REFERENCIAÇÃO E MOBILIDADE DOS DOENTES: DESAFIOS FUTUROS

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1 REFERENCIAÇÃO E MOBILIDADE DOS DOENTES: DESAFIOS FUTUROS Cláudio Correia Novembro 2012

2 Contexto Global Globalização e mobilidade dos cidadãos cerca de dois biliões de pessoas viajaram em voos internacionais (WHO,2010) existiam 29 milhões de emigrantes a residir na UE, aproximadamente 5.8 % da população total (Eurostat) Crescimento do turismo short breack sénior

3 baixos preços das companhias aéreas low-cost aumento do turismo motivado pela necessidade e/ou vontade de realizar tratamentos médicos com fins curativos ou estéticos cidadãos ingleses procuraram cuidados de saúde no estrangeiro (NHS, 2008) busca de novas oportunidades de emprego

4 no contexto espicífico da União Europeia

5 Tratado de Roma (1957) (Comunidade Económica Europeia) 1957 Garante a proteção na doença a trabalhadores transfronteiriços (Regulamentos 1408/71 e 574/72) Tratado de Lisboa (2009) (União Europeia) 2009 Garante a proteção na doença a trabalhadores e seus agregados familiares e a qualquer cidadão europeu inscrito num sistema de segurança social (Regulamentos 883/2004 e 987/2009)

6 Tratados da União Europeia 1993 Tratado de Maastricht A ação da UE é reforçada: Na melhoria da saúde pública Na prevenção de doenças Na redução das causas de perigo para a saúde humana 1999 Tratado de Lisboa A Carta dos Direitos Fundamentais reconhece um conjunto de direitos pessoais, cívicos, políticos, económicos e sociais, incluindo a proteção na saúde, dos cidadãos e residentes na UE, incorporando-os no direito comunitário

7 1993 Mercado Único Quatro liberdades (livre circulação de cidadãos, serviços, mercadorias e capitais) 1995 Espaço Schengen Viajar sem controlo nas fronteiras 1997 Programa Erasmus Milhões de jovens começam a circular e a estudar na Europa 2004 Cartão Europeu Seguro de Doença Acesso a cuidados de saúde necessários noutro EM

8 DECISÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA EUROPEU os princípios da livre circulação são aplicáveis aos serviços de saúde, independentemente da forma como se encontram organizados e financiados no âmbito nacional a liberdade de circulação beneficia quer os doentes quer os prestadores dos cuidados de saúde

9 DECISÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA EUROPEU Os Estado-membros não podem exigir que se obtenha uma autorização prévia para cuidados de saúde não hospitalares noutros Estados-membros, uma vez que não colocam em causa a sustentabilidade financeira dos sistemas de saúde dos Estadosmembros Os cuidados de saúde hospitalares podem ficar sujeitos a autorização prévia, desde que comprovadamente se demonstre que podem ser disponibilizados num prazo clínico aceitável

10 DECISÕES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA EUROPEU A obrigação de reembolsar o custo do tratamento hospitalar prestado noutro EM aplica-se a um SNS que preste esse tratamento gratuitamente O SNS do UK não pode recusar a um doente autorização para receber tratamento no estrangeiro, devido ao tempo de espera pelo tratamento hospitalar no Estado de residência, a menos que possa demonstrar que o tempo de espera não excede um período medicamente aceitável tendo em conta a situação clínica concreta do doente

11 2006 Comissão da União Europeia Aprovou a Directiva relativa aos serviços do Mercado Interno, com exclusão dos serviços de saúde Aprovou a Directiva relativa ao reconhecimento das qualificações dos profissionais de saúde A Comissão Europeia lançou junto dos EM uma Comunicação sobre a ação comunitária em matéria de cuidados de saúde transfronteiriços (garantir segurança jurídica + clarificar o quadro legislativo comunitário)

12 Declaração de valores e princípios comuns aos sistema de saúde europeus Aplicação dos valores e princípios comuns aos sistemas de saúde da União Europeia Regras de segurança, normas de qualidade e acreditação Valores: Universalidade equidade solidariedade acesso a cuidados de saúde de qualidade Segurança do doente Princípios comuns: qualidade segurança cuidados baseados em dados rigorosos e na ética Princípios comuns: participação dos doentes acesso à justiça privacidade e confidencialidade Normas de qualidade Mecanismos de reparação

13

14 Qualidade dos cuidados Segurança do doente Normas e orientações Acreditação Cuidados de saúde hospitalares sujeitos a autorização prévia Cuidados de saúde não hospitalares sujeitos a regras de referenciação previstas no EM Pilares da Directiva Reembolso de cuidados de saúde até ao montante do valor previsto no sistema de saúde do EM de afiliação do doente Criação de pontos de contato nacionais no EM de tratamento Reconhecimento electrónico da receitas médicas Criação de uma redes de centros de referência europeia Definição de critérios para a criação de centros de referência em cada EM

15 COM A MOBILIDADE INTERNACIONAL DE DOENTES O SISTEMA DE SAÚDE PORTUGUÊS ENTRA EM CONCORRÊNCIA DIRECTA COM OS SISTEMAS DE SAÚDE DE OUTROS PAÍSES

16 ESTRATÉGIA NACIONAL PARA A QUALIDADE NA SAÚDE Despacho n.º 14223/2009 DR n.º 120 de 24/6/2009

17 A MELHORIA DA QUALIDADE DO SISTEMA DE SAÚDE TORNANDO-O MAIS COMPETITIVO E SUSTENTÁVEL OBRIGA MELHORIA DA QUALIDADE ORGANIZACIONAL MELHORIA DA QUALIDADE CLÍNICA AUMENTO DA SEGURANÇA DOS DOENTES RECONHECIMENTO PÚBLICO DA QUALIDADE INTERNACIONALIZAÇÃO DO SISTEMA DE SAÚDE

18 DESAFIOS Qualidade organizacional: 1. MELHORAR O ACESSO AO MÉDICO DE FAMÍLIA 2. REFORMULAR A REDE HOSPITALAR 3. REFORMULAR O SISTEMA DE REFERENCIAÇÃO 4. RESPONSABILIZAR AS LIDERANÇAS 5. PROCEDER À REENGENHARIA INTERNA DOS HOSPITAIS 6. CRIAR PROCESSOS ASSISTENCIAIS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO INTEGRADOS 7. GERIR DE FORMA INTEGRADA A DOENÇA CRÓNICA 8. PRODUZIR ECONOMIA DE ESCALA 9. CONCENTRAR COMPETÊNCIAS 10. CRIAR CENTROS DE TRATAMENTO E DE ELEVADA DIFERENCIAÇÃO 11. IDENTIFICAR CENTROS DE REFERÊNCIA 12. CRIAR MOVIMENTO SISTÉMICO PARA A MELHORIA CONTÍNUA DA QUALIDADE

19 DESAFIOS Qualidade clinica: 1. REDUZIR A VARIABILIDADE DA PRÁTICA CLÍNICA 2. TORNAR OBRIGATÓRIA A NORMALIZAÇÃO CLÍNICA RESPEITANDO A DECISÃO CLÍNICA INDIVIDUAL FUNDAMENTADA 3. AUMENTAR A CLÍNICA REFLEXIVA 4. CRIAR REDES DE GOVERNAÇÃO CLÍNICA 5. DISSEMINAR AUDITORIAS CLÍNICAS 6. ESTIMAR IMPACTES DE SAÚDE E FINANCEIROS 7. AVALIAR RESULTADOS 8. RESPONSABILIZAR AS DIREÇÕES CLÍNICAS

20 DESAFIOS Reconhecimento Público da Qualidade: Acreditação das unidades prestadoras de cuidados de saúde do Sistema Nacional de Saúde

21 CENTROS DE REFERÊNCIA Identificar, reconhecer e mapear centros de referência, especializados ou diferenciados de acordo com requisitos objetivos e explícitos, que permitam: a referenciação com base na hierarquia de competências e a sua articulação com as redes nacionais de referenciação hospitalar, com centros congéneres nacionais, europeus ou internacionais garantir Oferta de cuidados de saúde de elevada qualidade garantir a equidade no acesso; garantir a qualidade dos cuidados de saúde e a segurança do doente; garantir a optimização eficiente de recursos.

22 MUITO OBRIGADO

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