Elaine Lourenço 1 Betânia Freitas 2

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1 O PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF), NO ÂMBITO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) E SUA INTERFACE COM O PROGRAMA DE ATENDIMENTO INTEGRAL À FAMÍLIA (PAIF) DO SISTEMA ÚNICO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL (SUS) Elaine Lourenço 1 Betânia Freitas 2 Resumo: O presente trabalho tem como objetivo estudar as dimensões aproximativas entre o Programa Saúde da Família (PSF), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa de Atendimento Integral às Família (PAIF), no âmbito do Sistema Único da Assistência Social, estratégias que se inserem no plano da atenção básica e da proteção social básica, dos respectivos Sistemas. Para o seu desenvolvimento, será utilizada a pesquisa documenta, análise de dados obtidos em fontes primárias e secundárias, fontes oficiais e em órgãos de imprensa e divulgação. Espera-se com este estudo ajudar na formulacao e implementacao de ações intersetoriais compartilhadas para prestar servicos de qualidade às pessoas e coletividades atendidas no contexto das políticas de saúde e de assistência social. Palavras-chave: Saúde coletiva, intersetorialidade, atenção básica X proteção social básica, Programa Saúde da Família, Programa de Atendimento Integral à Família. 1 Mestranda. Universidade Federal Fluminense. 2 Mestranda. Universidade Federal Fluminense.

2 1. Caracterização do Problema e Justificativa Hoje o Brasil conta com números significativos de produções acadêmicas a cerca de temas que tem como foco o Sistema Único de Saúde (SUS), nas suas diversas vertentes. Também é crescente o número de publicações sobre o Sistema Único da Assistência Social (SUAS), porém ainda são poucos os estudos dedicados a avaliar os eixos de convergência e as diretrizes estruturais que norteiam o planejamento e a implementação das políticas que esses Sistemas se propõe. A possibilidade de reflexão acerca dos contextos que emergem as políticas e programas sociais nos instiga analisá-las com a perspectiva de intervenção no seu curso natural de desenvolvimento. No decorrer da história, as sociedades vêm debatendo e tentando dar conta dos diferentes problemas de saúde que afligem seus indivíduos e coletividades. Tais debates caminharam para identificações diversas dos determinantes dos problemas de saúde, e também para busca de soluções. No entanto, existem recortes conceituais relações entre saúde e assistência social que ainda não foram estudadas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS): saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade. Partindo dessa perspectiva não seria possível entender saúde sem bem estar social. Segundo a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), a assistência social é dever do Estado e direito do cidadão, pode ser definida como direito de cidadania com vistas a garantir o atendimento as necessidades básicas dos segmentos populacionais vulnerabilizados pela pobreza e pela exclusão social. Assim, deve-se compreender saúde como item indispensável na garantia das necessidades básicas citada na LOAS. A Literatura atual a cerca da relação entre saúde e pobreza afirma que tanto a ausência de saúde contribui para o aumento da pobreza, quanto à pobreza contribui para ausência de saúde. Segundo NERI 2006, Pobreza e desigualdade social formam um dos traços estruturais

3 mais perversos da sociedade brasileira, e sem saúde as políticas de combate a pobreza não surte os efeitos desejados. Para ROSEN (1979), um dos aspectos da vida urbana moderna é a relação entre a pobreza e saúde precária como sendo promotores de decadência e doenças sociais. A Seguridade Social é uma noção amplamente utilizada a partir de 1945, no pós- guerra, para designar um conjunto de ações governamentais no campo da proteção social, envolvendo um conjunto de políticas. TEIXEIRA Et al (2004) No Brasil, a concepção de Seguridade Social só é assumida na Constituição Federal de 1988, conhecida como a constituição cidadã, está inserida no capítulo Da Ordem Social e é composta pelo tripé Saúde, Assistência Social e Previdência Social. Representa a promessa de afirmação e extensão de direitos sociais em nosso país, em consonância com as transformações sócio- políticas que se processaram. Nessa direção, destaca-se como importante na concepção de Seguridade Social: a universalização, a concepção de direito social e dever do Estado, o estatuto de política pública à assistência social, a definição de fontes de financiamento e novas modalidades de gestão democrática e descentralizada com ênfase na participação social de novos sujeitos sociais com destaque para os conselhos e conferências de direitos e de política social. Considerando que saúde e assistência social compõe com a previdência social o tripé seguridade social, considerando ainda que a proposta estruturaste desse trabalho é avaliar as interfaces e aproximações entre SUS E SUAS faz se necessário o aprofundamento no estudo dos principais programas que compõe sua estrutura e que representam in loco o braço de execução das políticas de saúde e assistência social. Na perspectiva da atenção básica o Sistema Único de Saúde tem como principal programa o Programa de Saúde da Família (PSF), este foi concebido pelo Ministério da Saúde em 1994, com o objetivo de proceder a reorganização da prática assistencial em novas bases e critérios, em substituição ao modelo tradicional de assistência, orientado para a cura de doenças e no hospital. No PSF a atenção está centrada na família, entendida e percebida a partir do seu

4 ambiente físico e social, o que vem possibilitando às equipes da Família uma compreensão ampliada do processo saúde/doença e da necessidade de intervenções que vão além de práticas curativas". Na perspectiva da proteção social básica o Sistema Único da Assistência Social tem como estratégia o Programa de Apoio Integral a Família PAIF, que através do atendimento Socioeducativo realizado nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), prioriza as famílias de territórios vulneráveis. O PAIF como o próprio nome já diz é um que também tem como foco a família. Os dois Programas estruturantes PSF e PAIF apesar de desenvolvidos com ações e metodologia específicas, ambos têm como foco prioritário a família, o que reforça a necessidade de analisar os eixos de aproximação entre os dois programas levando em conta a possível otimização de recursos públicos, potencial de capilaridade dos dois programas e impacto social. Evitar a superposição de ações, a concentração de recursos e serviços e promover a descentralização das políticas, são alguns dos muitos desafios a serem enfrentados pelos governos na busca pela universalização e pela integralidade que tende a construir um novo modelo de dialogo na implementação das políticas. Para STOTZ (2003), os sistemas de saúde baseados na Atenção Primária, com recursos adequados para sua organização, produzem cuidados de saúde mais efetivos tanto em relação aos custos quanto aos aspectos clínicos. Baseada em uma concepção ampliada de desenvolvimento, da intersetorialidade e da parceria,a avaliação destes programas é um desafio aos enfoques avaliativos tradicionais. A relevância e originalidade desse tema pode ser caracterizada na necessidade da obtenção de dados e construção de ferramentas para direcionamento de ações e estudos que gerem novas tecnologias de gestão, e implementação de políticas com foco na integralidade.

5 O fundamental na avaliação desses programas é a compreensão sobre a dinâmica capaz de desencadear mudanças mais consistentes, tanto na rede de sociabilidade local, como na qualidade de vida (Bodstein et al., 2001a). Objetivo Avaliar as dimensões aproximativas do Programa de Atendimento Integral às Famílias (PAIF) e do Programa de Saúde da Família (PSF), estratégias de reorientação do Nível de Atenção Básica, respectivamente, na Assistência Social e na Saúde, e em seus respectivos sistemas: SUAS e SUS; Metodologia e Estratégia de Ação Será realizado pesquisa documental e uma análise de dados obtidos em fontes primárias e secundárias, fontes oficiais e em órgãos de imprensa e divulgação. Os resultados sobre os dois Sistemas a serem estudados no âmbito desse trabalho serão apresentados em tabelas, e analisadas conjuntamente para que possam ser extraídos os possíveis eixos estruturantes de convergência. 1. Resultados e Impactos Esperados Fomentar a retomada do estudo, do debate e da reflexão a cerca do projeto brasileiro de seguridade social, sobretudo no que se refere à saúde e à assistência social, ambas de natureza universal e de caráter não contributivo, afiançadoras de direitos; Apresentar a analise descritiva e quantitativa da possível convergência entre os sistemas SUS e SUAS; Se constituir num referencial para estudos sobre políticas públicas e e metodologias com foco na integralidade. 1. Referências BODSTEIN, R. C. et al., 2001a. Desafios no Monitoramento e na Avaliação de

6 Programas de DLIS: o caso de Manguinhos no Rio de Janeiro. Oficina Social. Centro de Tecnologia, Trabalho e Cidadania. Rio de Janeiro. ROSEN, George. Da Polícia Médica à Medicina Social: ensaios sobre a história da assistência médica; Rio de Janeiro: Edições Graal, TEXEIRA, Sônia Fleury. A Seguridade Social Inconclusa. IN: Rocha, Denise & Maristela Bernardo org. A era FHC e o Governo Lula: transição. Brasília, abril INESC Acessado em: 23/05/07 Disponível em: o0jj5ixz/ Seguridade%20Social.pdf. STOTZ, Eduardo Navarro. Trabalhadores, direito à saúde e ordem social no Brasil. São Paulo em Perspectiva, 17(1): 25-33, PERES, Ellen. O Programa Saúde da Família no enfrentamento das desigualdades sociais. Revista AQUICHAN, Ano 7, Vol. 7: Chía, Colômbia, abril de 2007.

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