USO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRAFICA NA SAÚDE: ANÁLISE ESPACIAL DA LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA EM PRESIDENTE PRUDENTE SP, BRASIL

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1 USO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRAFICA NA SAÚDE: ANÁLISE ESPACIAL DA LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA EM PRESIDENTE PRUDENTE SP, BRASIL USE OF GEOGRAPHIC INFORMATION SYSTEMS IN HEALTH: SPATIAL ANALYSIS IN CANINE VISCERAL LEISHMANIASIS IN PRESIDENTE PRUDENTE SP, BRAZIL Patricia Sayuri Silvestre Matsumoto 1 Raul Borges Guimarães 2 1 Universidade Estadual Paulista (FCT/UNESP) Mestranda em Geografia pelo Programa de Pós Graduação em Geografia 2 Universidade Estadual Paulista (FCT/UNESP) Prof. Dr. do Departamento de Geografia RESUMO Os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) são ferramentas do geoprocessamento elementares para as análises em saúde. A partir do uso dos SIGs é possível se identificar padrões espaciais de acordo com a localização de doenças e organizar o planejamento e gestão em saúde. Nesse sentido, os SIGs são ferramentas importantes na análise espacial dos casos de Leishmaniose Visceral Canina (LVC) em Presidente Prudente SP, Brasil. A LVC é uma doença grave, causada por protozoários que infectam animais e homens, sendo transmitidas por vetores flebotomíneos, podendo ser fatal. Para humanos há tratamento, conforme preconiza o Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana, entretanto, para a população canina, quando notificados casos, recomenda-se a eutanásia. Desde 2010 a doença vem sendo notificada em cães do município, se expandindo para diferentes áreas. Sabendo disso, o objetivo deste trabalho foi mapear os casos de LVC e analisar a expansão do número de casos, identificando os padrões de localização da doença, na tentativa de minimização dos impactos e controle da enfermidade. Os dados foram mapeados no software ArcGIS 10.1 e, foi feita a interpretação de acordo com as atividades do Centro de Controle de Zoonoses de Presidente Prudente. Com a identificação de padrões espaciais da doença é possível realocar recursos, estabelecer medidas preventivas, as áreas de intervenção e o manejo ambiental e, de tal maneira, estabelecer o controle da doença. Palavras chaves: Sistemas de Informação Geográfica (SIG), Leishmaniose Visceral Canina (LVC), Análise Espacial, Saúde. ABSTRACT The Geographic Information Systems (GIS) are the basic geoprocessing tools for analysis in health. From the use of GIS is possible to identify spatial patterns according to location of disease and organize planning and health management. Accordingly, GIS are importants tools in spatial analysis of cases of Canine Visceral Leishmaniasis (LVC) in Presidente Prudente - SP, Brazil. The LVC is a serious disease caused by protozoa that infect animals and humans, being transmitted by sandfly vectors and can be fatal. For humans there are treatment, as recommended by the Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana, however, for the canine population, when reported cases, euthanasia is recommended. Since 2010 the disease has been reported in dogs from the municipality, expanding into different areas. Knowing this, the objective of this study was to map the cases of LVC and analyze the expansion number of cases, identifying the location patterns of the disease in an attempt to minimize the impacts and control of the disease. The data were mapped in ArcGIS 10.1 and there were interpretation according to the activities of the Presidente Prudente s Centro de Controle de Zoonoses. With the identification of spatial patterns of disease can reallocate resources, establish preventive measures, intervention areas and environmental management, and so, establish control of the disease. 1

2 Keywords: Geographic Information Systems (GIS), Canine Visceral Leishmaniasis (LVC), Spatial Analysis, Health. 1. INTRODUÇÃO Os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) são sistemas de informação construídos especialmente para armazenar, analisar e manipular dados geográficos, ou seja, dados que representam objetos e fenômenos em que a localização geográfica é uma característica inerente e indispensável para tratá-los (CÂMARA et al. 1996, p. 21). São sistemas diferenciados, capazes de unir um banco de dados a uma projeção cartográfica. Os dados, localizados a partir de levantamentos reais da superfície terrestre, são digitalizados, isto é, georreferenciados. Gatrell (2002) descreve os SIGs como um sistema de computador para colecionar, editar, interagir, visualizar e analisar espacialmente dados georeferenciados, compreendendo a localização associada a atributos. São ferramentas do geoprocessamento que permitem integrar ao mesmo tempo um banco de dados e desenhos geométricos, contendo inúmeros atributos. Diferenciam-se de outros sistemas porque são capazes de elucidar a informação espacial, unindo bases e produtos cartográficos georreferenciados às informações cadastrais, possibilitando acessar os dados no banco de dados e obter a informação espacial na layer, ou contraditoriamente, selecionar as formas geométricas na tela de visualização e obter a informação no banco de dados, produzindo mapas conforme a seleção das variáveis. Os SIGs são sistemas interdisciplinares, contendo estudos relacionados a inúmeras ciências das áreas Humanas, Exatas e Biológicas, tais como para geógrafos, estatísticos, arquitetos, geólogos, engenheiros, assistentes sociais, biólogos, sociólogos e diversos outros ramos de pesquisas, fornecendo importantes informações para serviços públicos, indústria e comércio, mineração, comunicações, logística, agricultura, marketing, meio-ambiente, economia, entre outros. Nesse sentido, com os SIGs, a cartografia médica e a saúde deixam de ser um simples método de registro para transformar-se, também, em um instrumento de pesquisa do mais alto interesse, possibilitando consultas a atributos espaciais, fornecendo importantes subsídios para a prevenção e o controle de doenças, através da informação espacial. O que mais comumente se tem feito é o estudo da distribuição geográfica das doenças, quanto a sua maior ou menor incidência, definindo zonas de alta endemicidade, de baixa endemicidade e casos esporádicos ou isolados. Contudo, as pesquisas que se utilizam de SIGs podem extrapolar a distribuição, correlacionando outras variáveis do banco de dados, se utilizando de cruzamentos de variáveis ambientais, sociais e econômicas. As análises dos SIGs podem viabilizar a tomada de decisões e garantir um planejamento estratégico para a alocação de recursos e a implantação de medidas de minimização dos impactos e controle da doença. Estes sistemas podem ser usados rotineiramente para gerar atividades de mapeamento, delinear a presença/ausência de vetores e reservatórios, bem como a distribuição e disseminação de casos da doença, permitindo uma comparação com experiências anteriores e as mudanças que vêm ocorrendo nos padrões pré-estabelecidos. Quando os SIGs são aplicados às questões de saúde, permitem o mapeamento de doenças, a avaliação de riscos, o planejamento de ações de saúde e a avaliação de redes de atenção (SANTOS, BARCELLOS, 2006, p. 47). O trabalho da vigilância em saúde produz informações sobre as variáveis saúde, sociedade e ambiente (SANTOS; SANTOS, 2007), e isso pode ser feito através dos SIGs, que automatizam operações e facilitam suas análises, apontando condicionantes e possíveis soluções através da geração de mapas e suas interpretações. As análises espaciais permitem a identificação de populações de risco e fornecem pistas para desvendar condicionantes e o modo de transmissão das doenças. Também podem indicar os locais de maiores concentrações de determinado fenômeno, em quais residências as pessoas têm maior risco de contrair doenças e em quais regiões a estas se desenvolvem mais intensamente, produzindo uma Geografia da saúde. De acordo com a seleção das variáveis do banco de dados ter-se-ão diferentes respostas devido às unidades de análise escolhidas, possibilitando a manipulação do banco de dados de interesse para a análise da saúde, com a geração de produtos cartográficos de variáveis individuais ou com o cruzamento de inúmeras delas. Uma das principais aplicações dos SIGs na Epidemiologia é facilitar a identificação de áreas geográficas e grupos de populações que apresentem maior risco e que, portanto, precisam de maior atenção, seja preventiva, curativa ou de promoção da saúde. A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença grave, causada por protozoários, leishmânias, que são transmitidas por mosquitos flebotomíneos aos animais e homens, podendo ser fatal. É uma doença grave que tem acometido milhares de pessoas no mundo. Segundo a Organização Mundial da Sáude (2013), mais de 98 países e territórios são endêmicos e estima-se que cerca de 0,2 a 0,4 milhões de novos casos ocorrem a cada ano em todo o mundo (WHO, 2013). No Brasil, a LV está registrada em 19 das 27 Unidades da Federação, com aproximadamente municípios apresentando transmissão autóctone (BRASIL, 2013). Dentre os animais mais acometidos pela doença estão os cães domésticos, representando importante fonte de infecção e transmissão da enfermidade. 2

3 Segundo o Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana, a doença deve ser tratada quando ocorrem notificações humanas, entretanto, em cães o procedimento recomendado é a eutanásia (BRASIL, 2013), já que não existem medicamentos com eficiência científica comprovada. Em Presidente Prudente, a doença se iniciou entre a população canina no ano de 2010 e, desde então, vem modificando o número de casos e se expandindo para novas áreas. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho foi mapear os casos de LVC e identificar a expansão e deslocamentos dos casos da doença, a fim de identificar padrões de localização, na tentativa de minimização dos impactos e controle da enfermidade. Com a identificação de padrões espaciais da doença é possível realocar recursos, estabelecer medidas preventivas, áreas de intervenção e manejo ambiental e, assim, estabelecer melhor controle da doença. 2. METODOLOGIA Para o desenvolvimento desta pesquisa foi elaborado um banco de dados georreferenciado nos Sistemas de Informação Geográfica, contendo os casos de Leishmaniose Visceral Canina (LVC) distribuídos por ano no município de Presidente Prudente, no período de 2010 a Os casos de LVC são registros do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Presidente Prudente. O CCZ realiza o inquérito sorológico canino e o cadastramento dos cães, para identificar os casos reagentes da LVC e controlar a situação da enfermidade no município. O software utilizado para manipulação dos dados foi o Excel 2010 e o SIG ArcGIS Foi construída uma planilha contendo os dados cadastrais e, posteriormente, estes dados foram migrados para o SIG ArcGIS, para a construção de um banco de dados contendo as informações espaciais. Os dados foram geocofidicados pela ferramenta geocodificação de endereços, que faz uma comparação entre uma lista padrão de endereços e a tabela dos dados que se quer georreferenciar. Os dados então foram localizados e identificados espacialmente. A partir da espacialização dos dados e de uma interpretação dos mesmos, pode-se retirar alguns resultados como pressupostos e condicionantes da LVC. 3. RESULTADOS Conforme demonstra a Fig.1, A Leishmaniose Visceral Canina se iniciou em Presidente Prudente em 2010 e, desde então, vem se expandindo para novas áreas e modificando a concentração e frequência do número de casos. No ano de 2011, verifica-se a concentração de alguns casos em determinadas áreas, por exemplo, na área seis e cinco do município. Já em 2012, verifica-se comportamento um pouco diferenciado, pois, apesar da grande quantidade do número de casos de LVC (Gráfico 1), os mesmos apresentam-se espacialmente aleatórios no município, atingindo todas as áreas da vigilância epidemiológica municipal. Em 2013 o número de casos é reduzido. Não obstante, verifica-se pequenas concentrações de notificações onde antes não havia, por exemplo, ao sul da área quatro. 2

4 Fig. 1 Evolução dos casos de LVC em Presidente Prudente, no período de 2010 a Gráfico 1: Evolução do número de casos de LVC em Presidente Prudente, de 2010 a Os dados demonstram que a doença vem se expandindo no município seguindo uma apropriação desigual dos espaços conforme os anos. Supõe-se que isso pode estar associado às tentativas de intervenção e controle realizado pelo serviço de inquérito sorológico do Centro de Controle de Zoonoses de Presidente Prudente e o seguimento do Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana, na prática de eutanásia de cães para controle da enfermidade. A doença segue seu curso natural, vai se expandindo para novas áreas, mas as medidas tomadas pelo CCZ, segundo o Program, modificam espacialmente a ocorrência dos casos de LVC no município. Assim, as atividades do CCZ têm demonstrado a tentativa de controle da LVC no município. 4. CONCLUSÃO As ferramentas dos Sistemas de Informação Geográfica são um poderoso instrumento a serviço da pesquisa em saúde, pois permitem planejar medidas de intervenção junto a fontes indicadoras, que identificam locais críticos e auxiliam no controle de doenças. Os SIGs podem servir de instrumentos colocados serviço do CCZ de Presidente Prudente para planejar as atividades de inquérito sorológico e controlar a enfermidade. 3

5 AGRADECIMENTOS Agradeço ao Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo financiamento desta pesquisa e ao Centro de Controle de Zoonoses de Presidente Prudente (CCZ) pelo fornecimento dos dados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual de vigilância e controle da leishmaniose visceral. 1 ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, CÂMARA, G. et al. Anatomia de Sistema de Informações Geográficas. Instituto de Computação. Campinas: UNICAMP, p. GATRELL, A. C. Geographies of Health: An Introduction. Blackwell Publishers. Oxford, UK, SANTOS, S. M.; BARCELLOS, C. Abordagens Espaciais na Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde, p. SANTOS, S. M.; SANTOS, R. S. (Org.). Sistemas de Informações Geográficas e Análise Espacial na Saúde Pública. Brasília: Ministério da saúde, p. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO Disponível em <http://www.who.int/gho/neglected_diseases/leishmaniasis/en/index.html#>. Acesso em 28 de jan. de

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