GIRASSOL EM SAFRINHA NO CERRADO DO DISTRITO FEDERAL: DESEMPENHO DE GENÓTIPOS EM

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1 GIRASSOL EM SAFRINHA NO CERRADO DO DISTRITO FEDERAL: DESEMPENHO DE GENÓTIPOS EM 2006 Vitor Carlos Pereira 1, Renato Fernando Amabile 2, Cláudio Guilherme Portela de Carvalho 3, Fernanda de Sousa Barbosa 1, Walter Quadros Ribeiro Junior 4, ( 1 Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Brasília, DF 2 Embrapa Cerrados, BR 020, Km 18, Caixa Postal 08233, CEP Planaltina, DF. 3 Embrapa Soja, Caixa Postal 231 CEP Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, CEP Passo Fundo, RS) Termos para indexação: Girassol, Helianthus annuus, Cerrado, safrinha. Introdução A cultura do Girassol demonstra um grande potencial de expansão no Brasil, isso se deve a diversidade de aplicações em diferentes áreas como produção de ração, silagem, óleo para consumo humano, floricultura, alimentação animal, alem de ser uma excelente alternativa de matéria-prima para a produção de biodiesel. Junto a essa expansão, cresce há necessidade de conhecimentos e aprimoramentos técnico-científicos capazes de contribuir e viabilizar a implantação da cultura. O cerrado, região grande produtora de grãos, tem se mostrado um ambiente propicio a introdução do girassol como forma de rotação de culturas durante o período de safrinha. No Cerrado, a cultura já é responsável por 25 % da produção de grãos brasileira (Embrapa Cerrados, 2002). O girassol é uma cultura que se adapta bem a diversos ambientes (Robinson, 1978), podendo tolerar temperaturas baixas e períodos de estresse hídrico. É considerado também uma espécie insensível ao fotoperiodo, podendo ser cultivado em diversos pontos do território nacional. A avaliação do girassol no Cerrado objetiva adequar de forma harmônica, a cultura aos diferentes sistemas de produção tradicionais, melhorando assim suas características agronômicas tornando-o mais competitivo e, conseqüentemente, mais atrativo ao produtor. Material e Métodos Os ensaios foram conduzidos a partir do dia 27 de março de 2006, em campo experimental da Embrapa Cerrados, em Planaltina-DF, situada a 15º27 10 latitude S, 47º36 51 longitude W e a

2 altitude de m. O solo foi classificado como LATOSSOLO VERMELHO Distrófico típico, argiloso, cuja análise na profundidade de 0 a 10 cm resultou em: 0,9 mmol c.dm -3 de Al; 29,4 mmol c.dm -3 de Ca; 4,8 mmol c.dm -3 de Mg; 18,62 mg.kg -1 de P; 3,0 mmol c.dm -3 de K; 27 g.kg -1 de M.O. e ph (água) de 5,54. Na faixa de 10 a 20 cm mostrou: 0,7 mmol c.dm -3 de Al; 28 mmol c.dm -3 de Ca; 4,7 mmol c.dm -3 de Mg; 20,99 mg.kg -1 de P; 2,3 mmol c.dm -3 de K; 23,1 g.kg -1 de M.O. e ph (água) de 5,56. Foi realizada a adubação com 400 kg.ha -1 da formulação e duas adubações de cobertura com 25 kg.ha -1 de nitrogênio. O delineamento experimental usado foi o de blocos ao acaso com três repetições e as médias dos tratamentos foram comparadas através do teste de Duncan a 5 %. Foram testados 15 materiais genéticos: M 734, AGROBEL 960, EMBRAPA 122, HELIO 360, HELIO 362, HELIO 253, MG 52, V 20044, V 20038, VDH 487, EXP 1441, NUTRISSOL, BRHT 01, BRHT 09 e TROPISSOL 262. Foram avaliados, neste ensaio, as variáveis rendimento (kg.ha -1 ), peso de mil aquênios (g), altura de planta (cm), diâmetro do capitulo (cm) e teor de óleo no grãos (%). O rendimento de oleo foi obtido do produto entre o rendimento de grãos e o teor de oleo. A análise foi realizada por intermédio da aplicação do teste F e da comparação entre as diferenças através do teste de Tukey a 5% de significância. Resultados e Discussão O rendimento de grãos é uma característica resultante de diferentes componentes. Segundo Tyagi (1985) e Alvarez et al.(1992), existe uma correlação positiva entre rendimento de grãos e numero de grãos por capitulo. Os materiais avaliados quanto ao rendimento de grãos, de maneira geral, se mostraram muito variáveis. Dentre os 15 genótipos avaliados, o que apresentou melhor rendimento de grãos foi o material BRHT 01, com 4.571,0 kg.ha -1, entretanto não diferindo estatisticamente da testemunha M 743, nem do material HELIO 362. Genótipos como o HELIO 360, a EMBRAPA 122 e o EXP 1441 obtiveram os mais baixos resultados, obtendo rendimentos inferiores a kg.ha -1, contudo bem superior a média nacional de 1.482,0 kg.ha -1 (FAOSTAT, 2008). Observou-se um incremento no rendimento da testemunha AGROBEL 960 (4.000 kg.ha -1 ) quando comparado ao ensaio de 2002 em safrinha que apresentou rendimento de kg.ha -1 (Amabile et al., 2003). Esta variabilidade

3 dos resultados indica a interferência ambiental sobre esses genótipos, evidenciando a necessidade de avaliá-los repetitivamente. O teor de óleo e seu rendimento podem ser considerados variáveis de grande importância para a cultura do girassol, essa importância se deve a utilização desse produto tanto na alimentação humana quanto na produção de energia. Neste ensaio, o teor variou de 51,8 % para a variedade VDH 487 a 40,5% para a cultivar M 734. Entretanto, esse resultado foi estatisticamente semelhante ao das variedades Embrapa 122, e BRHS 09. O rendimento de óleo para seis materiais não diferiu estatisticamente, sendo que o maior foi obtido pelo material BRHT 01 com 2.073,0 kg.ha -1 seguido pelos híbridos AGROBEL 960, VDH 487, HELIO 362, HELIO 253 e MG 52 (1.994,0 kg.ha -1, kg.ha -1, kg.ha -1, kg.ha -1, e kg.ha -1 ). Os rendimentos mais baixos ficaram por conta das cultivares EMBRAPA 122 e HELIO 360 respectivamente com kg.ha -1 e kg.ha -1, valores estatisticamente iguais. Uma das razões para que haja rompimento do caule em girassóis ou acamamento da planta é a altura das plantas. Plantas muito altas tendem a quebrar, prejudicando, assim, a colheita e conseqüentemente a produtividade. A altura média das plantas foi de 180 cm, variando entre 154 cm (BRHS 09) e 223 cm (NUTRISSOL). O peso de mil aquênios médio foi de 57 g sendo o material HELIO 362 (70 g) o com maior resultado, não se igualando estatisticamente a nenhum outro material. O menor peso foi o do HELIO 362 (48 g) não diferindo significamente dos genótipos EXP 1441 (49 g), HELIO 360 (50 g) e V (50 g). Quanto ao diâmetro do capitulo, os genótipos apresentaram uma média de 19,4 cm, sendo que os maiores foram os genótipos NUTRISSOL com 23 cm, HELIO 253 com 22 cm, MG 52 e V 20044, ambos com 21 cm.

4 Tabela 1. Valores de rendimento (Rend), teor de óleo (Óleo), rendimento de óleo (Rend Óleo), altura de plantas (Altura), peso de mil aquênios (PMA) e diâmetro do capitulo (Diâmetro) na Embrapa Cerrados Genótipo Rend* (kg.ha -1 ) Óleo (%) Rend Óleo (kg.ha) Altura (cm) PMA (g) Diâmetro (cm) M 734 (T) abc 40,5 e bc 195 bc 65 b 20 bcd AGROBEL 960 (T) bcd 49,8 b a 158 fg 60 c 17 ef EMBRAPA 122 (T) fg 40,6 e e 165 f 64 b 17 ef HELIO g 49,5 b de 188 cd 50 ef 20 bcd HELIO ab 42,9 d ab 174 e 70 a 17 ef HELIO cde 49,5 b ab 184 d 48 f 22 ab MG cde 48,6 b ab 196 b 55 d 21 abc V def 49,7 b bc 181 d 53 de 21 abc V ef 49,3 b bc 188 cd 50 ef 20 bcd VDH cdef 51,8 a ab 189 bcd 59 c 20 bcd EXP fg 49,9 b c 165 f 49 ef 20 bcd NUTRISSOL cde 44,7 c bc 223 a 59 c 23 a BRHT a 45,3 c a 164 f 65 b 15 f BRHT cdef 41,1 e cd 154 g 59 c 19 de TROPISSOL 262** Médias , ,4 C.V. (%) 9,5 2,2 9,3 2,7 4,0 7,3 * Médias nas colunas seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade. ** Híbrido com baixa germinação. Conclusões A variedade testemunha M 734 mostrou-se a mais produtiva, porém apresentando baixo teor de óleo. O teor de óleo variou de 40,5 % a 51,8 %, evidenciando o potencial da cultura na produção de óleo no Cerrado do Distrito Federal, em condições de estresse (safrinha).. As condições ambientais expressas pela safrinha do Cerrado do Distrito Federal permitem que o girassol seja cultivado como uma opção dentro do sistema de produção.

5 Referências bibliográficas EMBRAPA - EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Centro Nacional de Pesquisa de Soja. Informes da avaliação de genótipos de girassol, 2001/2002 e Londrina: Embrapa Soja, P ROBINSON, R.G. Production and culture in: CARTER, J.F. (Ed.) Sunflower science and technology. Madison: ASA, 1978, p TYAGI, A.P. Association and path analysis of yield componets and oil percentage in sunflower (Helianthus annuus L.). in: INTERNATIONAL SUNFLOWER CONFERENCE, 11., 1985, Mar Del Plata. Proceedings... Paris: International Sunflower Association, P ALVAREZ, D.; LUDUENA, P.; FRUTOS, E. Correlation and causation among sunflower traits. In: INTERNATIONAL SUNFLOWER CONFERENCE, 13., 1992, Pisa. Proceedings... Paris: International Sunflower Association, FAOSTAT. Statistical databases. Disponível em: <http://faostat.fao.org>. Acesso em: 25 maio AMABILE, R. F.; LOPES, F. G.; DUARTE, F. F. Avaliação de genótipos de girassol (Helianthus annuus L.) nas condições de cerrado no Distrito Federal. Planaltina: Embrapa Cerrados, Agradecimentos Ao Sr. Amilton da Silva Pires, da Embrapa Cerrados, por sua dedicada contribuição nos trabalhos conduzidos em campo.

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