CONSIDERAÇÕES ACERCA DO TRABALHO DAS PEDAGOGAS NA ESCOLA: UM ESTUDO DE CASO 1

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1 CONSIDERAÇÕES ACERCA DO TRABALHO DAS PEDAGOGAS NA ESCOLA: UM ESTUDO DE CASO 1 MANCKEL, Maria Cecília Martins 2 ; BOLSI, Aimara Vilani 3 ; ALVES, Bruna Pereira 4 ; BEVILAQUA, Caroline Foletto 5 ; RIBEIRO, Eliziane Tainá Lunardi 6 ; CORRÊA, Maria Cristina Saucedo 7 ; FERREIRA, Liliana Soares 8. 1 Trabalho de Pesquisa _UFSM financiado por PROLICEN/UFSM. 2 Curso de Pedagogia Licenciatura Plena da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa 3 Curso de Pedagogia Licenciatura Plena da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa 4 Curso de Mestrado em Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil. 5 Curso de Pedagogia Licenciatura Plena da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa 6 Curso de Educação Especial Licenciatura Plena da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa 7 Licenciada em Educação Física. 8 Doutora em Educação; professora do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa RESUMO A pesquisa apresentada é parte do Projeto O Trabalho dos Pedagogos na escola: desafios e perspectivas, financiado pelo PROLICEN/UFSM. Através desta investigação, busca-se compreender, nos discursos de pedagogas, o sentido que atribuem ao seu trabalho e à Pedagogia como a Ciência da Educação. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, gravadas e transcritas, após realizaram-se grupos de interlocução tendo por objetivo discutir o entendimento das categorias: trabalho, pedagogia e ciência da educação. Essa pesquisa é de cunho qualitativo, tendo como procedimento estudo de caso e, para as análises das entrevistas, está-se trabalhando com a análise de conteúdo. Durante todo o trabalho, os pesquisadores, em conjunto com as (os) pedagogas (os), estão realizando um aprofundamento sobre a temática e a problematização da pesquisa através de um blog, entendido como ferramenta de socialização e discussão à distância. Desse modo, pensa-se estar contribuindo para o entendimento e a reflexão sobre o trabalho das pedagogas na escola. Palavras-chave: Ciência da Educação; Pedagogia; Trabalho. 1. INTRODUÇÃO O Projeto de Pesquisa O Trabalho dos Pedagogos na escola: Desafios e Perspectivas permite continuar projetos anteriores, nos quais se procedeu à leitura do trabalho dos professores nos contextos escolares. Tratam-se dos projetos Concepções e vivências de gestão da educação e suas implicações no trabalho e profissionalidade de 1

2 professores (concluído em 2008), Gestão do pedagógico nos processos educativos e o trabalho de professoras e professores na escola (concluído em 2008) e O curso de Pedagogia e as multifaces do trabalho/ emprego na área de educação: análises, perspectivas e desafios (em andamento). Assim, este estudo visa a entender como os pedagogos, em seus discursos, revelam os sentidos que atribuem ao seu trabalho e a si como cientistas da educação. Quais possibilidades e os desafios que apresentam no sentido de contribuir para uma efetiva práxis pedagógica na escola. O processo de entendimento do que é ser pedagogo e/ou estar trabalhando como pedagogo, perpassa por compreender a Pedagogia como a Ciência da Educação, resultante da práxis pedagógica. Ao reconhecer-se como cientista da educação, o pedagogo torna-se o trabalhador que se remete a refletir sobre sua ação cotidiana no contexto escolar. Assim, trabalhar como pedagogo requer mais do que o preparar e lecionar aulas, requer que este considere o seu trabalho como resultado da práxis vivenciada por ele. Consideramos a Pedagogia como a Ciência da Educação, pois, a mesma em sua prática-teoria, tem como objeto de estudo os fenômenos educacionais e não somente a produção da aula. A investigação em seus diversos momentos procura considerar e compreender o conhecimento das bases teóricas e práticas culturais que alicerçam a prática pedagógica. Os pedagogos precisam reconhecer que produzem ciência em seu trabalho diário e que este torna-se parâmetro em relação às necessidades existentes no ambiente escolar. Segundo Franco (2008, p.75): a educação é um objeto de estudo que se modifica parcialmente quando se tenta conhecê-la, assim como, à medida em que é apropriada, produz alterações naquele que dela se apropriou. Trata-se de um movimento de recomposição da cientificidade da Pedagogia em decorrência dos pedagogos resgatarem sua posição de cientistas da educação e assim ocupando este lugar, consigam desenvolver práticas pedagógicas articuladas, de maneira a ocorrer a educação de maneira efetiva. Considerando a instituição escolar, como potencial ambiente de pesquisa, seus instituídos e instituintes, local onde acontece a produção do conhecimento, através do trabalho, da prática educativa, enfim, da gestão do pedagógico, busca-se entender: como as pedagogas e pedagogos, em seus discursos e práticas, descrevem e evidenciam a relação que estabelecem entre a sua profissão e o trabalho que realizam na escola, na perspectiva de se entenderem com cientistas da educação. Uma preocupação que surgiu en projetos anteriores, e nesta pesquisa se faz presente é que não se pretende negar, minimizar ou pressupor a cultura institucional da 2

3 escola, mas sim realizar um resgate do contexto institucional. Pretende-se entender esta cultura para, com base nela, encaminhar-se, por processo de interlocução, uma proposta de reflexão sobre os sentidos do trabalho, da gestão do pedagógico e das práticas de aula na instituição através dos discursos dos pedagogos e as repercussões dessas intencionalidades na práxis pedagógica. Além disso, busca-se que a escola como um todo compreenda os caminhos pelos quais ela se movimenta e faz as transformações acontecerem, pretendendo conferir aos pedagogos a posição de cientistas da educação. 2. METODOLOGIA A metodologia da pesquisa fundamenta-se em pressupostos científicos, tendo como abordagem a pesquisa de cunho qualitativo, e como procedimento um estudo de caso. As técnicas de coleta de dados utilizadas foram entrevistas, grupos de interlocução e criação de um blog, com intuito de possibilitar um relacionamento entre as informações obtidas e o referencial teórico proposto. Essa postura referente aos dados e às reflexões visa provocar maiores discussões sobre a compreensão do que é ser pedagogo e se estar trabalhando como pedagogo, além da compreensão da Pedagogia como a Ciência da Educação. Inicialmente, apresentou-se a proposta para a escola e após o aceite da mesma, a partir do mês de junho de 2009, ocorreram entrevistas semi-estruturadas em uma escola estadual de ensino fundamental da cidade de Santa Maria/RS, seis pedagogas aceitaram participar da pesquisa. Então as entrevistas foram gravadas e transcritas. Foi priorizado o discurso das pedagogas no seu ambiente de trabalho, o grupo de interlocução, a reflexão de dados dos discursos e encontros semanais com os professores, ocorreram também na escola. Os encontros semanais proporcionou um vínculo maior e ampliação da compreensão sobre determinados discursos, assim como a potencialização do grupo de estudos semanais dos pesquisadores sobre o tema. A técnica de análise de dados utilizada foi Análise de Conteúdo, a qual consiste em efetuar deduções lógicas e justificadas referentes à origem das mensagens tomadas em consideração (BARDIN, p.37, 2006). Assim, a partir das respostas destacam-se como categorias prévias: Pedagogia como ciência, Pedagogo/Pedagoga, Cientista da educação, Profissão, Trabalho, Emprego/Desemprego. Dialogicamente elaborada, esta análise permite buscar elementos para a compreensão da problemática da pesquisa. Conforme Bardin (2006), a análise de conteúdo procura conhecer aquilo que está por trás das palavras sobre as quais se debruça. Assim, o grupo de pesquisadores privilegiou e privilegia os discursos implícitos das pedagogas, ao invés de apenas o que está explícito. 3

4 Durante as transcrições das entrevistas, foi possível perceber que o entendimento das pedagogas sobre pedagogia como ciência e o pedagogo como cientista, distancia-se dos pressupostos teóricos estudados pelo grupo de pesquisadores. Através dos discursos observou-se que as pedagogas percebem a pedagogia como ciência, algo muito distante de sua realidade, ou ainda, revelam uma compreensão positivista da pedagogia como ciência da educação. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES O trabalho não está concluído, mas a partir da primeira análise dos discursos das pedagogas foi organizado um quadro com as categorias que prevaleceram nos discursos. Os grupos de interlocução auxiliaram em uma maior compreensão sobre os discursos, e também na relação de pesquisadores e sujeitos pesquisados. Com o intuito de manter uma maior interlocução organizou-se um blog, ferramenta de interação durante toda a pesquisa. As respostas analisadas permitem observar algumas tendências relativas à dificuldade de compreensão do pedagogo em se perceber como cientista da educação e a reflexão sobre sua prática pedagógica, algumas dificuldades relatadas pelas professoras como: incompletude profissional, falta de autonomia e de reconhecimento social. Após os encontros semanais realizados na escola, o material coletado proporciona discussões no grupo de estudo e possibilitam a reflexão sobre as categorias encontradas. Como considerações iniciais destacam-se: a) Não se considera cientista, pois percebe a ciência como algo distante, porém de certa forma se faz cientista. Dificuldade em perceber seu trabalho como ciência. Estudos constantes para poder renovar seu trabalho com os alunos. Educação como algo homogêneo, igual/mudança para todos. b) Ser professora, desenvolver o seu trabalho e pesquisa. Atribui sentido compensatório. Dificuldade em definir seu cotidiano. c) De certa forma se reconhece como cientista, mas não tem uma clareza sobre. Até o momento evidencia-se que as pedagogas ainda não se percebem como cientistas da educação, revelam uma compreensão positivista a respeito do pedagogo como cientista, e não uma compreensão de um sujeito reflexivo sobre seu trabalho. Até o último encontro, ainda não havia sido proporcionado a elas leituras específicas sobre a temática do projeto. 4. CONCLUSÕES 4

5 Considera-se de grande relevância esta pesquisa, pois além dos pedagogos, outros profissionais da educação terão a oportunidade de dialogar e refletir sobre seus trabalhos e suas práxis, questionando as realidades vigentes. Assim, percebe-se a necessidade de um espaço-tempo para os professores dialogarem, refletirem sobre suas práticas no grupo (escola) e de forma individual (sala de aula), ou seja, perceberem-se como pesquisadores de sua própria práxis. As pedagogas precisam se reconhecer, no campo da investigação e na sua atuação dentro da variedade de atividades voltadas para o educacional e a para o educativo. Pedagogo é o profissional que lida com fatos, estruturas, contextos, situações, referentes à prática educativa em suas várias modalidades e manifestações (Ferreira, 2010). A intenção do grupo é dar continuidade e concluir o processo de reflexão sobre a compreensão da Pedagogia como Ciência e analisar os discursos produzidos nos grupos de interlocução sobre a distinção entre ser pedagogo e trabalhar como pedagogo. Acredita-se que o material produzido é relevante e possibilita a reflexão sobre a Pedagogia como Ciência da Educação, trabalho e profissão dos pedagogos aliado às situações reais do diaa-dia do contexto escolar. Neste sentido, propõe-se uma contribuição significativa no entendimento dos pedagogos sobre eles próprios, suas práticas educativas em seu fazer pedagógico. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Porto: Edições 70, FRANCO, M. A. S. Pedagogia como ciência da educação, Campinas: Papirus, 2008, 144p. FERREIRA, L. S. Pedagogia como ciência da educação: retomando uma discussão necessária. In: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, vol. 91, n. 227, jan-abr pp

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