Paulo César de Souza PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA: ASPECTOS CONTÁBEIS E FISCAIS

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1 Paulo César de Souza PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA: ASPECTOS CONTÁBEIS E FISCAIS Projeto de monografia apresentado ao Programa de Pós- Graduação do Cefor/ISC como parte das exigências do curso de Especialização em Orçamento Público Brasília-DF Outubro/2006

2 1. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO Título: Parceria Público-Privada: aspectos contábeis e fiscais Autor: PAULO CÉSAR DE SOUZA Finalidade/Natureza: projeto de pesquisa apresentado ao Programa de Pós-Graduação do Cefor/ISC como parte das exigências do curso de Especialização em Orçamento Público Instituições: Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos Depurados Cefor e Instituto Serzedelo Correia ISC. Data: 15 de outubro de 2006 Orientador: GUALTER RAMALHO PORTELA 2. APRESENTAÇÃO De início, registre-se que o tema Parceria Público-Privada é relativamente novo no ordenamento jurídico brasileiro, não tendo, ainda, experiências ou literaturas qualificadas que desvendem ou esclareçam todas as suas peculiaridades desse tipo de concessão. No âmbito do governo federal, parcerias estão sendo programadas/implementadas, contudo, a necessidade e urgência vêm ocasionando lacunas na definição de certos aspectos, os quais são deixados de lado ou postos de maneira não muito clara. Inserem-se nestes casos, sobretudo, os aspectos relacionados à forma de contabilização das contraprestações do setor público. Torna-se, por conseguinte, fundamental que se esclareça a essência dessas operações contábeis para que se definam de forma uniforme e coerente os efeitos e registros dessas operações, Esta é uma das funções daqueles que desenvolvem suas atividades no Tribunal de Contas da União, como é o caso do autor deste projeto. 3. PROBLEMA Qual seria a forma correta de reconhecer os recursos repassados pelo parceiro público como contraprestação do serviço prestado? Despesas de capital ou corrente?

3 3 Seria uma operação de crédito, como previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal? De que formas devem ser encarados/interpretados os aspectos fiscais dispostos na Lei /2004 que define normas gerais para aa licitação e contratação de parcerias públicoprivada no âmbito da administração pública. 4. OBJETIVOS 1. Descrever a essência das operações contábeis envolvidas nas parcerias para que se defina de que forma devem ser encarados os encargos de contraprestação do parceiro público. 2. Interpretar, à luz dos dispositivos legais e da doutrina, os comandos relacionados a aspectos fiscais da Lei / Verificar se, de acordo como tipo de concessão (Patrocinada ou Administrativa), as regras devem distintas. 5. JUSTIFICATIVAS Um dos temas mais badalados no atual Direito Administrativo é a inovação trazida pela Lei /2005. Trata essa Lei das Parcerias Público-Privadas. As PPP s, como são conhecidas, são uma forma de cooperação entre o setor privado e o setor público para que estes compartilhem riscos e executem grandes empreendimentos de interesse público. A maximização do lucro e o interesse público procurados pelos setores privado e público, respectivamente, trazem num primeiro momento a idéia de que uma cooperação seria algo impossível. Essa aparente incompatibilidade entre os objetivos dos setores torna-se superável quando lembramos que o setor privado é, em geral, mais eficiente do que o setor público. A escassez de recursos públicos para realizar investimento e o elevado déficit foram, no nosso entendimento, os motivos principais para se buscar no lado externo do governo os recursos necessários.

4 4 Diante da falta de normativos específicos na entidade competente nacional (CFC) de como proceder no registro das PPPs, houve atribuição legal específica à Secretária do Tesouro Nacional STN para editar normas gerais relativas à consolidação das contas públicas aplicáveis aos contratos de PPPs (art. 25 da Lei /2004). Diante dessa competência, a STN, por meio da Portaria n 614/06, define critério para registro das parecerias nas demonstrações contábeis dos entes públicos. Acontece, porém, que, no nosso entendimento, a referida portaria deixa de considerar aspectos importantes que tratam do tema em questão. Segundo comando da Portaria, somente serão registrados no balanço do ente público os riscos assumidos que passem um determinado valor (40%). Contudo, nos parece que, em certa medida, deveria haver registro de operação de crédito no balanço do ente público, pois este assume obrigação que se enquadra na definição da LRF. Ademais, houve situações em que a formalidade esteve acima da essência das transações, contrariando princípios estabelecidos pela Resolução CFC 750/93, pois não há uma definição clara e precisa sobre os ativos envolvidos na contabilização. Não parece que a STN tem resposta para isso. Outros pontos que precisaram ser esclarecidos, para bem do entendimento teórico do tema, dizem respeito à responsabilidade fiscal. Vários artigos da Lei /04 fazem referência direta à obediência à LRF. Diante disso, tentaremos trazer questões e possíveis soluções para uma adequada interpretações desses comandos. Tentaremos buscar, na doutrina e em legislações diversas (Lei de Introdução do Código Civil, Lei 4320/64, Lei 8.666/93, Lei 8.987/95, LRF, CF etc), o caminho para esclarecer estes artigos. Por fim, traremos casos práticos (PPPs em andamento) para corroborar, ou não, o nosso pensamento. 6. REVISÃO DA LITERATURA O tema em estudo, por ser recente no nosso ordenamento jurídico, não dispõe de literatura adequada. O que existe, especificamente, é a análise de PPPs sobre o aspecto

5 5 meramente jurídico, muito se tem feito no âmbito do Direito Administrativo (Maria Silva Zanela Di Pietro entre outros), contudo, a esmagadora maioria dos autores se resume a comentários meramente formais, sem qualquer conclusão sobre o assunto em análise nesse trabalho. Nesse sentido, procuraremos buscar na legislação esparsa a solução para o nosso problema. Utilizaremos aspectos e conceitos contábeis, vindos da literatura e normativos, com o fim de descobrir ou esclarecer o modo, ou modos, mais adequado de se registrar as contraprestações do setor público. Ressalte-se que a literatura utilizada será, sobretudo, a relacionada à contabilidade, porém, mesmo assim, será uma busca indireta para as questões, pois, conforme já dissemos, não há nada de concreto e específico na literatura nacional. Utilizaremos a contabilidade para a definição de institutos como: operação de crédito, arrendamento mercantil, provisões etc. 7. METODOLOGIA A pesquisa buscará traçar, diante da natureza e essência do instituto de PPP, a forma adequada de se conhecer o lançamento contábil das contra prestações do setor público. Tentaremos traçar critérios que nos ajude a definir, de acordo com o modelo de PPP adotado, a forma correta de fazer os registros contábeis. A pesquisa bibliográfica tem por objetivo, inicialmente, o conhecimento do instituto, ou seja, tentaremos definir as áreas de conhecimento que estão correlacionadas com as PPPs. Em seguida buscaremos, também por pesquisa bibliográfica, traças os aspectos relacionados à contabilização e às questões fiscais. Quanto esse último ponto, serão analisados, sobretudo, os diversos diplomas legais. Para subsidiar a pesquisa utilizaremos os dois exemplos recente de PPPs que estão em andamento no esfera federal (BR 116 e Data Center do BB e Caixa Econômica). Com isso, acreditamos que poderemos corroborar, ou não, as nossas análises. Importante frisar que cada uma destas PPPs são de um tipo específico (PPP patrocinada e PPP administrada)

6 Em suma, o trabalho cuidará basicamente de análise documental e de literatura sobre o tema de PPP s, Contabilidade e Responsabilidade Fiscal CRONOGRAMA Prazo final que possui turma: 31/06/2007 Data prevista para entrega da minha monografia : 31/03/2007 ETAPAS Revisão da literatura Coleta de dados OUT/ 06 NOV/ 06 DEZ/ 06* JAN/ 07* FEZ/ 07 M AR/0 7 Análise e Interpretação dos Dados Redação do Trabalho Final * no período de 18 de Dezembro a 16 de Janeiro não haverá atividade (férias) ABR/ 07 MAI/ 07

7 9. BIBLIOGRAFIA INICIAL PAVANI, Sergio Augusto Zampol Pavani, ANDRADE, Rogério Emílio de Andrade (Coords). Parceria Público-Privada. São Paulo, MP, (2006). DI PIETRO, Maria Sylva Zanella. Parcerias na Administração Pública. 5. ed. São Paulo. Atlas, DI PIETRO, Maria Sylva Zanella. Direito Administrativo. 18. ed. São Paulo. Atlas, GIAMBIAGI, Fabio, ALÉM, Ana Cláudia. Finanças Públicas Teoria e Prática no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro. Campus, REZENDE, Fernando, CUNHA, Armando (Coords.). Disciplina Fiscal e Qualidade do Gasto Público Fundamentos da Reforma Orçamentária. Rio de Janeiro. FGV, BRASIL. Portaria 614, de 21 de agosto de Estabelece normas gerais relativas à consolidação das contas públicas aplicáveis aos contratos de parceria público-privada. BRASIL. Lei 11079, de Estabelece normas gerais sobre as parcerias públicoprivada. ZIMLER, Benjamin. Direito Administrativo e Controle. Belo Horizonte. Fórum, BRASIL, Lei 6.404/76. Lei das S.A BRASIL, Lei 4.320/64, Lei de Contabilidade Pública BRASIL, Lei de Responsabilidade Fiscal. BRASIL, Lei de Introdução ao Código Civil.

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