O Policiamento Comunitário como Mecanismo de Promoção da Cidadania no Rio de Janeiro

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1 O Policiamento Comunitário como Mecanismo de Promoção da Cidadania no Rio de Janeiro Aluno: Gabriel Ferreira de Carvalho Orientador: Dr. Augusto César Pinheiro da Silva 1

2 Índice Introdução...Pág.3 Objeto...Pág.3 Objetivo...Pág.3 Questão central...pág.3 Procedimentos Metodológicos...Pág.4 Desenvolvimento...Pág.4 Observações finais...pág.6 Referências bibliográficas...pág.7 2

3 Introdução A partir da análise dos dados sobre alguns dos principais tipos de ocorrências criminais no estado do Rio de Janeiro, como assaltos a residências, a transeuntes e roubo de veículos, que se verificam no município de Niterói, na região metropolitana da cidade, em especial na Região Oceânica, local de residências prioritariamente de classe média, a pesquisa foi organizada de maneira a servir como um instrumento de identificação de um modelo pouco comum de segurança pública no contexto brasileiro, o da vigilância comunitária. Esse projeto batizado de VIP (Vizinhos Integrados a Polícia) foi criado com base na experiência da polícia mineira que formulou o programa Rede de Vizinhos Protegidos, como uma estratégia do lugar como forma de revalorizar as relações comunitárias que agregam valor ao solo urbano e revitalizam as formas de ação dos agentes de gestão dos territórios no Rio de Janeiro. Objeto O objeto de estudo deste trabalho são as Políticas públicas de policiamento integradas à comunidade. Objetivos Este trabalho tem como principal objetivo verificar as potencialidades políticas, econômicas e sociais de implantação do projeto VIP (Vizinhos Integrados a Polícia), nos bairros da Região Oceânica de Niterói, e a sua sustentabilidade na gestão local, como projeto de controle criminal. Questão central De que maneira os novos arranjos da violência urbana podem gerar novas formas de planejamento e gestão de territórios no Rio de Janeiro? Procedimentos Metodológicos A investigação se focou, no levantamento da bibliografia sobre o tema, investigação, por meio de busca de entrevistas de moradores locais e de representantes do sistema de coerção oficial sobre o emprego dessa rede de segurança e o potencial de tal iniciativa, para como ela pode servir como complemento às políticas de contenção do crime nas cidades brasileiras. 3

4 Desenvolvimento A ideia de pesquisar sobre esta temática surgiu de uma vontade particular de estudar o que estava ocorrendo com a segurança (e neste caso a falta dela) na Região Oceânica de Niterói, local onde resido e a partir daí verificar as propostas para se aperfeiçoar os recursos disponíveis da polícia e a Câmara de Segurança da Região Oceânica (recursos estes que de uma forma geral em todo o país são bastante limitados) e as potencialidades da força de envolvimento da comunidade em prol o desenvolvimento de um projeto de controle criminal. O total de registros da Grande Niterói (que abrange os municípios de Niterói, Maricá (AISP 12) e São Gonçalo (AISP 7)) representou, no trimestre de janeiro, fevereiro e março de 2012, 9,9% das ocorrências do estado (ISP, 2012). Entre os delitos que registraram maior aumento percentual, estão: roubo de carga (com mais 106,3%), roubo a residência (com mais 62,5%) e roubo de veículo (com mais 58,6%). Na AISP 12 (Áreas Integradas de Segurança Pública), os delitos que registraram maior aumento no período compreendido entre janeiro e março de 2012 quando comparados ao mesmo período de 2011, foram: roubo de veículo (334 casos), roubo à residência (74 casos) e roubo a transeunte (806 casos). (ISP, 2012) Visto isto e sabendo que as principais formas de atuação do estado com relação à promoção de atividades de controle criminal não estavam mais conseguindo conter a enorme onda de determinados tipos de crimes nessa região, a vigilância da vizinhança ou Neighborhood Watch pode ser entendida como um exemplo de policiamento comunitário bem sucedido em diversas cidades no Brasil e no mundo. Esse programa tem como estratégia, reativar a comunidade como rede voltada para uma vigilância do território (ZACKSESKI, 1997, p.8). Desse modo seriam encorajadas as famílias envolvidas a produzirem novos padrões sociais de controle da movimentação de pessoas estranhas próximas as suas residências e a terem mais consciência de que são responsáveis pela sua própria segurança, tomando atitudes que previnam crimes. O emprego de estratégias similares vem da ideia de que projetos como estes poderiam causar uma mudança na psicologia de criação e implementação de políticas de públicas de segurança, partindo, segundo Cesaria, da ideia de que o envolvimento voluntário dos residentes de uma determinada zona possa ter efeitos positivos com fins de prevençãocontrole dos fenômenos criminais em uma área maior (CESARIA, 1993, p. 49 apud ZACKSESKI, 2000). 4

5 Esse tipo de programa fortalece a interação entre os moradores da localidade e entre a Polícia e a população; entretanto, de acordo com o criminólogo inglês Adam Crawford, o Neighborhood Watch influenciou pouco no combate ao crime no caso inglês, mas atingiu diretamente o medo do crime. Ele ainda explicou que, esse tipo de vigilância é mais bem desempenhada em áreas suburbanas, com baixos índices de criminalidade, e não em grandes centros. Nesse sentido, o projeto-piloto Vizinhos Integrados à Polícia (VIP), consiste na criação de uma rede de verificação mútua com a participação dos moradores, em parceria com a Polícia Militar, criando grupos denominados laços, de cinco ou seis moradores cada, para cuidarem uns dos outros, sendo que a principal função seria a de orientar os moradores sobre medidas de segurança, ressaltando a importância da atuação em parceria com seus vizinhos. Nessa rede, os vizinhos têm o papel fundamental de observar a movimentação na rua e acionar a polícia e seus vizinhos se perceberem alguma movimentação suspeita. Por essas características, o projeto-piloto Vizinhos Integrados à Polícia (VIP), pode ser entendido como uma proposta para um possível desenvolvimento de novas ações e avalições tendo o território como nível de intervenção de forma mais precisa e incluindo a sustentabilidade de um dado projeto na gestão local. Esta sustentabilidade deve ser entendida como a conectividade entre o projeto idealizado pelos gestores e o seu local de implantação possibilitando uma melhora na qualidade de vida da população residente e promovendo uma integração entre a população e a polícia, que por muito tempo foi vista unicamente como repressora em todo o país, mas que agora procura agir em conjunto com toda a comunidade. Quanto à questão do planejamento urbano estratégico, o projeto VIP traz a discussão acerca da descentralização de deveres, pois inclui o debate sobre a maneira como o município pode promover políticas de segurança pública e sobre a definição do território (que pode não ser limitado a um único ente federativo município ou estado) como categoria de intervenção e análise de políticas de segurança pública, muito mais do que a questão da transferência de competência entre os entes federados, argumento que recorrentemente tem pautado as discussões acerca do problema da segurança urbana. (AFBSP, 2008). Observações finais De acordo com o material de divulgação institucional da Polícia Militar mineira, foram apontadas quedas de aproximadamente 64% em determinadas modalidades criminosas, em 5

6 algumas zonas consideradas perigosas dos 14 bairros da 9ª Cia Especializada, onde o projeto foi implantado (PMMG, 2009). Em Niterói as medidas estão em andamento e, as primeiras observações sobre o programa mostram que é possível um fortalecimento das associações de moradores que investem nessa dinâmica, para que lutem por outras infraestruturas urbanas que há muito tempo são apenas promessas de campanhas políticas. A região de Mar Alegre, no bairro de Piratininga Niterói, foi escolhida para ser a área de teste do projeto-piloto pela semelhança com a área de Minas Gerais, não necessariamente em termos de renda, mas sim pela incidência de roubos a residências e a pedestres ter aumentado no local, apesar de não ter sido de forma significativa (CSRO, 2011). De acordo com entrevista com o capitão da 1ª Companhia, Eduardo Dolzany, realizada pelo jornal O Fluminense (Edição Online de 20/05/2012), a meta é fazer com que a iniciativa ganhe visibilidade para que, em breve, toda a Região possa ser inserida no mesmo. Ainda segundo a mesma reportagem, após entrevista com moradores, foi possível constatar um apoio por parte da população local que agora sente como se a polícia estivesse mais próxima, resultado que expressa o sucesso desse projeto, que vem conseguindo atingir o medo do crime que havia naquela população. Referências bibliográficas Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ano Disponível em: Acessado em: 22 de outubro de Brasil, Presidência da República Federativa do. Constituição da República Federativa do Brasil de Disponível em: Acessado em: 9 de junho de Câmara de Segurança da Região Oceânica. Disponível em: Acessado em 23 de junho de CESARIA, Caterina. Neighborhood watch. Sicurezza e Territorio. Bologna, n. 7, 1993, 49 p. CRAWFORD, Adam. The Local Governance of Crime. Appeals to Community and Partnerships Oxford: Clarendon Press. Instituto de Segurança Pública. Resumo Mensal por AISP Disponível em: 2012&tp=Mensal. Acessado em 9 de junho de FERREIRA, Nilton José Costa. Planejamento Estratégico em Segurança Pública. Disponível em: 6

7 07APUBLICA.doc)final.pdf Acesso em: 22 de outubro de 2011 Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Disponível em: https://www.policiamilitar.mg.gov.br/portal-pm/principal.action Acessado em 23 de junho de O Fluminense. Projeto da polícia reforça a segurança na área de Piratininga. Por: Luana Souza 20/05/2012. Disponível em: Acessado em: 9 de junho de ZACKSESKI, Cristina Maria. Políticas integradas de segurança urbana: modelos de respostas alternativas à criminalidade de rua. Dissertação de mestrado. Florianópolis, 08 de janeiro de Da prevenção penal à nova prevenção. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, v. 8, nº 29, p , jan.-mar

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