PROVA DO MESTRADO FILOSOFIA, TEORIA E HISTÓRIA DO DIREITO. Metáfora das cores: Negro (clero), Vermelho (militar, napoleônico), Azul (nobreza).

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1 PROVA DO MESTRADO FILOSOFIA, TEORIA E HISTÓRIA DO DIREITO QUESTÃO 1: Sob a perspectiva de Julien Sorel, de que maneira se relacionam os sistemas jurídicos que Stendhal, metaforicamente, associou aos negros, azuis e vermelhos, como evidenciado a partir de sua prisão e julgamento? Metáfora das cores: Negro (clero), Vermelho (militar, napoleônico), Azul (nobreza). Vermelho também pode representar todos os segmentos que não o clero e a nobreza. O vermelho pode significar a posição liberal, correspondente ao Terceiro Estado. Posição de classe de Sorel: filho de pequeno burguês, cuja ascensão profissional está limitada a duas alternativas: ser padre ou militar (negro ou vermelho). Contexto da obra: Restauração ( ). Aliança dos negros (clero) com os azuis (nobreza). Antecedentes da Restauração: império napoleônico, revolução francesa, antigo regime. Estrutura de poder: aliança da monarquia com a aristocracia rural e o clero restaurado por Napoleão; aliança entre o trono e o altar. Posição de inferioridade da burguesia industrial-comercial-financeira, que será alterada com a revolução de Posição de exclusão dos camponeses, trabalhadores e baixo clero, impossibilidade de ascensão social. Estados gerais do antigo regime: Primeiro Estado (Alto clero); Segundo Estado: (Nobreza); Terceiro Estado: (Liberais burgueses, baixo clero, pequenos proprietários, camponeses, artesões, trabalhadores). Características dos sistemas jurídicos na obra: a) dos negros: direito canônico, disputa entre jansenistas e jesuítas (autonomia em relação ao Papado e fidelidade a Roma); influencia da igreja na ocupação dos cargos na administração pública e no judiciário, em

2 troca de favores; b) dos vermelhos: perspectiva militar, império napoleônico, unidade nacional, direito civil, direito de propriedade, jacobinismo, idealismo; c) dos azuis: poder hereditário, aliança com o clero jansenista, centralização administrativa, retorno ao antigo regime. Referências na obra: Maquiavel, Voltaire, Maistre, Lutero, Rousseau, Sieyes, Robespierre. Crítica de Sorel ao modo vida dos liberais e dos clérigos: ambição, lucro, vantagem, improbidade, hipocrisia. Prisão e julgamento: capítulos XXXVI a XLV: o direito como sistema capaz de impedir a ascensão social conquistada por meio do conhecimento, e não por privilégios. QUESTÃO 2: A terra tinha um sentido especial para a formação das sociedades antigas. Com base nisto, explique: a relação de terra e urbes, a formação do Estado na antiguidade, a relação entre cidade, Estado e religião. Elementos a serem considerados: Diferença entre cidade e urbes; o modo como se constituíram as cidades e a relação com os clãs; a sacralidade da urbes e a questão da terra e território; o Estado e a ausência da ideia de liberdade individual; o poder do Estado antigo; a presença da religião impulsionando e dando as diretrizes para a construção e funcionamento da cidade e do Estado antigo.

3 PROVA DO MESTRADO DIREITO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS QUESTÃO 1: Sob a perspectiva de Julien Sorel, de que maneira se relacionam os sistemas jurídicos que Stendhal, metaforicamente, associou aos negros, azuis e vermelhos, como evidenciado a partir de sua prisão e julgamento? Metáfora das cores: Negro (clero), Vermelho (militar, napoleônico), Azul (nobreza). Vermelho também pode representar todos os segmentos que não o clero e a nobreza. O vermelho pode significar a posição liberal, correspondente ao Terceiro Estado. Posição de classe de Sorel: filho de pequeno burguês, cuja ascensão profissional está limitada a duas alternativas: ser padre ou militar (negro ou vermelho) Contexto da obra: Restauração ( ). Aliança dos negros (clero) com os azuis (nobreza). Antecedentes da Restauração: império napoleônico, revolução francesa, antigo regime. Estrutura de poder: aliança da monarquia com a aristocracia rural e o clero restaurado por Napoleão; aliança entre o trono e o altar. Posição de inferioridade da burguesia industrial-comercial-financeira, que será alterada com a revolução de Posição de exclusão dos camponeses, trabalhadores e baixo clero, impossibilidade de ascensão social. Estados gerais do antigo regime: Primeiro Estado (Alto clero); Segundo Estado: (Nobreza); Terceiro Estado: (Liberais burgueses, baixo clero, pequenos proprietários, camponeses, artesões, trabalhadores). Características dos sistemas jurídicos na obra: a) dos negros: direito canônico, disputa entre jansenistas e jesuítas (autonomia em relação ao Papado e fidelidade a Roma); influencia da igreja na ocupação dos cargos na administração pública e no judiciário, em

4 troca de favores; b) dos vermelhos: perspectiva militar, império napoleônico, unidade nacional, direito civil, direito de propriedade, jacobinismo, idealismo; c) dos azuis: poder hereditário, aliança com o clero jansenista, centralização administrativa, retorno ao antigo regime. Referências na obra: Maquiavel, Voltaire, Maistre, Lutero, Rousseau, Sieyes, Robespierre. Crítica de Sorel ao modo vida dos liberais e dos clérigos: ambição, lucro, vantagem, improbidade, hipocrisia. Prisão e julgamento: capítulos XXXVI a XLV: o direito como sistema capaz de impedir a ascensão social conquistada por meio do conhecimento, e não por privilégios. QUESTÃO 2: Hans Kelsen na obra Princípios de Direito Internacional trata da natureza da ordem jurídica internacional. Na abordagem kelseniana existem conflitos entre o Direito Nacional e o Direito Internacional? Existe primazia de Direito Nacional ou primazia de Direito Iternacional? 1) CONFLITOS ENTRE O DIREITO NACIONAL E DIREITO INTERNACIONAL Segundo Kelsen, as normas do Direito Nacional e do Direito Internacional podem ser simultaneamente validas. A contradição lógica, alegada pela teoria pluralista, de que as ordens nacional e internacional podem pertencer a distintos sistemas normativos, é apenas aparente. Analisando se, no caso de conflito entre Direito Nacional e Internacional, prevalece um ou outro, a questão só pode ser decidida com base no Direito do Estado envolvido. Devendo supor-se que os órgãos do Estado são obrigados a aplicar Direito Nacional, ainda que contrarie o Direito Internacional. Trata-se de conflito entre norma superior e inferior. Cita o exemplo da ordem nacional, quando há uma norma inconstitucional a mesma permanecerá válida enquanto não for anulada, a discussão possibilita a sua revogabilidade.

5 Não há contradição lógica entre a norma superior e a norma inferior, que não corresponde com aquela. A ilicitude de uma norma significa a possibilidade dela vir a ser revogada ou pode significar que pode ser imputada ao órgão criador da norma uma sanção específica. O Direito Internacional geral não prevê qualquer procedimento pelo qual possam ser revogadas normas de Direito Nacional ilegais na perspectiva do Direito Internacional. Tal procedimento pode ser estabelecido por Direito Internacional Privado ou por Direito Nacional. 2) PRIMAZIA DE DIREITO NACIONAL OU PRIMAZIA DE DIREITO INTERNACIONAL a) Personalidade nacional e internacional do Estado: A identidade do Estado como sujeito de Direito Internacional e como sujeito de Direito Nacional formam uma mesma ordem jurídica; ordem internacional obriga e autoriza o Estado, ordem jurídica nacional determina os órgãos que executam suas obrigações internacionais e exercem seus direitos. b) Apenas uma ordem jurídica nacional como sistema de normas válidas: a ordem jurídica internacional não faz sentido sem a ordem jurídica nacional, e a existência do Estado não pode ser entendida sem se considerar o Direito Internacional determinando sua existência. c) Apenas uma ordem jurídica nacional como sistema de normas válidas: a ordem jurídica internacional não faz sentido sem a ordem jurídica nacional, e a existência jurídica do Estado não pode ser entendida sem se considerar o Direito Internacional determinando a sua existência. d) Reconhecimento do Direito Internacional por um Estado é a expressão figurada da delegação do Direito Internacional pelo Direito Nacional, porque o Direito Internacional parte do Direito Nacional. e) Primazia: a norma fundamental do Direito do Estado é o fundamento de validade do Direito Internacional, ou seja, a norma fundamental da ordem jurídica nacional diferem apenas sobre o fundamento de validade do Direito Internacional e do Direito Nacional.

6 PROVA DO MESTRADO DIREITO, ESTADO E SOCIEDADE QUESTÃO 1: Sob a perspectiva de Julien Sorel, de que maneira se relacionam os sistemas jurídicos que Stendhal, metaforicamente, associou aos negros, azuis e vermelhos, como evidenciado a partir de sua prisão e julgamento? Metáfora das cores: Negro (clero), Vermelho (militar, napoleônico), Azul (nobreza). Vermelho também pode representar todos os segmentos que não o clero e a nobreza. O vermelho pode significar a posição liberal, correspondente ao Terceiro Estado. Posição de classe de Sorel: filho de pequeno burguês, cuja ascensão profissional está limitada a duas alternativas: ser padre ou militar (negro ou vermelho) Contexto da obra: Restauração ( ). Aliança dos negros (clero) com os azuis (nobreza). Antecedentes da Restauração: império napoleônico, revolução francesa, antigo regime. Estrutura de poder: aliança da monarquia com a aristocracia rural e o clero restaurado por Napoleão; aliança entre o trono e o altar. Posição de inferioridade da burguesia industrial-comercial-financeira, que será alterada com a revolução de Posição de exclusão dos camponeses, trabalhadores e baixo clero, impossibilidade de ascensão social. Estados gerais do antigo regime: Primeiro Estado (Alto clero); Segundo Estado: (Nobreza); Terceiro Estado: (Liberais burgueses, baixo clero, pequenos proprietários, camponeses, artesões, trabalhadores). Características dos sistemas jurídicos na obra: a) dos negros: direito canônico, disputa entre jansenistas e jesuítas (autonomia em relação ao Papado e fidelidade a Roma); influencia da igreja na ocupação dos cargos na administração pública e no judiciário, em

7 troca de favores; b) dos vermelhos: perspectiva militar, império napoleônico, unidade nacional, direito civil, direito de propriedade, jacobinismo, idealismo; c) dos azuis: poder hereditário, aliança com o clero jansenista, centralização administrativa, retorno ao antigo regime. Referências na obra: Maquiavel, Voltaire, Maistre, Lutero, Rousseau, Sieyes, Robespierre. Crítica de Sorel ao modo vida dos liberais e dos clérigos: ambição, lucro, vantagem, improbidade, hipocrisia. Prisão e julgamento: capítulos XXXVI a XLV: o direito como sistema capaz de impedir a ascensão social conquistada por meio do conhecimento, e não por privilégios. QUESTÃO 2: Considerando-se o entendimento de Ingo Sarlet, são procedentes as objeções ao reconhecimento de uma proibição de retrocesso em matéria de direitos sociais? Discorra a respeito. O autor rejeita as concepções de constitucionalistas a respeito de uma limitação da aplicação do princípio de não retrocesso no âmbito dos direitos sociais. Para tanto, o autor relativiza a excessiva liberdade que teria o legislador principalmente, na concretização dos direitos sociais, comentando ao menos duas concepções de autores constitucionalistas a respeito desse tema.

8 PROVA DO DOUTORADO QUESTÃO 1: Discorra sobre o modo como Pietro Costa problematiza a existência de uma soberania medieval. Conexão obrigatória entre a ideia de soberania e a ideia de Estado. Soberania inseparável do conceito de Estado: ganha força a tese do seu caráter essencialmente moderno. O conceito de Estado, assim como definido pela hodierna jus-publicística, apresenta traços por demais distantes da experiência e da cultura características das sociedades medievais. Estado significa absolutismo do poder, monopólio das fontes de direito, burocracia, unidade de comando sobre o território. Soberania é componente essencial do Estado: soberania, na órbita do Estado moderno, significa absolutismo do poder, exclusividade, características refratárias aos limites, distância qualitativa entre o detentor do poder e os sujeitos. Impossibilidade de empregar o termo Estado para compreender-traduzir o léxico político medieval. Mesmo assim, subsiste na Idade Média um verdadeiro e próprio discurso da soberania. Soberania medieval como termo que indica uma posição qualquer de excelência dentro de um determinado sistema político. Metáfora do rei-juiz-soberano. Soberania como cume de uma hierarquia contínua e homogênea de poderes diferenciados: momento mais alto de uma ordem já dada e imodificável.

9 QUESTÃO 2: Segundo Alexy, embora princípios e regras sejam, ambos, espécies de normas jurídicas, suas diferenças são de caráter qualitativo. Explique essa diferenciação e situe a máxima da proporcionalidade na dogmática dos direitos fundamentais Apontar: 1 diferença estrutural entre princípios e regras, esta tem como deslinde a solução de conflito entre regras (cláusula de exceção de uma delas ou invalidação da regra não prevalente) e a solução de conflito (colisão) entre princípios (não ocorre cláusula de exceção ou invalidade normativa, a solução opera no plano do seu peso axiológico, fora do plano da validade. Para tanto, apontar: 2 os planos prima facie e de aplicação concreta dos princípios e sua definição como mandados de otimização. Apontar: 3 O papel da máxima da proporcionalidade, ao contrário da opinião comum na dogmática brasileira, a proporcionalidade não é princípio constitucional implícito e sim uma necessidade lógica decorrente da própria estruturação dos direitos fundamentais, pois sem o sopesamento ou ponderação via proporcionalidade, estes direitos não têm como serem concretizados devido à sua constante colisão. Pode-se apontar também, os três componentes da máxima da proporcionalidade necessários à sua operacionalização.

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