EPB0733 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NAS ÁREAS DE APP DA SUB- BACIA DO RIBEIRÃO DA PEDRA NEGRA, TAUBATÉ/SP, POR MEIO DE GEOTECNOLOGIAS

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1 XV Encontro de Iniciação Científica XI Mostra de Pós-graduação V Seminário de Extensão II Seminário de Docência Universitária 18 a 22 de outubro de 2010 DESAFIOS DO SABER PARA UMA NOVA SOCIEDADE EPB0733 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NAS ÁREAS DE APP DA SUB- BACIA DO RIBEIRÃO DA PEDRA NEGRA, TAUBATÉ/SP, POR MEIO DE GEOTECNOLOGIAS NEYRIANNE D ANGELIS RODRIGUES ALAN MIRANDA FERREIRA DOS SANTOS MARCELO DOS SANTOS TARGA AGRONOMIA INTEGRAL UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ORIENTADOR(A) GETULIO TEIXEIRA BATISTA UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ

2 Uso e ocupação do solo nas áreas de APP da sub-bacia do ribeirão da Pedra Negra, Taubaté/SP, por meio de geotecnologias Neyrianne d Angelis Rodrigues 1 ; Alan Miranda Ferreira Santos 1 ; Getulio Teixeira Batista 2 ; Marcelo dos Santos Targa 2 1 Aluno(a) de Graduação da UNITAU, Departamento de Ciências Agrárias da Universidade de Taubaté. Estrada Mun. Dr. José Luiz Cembranelli, 5.000, Taubaté, SP, Brasil. {neyriannerodrigues; 2 UNITAU, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais. Estrada Mun. Dr. José Luiz Cembranelli, 5.000, Taubaté, SP, Brasil. 1. INTRODUÇÃO O desenvolvimento de geotecnologias que permitem o processamento de dados cartográficos (e.g. hidrografia) integrados a dados provenientes de sensores orbitais (e.g. imagens de satéltites) facilitou o estudo detalhado de micro bacias hidrográficas. O uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) para classificação e avaliação de bacias hidrográficas é de suma importância, pois em geral possuem ferramentas como o Modelo Digital do Terreno (MDT) que possibilitam a obtenção de parâmetros como limite da bacia, elevações e características das encostas, os quais podem ser combinados com outras informações, como mapa geológico e de solos, para derivar mapas temáticos úteis no planejamento do manejo adequado das micro bacias (SHENG et al.,1997). Um aspecto importante na caracterização de micro bacias é o mapeamento das APPs previstas no Código Florestal (Lei 4.771/65). As APPs foram criadas com o objetivo de proteger o ambiente natural visando o benefício público. Entretanto, a delimitação dessas APPs é muito complexa devido à falta de clareza das definições dos parâmetros previstos na legislação, em especial na Lei Federal 4.771/1965 e na Resolução CONAMA 303/2002 (CATELANI, et al. 2009). Por lei, essas áreas devem ser preservadas e deveriam estar cobertas com vegetação natural (CATELANI e BATISTA, 2007). De acordo com Costa et al. (1996),

3 a cobertura vegetal nessas áreas atenua o escoamento superficial, aumenta a infiltração e consequentemente diminui os efeitos erosivos e a lixiviação dos solos. Nos últimos anos, o Rio Una tem provocado cheias e problemas de inundação devido ao assoreamento de sua calha em áreas rurais e urbanas, interferido com o tráfego de rodovias federal (Rodovia Presidente Dutra), estadual e municipais, principalmente, em seu trecho médio e baixo. Esses problemas muitas vezes, têm origem na cabeceira da bacia que pela altitude tem potencial para promover o rápido escoamento superficial, processos erosivos e inundações, o que configura um cenário de aumento significativo de situações de risco para um futuro próximo (TARGA, 2009). Para subsidiar estudos para a gestão e manejo dessas áreas de cabeceira do Una. esse trabalho teve como objetivo a caracterização do meio físico da sub-bacia do ribeirão da Pedra Negra no município de Taubaté, SP. 2. MATERIAL E MÉTODO O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Geoprocessamento da UNITAU (LAGEO), com base em ferramentas do aplicativo SPRING, utilizando dados processados em um trabalho desenvolvido no Departamento de Ciências Agrárias da UNITAU, conhecido como ''Projeto Una" (BATISTA et al., 2002). Dentro do banco de dados desse projeto existem dados ambientais georreferenciados sobre o meio físico, uso da terra e dos recursos hídricos na bacia hidrográfica do rio Una que é formada por sete contribuintes, dos qual o Ribeirão da Pedra Negra é afluente da sub-bacia do rio Rocinha, afluente e formador do rio Una. O trabalho de campo foi realizado no dia 21/08/2010 e possibilitou o registro de fotografias da área da sub-bacia para verificação das características ambientais dessa sub-bacia. No aplicativo SPRING foi examinado o banco de dados geográficos da bacia do Una e identificada a área da sub-bacia do ribeirão da Pedra Negra e, a seguir, criou-se um banco de dados contendo as informações referentes somente a essa sub-bacia, utilizando-se a projeção UTM e modelo da Terra SAD69, zona 23. Para o tratamento e análise de dados utilizaram-se ferramentas do SPRING, como edição vetorial para a delimitação da sub-bacia, medidas de classe para se estimar as áreas de uso e cobertura do solo. Foi também recortado o mapa de declividade baseado na informação plano-altimétrica das cartas do IGC, com curvas de nível a cada 5 m para uma análise do releva dessa sub-bacia.

4 De forma similar, foi feito o recorte das Áreas de Preservação Permanente, as APPs delimitadas a partir dos dados digitalizados da base cartográfica em escala 1: e com base na Lei Federal nº , de 1965 e na Resolução CONAMA nº 303, de 2002 conforme a metodologia descrita por Catelani e Batista (2007) e Oliveira et al. (2006). Posteriormente, foram cruzados os mapas de APP com o de Uso da Terra, usando a função Tabulação Cruzada do SPRING para se verificar o uso de cada classe de APP. 3. RESULTADOS E DISCUSÃO Os mapas de APPs e de Uso do Solo, usando o aplicativo SPRING, podem ser observados nas Figuras 1 e 2, respectivamente. Figura 1. Mapa temático das Áreas de Preservação Permanente da sub-bacia da Pedra Negra e gráfico com tabela com a área, em hectares, das classes de APPs da sub bacia da Pedra Negra.

5 Figura 2. Mapa temático da cobertura do solo e gráficocom tabela ilustrando as áreas, em hectares, das classes de uso do solo da sub bacia da Pedra Negra. A superposição dos dados temáticos permitiu a análise do uso do solo nas áreas das diferentes classes de APP (Tabela 1). A tabela 1 mostra o resultado desta sobreposição de dados onde é possível analisar o uso do solo nas classes de APP. Tabela1. Cruzamento entre os planos de informação de uso e cobertura do solo e área de APP, em ha. Classe de Uso Declividade >45 Área de Preservação Permanente - (APP) Lago, Rio Topo de Lagoa e Nascente Margem Morro Represa Simples Rios ate_10m Mata Capoeira 0,13 0,81 17,55 86,47 147,37 0,00 Agricultura 0,00 1,21 1,22 3,45 5,73 0,00 Pasto 0,32 5,05 52,53 228,47 638,06 4,17 Reflorestamento 0,00 0,00 0,86 2,77 27,31 0,00 Solo Exposto 0,00 0,00 0,49 3,40 5,49 0,00 Área Degradada 0,00 0,00 0,00 0,00 0,15 0,00 Área Urbanizada 0,00 0,00 0,03 4,22 0,03 0,00 Pasto Sujo 0,01 0,65 8,61 25,25 101,64 0,00 Pasto Degradado 0,00 0,00 2,47 2,70 23,95 0,00 Corpos d água 0,00 0,13 0,00 1,95 0,51 0,11 Área Minerada 0,00 0,00 0,59 4,70 9,43 0,00 Para se ter uma visão do uso de cada classe de APP, foi gerada a Figura 3. É evidente a dominância de pastos nas APP. Na APP de margens, praticamente só tem

6 pasto, quando se esperava a cobertura florestal, vegetação primitiva da região. Similarmente, a pastagem predominam em todas as classes de APP, incluinda a classe de APP de topo de morro. Figura 3. Visualização das classes de uso que ocorrem nas diversas classes de APP. De acordo com os dados da tabulação cruzada (Figura 3) observou-se que as áreas de pasto dentro da APP, de uma forma geral, são predominantes, contrariando o que preconiza o Código Florestal (BRASIL, 1965) e ocorre o predomínio dessas áreas de pasto em APPs de topo de morro. 4. CONCLUSÃO O trabalho foi realizado de forma prática e eficiente devido ao uso da tecnologia de SIG por meio do aplicativo SPRING. Esse trabalho mostrou que na sub-bacia do ribeirão da Pedra Negra, as áreas de pasto dentro da APP, de uma forma geral, são predominantes, contrariando o que preconiza o Código Florestal (BRASIL, 1965) e ele predomina em todas as classes de APP, incluindo a classe de topo de morro. Conclui-se portanto, que do ponto de vista ambiental-legal, essa sub-bacia precisa ser recuperada. 5. BIBLIOGRAFIA BATISTA, G. T.; TARGA, M. S.; FIDALGO, E. C. C. Banco de Dados Ambientais da Bacia do Rio Una Bacia do Rio Paraíba do Sul. Repositório Eletrônico Ciências Ambientais, Coleção Recursos Hídricos, UNITAU. Disponível em: <http://hdl.handle.net/2315/51>. Acesso outubro de p. BRASIL. Decreto-lei nº 4.771, de 15 de setembro de Institui o Novo Código Florestal Brasileiro e dá outras providencias. DOU de 16 de setembro de Brasília DF

7 BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 303, de 20 de março de Dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente. DOU de 13 de maio de Brasília DF, CATELANI, C. de S.; BATISTA, G.T. Mapeamento das Áreas de Preservação Permanente do município de Santo Antonio do Pinhal, SP: um subsídio à preservação ambiental. Revista Ambi-Água, v. 2, n. 1, p , CATELANI, C. de S.; BATISTA, G.T., REIS, B.J., DIAS. N.W. Distância proporcional entre a rede de drenagem e os divisores de águas, uma contribuição técnica alternativa à delimitação de APPs de Topo-de-Morro. Anais II Seminário de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul: Recuperação de Áreas Degradadas Serviços Ambientais e Sustentabilidade, Taubaté, Brasil, dezembro 2009, IPABHi, p OLIVEIRA, I. S.; BATISTA, G. T.; CATELANI, C. S. Minicurso de Área de Preservação Permanente (APP). In: Material didático utilizado no minicurso sobre APP ministrado no Encontro Água & Floresta: O Estado da Arte em Educação Ambiental, realizado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA/SP) e Universidade de Taubaté, 7-9 de novembro de 2006, Taubaté, SP. Disponível em: Acesso em: 13 Set SHENG, T. C.; BARRETT, R. E.; MITCHELL, T. R. Using geographic information systems for watershed classification and rating in developing countries. Journal of Soil and Water Conservation, v.52, n.2, p.84-89,1997. TARGA, M. S. Estudo Hidrológico da Bacia do Rio Una: Subsídios para estabelecimento de planos de macrodrenagem no Vale do Paraíba do Sul - SP. Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais UNITAU. Taubaté, SP. p VILLELA, S. M.; MATTOS, A. Hidrologia aplicada. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, p. 4843

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