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1 P.º R. P. 113/2005 DSJ-CT: Renovação de registo provisório de aquisição lavrado com base em contrato-promessa de alienação. Documento comprovativo do consentimento das partes. Declarações complementares da intenção de vender e dos elementos essenciais do negócio jurídico prestadas pela proprietária. Parecer A coberto da ap.21/ foi lavrado na Conservatória do Registo Predial de o registo de aquisição do prédio nº 1030/ , da freguesia de, o qual, por ter sido pedido antes de titulado o contrato e instruído com contrato de promessa de compra e venda, foi qualificado como provisório por natureza, nos termos do nº1, al. g), e do nº4, do artigo 92º do Código do Registo Predial. Considerando o prazo de vigência do registo e o facto de ter sido fixado como termo certo para a realização do contrato prometido o dia 31 de Dezembro de 2005, foi pedida pela ap.36/ a renovação daquele registo provisório, juntando-se para o efeito a requisição de registo de modelo próprio Mod. A -, onde também se fez constar, em declarações complementares, o propósito de venda por parte da titular definitivamente inscrita CAC e, bem assim, uma súmula dos elementos essenciais do negócio jurídico, designadamente o objecto, os sujeitos e o preço. O pedido de renovação de registo, contendo a referida declaração complementar, a assinatura notarialmente reconhecida de FVCS, na qualidade de procurador da promitente vendedora e de gerente, com poderes para o acto, da sociedade promitente compradora, e a assinatura da Sra. advogada, A, apresentante e ora recorrente, veio, no entanto, a ser recusado por não ter sido comprovado o consentimento expresso das partes para a renovação; Inconformada, a apresentante interpõe reclamação da decisão de recusa e, em requerimento dirigido ao Sr. Conservador, vem aduzir, em síntese, que não foram produzidas quaisquer declarações complementares e que o consentimento das partes, além de estar patenteado pela data acordada para a realização do contrato prometido, se infere do próprio reconhecimento notarial da assinatura aposto no impresso-requisição. 1

2 Esta reclamação foi aproveitada como processo de recurso hierárquico 1, tendo sido proferido despacho de sustentação no qual se desenvolvem e aperfeiçoam os fundamentos da recusa. Vistas as posições em confronto, como não há questões prejudiciais que obstem à apreciação do mérito do recurso, cumpre emitir parecer. Fundamentação 1 As questões suscitadas nos autos são as seguintes: a) Saber, por um lado, se o pedido de renovação, elaborado no impresso próprio e assinado por representante das partes no contrato de promessa de compra e venda constitui documento comprovativo do consentimento das partes para efeitos do disposto no nº4 do artigo 92º do Código do Registo Predial; b) Apurar se a declaração de intenção da venda e a menção dos elementos essenciais do negócio jurídico apostas no verso da requisição pela promitente vendedora, representada no acto por procurador bastante, implicam contradição ou desarmonia com o pedido de renovação do registo em termos que inculquem dúvidas sobre a vontade da declarante. 2- Começamos pelo título bastante para a renovação do registo de aquisição, instruído com contrato de promessa de compra e venda e lavrado antes de titulado o contrato, vendo o que sobre a matéria dispõe o Código do Registo Predial. 3- Diz o nº4 do artigo 92º do Código do Registo Predial, na redacção dada pelo Decreto-Lei nº 533/99, de 11 de Dezembro, que a inscrição de aquisição antes de titulado o contrato, quando baseada em contrato-promessa de alienação, é renovável por períodos de seis meses e até um ano após o termo do prazo fixado para a celebração do contrato prometido, com base em documento que comprove o consentimento das partes; 4- Assim, onde antes se exigia para a renovação do registo a prova da subsistência da razão da provisoriedade ou, seja, a afirmação expressa pelas partes de que o contrato prometido se encontrava por realizar, agora basta-se a lei com documento comprovativo da vontade 1 Cfr. a este propósito o parecer proferido no Proc. 84/2000 Out

3 das partes em renovar o registo contanto se verifique o pressuposto temporal legalmente fixado. 5- Não fazendo a lei outras exigências, quer em termos de conteúdo, quer em termos de forma, importará, então, apurar se o simples pedido de renovação da inscrição, apresentado por advogado, nos termos do disposto no artigo 39º do Código do Registo Predial, e assinado pelo representante de ambas as partes promitente-vendedor e promitente-comprador constitui prova bastante do consentimento das partes para a renovação e, por isso, título para a renovação. 6- Apesar da dificuldade, comummente apontada, na classificação de alguns factos jurídicos, arriscaríamos dizer que o consentimento a que alude o nº4 do artigo 92º do Código do Registo Predial, pode integrar a categoria de simples acto jurídico e, dentro desta, a de um quase-negócio jurídico, pois, conquanto se trate de um facto voluntário cujos efeitos se produzem ex lege, é sempre necessária uma manifestação exterior da vontade das partes Ora, é precisamente por estar em causa um comportamento declarativo das partes que envolve uma consciência e até uma intenção de relevância jurídica da vontade exteriorizada, que justificada se demonstra também, quanto a nós, a aplicação ao consentimento previsto no nº4 do artigo 92º do Código do Registo Predial dos meios admitidos para a declaração negocial -artigo 217º do Código Civil - e, bem assim, das regras de interpretação fixadas nos artigos 236º a 238º do Código Civil cfr. o artigo 295º do Código Civil. 8- Donde, o pedido de renovação feito no impresso próprio e subscrito pela apresentante, advogada com poderes de representação presumidos, e pelas partes, representadas pela mesma pessoa singular, com assinatura, qualidade e poderes notarialmente reconhecidas, não pode deixar de constituir a manifestação formal do consentimento para a renovação pois nele se expressa, afinal, por escrito e de modo directo e concludente a vontade em renovar o registo. 2 Cfr. Teoria Geral do Direito Civil, Carlos Alberto da Mota Pinto, 4ª edição por António Pinto Monteiro e Paulo Mota Pinto, pág.355 a

4 9- Quanto à declaração complementar aposta no verso da requisição e que antecede as assinaturas do representante das partes e da apresentante, ora recorrente, não detectamos a contradição ou falta de correspondência com o pedido apontada pelo recorrido na fase de sustentação da recusa. 10- Com efeito, não nos parece que a declaração de intenção de venda e a menção dos elementos essenciais do negócio jurídico a titular sejam de molde a obscurecer ou a tornar equívoca a vontade em renovar o registo, antes se nos afigura mais razoável atribuir-lhe o sentido e alcance de demonstração perante o conservador de que se pretende alargar o prazo de vigência do registo provisório, em conformidade como o pedido efectuado, porque subsiste o propósito de realizar o contrato prometido. 11- Assim como não nos parece objectivamente relevante a impressão de que, ao elaborar a referida declaração complementar, a promitente vendedora pudesse ter querido promover um novo registo provisório, nos termos da al.g) do nº1 do artigo 92º do Código do Registo Predial, ao invés de pretender renovar o prazo do registo já existente com o mesmo conteúdo, até porque os termos do pedido - renovação do registo a que se refere a ap.21de , o suporte utilizado -modelo A e a intervenção da promitente compradora, aliás representada pelo procurador da promitente vendedora, tornariam, desde logo, ininteligível a vontade exteriorizada 3. 3 Como refere Heinrich Ewald Hörster em A Parte Geral do Código Civil Português, na declaração tácita o comportamento declarativo não aparece como visando directamente de uma maneira frontal a exteriorização da vontade que se considera declarada dessa forma cfr. o artigo 217º do Código Civil. Mas como justamente observa o mesmo autor, para captar o sentido que o declarante quis dar, o nº1 do artigo 236º do Código Civil estabelece como regra aquele que seria apreendido por um declaratário normal colocado na posição do declaratário real, mas esta normalidade, que a lei toma como padrão, exprime-se não só na capacidade para entender o texto ou conteúdo da declaração, mas também na diligência para recolher todos os elementos que, coadjuvando a declaração, auxiliem a descoberta da vontade real do declarante. 4

5 Por todo o exposto, somos de parecer que o recurso merece provimento, formulando-se as seguintes C O N C L U S Õ E S I A inscrição de aquisição antes de titulado o contrato, quando baseada em contrato-promessa de alienação, pode ser renovada por períodos de 6 meses e até um ano após o termo fixado para a celebração do contrato prometido, com base em documento que comprove o consentimento das partes, como decorre do disposto no nº4 do artigo 92º do Código do Registo Predial. II O pedido de renovação do registo, formulado no impresso próprio e assinado pelas partes, é suficiente para expressar a vontade ou consentimento para a renovação. III A declaração complementar ao pedido de registo na qual se manifesta a intenção de vender e se indicam os elementos essenciais do negócio jurídico não põe em causa o pedido de renovação, antes o reforça porquanto da mesma se deduz, com toda a probabilidade, o consentimento a que se refere o nº4 do artigo 92º do Código do Registo Predial. Este parecer foi homologado por despacho do Director-Geral de 22/12/

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