CURSO DE ATUALIZAÇÃO JURÍDICA Disciplina: Direito Comercial Tema: Contratos Mercantis Prof.: Alexandre Gialluca Data: 19/04/2007 RESUMO

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1 RESUMO 1) Alienação fiduciária 1.1) Alienação fiduciária de bens móveis (Dec-Lei 911/69) Na doutrina há quem diga que se trata de contrato acessório e a quem diga que se trata de contrato incidental. Na verdade, ele é utilizado para viabilizar o contrato de compra e venda com instituição financeira. 1.2) Procedimento. A instituição financeira exige uma garantia, diante de um empréstimo para aquisição do bem. O empresário adquire o bem e o dá em garantia do pagamento empréstimo. Trata-se da transferência da propriedade resolúvel, porque terá um término, encerramento. A transferência ocorrerá quando houver a quitação integral da dívida. Ainda que a propriedade esteja com a instituição financeira (posse indireta), a posse direta do bem ficará com o empresário. Devedor fiduciante: quem dá o bem em confiança. Credor fiduciário: quem recebe o bem. Art. 2º. Dec-Lei 911/69: No caso de inadimplemento ou mora nas obrigações contratuais garantidas mediante alienação fiduciária, o proprietário fiduciário ou credor poderá vender a coisa a terceiros, independentemente de leilão, hasta pública, avaliação prévia ou qualquer outra medida judicial ou extrajudicial, salvo disposição expressa em contrário prevista no contrato, devendo aplicar o preço da venda no pagamento de seu crédito e das despesas decorrentes e entregar ao devedor o saldo apurado, se houver. Há quem diga que, por ser um contrato de adesão, a mora é ex persona e não ex ré. Significa que o devedor deve ser notificado pessoalmente para que seja constituído em mora. No entanto, apesar da doutrina majoritária entender assim, o STJ entende que não é necessária a notificação pessoal do devedor, basta uma notificação com aviso de recebimento de outra pessoa. Art. 3º. O Proprietário Fiduciário ou credor, poderá requerer contra o devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado fiduciàriamente, a qual será concedida liminarmente, desde que comprovada a mora ou o inadimplemento do devedor. 1º. Cinco dias após executada a liminar mencionada no caput, consolidar-se-ão a propriedade e a posse plena e exclusiva do bem no patrimônio do credor fiduciário, cabendo às repartições competentes, quando for o caso, expedir novo certificado de registro de propriedade em nome do credor, ou de terceiro por ele indicado, livre do ônus da propriedade fiduciária. - 1

2 Cinco dias da execução da liminar = já pode ser vendido o bem Quinze dias da execução da liminar = prazo para contestar 6o Na sentença que decretar a improcedência da ação de busca e apreensão, o juiz condenará o credor fiduciário ao pagamento de multa, em favor do devedor fiduciante, equivalente a cinqüenta por cento do valor originalmente financiado, devidamente atualizado, caso o bem já tenha sido alienado. O art. 3º, 2º prevê que o devedor fiduciante poderá pagar a integralidade da dívida pendente, segundo os valores apresentados pelo credor fiduciário na inicial, hipótese na qual o bem lhe será restituído livre do ônus. Alguns autores entendem que não há mais purgação da mora, com fundamento na antiga redação do art. 3º, 1º., porém ainda na validade do referido artigo era possível sim a purgação da mora. 1. 3) Se se tratar de bem essencial não haverá a liminar de busca e apreensão e se for concedida a liminar, deve ser revogada entendimento do STJ. 1.4) É compatível a propositura de ação de busca e apreensão concomitantemente a ação monitória? STJ é inadmissível! REsp /SC 1.5) Teoria do adimplemento substancial: se houve o pagamento total do bem e o remanescente é referente à juros, e taxas etc. haverá a ação de busca e apreensão, mas não será concedida a liminar. Há quem entenda ser cabível ação monitória ou execução teoria adotada pelo STJ. 1.6) Conversão da ação de busca e apreensão em depósito. Art. 4 º Se o bem alienado fiduciariamente não for encontrado ou não se achar na posse do devedor, o credor poderá requerer a conversão do pedido de busca e apreensão, nos mesmos autos, em ação de depósito, na forma prevista no Capítulo II, do Título I, do Livro IV, do Código de Processo Civil. Justamente para reconhecimento de depositário infiel. Discussão quanto à possibilidade de prisão civil do depositário infiel artigo do professor. 1.7) Diferença entre a alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio. a) Alienação fiduciária é direito real de garantia, pode ser de bem móvel ou imóvel e o credor que ficará com a propriedade. - 2

3 b) Enquanto que a compra e venda com reserva de domínio (art. 521, CC) é cláusula especial de contrato de compra e venda, pode ser de bem móvel (para Silvio Venosa e Carlos Roberto Gonçalves pode ser imóvel também), a propriedade do bem fica com o vendedor. 1.8) Súmula 28, STJ. O contrato de alienação fiduciária em garantia pode ter por objeto bem que já integrava o patrimônio do devedor. 2) Contrato de franquia - Lei 8955/ ) Conceito de franquia empresarial Art. 2º - Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. a) Direitos cedidos - licença de uso de marca e patente - distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços - transferência de Know how b) Remuneração: -direta -indireta c) Sem vínculo empregatício entre franqueado e franqueador 2.2) Circular de oferta de franquia. Art. 3º Sempre que o franqueador tiver interesse na implantação de sistema de franquia empresarial, deverá fornecer ao interessado em tornar-se franqueado uma circular de oferta de franquia, por escrito e em linguagem clara e acessível, contendo obrigatoriamente as informações arroladas neste artigo terceiro. O art. 4º traz as disposições quanto à circular de oferta de franquia. Parágrafo único. Na hipótese do não cumprimento do disposto no caput deste artigo, o franqueado poderá argüir a anulabilidade do contrato e exigir devolução de todas as quantias que já houver pago ao franqueador ou a terceiros por ele indicados, a título de taxa de filiação e - 3

4 royalties, devidamente corrigidas, pela variação da remuneração básica dos depósitos de poupança mais perdas e danos. 2.3) Da averbação do contrato. Art. 6º O contrato de franquia deve ser sempre escrito e assinado na presença de 2 (duas) testemunhas e terá validade independentemente de ser levado a registro perante cartório ou órgão público. Observar que a lei de franquia é de 1994, mas a lei de propriedade industrial (lei 9.279/96), que lhe é posterior, em seu art. 211, traz a previsão da necessidade de averbação do contrato no INPI. 3) Representação Comercial Lei 4.886/65 Exerce Representação Comercial autônoma a pessoa física ou jurídica, sem relação de emprego, que desempenha em ca rater não eventual por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a relização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmití-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios. 3.1) Elementos do Contrato de representação Art. 27. Do contrato de representação comercial, além dos elementos comuns e outros a juízo dos interessados, constarão obrigatoriamente: a) condições e requisitos gerais da representação; b) indicação genérica ou específica dos produtos ou artigos objeto da representação; c) prazo certo ou indeterminado da representação d) indicação da zona ou zonas em que será exercida a representação; e) garantia ou não, parcial ou total, ou por certo prazo, da exclusividade de zona ou setor de zona; f) retribuição e época do pagamento, pelo exercício da representação, dependente da efetiva realização dos negócios, e recebimento, ou não, pelo representado, dos valôres respectivos; g) os casos em que se justifique a restrição de zona concedida com exclusividade; h) obrigações e responsabilidades das partes contratantes: i) exercício exclusivo ou não da representação a favor do representado; j) indenização devida ao representante pela rescisão do contrato fora dos casos previstos no art. 35, cujo montante não poderá ser inferior a 1/12 (um doze avos) do total da retribuição auferida durante o tempo em que exerceu a representação. - 4

5 2 O contrato com prazo determinado, uma vez prorrogado o prazo inicial, tácita ou expressamente, torna-se a prazo indeterminado. 3 Considera-se por prazo indeterminado todo contrato que suceder, dentro de seis meses, a outro contrato, com ou sem determinação de prazo. 3.2) Da exclusividade. Art. 31. Prevendo o contrato de representação a exclusividade de zona ou zonas, ou quando este for omisso, fará jus o representante à comissão pelos negócios aí realizados, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros. - Em caso de omissão no contrato, presume-se contrato de exclusividade. - Por isso é importante constar se haverá exclusividade de zona ou não. Art. 41. Ressalvada expressa vedação contratual, o representante comercial poderá exercer sua atividade para mais de uma empresa e empregá-la em outros mistéres ou ramos de negócios. - Pode fazer representação de outro representado se não constar cláusula de exclulsividade. 3.3) Da equiparação a relação de trabalho e preferência em juízo falimentar Art. 114, I, CF. Caso o representado tenha falência decretada, o representante comercial estará no rol dos direitos trabalhistas. 3.2) Rescisão. Art Na hipótese de contrato a prazo certo, a indenização corresponderá à importância equivalente à média mensal da retribuição auferida até a data da rescisão, multiplicada pela metade dos meses resultantes do prazo contratual. - se a rescisão for em razão de culpa do representante, não terá direito a indenização e o representado tem direito a compensação, pode reter o valor referente aos prejuízos por ele suportados. INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA RESTIFFE, Paulo Sérgio. Manual do novo Direito Comercial. Dialética. São Paulo

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