 6; e 1% com conceito 7. De um total de 55 programas que oferecem mestrado e doutorado, 42 obtiveram conceito 4 e 5, e nove programas obtiveram conceito 3. Esta última informação é de grande importância na medida em que, para que estes possam ser re-ofertados, sua avaliação do próximo triênio deve ser superior a este conceito, caso contrário o programa é extinto (BALTAZAR et al 2009). Sobre o objeto da Pesquisa As pós-graduações stricto sensu em Odontologia no Brasil são, na sua maioria, em Odontologia ou em Clínica Odontológica. Nestes programas, ocorrem divisões nas áreas de concentração, e a formação de mestres e doutores se dá de modo fragmentado e dissociado do

5 13251 conhecimento necessário para dar respostas às mudanças iniciadas na graduação por meio das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) (PORDEUS, 2006). A formação do docente na área da saúde, em particular em Odontologia, é marcada pela ausência ou insuficiência da formação didático-pedagógica. O professor de Odontologia, como qualquer outro professor, requer conhecimentos de como aprender a ensinar (PÉRET E LIMA, 2006). No entanto, os programas de pósgraduação stricto sensu são marcados pelo reforço tecnicista ensinado nas graduações e pósgraduações lato sensu, e o aprender a ensinar torna-se uma pequena partícula num universo de técnicas e novas tecnologias que dominam este cenário. O perfil dos docentes que ocupam lugares nos cursos de graduação em Odontologia pelo Brasil tem se caracterizado pela excelência técnico-científica nas diversas especialidades da área. No entanto, este perfil necessita ser repensado, pois não tem sido suficiente para formar novos cirurgiões-dentistas que respondam às exigências das DCN, que por sua vez respondem às demandas da sociedade, levando-se em conta as diferentes dimensões do saber (PÉRET E LIMA, 2006). Muito embora os conhecimentos técnicos e os avanços tecnológicos tenham sido e sejam fundamentais para a eficiente intervenção nos problemas de saúde bucal da população, eles não são suficientes quando aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos interferem nas condições de vida das populações, o que resulta em baixo impacto das ações de saúde bucal. Os componentes essenciais para a construção de um novo perfil de docência em Odontologia necessariamente devem estar vinculados a processos metodológicos e saberes pedagógicos, filosóficos, políticos, humanísticos e também, mas não apenas, saberes técnicos e especializados de cada área. Na área da saúde, a docência imprime duas condições ao professor. A primeira diz respeito a todo conhecimento técnico-científico acumulado, com saberes marcados pela vivência e práticas cotidianas e concretas que utiliza na educação de seus alunos e os coloca na condição de nativos. No contraponto desta observação está a segunda condição, que se refere aos conhecimentos da docência relativos aos processos educacionais, psicológicos e filosóficos, aos quais, nesta condição, esses mesmos professores assumem a condição de estrangeiros. O domínio teórico sobre o saber ensinar não é algo que constitui sua formação, e apenas a experiência como professor e o seu saber no campo da saúde não bastam para formá-lo docente (BATISTA E BATISTA, 2004).

6 13252 Considerações Finais O artigo 5º, inciso XIII, da CF determina que é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. No caso da Odontologia, a lei a ser adotada é a Lei nº 5081/66, que regula o exercício da Odontologia e determina, em seu artigo 6º, inciso I, que compete ao cirurgião-dentista praticar todos os atos pertinentes à Odontologia, decorrentes de conhecimentos adquiridos em curso regular ou em curso de pós-graduação. A Resolução nº 22/01 do CFO, em seu artigo 3º, determina que, para se habilitar ao registro e à inscrição como especialista, o cirurgião-dentista deverá: possuir título de mestre, livre-docente ou doutor, na área da especialidade, conferido por cursos que atendam às exigências do Conselho Nacional de Educação; ou possuir certificado ou diploma conferido por curso de especialização ou programa de residência em Odontologia que atenda às exigências do CFO. O Código de Ética Odontológica apenas veda, em seu artigo 16, a titulação de especialista sem a inscrição da especialidade no Conselho Regional; determina como infração ética, em seu artigo 34, inciso II, anunciar ou divulgar títulos, qualificações, especialidades que não possua ou que não sejam reconhecidas pelo CFO (MARUO et al 2009). A amostra será coletada junto ao Conselho Regional de Odontologia, anotando dados sobre a inscrição por parte do Cirurgião Dentista em cada especialidade de Odontologia reconhecida pelo Conselho, bem como a região informada como endereço pelo profissional. Será avaliado na Secretaria de pós-graduação da UNIPLAC o registro do referente aos formados nos cursos de pós-graduação em Odontologia conveniados com a Universidade. Este estudo será realizado na Delegacia do Conselho Regional de Odontologia de Lages, rua Thiago de Castro, Shopping Gemini, e secretaria de pós-graduação da Universidade do Planalto Catarinense, UNIPLAC, localizada na Avenida Castelo Branco, número 170, bairro Universitário, Lages - Santa Catarina. Serão incluídos todos os dados de registro de especialidade junto ao CRO de SC. Será motivo de exclusão dados incompletos. A coleta de dados será feita por um examinador junto ao CRO para avaliar o número de inscrições de acordo com as especialidades e endereço e junto à secretaria de pósgraduação da UNIPLAC. Todos os recursos humanos, físicos, materiais e financeiros serão custeados pelo próprio pesquisador. Espera-se com este trabalho identificar qual a participação da UNIPLAC na formação de Cirurgiões Dentistas especialistas que atuam na região da serra Catarinense, bem como

7 13253 quais as áreas mais procuradas para pós-graduação e desta maneira contribuir para os coordenadores dos cursos no sentido de identificar o perfil de preferência do pós graduando, uma vez que a busca pelos cursos além de uma preferência pessoal também sofre influência da necessidade do mercado de trabalho. REFERÊNCIAS BALTAZAR, M. M. M.; MOYSÉS, S. J.; BASTOS, C. C. B. C. Profissão, docente de odontologia: o desafio na formação de professores. Trab. Educ. Saúde, Rio de Janeiro, v. 8 n. 2, p , BATISTA, N. A.; BATISTA, S. H. Docência em saúde: temas e experiências. São Paulo: Editora Senac, BIANCHETTI, L.; MACHADO, A. M. N. A Bússola do escrever. 2ed. Ed Cortez, Florianópolis, MARUO, I. T. et al. Estudo da legalidade do exercício profissional da Ortodontia por cirurgião Dentista não especialista. Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial. 14: 42-8, PÉRET, A. D. C. A.; LIMA, M. D. L. As políticas públicas em educação e saúde e a formação do professor de odontologia numa dimensão crítica. In: CARVALHO, Antônio C. P.; KRIGER, Léo. (ed.). Educação odontológica. São Paulo: Artes Médicas, 2006,p PORDEUS, I; BUSATO, A. L. S.; PEREIRA, J. C. Aspectos conceituais norteadores da pós-graduação stricto sensu. In: CARVALHO, Antônio C. P.; KRIGER, Léo. (ed.). Educação odontológica. São Paulo: Artes Médicas, p SASSI, L. M. Manual Prático para Desenvolvimento de Projetos de pesquisa e Teses. Ed Santos, São Paulo SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia. Martins Fontes, São Paulo, 2010.

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