UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANA. Caroline Grac;a de Borba Souza

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1 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANA Caroline Grac;a de Borba Souza ODONTOLOGIA HOSPITALAR: IMPORTANCIA DO CIRURGIAO-DENTISTA EM EQUIPES MUL TIDICIPLINARES Curitiba 2011

2 ODONTOLOGIA HOSPITALAR: IMPORTANCIA DO CIRURGIAO-DENTISTA EM EQUIPES MUL TIDICIPLINARES Curitiba 2011

3 Caroline Gra~a de Borba Souza ODONTOLOGIA HOSPITALAR: IMPORTANCIA DO CIRURGIAO-DENTISTA EM EQUIPES MUL TlDISCIPLlNARES Trabalho de Conclusao de Curso apresentado ao Curso de Odontologia da Faculdade de Ciencias Biol6gicas e de Saude da Universidade Tuiuti do Parana, como requisito parcial para a obten9ao do grau de Cirurgiao Dentista. Orientadora - Prof' Dr' Maria Carolina Lucato Curitiba 2011

4 TERMO DE APROVACAo Caroline Grac;a de Borba Souza ODONTOLOGIA HOSPITALAR: PAPEL E IMPORTANCIA DO CIRURGIAO DENTISTA EM INSTITUICOES DE INTERNACOES Esta Monografia foi julgada e aprovada para a obten~ao do Grau de Cirurgiao-Dentista no curso de Odontologia da Faculdade de Ciencias Biol6gicas e da Saude Universidade Tuiuti do Parana. Curitiba, _ de novembro de 2011 Coordenador do Cur de O~bntologia: Natanael Henrique Mattos ( niversjdade Tuiuti do Parana Orientadora: Prof' Dr". Maria Carolina Lucato Budziak Universidade Tuiuti do Parana Professor Universidade Dr. Leo Kriger Tuiuti do Parana Professor Dr. Eraldo Cid Bastos Universidade Tuiuti do Parana

5 DEDICA TORIA Dedico este trabalho ao meu Deus e Pai, que ilumina minha vida. Que sempre esteve comigo, me mostrando 0 caminho, proporcionando alegrias e conquistas. E mesmo das tristezas fez brotar esperan<;:a, aprendizado e um novo dia. Dedico em especial a minha av6, Ruth de Borba. Depois de todos os anos ao meu lade esperando por esse dia, ele chegou e nao a tenho aqui para comemorarmos juntas mais essa alegria. E mesmo nao podendo Ihe proporcionar esse orgulho antes, fa<;:o-o agora e sei que a senhora, ai no ceu, estara recebendo meus agradecimentos. Sera sempre lembrada como uma mae para mim. Aos meu pais, Angela Maria de Borba Souza e Claudio Schwegwer de Souza, que abdicaram de tanta coisa por mim e por minha irma. Sempre nos tiveram e colocaram como prioridade. Sao meus exemplos de perseveran<;:a, de dignidade, de etica.. de vida. Espero poder proporcionar-ihes um pouco do orgulho que sinto de voces. Nao tenho palavras para agradecer por tudo que fizeram para que eu pudesse estar aqui hoje, conquistando mais um grande sonho. Nem se tivesse mil anos conseguiria retribuir todas as oportunidades e alegrias que me proporcionaram. Meu amor e respeito por voces e inesgotavel. Minha irma-amiga-comadre, Claudia de Borba Souza. Mulher forte, men ina doce. Obrigada por estar ao meu lado, cuidando de mim e segurando minha mao sempre que tenho medo (Iembra?). Seremos sempre uma para a outra. Tenho muito orgulho de voce. E obrigada tambem pelo presente maravilhoso, 0 seu xerox, que anda, fala e faz travessuras, nossa Maria.

6 A minha tia e madrinha, Ephyfania Marcia de Borba, que possui um corayao gigante e que sempre esteve olhando por nossa familia, nos ajudando nas dificuldades. Meu exemplo de guerreira, honestidade e de fortaleza. Meus pais nao poderiam ter escolhido melhor pessoa para minha madrinha. Faz parte da minha formayao pessoal e moral, e da conquista de todas as etapas importantes que ja passei. Meu eterno agradecimento e am or por voce. Nao poderia deixar de fora a "minha pequena", Maria Clara Souza, que ha tres anos e oito meses multiplicou alegrias, nos fez relembrar a pureza e magia da infancia. Me fez conhecer um novo tipo de amor, 0 de tia, de madrinha e mae. Mesmo com tao pouco tempo, nao imagino minha vida sem voce. Seu sorriso sapeca ilumina os dias e recarrega as nossas energias para enfrentar a vida. E par ultimo, e nao menos especial, dedico ao meu noivo, Andre Luis de Oliveira, que vem me acompanhando e ajudando nessa dificil caminhada. Agradeyo pelo amor, paciencia e companheirismo. Meu amigo e confidente. Obrigada pelo apoio, incentivo e por tentar tornar as coisas 0 melhor possivel.

7 AGRADECIMENTOS A minha orientadora, Prof' Dr" Maria Carolina Lucato, que aceitou me acompanhar nessa correria contra 0 tempo. Obrigada pela orienta<;:80, pelo seu tempo, por contribuir para minha forma<;:80 e, conseqoentemente, realiza<;:80 pessoal. A Universidade Tuiuti do Parana, que me fez redescobrir 0 amor pela odontologia, e fazer voltar a acreditar na minha pr6pria capacidade. A todos os professores, por doaram uma parcela do seu conhecimento para que tantos outros profissionais possam distribuir saude, qualidade de vida, dignidade e sorrisos a outras pessoas. Agrade<;:o tambem as minhas amigas, que estiveram ao meu lado em inumeros momentos, e que acrescentaram algo em minha vida. Aquelas que 0 tempo provou serem verdadeiras amigas. Cecilia Erbs, Tatiana Stadnick, Barbara Moreira, Ana Paula Schlickmann, Morgana Wink e Janaine Barbosa.

8 "Nunea se perea na duvidaf Siga firme na direr;ao das sua metas... Porque 0 pensamento eria, 0 desejo atrai, a fe realiza, e Deus te abenr;oaf" (Autor deseonheeido)

9 RESUMO A demanda pelo serviyo de saude brasileiro demonstra que se deve otimizar 0 atendimento, considerando a melhara da prestayao dos serviyos de saude. A partir dai estruturou-se esta pesquisa, atraves de levantamento bibliogr<3fico, que abordam a tematica Odontologia Hospitalar, com enfase para 0 atendimento em Unidades de Terapia Intensiva (UTls) e pacientes oncol6gicos. Se objetiva mostrar que a presenya do cirurgiao dentista nas equipes multiprofissionais, para os cuidados da saude bucal dos pacientes, que esta intimamente ligada com a saude sistemica, e imprescindivel. A Fundamentayao Te6rica se inicia conceituando a Humanizayao no atendimento hospitalar, seguida par considerayoes sobre pacientes oncol6gicos e equipes multidisciplinares. Posteriormente se apresenta 0 amparo legal adotado no Estado do Parana e 0 documento base do C6digo de Etica Odontol6gico. Ao final se mostra que 0 cuidado com a cavidade oral, alem dos beneficios esperados como reduyao de dor e desconforto ao paciente, melhora da saude geral, reduz 0 custo gerado pelo internamento e remedios, e aumenta a quantidade de leitos vagos, proporcionando novas oportunidades de atendimento e reduzindo 0 tempo de espera, pelos pacientes, em filas e evitando 0 agravamento do estado do mesmo. Palavras-chave - Equipe Multidisciplinar; Humanizayao em UTI; Odontologia Hospitalar; Pacientes Oncol6gicos.

10 SUMARIO RESUMO 1 INTRODU<;:AO 7 2 FUNDAMENTA<;:AO TEORICA HUMANIZA<;:AO NO ATENDIMENTO HOSPITALAR EQUIPES MUL TIDISCIPLINARES ODONTOLOGIA HOSPITALAR EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA ,1 Cuidados bucais em pacientes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) PACIENTES ONCOLOGICOS Manifestag6es bucais resultantes de tratamento quimioterapico Radioterapia - prevengao e controle de sequelas bucais Saude bucal em pacientes 'oncol6gicos pediatricos DISCUSSAO 41 4 CONSIDERA<;:OES FINAlS 44 REFERENCIAS 45

11 7 1 INTRODU<;:AO A equipe multidisciplinar em ambito hospitalar se mostra como uma opc;:ao na busca de se elevar 0 nivel de cuidados com a saude. Surgiu ai a necessidade de profissionais de Odontologia compondo tal staff. Em um ambiente hospitalar e essen cia I a percepc;:ao dos varios determinantes do processo saude-doenc;:a e a habilidade de provocar uma motivac;:ao, em qualquer tipo de situac;:ao, aos pacientes, acompanhantes e cuidadores. A conscientizac;:ao da necessidade de habitos saudaveis, como a "inclusao da higiene oral na higiene corporal" na rotina diaria visando controle e prevenc;:ao de doenc;:as orais, trarao uma melhora no nivel de saude e, consequentemente, melhora da qualidade de vida do paciente (MEDEIROS JUNIOR et ai, 2005, p ). Medeiros Junior et al (2005, p ) escrevem que e de extrema importancia para os profissionais da saude, principalmente aos que desejam a integrac;:ao multiprofissional em uma equipe, estimular a sensibilidade social. Nos hospitais se encontram problemas desafiadores, onde percebem-se que a intervenc;:ao integral e multiprofissional oportuna e satisfat6ria faz a grande diferenc;:a para um melhor atendimento. Conforme orientac;:ao do Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Sui, os profissionais de Odontologia daquele estado foram estimulados a participar de equipes multidisciplinares a partir de 2004, de acordo com Chapper e Goldani (2004, p. 3). Desta forma se obteriam melhores resultados na atenc;:30 a saude uma vez que existem diversos enfoques, de diferentes especialidades medicas sendo abordados, ao mesmo tempo (CHAPPER E GOLDANI, 2004, p. 4).

12 8 Esta pratica estimulou, segundo os autores (CHAPPER E GOLDANI, 2004, p. 3), a formac;;ao de equipes multidisciplinares com a participac;;ao do cirurgiaodentista (em bora ainda precaria a participac;;ao de odont610gos nas equipes em hospitais). Para Godoi et al (2009, p. 105): o atendimento odontol6gico a pacientes hospitalizados portadores de enfermidades sistemicas contribui efetivamente para a sua pronta recuperac;;ao, assim, 0 cirurgiao dentista deve estar preparado para 0 atendimento em condic;;6es especificas e ambiente diferenciado, sempre buscando proporcionar melhores condic;;6es de saude ao paciente. Doro et al (2006, p. 50) dizem que pacientes diabeticos hospitalizados necessitam de atenc;;ao especial com a saude bucal, po is quando descompensados podem apresentar doenc;;a periodontal mais severa pelos fatores microbianos, metab61icos e prejuizo funcional dos neutr6filos. Aqueles com SIDAIAIDS (Sindrome da Imunodeficiencia Adquirida), pela deficiencia do sistema imunol6gico podem adquirir manifestac;;6es orais clinicas caracteristicas, como infecc;;6es por fungos, virus, bacterias, neoplasias (sarcoma de Kaposi). Pelo estado imunol6gico fragilizado 0 potencial patol6gico dos microorganismos fica aumentado, levando ao aparecimento de doenc;;as periodontais severas, candidiase, entre outas (DORO et ai, 2006, p ). Quando paciente apresenta disturbios psicossociais e doenc;;a periodontal, esta se apresenta de forma mais grave que em pacientes sem a mesma alterac;;ao psiquiatrica. Observam-se neles casos de gengivite ulcerativa necrosante, gerando dor, odor e dificuldade na alimentac;;ao e higienizac;;ao oral (DORO et ai, 2006, p. 51). Estudos epidemiol6gicos mostram que as doenc;;as periodontais moderadas a severas atuam como fator de risco para a saude geral dos pacientes, levando a

13 9 alteray6es vasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVC), descontrole metab61ico do diabetes, infecy6es pulmonares e parto prematuro ou nascimento de bebes de baixo peso (DORO et ai, 2006, p. 51). Doro et al (2006, p. 52) concluiram que grande parte dos pacientes nao possuem um adequado controle da saude bucal devido a deficiencia do mesmo, carencia de motivayao dos acompanhantes, falta de material de higiene oral e estrutura deficiente do hospital. Cad a vez mais a relayao das doenyas bucaiscom as sistemicas esta sendo evidenciada na literatura. Os estudos mostram que as manifestay6es bucais, principalmente a doenya periodontal, agem como foco de disseminayao de agentes patogenicos com efeito metastatico sistemico, principalmente quando 0 paciente se encontra com a imunidade comprometida. As evidencias cientificas apontam que 0 tratamento odontol6gico, especialmente 0 periodontal, atua prevenindo e/ou melhorando a condiyao sistemica, principalmente nesses pacientes com a saude debilitada (MORAIS et ai, 2006, p. 413). Ainda de acordo com Morais et al (2006, p. 414), todo 0 corpo humane esta diariamente exposto a colonizayao por muitos tipos de micro-organismos que, em condiy6es favoraveis, vivem em harmonia com 0 hospedeiro. Atraves da descamayao fisiol6gica que ocorre nas superficies, 0 acumulo desses microorganismos e evitado. A boca tambem apresenta continua colonizayao de uma grande microbiota, sendo que ela representa aproximadamente metade da microbiota do corpo humano, contendo muitas especies de bacterias, fungos e virus. Contudo, as bacterias sao encontradas em maior quantidade nas superficies duras (cemento, esmalte, pr6tese), formando a placa bacteriana. Esta, por sua vez, produz acidos, endotoxinas e antigenos irritantes e, com 0 tempo dissolvem os dentes e prejudicam

14 10 os tecidos bucais. Alem disso, atua como reservatorio permanente podendo causar infec9ao a distancia (MORAIS et ai, 2006, p. 414). A aten9ao a outros orgaos e sistemas que nao fazem parte do motivo que levaram 0 paciente a intern.a9ao em Unidade de Terapia Intensiva tambem tem sua importancia, por prevenir que outros orgaos sejam afetados e induzam um prognostico desfavoravel. Devido a prevalencia, extensao e gravidade das doen9as periodontais na popula9ao, 0 sistema estomatognatico deve ter 0 adequado cuidado (MORAIS et ai, 2006, p. 415). Morais et al (2006, p. 412) afirmam que "a manuten9ao da saude bucal em UTI e fundamental considerando 0 tratamento global, a preven9ao de enfermidades e uma maior humaniza9ao no tratamento de pacientes em ambientes de Terapia Intensiva". o objetivo deste trabalho e demonstrar a importancia da Odontologia para a promoc;;ao de melhores condic;;oes de saude para a populac;;ao hospitalizada, reforc;;ando a importancia da presen9a de cirurgioes-dentistas em equipes multidisciplinares no atendimento a pacientes com enfermidades sistemicas.

15 11 2 FUNDAMENTACAo TEORICA Humanizayao e a palavra de ordem e nao e de hoje. Naturalmente, a qualidade na prestayao de serviyos de saude pode ser potencializada quando se proporciona um melhor atendimento, com profissionais qualificados, minimizando muitas vezes a fragilidade que se percebe nos pacientes (SANTOS e CIUFFI, 2009, p.162). 2.1 HUMANIZA<;:AO NO ATENDIMENTO HOSPITALAR Medeiros Junior et 81 (2005, p. 308) escrevem que ao se construir um relacionamento sistematico com as familias dos pacientes minimizando medos e firmando um estado de compreensao, os cirurgioes-dentistas formam vinculos capazes de ampliar as possibilidades de criar e transmitir conhecimentos odontol6gicos de maneira mais descontraida e humana. E atraves de brincadeiras, por exemplo, que as crianyas iraq expor seus conflitos, esta e a "forma mais natural de autoterapia de que a crianya dispoe". Varias atividades descontraidas podem ser realizadas nos hospitais, como: teatro, jogos educativos, pinturas e cartazes, videos, leitura de textos e est6rias, entre outras. Pod em acontecer tambem atividades tecnicas como: orientayao de higiene bucal individualizada para pacientes com disturbios motores, visita aos leitos, evidenciayao de biofilme dentario, aplicayoes t6picas de fluor e supervisao e reforyo motivacional para realizayao de uma higiene oral adequada. Tudo isso resulta no melhor entendimento (por parte dos pacientes e acompanhantes) da relayao existente entre saude bucal e saude geral, sendo que uma nao existe sem a

16 12 outra. E quando voltar para casa, 0 paciente pode transmitir seus novos conhecimentos sobre saude a familia. (MEDEIROS JUNIOR et ai, 2005, p ). A forma de atendimento e a demonstrayao de interesse dos profissionais de saude em relayao ao publico com respeito as suas necessidades e expectativas sao dois dos fatores mais relevantes (SANTOS e CIUFFI, 2009, p. 162). 2.2 EQUIPES MUL TIDISCIPLINARES A atenyao a pacientes internados depende de uma equipe multiprofissional e pode se resumir na soma de pequenos cuidados parciais que vao se somando. Porem, a dificuldade em se estabelecer funyoes e delegar responsabilidades resulta em uma sobrecarga no processo de gerencia de um hospital. Eo desafiante coordenar de forma adequada uma equipe tao diversificada e especializada de profissionais da saude (BARBOSA et ai, 2010, p. 1119). Os autores ainda sugerem (2010, p. 1119) que para um melhor desenvolvimento das atividades rotineiras dessa equipe, se inclua um cirurgiaodentista, responsavel por motivar e conscientizar funcionarios sobre a saude bucal e sua importancia para 0 restabelecimento da saude sistemica do paciente. 0 cirurgiao-dentista pode oportunizar um vinculo entre a equipe de enfermagem e 0 paciente, para consolidar a tao desejada saude integralizada. Eo importante que se crie um movimento de educayao para a saude, onde os profissionais se organizem, de forma nao hierarquica, em divisoes de atribuiyoes de acordo com sua especialidade, que quando agregadas causem uma mudanya das atitudes, das representayoes sociais e dos comportamentos (BARBOSA et ai, 2010, p.1120).

17 13 Isto vem sendo demonstrado em estudos que revelam a necessidade de sintetizar conhecimento de diferentes areas em um ambiente comum, visando a melhora da aten<;;ao a saude, atraves da forma<;;ao de equipes multidisciplinares, que devem apresentar profissionais de Odontologia (GO 001 et ai, 2009, p ). Chapper e Goldani (2004, p. 3) afirmam que a utiliza<;;ao desses diferentes enfoques estimulou a forma<;;ao de equipes multidisciplinares no Rio Grande do Sui, embora ainda seja precaria a participa<;;ao de odont610gos nas equipes em hospitais. A cria<;;ao de equipes multidisciplinares de aten<;;ao a saude, ainda conforme os mesmos autores (2004, p. 3), deve ser recebida como um dos metodos para oportunizar a necessidade de contextualizar e religar os saberes, necessidade esta que vem a ser 0 grande desafio do Seculo XXI: E possivel responder aos dois grandes desafios que 0 conhecimento tera de enfrentar, cada vez mais, no decurso do terceiro milenio. 0 desafio da globalidade, colocado pela inadequa<;;ao agravada entre um saber fragmentado e compartimentado entre as diferentes disciplinas, par um lado, e realidades multidimensionais, globais, transnacionais, por outro [...] 0 desafio do aumento ininterrupto dos saberes que torna cad a vez mais dificil a organiza<;;ao dos conhecimentos em redor dos problemas essen cia is (MORIN, 2001, p. 144). o mesmo autor busca atribuir importancia equivalente a humaniza<;;ao e ao saber cientifico, de forma harmonica a partir de distintas areas de conhecimento associando suas competencias para tornar mais abrangente a obten<;;ao dos resultados. Kahn et al (2010, p. 1819) buscaram averiguar a existencia de protocolos de controle de infec<;;oes na cavidade oral em pacientes internados em hospitais, ao mesmo tempo em que se procedeu a mensura<;;ao do grau de conhecimento medico sobre medicina periodontal.

18 14 Com os dados coletados na pesquisa realizada pelos investigadores (KAHN et ai, 2010, p ), eles conciuiram que 0 conhecimento sobre medicina periodontal e a importancia do controle do biofilme oral na manuten!(ao da saude sistemica, apresentam-se pouco difundidos entre a ciasse medica. Kahn et al (2010, p ) ainda escrevem que nao existe qualquer setor ou pessoa responsavel pelo controle de infec!(ao oral dentro dos cinco hospitais avaliados pelo grupo (dos quais dois eram municipais, um estadual, um federal e um particular, nao especificados) da cidade do Rio de Janeiro e que, tampouco, ha qualquer protocolo de controle de infec!(ao oral. Araujo et al (2009, p. 38) buscaram estabelecer uma avalia<;:ao sobre a percep!(ao e a realiza<;:ao dos cuidados em saude bucal prestados a pacientes internados em Unidades de Tratamento Intensivo atendidos por equipes de enfermagem. Os resultados obtidos por estes pesquisadores (2009, p ) sugerem que os cuidados de higiene bucal realizados nos pacientes hospitalizados em Unidades de Terapia Intensiva sao precarios e inadequados. Este fato refor!(a a necessidade da presen!(a de um cirurgiao-dentista na equipe, a difusao dos conhecimentos de odontologia preventiva e uso da higiene bucal como alternativas para sanar as dificuldades de manuten!(ao da saude e tratamento das doen!(as bucais, que afetam a saude geral de pacientes hospitalizados (ARAUJO et ai, 2009, p. 43). A atua!(ao interdisciplinar no atendimento a estes individuos e defendida por estes autores (2009, p. 43) buscando uma melhor qualidade de vida prevenindo ou minimizando patologias orais diagnosticadas.

19 15 A convivencia entre profissionais de diferentes areas de conhecimento sugere um ambiente multidisciplinar. Esta iniciativa esta se tornando pratica corrente no atendimento a saude. Silva e Cunha (2002, p. 78) afirmam que: Aprender a viver junto ressalta a independencia do mundo moderno e a importancia das relayoes. Tudo esta interligado e tudo que acontece afetara a todos de uma forma ou de outra. 0 que 0 mundo precisa mais e de compreensao mutua, intercambios pacificos e harmonia (SILVA e CUNHA, 2002, p. 78). A presenya de uma equipe multidisciplinar em ambito hospitalar propoe a elevar 0 nivel de cuidados com a saude. Eo imprescindivel a presenya de profissionais de Odontologia neste quadro, uma vez que pacientes hospitalizados nao podem ser deslocados ate um consultorio odontologico para receber 0 atendimento (SILVA E CUNHA, 2002, p. 79). 2.3 ODONTOLOGIA HOSPITALAR EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA Como relatam Morais et at (2006, p ), a doenya periodontal possui origem infecciosa e natureza inflamatoria, com participayao de fatores modificadores locais, sistemicos, ambientais e geneticos. A doenya e a consequencia do processo interativo do biofilme e os tecidos periodontais, devido a respostas celulares e vasculares, e estao ligadas a doenyas capazes de levar a obito. A periodontite leva a destruiyao dos tecidos de suporte do dente causada pela ayao direta das bacterias e seus produtos, ou ayao indireta, tendo a reayao de destruiyao moderada pelo hospedeiro.

20 16 A microbiota bucal pode ser alterada de acordo com fatores externos, como o tabagismo, alcoolismo, antibioticoterapia e corticoterapia, ambientes hospitalares, nutri<;:ao e higiene bucal; bem como por agente intrinsecos ao paciente, como idade (MORAIS eta/, 2006, p. 414). o volume de biofilme nos pacientes cresce com 0 tempo de interna<;:ao, aumentando 0 numero de pat6genos respirat6rios presentes no mesmo. Esses microorganismos respirat6rios sao mais complicados de serem erradicados em decorrencia do biofilme atuar como uma barreira protetora as bacterias, fazendo com que ten ham maior resistencia aos antibi6ticos do que as bacterias planctonicas - aquelas que flutuam livremente na agua (MORAIS et at, 2006, p. 415). As bacterias que geralmente estao envolvidas com a doen<;:a periodontal sao do grupo Gram-negativas, e suas especies sao: Actinobacillus actinomycetemcomitans (pode invadir celulas epiteliais bucais e endotelias vasculares humanas, e induzir a morte celular por apoptose), Porphyromonas gingiva/is (tambem invade celulas epitelias e endotelias humanas, e pode colaborar para agrega<;:ao plaquetaria), Tanerella forsythensis (invade celulas epiteliais e induz a sua morte por apoptose) (MORAIS et at, 2006, p. 413). Ja os microorganismos bucais relacionados a condi<;:oes sistemicas sao: Estreptococos bucais, E. corredens, A. actinomycetemcomitans, M. micros (Endocardite infecciosa); Estreptococos bucais, P. gingiva/is, Enterobacteriaceae, Candida sp. (Bacteremia); A. actinomycetemcomitans (Sepse); A. actinomycetemcomitans (Abscesso cerebral); A. actinomycetemcomitans, Enterobacteriaceae, Staphylococcus (Infec<;:oes respirat6rias); A. actinomycetemcomitans (Oftalmoplegia); P. gingiva/is (Infec<;:oes intra-abdominais); P. gingiva/is (Otite mediaa supurativa); M. micros (Infec<;:oes vaginais); M. micros (Conjuntivite cronica); A. actinomycetemcomitans (Endoftalmite); P. gingiva/is (Abscesso do tubo ovariano) (MORAIS et at, 2006, p. 413).

21 17 Cuidados com a saude bucal de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI's) sao fundamentais para evitar que infec90es em outros 6rgaos e sistemas (que em principio nao possuam qualquer liga9ao com a causa inicial da interna9ao) venham a prejudicar seu quadro clinico (MARTINS, 2011). o comprometimento do sistema estomatognatico, com destaque para as doen9as periodontais frequentemente sao "causas de agravamento do quadro clinico de pacientes ja fragilizados, sendo que as doen9as respirat6rias sao mais frequentes em pacientes de UTI" (MARTINS, 2011). A higiene oral inadequada em pacientes graves, segundo Martins (2011) colabora para a prolifera9ao de bacterias e fungos criando na boca um reservat6rio ideal para uma vasta microbiota que, alem de prejudicar a saude bucal e 0 bem estar do paciente, pode propiciar outras infec90es e doen9as sistemicas. A presen9a do cirurgiao-dentista nas equipes multidisciplinares de Unidade de Terapia Intensiva colabora para a preven9ao de infec90es hospitalares, com a diminui9ao do tempo de interna9ao e no uso de medicamentos pelo paciente critico, contribuindo de forma efetiva para 0 seu bem estar e dignidade (MARTINS, 2011). Quando fala sobre crian9a hospitalizada, Amaral et al (2006, p. 270) relatam que 0 acumulo da placa dental se relaciona com: a faixa etaria (pela dificuldade motora que e desfavoravel para a correta escova9ao), a situa9ao em que 0 paciente se encontra (devido a debilidade fisica), a falta de motiva9ao e 0 desconhecimento sobre a importancia e beneficios da saude bucal pelos pais e crian9a. Falta de conhecimentos e praticas, por parte da equipe de saude hospitalar tambem contribuem para este quadro. o maior desenvolvimento de lesoes cariosas em dentes deciduos se deve ao fato de possuirem as cam ad as de esmalte e dentina mais delgadas e menos calcificadas. Nesses pacientes e notada precaria higiene bucal, e tambem a ingestao por longos periodos de medicamentos que na forma de xarope que contem

22 18 sacarose, e que ainda podem provocar redu9ao no fluxo salivar (tao importante na autolimpeza bucal, equilibrio ecol6gico das bacterias, neutraliza9ao dos acid os da placa dental e no processo de desmineraliza9ao e remineraliza9ao do esmalte) (AMARAL et ai, 2006, p ). Algumas medidas preventivas quanto ao uso desses medicamentos podem ser adotadas, como: prescri9ao de outras apresenta90es e/ou medicamentos livres de sacarose, ingestao quando possivel durante as refei90es, escova9ao dos dentes antes e ap6s a ingestao e recomendar ingerir agua depois da medica9ao (AMARAL et ai, 2006, p. 271). Os pais ou responsaveis e a equipe multidisciplinar devem ser 0 alvo de motiva9ao para 0 controle e preven9ao da placa bacteriana, e tomar os cuidados devidos para evitar lesoes de carie e doen9as periodontais. (AMARAL et ai, 2006, p.270). o atendimento odontol6gico a pacientes hospitalizados portadores de enfermidades sistemicas, de acordo com Godoi (2009, p. 104), contribui efetivamente para a sua pronta recupera9ao. Assim, 0 cirurgiao-dentista deve estar preparado para 0 atendimento em condi90es especificas e em ambiente diferenciado, sempre buscando proporcionar melhores. condi90es de saude ao paciente. Esta alternativa, alem de ser de baixo custo, por atuar em nivel primario de preven9ao, simples e viavel e de extrema importancia e necessidade (MARTINS, 2011 ). A lei N de 18 de janeiro de 2011, do Estado do Parana dispoe sobre a obrigatoriedade da presen9a de profissionais de Odontologia nas Unidades de Terapia Intensiva (PARANA, 2011).

23 19 A normativa torna obrigatoria a presenl(a de profissionais de Odontologia na equipe multiprofissional das Unidades de Terapia Intensiva, em todos os hospitais publicos ou privados do Estado do Parana, para os cuidados da saude bucal dos pacientes (PARANA, 2011). Cabera ao profissional de Odontologia, conforme 0 Artigo 1 da referida Lei, o atendimento preventivo e de emergencia aos pacientes internos nestas unidades (PARANA, 2011) Cuidados bucais em pacientes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) o paciente internado em Unidade de Terapia Intensiva esta cercado de cuidados de excelencia. De acordo com Araujo et al (2009, p. 38) estes cuidados sao "dirigidos nao apenas para os problemas fisiopatologicos, mas tambem para as quest6es psicossociais, ambientais e familiares que se tornam intimamente interligadas a doenl(a fisica". A essencia da multidisciplinaridade esta em profissionais de diferentes areas atuando sobre um mesmo paciente. Em cuidados intensivos esta essen cia nao esta nos ambientes ou nos equipamentos especiais, mas no processo de tomada de decis6es, baseado na solida compreensao das condil(6es fisiologicas, psicologicas do pacientes e novas terapias (ARAUJO et ai, 2009, p ). Eo essen cia I que pacientes de Unidade de Terapia Intensiva tenham cuidados de higiene oral suficientes durante sua internal(ao com 0 objetivo de prevenir a instalal(ao de patologias orais e sistemicas, bem como possiveis complical(6es de doenl(as bucais ja existentes (JENKINS, 1989 apud ARAUJO et ai, 2009, p. 39).

24 20 Pacientes hospitalizados em Unidades de Terapia Intensiva sao vitimados por patogenos responsaveis pela pneumonia nosocomial e encontrados colonizando placa dental e mucosa bucal destes pacientes. Porem, boas tecnicas de higiene bucal sao capazes de prevenir 0 avango da infecgao da cavidade bucal para 0 trato respiratorio (ARAUJO et ai, 2009, p. 39). Os mesmos autores (2009, p. 39) citam que, em aproximadamente 24 horas de falta de limpeza da cavidade oral e possivel detectar clinicamente uma camada de placa dental. A ausencia de escovagao ou a falha na tecnica de higiene bucal adotada estao intimamente ligadas ao numero e as especies de microorganismos encontrados na cavidade oral. Os mesmos autores relatam que individuos hospitalizados tendem a apresentar higiene bucal deficiente, em comparagao com os pacientes ambulatoriais e os pacientes controles da sociedade (ARAUJO et ai, 2009, p. 39). A deficiencia na atengao com a higiene bucal resulta no aumento e na complexidade da placa dental, que pode favorecer a interagao entre bacterias indigenas da placa e patogenos respiratorios conhecidos, como Pseudomonas aeruginosa e bacilos entericos (ARAUJO et ai, 2009, p. 39). A higiene oral deficiente (ARAUJO et ai, 2009, p. 39) pode influenciar na colonizagao da orofaringe por microorganismos respirat6rios - ha a hipotese de que a flora normal da boca seja alterada, devido a algumas enzimas que, quando presentes na superficie da mucosa, as tornam mais favoraveis a aderencia desses patogenos. Embora a higiene da cavidade oral seja considerada um procedimento com alto grau de dificuldade em pacientes entubados, Araujo et al (2009, p. 39) afirmam que "0 mal estado da orofaringe pode ser relacionado com a aquisigao de organismos nosocomiais e a esta relagao deveria ser dada maior atengao". A analise

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