1º Ten Al LUCIANO AMORIM PESSOA. A INSERÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL NO PSF E A CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL um breve histórico

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1 1º Ten Al LUCIANO AMORIM PESSOA A INSERÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL NO PSF E A CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL um breve histórico RIO DE JANEIRO 2008

2 1º Ten Al LUCIANO AMORIM PESSOA A INSERÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL NO PSF E A CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL um breve histórico P475i Pessoa, Luciano Amorim. A inserção da Equipe de Saúde Bucal no PSF e a construção da Política Nacional de Saúde Bucal um breve histórico /. - Luciano Amorim Pessoa. - Rio de Janeiro, f. ; 30 cm. Orientador: Silvânia Suely Caribé de Araújo Trabalho de Conclusão de Curso (especialização) Escola de Saúde do Exército, Programa de Pós-Graduação em Aplicações Complementares às Ciências Militares. Referências: f Saúde Bucal. 2. Políticas Públicas. 3. Saúde Pública I. Araújo, Silvânia Suely Caribé de. II. Escola de Saúde do Exército. III. Título. CDD 617

3 Trabalho de conclusão de curso apresentado à Escola de Saúde do Exército, como requisito parcial para aprovação no Curso de Formação de Oficiais do Serviço de saúde, especialização em Aplicações Complementares às ciências Militares. Orientador: Silvânia Suely Caribé de Araújo RIO DE JANEIRO 2008

4 AGRADECIMENTOS À minha orientadora pela paciência, apoio e dedicação que teve em todas as etapas desta monografia e ajuda e amizade inestimáveis.

5 RESUMO Buscou-se, neste trabalho, levantar informações relevantes sobre a construção da Política Nacional de Saúde Bucal, apresentando noções acerca do planejamento local e, portanto, da importância de se conhecer o território em que se trabalha, enfatizando a importância do emprego da epidemiologia para o conhecimento e o enfrentamento dos principais problemas de saúde bucal da população, tendo como foco principal a Atenção Básica, como parte fundamental na implementação do Sistema Único de Saúde (SUS). Foi estudada a importância do SUS, com base na legislação que o regulamenta (Lei Nº 8.080/90), bem como a legislação complementar (Normas Operacionais Básicas - NOBs). As NOBs, se voltam, mais direta e imediatamente, para a definição de estratégias e movimentos táticos, que orientam a operacionalidade do SUS na esfera federal, estadual e municipal. A Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS) assume a regionalização como macro estratégia fundamental para o aprimoramento do processo de descentralização, no momento específico da implantação do SUS. Neste trabalho, analisou-se também a importância da incorporação das equipes de saúde bucal às equipes de saúde da família (ESF), com o objetivo de ampliar as medidas preventivas. Contudo, o cirurgião-dentista só foi incorporado à Equipe de Saúde da Família em No ano de 2003, foi realizado o Levantamento de Saúde Bucal SB Brasil, cujos resultados demonstraram uma situação de saúde bucal alarmante. Estes elementos serviram de base para a elaboração de uma Política Nacional de Saúde Bucal Brasil Sorridente, a qual se apresenta em fase de implementação. Palavras-chave: Saúde bucal. Políticas Públicas. Saúde Pública.

6 ABSTRACT One searched, in this work, uprising excellent information on the construction of the Oral Health National Politics, presenting slight knowledge concerning local planning and, therefore, of the importance of the knowing about territory where it works, emphasizing the importance of the work of the epidemiology for the knowledge and the confrontation of the problems main of oral health of the population, having as main focus the Basic Attention, as basic part in the implementation of the SUS. The importance of the SUS was studied, on the basis of the legislation that regulates it (Law N 8.808/90), as well as the complementary legislation (Basic Operational Norms - NOBs). The NOBs, if comes back, more directly and immediately, toward the definition of strategies and tactical movements, that guide the operationalization of the SUS in the federal, state and municipal sphere. The NOAS assumes the regionalization as basic strategy macro for the improvement of the descentralization process, at the specific moment of the implantation of the SUS. In this work, the importance of the incorporation of the oral health teams to the family health teams was also analyzed. However, the dentist only was incorporated the Family Health team in In the year of 2003, the Oral Health Survey SB Brazil, demonstraded a situation of one Oral Health National Politics Smiling Brazil, which it's present in phase of implementation. Key words: Oral Health. Public Politics. Public Health

7 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACD- Auxiliar de Consultório Dentário ACISO- Ação Cívico Social APCD- Associação Paulista de Cirurgião Dentista ATF- Aplicação Tópica de Flúor CNSB- Conferência Nacional de Saúde Bucal CPO-D- Dentes Cariados, Perdidos e Obturados ESF- Equipes de Saúde da Família MS- Ministério da Saúde NOAS- Norma Operacional de Assistência à saúde NOB- Norma Operacional Básica OMS- Organização Mundial de Saúde PACS- Programa de Agentes Comunitários de Saúde PIA- Programa Inversão da Atenção PIESE- Programa Integrado de Educação e Saúde Escolar PSF- Programa de Saúde da Família SESP- Serviço Especial de Saúde Pública SUS- Sistema Único de Saúde THD- Técnico de higiene Dental

8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO REVISÃO DE LITERATURA SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) ATENÇÃO BÁSICA O PSF na Atenção Básica A Saúde Bucal na Atenção Básica: um breve histórico A IMPORTÂNCIA DA EPIDEMIOLOGIA Indicadores de Saúde Bucal Perfil de Saúde bucal da População Brasileira A POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL: BRASIL SORRIDENTE SAÚDE BUCAL NO PSF: UMA AVALIAÇÃO DO MODELO ASSISTENCIAL CAMPO DA ATENÇÃO NA SAÚDE BUCAL Ações Intersetoriais Ações Educativas IMPORTÂNCIA DA ATF E DO ACISO DISCUSSÃO CONCLUSÃO...31 REFERÊNCIAS INTRODUÇÃO A Odontologia no Brasil, por um longo período, destacou-se pela prática mercantilista e mutiladora, com caráter elitista e voltado para o setor privado, inclusive reproduzindo estas características no setor público. A definição de saúde que consta no relatório da VIII Conferência Nacional de Saúde relata que a saúde não é meramente a ausência de doença, mas resultante de uma complexidade de determinantes, sobretudo sociais. Esta definição serviu de apoio para a elaboração da legislação referente à saúde e ao Sistema Único de Saúde (SUS) presente na Constituição de 1988 e na lei orgânica da saúde (Lei 8.080/90), que afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado.

9 Em 1991, foi criado o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) como modo de aumentar a cobertura da atenção básica no país e reorganizar o serviço. Posteriormente com a introdução de profissionais de nível superior (médico e enfermeira) foi constituído o Programa de Saúde da Família (PSF). Contudo, o cirurgiãodentista só foi incorporado à Equipe de Saúde da Família em 2000, através da Portaria GM nº A incorporação das equipes de saúde bucal às equipes de saúde da família tem como objetivo ampliar as medidas preventivas, garantir os investimentos na área curativa e ampliar o acesso da população às ações em saúde bucal, contribuindo para a promoção de saúde dentro da comunidade. O objetivo desta revisão de literatura é apresentar um breve contexto históricopolítico que culminou com a elaboração das estratégias para ampliação das ações em saúde bucal no Brasil. Neste trabalho, busca-se também discorrer acerca de fatores essenciais para a implementação da Equipe de Saúde Bucal e da Política de Saúde Bucal como o conhecimento do território em que se trabalha, do uso de indicadores epidemiológicos, planejamento local e utilização de um sistema de informação. Deste modo, torna-se possível a modificação de uma situação de saúde adversa através do enfrentamento dos principais problemas de saúde bucal da população, tendo como estratégia a reorganização da Atenção Básica através do PSF. A necessidade de conhecer de que modo são regulamentadas as ações e serviços em saúde bucal no Brasil contribui para a compreensão do papel do cirurgiãodentista nas lutas da população pelo exercício do direito à saúde. Logo, justifica-se a escolha deste tema, pois o entendimento da legislação em saúde bucal serve de guia para a reorientação das práticas nesta área, contribuindo decisivamente como instrumento de mudança efetiva da situação de saúde da população.

10 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) A definição de saúde como direito serviu de apoio para a elaboração da legislação referente à saúde presente na Constituição de 1988, que afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido por meio de políticas econômicas e sociais, priorizando as seguintes diretrizes: descentralização, integralidade das ações e participação comunitária (BRASIL, 1988). Segundo o Art. 4º da Constituição Federal, o Sistema Único de Saúde (SUS) é formado pelo conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público. Além disso, as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: a descentralização, com direção única em cada esfera de governo; atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; e, participação da comunidade (BRASIL, 1988). Os objetivos do SUS são: a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde; a formulação de política de saúde destinada a promover, nos campos econômico e social, a assistência às pessoas através de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas (BRASIL, 2008). A universalidade, a integralidade, a equidade, o controle social, o direito à informação, a preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral, a divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário, a utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, e a descentralização político-administrativa são os princípios que regem o funcionamento do SUS (BRASIL, 2008). Com relação à descentralização, os estabelecimentos de subsistema municipal, não precisam ser, obrigatoriamente, de propriedade da prefeitura, nem precisam ter sede no território do município. Suas ações, desenvolvidas pelas unidades estatais

11 (próprias, estaduais ou federais) ou privadas (contratadas ou conveniadas, com prioridade para as entidades filantrópicas), têm que estar organizadas de modo que o gestor municipal possa garantir à população o acesso aos serviços e a disponibilidade das ações e dos meios para o atendimento integral (BRASIL, 1996). São identificados quatro papéis básicos para o estado, os quais não são, necessariamente, exclusivos e seqüenciais. A explicitação a seguir relatada tem por finalidade permitir o entendimento da função estratégica para a gestão neste nível de Governo. O primeiro desses papéis é exercer a gestão do SUS, no âmbito estadual. O segundo papel é promover as condições e incentivar o poder municipal para que assuma a gestão da atenção a saúde de seus munícipes, sempre na atenção integral. O terceiro é assumir, em caráter transitório, a gestão da atenção à saúde daquelas populações pertencentes a municípios que ainda não tomaram para si esta responsabilidade. Finalmente, o quarto, o mais importante e permanente papel do estado é ser o promotor da harmonização, da integração e da modernização dos sistemas municipais, compondo, assim, o SUS Estadual (BRASIL, 1996). No que respeita ao gestor federal, são identificados quatro papéis básicos, que são: exercer a gestão do SUS, no âmbito nacional; promover as condições e incentivar o gestor estadual com vistas ao desenvolvimento dos sistemas municipais, de modo a promover o SUS-Estadual; promover a harmonização, a integração e a modernização dos sistemas estaduais compondo, assim, o SUS-Nacional; e exercer as funções normais (BRASIL, 1996). A Norma Operacional Básica (NOB) tem por finalidade primordial promover e consolidar o pleno exercício, por parte do poder público municipal e do Distrito Federal, da função de gestor da atenção à saúde dos seus munícipes, favorecendo nesse caso a descentralização, com a atribuição das responsabilidades dos Estados, do Distrito Federal e da União, avançando na consolidação dos princípios do SUS (BRASIL, 2001). Além de estabelecer diretrizes gerais para a elaboração do Plano Diretor de Regionalização no âmbito dos estados, a Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS) apresenta propostas de organização da assistência, diferenciadas para os vários níveis, voltadas para a conformação de um sistema de atenção funcional e resolutivo em todas as etapas. O principal objetivo da NOAS é promover maior eqüidade na alocação de recursos e no acesso da população às ações e serviços de saúde em todos os níveis de atenção (BRASIL, 2001). O financiamento do SUS é de responsabilidade das três esferas de governo e cada uma deve assegurar o apoio regular de recursos ao respectivo fundo de saúde. Conforme determina o Artigo 194 da Constituição Federal, a Saúde integra a

12 Seguridade Social, juntamente com a Previdência e a Assistência Social (BRASIL, 1996). Ressalta-se também o controle social, uma das diretrizes do SUS, o qual dispõe de um órgão colegiado integrado por representantes do governo, dos prestadores de serviço, dos profissionais de saúde e dos usuários. Trata-se nesse caso dos Conselhos de Saúde, introduzidos para assegurar a participação da população no controle do Sistema Único de Saúde (SERAPIONE, 1999). O SUS possibilitou melhorias nas coberturas assistenciais bem como em alguns indicadores de saúde. Uma série de iniciativas foram atribuídas como a recolocação da atenção básica como prioridade e com possibilidade concreta de promover a melhoria do acesso e da capacidade resolutiva das ações de saúde no primeiro nível de atenção, fazendo do princípio da responsabilidade sanitária uma questão concreta, tarefa que tem no Programa de Saúde da Família (PSF) seu principal condutor (BRASIL, 2002). A regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde, bem como as diretrizes que regem o SUS (descentralização, atendimento integral e a participação da comunidade), permitiram ao país evoluir em se tratando de políticas de saúde (BARTOLE, 2006). 2.2 ATENÇÃO BÁSICA Do ponto de vista da organização da assistência à saúde, além da melhoria da qualidade e resolutividade da Atenção Básica, no âmbito municipal, é importante garantir o acesso de toda a população, o mais próximo possível de sua moradia, a um grupo de serviços conformadores do primeiro nível de referência em média complexidade, nem sempre disponível em todos os municípios, que compreende: laboratório, radiologia simples, ultra-sonografia obstétrica, atendimento psicoterápico, fisioterapia básica, algumas ações odontológicas especializadas e leitos hospitalares para atendimento do parto normal, primeiro atendimento em clínica médica e pediatria (BRASIL, 2001). O conceito de atenção básica adotado pelo Ministério da Saúde refere-se a um conjunto de ações de saúde que englobam um conjunto de fatores como a promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação (GARCIA, 2006). O processo de reorganização da atenção básica de saúde no país se iniciou no ano de 1998, com a implementação da Norma Operacional Básica do SUS (a NOB-SUS 96). A partir daquele ano, o Programa de Saúde da Família (PSF) foi definido como a

13 estratégia de estruturação para tal reorganização, mediante a qual se busca também a transformação do modelo de atenção prevalente no Brasil, historicamente focado na assistência médico-hospitalar (BRASIL, 1996). Outro aspecto que merece destaque nesse processo de reorganização e fortalecimento da atenção básica é a implantação, em 2001, da Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS), que visa à integração da atenção com toda a rede de serviços. A NOAS define as responsabilidades e as ações estratégicas mínimas que todos os municípios devem desenvolver no âmbito da atenção básica (BRASIL, 2001). A NOAS estabelece que a organização dos serviços municipais no contexto da micro e macrorregionalização deve oferecer estratégias intermunicipais para a organização de serviços de atenção básica, com qualidade e de forma resolutiva, definindo a regionalização como o núcleo central do processo de reordenamento dos sistemas de saúde (BRASIL, 2002). Os fundamentos da Atenção Básica são: possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e resolutivos; efetivar a integralidade em seus vários aspectos; desenvolver relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população-alvo garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado; valorizar os profissionais de saúde por meio do estímulo e do acompanhamento constante de sua formação e capacitação; realizar avaliação e acompanhamento sistemático dos resultados alcançados, como parte do processo de planejamento e programação, e estimular a participação popular e o controle social (BRASIL, 2006) O PSF na Atenção Básica Do ponto de vista do modelo assistencial, um eixo importante para a ampliação e qualificação da Atenção Básica é a estratégia de Saúde da Família, que configura uma nova organização no modelo assistencial, ao enfatizar a integralidade da atenção e organização do acesso à população aos demais níveis de complexidade do sistema (BRASIL, 2001). A Saúde da Família é a principal estratégia para reorganização da atenção básica no Brasil, importante tanto na mudança do processo de trabalho quanto na precisão do diagnóstico situacional, alcançada por meio da adscrição de clientela e aproximação da realidade sócio-cultural da população e da postura pró-ativa desenvolvida pela equipe (BRASIL, 2006).

14 O PSF oferece potencialidades interessantes para a população, especialmente no sentido de humanização do atendimento e comprometimento dos profissionais com a comunidade. Além disso, para os gestores municipais de saúde representa uma possibilidade de ampliação de recursos para atenção primária, tanto pelo cofinanciamento, através de recursos federais e, em alguns casos, estaduais, quanto melhora da efetividade das ações de saúde (GARCIA, 2006). No que diz respeito à organização do Sistema, o PSF contribuiu para o processo de regionalização/descentralização, criando oportunidades para a construção de uma atenção básica resolutiva. O conceito ampliado de saúde referenciado na VIII Conferência, que permeia todo o desenvolvimento do PSF, influiu, também, na mudança da organização do processo de trabalho em saúde (BRASIL, 2002). Verifica-se que, independente do porte populacional do município, a maior cobertura do PSF vem ocorrendo nas zonas urbanas. A delimitação da área sob a responsabilidade de uma equipe é outra informação importante, visto que constitui um dos princípios operativos fundamentais do Programa (BRASIL, 2002). Para impulsionar o PSF em municípios desprovidos ou carentes de atenção de saúde, sobretudo do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e norte do Estado de Minas Gerais, nos quais a existência de médicos e de enfermeiros é extremamente difícil, foi instituído e implementado, em 2001, o Programa de Interiorização do Trabalho em Saúde, que oferece a estes profissionais incentivos educacionais e financeiros, além de moradia e alimentação, durante o período de um ano, com possibilidade de prorrogação por mais um. O gráfico abaixo mostra a quantidade de população atendida no país por região no ano de 2002 (BRASIL, 2002). Gráfico 1 - População atendida por região Fonte: BRASIL (2002)

15 O PSF deve ter caráter substitutivo em relação à rede de Atenção Básica tradicional nos territórios em que as Equipes Saúde da Família atuam. Além disso, atuar no território, realizando cadastramento domiciliar, desenvolvendo atividades de acordo com o planejamento e a programação realizados com base no diagnóstico situacional tendo como foco a família e a comunidade (BRASIL, 2006). Um desafio importante no contexto de recursos humanos para o PSF refere-se ao reconhecimento social e técnico do agente comunitário de saúde, assegurado pela Lei N.º , de julho de 2002, que cria esta categoria profissional e que preserva a vinculação do agente com a região onde atua, um outro princípio do PSF. Essa Lei estabelece assim que o agente deve residir na área onde irá atuar, tendo, portanto, identidade com a respectiva comunidade, e que receba a qualificação básica para iniciar o trabalho (BRASIL, 2002). Segundo dados do Ministério da Saúde, o total de agentes comunitários no país é de 211 mil agentes com uma cobertura populacional de 107 milhões de pessoas em 2007, número de equipes de saúde da família implantadas no mesmo ano foi de , com cobertura de 87,7 milhões de pessoas (BRASIL, 2008) A Saúde Bucal na Atenção Básica: um breve histórico Historicamente, as práticas da Saúde Bucal foram desenvolvidas com certo distanciamento do Setor Saúde como um todo, restringindo-se à prática do cirurgião dentista com seu equipamento odontológico. A incorporação da Equipe de Saúde Bucal na Equipe de Saúde da Família visa transpor esse modelo de organização anterior, integrando as práticas dos profissionais da equipe. De acordo com o Caderno de Atenção Básica, a história dos modelos assistenciais na saúde bucal brasileira pode ser dividida em: Odontologia Sanitária e Sistema Incremental; Odontologia Simplificada e Odontologia Integral e Programa de Inversão da Atenção (PIA) (BRASIL, 2006). O primeiro modelo priorizou a atenção aos escolares de primeiro grau do sistema público de ensino, introduzido na década de 50 pelo Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), com enfoque curativo-reparador (BRASIL, 2006). Instituído ao final dos anos 70, o modelo Incremental priorizou a mudança dos espaços de trabalho. Suas principais características foram a promoção e prevenção da saúde bucal com ênfase coletiva e educacional; abordagem e participação comunitária;

16 simplificação e racionalização da prática odontológica e desmonopolização do saber com incorporação de pessoal auxiliar (BRASIL, 2006). O modelo de Odontologia Simplificada baseava-se em intervir antes e controlar depois. Buscou nesse caso adaptar-se ao SUS, porém, sem preocupação com a participação comunitária (BRASIL, 2006). Numa visão inicial, é possível reconhecer três fases na trajetória da política de saúde bucal, apresentados entre os anos 2000 e 2004 (GARCIA, 2006). A primeira fase instituiu-se com a edição da portaria GM/MS n.º 1.444, de 28 de dezembro de 2000, que estabeleceu os incentivos para financiamento das ações de saúde bucal e da inserção de profissionais de Odontologia no PSF. O segundo marco, com a publicação das Diretrizes da Política Nacional de Saúde, em janeiro de 2004, apontou caminhos para reorganização da atenção em saúde bucal em todos os níveis de atenção. E o terceiro, com a construção do Programa Brasil Sorridente, também em 2004, que efetivou a saúde bucal enquanto uma política pública de âmbito nacional. O documento (Portaria nº 1.444) estipulava os incentivos para o financiamento de ações e da inserção de profissionais de saúde bucal no programa (GARCIA, 2006). As equipes de saúde bucal começaram efetivamente a ser implantadas no PSF em março de 2001 (BRASIL, 2002). De acordo com dados de 2007, sobre as equipes de saúde bucal, foram implantadas 15,7 mil equipes, oferecendo uma cobertura para aproximadamente 77 milhões de brasileiros (BRASIL, 2008). De acordo com a Portaria nº 648/GM, de 28 de março de 2006, as competências específicas dos cirurgiões-dentistas que atuam na atenção básica através da Estratégia Saúde da Família são: realizar diagnóstico com a finalidade de obter o perfil epidemiológico para o planejamento e a programação em saúde bucal; realizar os procedimentos clínicos da Atenção Básica em saúde bucal, incluindo atendimento das urgências e pequenas cirurgias ambulatoriais; realizar a atenção integral em saúde bucal individual e coletiva, a todas as famílias, a indivíduos e a grupos específicos, de acordo com planejamento local, com resolubilidade; encaminhar e orientar usuários, quando necessário, a outros níveis de assistência, mantendo sua responsabilização pelo acompanhamento do usuário e o segmento do tratamento; coordenar e participar de ações coletivas voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças bucais; acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os demais membros da Equipe Saúde da Família, buscando aproximar e integrar ações de saúde de forma multidisciplinar; contribuir e participar das atividades de Educação Permanente do Técnico de Higiene Dental (THD), Auxiliar de Consultório Dentário (ACD) e realizar supervisão técnica do THD e ACD, dentre outros (BRASIL, 2006).

17 O cumprimento dos princípios do SUS, como a universalidade e eqüidade, requer das equipes de saúde bucal o conhecimento de sua realidade e da sua comunidade local. Daí a necessidade de organizar as ações valendo-se de estratégias de programação que utilizem critérios para a priorização da população mais necessitada. Quando os serviços conseguirem se apropriar dessa tecnologia e compartilharem com a comunidade suas prioridades, todos se beneficiarão, pondo-se em prática dois princípios do SUS, a eqüidade e o controle social (SOUZA, 2007). 2.3 A IMPORTÂNCIA DA EPIDEMIOLOGIA Para o planejamento das atividades de Saúde Bucal na Atenção Básica é necessário enfatizar a importância da utilização da Epidemiologia. Com ela pode-se conhecer o perfil da distribuição das principais doenças bucais, monitorar riscos e tendências, avaliar o impacto das medidas adotadas, estimar necessidades de recursos para os programas e indicar novos caminhos (BRASIL, 2006) Indicadores de Saúde Bucal O Ministério da Saúde, por meio do Pacto de Indicadores da Atenção Básica, redefiniu em 2006 para a área de saúde bucal dois indicadores principais (Cobertura de primeira consulta odontológica programática e cobertura da ação coletiva de escovação dental supervisionada) e dois indicadores complementares (Média de procedimentos odontológicos básicos individuais e Proporção de procedimentos odontológicos especializados em relação às ações odontológicas individuais). Estes indicadores são integrantes do instrumento nacional de monitoramento e avaliação das ações e serviços de saúde bucal referentes à atenção básica (BRASIL, 2006). Estes indicadores são utilizados para avaliação dos serviços, porém para um planejamento eficaz das ações e acompanhamento do nível de saúde bucal da população devem-se utilizar indicadores epidemiológicos específicos que incluem as patologias mais prevalentes que são cárie dentária, alterações gengivais, fluorose, oclusopatias, câncer bucal (FERREIRA; RONCALLI; LIMA, 2004). Proposto por Klein & Palmer, em 1937, o índice CPO-D é um dos índices mais utilizados em saúde bucal. Esse índice é a expressão do número de dentes

18 permanentes atacados por cárie através da soma do número de dentes permanentes cariados (componente C do índice), somados ao número de dentes obturados (componente O ) e ao número de dentes perdidos (componente P ) (BARBATO, 2007) Perfil de Saúde Bucal da População Brasileira O desenvolvimento econômico, a forma de organização do governo, o nível educacional da população assim como a cultura e tradições popular regulam a formação de hábitos alimentares e as condutas de higiene pessoal e coletiva, fazendo parte íntima do processo saúde-doença (PINTO, 1983). Do ponto de vista epidemiológico, a cárie é a doença bucal de maior relevância (BRASIL, 2002). Dados do levantamento epidemiológico nacional de saúde bucal realizado no Brasil em 1986 apontaram que na faixa etária dos 35 aos 44 anos o índice de número de dentes cariados, perdidos ou obturados (CPO-D) médio foi de 22,5 (BARBATO, 2007). Neste mesmo levantamento foi constatado que o Índice CPO-D em crianças de 12 anos de idade era, em média, de sete dentes. Em 1996, esse número caiu para três dentes, ou seja, uma redução de 56%, o que coloca o país bem próximo de atingir o índice considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o ano 2000, que preconiza um CPO-D menor quer três dentes nesta faixa etária (BRASIL, 2002). No ano de 2003, foi realizado o Levantamento de Saúde Bucal SB Brasil, com o objetivo de estimar a prevalência de perdas dentárias em adultos brasileiros de 35 a 44 anos investigando associações deste agravo com condições demográficas, sócioeconômicas e com utilização de serviços odontológicos, Os resultados epidemiológicos do SB Brasil mostraram uma situação de saúde bucal alarmante, onde perdas dentárias foram fortemente associadas com indivíduos residentes em zona rural, mulheres, pobres, com menor escolaridade e com aqueles de idade mais avançada. Usuários do serviço público e aqueles que consultaram dentista há mais tempo também apresentaram maior prevalência do agravo (BRASIL, 2003). Ainda de acordo com os dados do SB Brasil, moradores de zona rural apresentaram uma prevalência de perdas dentárias (> 12 dentes) 15% maior que os moradores de regiões urbanas, enquanto os pretos e pardos apresentaram uma prevalência de perdas dentárias 14% maior que os brancos (BARBATO, 2007).

19 Na dentição permanente, quase 70% das crianças de 12 anos e cerca de 90% dos adolescentes de 15 a 19 anos apresentam pelo menos um dente permanente cariado. Entre adultos e idosos a situação é ainda mais grave: a média de dentes cariados entre os adultos (35 a 44 anos) é de 20,1 dentes e 27,8 dentes na faixa etária de 65 a 74 anos. A análise destes dados aponta também para perdas dentárias progressivas e precoces: mais de 28% dos adultos e 75% dos idosos não possuem nenhum dente funcional em pelo menos uma arcada (BRASIL, 2003). Nesse caso, havia uma concepção que o serviço público, por atender uma população em teoria economicamente mais pobre e, conseqüentemente, com menor acesso ao atendimento odontológico, extrairia mais dentes. Porém, depois do ajuste na análise multivariada pelas variáveis sócio-econômicas, a prevalência de extrações no serviço público reduziu de 28 para 9%, percentual superior ao apresentado pela rede privada, o que indica ser ainda a extração uma característica de determinados tipos de serviços, em especial de municípios que apresentam piores indicadores sócioeconômicos (BARBATO, 2007). Os grupos indígenas contemporâneos, uma vez em contato com industrializados, também experimentam alterações sócio econômicas e ecológicas com forte potencial de alterar as condições de saúde bucal (ARANTES, 2001). O Módulo Saúde da Mulher, Criança e Saúde bucal da Funasa (2005) tem como objetivos capacitar os agentes indígenas de saúde para atuarem em suas comunidades, identificando os problemas de saúde nas diversas fases do ciclo biológico e desenvolvendo ações de promoção em Saúde da Mulher, Criança e Saúde Bucal, com vistas à resolução precoce e redução de riscos para a população. 2.4 A POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL: BRASIL SORRIDENTE A grave situação de saúde bucal da população serviu como base para a elaboração de uma política nacional de saúde bucal Brasil Sorridente, a qual se apresenta em fase de implementação em todo território nacional. Esta política de saúde bucal surge como elemento chave para a ampliação do acesso da população aos serviços de saúde bucal, principalmente aos serviços de maior complexidade com a instalação dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), o que poderá contribuir para a melhora dos indicadores epidemiológicos, refletindo avanços em termos de saúde bucal (GARCIA, 2006).

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