1 - Macroambiente de Negócios. 1.1 Território e Inserção Geográfica

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2 Sumário: 1 - MACROAMBIENTE DE NEGÓCIOS TERRITÓRIO E INSERÇÃO GEOGRÁFICA POPULAÇÃO, MERCADO CONSUMIDOR E FORÇA DE TRABALHO INFRA-ESTRUTURA ECONOMIA PIB OUTROS ÍNDICES REGULAMENTAÇÃO DOMÉSTICA PROTEÇÃO AOS DIREITOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL TECNOLOGIA INDUSTRIAL BÁSICA - TIB JUSTIÇA, LITÍGIOS E ARBITRAGEM COMERCIAL FORMAS JURÍDICO-MERCANTIS DAS EMPRESAS QUADRO ATUAL PARA NEGÓCIOS EM SERVIÇOS COMÉRCIO EXTERIOR E INVESTIMENTOS PRINCIPAIS EMPRESAS DA ÁFRICA DO SUL ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO: SERVIÇOS IMOBILIÁRIOS: ESTATÍSTICAS DE COMÉRCIO EXTERIOR E OUTRAS INFORMAÇÕES ESTATÍSTICAS FLUXO COMERCIAL EXTERIOR DE SERVIÇOS INVESTIMENTOS RECÍPROCOS PRINCIPAIS ACORDOS ENTRE BRASIL E ÁFRICA DO SUL

3 1 - Macroambiente de Negócios 1.1 Território e Inserção Geográfica 3

4 A República da África do Sul estende-se por km², com uma costa de km é banhada pelos oceanos Índico e Atlântico. É um país localizado no extremo sul do continente africano e faz fronteira ao norte com a Namíbia, Botsuana e Zimbábue, a leste com Moçambique e Suazilândia, enquanto o Lesoto é um país independente encravado no interior do território sul africano. O clima varia de subtropical, na costa oriental, a mediterrâneo moderado, no sudoeste. As partes setentrionais do país são quentes e secas, enquanto que na costa ocidental e no interior predominam as condições semidesérticas. A República da África do Sul é composta por 9 províncias, a saber: Províncias do Norte, do Noroeste, do Gauteng, do KwalaZulu-Natal, de Mpumalanga, do Estado Livre, do Cabo Oriental e do Cabo do Norte. As províncias apresentam distintas características, tanto em relação à riqueza como quanto à densidade populacional. Gauteng é a província mais poderosa com 19% da população do país e responde por 33% do PIB, apesar de ocupar apenas 1% do território. A renda média dessa região é ainda 93% maior que a média nacional. As outras duas províncias chave em termo de importância econômica e renda são: Cabo Oriental e Kwala Zulu Natal. A África do Sul possui um sistema único de organização governamental. Herdado da era do Apartheid, os organismos governamentais se localizam nas cidades de Pretoria (executivo), Bloemfontein (Judiciário) e Johannesburg (legislativo), as três capitais do país. 4

5 As nove províncias da África do Sul: 1.Cabo Ocidental; 2.Cabo Setentrional; 3. Cabo Oriental; 4. KwaZulu-Natal; 5. Estado Livre; 6. Noroeste; 7.Gauteng; 8. Mpumalanga; 9.Limpopo. Fonte: 1.2 População, Mercado Consumidor e Força de Trabalho Com população de 48,7 milhões (FMI ), a África do Sul é o 25º país mais populoso do mundo, a frente de países como Espanha (28º), Canadá (36º), Austrália (52º) e Chile (60º). Entre 2004 e 2008 a população teve um crescimento médio de 0,9%. Sua densidade populacional é de 41 habitantes por km². O ritmo de crescimento populacional vem diminuindo em virtude da incidência do HIV/AIDS, que infecta mais de 5,3 milhões de pessoas no país. A África do Sul é conhecida por sua diversidade cultural, linguística e religiosa. Onze idiomas oficiais são reconhecidos em sua constituição. O país é etnicamente variado com uma população composta de 31 milhões de negros, 5 milhões de brancos, 3 milhões de mestiços e 1 milhão de indianos. O inglês é o idioma oficial mais comumente falado na vida pública e econômica, apesar disso, é apenas o quinto mais falado na vida doméstica. Ainda que 76,9% da população seja negra, esse grupo não é nem culturalmente nem linguisticamente homogêneo. A maioria negra sul-africana ainda mora em áreas rurais vivendo com baixa renda per capita. Entretanto, é através dessa maioria que as tradições culturais do país sobrevivem. Algumas pequenas tribos ainda mantêm os dialetos quase extintos do país e tentam promover uma reaproximação da população mais jovem a essa cultura. Asiáticos, em especial aqueles de origem indiana, preservam suas próprias heranças culturais, língua e crenças, sendo Hindus, Sunitas ou até mesmo Cristãos e falando inglês misturado aos dialetos indianos, tais como o Híndi, Telugu, Tâmil ou Gujarati. 5

6 O estilo de vida da classe média sul-africana, composta predominantemente por uma minoria branca, mas com crescentes porcentagens de negros, mestiços e indianos, é muito similar àquele dos povos encontrados na Europa ocidental, America do Norte e Austrália. Membros da classe média, comumente estudam e trabalham no exterior procurando uma maior exposição aos mercados internacionais. As tabelas abaixo, extraídas do Global Competitiveness Report, estudo do Fórum Econômico Mundial, apresentam a posição da África do Sul, em relação ao resto do mundo, em cada quesito referente direta ou indiretamente à sua força de trabalho. Quanto menor a numeração atribuída a um quesito, mais próximo está o país do topo da lista. Sendo assim, observa-se que o mercado de trabalho sul-africano possui uma mão-de-obra de boa qualificação e disponibilidade de serviços de treinamento de pessoal. Entretanto, o mercado do país peca quando se observam as práticas de cooperação no ambiente de trabalho, de contratação e demissão e ainda a relação entre a produtividade e remuneração. A legislação trabalhista sul-africana é flexível, advinda da constituição adotada em Tal flexibilidade torna o mercado de trabalho sul-africano mais atrativo ao investimento estrangeiro. A África do Sul possui uma taxa de desemprego bastante elevada, alcançando em 2007 cerca de 23% (Statistics South África 2007). Atualmente, cerca de 65% da força de trabalho sul-africana se concentra no setor de serviços, tornando este, o maior empregador e gerador de renda do país. 6

7 Ano Força laboral Posição Mudança Porcentual Data da Informação ,82% ,71% 2004 est ,42% 2005 est ,65% 2006 est ,35% 2007 est. 1.3 Infra-Estrutura 7

8 A África do Sul possui uma infra-estrutura de padrão internacional. Avaliada pelos critérios do Fórum Econômico Mundial o país ocupa a 43ª posição e tende a subir neste ranque considerando-se os imensos investimentos realizados pelo governo e iniciativa privada (nacional e internacional) para as obras da copa de A Corporação Internacional de Financiamento (International Finance Corporation) irá prover US$ 150 milhões ao Banco Absa para os projetos de infra-estrutura do país 1. Foi instalado em Johanesburgo, com planos de expansão para as demais grandes cidades do país, um ágil sistema de transporte público, com ônibus tendo faixas de circulação próprias e estações confortáveis, com acesso facilitado a deficientes e proteção contra intempéries. As estradas são as mais extensas do continente e seus portos provêem uma parada natural aos navios que perfazem o comércio com Europa, Américas, Ásia, Austrália e ambas as costas africanas. O setor de transportes tem tido especial atenção do governo por ser um dos maiores contribuintes à competitividade sul-africana no mercado internacional. O setor tem sido visto como peça chave para o crescimento econômico e desenvolvimento social. O governo sul-africano pretender gastar até a copa por volta de US$ 1,22 bilhões com investimentos para a infra-estrutura de transporte das nove principais cidades que irão sediar o evento, de forma a atender o grande fluxo de pessoas que o país espera. 1 8

9 1.4 Economia PIB Considerada a equivalência do poder de compra, o PIB da África do Sul, 25ª maior economia em , foi da ordem de US$ 493 bilhões. Para efeito comparativo, pelo mesmo critério, o PIB do Brasil é de US$1.981 bilhões. A África do Sul é a maior economia da África, com grau de diversificação e sofisticação do setor terciário comparáveis ao Brasil. O país figura ainda entre os maiores investidores do resto da áfrica, além de ser o mais desenvolvido do Continente Africano. A exemplo do Brasil, a África do Sul é um país em desenvolvimento com agudas disparidades regionais e sociais, mas com ilhas de alto desenvolvimento econômico e com uma classe média de considerável dimensão e poder aquisitivo para consumir serviços sofisticados e de alto valor agregado. O setor de serviços compõe a maior parte do PIB, acumulando um total de 70% 3 da receita bruta do país e emprega cerca de 65% 4 de sua população. 2 FMI Cia Factbook Dados estimados para

10 Contribuição da África do Sul no PIB Africano pela Paridade do Poder de Compra Fonte: Banco Mundial 2007 África do Sul 6% 12% 30% 21% Egito Nigeria Algeria Marrocos Outros 13% 18% PIB pelo Câmbio Oficial e pela Paridade do Poder de Compra África do Sul e Países Selecionados - US$ trilhões (2008) Fonte: Fundo Monetário Internacional (Outubro de 2009) Elaboração: DECOS/SCS 7,93 4,33 3,30 0,28 0,49 1,09 1,55 2,26 1,68 1,98 1,57 1,20 África do Sul China México Rússia Brasil Índia PIB pelo Câmbio Oficial PIB pela Paridade do Poder de Compra Os números a seguir mostram o crescimento do PIB sul-africano nos últimos anos (números relativos ao Brasil entre parêntesis): 4,9% em 2004 (5,7%), 5,0% em 2005 (3,2%), 5,3% em 2006 (4,0%), em ,1%(5,7%) e 3,1% em 2008 (5,1%) 5. Com o rápido declínio dos 5 Fundo Monetário Internacional World Economic Outlook Database Abril

11 negócios e da confiança do consumidor em 2008, é esperada uma contração em torno de 0,3% 6 da economia em Caso essa tendência de forte deterioração da confiança dos consumidores e dos negócios persista, a África do Sul pode entrar em uma recessão maior que a esperada. No entanto, é esperada uma recuperação do PIB para 2010, impulsionada pela realização da Copa do Mundo no país, que dará ímpeto extra para o setor de turismo e serviços. É previsto que o crescimento retorne aos patamares anteriores à eclosão da atual crise em com a recuperação da economia global. PIB per capita pela Paridade do Poder de Compra(PPC) África do Sul e Países Selecionados - US$mil (2008) Fonte: Fundo Monetário Internacional Elaboração: DECOS/SCS 14,56 15,922 10,119 10,326 5,963 2,762 África do Sul China México Rússia Brasil Índia Indicadores Econômicos Estimados África do Sul Crescimento Real do PIB (%) 3,1-1,8 3,1 3,6 3,7 3,3 Inflação de Preços ao Consumidor (%) 11,3 6,0 5,4 5,0 4,5 4,0 Balanço Orçamentário (%PIB) -1,1-4,0-3,5-2,4-2,1-1,6 Balança de Conta Corrente (% do PIB) -7,4-5,5-5,2-5,6-6,0-6,3 Taxa de Câmbio R/US$ 8,26 10,5 11,6 10,75 10,5 10,2 Fonte: Economist Intelligence Unit (2009) 6 Economist Intelligence Unit 11

12 Se comparado às demais economias do continente o PIB sul-africano desponta em relação aos demais países africanos, como pode ser observado no quadro abaixo. 467,7 PIB Áfricado Sul e Países Selecionados - PIB pela Paridade do Poder de Compra(PPC) e pelo Câmbio Oficial(PCO) (US$ bi) 403,9 277, ,9 159, , ,8 214,403 93,1 83,384 África do Sul Angola Argélia Egito Nigéria PPC PCO A África do Sul também se tornou um grande produtor de vinhos, com alguns dos melhores vinhedos espalhados pelos vales próximos à Stellenbosch, Franschoek, Paarl e Barrydale Outros Índices Diversos relatórios, elaborados por bancos de investimentos, fundações privadas, entidades multilaterais etc, procuram captar e expressar aspectos do ambiente de negócios de relevância para a decisão de entrada de grandes empresas em mercados estrangeiros. Os relatórios emitidos pelo International Institute for Management Development IMD 7, entidade sediada na Suíça, e pelo Fórum Econômico Mundial 8 são reputados como os de mais abrangência, isenção e rigor metodológico. O IMD publica o Anuário Mundial da Competitividade - WCY. O IMD define competitividade nos seguintes termos: How nations and businesses are managing the totality of their competencies to achieve greater prosperity. Competitiveness is not just about growth or economic performance but should take into consideration the soft factors of competitiveness, such as the environment, quality of life, technology, knowledge, etc 9. De 57 países avaliados, a África do Sul ocupa a 47ª colocação, entre Turquia e Rússia e atrás do Brasil que figura na 40ª colocação

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14 O índice de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial 10 (edição ) classifica a África do Sul na 45ª posição, país da África Subsaariana melhor qualificado no ranking. Encontra-se ainda, acima de países como Itália (48ª), Índia (49ª), Indonésia (54ª), Brasil (56ª), México (60ª) e Rússia (63ª). Como pode ser observado na tabela abaixo, a competitividade sul-africana deriva do tamanho de seu mercado, particularmente quando se leva em conta os padrões da região; proteção da propriedade intelectual; qualidade de suas instituições privadas e eficiência do mercado financeiro. O país se beneficia ainda de elevados gastos em pesquisa e desenvolvimento, acompanhado por uma intensa colaboração, entre universidades e o setor de negócios, para inovação. Ressaltam-se como pontos negativos a falta de flexibilidade do mercado de trabalho e a infra-estrutura que, apesar de boa para os níveis regionais, necessita de melhoramentos, em especial no que se refere ao fornecimento de energia e disponibilidade de linhas telefônicas. 10 Esse índice avalia o ambiente de negócios de cada país considerando vários fatores como efetividade das instituições públicas, qualidade da mão-de-obra, eficiência dos mercados, favorecimento à inovação etc. Global Competitiveness Report disponível em 14

15 A lista abaixo relaciona as maiores dificuldades para a condução de negócios na África do Sul, segundo sondagem de opinião conduzida sob os auspícios do Fórum Econômico Mundial 11. Observe-se que dificuldades referentes ao crime e força de trabalho de baixa qualidade são as queixas mais recorrentes

16 A tabela a seguir é um resumo da tabulação detalhada mais abaixo. A metodologia do Fórum Mundial considera doze pilares de competitividade, agrupados em três fundamentos básicos. Observe-se que a posição do país no ranking dos países pesquisados é das mais altas. Para fins comparativos, e a título de informação para o investidor nacional e estrangeiro, mais abaixo apresenta-se também minuciosa tabulação referente ao Brasil, elaborada pela Fundação Dom Cabral 12 em parceria com o Fórum Econômico Mundial Segundo o Financial Times, a Fundação Dom Cabral é a 13ª melhor escola de negócios do mundo e a 1ª da América Latina

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19 O país encontra-se em boa colocação em relação aos BRICS, países de rápido desenvolvimento econômico, tendo inclusive, ultrapassado o Brasil na análise feita pelo Fórum Econômico Mundial. Índice de Competitividade Global 2009/10 - BRICS 4,7 4,3 4,3 4,13 4,2 Brasil Russia Índia China África do Sul 1.5. Regulamentação Doméstica A empresa brasileira de serviços focada no mercado sul africano deverá estar atenta ao fato de que, como normalmente acontece em todos os países, o setor terciário costuma ser mais estrita e amplamente regulado do que o primário e o secundário, impondo custos adicionais às empresas. Deverá, necessariamente, embutir esse fator em seu plano de negócio. Questões referentes a matérias trabalhista, ambiental, de direito do consumidor, de proteção à livre concorrência, relativa à publicidade e propaganda, contabilidade, que diga respeito à proteção da cultura e tradições do país e toda uma gama de direitos difusos e coletivos deverão ser observadas pela empresa brasileira. Em relação ao regime de competição de mercados, a África do Sul possui um regime bem desenvolvido e regulamentado, baseado no sistema internacional de melhores práticas. O Ato de Competição de 1989 reformou a legislação de competição do país, aumentando substancialmente o poder das autoridades responsáveis por regular o sistema, e colocando o país em linha com os mesmos modelos adotados por União Européia, Estados Unidos e Canadá. Tais medidas tornaram ilegais várias práticas anti-competitivas e restritivas (como fixação de preço, concorrência predatória) e abusos de empresas dominantes (empresas que tenham 19

20 35% ou mais de participação no mercado). O Ato também impôs a necessidade de notificação e autorização prévia das autoridades reguladoras para certas fusões e/ou aquisições, impondo severas penalidades para os eventuais contraventores esse sistema se estende para fora dos limites do país sendo aplicado para toda atividade econômica dentro ou fora do território, que tenha um efeito negativo sobre sua economia Proteção aos Direitos de Propriedade Intelectual África do Sul possui uma extensa legislação concernindo os direitos sobre propriedade intelectual com base na constituição implantada em A legislação não impõe diferenças entre nacionais e estrangeiros, tendo a mesma aplicabilidade para ambos. Maiores informações e obtenção da legislação sobre direitos autorais da África do Sul podem ser obtidas no endereço eletrônico do Escritório Sul Africano de Registro de Companhias e Propriedade Intelectual Tecnologia Industrial Básica - TIB O termo TIB Tecnologia Industrial Básica reúne um conjunto de disciplinas técnicas de uso indiferenciado (metrologia, normalização, padronização, gestão da qualidade etc) pelos diversos setores da economia, inclusive serviços. Os temas afeitos a TIB são fator decisivo para a inserção bem sucedida das empresas brasileiras de serviços no exterior. Regulamentos técnicos são conjuntos de regras elaborados pelos governos cujo cumprimento é obrigatório. Normas técnicas são padrões elaborados por agentes privados, como a International Organization for Satandardizazion ISO, de cumprimento voluntário. Graças aos esforços do Instituto Nacional de Metrologia - INMETRO 15, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT 16 e de outras entidades, Brasil já dispõe de considerável capacidade e expertise em TIBs para o setor industrial. O Governo Brasileiro tem realizado esforços para que as ações de governo e de entidades privadas voltadas a TIBs também contemplem o setor de serviços, de forma que as empresas nacionais de serviços estejam aptas a atender plenamente as exigências técnicas dos mercados externos. Como corolário das ações referidas acima, para o incremento do comércio de serviços entre Brasil e África do Sul, é necessário que seja reforçada a cooperação institucional em matéria de TIBs. Decerto, sem o reconhecimento mútuo dos sistemas de certificação e credenciamento entre os dois países, o preço de um processo de prestação de serviço fica acrescido de custo de certificações diferentes em cada país, o que reduz a capacidade O INMETRO é uma autarquia federal brasileira, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. 16 A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no Brasil, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Trata-se de uma entidade privada e sem fins lucrativos e de utilidade pública, fundada em A ABNT é membro fundador da International Organization for Standardization (ISO), da Comissão Panamericana de Normas Técnicas (COPANT) e da Associação Mercosul de Normalização (AMN). A ABNT é a única e exclusiva representante no Brasil da ISO International Organization for Standardization, da COPANT Comissão Panamericana de Normas Técnicas e da AMN Associação Mercosul de Normalização. 20

21 competitiva das empresas, ou mesmo pode inviabilizar a exportação de serviços nos modos de prestação de serviços 1 e Justiça, Litígios e Arbitragem Comercial África do Sul tem grandes desafios a enfrentar no âmbito judicial. Apesar de a comunidade internacional reconhecer que o país realizou grandes mudanças estruturais no sistema desde o período do apartheid atingindo o nível de modelos internacionais. Entretanto, ainda há vários obstáculos à frente. O acesso à justiça é limitado pelos altos custos dos advogados e os, ainda existentes, governos provincianos tem repetidamente desrespeitado as ordens da alta corte sul-africana. Em diversas áreas, a implementação de novas leis, não atingiu as metas previstas no papel. A arbitragem comercial é regulada por meio do Ato das Companhias, Ato De Competição, dentre outros Formas Jurídico-Mercantis das Empresas 18 A África do Sul possui um bem desenvolvido e regulado sistema de leis que rege a formação de empresas no país. Todas as empresas e corporações sul-africanas são regidas pelo Ato 61 de 1973, baseado no direito administrativo britânico. O Ato de Companhias de 1973 regula a formação, condução dos assuntos e liquidação de todas as empresas. Este Ato não faz qualquer distinção entre empresas de propriedade nacional ou estrangeira. Empresas estrangeiras que queiram instalar subsidiárias devem registrá-las de acordo com este Ato. Há uma série de corpos especializados que irão guiar o investidor por todo o processo de registro do negócio na África do Sul. Firmas jurídicas, de administração e contabilidade têm o apoio de câmaras de comércio, embaixadas e escritórios governamentais. Há diversos tipos de classificação dependendo do tipo de negócio/empresa que se pretende estabelecer. A decisão sobre o qual é mais apropriado dependerá de vários fatores. As principais formas jurídicas para o investimento externo seguem listadas abaixo: 17 No jargão dos acordos de liberalização de comércio e investimentos em serviços, o comércio internacional de serviços é definido como a prestação de um serviço: a) Modo 1: do território de um Membro ao território de qualquer outro Membro; b) Modo 2: no território de um Membro aos consumidores de serviços de qualquer outro Membro; c) Modo 3: pelo prestador de serviços de um Membro, por intermédio da presença comercial, no território de qualquer outro Membro; d) Modo 4: pelo prestador de serviços de um Membro, por intermédio da presença de pessoas naturais de um Membro no território de qualquer outro Membro

22 Sociedade de Responsabilidade Limitada 19 : Uma Sociedade de Responsabilidade Limitada será, geralmente, a forma jurídica mais apropriada para o investimento estrangeiro, uma vez que permite grande flexibilidade e pode ser utilizada para a formação de Joint Ventures. Dois tipos de Sociedades de Responsabilidade Limitada podem ser implantadas: empresas de capital aberto ou de capital fechado. Ambas são criadas e regidas sob os termos do Ato das Companhias de O Ato descreve os procedimentos a serem seguidos para a formação de uma empresa de capital aberto ou fechado. Filiais: A empresa estrangeira que não queira instalar na África do Sul uma subsidiária pode, ao invés disso, erguer uma filial da empresa. Corporação de Capital Fechado: É uma forma simples e menos dispendiosa de corporação, que promove separação de responsabilidade legal, sucessão perpétua e alguma forma de responsabilidade limitada, mas é improvável que seja a forma de interesse do investidor estrangeiro. Parceria: Parcerias são formas mais apropriadas quando o planejamento de impostos é considerado. São mais comumente utilizadas para criar Joint Ventures entre duas entidades corporativas. As parcerias podem ser reguladas por contrato ou acordo selado entre as partes, não são, entretanto, reguladas por qualquer estatuto. Joint Ventures: Joint Ventures internacionais são porção significativa das operações internacionais na África do Sul, particularmente entre as grandes empresas. Os setores econômicos em que as Joint Ventures são mais ativas são os de pesquisa e desenvolvimento, exploração de recursos naturais, engenharia e construção, produção/manufatura, compra e venda de serviços. 19 A limited liability company (abbreviated L.L.C. or LLC) in the law of the vast majority of United States jurisdictions is a legal form of business company that provides limited liability to its owners. Often incorrectly called a "limited liability corporation" (instead of company), it is a hybrid business entity having certain characteristics of both a corporation and a partnership or sole proprietorship (depending on how many owners there are). An LLC, although a business entity, is a type of unincorporated association and is not a corporation. The primary characteristic an LLC shares with a corporation is limited liability, and the primary characteristic it shares with a partnership is the availability of pass-through income taxation. It is often more flexible than a corporation and it is well-suited for companies with a single owner. The corporate structure in Brazilian law most similar to the United States LLC is the Sociedade Limitada ("Ltda."), under the new Brazilian Civil Code of The "sociedade limitada" is the new name of the "sociedade por quotas de responsabilidade limitada", and it can be organized as "empresária" or "simples", under this new code, roughly corresponding to the form types of "commercial" [commercial] and "civil" [non commercial] of the former and now extinct Commercial Code. 22

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24 2 - Quadro Atual para Negócios em Serviços 2.1. Comércio Exterior e Investimentos Concentrando várias das maiores corporações econômicas do continente, a África do Sul é o motor econômico do continente Africano e comporta um dos mais importantes mercados financeiros em desenvolvimento do mundo. O Comércio Internacional corresponde a uma alta porcentagem do PIB (entre 45% e 50%) e as principais exportações do país estão ligadas à mineração e processos a jusante (ferro, platina, aço, etc). Os principais compradores do país são: EUA 11,9%; Japão 11,1%; Alemanha 8%; Reino Unido 7,7%; China 6,6%; Países Baixos 4,5% e os principais fornecedores do país são: Alemanha 10,9%; China 10%; Espanha 8,2%; EUA 7,2%; Japão 6,1%; Reino Unido 4,5%; Arábia Saudita 4,2%. 20 O comércio exterior sul-africano está caracterizado por déficit tanto na balança de bens, quanto na de serviços. Balança Comercial de Bens - US$ bi 51,6 62,3 58,2 78,7 69,8 88,5 80,8 99, , ,5-18,7-10,7 Exportação Importação Saldo Balança Comercial de Serviços - US$ bi 9,4 10,1 10,9 11,9 11,7 13,9 13,2 16, , , ,2 Exportações Importações Saldo -3,

25 Balança Comercial de Bens e Serviços - US$ bi 55,5 63,6 62,5 74,2 69,9 92, , , , ,7-21,7 Exportação Importação Saldo Listam-se abaixo, de forma não exaustiva, os setores de serviço nos quais a complementaridade de interesses é mais evidente e a viabilidade de comércio e investimentos imediata. Foram identificados a partir de prospecção tentativa baseada nas características da economia sul-africana face às capacidades empresariais existentes no Brasil com provável interesse de inserção no mercado sul-africano e vice-versa 21. Serviços de consultoria a empresas (jurídica, marketing e prospecção de mercados etc) Serviços afeitos à mineração Construção civil e engenharia Serviços de transporte e logística Serviços técnicos especializados para a indústria Software e serviços de informática Serviços pertinentes a biocombustíveis Serviços financeiros, bancários e seguros A alocação do IDE na África do Sul, de maneira estimativa, segue o seguinte padrão: 40% em serviços financeiros, seguros, empreendimentos imobiliários e serviços às empresas, 25% 21 Fontes: Estudo do Australian Department of Foreign Affairs and Trade intitulado African Renewal Business Opportunities in South Africa, Botswana, Uganda, Mozambique and Kenya (http://www.dfat.gov.au/publications/african_renewal/african_renewal.pdf), The Economist s Country Briefing: South Africa (http://www.economist.com/countries/southafrica/) e Cia World Factbook: South Africa ( 25

26 mineração, 25% indústria e 10% outros 22. O Reino Unido é a origem de 60% do IDE destinado à África do Sul. Uma similaridade entre Brasil e África do Sul relevante para o investidor estrangeiro é o fato de que ambos os países são o núcleo de áreas de integração econômica que expandem o mercado potencialmente à disposição das empresas estabelecidas em cada um dos países muito além das respectivas fronteiras Principais Empresas da África do Sul Rank Company Country Industry Sales ($bil) Profits ($bil) Assets ($bil) Market Value ($bil) 223 Standard Bank Group South Africa Banking Sasol South Africa 332 FirstRand South Africa Oil & Gas Operations Banking MTN Group South Africa Telecommunications Services Impala Platinum Holdings South Africa Materials Telkom South Africa Telecommunications Services Gold Fields South Africa 1102 Bidvest Group South Africa 1142 Sanlam South Africa 1220 Remgro South Africa 1240 Naspers South Africa Materials Conglomerates Insurance Conglomerates Media Fonte: African Renewal Business Opportunities in South Africa, Botswana, Uganda, Mozambique and Kenya, pg 81 (http://www.dfat.gov.au/publications/african_renewal/african_renewal.pdf). 26

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