CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS Mestrado em Educação Tecnológica. Amanda Tolomelli Brescia

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1 CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS Mestrado em Educação Tecnológica Amanda Tolomelli Brescia REDES SOCIAIS E EDUCAÇÃO: O Facebook e suas possibilidades pedagógicas Belo Horizonte 2013

2 Amanda Tolomelli Brescia REDES SOCIAIS E EDUCAÇÃO: O Facebook e suas possibilidades pedagógicas Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Educação Tecnológica do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais CEFET-MG, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Educação Tecnológica. Orientador: Prof. Dr. José Wilson da Costa Belo Horizonte 2013

3 Amanda Tolomelli Brescia REDES SOCIAIS E EDUCAÇÃO: O Facebook e suas possibilidades pedagógicas Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Educação Tecnológica do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais CEFET-MG, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Educação Tecnológica. Prof. Dr. José Wilson da Costa (Orientador) CEFET-MG Prof.ª Dra. Zulmira Medeiros Roque UFMG Prof.ª Dra. Márcia Gorett Ribeiro Grossi CEFET-MG Belo Horizonte, 12 de abril de 2013

4 A minha mãe, irmãos, queridos familiares e amigos pela compreensão e presença dedico esta dissertação!

5 AGRADECIMENTOS A Deus por ter garantido em meu caminho pessoas tão especiais! A toda minha família, pela torcida e apoio! Aos meus pais, pelo suporte dado em toda a trajetória e, especialmente, à minha mãe que sempre compreendeu e foi paciente durante minhas ausências, acreditando mais em mim do que eu mesma. Ao (Dr.) Thomás Tolomelli Brescia pelos cafés noturnos e pelas risadas de sempre. Ao Thiago Tolomelli Brescia que mesmo de longe (fisicamente apenas) perguntava, apoiava e sentia minhas aflições. Aos amigos anões que estiveram tão presentes em cada um dos momentos e que compartilham do stress da escrita desde sempre. Ao CEFET-MG que, pela disponibilização da Bolsa de Mestrado, possibilitou o desenvolvimento desta pesquisa. Ao meu orientador Prof. Dr. José Wilson da Costa que, além de me ensinar a pesquisar, me ensinou muito a ser profissional. A Zulmira Medeiros pelas riquíssimas contribuições e incentivos durante a construção deste trabalho, pelo apoio em minha vida profissional e pela participação nesta banca. Ao Fábio Vasconcelos pela paciência e sempre prontidão, que além de ser secretário do mestrado, é terapeuta, amigo, confidente e entusiasta. Aos professores José Geraldo Pedrosa, Irlen Gonçalves, Márcia Gorett e Maria Rita pelas discussões que sempre incentivaram a pesquisa e a mudança de conceitos pré-estabelecidos. À Patrícia Leite e ao Roberto Cezar pelas leituras incansáveis e comentários pertinentes e não menos engraçados acerca do trabalho. À Kênia Cunha e Patrícia Alves pela compreensão e apoio. À Ana Paula Maciel Mendes pelo companheirismo e por compreender sempre que ouvia um não. À Monica Deslandes, Tatiana Luz, Alice Fernandes, Fernanda Marra, Fernanda Modad e ao Luciano Souza pela presença mesmo quando eu estava ausente. Aos professores e alunos dos grupos analisados, pela abertura e prontidão

6 em colaborar para esta pesquisa. À Elaine Ribeiro, Lílian Freitas e Sandra Pedrosa, minhas irmãs de orientação que me apoiaram e me ajudaram muito nesta caminhada. Ao Fabiano Baldi que conheceu esta pesquisa bem no início e que, mesmo sem planejarmos, acompanhou todo o seu desenvolvimento, como em uma gestação.

7 RESUMO O crescimento e desenvolvimento vertiginoso da internet do ponto de vista de infraestrutura, velocidade e aplicações possibilitou o surgimento de sites interativos favorecendo a colaboração nos ambientes virtuais. As redes sociais digitais, exemplos típicos de ambientes interativos, surgem com a proposta de ser um espaço de construção colaborativa de relacionamentos, contatos, nós. A partir dos anos 2000, empresas, comunicadores, políticos, grandes corporações, entre outros seguimentos, perceberam o potencial e o alcance das redes sociais e passaram a participar dessas redes com objetivos de potencializar negócios, relações comerciais, entre outras finalidades. Apenas recentemente as instituições de ensino e/ou educadores começaram a atribuir sentido às redes visando ao suporte à promoção do ensino dentro e fora do contexto escolar. Esta pesquisa analisou a atuação de educadores na rede social Facebook com propósitos educativos. Buscou-se também identificar quais ferramentas estão sendo mais utilizadas e como tem ocorrido o envolvimento de professores e alunos. A rede social Facebook foi escolhida por permitir acesso gratuito e por seu grande número de usuários na atualidade. A investigação foi realizada com cinco grupos da rede e teve como foco a atuação de professores e alunos. Os grupos foram escolhidos tendo em vista o propósito educativo e por estarem em plena atividade. Foram observadas as interações no ambiente, questionários online foram aplicados aos alunos e entrevistas online realizadas com os professores responsáveis pelos grupos. A pesquisa revelou que os professores ainda não se apropriaram plenamente das ferramentas disponíveis no Facebook, não reconheceram todas as possibilidades pedagógicas da rede social e, portanto, não foram capazes de desenvolver consistentes metodologias de ensino para as atividades pedagógicas. Embora os alunos estivessem presentes na rede com maior frequência e com maior tempo de permanência em relação aos docentes, sua participação nos grupos com finalidade educativa ainda era tímida e havia pouca percepção da importância da utilização pedagógica da rede. A partir da investigação foram propostas diretrizes metodológicas de utilização de redes sociais com finalidade educativa. Palavras-chave: Redes sociais. Educação. Facebook. Possibilidades Pedagógicas. Educação a Distância.

8 ABSTRACT The vertiginous growth and development of the internet with regard to infrastructure, speed, and applications have made possible the development of interactive sites favoring collaboration within the virtual environments. The digital social networks are typical examples of interactive environments; they emerged with the intention of being a space for collaborative construction of relationships; contacts; node-links. From the first decade of the 2000 s, companies, communicators, politicians, big corporations, among others, realized the potential and the reach of the social networks and started to participate in them with the goal of fulfilling the potential for business, commercial relations, and other purposes. Only recently the educational institutions, and/or educators, started to attribute meaning to the networks with the aim of supporting and promoting teaching in and outside of the school context. This research analyzed the actions of educators that used the social network Facebook for educative purposes. We sought to identify which tools are being used more and as has been the involvement of teachers and students. Facebook was chosen because it allows free access and because of its greater number of users. The investigation was made using five groups from the network and was focused on the actions of teachers and students. The groups were chosen by taking into account the educative purposes and because they were active on Facebook. This study utilized observations of the interactions within the environment; on-line questionnaires to the students; and on-line interviews with the responsible teachers. The research revealed that the teachers still haven t utilized the fully available tools on Facebook, haven t recognized the pedagogic possibilities of the network, and therefore, aren t capable of developing consistent teaching methodologies to their pedagogic activities. Even though the students were more frequently present on the network, and stayed longer compared to the teachers, their participation in the groups were reluctant and there appeared to be little perception of the importance of the pedagogic use of the network. Following this investigation some methodological guideline proposals were made for utilizing the social networks for an educative purpose. Key Words: Social Networks. Education. Facebook. Pedagogic Possibilities. Distance Learning.

9 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 Ferramentas do Facebook e suas potencialidades FIGURA 2 Tela de cadastro no Facebook (detalhe da página inicial) FIGURA 3 de confirmação de cadastro de novo usuário FIGURA 4 Detalhe das etapas de cadastro de novo usuário FIGURA 5 Detalhe da etapa 1 de cadastro de novo usuário FIGURA 6 Detalhe da etapa 2 de cadastro de novo usuário FIGURA 7 Detalhe de mensagem no feed de notícias do usuário FIGURA 8 Pop-up para inserção de novo grupo FIGURA 9 Categorias de páginas FIGURA 10 Recorte do grupo de ensino médio A FIGURA 11 Recorte do grupo de ensino médio B FIGURA 12 Recorte do grupo de graduação FIGURA 13 Recorte do grupo de especialização FIGURA 14 Recorte do grupo de língua estrangeira... 77

10 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 Idade dos respondentes GRÁFICO 2 Acesso à internet via aparelhos e/ou equipamentos móveis. 83 GRÁFICO 3 Locais com acesso à internet GRÁFICO 4 Frequência de acesso ao Facebook GRÁFICO 5 Tempo médio diário de acesso às redes sociais GRÁFICO 6 Finalidade de utilização das redes sociais GRÁFICO 7 Ferramentas utilizadas no Facebook GRÁFICO 8 Outras redes sociais de que fazem parte... 90

11 LISTA DE TABELAS TABELA 1 Quantidade de teses e dissertações localizadas TABELA 2 Quantidade de membros por grupo X questionários respondidos... 68

12 LISTA DE SIGLAS AVAs Ambientes Virtuais de Aprendizagem EaD Educação a Distância IRC Internet Realy Chat LMS Learning Management System NTs Novas Tecnologias SESC-MG Serviço Social do Comércio de Minas Gerais TIC Tecnologia de Informação e Comunicação

13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO O problema de pesquisa Rede teórica Justificativa Objetivos Organização dos capítulos TEORIAS DE REDES SOCIAIS O Facebook Inscrevendo um novo usuário no Facebook Feed de notícias Grupos Páginas PENSANDO NA EDUCAÇÃO A concepção interacionista Conectivismo PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E ANÁLISE DOS DADOS Procedimentos metodológicos Sujeitos de pesquisa Análise dos dados CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICES

14 14 1 INTRODUÇÃO A utilização da informática e da internet na educação é um tema muito recorrente em congressos, seminários, em dissertações de mestrado e teses de doutorado. Entretanto, a utilização das redes sociais na educação é uma temática relativamente pouco estudada, em virtude, principalmente, de se constituir um fenômeno muito recente na vida das pessoas. No desenvolvimento desta pesquisa, percebeu-se que muito se tem debatido sobre as redes sociais na comunicação, na sociologia, no marketing, entre outras áreas, mas na educação, como parte dos processos de ensino e de aprendizagem, tal estudo pode ser considerado uma novidade. O surgimento das redes sociais ocorre com a expansão e aumento da velocidade da internet, que possibilitou o surgimento de sites interativos não operacionalizados anteriormente, pois até então a quantidade de pessoas com acesso à rede era limitado tanto do ponto de vista de número de usuários quanto em sua velocidade, o que em grande medida limitava a proposta de construção colaborativa em qualquer ambiente virtual. As redes sociais surgem, então, com a proposta de ser um espaço de construção colaborativa de relacionamentos, contatos, nós. 1 Essas relações já aconteciam fora da internet há muito mais tempo do que se imagina, por exemplo, quando os homens das cavernas atacavam outros homens em grupos sociais ou ainda quando os partidos políticos começam a se organizar na primeira metade do século XIX, porém passam a fazer parte do cenário tecnológico apenas a partir de meados dos anos Sendo assim, a partir dos anos 2000, empresas em geral, comunicadores, políticos, grandes corporações, entre outros seguimentos, começam a perceber o potencial e o alcance das redes sociais. Iniciam assim o desenvolvimento de estudos e colocam em prática sua utilização nas mais diversas metodologias. Porém, apenas recentemente as instituições de ensino e/ou educadores começaram a atribuir sentido às redes e passaram então a utilizá-las no suporte à promoção do ensino dentro e fora do contexto escolar. 1 Os atores são o primeiro elemento da rede social, representados pelos nós (ou nodos) (RECUERO, 2009, p. 25).

15 15 Durante pesquisa exploratória, foram localizados poucos estudos abordando essa problemática, porém, vale ressaltar os estudos de Minhoto (2012) por realizarem uma síntese importante das potencialidades da rede social Facebook: Figura 1 Ferramentas do Facebook e suas potencialidades Fonte: MINHOTO, 2012, p. 4. Em seu trabalho, Minhoto (2012) apresenta um estudo de caso realizado especificamente na rede social Facebook, tendo sido este o único estudo localizado sobre a potencialidade pedagógica dessa rede social. Alguns outros estudos, como Alves (2008), Costa (2008), Hardagh (2009), Lima (2011), Pacheco (2004), Vasconcelos (2010), têm apontado a possibilidade de utilização de diversas redes sociais na educação e relatado experiências positivas nesse sentido, porém, nenhum estudo localizado no território brasileiro apresenta uma análise criteriosa de experiências de aprendizagem mediada pelas redes sociais, tampouco um levantamento sobre como os alunos percebem a utilização pedagógica de sites que anteriormente eram tidos fundamentalmente como meios de lazer, socialização e relacionamento. 1.1 O problema de pesquisa Além dos trabalhos citados, a pesquisa exploratória realizada na internet permitiu localizar relatos de críticos, de educadores e de representantes de instituições educacionais que utilizam redes sociais, porém não foi percebida

16 16 abordagem metodológica clara em consonância com propostas pedagógicas, além de se perceber, em alguns casos, pouco conhecimento tecnológico em relação às redes sociais. Acredita-se que a incorporação das TIC na educação não transforma nem melhora automaticamente os processos educacionais, mas, em compensação, realmente modifica substancialmente o contexto no qual estes processos ocorrem e as relações entre seus atores e as tarefas e conteúdos de aprendizagem, abrindo, assim, o caminho para uma eventual transformação profunda desses processos, que ocorrerá, ou não, e que representará, ou não, uma melhora efetiva, sempre em função dos usos concretos que se dê à tecnologia. (COLL; MONEREO, 2010, p. 11). Tendo isso em vista, iniciou-se esta pesquisa com o intuito de identificar e compreender a prática que está se instaurando no meio educacional, visando colaborar para que esta aconteça de maneira mais reflexiva, criteriosa e profunda, extrapolando a simples incorporação das redes sociais à educação. Busca-se, assim, auxiliar na organização e adaptação do trabalho docente para a ampliação do foco da educação, pretendendo-se analisar como o professor atua no contexto das redes sociais e como elas têm auxiliado na aprendizagem de seus alunos. Inicialmente, foram analisadas as seguintes questões: a) Quais ferramentas da rede social Facebook estão sendo utilizadas? b) Como essas ferramentas estão sendo utilizadas? c) Está havendo interação entre os alunos e o professor? d) Está havendo interação dos alunos entre si? e) Quais interações são estimuladas (tanto pelo professor quanto pelos próprios alunos)? f) Quais tipos de materiais o professor tem disponibilizado aos alunos? g) Os alunos estão também compartilhando materiais? h) O professor contribui para a construção colaborativa entre os alunos? A partir da análise dos dados coletados e apresentados nesta pesquisa, buscou-se responder à questão central: Como os educadores atuam na plataforma de rede social Facebook tendo como finalidade o auxílio à aprendizagem de seus alunos? Buscou-se também realizar a construção de uma síntese metodológica de

17 17 utilização educacional da plataforma Facebook, sendo esta uma proposta de contribuições para uma reflexão e possível mudança no papel do professor em relação ao uso das redes sociais na educação, e, por consequência, da atuação dos alunos. 1.2 Rede teórica Considerando a perspectiva conceitual sobre redes sociais, esta pesquisa utilizará o conceito de redes sociais como uma estrutura composta por indivíduos, grupos de indivíduos e organizações conectados (por laços fortes ou fracos) e compartilhando objetivos comuns. Pode-se citar como exemplos de plataformas que comportam redes sociais na internet o Facebook, o Twitter e o LinkedIn, entre outros. Refletindo sobre a possibilidade da utilização das redes sociais com objetivo de aprendizagem, considera-se a abordagem sócio-histórica da aprendizagem, de Vygotsky, que acredita que a interação social tem um papel primordial na formação cognitiva dos indivíduos, pois o desenvolvimento intelectual ocorre a partir do desenvolvimento da interação social (de fora para dentro). Outra abordagem considerada, porém refutada como nova abordagem pedagógica, neste trabalho é o conectivismo, refletindo-se a partir da perspectiva de que se o indivíduo faz parte de uma rede social na internet, trocando informações, ele pode fazer uso dela como uma possibilidade de aprendizagem. Pacheco (2004, p. 73) considera que para Vygotsky a interação social é a origem e o motor tanto da aprendizagem quanto do desenvolvimento intelectual, ou seja, a aprendizagem se dá na formação de redes sociais (dentro ou fora da internet). Siemens (2004) expõe que o conectivismo apresenta um modelo de aprendizagem que reconhece as mudanças tectônicas na sociedade em que a aprendizagem não é mais uma atividade interna, individualista, postura esta que Vygotsky já nos apresentava, não sendo esta uma novidade para a educação. Sendo assim, considera-se que ambos os teóricos (e suas teorias) podem ser ponderados para a finalidade desta pesquisa, pois o conectivismo não se afasta do sócio-interacionismo de Vygotsky, como será demonstrado no decorrer de todo o trabalho mas debatido de forma mais acentuada no capítulo 3.

18 Justificativa A utilização das redes sociais com diversas finalidades tem sido tão frequente nos dias atuais que o uso de redes sociais pelos internautas no Brasil só perde para as ferramentas de busca, ficando à frente de serviços como e de mensagens instantâneas (FORESTA, 2010). Sobre a faixa etária dos usuários, em pesquisa realizada por uma empresa especialista em medições no mundo digital, a comscore, apresentou-se que o Brasil é um país bastante peculiar, onde a dominação é quase que exclusiva de jovens de até 17 anos (NASCIMENTO, 2011). [...] na comparação com o resto do mundo há uma divergência gritante quanto à média de idade dos visitantes nas mídias sociais, pois a maioria dos usuários se situa em uma faixa etária que vai dos 18 aos 44 anos. Em outras palavras isso quer dizer que enquanto no Brasil as redes sociais são usadas pelos jovens, nos outros países há uma variação maior na faixa etária dos usuários, mas com um pouco mais de destaque para os adultos. (NASCIMENTO, 2011). Considera-se que, o alto índice de utilização das redes sociais conjugado com a principal faixa etária que as utiliza compõe a hipótese de um quadro favorável à utilização das redes sociais no processo educativo, pois a maioria de seus usuários encontra-se em idade escolar. Outra pressuposição que favorece a utilização das redes sociais na educação é a crescente conexão à internet via dispositivos móveis, que hoje fazem parte da vida dos jovens em idade escolar. Sendo assim, percebe-se que os jovens descritos por Nascimento (2011) estão online dentro e fora do ambiente escolar, por meio de smartphones, aparelhos de celular e laboratórios de informática das escolas, debatendo, comentando, fazendo contato com outros alunos de dentro de sua escola e também de fora dela. Utilizar estas plataformas de redes sociais, que os alunos já frequentam com assiduidade, porém com a finalidade de socialização para a aprendizagem, é uma das possibilidades consideradas nesta pesquisa. A educação tem buscado diversas alternativas para favorecer a aprendizagem do sujeito, tanto dentro quanto fora das instituições de ensino, ampliando sua área de atuação. A mudança social que Kenski (2003) aponta em seus estudos como necessária para alcançar tais alternativas perpassa pela possibilidade de utilização

19 19 de tecnologias digitais, sendo as plataformas de redes sociais importantes mecanismos pedagógicos de atuação docente dentro e fora da escola. Em palestra proferida no III Fórum Técnico de Educação do SESC-MG, Martha Gabriel (2011) relatou utilizações bem sucedidas das plataformas de redes sociais como ferramenta de apoio para a melhora da aprendizagem dos alunos. 2 Porém, nessa mesma exposição, foi feita uma consideração de que não basta o professor convidar o aluno para fazer parte de sua rede social, ele precisa estimular a participação e sua utilização pedagógica, tendo assim uma postura diferenciada da que, normalmente, os sujeitos apresentam nas redes sociais. Assim sendo, é desejável considerar a investigação das redes sociais no contexto dos processos educacionais, na perspectiva de ampliar as possibilidades de formação dos alunos dentro e fora do ambiente escolar. A proposta de analisar como esse estímulo de atuação educacional por parte dos professores é realizado e como é a receptividade e auxílio educacional das plataformas de redes sociais é uma das questões centrais deste estudo. Sendo assim, este trabalho justifica-se pela grande utilização das redes sociais, pela importância que essas ferramentas vêm desempenhando na vida das pessoas nos dias atuais e, por outro lado, por sua pequena aplicação na educação. 1.4 Objetivos O objetivo desta pesquisa foi analisar de que forma os educadores atuam na plataforma de rede social Facebook tendo como finalidade o auxílio à aprendizagem de seus alunos. Como objetivos específicos, pretendeu-se: a) Verificar como se dá a mediação pedagógica entre professor-aluno na plataforma de rede social Facebook; b) Identificar qual(is) ferramenta(s) presente(s) na plataforma de rede social Facebook tem sido utilizada(s) e como promove(m) a aprendizagem; c) Discutir as metodologias utilizadas pelos professores na utilização educacional da plataforma de rede social Facebook; 2 Palestra proferida em Belo Horizonte no dia 22 de setembro de 2011.

20 20 d) Identificar como os atores envolvidos (educadores e alunos), nos casos analisados, percebem os processos de ensino e de aprendizagem na rede social Facebook; e) Realizar uma síntese metodológica de utilização da plataforma de rede social Facebook como ferramenta educacional. Para alcançar esses objetivos, foram realizadas análises de cinco casos de utilização dessa rede social com finalidade educacional. Posteriormente, foram aplicados questionários aos alunos que compõem os grupos observados e realizadas entrevistas com os professores responsáveis pelos grupos. 1.5 Organização dos capítulos da dissertação Por uma questão de organização, optou-se nesta dissertação por uma divisão em três grandes blocos de capítulos. No primeiro bloco, composto pela Introdução, é feita apresentação da temática, da rede teórica utilizada, da problematização e realizada também a abertura das discussões que serão desenvolvidas ao longo da pesquisa. No segundo bloco são feitas discussões de todo o referencial teórico utilizado no desenvolvimento da pesquisa, ou seja, é feito o alinhamento do olhar do leitor sobre os aspectos que serão apresentados e debatidos no decorrer da análise dos dados. Neste bloco encontram-se os capítulos que tratam das Teorias de Redes e das Teorias da Educação consideradas nesta pesquisa. No terceiro bloco são feitas as apresentações da metodologia utilizada e análises dos dados coletados durante a observação dos grupos da rede social Facebook, dos questionários aplicados aos alunos e das entrevistas realizadas com os professores responsáveis pelos grupos analisados. Além do capítulo que especificamente retrata a análise dos dados, é neste bloco que se encontram as Considerações Finais, que trazem, ainda, a síntese metodológica de utilização da rede social Facebook como ferramenta educacional. No quarto e último bloco são apresentados os instrumentos utilizados nesta pesquisa, como o roteiro de observação dos grupos do Facebook, o questionário aplicado a todos os alunos e o roteiro de entrevista realizada com os professores.

21 21 2 TEORIAS DE REDES SOCIAIS As redes sociais representam hoje grande parte da interação social, sendo perceptível que: hoje é possível construir redes sociais a distância, em que várias pessoas interagem, síncrona e assincronamente. As novas gerações crescem, convivem, comunicam-se, estudam e trabalham em rede. Nessas redes, o conhecimento é aberto e colaborativo, e os usuários não são mais concebidos apenas como receptivos passivos, mas também simultaneamente como produtores e desenvolvedores de conteúdos. (MATTAR, 2012, p. 82). Conforme explica Castels (2006), o fenômeno redes sociais é hoje possível devido ao surgimento da internet, a partir de uma fusão singular de estratégia militar, grande cooperação científica, iniciativa tecnológica e inovação contracultural (CASTELS, 2006, p. 82), e seu posterior desenvolvimento, que o autor descreve como sendo possível apenas pela junção de redes científicas, institucionais e pessoais que transcendiam o Departamento de Defesa, a National Science Foundation, grandes universidades de pesquisa [...] e, grupos de pesquisa especializados em tecnologia [...] (CASTELLS, 2006, p. 85). Castells (2006) relata que até por volta de 1990 os não-iniciados (CASTELLS, 2006, p. 87) na navegação na internet tinham grandes dificuldades em utilizá-la, e essa dificuldade só é minimizada quando um: novo salto tecnológico permitiu a difusão da Internet na sociedade em geral: a criação de um novo aplicativo, a teia mundial (world wide web www), que organizava o teor dos sítios da Internet por informação, e não por localização, oferecendo aos usuários um sistema fácil de pesquisa para procurar as informações desejadas. (CASTELLS, 2006, p ). Para facilitar a navegação na World Wide Web (www), em 1994 é lançado o primeiro navegador de Internet digno de confiança, como afirma Castells (2006) o Netscape Navigator, e logo surgiram novos navegadores, ou mecanismos de pesquisa, e o mundo inteiro abraçou a Internet, criando uma verdadeira teia mundial (CASTELLS, 2006, p. 89), o que possibilitou uma maior divulgação da rede mundial de computadores, a grande mãe das redes sociais digitais no formato que conhecemos e utilizamos atualmente.

22 22 Castells (2006) considera ainda que, com a criação da teia mundial, inaugurase a participação dos usuários na internet, inicialmente muito pouco interativa, 3 basicamente sendo feitas buscas de conteúdos e pouca troca de mensagens em e- mails, salas de bate papo ou softwares como o mirc 4 ou ICQ 5, sendo que podemos concluir que nesse período "está ocorrendo uma passagem da Sociedade Industrial, que privilegia a cultura do ensino, para uma Sociedade em Rede, que dá ênfase à cultura da aprendizagem, convergindo para a construção de um novo modelo educativo" (BEHAR, 2009, p. 15). Refletindo acerca do desenvolvimento exponencial das tecnologias de comunicação e seus efeitos na educação, Coll e Monereo (2010) consideram três fases, sendo estas caracterizadas da seguinte maneira: 1ª fase: A transmissão oral de conteúdos era a principal característica, pois não existiam meios de registrar o conhecimento para sua posterior aplicação, sendo assim necessária a presença física, no mesmo tempo e espaço, dos atores envolvidos. Era necessário o desenvolvimento de habilidades como a observação, a memória e a capacidade de repetição (COLL; MONEREO, 2010, p. 18), o que foi tomado como base para algumas teorias de aprendizagem desenvolvidas e consideradas até hoje, em alguns momentos, na educação formal, constituindo-se como fundamentos muito úteis para fixar e conservar conhecimentos (COLL; MONEREO, 2010, p. 18). 2ª fase: Caracterizada pela hegemonia do ser humano sobre o restante das espécies (COLL; MONEREO, 2010, p. 18), nessa fase são iniciados os registros escritos de dados, como uma espécie de memória externa que tem por objetivo transmitir e compartilhar com outros as informações, experiências, conselhos, etc. (COLL; MONEREO, 2010, p. 18), possibilitando assim o ensino centrado em textos 3 Interatividade entendida por Levy (1999, p. 79) como sendo a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação. 4 mirc é um cliente de IRC, shareware, para o sistema operacional Microsoft Windows, criado em 1995 e desenvolvido por Khaled Mardam-Bey com a finalidade principal de ser um programa de chat utilizando o protocolo IRC, onde é possível conversar com milhões de pessoas de diferentes partes do mundo. Esse era somente o seu uso, mas evoluiu para uma ferramenta totalmente configurável, que pode ser usada para muitas finalidades devido à sua linguagem de programação incorporada (mirc Scripting). (Fonte: Acesso em: 22 set 2011). 5 ICQ é um programa pioneiro de comunicação instantânea pela internet que pertence à companhia Mail.ru Group. A sigla "ICQ" é um acrônimo feito com base na pronúncia das letras em inglês (I Seek You) em português, "Eu procuro você", porém é popularmente conhecido no Brasil como "i-cêquê" (Disponível em: Acesso em: 22 set 2011).

23 23 e no nascimento dos livros didáticos e do ensino a distância, por correspondência (COLL; MONEREO, 2010, p. 18). 3ª fase: Tem como principal característica o desenvolvimento de sistemas analógicos, inicialmente, e em seguida os digitais, sendo que as barreiras espaciais foram rompidas definitivamente e a troca de informação em nível planetário passou a ser uma realidade (COLL; MONEREO, 2010, p. 18). Com o desenvolvimento dos computadores na década de 1940 (COLL; MONEREO, 2010) e posteriormente com a internet, a possibilidade da educação por meio desse suporte tecnológico passa a ser uma realidade, sendo consolidada a: Sociedade da Informação, que poderíamos definir como um novo estágio de desenvolvimento das sociedades humanas, caracterizado, do ponto de vista das TIC, pela capacidade de seus membros pra obter e compartilhar qualquer quantidade de informação de maneira praticamente instantânea, a partir de qualquer lugar e na forma preferida, e com um custo muito baixo. (COLL; MONEREO, 2010, p. 20). Descrevendo ainda acerca das fases menos interativas das tecnologias, Coll e Monereo (2010) consideram que: esta forma de conceber a internet como um imenso repositório de conteúdos ao qual os usuários podem acessar para procurar e baixar arquivos, corresponde, por assim dizer, à infância da rede e tem sido denominada Web 1.0 ou fase pontocom. [...] Existe um administrador (o webmaster em um caso, o professor no outro) que é quem determina o que, quando e como, dos conteúdos aos quais os usuários podem acessar (os internautas em um caso, os alunos no outro); os usuários, por sua vez, limitam-se a ler, seguir as instruções e baixar arquivos de um lugar estático que se atualiza com determinada periodicidade. Um dos carros-chefe da Web 1.0 foi o acesso em rede à Enciclopédia Britannica. (COLL; MONEREO, 2010, p. 35). Analisando toda a evolução e o aumento da participação e, por conseguinte, da interação das tecnologias de comunicação, a partir do início dos anos 2000 a web passou a ser vista e utilizada de maneira diferente do que havia sido até então. Paulatinamente deixou de ser um repositório de informações e passou a ser um local de construção da inteligência coletiva, 6 sendo que as informações contidas na rede passam a ser alimentadas por pessoas de diversas localidades do mundo. Surgiu, 6 Termo tratado por Levy (1996) como uma questão simples de enunciar mas difícil de resolver, [...] pois se as pessoas são todas inteligentes à sua maneira, os grupos decepcionam com freqüência. Sabe-se que, numa multidão, as inteligências das pessoas, longe de se adicionar, tendem a se dividir. A burocracia e as formas de organização autoritárias asseguram uma certa coordenação, mas às custas da supressão das iniciativas e o aplainamento das singularidades. (LEVY, 1996, p. 82).

24 24 assim, o termo Web 2.0, que foi cunhado inicialmente por Tim O Reilly, em 2005, e que significa uma web interativa: Web 2.0 é a revolução de negócios na indústria de informática causada pela mudança para a Internet como plataforma, e uma tentativa de entender as regras para o sucesso nessa nova plataforma. A principal entre essas regras é a seguinte: Construa aplicações que tenham os efeitos de rede para obter melhor aproveitamento das pessoas que as usarem. (Isto é o que eu tenho chamado em outro lugar de "aproveitamento da inteligência coletiva.") (O'REILLY, 2005, tradução nossa). 7 A evolução que hoje está sendo vivenciada na educação determina, entre outros aspectos, que a educação se realiza em outros lugares além da escola (GOMEZ, 2004, p. 22), podendo-se dizer que não existem fronteiras quando se utiliza a Internet para a aprendizagem das pessoas (GOMEZ, 2004, p. 22). Essa mudança pode ainda significar que o aluno, além de leitor, passa também a ser autor e produtor de material para a educação, inclusive editor e colaborador, para uma audiência que ultrapassa os limites da sala de aula ou do ambiente de aprendizagem (MATTAR, 2012, p. 82). O surgimento desta nova e mais interativa maneira de enxergar, vivenciar e construir a internet reflete a renovação dos hábitos dos usuários, que passam a desenvolver novos papéis além de receptores de informações, passam a fazer parte da construção da inteligência coletiva (LEVY, 1996; O REILLY, 2005). Essa nova maneira de pensar, essa nova corrente que "coloca o usuário na posição de produtor e difusor de conteúdos, é conhecida com o nome de Web 2.0, em contraposição à perspectiva anterior de Web 1.0, que conferia ao usuário um papel de mero consumidor relativamente passivo" (COLL; MONEREO, 2010, p. 28). Vislumbrando que há algumas décadas era praticamente impossível pensar em uma conexão de tantas pessoas como a que temos hoje, pode-se considerar que o surgimento das redes de computadores foi uma conquista tão importante para a humanidade como o controle sobre o fogo, acredita o francês Pierre Lévy (DUARTE; QUANDT; SOUZA, 2008, p. 15). Outra consequência da Web 2.0 é a ampliação da quantidade de usuários da internet no Brasil, que sobe de 8,6% da população em 2001 para 20,4% em Web 2.0 is the business revolution in the computer industry caused by the move to the internet as platform, and an attempt to understand the rules for success on that new platform. Chief among those rules is this: Build applications that harness network effects to get better the more people use them. (This is what I've elsewhere called harnessing collective intelligence. ) (O'REILLY, 2005).

25 25 (IBGE, 2007). Estes novos usuários que fazem parte da internet percebem-na como uma rede de informações, de dados, de comunicações e também rede de aprendizagem coletiva, podendo-se dizer, resumidamente, que "a Web 2.0 abre perspectivas de sumo interesse para o desenvolvimento de propostas pedagógicas e didáticas baseadas em dinâmicas de colaboração e cooperação" (COLL; MONEREO, 2010, p. 36). Contudo, apenas a entrada de computadores na escola, ligados ou não à internet, não determina que a educação seja de boa qualidade ou, ainda, em rede. É necessário mais que tecnologia para que a qualidade do ensino seja garantida, ou seja, não adianta distribuir tecnologia sem ideologia, sem formação, sem método, sem mudar o paradigma, como afirmam Gadotti e Romão em prefácio da obra de Gomez (2004, p. 14, grifo do autor). É necessário perceber que aprender em rede supõe um paradigma educativo oposto ao paradigma individualista, hoje dominante. Educação em rede supõe conectividade, companheirismo, solidariedade (GADOTTI; ROMÃO, 2005 apud GOMEZ, 2004, p. 14), e para auxiliar na consolidação da rede de aprendizagem coletiva, os websites e softwares passaram a adotar como característica principal a agregação de informações e a maior possibilidade de interação entre os usuários, conforme recomenda O Reilly (2005). Alguns exemplos desses tipos de sites e softwares são: Blogs, Wikipédia, Orkut, Facebook, Twitter, MySpace, MSN e Skype, sendo que esses podem ser considerados, também, exemplos de plataformas de redes sociais na internet. Concordamos com Mattar (2012) quando o autor elucida que o conceito de redes sociais não é consensual entre os pesquisadores. Três conceitos distintos são apresentados: a) Num sentido mais restrito (cada vez menos usado), redes sociais incluem plataformas como Orkut, Facebook e Linkedin, projetadas para conectar pessoas com o recurso de fóruns e outras ferramentas. b) Num sentido mais amplo, inclui, além das plataformas mencionadas anteriormente, qualquer plataforma on-line que possibilite a conexão de pessoas. Nesse sentido, seriam consideradas redes sociais Twitter, Flickr, YouTube, mundos virtuais como Second Life, games etc. c) Enquanto os dois conceitos anteriores apontam basicamente para a tecnologia, um conceito mais amplo pensa em redes sociais como conexão entre pessoas, independente das ferramentas. Ou seja, as redes são as pessoas conectadas, não as plataformas. (MATTAR, 2012, p. 84). Outra característica do conceito de redes sociais é que esse não é um

26 26 conceito novo, sendo que a ideia de representação da realidade em rede não é inédita, pois há tempos já são conhecidas as redes tanto no meio biológico, matemático ou físico quanto nas humanidades (SANTAELLA; LEMOS, 2010). A época do surgimento das redes sociais, mesmo fora da internet, também não é consensual na comunidade científica, porém, alguns autores consideram os trabalhos de Barnes (1954) e de Milgram (1969) como os pioneiros na discussão e apresentação do conceito de Redes Sociais (LEFEBVRE, 2005; MERCKLÉ, 2004; RECUERO, 2009; ROSA, 2011). Os trabalhos de Barnes basearam-se no estudo das redes a partir da Antropologia Social. Para Barnes (1954) não há uma teoria das redes, pois é possível aplicar a noção de rede às diversas teorias existentes. A concepção de redes seria, para ele, vínculos interpessoais cruzados de maneira inespecífica e conectados entre as ações das pessoas e as instituições sociais. Tais vínculos poderiam ser reforçados ou, em um dado momento, entrar em conflito e enfraquecer-se (BARNES, 1954) pois, são conexões existentes entre pessoas conectadas, não as plataformas (MATTAR, 2012, p. 84). A operacionalização dos estudos de Barnes foi realizada por Milgram (1969) por meio de uma experiência que ele intitulou de Teoria do Mundo Pequeno e que Recuero (2009) analisa em sua obra. O experimento de Milgram baseava-se no envio, de maneira aleatória, de 296 cartas a variados destinos em Boston e Nebraska (EUA). Nessa carta era solicitado aos destinatários que eles reenviassem as cartas a um determinado destino em Massachussetts. Porém, Milgram não forneceu o endereço completo do indivíduo, informando apenas o primeiro nome, a cidade de destino (Massachussetts) e algumas outras informações pessoais, como sua ocupação, por exemplo. Os destinatários começaram então a enviar a carta para outros destinatários que acreditavam estarem mais próximos do destino final solicitado por Milgram, como, por exemplo, pessoas que conheciam alguém com aquele primeiro nome, pessoas que conheciam alguém em Massachussetts ou que lá residiam ou pessoas vinculadas às informações pessoais citadas na carta, vinculados à ocupação do destino final, por exemplo. Ao final do experimento, apenas três cartas alcançaram o destino final, sendo que apenas seis graus separavam o receptor inicial do destino, ou seja, foram necessários cinco reenvios para que a carta chegasse ao destino solicitado por

27 27 Milgram. A partir desse experimento foi criada a teoria do mundo pequeno, que postula que em todo o mundo existem apenas seis laços que separam uma pessoa de qualquer outra do mundo. Ainda hoje, é possível realizar este experimento pelo site do Yahoo. Conhecido por Experimento Small World, ele está disponibilizado no endereço: Apesar do experimento de Milgram ter sido realizado fora da internet, considera-se como o primeiro demonstrativo da organização em redes sociais, que posteriormente foram transferidas para o meio digital, inicialmente a partir da década de 1990, com a difusão da internet. Embora se considere que Barnes foi o pioneiro na construção do conceito de redes sociais, reafirmamos que existe uma confusão muito comum na literatura sobre redes sociais. As pessoas chamam de rede tanto uma forma ou tipo de organização voluntariamente construída para cumprir uma finalidade, em geral, de natureza social, quanto a rede social que existe como fenômeno objetivo, independentemente de esforços feitos por algum sujeito para tecê-la ou articulá-la. (FRANCO, 2008, p. 42). Para diminuir a confusão citada acima e especificar o que está sendo tratado aqui por redes sociais, buscou-se alguns autores que conceituam o termo, considerando o que foi postulado por Alejandro e Norman (2005): Quando se fala de uma Rede, se entende como um grupo de indivíduos que, em forma agrupada ou individual, se relacionam com outros com um propósito específico, caracterizado pela existência de fluxos de informação. As redes podem ter muitos ou poucos atores e um ou mais tipos de relações entre pares de atores. Uma Rede se compõe, portanto, de três elementos básicos, que são: os nós ou atores, vínculos ou relações e fluxos. (ALEJANDRO; NORMAN, 2005, p. 3, tradução nossa). 8 Nesta pesquisa também foi considerada Recuero (2009, p. 24), que elucida que Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos) e suas conexões (interações ou laços sociais: os nós da rede). 9 8 Cuando se habla de una Red, se entiende como un grupo de individuos que, en forma agrupada o individual, se relacionan con otros con un fin especifico, caracterizado por la existencia de flujos de información. Las redes pueden tener muchos o pocos actores y una o más clases de relaciones entre pares de actores. Una Red se conpone, por tanto, de tres elementos básicos los cuales son: nodos o actores, vínculos o relaciones y, flujos (ÁLVAREZ; AGUILAR, 2005, p. 3). 9 Conceito formulado a partir das ideias de Wasserman e Faust (1994) e Degenne e Forse (1999) (RECUERO, 2009).

28 28 Alguns autores como Alejandro e Norman (2005), Santaella e Lemos (2010) e Recuero (2009) apresentam trabalhos que prioritariamente buscam atuar no potencial comunicacional das redes sociais, por outro lado, o presente estudo buscou ampliar a discussão, considerando que essas redes poderiam ser utilizadas também no processo educacional, especificamente auxiliando na aprendizagem dos alunos nelas atuantes. Ainda buscando o conceito de redes sociais, percebe-se que este remonta às pesquisas da antropologia e da sociologia. Estudos que aconteceram entre as décadas de 30 e 80 tornaram-se importantes, pois, segundo Aguiar, "foram esses estudos que começaram a utilizar as metáforas de 'tecido' e 'teia' para dar conta das relações de 'entrelaçamento' e de 'interconexão' através das quais as interações humanas e ações coletivas são articuladas (AGUIAR, 2006, p. 7). Percebe-se, então, que a ideia de rede é tão forte quanto antiga (GOMEZ, 2004, p. 27). A partir da década de 90, as reflexões que existiram acerca das "Redes Sociais Eletrônicas" (AGUIAR, 2006) foram produzidas pelos próprios usuários dessas redes, pois os pesquisadores (em grande parte os norte-americanos) estavam preocupados em desenvolver ferramentas e aplicativos técnicos que dessem conta da quantidade de usuários que estava aumentando consideravelmente. Desde então, as redes sociais estão se tornando cada vez mais populares. Compreende-se que é disponibilizado um grande número de informações diariamente e o acesso a todo esse conteúdo tem sido feito por milhões de pessoas, inúmeras vezes ao dia. Percebe-se que, por esse meio, os indivíduos ficam sabendo detalhes da vida de seus contatos (amigos, familiares, colegas de trabalho e de interesses afins), o que eles estão fazendo, o que estão comendo, para onde viajaram, no que estão pensando, o que estão estudando e também tem acesso a notícias locais e globais com muita agilidade. Neste estudo admite-se o conceito de redes sociais como sendo estruturas compostas por pessoas, grupos de pessoas e organizações que estão ligadas por elos fortes ou fracos e vinculadas de maneira não hierárquica por interesses comuns, sejam esses interesses atrelados a questões profissionais (estudos, trabalhos, viagens) ou pessoais (familiares, amigos), sendo necessário também considerar que "uma rede não funciona por meio de uma voz de comando, mas sim quando todos e cada uma de suas vozes começam, por decisão própria, a atuar."

29 29 (ARAÚJO; ASSIS, 2011, p. 49). Ainda considerando o conceito de rede social, Lima (2011) descreve que As Redes Sociais Virtuais são grupos ou espaços específicos na Internet, que permitem partilhar dados e informações, sendo estas de caráter geral ou específico das mais diversas formas (textos, arquivos, imagens, fotos, vídeos, etc.). (LIMA, 2011, p. 8). Por outro lado, concorda-se que as redes não são, portanto, apenas uma outra forma de estrutura, mas quase uma não estrutura, no sentido de que parte de sua força está na habilidade de se fazer e desfazer rapidamente (DUARTE; QUANDT; SOUZA, 2008, p. 156), sendo que essa força só é possível porque as redes são construídas por seus usuários, que por sua vez também constroem suas relações de maneira não fixa, não determinante, em um contexto educativo que pode alterar-se a qualquer momento, trazendo a ideia de que as redes são abertas, mutantes e capazes de aumentar sua capacidade a cada interação que os seus usuários (os nós) realizam (CASTELLS, 2006). Essa não linearidade ou não padronização das redes sociais pode ser um aspecto que facilitará a aprendizagem por meio delas, pois cada vez que uma pessoa organiza ou reorganiza sua relação consigo mesmo, com seus pares, com as coisas, com os signos acontece uma experiência de conhecimento e aprendizado, que manifesta um saber fazer, coextensivo à vida e que flui num espaço sem fronteiras de relações e de qualidades. (DELCIN, 2005, p ). Percebe-se que ao construir uma rede não padronizada é preciso constatar e dialogar acerca do que a educação significa para os educadores envolvidos, sendo considerável que "a educação autêntica, repitamos, não se faz de A para B ou de A sobre B, mas de A com B mediatizados pelo mundo. Mundo que impressiona e desafia a uns e a outros, originando visões ou pontos de vista sobre ele." (FREIRE, 1987, p. 84). Sendo assim, esclarece-se que a opção por analisar grupos que apresentaram educadores responsáveis por eles não se deu considerando que A soubesse mais que B ou que A repassasse informações que são assimiladas por B, mas apenas por uma escolha metodológica, considerando-se que, ao ter um professor responsável pelo grupo, este pode encontrar-se mais organizado ou ativo. A postura necessária, então, do professor é diferente da postura que ele apresentava anteriormente em sala de aula, sendo que o novo meio exige uma

30 30 visão mais construtivista e interacionista, em oposição ao instrumentalismo e à competitividade dominantes. Uma nova pedagogia, uma pedagogia da virtualidade faz-se necessária (GADOTTI; ROMÃO, 2004 apud GOMEZ, 2004, p. 14, grifo do autor), pois com a quantidade de informações disponíveis, não é possível mais absorver tudo, conhecer tudo que é novo em uma determinada área de atuação profissional, por exemplo, porém é preciso saber onde buscar as informações necessárias. A gestão do conhecimento torna-se aspecto importante na aprendizagem e não mais a aquisição e armazenamento do conhecimento. A mudança necessária para a escola, atualmente, perpassa por mudanças além da postura de seus atores, englobando também a mudança das principais fontes de pesquisa, que contam com páginas da internet, documentos online, áudios e vídeos, considerando ainda a utilização de bibliotecas virtuais como fontes de pesquisa e não apenas livros impressos como antes era a realidade (OLIVEIRA; COSTA; MOREIRA, 2004). Porém, é necessário considerar ainda que "nem tudo que é tecnologicamente viável é pertinente em termos educacionais. E poderíamos acrescentar que nem tudo que é tecnologicamente viável e pertinente em termos educacionais é realizável em todos os contextos educacionais." (COLL; MONEREO, 2010, p. 33). Sendo assim, e considerando a especificidade deste trabalho de pesquisa que teve como objeto de estudo a rede social Facebook, serão elucidados no próximo tópico alguns detalhes dessa rede social, que está sendo aqui abordada em seu uso no contexto educacional. 2.1 O Facebook O Facebook (originalmente, thefacebook), objeto e locus de estudo desta pesquisa, é uma plataforma de rede social que foi lançada em fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg e três colegas de classe que estudavam na Universidade de Harvard (Dustin Moskovitz, Eduardo Saverin e Chris Hughes). Inicialmente, nessa rede social, era permitido o cadastro apenas de usuários que possuíssem de universidades e o objetivo da plataforma era reunir alunos que estavam saindo do ensino médio (nos Estados Unidos, High School) e entrando na universidade (RECUERO, 2009). Porém, a partir de setembro de 2006, a rede social Facebook passou a permitir cadastro de usuários que não fossem vinculados

31 31 necessariamente a uma universidade e que tivessem mais de 13 anos de idade. Com essa mudança, rapidamente a rede ganhou dimensão mundial, chegando em 2012 a cerca de 980 milhões de usuários, sendo 67 milhões apenas no Brasil. Essa plataforma de rede social descreve como sua missão dar às pessoas o poder de compartilhar e tornar o mundo mais aberto e conectado 10 (FACEBOOK, tradução nossa), conforme é descrito na página do Facebook destinada à apresentação do ambiente à comunidade. Descreve-se ainda que o Facebook é um website gratuito para seus usuários e sua manutenção é feita pela receita gerada pelos anunciantes que incluem banners e também por grupos de patrocinadores. Para fazer parte dessa rede social, basta que o usuário crie uma conta que tem por pré-requisito a existência de um válido, sendo que nessa conta criada no Facebook ele pode adicionar fotografias, vídeos, links para sites, textos na íntegra ou partes e ainda comentar materiais disponibilizados pela sua rede, criar e participar de páginas, grupos e outras ferramentas. Algumas informações são restritas aos usuários que fazem parte especificamente de sua rede, porém essa configuração é pessoal e pode ser alterada a qualquer momento. As contas no Facebook são individuais, portanto, organizações, empresas e, inclusive, escolas não podem ter contas nessa rede social; podem apenas ter páginas ou grupos. Outra exigência é que todos utilizem seu nome real, não sendo permitido incluir no nome: - Símbolos, números, capitalização incomum, caracteres ou pontuação repetidos; - Caracteres de diversos idiomas; - Títulos de qualquer tipo (por ex.: profissional, religioso, etc.); - Palavras, expressões ou apelidos no lugar de um nome do meio; - Qualquer tipo de conteúdo ofensivo ou sugestivo. (Facebook) Inscrevendo um novo usuário no Facebook Para realizar a inscrição no Facebook, deve-se entrar no endereço Na página aparece o formulário de cadastro abaixo, que deve ser preenchido com o nome, sobrenome, , senha, gênero e também a data de nascimento do novo usuário, que depois deve clicar em Cadastre-se. 10 Facebook's mission is to give people the power to share and make the world more open and connected. 11 Disponível em https://www.facebook.com/help/ / Acesso em: 16 jun 2013.

32 32 Figura 2 Tela de cadastro no Facebook (detalhe da página inicial) Fonte: https://www.facebook.com/ Após realizado esse cadastro inicial, é enviado um para o endereço cadastrado e, antes de começar a navegar pela rede social Facebook, é preciso que o usuário confirme esse clicando em Conclua o cadastro no recebido, conforme Figura 3.

33 33 Figura 3 de confirmação de cadastro de novo usuário Fonte: Caixa de do usuário Ao clicar em Conclua o cadastro, o usuário é redirecionado para sua página no Facebook, onde é encaminhado para três etapas que são, respectivamente: - Encontre seus amigos - Informações do perfil - Foto do perfil Figura 4 Detalhe das etapas de cadastro de novo usuário Fonte: Nesta primeira tela, exibida na Figura 5, são localizados os contatos que o usuário já possui no catálogo do , no Windows Live Messenger, no Windows Live Hotmail e/ou em outro provedor de . Esta etapa é opcional e para não realizá-la basta clicar no link Pular esta etapa, conforme imagem:

34 34 Figura 5 Detalhe da etapa 1 de cadastro de novo usuário Fonte: Após essa etapa inicia-se o preenchimento do perfil público do usuário. Nesse preenchimento são solicitadas informações como local de realização dos estudos e seu ano de conclusão. Ao clicar em Salvar e Continuar, são exibidos contatos que já estão cadastrados no Facebook e que podem ser conhecidos a partir das informações já inseridas. Essa também é uma etapa opcional, assim como a localização de pessoas que possivelmente o usuário conhece.

35 35 Figura 6 Detalhe da etapa 2 de cadastro de novo usuário Fonte: A terceira e última etapa do cadastro de usuário é a definição da foto de perfil, que também é uma etapa opcional. Ela pode ser escolhida no computador do usuário ou tirada pela webcam no momento do preenchimento do cadastro de inclusão de usuário. O Facebook informa que, exceto a fotografia do perfil, a imagem de capa e as informações básicas como o nome do usuário, a privacidade de tudo que é publicado é configurável, ou seja, poderá ser exibido para todos os usuários da internet que acessarem a página do usuário ou apenas para os amigos selecionados Feed de notícias No centro da página do Facebook é exibido o feed de notícias 12, sendo que este é composto pelas atualizações que o usuário e seus contatos realizam na rede social. Todas as publicações de todos os indivíduos que compõem a rede do usuário são exibidas, como os links publicados, fotografias, comentários, vídeos, etc. O usuário pode interagir com esse conteúdo enviando comentários individuais nas caixas que são exibidas abaixo de cada publicação (conforme Figura 7) ou apenas 12 Segundo o glossário de termos do Facebook (2013), o Feed de notícias é a lista contínua de atualizações na sua página inicial que mostra as novidades de seus amigos e das páginas que você segue. (FACEBOOK, GLOSSÁRIO DE TERMOS, 2013).

36 36 Curtir a publicação e/ou comentário, informando assim que o conteúdo foi lido e/ou apreciado. Figura 7 Detalhe de mensagem no feed de notícias do usuário Fonte: Estas são algumas características do Facebook e etapas de cadastramento de usuários. Em seguida serão apresentadas as ferramentas de Grupos e Páginas, que são as ferramentas consideradas mais propensas à atuação educacional, como se concluiu durante pesquisa exploratória desta dissertação Grupos Os grupos são o foco desta dissertação, sendo que foram analisados cinco grupos de professores e seus alunos no Facebook no intuito de responder às questões consideradas nos objetivos deste estudo.

37 37 Buscando compreender o que significa um grupo, considerou-se sua definição disponibilizada no ajuda do Facebook, declarando que Grupos são círculos fechados de pessoas que compartilham e mantêm contato no Facebook (FACEBOOK, GLOSSÁRIO, 2013). Considerou-se também que Grupos são espaços on-line onde as pessoas podem interagir e compartilhar. É uma maneira de alunos trabalharem em projetos colaborativos entre eles e com o professor. É possível criar grupos abertos, privados e fechados, o que ajuda a preservar a privacidade de seus membros e dos temas discutidos. (MATTAR, 2012, p. 93). Para criar um grupo no Facebook é preciso seguir o passo a passo abaixo: 1- Entrar em sua página inicial, localizar na coluna à esquerda o link Criar grupo e clicar nele. Porém, caso o usuário já possua algum grupo, pode ser necessário clicar em Mais exibido à frente do rótulo Grupo para localizar o link de criação do grupo. 2- Um pop-up será aberto para que sejam inseridos o nome do grupo e seus membros e para que seja selecionado o tipo de privacidade desejada, conforme Figura 8: Figura 8 Pop-up para inserção de novo grupo Fonte: https://www.facebook.com/bookmarks/groups

38 38 3- Depois de preenchidos todos os campos, deve-se clicar no botão Criar. Automaticamente se é redirecionado para a página do grupo, que estará pronto para ser utilizado a partir desse momento. Para adicionar uma descrição, informar qual o endereço de , inserir uma imagem do grupo e gerenciar seus membros, é necessário clicar no ícone, que é exibido dentro do grupo. Importante informar também que há possibilidade de participar de grupos anteriormente criados, sair de grupos de que esteja participando e excluir grupos criados pelo usuário. Vale ressaltar que a participação nos grupos é opcional, sendo que os usuários podem apenas observar o grupo. Porém, sempre que algum membro posta algo no grupo, todos os outros membros recebem uma notificação com essa atualização. Esse serviço de notificação e a possibilidade de participação ativa pelos usuários em diversas ferramentas que compõem o Facebook é o que Mattar (2012) acredita ser uma oportunidade para estender a aprendizagem para fora das paredes da sala de aula tradicional ou mesmo do LMS 13 (MATTAR, 2012, p. 94) Páginas Segundo a Central de ajuda 14 do Facebook: Páginas são para empresas, organizações e marcas compartilharem suas histórias e se conectarem com as pessoas. Assim como as linhas do tempo, você pode personalizar as páginas adicionando aplicativos, publicando histórias, promovendo eventos e muito mais. Envolva e aumente seu público fazendo publicações regulares. As pessoas que curtirem sua página receberão atualizações em seus Feed de notícias. Você pode criar e gerenciar uma Página do Facebook em sua conta pessoal. Observe que só o representante oficial de uma organização, empresa, celebridades ou banda tem permissão para criar uma Página. (FACEBOOK, 2013). Curtir uma página significa estar disposto a receber suas atualizações em seu feed de notícias, sendo que cada usuário pode curtir quantas páginas quiser e também pode deixar de curtir, ou seja, pode deixar de receber notícias das páginas 13 Learning Management Systems (LMS) ou Sistema de Gestão da Aprendizagem (SGA), exemplificada por Mattar (2012) por ser uma variação da sala de aula tradicional para o desenvolvimento da educação. O Moodle é um exemplo de LMS. 14 Disponível em: < https://www.facebook.com/help/ /> Acesso em: 14 jan 2013.

39 39 em seu feed de notícias quando quiser. Mesmo navegando fora do Facebook, os usuários encontram ainda alguns sites que podem ser curtidos por meio de links próprios para isso; essas páginas curtidas externamente ao Facebook também têm suas atualizações exibidas no feed de notícias. Todas as páginas criadas pelo usuário disponibilizam um link de acesso que se localiza do lado esquerdo da página inicial do criador. Para criar uma página também são necessários passos simples, como se viu no caso da criação de um grupo: 1- O usuário deve entrar em sua página inicial, localizar na coluna à esquerda o link Criar uma página e clicar nele. Porém, caso o usuário já possua alguma página, pode ser necessário clicar em Mais, que é exibido à frente do rótulo Páginas, para localizar o link de criação da página. 2- São exibidas as categorias das quais a página poderá fazer parte, conforme a Figura 9: Figura 9 Categorias de páginas Fonte: https://www.facebook.com/pages/create.php 3- Após selecionada a categoria, é necessário selecionar uma subcategoria e

40 40 inserir o nome que terá a página. Feito isso, é importante destacar a necessidade da leitura dos Termos de página do Facebook. 15 Colaborando com a finalidade educacional da utilização do Facebook, podese perceber que: Páginas, por sua vez, permitem interações entre membros do Facebook, o que pode incluir alunos e seus pais. Uma página no Facebook é pública, ou seja, qualquer um pode curti-la, passando a receber atualizações de seu conteúdo em seu feed de notícias. Páginas são, portanto, uma maneira simples de professores e alunos compartilharem links, artigos, vídeos ou feeds RSS. (MATTAR, 2012, p. 94). Outra característica das páginas é o caráter cooperativo que elas possuem, pois não é preciso ter uma determinada pessoa adicionada à sua rede social para que se possa interagir com ela a partir de uma publicação de página, neste sentido, as páginas possuem ainda características colaborativas, como notas (posts em blogs) e comentários. (MATTAR, 2012, p. 94). Permanecendo na mesma linha de discussão realizada anteriormente, na qual se trata do potencial educacional das ferramentas da rede social Facebook, a página pode ser um meio de continuar uma discussão que começou em aula, assim como criar uma página para sua classe, e seus alunos podem curtir páginas que outros criaram. (MATTAR, 2012, p. 94). Importante pontuar que, dependendo da finalidade de utilização da ferramenta do Facebook, é preciso fazer escolha entre o grupo e a página, conforme esclarece o Quadro 1, formulado a partir de texto da Central de ajuda do Facebook: 15 Disponível em: <https://www.facebook.com/page_guidelines.php> Acesso em: 14 jan 2013.

41 41 Descrição Privacidade Público-alvo Comunicação Quadro 1 Diferença entre grupos e páginas Grupos Páginas Oferecem um espaço fechado para pequenos grupos de pessoas se comunicarem sobre interesses em comum. Os grupos podem ser criados por qualquer pessoa. Além de uma configuração aberta, mais configurações de privacidade estão disponíveis para grupos. Em grupos secretos ou fechados, as publicações ficam visíveis somente para os membros dos grupos. Os membros dos grupos devem ser aprovados ou adicionados por outros membros. Quando um grupo atinge certo limite, alguns recursos são limitados. Os grupos mais úteis tendem a ser os únicos criados com pequenos grupos de pessoas que você conhece. Em grupos, os membros recebem notificações por padrão quando algum membro publica algo no grupo. Os membros dos grupos podem participar de bate-papos, carregar fotos para álbuns compartilhados, colaborar em documentos dos grupos e convidar os membros que são amigos para eventos dos grupos. Permitem que organizações, empresas, celebridades e marcas reais se comuniquem amplamente com pessoas que as curtem. As páginas podem ser criadas e gerenciadas somente pelos representantes oficiais. As informações e publicações da página são públicas e geralmente disponíveis para qualquer pessoa do Facebook. Qualquer pessoa pode curtir uma página para tornar-se conectado a ela e obter atualizações do Feed de notícias. Não há limite de pessoas para curtir uma página. Os administradores podem compartilhar publicações sob o nome da página. As publicações da página aparecem no Feed de notícias de pessoas que curtem a página. Os administradores da página também podem criar aplicativos personalizados para suas páginas e verificar informações de página para acompanhar a evolução e a atividade da página. Fonte: Adaptado de <https://www.facebook.com/help/ /> Acesso em: 14 jan 2013 A utilização do Facebook em Educação é considerada por seus criadores principalmente a partir de 2011, quando passaram a lançar uma série de recursos e orientações para educadores (MATTAR, 2012, p. 93) e ainda disponibilizaram uma página 16 que apresenta informações detalhadas de como o educador pode utilizar a rede social e seus recursos. Essa página aponta como objetivo servir como um recurso permanente sobre como os educadores podem usar melhor o Facebook (Facebook Education, tradução nossa). 17 Neste trabalho ainda serão apresentadas e discutidas as metodologias que os educadores de cinco grupos estão desenvolvendo para utilizar o Facebook como apoio pedagógico na educação escolar e não escolar. 16 https://www.facebook.com/education?sk=info 17 To serve as an ongoing resource for information about how educators can best use Facebook.

42 42 3 PENSANDO NA EDUCAÇÃO A educação como hoje é implementada nas escolas, e como era há anos, tem sido suficiente para a aprendizagem? O formato dessa educação praticada tanto presencialmente quanto à distância tem sofrido influências da evolução tecnológica hoje vivenciada pela sociedade? Está sendo praticada uma educação que englobe a formação cidadã, tecnológica, econômica, social e conteudista dos alunos? Quem são esses alunos? Essas perguntas levam ao questionamento sobre qual seria o caminho a ser seguido no intuito de obter-se a atenção e a motivação dos alunos para os objetivos da aprendizagem, atenção esta necessária para que ocorra efetiva aprendizagem. Percebe-se que hoje faz parte do cotidiano dos professores e dos alunos o acesso em tempo real a informações advindas de qualquer lugar do mundo e a facilidade de comunicação por meio de diversos aparatos tecnológicos. As teorias de aprendizagem e consequentemente a educação têm acompanhado esse desenvolvimento? Este capítulo pretendeu refletir sobre as propostas existentes nas teorias educacionais considerando as práticas educativas nas redes sociais, ou seja, refletir sobre os processos de ensino e aprendizagem que têm ocorrido nas redes sociais à luz de teorias que mais se aproximam dessa realidade, teorias estas que buscam extrapolar a visão instrucionista, em que o sujeito é considerado uma tábula rasa, uma folha de papel em branco, de modo que todo o seu conhecimento vem do meio exterior [...] o conhecimento nunca se constrói, ele é transmitido ou transferido ao sujeito. (BEHAR, 2009, p. 22). Fazer a opção por uma teoria da aprendizagem diante de um estudo tão contemporâneo não é uma tarefa fácil, sendo preciso questionar: "as teorias pedagógicas presentes no nosso cotidiano escolar sustentam este novo cenário que está sendo construído pelas tecnologias digitais?" (LOPES, 2005, p ). Em resposta a tal indagação, esclarece-se que a crença da autora deste trabalho é do conhecimento numa perspectiva construtivista, que é uma teoria que não foi pensada diretamente para a escola, mas sim em como o sujeito aprende, independente do espaço ou do meio, em como o sujeito sai de uma condição de

43 43 aprendiz para uma condição de conhecedor acerca de determinado aspecto. Sendo assim, a mediação feita pelas tecnologias digitais na educação nos dias atuais tem levado à reflexão sobre como essas tecnologias auxiliam na aprendizagem dos alunos, como elas podem ser apropriadas no contexto educativo, tudo isso tendo as concepções pedagógicas como pressuposto do processo de ensino e aprendizagem e não necessariamente exigindo a construção de novas teorias ou ampliação de teorias já consolidadas. A partir das mudanças que os educadores têm vivenciado na educação, Kenski (2003) elucida que é necessário que aconteça uma completa e relevante mudança no sistema educacional. Além disso, a lógica de educar utilizando-se das redes tem como ponto relevante a redefinição do papel do professor (KENSKI, 2003, p. 93), pois as tecnologias digitais requerem um espaço educacional no qual sejam estabelecidas redes de relações que proporcionem múltiplas possibilidades de interação, tornando impossível a previsão dos resultados que poderão ser obtidos. (LOPES, 2005, p. 37). Ainda se conjectura que, com o crescimento das possibilidades de comunicação e de interação, as escolas e os educadores podem produzir cooperativamente e compartilhar seus conhecimentos, produtos, serviços e conteúdos de diversas áreas do conhecimento, sendo que, quando esse compartilhamento não ocorre, a educação fica prejudicada, não alcançando a qualidade esperada e continuando a ser uma educação compulsória e massiva para todos os estudantes (KENSKI, 2003, p. 91). Acredita-se que a utilização das redes sociais neste compartilhamento de informações pode auxiliar os atores envolvidos para que seja alcançada a educação com a qualidade almejada pela sociedade, ponderando que: o impacto das TIC na educação é, na verdade, um aspecto particular de um fenômeno muito mais amplo, relacionado com o papel dessas tecnologias na sociedade atual [...] que comporta novas maneiras de trabalhar, de comunicar-se, de relacionar-se, de aprender, de pensar, em suma, de viver. (COLL; MONEREO, 2010, p. 15). Porém, Os recursos computacionais, muitas vezes designados novas tecnologias jamais devem ser encaradas como instrumentos mágicos, capazes de substituir ou dispensar o papel fundamental dos sujeitos humanos que os utilizam (ASSMANN, 2005, p. 11), sendo necessária a rejeição explícita de qualquer

44 44 concepção mágica ou fetichista das novas tecnologias (ASSMANN, 2005, p. 11). Considerando tal necessidade, Kenski (2003, p. 92) vislumbra que um novo tempo, um novo espaço e outras maneiras de pensar e fazer educação são exigidos na sociedade da informação, sendo também necessário refletir que: não é só devido à introdução das Tecnologias da Informação e Comunicação [...] que está ocorrendo uma crise paradigmática na Educação, mas com ela fica mais evidente e clara a necessidade de realizar mudanças significativas nas práticas educacionais e, consequentemente, no modelo pedagógico. (BEHAR, 2009, p. 16). Estas novas exigências têm estabelecido mudanças substanciais na forma de ensinar, pois também a maneira de aprender já não é a mesma. Considera-se que: a escola deve, por conseguinte, aproveitar esse momento de inovações tecnológicas e modernizar suas práticas e propostas de ensinoaprendizagem, tanto na forma quanto no conteúdo, atendendo às novas necessidades impostas pelo mundo dinâmico e globalizado. (AMARAL; AMARAL, 2008, p. 12). Considerando tais demandas, são exigidos ajustes nas diferentes estratégias utilizadas pelos professores na condução do processo ensino/aprendizagem (OLIVEIRA; COSTA; MOREIRA, 2004, p. 112). Contudo, é preciso avaliar que "a abundância de informação e a facilidade de acesso a ela não garante, contudo, que os indivíduos estejam mais e melhor informados" (COLL; MONEREO, 2010, p. 22), sendo necessários ajustes no fazer pedagógico, ajustes que levem o professor a ponderar que seu novo papel já não será o da transmissão de saberes supostamente prontos, mas o de mentores e instigadores ativos de uma nova dinâmica de pesquisa-aprendizagem (ASSMANN, 2005, p. 14). Diante disso, conclui-se que "o professor não é alguém que sabe, mas sim alguém que pesquisa. E para alguém que se reconhece como pesquisador aprendente, as tecnologias digitais são parceiras necessárias e essenciais" (LOPES, 2005, p. 46). É necessário pensar e estruturar também um novo ambiente escolar, um novo fazer pedagógico, novas formas de ensinar e de aprender, modelos e ambientes que não substituem nem o professor, nem a escola ou a ação educacional, mas que considerem as tecnologias como ressignificadoras da aprendizagem em diversas dimensões, sendo que estas mudanças não provocam a destruição do que foi anteriormente construído pela escola, mas exigem a superação de ações

45 45 antagônicas e visões fragmentadas do conhecimento (LOPES, 2005, p. 35). Nesta nova visão, a educação escolar deve servir para dar sentido ao mundo que rodeia os alunos, para ensiná-los a interagir com ele e a resolverem os problemas que lhes são apresentados. E nesse contexto as TIC são onipresentes (COLL; MONEREO, 2010, p. 39), sendo também necessário o desenvolvimento de novos ambientes de aprendizagem, em que a negociação, o diálogo, a interação, a criatividade e a inventividade sejam elementos que compõem novas dimensões de atuação (LOPES, 2005, p. 51). É importante trazer à tona a ideia de que até o final dos anos 80 a educação não formal era vista como uma extensão da educação formal, desenvolvida em espaços exteriores às unidades escolares (GOHN, 2001, p. 91). Hoje já se acredita que uma das perspectivas de futuro mais verossímeis é a possibilidade de expandir as opções de aprendizado para outros cenários que não sejam os tipicamente escolares" (COLL; MONEREO, 2010, p. 28) e que os educadores não atuem apenas transpondo o que acontece dentro de sala de aula para outros ambientes de aprendizagem, reconhecendo que: a interação com as novas tecnologias intelectuais não é uma revolução metodológica em si mesma, mas potencializa o distanciamento de um ensino tradicional e a aproximação de um ensino alternativo. É um campo possível, onde a educação pode se apropriar das novas possibilidades que a Internet e o ciberespaço podem oferecer para as práticas educativas. (DELCIN, 2005, p ). Neste novo cenário, o professor não é o único responsável pela definição, pela geração ou pela atribuição de conteúdo (MATTAR, 2012, p. 21), pois ele apresenta uma nova postura, sendo condutor de caminhos, aquele que não dá a palavra final, mas permite e estimula a contrapalavra (LOPES, 2005, p. 39), e é ainda alguém que simplifica a caminhada, indica caminhos, expandindo as possibilidades de aprender. Auxilia o aluno a percorrer os mais variados tipos de caminhos para construção do conhecimento (LOPES, 2005, p. 41). O papel do aluno, por sua vez, passa a ser não de memorizar ou mesmo entender tudo, mas de ter a capacidade de encontrar e aplicar o conhecimento onde e quando necessário (MATTAR, 2012, p. 20), assumindo uma postura diferente e ativa, buscando interação, diálogo e, enfrentando novos desafios, inclusive o de selecionar informações e colaborar na atribuição de significado.

46 46 Com tais mudanças, a imagem de um professor transmissor de informação, protagonista central das trocas entre seus alunos e guardião do currículo começa a entrar em crise em um mundo conectado por telas de computador, (COLL; MONEREO, 2010, p. 31). Surge um novo professor que se reconhece como aprendente e que, ao interagir com o aluno, envolve-se e o convida a envolver-se em um complexo processo de criação de fins imprevisíveis (LOPES, 2005, p. 51). Ambos estão nos mesmos processos de interação, de aprendizagem, sendo professores e alunos coautores destes processos (de ensinar e de aprender), porém, o que os diferencia são as experiências construídas (LOPES, 2005, p. 37), sendo que a participação do professor em condições de igualdade com qualquer outro membro do grupo é a chave para o resultado eficaz (DELCIN, 2005, p. 78). Com a mudança dos papéis dos atores dos processos educacionais, a sala de aula baseada nos livros e nas aulas expositivas orais precisa, então, ser modificada, sendo necessário analisar o envolvimento multissensorial, afetivo e intelectual dos indivíduos inseridos nos sistemas de informação (OLIVEIRA; COSTA; MOREIRA, 2004, p. 112), pois os alunos não são mais os mesmos: Os jovens da Geração Internet cresceram em um ambiente digital e estão vivendo no século XXI, mas o sistema educacional em muitos lugares está pelo menos cem anos atrasado. O modelo de educação que ainda prevalece hoje foi projetado para a Era Industrial. É centrado no professor, que dá aula padronizada, unidirecional. O aluno, trabalhando sozinho, deve absorver o conteúdo ministrado pelo professor. (TAPSCOTT, 2010, p ). É preciso ter em mente que tais alunos constroem o conhecimento a cada nova experiência de investigação e desenvolvem seus próprios estilos de recuperação e organização das informações (DELCIN, 2005, p. 68). Considerando tal perfil de professores e alunos frente a esse novo fazer pedagógico, são necessários: ambientes cognitivos e metodologias que considerem a incerteza, o aprendiz e o seu diálogo com o mundo, com a vida. Ambientes cognitivos estimuladores da curiosidade, da busca de informações contextualizadas, do desenvolvimento da autonomia e da expressão da criatividade, nas dimensões construtiva, informativa e reflexiva potencializadas por novas tecnologias. (DELCIN, 2005, p. 71). Visando a criar esse ambiente, Oliveira, Costa e Moreira (2004, p. 113)

47 47 apontam estudos que assinalam a necessidade de maior e diferente envolvimento por parte dos alunos, por parte dos Nativos Digitais, 18 porém, para que esse envolvimento diferenciado aconteça, é necessária a ampliação das possibilidades de conhecimento do aluno, buscando uma nova visão dos ambientes de aprendizagem (OLIVEIRA; COSTA; MOREIRA, 2004, p. 113). Mas não é apenas necessário mudar os ambientes de aprendizagem, pois nossos alunos mudaram radicalmente e são hoje falantes nativos da linguagem digital dos computadores, videogames e Internet, enquanto nossos professores, imigrantes digitais, falam uma linguagem desatualizada (aquela da era pré-digital) e estão lutando para ensinar uma população que fala uma linguagem inteiramente nova (MATTAR, 2010, p. 10), ou seja, é necessária também uma mudança de postura e de linguagem dos professores, surgindo assim um novo professor. Alguns desafios são importantes para este "novo professor" que está surgindo, como: ressignificar as palavras aprender e ensinar; reconhecer o ser humano como coletivo auto-organizado; valorizar os sentimentos, as emoções e o inconsciente, compreender o ser indivíduo como parte integrante de um sistema complexo; reconhecer a técnica como parceira indissociável. (LOPES, 2005, p. 33). Considerando os alunos que se propõem estudar em outros ambientes de aprendizagem, fora da tradicional sala de aula incluindo as redes sociais como tais ambientes, acredita-se que estes precisam desenvolver algumas competências diferenciadas em relação aos alunos presenciais, como a "competência tecnológica, [...] competências ligadas a saber aprender em ambientes virtuais de aprendizagem e competências ligadas ao uso de comunicação escrita" (BEHAR, 2009, p. 26), para que eles consigam acompanhar as mudanças didáticas e metodológicas atuais. Todavia, para essas mudanças didática e metodológica ocorrerem, é preciso que os professores desenvolvam estudos e pesquisas visando a compreensão do valor do uso das NTs para a aprendizagem dos alunos e os desdobramentos que essa utilização possa ter sobre o processo do conhecimento (OLIVEIRA; COSTA; MOREIRA, 2004, p. 113). Tal necessidade também é apontada por Kenski (2003, p. 92) ao mencionar que: 18 Os nativos digitais são aqueles que já nasceram e cresceram na era da tecnologia, enquanto os imigrantes digitais nasceram na era analógica, tendo migrado para o mundo digital somente durante a vida adulta (MATTAR, 2010, p. 10, grifo do autor).

48 48 para o oferecimento de cursos e disciplinas, utilizando a potencialidade informativa e comunicativa das redes, os professores precisam estar minimamente familiarizados com essas novas tecnologias e suas possibilidades pedagógicas. (KENSKI, 2003, p. 92). externas, Considera-se que, anterior à capacitação dos professores e a mudanças faz-se necessária uma reforma do pensamento, para considerar a relação entre educação e cultura, valorizar o desejo, a sensibilidade e a afetividade. Mudança de pensamento que resgate ao educador a curiosidade epistemológica e política para enfrentar e aprender a conviver com os desafios antagônicos e contraditórios do mundo de hoje. (DELCIN, 2005, p. 62). Essa mudança é urgente, uma vez que, no médio prazo, parece inevitável que, diante dessa oferta de meios e recursos, o professorado abandone progressivamente o papel de transmissor de informação, substituindo-o pelos papéis de seletor e gestor dos recursos disponíveis, tutor e consultor no esclarecimento de dúvidas, orientador e guia na realização de projetos e mediador de debates e discussões. (COLL; MONEREO, 2010, p. 31). Percebe-se que essas mudanças geram novas interfaces que exigem ajustes nas estratégias de ensino/aprendizagem, pois o fordismo e o design instrucional tradicional não nos servem mais, e uma base para teorias que deem conta dos novos desafios pode ser encontrada no construtivismo (MATTAR, 2012, p. 7). Ainda considerando o design instrucional tradicional, que é praticado atualmente por muitas instituições, este: Consistia em enfiar o máximo de conhecimento possível em suas cabeças para construir o seu inventário conceitual antes da sua entrada no mundo do trabalho, no qual você podia recuperar aquela informação quando ela fosse necessária. (TAPSCOTT, 2010, p ). Percebe-se que nesta visão tradicional da educação formal, esta é tratada apenas como meio de adquirir conhecimentos para a prática profissional que posteriormente ocorreria, considerando esses conhecimentos necessários para tal prática como estanques, fixos e que, quando se modificam, esta modificação ocorre muito lentamente. Nesta perspectiva o ensino se tornou mecanizado, padronizado, normatizado, formalizado, otimizado e racionalizado. Passamos a um ensino

49 49 industrializado, produzido e consumido em massa (MATTAR, 2012, p. 4), sendo que a rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processos de busca (FREIRE, 1987, p. 34). A sociedade atual não permite mais essa padronização, rigidez, estagnação ou lentidão na educação. Assim, passa a ser obsoleto esse conhecimento adquirido em escolas que enfiam o conhecimento em cabeças, esse conhecimento transmitido pela educação formal por uma pessoa que tudo sabe aos que sabem menos, na visão bancária da educação, na qual o saber é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber (FREIRE, 1987, p. 33). Nesta concepção, o professor disserta sobre um determinado aspecto/assunto, promovendo uma narração, comumente entediante, que é ouvida (diferentemente de compreendida) pelos objetos pacientes, ouvintes os educandos. Acredita-se erroneamente que essa narração, de que o educador é sujeito, está sendo compreendida pelos educandos, quando, na verdade, ela conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado e não necessariamente à compreensão (FREIRE, 1987, p. 33). Ao contrário do que era praticado nessa educação descrita por Freire (1987), o aprender a aprender é a dinâmica atual, com foco no saber perguntar, no saber acessar informações e transformá-las em conhecimento (DELCIN, 2005, p. 61). Ao refletir sobre a utilização das redes sociais como ferramenta pedagógica, este tradicionalismo da educação pode vir a ser superado, entretanto, uma equipe docente ou um professor com muitos anos de experiência, com sólidas concepções objetivistas e com práticas eminentemente transmissivas, provavelmente acabarão utilizando as TIC para complementar as aulas expositivas com leituras e exercícios autoadministráveis na rede, mas dificilmente farão uso destas para que os estudantes participem em fóruns de discussão, trabalhem de maneira colaborativa ou procurem e contrastem informações diversas sobre um determinado tema (COLL; MONEREO, 2010, p. 33). pois: Considera-se, portanto, que não basta a introdução das TICs na educação, As TIC em geral, e a internet em particular, proporcionam uma excelente oportunidade para se saltar em direção a uma educação de mais qualidade, baseada em princípios de solidariedade e igualdade. Contudo, se esse salto não for bem-dimensionado, se não partirmos das diferentes realidades sociais e educacionais, com suas conquistas e suas carências, podemos acabar dando um salto no vazio e o avanço educacional esperado pode

50 50 acabar não passando de uma operação econômica e comercial. (COLL; MONEREO, 2010, p. 43). Buscando superar este aspecto comercial que a educação recebe atualmente, é preciso rever e reconsiderar o foco do ensino e seus principais objetivos. Um bom exemplo desta visão comercial da educação é quando ela é considerada como uma operação econômica e comercial (TAPSCOTT, 2010). Tal autor sempre retoma a questão de que o foco do ensino atualmente deve ser no aluno, foco este considerado correto e louvável pela autores desta pesquisa, porém Tapscott (2010) apresenta uma visão distorcida do que os pensadores da educação acreditam ser o ideal, comparando a escola com uma empresa que, quando está perdendo o interesse dos seus clientes (os alunos), deve desenvolver mecanismos para recuperá-lo. O autor cita ainda que parece simples, mas, como muitas empresas descobriram, o foco no cliente exige uma profunda mudança em toda a organização (TAPSCOTT, 2010, p. 159). Não se desconsidera a necessidade de mudanças na educação e isso tem sido explicitado durante todo o trabalho, porém a visão mercadológica da educação precisa ser modificada, pois está há muito ultrapassada. Partindo dessa necessidade de desenvolvimento de novas posturas na educação, para além da postura mercadológica, busca-se alicerce tanto em Vygotsky e sua perspectiva interacionista quanto em Siemens e o Conectivismo, que hoje tem sido referenciado como sendo a teoria da aprendizagem para a era digital, porém é refutado como teoria de aprendizagem neste trabalho, conforme demonstrado no capítulo 3.2. Sobre o trabalho de Vygostsky, ressalta-se que, Embora não se deva buscar na sua produção escrita suporte explícito a uma prática pedagógica centrada em redes colaborativas, pode-se usar o pensamento de Vygotsky como referencial teórico para subsidiar essa forma particular de aprendizagem-ensino (LIMA, 2008, p. 6). Apoiando-se na perspectiva interacionista, leva-se em consideração a interconexão proporcionada atualmente pela internet, e sua perspectiva na análise do Conectivismo, conforme Siemens (2004) observa: No momento atual em que vivemos, Era da Informação, a tecnologia molda até mesmo o nosso modo de pensar, agir (e aprender), portanto, uma teoria

51 51 que leve em conta as especificidades dos tempos atuais deve ser tomada, também, como referência para uma perspectiva mais contemporânea das estratégias de aprendizagem-ensino (SIEMENS, 2004). Considerando-se que toda prática pedagógica reflete uma certa concepção do que seja ensinar e aprender (OLIVEIRA; COSTA; MOREIRA, 2001, p. 13), serão apresentadas e discutidas teorias e considerações que mais se aproximam do que a autora desta pesquisa considera válido na prática educativa ocorrida no interior dos grupos observados na rede social Facebook. 3.1 A Concepção Interacionista Ultrapassando abordagens como o empirismo e o racionalismo, a concepção interacionista surge no início do século XX apresentando teorias segundo as quais o conhecimento é formado pelas trocas que o indivíduo realiza com o meio (OLIVEIRA; COSTA; MOREIRA, 2001, p. 32), conforme sugerem Piaget, Vygotsky e Wallon, alguns dos seus teóricos de maior expressão. Nessa concepção, considera-se que o conhecimento não é inato à pessoa, mas sim que ele é construído ao longo da vida, não sendo adquirido passivamente, e sim desenvolvido a partir da interação do indivíduo com o meio em que vive. Pondera-se que, para os teóricos interacionistas, "organismo e meio exercem ação recíproca. Um influencia o outro e essa interação acarreta mudanças sobre o indivíduo" (DAVIS; OLIVEIRA, 1994, p. 36). Considera-se que o meio refere-se ao conjunto de objetos com os quais interagimos, ocorrendo essa interação pelas possíveis interpretações que deles fazemos em um dado momento. Isso inclui, entre outros, seus aspectos físicos, socioculturais e afetivos (OLIVEIRA; COSTA; MOREIRA, 2001, p. 32). É essa conceituação do termo que esta pesquisa adotará, e é a partir da interação do meio compreendido dessa maneira que se acredita que ocorra o desenvolvimento e a aprendizagem. A partir de tal perspectiva, os teóricos dessa concepção encontram-se representados nesta pesquisa por Vygotsky ( ), sendo que a opção feita por analisar os estudos e relatos desse autor deve-se ao fato de acreditar-se que seus trabalhos se aproximam mais de nosso objeto de estudo, as redes sociais na educação, sendo que será demonstrado posteriormente como essa aproximação acontece.

52 52 Vygotsky considera que o homem biológico transforma-se em social por meio de um processo de internalização de atividades, comportamentos e signos culturalmente desenvolvidos (OLIVEIRA, 2010, p. 104). Porém, por ter vivido tão pouco tempo, apenas 38 anos, Vygotsky não chegou a formular uma concepção estruturada do desenvolvimento humano, a partir da qual pudéssemos interpretar o processo de construção psicológica do nascimento até a idade adulta (OLIVEIRA, 2010, p. 58), ou seja, ele não criou um sistema teórico bem estruturado e completo, mas considera-se que sua obra inspira a reflexão sobre o funcionamento do ser humano, a realização da pesquisa em educação e em áreas relacionadas e a prática pedagógica (OLIVEIRA, 2010, p. 104, grifo do autor). Desde Aristóteles (384 a.c. 322 a.c.) concebe-se que o que temos de aprender, aprendemos melhor fazendo, executando alguma ação. Acredita-se, assim, que a prática é considerada uma forma ideal de aprendizagem, sendo esta também uma das diretrizes dos trabalhos de Vygotsky. Ao analisar a obra desse autor, depara-se com "uma visão de desenvolvimento baseada na concepção de um organismo ativo, cujo pensamento é construído paulatinamente num ambiente que é histórico e, em essência, social (DAVIS; OLIVEIRA, 1994, p. 49). Tem-se ainda que é o grupo cultural onde o indivíduo se desenvolve que lhe fornece formas de perceber e organizar o real, as quais vão constituir os instrumentos psicológicos que fazem a mediação entre o indivíduo e o mundo (OLIVEIRA, 2010, p. 38). Considera-se para este estudo o conceito de mediação de Vygotsky caracterizado como o processo que ocorre na relação do indivíduo com o meio e com os demais indivíduos e que possibilita o desenvolvimento de funções mentais superiores (internalização que leva à aprendizagem). A partir da discussão acerca da mediação entre o indivíduo e o meio, inicia-se o debate do conceito de interação, que "[...] não está nos hipertextos ou links, mas nas relações estabelecidas" (LOPES, 2005, p. 48). E se constitui: pelo diálogo construtivo entre diferentes aprendentes em um mesmo processo conversacional permitindo a co-criação. Neste contexto, o educador necessita reconhecer a criatividade, a diversidade, o acaso, o erro como elementos promotores e essenciais na emergência de aprendizagens possíveis. A autonomia é construída através do diálogo estabelecido entre homem e meio, conhecimento e prática, um complementando o outro. (LOPES, 2005, p. 44). Percebe-se, portanto, que a interação, seja diretamente com outros membros

53 53 da cultura, seja por meio dos diversos elementos do ambiente culturalmente estruturado, fornece a matéria-prima para o desenvolvimento psicológico do indivíduo (OLIVEIRA, 2010, p. 39) e ainda que "a interação com as novas tecnologias digitais pode favorecer o desenvolvimento de um pensamento mais reflexivo, sistêmico e colaborador com a criação de um novo sistema de relações e nova reconstrução social" (DELCIN, 2005, p. 70). Com isso, pondera-se que o sujeito não se reduz a um mero reflexo das estimulações externas nem tão pouco se desenvolve a partir de potencialidades internas, mas se constitui na interação sujeito-objeto, por meio, principalmente, da mediação semiótica (COUTINHO; MOREIRA, 2004, p. 139). Compreendendo mediação semiótica como sendo um dos conceitos-chave da teoria de Vygotsky, ele ainda articula conceitos como linguagem, pensamento, internalização, objetivação, zona desenvolvimento proximal, 19 entre outros, e, em seus trabalhos, o desenvolvimento humano, o aprendizado e as relações entre desenvolvimento e aprendizado são temas centrais (OLIVEIRA, 2010, p. 58). Cabendo ressaltar que: [...] essa importância que Vygotsky dá ao papel do outro social no desenvolvimento dos indivíduos cristaliza-se na formulação de um conceito específico dentro de sua teoria, essencial para a compreensão de suas ideias sobre as relações entre desenvolvimento e aprendizado: o conceito de zona de desenvolvimento proximal. (OLIVEIRA, 2010, p. 60). Além da Zona de Desenvolvimento Proximal, outro aspecto peculiar de sua teoria é que, para Vygotsky, a cultura não é algo pronto e acabado e a vida social é um processo dinâmico, no qual cada sujeito é ativo e em que acontece a interação entre o mundo cultural e o mundo subjetivo de cada um (OLIVEIRA, 2010, p. 39). A partir de tal interação é que o sujeito transforma o que foi capturado do meio em funções internas, em atividades internas, intrapsicológicas. Em sua teoria também é dado destaque às ferramentas mediadoras (instrumentos) que o indivíduo cria a partir de seu ambiente, sendo elas ferramentas físicas (computadores, lápis, mesas, enxadas, machados, etc.) e ferramentas simbólicas (cultura, valores, conceitos, costumes, crenças, tradições, conhecimentos). O indivíduo utiliza tais ferramentas como ferramentas mediadoras, 19 Conceitos estes que não serão abordados em pormenores nesta pesquisa por serem considerados não muito pertinentes às discussões realizadas.

54 54 sendo essas ferramentas também um objeto social, porque carrega consigo a função e o modo de utilização para o qual foi criado (COUTINHO; MOREIRA, 2004, p. 141). A contínua interação modificadora do homem sobre o meio em que vive, utilizando as ferramentas mediadoras, é defendida por Vygotsky como sendo a formadora de novas e mais complexas funções mentais, a depender da natureza das experiências sociais (DAVIS; OLIVEIRA, 1994, p. 49), pois, ao mesmo tempo em que o homem atua no mundo material modificando-o, ele se modifica intrinsecamente pelo desenvolvimento de suas faculdades mentais (COUTINHO; MOREIRA, 2004, p. 141). Dando ênfase às ferramentas mediadoras de Vygotsky, percebe-se que, para agir coletivamente e de formas cada vez mais sofisticadas, o grupo humano teve de criar um sistema de comunicação que permitisse troca de informações específicas, e ação no mundo com base em significados compartilhados pelos vários indivíduos empenhados no projeto coletivo. (OLIVEIRA, 2010, p. 48). Esta ação a partir de significados compartilhados possibilita a aquisição do conhecimento que passa pela atividade material do trabalho, de acordo com Coutinho e Moreira (2004, p. 141), considerando ainda que os instrumentos internos de mediação, ou mediação semiótica, passam, então, a ser considerados a partir dos signos e da intervenção de signos na relação do homem com o psiquismo dos outros homens (COUTINHO; MOREIRA, 2004, p. 141). Os signos propiciam o desenvolvimento de novas conexões cerebrais que possibilitam a realização de funções superiores na relação do homem com o ambiente. Isso é possível a partir do pensamento, da linguagem e das relações lógicas que têm por base os processos mentais elementares e que se desenvolvem para as formas superiores através da mediação semiótica, (Coutinho e Moreira, 2004). Corroboram com a ideia Davis e Oliveira (1994): Para Vygotsky, em resumo, o processo de desenvolvimento nada mais é do que a apropriação ativa do conhecimento disponível na sociedade em que a criança nasceu. É preciso que ela aprenda e integre em sua maneira de pensar o conhecimento da sua cultura. O funcionamento intelectual mais complexo desenvolve-se graças a regulações realizadas por outras pessoas que, gradualmente, são substituídas por auto-regulações. Em especial, a fala é apresentada, repetida e refinada, acabando por ser internalizada, permitindo à criança processar informações de uma forma mais elaborada. (DAVIS; OLIVEIRA, 1994, p. 54).

55 55 Considerando o que Vygotsky postula sobre a aprendizagem, deve-se lembrar que a intervenção de outras pessoas [...] é fundamental para a promoção do desenvolvimento do indivíduo (OLIVEIRA, 2010, p. 64), sendo que é preciso considerar o professor como aquele indivíduo que auxilia no processo de aprendizagem e desenvolvimento do aluno e que tem o papel explícito de intervir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos, provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente (OLIVEIRA, 2010, p. 64). Para Vygotsky, o aprendizado sempre envolve a interferência, direta ou indireta, de outros indivíduos e a reconstrução pessoal da experiência e dos significados (OLIVEIRA, 2009, p. 81). Importa perceber que uma interpretação leviana da postura de Vygotsky poderia considerar que o autor defendia a pedagogia tradicionalista, aquela pedagogia em que um ensina, o outro aprende e a interação entre estes atores com tais posturas é o que faz com que a aprendizagem ocorra, porém, concebe-se que, embora Vygotsky enfatize o papel da intervenção no desenvolvimento, seu objetivo é trabalhar com a importância do meio cultural e das relações entre os indivíduos na definição de um percurso de desenvolvimento da pessoa humana, e não propor uma pedagogia diretiva, autoritária. (OLIVEIRA, 2010, p. 65). Vale enfatizar ainda que, além de Vygotsky acreditar que a aprendizagem se dá pela mediação de outra pessoa no processo de aprendizagem do indivíduo, são as ferramentas construídas e utilizadas em seu processo de aprendizagem que o auxiliam, sendo que no caso específico desta pesquisa, as redes sociais podem ser consideradas ferramentas de mediação do indivíduo com o meio, sendo, portanto, instrumentos facilitadores da aprendizagem. Tendo em vista que as redes sociais são, portanto, ferramentas de mediação que podem auxiliar na aprendizagem dos sujeitos, percebe-se uma forte tendência de autores atuais no sentido de considerar que o interacionismo é insuficiente para se pensar nessa mediação tecnológica, e veem, assim, a necessidade da criação de uma nova teoria. A partir de tal necessidade, surge o Conectivismo, que tenta ser uma nova teoria de aprendizagem, mas é refutada por esta autora, conforme será descrito no próximo tópico.

56 Conectivismo O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação associado aos novos papéis desenvolvidos pelos atores que compõem a educação tem mudado os métodos, as possibilidades e os meios pelos quais o ensino e a aprendizagem ocorrem e propiciado o surgimento de novas formas de educação, quiçá novas pedagogias, conforme já foi discutido anteriormente neste capítulo. A aprendizagem deixou de ser encarada como um processo que acontece em um determinado espaço e tempo (um semestre, um ano, dentro do ambiente escolar ou, ainda, apenas durante o período escolar) e passa a ser encarada com fluidez, como um processo que não tem data nem hora certa para começar ou terminar, mas que acontece continuamente dentro e fora do espaço escolar: [...] aprender não é mais um processo que está inteiramente sob o controle do indivíduo, uma atividade interna, individualista: está também fora de nós, dentro de outras pessoas, em uma organização ou em um banco de dados, e essas conexões externas, que potencializam o que podemos aprender, são mais importantes que nosso estado atual de conhecimento. (MATTAR, 2012, p. 17). Considerando esse novo formato da aprendizagem descrito por Mattar (2012) e Siemens (2004), atualmente deixou de ser importante o saber como fazer ou o saber o que fazer, e passou a ser importante o saber "onde encontrar o conhecimento requerido" para solucionar determinada situação (SIEMENS, 2004, p. 2). Sendo assim, tem-se considerado mais importante o saber pesquisar, o saber encontrar este local onde o conhecimento está armazenado, que pode ser uma empresa ou um servidor web, por exemplo. Os autores citados acreditam que o conhecimento não está mais vinculado às pessoas e pode ser encontrado fora delas: [...] a cognição e a aprendizagem são distribuídas não apenas entre pessoas, mas também entre artefatos, já que podemos descarregar trabalho cognitivo em dispositivos que são mais eficientes que os próprios seres humanos na realização de tarefas. (MATTAR, 2012, p. 17). Posto isso, considera-se que o conhecimento não está apenas nas mãos ou mentes de alguns poucos escolhidos, e o aprender coletivamente é um aspecto

57 57 que tem auferido maior espaço na educação. Aprender em rede, discutir novos conceitos e novas possibilidades por intermédio de tecnologias de informação e comunicação, comunidades práticas, redes sociais e atividades desenvolvidas dentro do trabalho são possibilidades que o Conectivismo traz à tona, porém, esta autora não compactua com a noção de que esta seja uma nova teoria da aprendizagem, mas sim um novo olhar sobre a teoria do interacionismo, utilizandose de meios digitais. Segundo Downes (2011, tradução nossa), o Conectivismo é a tese de que o conhecimento é distribuído através de uma rede de conexões, e, portanto, que a aprendizagem consiste na capacidade de construir e percorrer essas redes. 20 Porém, acredita-se que não seja o conhecimento o que está distribuído nas redes, pois o ponto de vista da autora deste trabalho é na construção do conhecimento a partir de uma perspectiva interacionista, como um processo adaptativo desenvolvido pelo sujeito em suas relações com os objetos do conhecimento e a partir destas interações ocorrendo a construção do seu conhecimento. Para Downes (2011), no entanto, esse conceito de conhecimento está muito focado nas representações das informações no meio tecnológico digital e pouco focado na construção do conhecimento realizado coletivamente pelo sujeito a partir de tais informações. Conforme já descrito, a aprendizagem, na perspectiva interacionista, é considerada resultado das interações existentes entre as pessoas e das interações das pessoas com os conteúdos acessíveis em ambientes diversos, como ferramentas digitais. As ferramentas digitais, como as redes sociais, são compreendidas hoje como extensões das mentes humanas, são reproduções potencializadas do que acontece internamente: O Facebook questiona: "No que você está pensando?", Como vai?, Como você está?, O que está acontecendo? ; o Twitter: "O que está fazendo?"; o Foursquare: "Onde você está?" e o conjunto de aplicativos da Google (que só aumenta sua diversidade diariamente) sabe de tudo isso junto sem ao menos perguntar: sabe onde você está, quais assuntos têm-lhe interessado, quais s e com quais assuntos tem trocado, onde mora e quais seus documentos pessoais. Isso tudo sem considerar que sabe também como está sua saúde, pois tem 20 Connectivism is the thesis that knowledge is distributed across a network of connections, and therefore that learning consists of the ability to construct and traverse those networks (DOWNES, 2009).

58 58 registradas todas as buscas que você faz em seu sistema de busca online. Esse cenário, no entanto, reflete muito mais uma discussão que vem se evidenciando na atualidade, que é a questão de privacidade e liberdade, discutida por diversos autores, e que ultrapassa as fronteiras da temática discutida neste trabalho. Neste cenário de infiltrações, realizações tecnológicas e de compartilhamento rápido de informações, o conectivismo chega criticando o behaviorismo, o cognitivismo e o construtivismo, no sentido de que todas essas teorias surgiram como teorias da aprendizagem em momentos em que a educação não sofria impactos das tecnologias de comunicação e informação. Porém, considera-se que mesmo o construtivismo não tendo surgido nessa época, ele contempla todas as relações e mediações existentes na vida, ou seja, que geram aprendizagem, dentro ou fora da escola. Siemens (2004) ainda acrescenta que tais teorias surgiram em um momento em que as pessoas estudavam, se formavam e iam para o mercado de trabalho possivelmente para a profissão e empresa em que permaneceriam pelo resto de suas vidas, não se preocupando com as mudanças que as profissões e o mercado de trabalho sofreriam ao longo dos anos, pois estas eram tão sutis que muitas vezes eram imperceptíveis, devido à lentidão com que as informações se propagavam. Esta autora acredita que, embora a velocidade da informação seja maior hoje em dia, a aprendizagem acontece internamente para o indivíduo da mesma maneira que acontecia anteriormente. Outro aspecto que Siemens (2004) critica nas teorias da aprendizagem é que, para a maioria das teorias, a aprendizagem ocorre dentro da pessoa, não abordando a aprendizagem que é armazenada e manipulada pela tecnologia, por exemplo, ou ainda não abordam a aprendizagem que ocorre fora das pessoas (ou seja, a aprendizagem que é armazenada e manipulada pela tecnologia) e dentro das organizações (MATTAR, 2012, p. 17). Porém, acredita-se que a aprendizagem não acontece fora das pessoas, mas sim dentro delas, com o deslocamento do conhecimento prévio para um conhecimento mais elaborado, mais aprofundado, e ainda que o que existe fora das pessoas é o armazenamento de informações que comporão a aprendizagem dentro delas, posteriormente. Para Siemens (2004), o conhecimento pode residir fora de nós mesmos (em bancos de dados, organizações) e deve ser acionável, todavia, acredita-se que existe nesse pensamento um equívoco, pois, como já abordado, as informações

59 59 podem residir externamente ao indivíduo, mas a construção do conhecimento ocorre internamente. Siemens (2004, tradução nossa) elucida que a capacidade de distinguir entre informações importantes e não importantes é vital, 21 porém essa necessidade sempre existiu nas sociedades. Sempre foi necessária a seleção de informações que fazem sentido, que são importantes, daquelas que não acrescentam nada ao sujeito para a construção de seu conhecimento. O conectivismo possui alguns princípios norteados por Siemens (2004), descritos abaixo, que são facilmente refutados como inovações na prática educativa quando se considera que Vygotsky já concebia a mediação e sua função na aprendizagem: - aprendizagem e conhecimento baseiam-se na diversidade de opiniões e posições; - aprendizagem é a capacidade de conectar nós específicos ou fontes de informações; - a aprendizagem pode residir em dispositivos não humanos; - a capacidade do querer saber mais é mais importante do que o conhecimento que o indivíduo já possui; - é necessário cultivar e manter conexões para a manutenção da aprendizagem contínua; - habilidade de enxergar conexões entre áreas, ideias e conceitos é fundamental; - tomar decisão faz parte do processo de aprendizagem. Escolher o que aprender e o significado das informações que chegam através da lente de uma realidade em mudança. Enquanto há uma resposta certa até agora, ela pode ser a errada amanhã devido a alterações da conjuntura das informações que afetam as decisões. (SIEMENS, 2004, tradução nossa). 22 Considera-se, assim como outros autores (VERHAGEN, 2006; KERR, 2006; KOP; HILL, 2008), que o conectivismo não pode ser considerado uma nova teoria da aprendizagem, mas sim uma visão da educação, que traz muitos pressupostos do construtivismo disfarçados como novidade. Não se compartilha da ideia de que é 21 The ability to draw distinctions between important and unimportant information is vital (SIEMENS, 2004). 22 Learning and knowledge rests in diversity of opinions. - Learning is a process of connecting specialized nodes or information sources. - Learning may reside in non-human appliances. - Capacity to know more is more critical than what is currently known - Nurturing and maintaining connections is needed to facilitate continual learning. - Ability to see connections between fields, ideas, and concepts is a core skill. - Currency (accurate, up to date knowledge) is the intent of all connectivist learning activities. - Decision-making is itself a learning process. Choosing what to learn and the meaning of incoming information is seen through the lens of a shifting reality. While there is a right answer now, it may be wrong tomorrow due to alterations in the information climate affecting the decision (SIEMENS, 2004).

60 60 possível posicioná-lo como o desenvolvimento do construtivismo para o atual cenário do uso da tecnologia da educação (MATTAR, 2012, p. 16), pois, como já foi dito, o construtivismo não considera a aprendizagem externa ao indivíduo. A única relação existente entre o conectivismo e o construtivismo ou aprendizagem ativa percebida neste estudo perpassa a ideia de que o conhecimento não é algo possível de ser adquirido, como uma peça, como um objeto que pode ser buscado e conquistado, o conhecimento não é mais adquirido de maneira linear (MATTAR, 2012, p. 17).

61 61 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E ANÁLISE DOS DADOS Após conhecido o referencial teórico que norteou esta pesquisa, serão apresentados neste capítulo os procedimentos metodológicos e descritos, tratados e analisados os dados e as informações coletadas a partir de cinco grupos de alunos e professores que utilizam o Facebook com a finalidade educacional. A análise dos grupos buscou compreender as metodologias empregadas pelos professores, responsáveis pelos grupos analisados, na utilização educacional dessa plataforma de rede social. Além da observação dos cinco grupos, foram também aplicados questionários online para os alunos e realizadas entrevistas online com os professores. Iniciando-se pela apresentação dos grupos analisados, buscou-se o levantamento de seus perfis e outros aspectos observados durante toda a pesquisa. Posteriormente serão apresentados, analisados e discutidos os dados e informações referentes às observações realizadas diretamente nos grupos (Apêndice A) e os resultados obtidos com a aplicação dos questionários online (Apêndice B), aplicados a todos os alunos (totalizando 611 alunos) dos cinco grupos. Complementando os dados levantados, serão apresentadas também as informações obtidas em cinco entrevistas online (Apêndice C), realizadas com os professores, sendo que a apreciação dessas entrevistas também compõe a análise dos grupos e das práticas educativas neles encontradas. Visando a escolha dos grupos da rede social Facebook que se afiguraram como sujeitos desta pesquisa, foram realizados procedimentos metodológicos específicos que serão apresentados no próximo item deste capítulo. Neste item também será apresentada a metodologia utilizada de análise dos dados.

62 Procedimentos metodológicos Do ponto de vista antropológico, podemos dizer que sempre existiu preocupação do homo sapiens com o conhecimento da realidade [...]. A ciência é apenas uma forma de expressão dessa busca, não exclusiva, não conclusiva, não definitiva. (MINAYO, 2010, p. 9). Alguns autores discutem a cientificidade das ciências sociais, entre eles percebemos Minayo (2010), que acredita que, por analisarmos uma realidade da qual nós somos integrantes, podemos ignorar o afastamento necessário para que a análise seja a mais objetiva possível. Esse é um questionamento que nos fizemos em vários momentos durante a construção desta dissertação, pois durante toda a pesquisa a mestranda esteve imersa em diversas redes sociais, inclusive no Facebook, onde possui conta desde 16 de novembro de 2009, permanecendo ativa frequentadora e participante de grupos, filtros e páginas. A discussão acerca da cientificidade das ciências sociais extrapola também a questão da inserção do pesquisador no meio a ser pesquisado e perpassa os modelos exploratórios que nas demais ciências são possíveis de serem executados. Questionando acerca desses modelos exploratórios, Minayo (2010) conclui que a cientificidade, portanto, tem que ser pensada como uma ideia reguladora de alta abstração e não como sinônimo de modelos e normas a serem seguidos (MINAYO, 2010, p. 11). Considerando ainda que a cientificidade de uma pesquisa não está nos modelos pré-estabelecidos, acredita-se que a pesquisa é um processo disciplinado de ações com vistas à construção de um conhecimento novo ou à revisão de algum conhecimento já constituído em alguma área específica (COUTINHO; CUNHA, 2004, p ) e ainda é a atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade (MINAYO, 2010, p. 16). Com relação à sua execução, pode-se considerar que a pesquisa é uma coleta sistematizada de informações relativas a algum acontecimento ou fenômeno particular para fins de sua exploração, sua descrição e respectiva explicação (COUTINHO; CUNHA, 2004, p. 40). Refletindo acerca da pesquisa científica, percebe-se a necessidade de se utilizar a metodologia adequada para atingir o objetivo proposto, o que pode e deve variar de estudo para estudo. Chizzotti (2003) afirma que o investigador é um ativo observador e pensador do significado das ações e das relações que se ocultam nas

63 63 estruturas sociais, sendo que ele deve assumir uma atitude aberta a todas as manifestações que observa, sem adiantar explicações, nem conduzir-se pelas aparências imediatas, a fim de alcançar uma compreensão global dos fenômenos (CHIZZOTTI, 2003, p. 82). Esse papel do pesquisador é reafirmado por Lévy-Strauss quando relata que as ciências sociais configuram-se em uma ciência onde o observador é da mesma natureza que o objeto, e o observador é, ele próprio, uma parte de sua observação (LÉVY-STRAUSS, 1975, p. 215 apud MINAYO, 2010, p. 13). Tendo este trabalho como problemática a utilização das redes sociais na perspectiva educacional, foi feita a opção pela abordagem metodológica de pesquisa qualitativa, que ocorre quando se: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. [...] Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. (SILVA; MENEZES, 2001, p. 20). Ainda esclarecendo acerca das escolhas feitas, antecedentes ao início do estudo, do ponto de vista do tipo de pesquisa fez-se a opção pela Pesquisa Social, que segundo Rummel (1977) é efetuada no intuito de melhorar a compreensão acerca de um grupo ou de uma instituição social. Assume-se, assim, as redes sociais como instituição social que possui ampla possibilidade de utilização em caráter educacional. Para a realização da Pesquisa Social, do ponto de vista dos procedimentos adotados para chegar ao resultado esperado, propõe-se inicialmente uma Revisão Bibliográfica, que, segundo Gil (2008), é desenvolvida a partir de materiais já elaborados, como livros, artigos de periódicos e, mais recentemente, materiais disponíveis na internet. A pesquisa bibliográfica é geralmente o primeiro passo de qualquer pesquisa científica, pois busca o domínio do estado da arte sobre determinado tema (CERVO, 2007, p. 61). A pesquisa bibliográfica, este primeiro passo para a construção de uma sólida dissertação, foi realizada inicialmente no Banco de Teses e Dissertações da CAPES com vistas à necessidade de se ampliar o campo conceitual acerca das redes sociais para, com base nos conceitos estudados, realizar uma posterior análise da prática educacional que tem sido realizada nessas redes.

64 64 Nessa primeira pesquisa, realizada no segundo semestre de 2011, buscou-se o assunto Redes Sociais (realizando a opção pela expressão exata), sem delimitar o nível para pesquisa ou ainda ano de base, e foram localizadas teses e dissertações. Realizou-se, então, a busca de 2001 a 2011, por acreditar-se que nesse período de 10 anos o desenvolvimento das redes sociais avançou e tais estudos podem aproximar-se mais do esperado. Foram localizadas teses e dissertações, sendo: Tabela 1 Quantidade de teses e dissertações localizadas Ano Quantidade de trabalhos Redes Sociais e localizados sobre Redes Sociais Educação TOTAL Fonte: Dados da pesquisa A partir dessa pesquisa foi realizada uma triagem manual, observando-se o título, as palavras-chave e o resumo para verificar a aproximação dos estudos localizados com a proposta desta dissertação. Foram lidos 26 trabalhos na íntegra e verificou-se que a proposta deste estudo é inédita e relevante para o desenvolvimento científico na área de uso de tecnologias na educação, especificamente das redes sociais. Concluiu-se que a utilização de redes sociais com finalidade educacional é recente, sendo possível apenas a partir do desenvolvimento da internet e das práticas educativas a ela vinculadas (MATTAR, 2012). Principalmente por esse motivo, poucos estudos acadêmicos foram localizados nessa área, e o fato de ser

65 65 recente e ainda pouco utilizado refletiu-se também quando da busca pelos grupos organizados com finalidade educacional que seriam analisados posteriormente. As justificativas para a escolha da plataforma de rede social Facebook foram: 1) ser um website gratuito para o usuário; 2) o potencial de suas ferramentas que em muitos casos se assemelham às ferramentas de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) e 3) a quantidade crescente de usuários que, conforme índice apresentado anteriormente, já chega a 980 milhões. A opção pela rede social Facebook e não pelo Orkut, que apresenta características parecidas, se deu pelo Facebook estar em seu desenvolvimento pleno de quantidade de usuários, de quantidade de acessos diários e, de desenvolvimento de aplicativos e ferramentas cada dia mais, tomando espaço da antiga rede que estava sendo usada anteriormente para a finalidade educacional, o Orkut. Depois de realizada a opção pela rede social, passou-se à escolha dos grupos 23 que seriam analisados dentro do Facebook. Principiou-se por uma busca por escolas, professores ou grupos de professores que estivessem utilizando o Facebook com finalidade educacional. Buscaram-se também grupos que debatessem sobre redes sociais e sobre educação e também sobre essas duas temáticas juntas. Localizados os grupos que debatiam acerca do potencial pedagógico das redes sociais, foram enviadas mensagens a todos os participantes (sua maioria educadores) na busca por grupos de professores e alunos que estivessem utilizando essas redes com finalidade educacional. Posteriormente seria enviado um pedido de acesso, por meio de mensagem, aos responsáveis pelos grupos que eram restritos, porém não se obteve êxito com essa estratégia de busca, pois nenhum dos professores se apresentou como utilizador de redes sociais com a finalidade educacional. Em seguida, iniciou-se uma busca, via sistema de busca do Google.com, por professores que utilizassem tecnologias na educação além do Facebook e por professores que utilizassem blogs, Orkut, Twitter e outras tecnologias com a finalidade educacional. Essa pesquisa serviu como base para nova busca por professores no Facebook. 23 Os grupos são pequenos agrupamentos de pessoas selecionadas para a troca privada (ou não) de informações, que podem ser disponibilizadas através de posts, fotos, bate-papo, compartilhamento de documentos e informações enviadas pelo do grupo (ver cap. 2).

66 66 Essa nova metodologia de pesquisa permitiu a localização de doze grupos de professores e alunos que utilizavam a rede social Facebook com finalidade educacional, do ensino médio a especializações e também de cursos livres. A partir desses grupos foi feita uma triagem considerando os que estavam ativos no ano de 2012, a diversidade de níveis de formação, os grupos que tinham um ou mais professores coordenando e que tinham algum nível de participação dos alunos e professores. Chegou-se ao número de cinco grupos, conforme previsto no projeto inicial desta dissertação. Selecionados os grupos, foi solicitada aos professores responsáveis a inclusão da autora desta pesquisa, sendo obtida uma resposta positiva rapidamente. Porém, apenas um professor explicou para todo o grupo o motivo da presença da mestranda e qual seria o trabalho a ser desenvolvido, o que aparentemente não modificou o comportamento dos alunos e suas ações dentro do grupo. A aproximação sucessiva que foi realizada pela pesquisadora é descrita neste capítulo para que seja considerada por outros pesquisadores ao realizarem pesquisas da e na rede social Facebook. A partir da entrada nos grupos, o contato da pesquisadora com eles foi realizado por meio da observação participante, que é obtida por meio do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado, para recolher as ações dos atores em seu contexto natural, a partir de sua perspectiva e seus pontos de vista (CHIZZOTTI, 2003, p. 90). No caso específico desta pesquisa, o contexto natural dos atores sociais foi a plataforma de rede social Facebook e a observação participante ocorreu a partir do momento da inserção da autora deste trabalho nos grupos, elucidando aos mesmos a intenção da presença da mesma naquele ambiente. Segundo Marconi e Lakatos (2007, p ), a observação participante consiste na participação real da pesquisadora com a comunidade ou grupo e ela acontece com o objetivo de inicialmente ganhar a confiança do grupo, fazer os indivíduos compreenderem a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo ou sua missão, mas, em certas circunstâncias, há mais vantagem no anonimato. A opção pelo anonimato não aconteceu completamente, pois alguns participantes dos grupos sabiam da realização da pesquisa, porém não interagiram com a pesquisadora durante o processo de observação. A observação ocorreu durante cerca de dois meses, de maneira sistemática, a

67 67 partir de um modelo básico de observação (disponível no Apêndice A). A partir desse modelo básico de observação, foram verificados itens pontuais em cada um dos grupos, como tempo de funcionamento, tipos de ferramentas que estavam sendo utilizadas pelos professores e alunos, como se dava a interação entre os alunos e com o professor, entre outras questões que serão apresentadas no decorrer da análise dos dados. Considera-se ainda que a observação realizada foi direta e que esta: consiste na coleta e registro de eventos observados que foram previamente definidos. O observador, munido de uma lista de comportamento, registra a ocorrência destes comportamentos em um determinado período de tempo, classificando-os em categorias ou caracterizando-os por meio de sinais. (CHIZZOTTI, 2003, p. 53). Esta lista de comportamentos observáveis foi avaliada, a partir dela, a observação foi feita e os registros dos comportamentos e participações também. É pertinente ainda ressaltar que as práticas apenas podem ser acessadas por meio da observação, uma vez que as entrevistas e as narrativas somente tornam acessíveis os relatos das práticas e não as próprias práticas (FLICK, 2009, p. 203). Ponderando-se as dimensões de classificação da observação segundo Flick (2009), considera-se que a observação realizada para esta pesquisa foi pública, pois os alunos e principalmente os professores perceberam que a pesquisadora foi adicionada ao grupo, sendo possível que a partir de então algum professor tenha modificado sua postura e esquema de atuação pedagógica frente ao grupo, resultando também a mudança da postura dos alunos. Outro mecanismo utilizado para verificar a percepção dos atores envolvidos acerca da metodologia implantada pelo professor para utilização educacional das redes sociais foi a aplicação de questionários (disponível no Apêndice B). Inicialmente foi realizada uma pré-sondagem com todos os alunos que realizaram a última postagem em seus respectivos grupos, sendo que a aplicação desse questionário previamente buscou apontar suas possíveis falhas e melhorias a serem realizadas, conforme indicam Coutinho e Cunha (2004). Depois de realizada a pré-sondagem e ajustados os apontamentos feitos pelos alunos, iniciou-se a aplicação dos questionários online para todos os componentes dos cinco grupos observados, perfazendo um total de 611 questionários a serem respondidos. Durante o período em que o questionário ficou

68 68 disponível, cerca de um mês, foram enviados lembretes diários via Facebook nos grupos analisados solicitando que o questionário fosse respondido e indicando o endereço no qual ele estava disponível. O questionário consiste em: um conjunto de questões pré-elaboradas, sistemática e sequencialmente dispostas em itens que constituem o tema da pesquisa, com o objetivo de suscitar dos informantes respostas por escrito ou verbalmente sobre assunto que os informantes saibam opinar ou informar. É uma interlocução planejada. (CHIZZOTTI, 2003, p. 55). No caso desta pesquisa, o questionário foi composto por 24 questões fechadas e uma aberta, subdivididas em quatro categorias de análise 24 que permaneceram implícitas durante a análise dos dados por considerar irrelevante a explicitação de tais categorias. Realizada a finalização da aplicação dos questionários, chegou-se ao total de 94 respondidos pelos alunos dos grupos selecionados, 15,38% de retorno, conforme estratificado na Tabela 2: Tabela 2 Quantidade de membros por grupo x questionários respondidos Nome do grupo Quantidade membros Questionários respondidos Grupo de ensino médio A 29 5 Grupo de ensino médio B Grupo de graduação Grupo de especialização Grupo de língua estrangeira 17 2 Fonte: Dados da pesquisa Visando à finalização da obtenção dos dados, foi desenvolvido um roteiro básico para entrevistas online (disponível no APÊNDICE C). A entrevista online ocorreu com todos os professores, via bate-papo do Facebook, e durou cerca de 30 minutos por professor. O objetivo dessa entrevista era esclarecer acerca de possíveis inconsistências encontradas na observação dos grupos e nos dados obtidos pelos questionários e aprofundar na metodologia adotada pelo professor 24 As categorias são: 1. Perfil do sujeito; 2. Acesso às Redes Sociais; 3. Identificação das possibilidades pedagógicas; 4. Identificação da percepção dos alunos.

69 69 para a utilização dos grupos da rede social Facebook. Foi escolhido o método de entrevista episódica para ser utilizada com os professores. Esse método busca solicitar-se repetidamente ao entrevistado a apresentação de narrativas de situações (FLICK, 2009, p. 173), no entanto, um dos principais problemas desta escolha é que algumas pessoas têm mais dificuldade com narração do que outras (FLICK, 2009, p. 175) e deve-se tomar o cuidado de não considerar apenas menções como respostas às perguntas, mas claramente relatos, narrações. Tendo assim finalizada a captação dos dados, passou-se à sua análise, sendo que, para analisar o questionário, as entrevistas realizadas e os dados levantados pela observação, foi utilizado o método dialético, que, ao contrário da metafísica, que concebe o mundo como um conjunto de coisas estáveis, a dialética o compreende como um conjunto de processos (MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 101). Nesta pesquisa, a análise dos processos foi realizada a partir de descrição, explicação e interpretação conforme relatado por Domingues (2004). A descrição envolve recortes, seleções e abstrações do real, podendo operar seja no nível do micro e do detalhe (afunilamento/verticalização), seja no nível do macro e do global (generalização/horizontalização) (DOMINGUES, 2004, p. 104). É proposto pelo mesmo autor que, na descrição das ações intencionais, considerando as ações do educador dentro da rede social, seja excedido o limite do quê ele está fazendo para chegar ao porquê de tais ações estarem sendo feitas. Realizada a descrição, a explicação acontece após delimitada a base descritiva, que se atém ao quê dos fenômenos observados (DOMINGUES, 2004, p. 116). Para esse autor, Entre as formas de explicação possíveis (genéticas, estruturais, funcionais, finais, etc.), há uma que sobressai a ponto de ocupar toda a cena (ou quase), e muitos considerarem que é a forma de explicação por excelência ou a explicação, a saber: a explicação causal. (DOMINGUES, 2004, p. 116). Neste tipo de explicação é analisado o como dos fenômenos, sendo que Domingues (2004, p. 116) descreve dois procedimentos a serem adotados: isolar os termos antecedentes e os termos consequentes e estabelecer (quando possível) que um funciona como causa e o outro efeito. Quando esse procedimento não é possível, deve ser buscada uma ordem invisível (em analogia com o visível) em que

70 70 se localizaria a causa profunda dos fenômenos observados (DOMINGUES, 2004, p. 117). A interpretação (ou compreensão) já se decide, segundo Domingues (2004, p. 119), no nível da explicação, e não é senão um de seus aspectos. Ela acontece aliando o porquê e o para quê (motivo) ao quem (sujeito), com a ajuda de técnicas adequadas (questão de método), o sentido das coisas seria capturado e seu mistério decifrado (DOMINGUES, 2004, p. 124). Considerando que, segundo Domingues, uma vez descrito e explicado um fenômeno, ele já está interpretado e compreendido (DOMINGUES, 2004, p. 119), a análise e redação final da dissertação, realizadas por meio destes três aspectos, deixam nítidas, além dos resultados da pesquisa, os processos percorridos para sua realização e as análises e discussões efetuadas. A observação de discussões ocorridas nos grupos do Facebook, a aplicação de questionários online aos alunos desses grupos e análise dos dados coletados e, posteriormente, a entrevista episódica online feita com os professores responsáveis caracterizaram uma multimodalidade de dados considerados relevantes e que serão apresentados nos próximos itens. 4.2 Sujeitos de pesquisa Considerando que a pesquisa social trabalha com gente e suas realizações, compreendendo-os como atores sociais em relação, grupos específicos ou perspectivas (MINAYO, 2010, p. 62), é preciso conhecer de perto os sujeitos, suas realizações enquanto grupo e as representações que eles possuem. Sendo assim, serão apresentados os grupos e parte da observação realizada em cada um deles para que o leitor conheça mais sobre os sujeitos e suas ações, lembrando que o nome de cada um dos grupos foi modificado para que o sigilo seja mantido, pois o objetivo desta pesquisa não é apontar melhorias em cada um dos grupos, mas sim apontar as possibilidades metodológicas de utilização dos grupos do Facebook, analisá-las e criticá-las. Grupo de ensino médio A: Grupo de alunos do ensino médio de escola particular de Belo Horizonte/MG, composto por 28 alunos e um professor responsável pela administração do grupo em parceria com uma aluna. Esse

71 71 professor ministra especificamente uma disciplina que propõe debates, análise e reflexão acerca de temáticas atuais, conforme descrito no item Sobre do Grupo, replicado na Figura 10: Figura 10 Recorte do grupo de ensino médio A Fonte: https://www.facebook.com/ Acesso em: 20 out Neste grupo identificou-se a administração partilhada entre o professor e uma aluna, porém não foi identificado nenhum comportamento diferenciado dessa aluna no grupo durante a observação, sendo o comportamento dela como o de todos os outros alunos, ativo em algum momento e reativo em outros. Considera-se que a simples administração partilhada não determina que a mediação partilhada aconteça, pois, segundo Mattar (2012, p. 178), a mediação partilhada é o ato: no qual um aluno assume o processo de mediação numa situação determinada. Em atividades online, os alunos podem assumir lideranças temporárias ou regências emergentes, compartilhando o processo de mediação com o professor, na mediação da mediação. (MATTAR, 2012, p. 178). situação esta que não foi identificada neste grupo. Em entrevista realizada online com o professor responsável por este grupo, ele informa que a ideia de utilizar o Facebook com seus alunos surgiu porque: a disciplina Atualidades Temáticas tem apenas uma aula por semana. Precisava manter uma comunicação mais frequente com os alunos. Assim, para complementar nossos contatos, propus que fizéssemos um grupo no Facebook. (Professor do Grupo de ensino médio A). 25 O professor também informa que a aceitação da proposta foi rápida, embora 25 Pela peculiaridade desta pesquisa, por terem sido realizadas as entrevistas via bate-papo da rede social Facebook, optou-se por não apontar possíveis erros ou dificuldades nas escritas dos sujeitos, como comumente é apontado em pesquisas deste porte, sendo assim, a transcrição das conversas será literal e sem correções prévias.

72 72 nem todos os alunos da turma tenham aderido, uma vez que a turma tinha cerca de 50 alunos e apenas 28 estavam presentes no referido grupo. A não participação por parte de alguns alunos foi atribuída, pelo professor, ao fato do terceiro ano do ensino médio ser um ano muito carregado, com 14 disciplinas, provas toda semana, além da pressão do preparo para o Enem e vestibular (Professor do Grupo de ensino médio A). Seguindo na questão da resistência dos professores, coordenadores e diretores, o professor relata que não percebeu nenhuma resistência por parte destes, sendo que todos viram a iniciativa como um ensaio de uso das TIC na formação dos alunos (Professor do Grupo de ensino médio A). Grupo de ensino médio B: Grupo de alunos do ensino médio de escola pública estadual de Minas Gerais, composto por 271 alunos, uma professora e um pai de ex-aluno, estes últimos responsáveis pela administração do grupo. O grupo tem por finalidade discutir aspectos da disciplina de História em todo o ensino médio. Porém sua descrição é bastante resumida, conforme recorte da Figura 11: Figura 11 Recorte do grupo de ensino médio B Fonte: https://www.facebook.com/ Acesso em: 20 out A criação do grupo de ensino médio B na rede social Facebook faz parte de um projeto maior que engloba também a utilização de filmes em sala de aula. Para a professora, este é um Projeto que sonho a tempos. Utilizo muitos filmes em sala. O que foi outra batalha travada no sentido de ruir o preconceito contra material audiovisual usado na didática. Tenho bons conhecimentos na História do Cinema e Arte. Depois me formei em História e cai na sala de aula. Ai tudo se juntou. A questão é que essa mistura funciona muito bem, didaticamente falando. (Professora do grupo de ensino médio B). Ela explica ainda quando surgiu a ideia de utilização educacional da rede social Facebook:

73 73 comecei a participar de grupos no Facebook e imaginei a possibilidade de fazer o mesmo com meus Fiquei receosa devido a acessibilidade, são meninos e meninas de escola pública. No entanto, já havia experimentado o envio de trabalhos e avisos por e a resposta foi positiva. Então sugeri o grupo no facebook e foi aprovado. Começamos e a participação foi imediata. Conseguimos também resolver o problema que era ficar dependente de xerox. Com o grupo, eu anexava o doc e tinham acesso. (Professora do grupo de ensino médio B). Além da experiência de utilização de materiais audiovisuais em sala de aula ter sido vivenciada pelos colegas docentes com muito preconceito, a professora também relata que houve resistência deles e da direção da escola com o trabalho no Facebook, sendo que demonstravam Um certo ar de que não ia servir de nada (Professora do grupo de ensino médio B). Já os alunos apresentaram aceitação imediata, sendo apenas um ou outro que reclamou devido alguma impossibilidade de acesso, mas muito poucos (Professora do grupo de ensino médio B). Tal reclamação acerca da falta de acesso por alguns alunos deveu-se à escola possuir um laboratório de informática completo que permanecia fechado e, segundo a professora, com Acesso negado aos meninos, com o argumento de depredações passadas (Professora do grupo de ensino médio B). Sendo assim, a professora iniciou um projeto com um pai de uma ex-aluna, o qual também é responsável pelo grupo no Facebook, sendo que esse projeto não engloba apenas a atuação no Facebook, mas também outras ações dentro do contexto de utilização das tecnologias na escola. Esse projeto surgiu com a greve de 2011, da qual a professora discordou de muitas reivindicações, voltando então para a escola antes do final dessa greve, para lecionar. Muitos professores não concordaram com o retorno e a professora resolveu que, "no meio disso tudo, já que eu era odiada mesmo resolvi fazer o que sempre quis e essa galera mais velha boicotava" (Professora do grupo de ensino médio B). Também nesse período o pai de uma ex-aluna, que administra o grupo com a professora, começou a frequentar o laboratório de informática da escola e, "devido a situação extraordinária que a escola se encontrava, ele também se aproveitou e começou a tentar reestruturar um antigo projeto dele, a capacitação em informática de todos setores da escola", sendo que ele tinha a idea "toda", mas precisava de nós profes e para que a coisa acontecesse (Professora do grupo de ensino médio B). Hoje, esse senhor é uma espécie de coordenador do projeto, que

74 74 coordena no sentido da negociação com a direção e auxilio aos estudantes, mas ele não sabia ao certo o que ia resultar. Aliás, essa é a metodologia dele, projeto em construção contínua. Depois a gente avalia e repensa o que merece ficar ou ser mudado. (Professora do grupo de ensino médio B). O objetivo desse projeto "era transformar os trabalhos dos alunos em um E- book", mas a professora criou o grupo no Facebook e, em reunião de avaliação do projeto, o pai da ex-aluna "concordou comigo que o Face foi a plataforma mais real a minha necessidade", pois "Lá eu me comunico sobre matéria, atividades, trabalhos e notícias em geral" (Professora do grupo de ensino médio B). Inicialmente os professores das disciplinas de sociologia, filosofia e português aderiram ao projeto, mas logo o professor de português desvinculou-se informando que estava muito atarefado, porém, segundo a análise da professora, ele não acreditava na coisa toda e tinha um certo trabalho que era a desaprovação dos colegas e o entrave da direção. Enfim, não queria problemas (Professora do grupo de ensino médio B). A professora descreve a utilização do grupo na rede social Facebook como um auxílio da EaD ao ensino presencial (Professora do grupo de ensino médio B) e acredita que o Facebook pode ter caráter tanto de aprendizagem quanto de comunicação com os alunos e dos alunos entre si. Grupo de graduação: Grupo de alunos do ensino médio e do curso Normal Superior, de uma instituição pública estadual do estado do Rio Grande do Sul, composto por 223 alunos e uma professora responsável pela administração. A finalidade do grupo é a interação entre os alunos, como descreve o item Sobre do grupo replicado na Figura 12: Figura 12 Recorte do grupo de graduação Fonte: https://www.facebook.com/ Acesso em: 20 out O percurso de criação desse grupo da rede social Facebook envolve outras redes sociais e um blog. A professora descreveu todo o percurso percorrido por ela e

75 75 pelos alunos do curso, sendo que inicialmente foi criado um blog que, na ocasião da pesquisa, ainda estava ativo na web e que ela considera como sendo a nossa casa na web. Em seguida foi realizada a criação de uma rede na plataforma de rede social Ning, porém, quando o Ning começou a cobrar pela hospedagem decidimos descontinuar (Professora do grupo de graduação). Nessa mesma época muitos alunos utilizavam a rede social Orkut, mas a professora nunca quis criar comunidade lá por causa das questões legais, especialmente a idade, pois o grupo também com meninas do primeiro ano com 14 anos em média (Professora do grupo de graduação). Com a ampliação do acesso à rede social Facebook e aumento da participação dos alunos, a professora confirma que em julho de 2011 foi criado o grupo aqui analisado. Sua aceitação foi imediata pelos alunos, pois, segundo a professora, a gurizada é muito receptiva ao uso das interfaces da web para construção coletiva do conhecimento (Professora do grupo de graduação). A resistência na aceitação da utilização educacional do grupo deu-se pelos colegas de trabalho, os docentes. Segundo relato da professora, deves ter observado que são poucos os profes do curso que andam por ali (Professora do grupo de graduação), sendo constatado em observação que, realmente, apenas alguns professores do curso participavam do grupo, sendo que os outros as vezes passam por ali em silencio e tem uns que ignoram essas nossas interações (Professora do grupo de graduação). Grupo de especialização: Grupo de alunos de pós-graduação lato sensu em ensino de língua estrangeira de uma instituição particular do estado do Rio de Janeiro, composto por 90 alunos (sendo em sua maioria professores de inglês) e uma professora do curso de pós-graduação responsável pela administração. O grupo possuía apenas publicações na língua inglesa e, de todos os grupos analisados nesta pesquisa, era o único que optou pela privacidade Aberto. Outro aspecto deste grupo era que ele tinha por finalidade o compartilhamento de materiais e sugestões para aulas de inglês, conforme descrito no item Sobre do grupo, replicado na Figura 13:

76 76 Figura 13 Recorte do grupo de especialização Fonte: https://www.facebook.com/ Acesso em: 20 out O surgimento desse grupo na rede social Facebook deu-se devido à professora que administra o grupo estar pesquisando sobre o potencial do Facebook para a educação (Professora do grupo de especialização) em seu curso de doutorado em Linguística Aplicada. A professora elucida que: A ideia desse grupo foi baseada na necessidade de compartilhar com os alunos (e os alunos entre si) materiais e recursos ligados às aulas no nosso curso de pós-graduação em Ensino de Língua Inglesa que mescla alunos presenciais e a distância. (Professora do grupo de especialização). Quanto à aceitação pelos alunos, a professora informa que a participação é opcional e não faz parte do curso ou da instituição (Professora do grupo de especialização), mas a receptividade dos alunos tem sido boa e constante, sendo que: o que acontece é que como as aulas acontecem presencialmente com um grupo e são transmitidas ao vivo para os alunos EAD, havia muita interação durante as aulas com dicas de sites e materiais através da plataforma da instituição. Como achava interessante promover uma maior interação entre os alunos presenciais e os virtuais e permitir que eles compartilhassem informações e atividades relativas às aulas, o grupo foi criado com este propósito. Portanto, sempre que dou aula para uma nova turma informo sobre a existência do grupo e seus objetivos, mas informo sobre o caráter informal do grupo e da participação voluntária dos participantes. (Professora do grupo de especialização). O objetivo do grupo é possibilitar o compartilhamento de materiais, recursos, etc. Não há um objetivo especificamente pedagógico, mas de complementar as aulas com materiais interessantes (Professora do grupo de especialização). Este era um grupo de um curso, que contava também com um ambiente virtual de aprendizagem, além do Facebook, o qual todos os alunos acessavam para participar de fóruns de dúvidas, entre outras ferramentas, sendo este, assim, o espaço mais formal do curso. Porém, também lá a interação entre os alunos é bastante pequena, pois o objetivo do fórum é mais de tirar dúvidas (Professora do grupo de especialização).

77 77 Grupo de língua estrangeira: Grupo de alunos de cursos livres de língua espanhola e alunos de aula particular de uma professora, composto por 16 alunos e uma professora responsável pela administração. A regra fundamental é que todos os componentes se expressem na língua espanhola, segundo item Sobre do grupo, replicado na Figura 14: Figura 14 Recorte do grupo de língua estrangeira Fonte: https://www.facebook.com/ Acesso em: 20 out A criação desse grupo deveu-se ao fato da professora ter optado por morar por algum tempo na Argentina e possuir muitos amigos em países latino americanos. Por essa razão sempre utilizou muito a rede social Facebook para se comunicar e com isso sempre via coisas interessantes em espanhol no facebook. Então criei o grupo, para passar essas coisas pros alunos e também pra montar um banco de dados de cositas en español que eu pudesse usar em aulas (Professora do grupo de língua estrangeira). A aceitação dos alunos foi considerada boa pela professora, porém muitos não tinham Facebook e continuam sem ter. Em momento nenhum quis força-los a criar uma conta. Alguns até criaram para ter acesso ao grupo. Mas na verdade senti que havia muito pouca interação. Minha ideia inicial era de que todos escrevessem e discutissem as coisas em espanhol, mas nunca aconteceu. (Professora do grupo de língua estrangeira). Os alunos desse grupo eram de uma disciplina apenas (língua espanhola) e também alunos de aulas particulares. A professora não relatou resistência de outros colegas de docência. Porém, a autora deste trabalho percebeu a falta de motivação na qual a professora relata suas ações docentes. Essa falta de motivação para elaborar novas ações pedagógicas inovadoras, como a utilização do Facebook, ficou clara quando a professora relatou que deixou de lecionar há cerca de um mês antes da entrevista ser executada, e o motivo é

78 78 explicado por ela ao descrever que é muito bom dar aulas de espanhol. Só que em geral se paga muito mal e isso é desestimulante. É uma pena que os professores recebam mal. (Professora do grupo de língua estrangeira). Tendo sido feita a apresentação dos grupos analisados, será realizada agora a análise geral dos demais dados obtidos nesta pesquisa.

79 Análise dos dados Objetivando aprofundar acerca do perfil dos alunos que compõem os grupos analisados, iniciou-se a análise dos dados obtidos pelas observações, questionários e entrevistas realizadas, considerando qual o sexo e faixa etária desses alunos. Essa categoria será amplamente considerada quando da proposição da metodologia de utilização das redes sociais na educação, que fará parte das considerações finais desta dissertação. Serão consideradas as diferenças que podem existir em cada um dos níveis da educação, pois, nesta pesquisa, foram analisados grupos compostos por sujeitos cursando desde o ensino médio até a especialização. Em relação ao gênero, foi identificada a maioria dos respondentes sendo do sexo feminino, 69%, enquanto apenas 31% era do sexo masculino. Como 47% da população analisada era composta por alunos do ensino médio, tanto de escola particular quanto pública estadual, justifica-se então a faixa etária que se destaca no Gráfico 1, sendo que 88% dos respondentes estão na faixa de 15 a 35 anos, o que Prensky (2001) e Tapscott (2010) consideram como sendo os componentes da Geração Internet. Gráfico 1 Idade dos respondentes Fonte: Dados da pesquisa A geração internet, também chamada de Geração do Milênio ou Geração Y (TAPSCOTT, 2010, p. 27), apresenta uma postura educacional diferenciada, sendo que, na educação, eles estão forçando uma mudança no modelo de pedagogia, que passa de uma abordagem focada no professor para um modelo focado no estudante e baseado na colaboração. (TAPSCOTT, 2010, p. 21).

80 80 Esta necessidade de mudança na abordagem pedagógica já debatida anteriormente fica nítida quando se considera que 57% dos respondentes utilizam as redes sociais para o compartilhamento de informações e 76% utilizam as redes sociais para se manterem informados diariamente. Percebendo-se que essa rede pode ser amplamente utilizada para o compartilhamento de informações, considerase que ela também pode ser empregada para a construção coletiva de conhecimento. A colaboração é necessária nessa nova abordagem pedagógica e considerada por diversos autores (TAPSCOTT, 2010; MATTAR, 2012; ASSMANN, 2005; COLL; MONEREO, 2010), sendo também recomendada pelos professores quando abordaram o papel do professor hoje na educação. Uma das professoras entrevistadas resumiu que a função do professor hoje é de um papel que questionador e instigador. Fazendo com que os alunos pensem criticamente e que debatam durante às aulas (Professora do grupo de especialização). Porém, analisando esse posicionamento, percebe-se o quanto a professora ainda está vinculada à ideia da prática durante a aula, dentro de uma sala de aula física, e não tem ainda sua visão expandida para outros locais de atuação desse profissional, como nas redes sociais, por exemplo. Demonstrando ainda o posicionamento da professora sobre como a educação ocorre restritamente em sala de aula, ela diz sobre o papel dos alunos: no caso da pós-graduação, acredito muito na troca de experiências. E sempre procuro que os alunos debatam sobre suas próprias experiências durante as aulas e como podem aprimorar suas práticas com base nas discussões propostas. (Professora do grupo de especialização, grifo nosso). Na observação realizada do grupo na rede social Facebook, não se percebeu nenhum debate nesse sentido mediado pela professora, sendo assim, mais uma vez ela reafirma o debate durante as aulas, em sala de aula, não extrapolando para as redes sociais. Outro relato diz que o papel do professor é tentar organizar junto com a gurizada esse monte de informações que rolam por todos os lados. Tanto na aula presencial quanto na web (Professora do grupo da graduação), ou seja, a professora considera a importância da mudança de atuação dos atores envolvidos no processo educacional, considerando que profes e alunos devem deixar de ser

81 81 espectadores, de ser recebedores de informação para ser autores, para aprender a filtrar o que é interessante, com criticidade, concluindo que alunos e professores tem que construir juntos essas práticas (Professora do grupo de graduação). Conforme entrevista realizada com outra professora, esta vislumbra ainda que o papel do professor seria aí, mediador. Não somos mais o detentor do conhecimento mundial, o google está aí para isso (Professora do grupo de ensino médio B). Ela ainda complementa: ao meu ver, o papel dos alunos é se formarem enquanto sujeitos. Mediar esse processo é o objetivo da educação escolar (Professora do grupo de ensino médio B). A mediação citada pela professora deve ocorrer entre aquele que não ocupa mais o papel de detentor de todo o conhecimento e aquele aluno que está se formando enquanto sujeito, sendo que esta pesquisadora compreende que essa mediação pode ocorrer também via redes sociais e não apenas em sala de aula. Ainda tratando do papel do professor na educação, outro professor explica que, atualmente, o professor deve ser um orientador do processo de aprendizagem. Deve pensar e promover atividades que favoreçam a aprendizagem. Não dá mais para ser uma autoridade formal e única detentora do conhecimento ou da informação. Os alunos têm acesso às mesmas fontes que tem o professor. Só falta serem orientados como saber usar todo esse potencial disponível. (Professor do grupo de ensino médio A). Prosseguindo na entrevista, ele indica que os alunos, pela lógica e pela simetria, devem assumir o papel de verdadeiros aprendizes. Dito assim, em uma frase, parece simples. Mas esse é o nosso maior desafio. Se os alunos já tivessem assumido esse papel, os professores estariam passando um grande aperto hoje, pois seriam demandados para um ensino muito diferente e muito mais eficiente do que o que vemos hoje. Mas, a realidade é que os próprios alunos, em geral, estão demandando muito pouco de seus professores. (Professor do grupo de ensino médio A). Ao dar essa resposta, o professor foi argumentado pela entrevistadora se essa postura, na prática, seria a ideal para todos os alunos, ele então complementou: Esta pergunta que você acaba de fazer é um exemplo desta postura: não ficar satisfeito apenas com respostas superficiais, com informações que

82 82 ficam só na memória e nunca são transformadas em conhecimento. Deve haver interesse em aprender, aptidão que deve começar desde a educação infantil. Mas o nosso sistema vai contra isso: apela demais pela memória, pelas avaliações que cobram apenas conteúdo, etc. A Escola tem a incrível propriedade de receber um monte de alunos diferentes e, no final, transforma-los em todos iguais! Depois, quando sai da Escola, o mercado de trabalho vai procurar aquele que é diferente!!! (Professor do grupo de ensino médio A). Essa postura apresentada pelo professor do grupo de ensino médio A foi observada em sua prática no grupo na rede social Facebook, pois ele atuava estimulando os alunos a argumentarem e a interagirem entre si e com ele. Os debates desse grupo eram sempre embasados, aprofundados e apresentavam relatos argumentativos. Acredita-se que isso contribuía consideravelmente para o desenvolvimento da postura participativa, motivadora e instigadora que os alunos apresentavam. Pondera-se que é importante estimular o debate entre os alunos nos grupos da rede social Facebook, sendo essa estimulação considerada fundamental para o bom desenvolvimento do trabalho docente, consideração esta que pôde ser feita a partir da observação dos grupos e aplicação dos questionários. Porém, antes da necessidade de estimulação por parte dos professores, é importante também que os alunos tenham amplo acesso às redes sociais para que o trabalho pedagógico seja realizado. Quando indagados acerca da disponibilidade de computadores com acesso à internet aos alunos, todos os professores responderam positivamente, afirmando que os computadores estavam acessíveis nas escolas. A professora do grupo de ensino médio B indicou ainda que a escola na qual é docente possui wi-fi e que os alunos acessam a internet também pelos seus celulares. Tal acesso por dispositivos móveis também foi considerado no questionário aplicado aos alunos, obtendo o resultado de 39 respondentes que acessam redes sociais pelo celular e/ou smartphone, o que equivale a 33% do total de questionários respondidos, conforme demonstrado no Gráfico 2:

83 83 Gráfico 2 Acesso à internet via aparelhos e/ou equipamentos móveis Fonte: Dados da pesquisa Ainda refletindo acerca da disponibilização de computadores nas escolas, Weiss e Cruz (1999) afirmam que é necessário o desenvolvimento de atividades que desafiem os alunos a crescerem, construindo seu conhecimento na relação com o outro (o professor e os colegas), além de utilizar a máquina. Acreditamos na necessidade de uma postura em que o aluno seja ativo, responsável pela construção de seus conhecimentos, de sua aprendizagem, e não um receptor passivo de informações. (WEISS; CRUZ, 1999, p. 93). A partir de tal reflexão, percebe-se a necessidade de maior interação entre o professor e os alunos, não restringindo a utilização das redes sociais a um repositório de arquivos no qual os alunos recebem informações passivamente. Foi solicitado, em entrevista, que os professores relatassem o que seria interação para eles. Com as respostas obtidas, percebe-se a dificuldade em conceituar um termo que teoricamente deveria fazer parte constante do fazer pedagógico de um professor: Entendo interação, como proposto por Vygotsky, como relação com o próximo, fundamental para a aprendizagem. Também como diálogo (Bakhtin) e troca. (Relato do Professor). Acho que interagir é manter uma relação entre duas ou mais pessoas, marcada pelo interesse mútuo de fazer alguma coisa em comum. No caso da interação professor-aluno, seria o interesse pelo conhecimento. Um ajudando o outro. (Relato do Professor).

84 84 Dialogar, bem, é assim em História. Vamos debater sobre determinados assuntos, se eles ficassem em sala sem um professor, a discussão pode acontecer ou não, depende muito da sala. (Relato do Professor). Relações que se estabelecem entre pessoas / objetos de conhecimento / fatos / por exemplo / ao ler um texto impresso / ha interação entre leitor autor texto / toda a história de vida e de leitura do leitor estão ali / e se relacionam o texto / que Tb foi construído a partir de uma historia de vida e de leitura do autor / assim tb na web / presencialmente / e partir dessas relações a gente vai construindo outras / a partir do que é construido se encaminham algumas ações por exemplo / nao sei se da pra entender / e não é uma coisa estanque / vai e volta e tem o contexto socio historico tb / provoca mudanças (Relato do Professor). Essa interação relatada pelos professores como troca, diálogo ou relação com o próximo não foi identificada na maioria dos grupos. Em muitos casos as postagens eram feitas apenas pelos professores, comprovando a percepção tradicional de educação, na qual apenas os professores são detentores do saber, não havendo a construção coletiva citada por muitos alunos como ideal no fazer pedagógico na rede social. Ao questionar os alunos sobre a interação ocorrida via rede social Facebook, a grande maioria deles (97%) informou que interagia com os colegas de sala/escola, enquanto 73% informaram que interagiam também com os professores, sendo que foram citadas as ferramentas Eventos, Páginas, Mensagens inbox / Bate-papo e Grupos nessas interações via rede social Facebook. Ao constatar que a interação é uma prática que os alunos acreditam que exista nas redes sociais, eles foram indagados sobre já terem estudado algo pelo Facebook e 82% responderam positivamente, enquanto 76% informaram que disponibilizavam materiais de interesse do grupo ao qual faziam parte no Facebook. Porém, essa prática não foi identificada durante a observação. Para tanto, consideram-se duas hipóteses. A primeira é que os alunos realmente disponibilizavam materiais de interesse de seu grupo de contato na rede social, mas não necessariamente dentro do grupo analisado; como os perfis dos alunos não foram analisados, esta será uma dúvida que permanecerá neste trabalho e que poderá ser retomada em pesquisas posteriores. A segunda hipótese é que, ao serem indagados quanto à disponibilização de materiais, os alunos tenham sido despertados para a noção de que eles também poderão contribuir com materiais para a construção coletiva do conhecimento em seu grupo de atuação. Outro questionamento feito aos alunos foi se eles identificavam a utilização

85 85 educacional do Facebook pelos seus professores, sendo que, nas respostas obtidas, 87% informaram que percebiam tal utilização. Porém, quando solicitados a descrever como se dava tal utilização, muitos relataram a percepção do Facebook como um repositório de materiais, uma utilização simplista, e não como um ambiente propício ao diálogo. Como exemplos, temos as seguintes respostas: Compartilhando materiais interessantes e pertinentes ao nosso aprendizado (Aluno/a). Quando ela posta links e conteúdos relacionados ao tema das aulas (Aluno/a). Geralmente compartilham textos sobre o conteudo da materia e sites de pesquisa (Aluno/a). Postando trabalhos e deveres (Aluno/a). Os professores compartilham vídeos, links de pdfs, sites interessantes...tem bastante coisa interessante na web (Aluno/a). Outros alunos já perceberam a utilização como um meio de ampliar o debate para além dos horários da escola, lembrar os alunos de tarefas e provas e disponibilizar materiais, sendo essa utilização, além de educacional, também comunicacional: O professor utiliza o Facebook para ultrapassar o tempo que é disponibilizado na sala de aula, marcar uma prova, avisar sobre uma tarefa que deve ser feita, e esclarecer possíveis dúvidas sobre a matéria quando conveniente e além disso disponibilizar algum tipo de material para que complemente o estudo do aluno (Aluno/a). Através de discussão de temas da atualidade (Aluno/a). A utilização se dá a partir de: avisar matérias de provas, exercicios à ser passados, conteúdos ensinados em sala de aula como revisão de estudo, entre outros (Aluno/a). Os professores utilizam a rede para compartilhar conteúdos pertinentes aos estudos e propõem situações-problema para abrir discussões (Aluno/a). Quando o professor compartilha materiais úteis para serem utilizados em sala de aula, ou até mesmo discussões sobre didática e apoio ao professor (Aluno/a). Com esta atuação, nitidamente mais pontual em sua finalidade pedagógica, o professor utiliza o grupo para envio de avisos sobre tarefas, mas também abre

86 86 efetivamente o diálogo com os alunos, facilita e promove a interação e extrapola a visão que alguns alunos apontaram quanto ao trabalho pedagógico, identificado com Professores postando trabalhos, deveres e avisando dia das provas e a matéria! (aluno/a) ou Quando a Professora mostra documentos, reportagens a respeito da matéria dada em sala. Lembrando de provas (Aluno/a). Em um dos grupos analisados, identifica-se um trabalho pedagógico diferenciado, no qual o professor interage mais com os alunos. Sua atuação no grupo com finalidade educacional é percebida pelos alunos ao citarem que a utilização do grupo no Facebook ocorre Quando explica alguma matéria mal entendida em sala de aula (aluno/a) ou mesmo quando o trabalho Se dá através da divulgação de trabalhos, atividades e dúvidas escolares (Aluno/a). Considerando ainda que, na escola, os computadores com acesso à rede estavam disponibilizados, questionaram-se os alunos sobre em quais outros locais eles acessavam a internet. Buscava-se com isso compreender qual a amplitude de locais de acesso deles à internet, logo às redes sociais. Foi obtido o resultado de que todos os alunos, de todos os grupos, possuem internet em casa, conforme descrito no Gráfico 3, sendo este mais um facilitador do trabalho docente na rede social Facebook. Gráfico 3 Locais com acesso à internet Fonte: Dados da pesquisa Outro aspecto apurado nos questionários foi a frequência de acesso dos alunos às redes sociais. Uma vez que eles acessavam a internet nas escolas e em

87 87 casa, 97% informaram que acessavam o Facebook diariamente, enquanto apenas 3% acessavam semanalmente, conforme demonstrado no Gráfico 4: Gráfico 4 Frequência de acesso ao Facebook Fonte: Dados da pesquisa Esse pode ser considerado outro forte indício de que os Nativos Digitais (TAPSCOTT, 2010) estão imersos na tecnologia, bem como a informação de que 34% dos respondentes permaneciam de 6 a 12 horas conectados em redes sociais, conforme demonstrado no Gráfico 5: Gráfico 5 Tempo médio diário de acesso às redes sociais Fonte: Dados da pesquisa

88 88 Por permanecerem todo esse tempo conectados às redes sociais, foi também investigada qual a utilização das redes sociais feita pelos alunos. Este resultado foi bastante variável, pois 94 respondentes (100%) disseram utilizar as redes para se comunicar, enquanto 82 (87%) as utilizavam para se informar, 56 (60%) para aprender e apenas 16 (17%) para ensinar, conforme descrito no Gráfico 6: Gráfico 6 Finalidade de utilização das redes sociais Fonte: Dados da pesquisa A partir da informação acerca da finalidade de utilização das redes sociais, consideraram-se também quais as ferramentas mais utilizadas dentro do Facebook. Sendo o lócus desta pesquisa os grupos dessa rede social, pretendeu-se com essa questão verificar quais outras ferramentas estavam sendo utilizadas pelos alunos, além dos grupos, e desta forma poderiam ser exploradas pelos professores. As ferramentas mais utilizadas pelos alunos no Facebook estão apresentadas no Gráfico 7:

89 89 Gráfico 7 Ferramentas utilizadas no Facebook Fonte: Dados da pesquisa A ferramenta bate-papo foi indicada por 69% dos respondentes e a ferramenta mensagem inbox por 61%. A utilização dessa ferramenta de mensagens instantâneas é percebida também nas respostas à questão que solicita ao aluno descrever como se dava a utilização educacional pelo professor: os Professores postam várias coisas úteis, que servem como modelo para nós...a grande maioria dos meus professores se comunicam pelo Facebook o que é muito legal, pois nos deixam atualizados sempre! Quando temos alguma dúvida de última hora sempre tem algum professor online, pronto para responder (Aluno/a). A avaliação pelos alunos da utilização dos grupos pelos professores foi, de maneira geral, positiva, relatando que esse uso auxilia a aprendizagem, conforme depoimentos transcritos: É super importante e dinâmico, porque a maioria dos alunos passa o dia todo conectado, e a maioria presta mais atenção no professor falando pelas redes sociais do que em sala de aula. Este é um modo fácil, rápido e interessante para passar o conhecimento dos professores a diante sem ser tedioso (Aluno/a). Quando ele compartilha material de interesse do grupo e que me ajuda no entendimento da matéria estudada em sala de aula (Aluno/a).

90 90 Ele posta os trabalhos no facebook, matérias das provas e etc... É até mais viável, porque hoje em dia quase todos nós usamos as redes sociais (Aluno/a). Os alunos foram questionados se também utilizavam outras redes sociais e 80% responderam que sim. Quando indagados sobre qual rede utilizavam além do Facebook, a gama de redes citadas foi maior que o esperado, conforme demonstra Gráfico 8: Gráfico 8 Outras redes sociais de que fazem parte Fonte: Dados da pesquisa A utilização do Twitter (62%) foi considerada moderada, mas deve ser avaliada pelos educadores como uma outra possibilidade educativa, pois na votação das melhores ferramentas para aprendizagem realizada anualmente pelo Centre for Learning & Performance Technologies, por três anos consecutivos ele foi eleito como a melhor ferramenta (MATTAR, 2012, p. 89). Pode-se considerar que a utilização da rede social Facebook ainda é bastante tímida e pouco expressiva no meio educacional. Os dados apresentados e descritos neste capítulo puderam comprovar que ainda falta conhecimento tecnológico e conhecimento sobre como utilizar a tecnologia a favor da educação por parte dos professores e também se pode considerar que por parte dos alunos. Outro aspecto que as observações feitas nos grupos puderam verificar é que

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