Neologismos no Facebook: o ensino do léxico a partir das redes sociais

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1 Neologismos no Facebook: o ensino do léxico a partir das redes sociais Renise Cristina Santos (UFMG) 1 Introdução Este trabalho apresenta dados parciais da pesquisa de mestrado que está sendo desenvolvida na Faculdade de Letras da UFMG. A pesquisa procura descrever o léxico presente no site de relacionamento Facebook, tomando como base a variedade linguística internetês, com vistas a identificar o uso de neologismos nesse ambiente virtual. O intuito é verificar como as novas palavras são formadas e como se pode usálas a favor dos próprios usuários, normalmente adolescentes, no ambiente escolar. Ou seja, objetiva-se fazer uma coletânea de palavras habitualmente empregadas mas não dicionarizadas no meio digital e utilizá-las no trabalho de ensino e aprendizagem da língua portuguesa, especificamente para o público juvenil. Assim, os recursos digitais, utilizados como ferramentas e meio de comunicação, possibilitarão um novo espaço sociointeracional e linguístico ao usuário da língua, bem como propiciarão novos usos dessa mesma língua. Afinal, Na escrita, sob a revolução midiática, nunca se escreveu tanto (os jovens). Ao menos por enquanto, internet para o jovem é rede social, uma maneira de conversar com os outros, de mostrar-se e de ver o que acontece. As pessoas querem cultivar amigos. Com isso, há uma oralidade sendo transmitida à escrita. Há os neologismos da internet e há os da fala cotidiana. (PEREIRA JÚNIOR, 2010) Grifo nosso. Diante, disso, observando-se o processamento da linguagem natural, a fluir nessa rede social, será possível dimensionar importantes aspectos da competência lexical do falante/escritor nesse contexto comunicativo, uma vez que dominar o léxico de uso do grupo do qual se pretende fazer parte, nesse caso, o internetês, é tarefa fundamental para se inserir nas redes sociais de modo geral. A competência lexical, nesse primeiro momento, é, pois, conhecer os usos e novas aplicações das palavras no contexto virtual, conhecer a sintaxe de uso e os vários sinais gráficos que denotam, às vezes, mais significado que as palavras. 1

2 Criar neologismos, pode-se dizer, é, dessa forma, uma mostra da competência lexical do falante, uma vez que, ao se inventar um termo novo, o sujeito está demonstrando sua capacidade de compreender e de usar as palavras dentro dos conhecimentos morfossintáticos que ele possui da língua e dentro das relações que um item lexical estabelece com outro para fazer sentido (FERRAZ, 2008, P. 147). Essa situação explica, assim, a importância do uso de novos léxicos como ferramenta comunicativa no Facebook, por exemplo e também como ferramenta de ensino de língua, haja vista que evidencia que o usuário, ao utilizar um neologismo, demonstra ser um eficiente conhecedor de sua própria língua e dos contextos apropriados para usá-la. Corpus X Análise A pesquisa busca fazer uma ponte entre a linguagem natural escrita dos jovens e a competência lexical para se inserir em um dado contexto comunicativo. Para isso, como os principais usuários das redes sociais no Brasil são jovens, pensou-se exatamente em analisar esse público e como ele seleciona ou descarta suas escolhas lexicais para suas produções textuais escritas, o que o faz ser ou não aceito na comunidade comunicativa de que deseja fazer parte. Além disso, trabalhar a tríade jovem x língua x internet é uma tentativa de mostrar que a linguagem ocorre em um contexto de uso e que, pensando-se em material didático a ser utilizado em sala de aula, relacionar os três elementos parece ser uma boa alternativa para o ensino de língua, bem como o do léxico. Afinal, o contexto sociointeracional é importante para o aprendizado e, se este for relacionado à linguagem próxima à utilizada pelo aprendiz, o ensino tende a ser mais eficaz e produtivo. Como afirma Antunes (2003, p. 41), as línguas só existem para promover uma interação entre as pessoas e, se isso for feito de forma contextualizada e interessante, o ensino da língua será individual, social, produtivo e relevante. Para verificar quais são os usos linguísticos, portanto, preocupou-se em apontar a frequência de itens lexicais presentes no internetês e associá-los à situação comunicativa em análise, a fim de se verificar a construção linguístico-textual dos usuários dessa variedade de língua e, consequentemente, conhecer a competência lexical para esse tipo de produção textual, bem como para essa situação de produção escrita.

3 Para a pesquisa, portanto, conta-se com o suporte da Linguística de Corpus, a qual se preocupa em analisar dados a partir de textos naturais, num contexto social e comunicativo de uso da língua. Além disso, do ponto de vista prático, os recursos procedimentais da Linguística de Corpus permitem analisar, com o auxílio do computador, textos naturais/reais para evidenciar, empiricamente, formas gramaticais possíveis e realmente usadas por falantes/usuários da língua. Ao contar com tais recursos, a metodologia de trabalho adotada permite organizar um corpus constituído de textos conversas, mural de recados, comentários de fotos postadas, mensagens de perfil presentes na rede social Facebook e disponibilizados para os usuários nela cadastrados. Neologimos, redes sociais e sala de aula O objetivo central da pesquisa é, circunstanciando as características do internetês, descrever os neologismos lexicais, apontando os processos de formação de palavras presentes na rede social Facebook, com vistas a contribuir com material didático para o ensino do léxico. A hipótese, a partir da qual se procura alcançar tal objetivo, é de que a rede social referida, assim como outras que movimentam o ambiente da Internet, favorece, pela comunicação espontânea, a criação de palavras novas, principalmente através da reutilização, com significados novos ou com grafia alterada (nova), de palavras já existentes no sistema linguístico. A análise de todo o material coletado (neologismos) servirá para importantes reflexões em torno do ensino do léxico. Isso porque, examinando atentamente o cenário educacional brasileiro, não é difícil perceber que na Educação Básica, em especial nos livros didáticos, a neologia ou não é tratada ou é abordada apenas em certos gêneros específicos, como da esfera literária, o que pode dar ao aluno a falsa impressão de que a neologia é restrita a tais gêneros. Em muitos casos, o estudo da formação de palavras, quando abordado, passa a ser apenas uma classificação de formas já existentes na língua, sem levar em conta a criação contemporânea de unidades lexicais. Como este trabalho deriva da pesquisa em andamento, aqui será mostrado o percurso a ser desenvolvido, bem como algumas amostras de criações neológicas, com especial destaque para os neologismos semânticos e gráficos. É importante ressaltar que o critério de neologismo adotado na caracterização das unidades léxicas selecionadas seguirá é o de registro dicionarizado, com a adoção de um corpus de exclusão, constituído, neste caso, pelos seguintes dicionários brasileiros:

4 a) Dicionário Houaiss da língua Portuguesa (2001), b) Novo Aurélio do século XXI: o dicionário de língua portuguesa (1999) e c) Michaelis Moderno dicionário da língua portuguesa (1998). O que significa dizer que um item léxico será considerado um neologismo quando não constar desse corpus de exclusão. Considerações finais Pretende-se, com este trabalho, mais que identificar e analisar ocorrências de neologismos em textos escritos no site de rede social Facebook, mas colaborar para que o ensino de língua possa ser facilitado somando-se a ele conteúdos que possam interessar ao aluno. De modo geral, sabe-se que os aprendizes têm mais dificuldade de assimilar o que lhes é ensinado se isso for feito de forma completamente descontextualizada e/ou fora da sua realidade e, provar a eles que a competência lexical depende não só de um dado léxico, mas também de um conjunto de fatores que muitas vezes eles já dominam pode lhes dar mais prazer e interesse em aprender. Este trabalho é, pois, uma contribuição ao ensino de língua e um apoio a mais ao aluno e suas habilidades comunicativas. Referências ALVES, I. M. Neologismo: criação lexical. São Paulo: Ática, Série Princípios, ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, BOULANGER, J. C. (1989) L évolution du concept de neologie de la linguistique aux industries de la langue. In: SCHAETZEN, C. de. Terminologie diachronique. Paris: Conseil International de la langue française, FERRAZ, Aderlande Pereira. A inovação lexical e a dimensão social da língua. In: SEABRA, Maria Cândida. O léxico em estudo. Belo Horizonte: UFMG, 2006, p

5 FERRAZ, Aderlande Pereira. Os neologismos no desenvolvimento da competência lexical. In: HENRIQUES, Claudio Cezar; SIMÕES, Darcila. (Orgs). Língua portuguesa, educação e mudança. São Paulo: Europa, FERREIRA. Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio do século XXI: o dicionário de língua portuguesa Rio de Janeiro: Nova Fronteira, GUILBERT, Louis. La Créàtivitè Lexicale. Paris: Larousse, p. do editor Antonio Maria Pereira, v. HOUAISS, A. I. Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, RJ, 1ª edição SANDMANN, A. J. Formação de Palavras no Português Brasileiro Contemporâneo. Curitiba: Scienta ET Labor/Icone, MICHAELIS. Moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Melhoramentos

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