O Pregão Eletrônico como uma Ferramenta de Compra Pública e sua Aplicação no Centro de Pesquisas de Energia Elétrica - CEPEL

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1 1 O Pregão Eletrônico como uma Ferramenta de Compra Pública e sua Aplicação no Centro de Pesquisas de Energia Elétrica - CEPEL Juarez Marcelo de Souza FranklinCovey Business School Rio de Janeiro, RJ, 30/12/2013 Resumo Neste artigo foi estudado se o Pregão Eletrônico constitui a melhor ferramenta para as aquisições de bens e serviços da Administração Pública. Como problema de pesquisa apurou-se a dificuldade de implementação dessa modalidade nas esferas federal, estadual e municipal e particularmente no Centro de Pesquisas de Energia Elétrica - CEPEL, onde o pregão eletrônico foi efetivamente utilizado como modalidade licitatória somente a partir do mês de janeiro de A pesquisa descritiva deste trabalho visou avaliar e explorar qualitativamente a utilização do pregão eletrônico em empresa pública de pesquisa, nos critérios de economicidade, agilidade e eficácia, bem como explorar a percepção dos gestores e clientes internos quanto a celeridade do processo, a eficiência dos trabalhos e a economia nas aquisições e contratações. Os resultados indicam que quando avaliado de forma detalhada a utilização do pregão na sua forma eletrônica atinge índices de redução de preços e rapidez e eficiência superiores às demais modalidades licitatórias. Desta forma, pode-se concluir que sua utilização simplificou os trâmites burocráticos, incentivou a economicidade e tornou de domínio público e de forma transparente toda e qualquer licitação realizada pelos órgãos públicos. Palavras chave: Admistração Pública. Licitação. Economicidade. Empresas Estatais. Abstract This article was written so as to study if the Electronic Trading is the best tool for acquiring goods or hiring services in the Public Administration. The object of the research was the difficulty to use this type of tool in the federal, state and city levels, particularly in the Research Center for Electric Power - CEPEL ( Centro de Pesquisas de Energia Elétrica ), where the Electronic Trading has been being used for biddings since January 2007.

2 2 The descriptive research in this article has aimed to evaluate and analyse the quality of the use of the Electronic Trading in a public research company, by means of economical, speed and efficiency parameters, as well as identify managers and customers perception with regards to the celerity of the process and the quality of the acquired product. Results have shown that when the use of the Electronic Trading is analysed in detail, it shows to be more economic and competitive if compared to other bidding tools. Thus, it may be concluded that the use of the Electronic Trading has simplified bureaucratic procedures, reduced costs and turned into public domain and with transparency all biddings which are carried out by public institutions. Keywords: Government Services. Bidding Modalities. Economy. Public Companies 1 Introdução O art. 22, inc. XXVII da Constituição Federal destaca ser competência privativa de a União legislar sobre as normas gerais de licitações. O art. 37, inc. XXI da Constituição Federal instituiu a obrigatoriedade de licitação para a contratação pública ficando a União com a responsabilidade da sua legislação em todas as modalidades de compras para a Administração Pública, Estados, Municípios e Distrito Federal, bem como para as empresas públicas e sociedades de economia mista. Em decorrência ao art. 37, acima mencionado, foi editada a Lei nº 8.666, de 21 de junho de1993. Assim sendo, os processos de contratação de obras, serviços, publicidade, compras, alienações e locações no âmbito da União, dos Estados, Municípios e do Distrito Federal estão normatizados pela Lei n 8.666/1993, implantada pelo Governo Federal. As modalidades estabelecidas por essa Lei, em seu art. 22, para disciplinar os processos licitatórios no setor público são a Concorrência, a Tomada de Preços, o Convite, o Concurso e o Leilão. Todas essas modalidades operam pelo princípio de que deve ser contratado pelo Estado aquele que oferecer a proposta mais vantajosa, ou seja, para julgamento e classificação das propostas, será adotado o critério de menor preço, observados os prazos máximos para fornecimento, as especificações técnicas e parâmetros mínimos de desempenho e qualidade definidos no edital. A Lei nº 8.666/1993 surgiu da necessidade de um controle maior dos gastos públicos pelo Estado, evidenciados por fraudes e corrupção ao erário em todos os níveis da gestão pública. Entretanto, o excesso de trâmites burocráticos e de documentações que se fizeram necessários aos procedimentos ditados pela Lei nº 8.666/1993, nas modalidades de licitação por esta definida, demanda no aumento dos custos da Administração e nos prazos dos procedimentos licitatórios. Desta forma, as aquisições de bens e serviços necessários ao funcionamento da máquina pública ficam dependentes de demorados processos licitatórios comprometendo a funcionalidade do órgão.

3 3 Em relação à expressão modalidade, cumpre ressaltar as palavras de Marçal Justen Filho (2003): A expressão modalidade é utilizada, tecnicamente, para indicar cada uma das espécies de procedimentos licitatórios, que se diferenciam entre si no tocante à estrutura e aos fins buscados. Na esteira do pensamento de Adilson A. Dallari, as diferenças entre as diversas modalidades de licitação não se resumem a questões acessórias, tais como âmbito de publicação, prazo de divulgação, valor econômico da contratação. As diferenças retratam a necessidade de adequar a disputa ao objeto a ser contrato. Em resumo, a licitação tem por objetivo garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração, de maneira a assegurar oportunidade igualitária a todos os interessados, possibilitando assim o comparecimento ao certame do maior número possível de concorrentes/licitantes. Hely Lopes Meirelles define assim a licitação: procedimento administrativo mediante o qual a Administração Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. Como procedimento, desenvolve-se através de uma sucessão ordenada de atos vinculantes para a Administração e para os licitantes, o que propicia igual oportunidade a todos os interessados e atua como fator de eficiência e moralidade nos negócios administrativos. Abaixo estão elencadas as modalidades de licitação para aquisições e contratações atendidas pela legislação de compras públicas: 1 - Concorrência: os interessados devem comprovar atender a requisitos de qualificação exigidos em edital; aplica-se a compras em valores acima de R$ 650 mil ou de R$ 1,5 milhão, no caso de obras e serviços de engenharia; 2 - Tomada de Preços: convoca fornecedores previamente cadastrados, aplicando-se a compras em valores até R$ 650 mil ou até R$ 1,5 milhão, no caso de obras e serviços de engenharia; 3 - Pregão: aberto aos interessados que atendam aos requisitos de qualificação, aplica-se à aquisição de bens e serviços comuns, de qualquer valor8; 4 - Convite: prevê a escolha e convite a um mínimo de três fornecedores no ramo pertinente ao objeto, podendo ser adotada para compras em valor até R$ 80 mil, ou R$ 150 mil, em se tratando de obras e serviços de engenharia; 5 - Concurso: adotado para a escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante atribuição de prêmio ou remuneração conforme critérios definidos em edital; 6 - Leilão: modalidade adotada para venda de bens inservíveis, produtos apreendidos ou penhorados, mediante lances. Como critérios para julgamento das propostas, a legislação prevê as alternativas de menor preço, melhor técnica, a combinação entre técnica e preço.

4 4 A Lei preve ainda a dispensa de licitação até um valor limite de R$ 8 mil e R$ 16 mil, respectivamente, para bens e serviços ou obras e serviços de engenharia ou ainda, em situações excepcionais de emergência, calamidade pública, guerra e quando o processo licitatório conduzir a resultados que não satizfaçam o interesse público. Existem outras hipóteses de dispensa foi prevista em lei, no que concerne a produtos ou serviços com características peculiares. A inexigibilidade se aplica a produtos ou serviços de natureza singular que onde exista a condição de notória especialização, ou para a contratação de artistas profissionais. As modalidades de licitação previstas na Lei 8.666/1993, invariavelmente não configuravam os melhores preços, além de gerar despesas para a Administração. Assim sendo e em face da necessidade de aperfeiçoamento dessas modalidades buscou-se introduzir uma nova modalidade licitatória, como uma opção de maior agilidade e desburocratização dos procedimentos de compras. O primeiro instrumento normativo a prever a possibilidade de realização do Pregão Eletrônico em nosso ordenamento jurídico foi a Medida Provisória nº 2.026/2000, em seu art. 1º parágrafo e 1º e 2º, e art. 2º parágrafo único. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei: Art. 1 o Para aquisição de bens e serviços comuns, a União poderá adotar licitação na modalidade de pregão, que será regida por esta Medida Provisória. 1 o Consideram-se bens e serviços comuns, para os fins e efeitos deste artigo, aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado. 2 o O regulamento disporá sobre os bens e serviços comuns de que trata este artigo. Art. 2 o Pregão é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns, promovida exclusivamente no âmbito da União, qualquer que seja o valor estimado da contratação, em que a disputa pelo fornecimento é feita por meio de propostas e lances em sessão pública. Parágrafo único. Poderá ser realizado o pregão por meio da utilização de recursos de tecnologia da informação, nos termos de regulamentação específica. A modalidade de licitação do Pregão surge da necessidade de eficiência das compras públicas e do anseio da sociedade pela redução dos custos operacionais e dos resultados advindos que não traduziam um modelo de eficiência para a Administração no atendimento ao interesse público. Marçal Justen Filho (2003) resume as características do Pregão em três peculiaridades: Em primeiro lugar, a estrutura procedimental do pregão é absolutamente peculiar, com duas características fundamentais. A primeira seria, a inversão das fases de habilitação e julgamento. A outra é a possibilidade de renovação de lances por todos ou alguns dos licitantes, até que se chegue a proposta mais vantajosa. Em segundo lugar, o pregão comporta propostas por escrito, mas o desenvolvimento do certame envolve a formulação de novas proposições lances, sob forma verbal, ou até mesmo por via eletrônica. Em terceiro lugar, podem participar quaisquer pessoas, inclusive aqueles não inscritos em cadastro. Sob um certo ângulo, o pregão é uma modalidade muito similar ao leilão, apenas que não se destina à alienação de bens públicos e à obtenção da maior oferta possível. O pregão visa à aquisição de bens ou contratação de serviços comuns, pelo menor preço.

5 5 No dia 21 de dezembro de 2000, foi editado o Decreto nº 3.697/2000, que regulamentou o pregão em sua forma eletrônica, estabelecendo normas e procedimentos para a realização de licitações na modalidade pregão, por meio da utilização de recursos de tecnologia da informação, destinado à aquisição de bens e serviços comuns, no âmbito da União. Posteriormente, com a entrada em vigor da Lei nº , de 17 de julho de 2002, o Congresso Nacional estendeu a aplicação dessa modalidade licitatória aos Estados e Municípios e Distrito Federal e passou a constituir juntamente com a Lei 8666/1993, o corpo normativo sobre licitações no país. Entretanto, a Lei não instituiu a obrigatoriedade do Pregão, limitando-se a mencionar que essa modalidade poderá ser utilizada para a aquisição de bens e serviços comuns. Art. 1 o Para aquisição de bens e serviços comuns, poderá ser adotada a licitação na modalidade de Pregão, que será regida por esta Lei. O Decreto nº 3.697/2000, não traduzia claramente a adoção do Pregão Eletrônico, fazendo apenas remissões ao Decreto nº 3.555/2000, que disciplina o Pregão na forma presencial, gerando dúvidas na aplicabilidade dos dispositivos depois da conversão da Medida Provisória do Pregão em Lei. Outrossim, algumas características peculiares como a celeridade, finalidade, justo preço e seletividade,explicitados no Decreto Federal nº 3.555/2000, que regula somente a modalidade Pregão, devem ser observados também para todas as outras modalidades de licitação, conforme as palavras de Joel de Menezes Niebuhr: A eficiência em licitação pública gira em torno de três aspectos fundamentais: preço, qualidade e celeridade. Daí que do princípio da eficiência, mais abrangente, decorrem outros princípios, entre os quais o do justo preço, o da seletividade, o da celeridade e o da finalidade. O princípio do justo preço demanda que a Administração não assuma compromissos com preços fora de mercado, especialmente com preços elevados. O princípio da seletividade requer cuidados com a seleção do contratante e da proposta, relacionando-se diretamente com a qualidade do objeto contratado. O princípio da celeridade envolve o tempo necessário para realizar a licitação, que deve ser o mais breve possível. E o princípio da finalidade presta-se a enfatizar que a licitação não é um fim em sim mesmo, mas instrumento para que a Administração celebre contratos e, com eles, receba utilidades de terceiros, para que possa satisfazer aos interessados da coletividade e cumprir a sua missão institucional. Logo, tais princípios, repita-se, do justo preço, da seletividade, da celeridade e da finalidade, remetem ao princípio mais abrange da eficiência. Ora, a observância de todos eles, em conjunto, revela a tão almejada eficiência. No dia 31 de maio de 2005, o Governo Federal editou o Decreto nº 5.450/2005, como regulamentação do Pregão Eletrônico, adequando os procedimentos do Decreto nº 3.697/2002, aos dispositivos da Lei nº /2002. Como inovações desse procedimento surgiu a obrigatoriedade de adoção do Pregão, nas aquisições de bens e serviços comuns, adotando o Pregão Eletrônico como modalidade preferencial. Essa medida consolidou o modelo padrão de licitação na Administração Pública Federal, conforme dispõe o art. 4º do referido Decreto.

6 6 Art. 4 o Nas licitações para aquisição de bens e serviços comuns será obrigatória a modalidade pregão, sendo preferencial a utilização da sua forma eletrônica. 1 o O pregão deve ser utilizado na forma eletrônica, salvo nos casos de comprovada inviabilidade, a ser justificada pela autoridade competente. 2 o Na hipótese de aquisições por dispensa de licitação, fundamentadas no inciso II do art. 24 da Lei n o 8.666, de 21 de junho de 1993, as unidades gestoras integrantes do SISG deverão adotar, preferencialmente, o sistema de cotação eletrônica, conforme disposto na legislação vigente. Já no artigo 2º, 1 º do Decreto 5450/2005, o Pregão na forma eletrônica, como modalidade de licitação do tipo menor preço realizar-se-á quando a disputa pelo fornecimento de bens e serviços comuns for feito à distância em sessão pública, por meio de sistema que promova a comunicação pela internet. 1 o Consideram-se bens e serviços comuns, aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais do mercado. Desta forma, o Decreto nº 5.450, de 31 de maio de 2005, estabelece no âmbito da União que para a aquisição de bens e serviços comuns é obrigatório a utilização da modalidade de pregão, sendo preferencialmente a da sua forma eletrônica, salvo nos casos de comprovada inviabilidade, a ser justificada pela autoridade competente. No Decreto nº 5.504, de 5 agosto de 2005, está disposta também a exigência de utilização do pregão, preferencialmente na forma eletrônica, para entes públicos ou privados, nas contratações de bens e serviços comuns, realizadas em decorrência de transferências voluntárias de recursos públicos da União, decorrentes de convênios ou instrumentos congêneres, ou consórcios públicos. Estão submetidos ao referido Decreto, além dos órgãos da administração pública federal direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União. No dia 15 de Dezembro de 2006, o Governo Federal publicou a Lei Complementar nº 123 que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, estabelecendo normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Os artigos 42 ao 49 tratam exclusivamente da matéria de licitações, em especifico de regras que implicam na participação destas nos certames licitatórios - Capítulo V - DO ACESSO AOS MERCADOS - Das aquisições públicas, os quais promovem significativas mudanças nos formatos dos procedimentos da Lei de 8666/93 e da Lei do Pregão 10520/02, remetendo diretamente ao exercício do direito de preferência conferido às empresas que se enquadram na condição definida no artigo 47, Inciso II, 1º - Atos das Disposições Constitucionais Transitórias Constituição Federal de 1988, que passam a contar com privilégios e tratamento diferenciado que as favorecem nas contratações públicas, através da simplificação de obrigações fiscais, tributárias e trabalhistas.

7 7 As mudanças pretendidas, que proporcionam a aceleração do crescimento econômico, com respaldo nos artigos 170 e 179 da Constituição, sinalizam a intenção do Governo de se utilizar mais e melhor de seu poder de compra, fomentando o crescimento das economias locais e dos micros e pequenos empreendimentos, buscando, ainda, incentivar a competitividade, permitindo a redução dos preços ofertados à Administração. As várias inovações contidas na legislação com alterações tanto na etapa de lances como na fase de habilitação e contratação implicam em mudanças procedimentais de grande relevância, vindo a alterar o resultado final da licitação. Com a utilização da tecnologia de informação nas etapas de realização do pregão eletrônico, vislumbra-se uma modernização do procedimento, o que teoricamente resultaria num elevado ganho de eficiência, com proporcional redução dos custos envolvidos. Para a execução dos procedimentos do pregão eletrônico na forma da lei, foram desenvolvidos alguns portais para realização dessa modalidade de licitação. A operacionalização do relacionamento virtual entre as entidades públicas e os licitantes e/ou interessados ocorre pela internet utilizando-se dos sistemas de provedores do Banco do Brasil (LICITACOES-E) e do Ministério do Planejamento (SIASG/COMPRASNET) e o Compras Caixa da Caixa Econômica Federal dentre outros. O Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais SIASG é uma ferramenta de apoio informatizado aos processos de compras e contratações. Representa uma experiência bem sucedida de informatização dos procedimentos de compra e contratação governamental no âmbito do Governo Federal Brasileiro. Como ferramenta de uso unificado e abrangente, tem contribuído para a agilização, incremento da competição e controle dos processos de licitação. O Comprasnet tornou-se veículo para a inovação dos procedimentos de compra em sintonia com a revisão de leis e normas que já produziram mudanças de ampla repercussão como o pregão. (página do BNDES - O Banco do Brasil, em 2001, disponibilizou para o mercado o sistema Licitações-e. um sistema desenvolvido para facilitar a participação da comunidade em licitações de caráter público, promovidas por entidades governamentais, com segurança e confiabilidade em um ambiente eletrônico robusto e exclusivo. O sistema Licitações utiliza interfaces diferenciadas e customizadas de acordo com cada perfil de participante: Comprador, Fornecedor, Coordenador e público em geral. Para o público em geral estão disponíveis apenas as funções de acompanhamento das licitações públicas. A interface do sistema é simples e permite a busca de licitações rapidamente, acompanhamento em tempo real, além de uma metáfora do processo licitatório com suas regras básicas implementadas. É possível criar licitações, enviar propostas, participar em horários determinados de sessões abertas, encerrar uma licitação, notificar o vencedor, tudo com controle minucioso e acompanhamento por todos os envolvidos (estas funções variam de acordo com o perfil de cada participante) (página do Banco do Brasil).

8 8 O Portal de Compras Caixa, da Caixa Econômica Federal disponibiliza informações sobre as contratações e permite aos interessados a participação nos pregões e compras eletrônicas de forma gratuita, possibilitando redução de custos, transparência e agilidade. Sua utilização para a modalidade de Pregão Eletrônico está regulamentada pelo Decreto nº 5.450, de 31/05/2005, que destina-se à aquisição de bens e serviços comuns, por meio de licitação realizada em sessão pública na Internet. (página A utilização da internet neste procedimento licitatório é um fator determinante de inovação e agregou ao pregão na forma eletrônica maior celeridade e transparência, simplificando os trâmites burocráticos, incentivando a economicidade e tornando de domínio público toda e qualquer licitação realizada pelos órgãos públicos. Ainda no tratamento da inovação é importante frisar que no pregão eletrônico, a despeito do pregão presencial também ocorre a inversão de fases, isto é, a fase de abertura das propostas antecede à fase de habilitação com objetivo de otimizar o processo de aquisição. Portanto, na data e hora previstos no edital, o licitante encaminhará sua proposta de preço exclusivamente por meio eletrônico, e durante a sessão pública poderá efetuar lances sucessivos e inferiores à sua proposta inicial. Somente o licitante detentor da proposta de menor valor e qualificado como arrematante do certame terá sua proposta comercial e documentação de habilitação analisada pelo órgão requisitante, observado o horário fixado para o encaminhamento e as regras de aceitação dos mesmos. Em face às considerações traçadas, o objetivo deste artigo é analisar o pregão eletrônico como um instrumento econômico e eficiente de promoção da inovação e modernização das compras públicas, bem como validar se a sua utilização constitui efetivamente na melhor ferramenta para as aquisições de bens e serviços, levando-se em consideração a economicidade, a celeridade e a qualidade para o pleno funcionamento da instituição pública e entender se, de fato, as vantagens de sua aplicação são justificáveis sob o ponto de vista da gestão de suprimentos. Neste contexto, o maior desafio do gestor público consiste em efetuar as aquisições de bens e serviços em consonância à austeridade dos recursos orçamentários e as amarras da Legislação de Compras Públicas. Desta forma, o presente artigo pretende ainda demonstrar quantitativamente e qualitativamente que o Pregão Eletrônico proporciona a maior transparência e estimula a competitividade entre os licitantes possibilitando maior economicidade e o reinvestimento em novas aquisições dos recursos públicos. 2 Contextualização - Da necessidade de implantação do Pregão A consagrada ineficiência do Estado frente às necessidades da sociedade por serviços públicos mais eficazes e o constante desmando dos gestores quando das aquisições e contratações a custos invariavelmente superfaturados nos procedimentos de compras, desencadeou um processo de reformulação desses procedimentos pela Administração Pública. A carência de ações protecionistas e principalmente de transparência no tratamento das aquisições e contratações de bens e serviços públicos exigiu do Governo Federal e do Poder Legislativo, a criação de uma nova regulamentação de compras, que subsidiariamente à Lei 8.666/1993, atendesse aos princípios básicos da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e isonomia, garantindo ainda maior celeridade, segurança, presteza, economicidade e eficiência das aquisições efetuadas pelos entes públicos.

9 9 Isto posto, o Pregão Eletrônico surgiu como o procedimento administrativo pelo qual a Administração Pública seleciona o prestador de serviços ou o fornecedor de bens comuns através de sessão pública virtual, permitindo aos licitantes reduzir o valor das propostas por meio de lances sucessivos, garantindo ainda o princípio básico da isonomia entre os participantes, bem como a celeridade e a eficácia nas contratações e/ou aquisições públicas. Provavelmente a melhor definição para a modalidade de Pregão é aquela definida por Jacoby Fernandes: Procedimento administrativo por meio do qual a Administração Pública, garantindo a isonomia, seleciona fornecedor ou prestador de serviços, visando a execução do objeto comum no mercado, permitindo aos licitantes, em sessão pública presencial ou virtual, reduzir o valor da proposta por meio de lances verbais (ou virtuais) e sucessivos (Fernandes, 2006, p. 455). 3 Entendendo o Pregão Assim como as demais modalidades de licitação, o procedimento do pregão é dividido em duas fases: a fase interna e a fase externa. A fase interna praticamente não difere das outras modalidades. Compete ao requisitante do bem ou serviço a ser adquirido pelo órgão público elaborar a devida especificação técnica ou o Termo de Referência que balizará o aspecto técnico do objeto a ser licitado. Edgar Guimarães resume assim o Termo de Referência: O termo de referência foi uma figura criada pelo Decreto nº 3.555/00 e incorporada também pelas disposições regulamentares do pregão eletrônico. Assim, conforme dicção do art. 9º, inc. I, do Decreto nº 5.450/05, trata-se de documento a ser elaborado pelo órgão requisitante, consignando a indicação do objeto de forma precisa, suficiente e clara, vedadas especificações que por excessivas, irrelevantes ou desnecessárias, limitem ou frustrem a competição ou sua realização. O Termo de Referência deverá conter elementos capazes de propiciar a melhor avaliação do custo pela Administração, notadamente a cotação de preço médio de mercado; cronograma físico-financeiro; condições de entrega e pagamento; prazos de garantia; obrigações das partes avençadas etc. Ou seja, deverá descrever o máximo de informações necessárias para que se efetue a melhor contratação em termos de preço e qualidade. O Termo de Referência difere do Projeto Básico, comum nas modalidades previstas pela Lei 8.666/1993, na sua nomenclatura. O art. 9º, 2º do Decreto nº 5.450/05 preve que o Termo de Referência deve ser conciso, claro e objetivo, e ser o mais detalhado possível. Sidney Bittencourt faz a seguinte menção acerca dessas características: Não nos parece, entretermos, que esse termo venha a substituir o projeto básico, conforme já nos posicionamos em livro que aprecia o regulamento do pregão. Ao contrário, vislumbramos, pelos próprios textos dos dispositivos que delineiam a matéria em avaliação conjugada que, pelas informações que conterão, um servirá de suporte para a elaboração do outro, quando o projeto básico, em face do objeto pretendido, seja necessário. Contudo, é evidente que, em certas ocasiões, o tal termo fará as vezes de projeto básico. É cediço entrementes, que o termo de referência traz em seu bojo informações simplificadas do objeto da contratação, do custo envolvido e dos métodos necessários. Já o projeto básico, quando necessário, conterá uma descrição detalhada do objeto, com todos os requisitos que a Lei nº 8.666/93 define no inciso IX do art. 6º.

10 10 O Termo de Referência deverá ser aprovado pela autoridade superior da Administração que determinará pela formalização de um procedimento administrativo interno e posteriormente ao processo licitatório, com a elaboração do Edital e seus anexos, dentre os quais o próprio Termo de Referência. O Edital deverá conter expressamente as disposições obrigatórias previstas no art. 40 da Lei nº 8.666/1993. Uma vez realizadas as formalidades do processo, o mesmo será encaminhado para apreciação do Departamento Jurídico, que apontará eventuais vícios do Edital e posteriormente elaborará um Parecer Jurídico necessário à composição do procedimento licitatório. Somente então o Edital estará apto a se tornar público, por meio de avisos em jornal oficial e jornais de grande circulação. A íntegra do Edital deverá ser disponíbilizado no site de licitação utilizado pelo órgão. Na fase preparatória ocorre a designação do pregoeiro pela autoridade competente. Este será auxiliado por uma equipe de apoio formada em sua maioria, por servidores ocupantes de cargo efetivo ou empregado da administração pública, pertencentes, preferencialmente, ao quadro permanente do órgão ou entidade promotora da licitação. A designação do pregoeiro, a critério da autoridade competente, poderá ocorrer para período de um ano, admitindo-se reconduções. As atribuições do pregoeiro são aquelas relacionadas à condução do certame licitatório, em especial aquelas descritas no art. 11 do Decreto 5.450/05. Art. 11. Caberá ao pregoeiro, em especial: I - coordenar o processo licitatório; II - receber, examinar e decidir as impugnações e consultas ao edital, apoiado pelo setor responsável pela sua elaboração; III - conduzir a sessão pública na internet; IV - verificar a conformidade da proposta com os requisitos estabelecidos no instrumento convocatório; V - dirigir a etapa de lances; VI - verificar e julgar as condições de habilitação; VII - receber, examinar e decidir os recursos, encaminhando à autoridade competente quando mantiver sua decisão; VIII - indicar o vencedor do certame; IX - adjudicar o objeto, quando não houver recurso; X - conduzir os trabalhos da equipe de apoio; e XI - encaminhar o processo devidamente instruído à autoridade superior e propor a homologação. Para participar da licitação, o fornecedor deverá realizar o seu cadastramento no respectivo site de licitações utilizado pelo órgão, de forma a ser atribuída uma chave de identificação e senha para o devido acesso. Para o credenciamento o licitante deverá comprovar que está regularizado com suas obrigações junto à Receita Federal, à Fazenda Pública, ao INSS e quanto aos depósitos de FGTS de seus empregados.

11 11 A fase externa tem início com a publicação do Edital, que no caso do Pregão, apresenta inovações importantes, como a celeridade do procedimento. Uma vez publicado o Edital, os licitantes terão umm prazo de 8 dias úteis para a apresentação de preços no respectivo campo do site de licitações Diferente das demais modalidades elencadas na Lei nº 8.666/1993, existe a inversão de fases, onde a apresentação da proposta de preços antecede à fase de habilitação. Uma terceira inovação trata da possibilidade dos licitantes poderem apresentar consecutivas propostas de preços, reduzindo os valores, até os patamares da melhor economicidade, conforme explicitado por Joel de Menezes Niebuhr: Trata-se de espécie de leilão às avessas. Melhor explicando: os participantes do leilão oferecem sucessivas propostas, com preços maiores do que os antecedentes, uma vez que o vencedor do leilão é aquele que oferece a proposta com o maior valor. Já no pregão, os preços vão se reduzindo, uma vez que o vencedor é aquele que oferece a proposta de menor valor. O objetivo da inversão de fases também está vinculado a celeridade. Desse modo evita-se a análise desnecessária da documentação de todos os licitantes, quando se pretende contratar apenas com aquele que ofertou o menor preço durante a sessão de disputa. Assim, procede-se primeiramente a verificação da proposta de preços e posteriormente a conferência da documentação de habilitação do licitante vencedor. É nessa etapa que a Administração confere as informações referentes a qualificação do licitante, quais sejam: 3.1 Documentos relativos à habilitação jurídica: a) Registro comercial, no caso de empresa individual. b) Ato Constitutivo, Estatuto ou Contrato Social em vigor, incluindo a última alteração, devidamente registrado, em se tratando de Sociedades Comerciais e, no caso de Sociedades por Ações, acompanhado de documentos de eleição de seus Administradores. O objeto social da empresa deverá ser compatível com o objeto licitado. c) Decreto de autorização, devidamente arquivado, em se tratando de empresa ou sociedade estrangeira em funcionamento no país e ato de registro ou autorização ou autorização para funcionamento, expedido pelo órgão competente, quando a atividade assim o exigir. 3.2 Documentos relativos à regularidade fiscal: a) Prova de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). b) Prova de inscrição no cadastro de contribuintes estadual ou municipal, relativa à sede do Licitante, pertinente ao seu ramo de atividade e compatível com o objeto da licitação (para os efeitos desta licitação, considera-se sede a matriz ou o único estabelecimento comercial da empresa). c) Prova de regularidade para com a Fazenda Federal (Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União), relativa à sede do Licitante, válida na data prevista para a sessão de disputa. d) Prova de regularidade para com a Fazenda Estadual e Municipal da sede do Licitante, válida na data prevista para a sessão de disputa.

12 12 e) Prova de regularidade relativa à Seguridade Social (CND/INSS), válida na data prevista para a Sessão de disputa. f) Prova de regularidade relativa ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS, válida na data prevista para a Sessão de disputa. g) Prova de regularidade relativa a Débitos Trabalhistas (CNDT), comprovando a inexistência de débitos perante a Justiça do Trabalho, válida na data prevista para abertura da Sessão de Disputa. 3.3 Documentos relativos à qualificação técnica: a) Atestado de Capacidade Técnica, em nome do Licitante, expedido por, no mínimo 01 (uma) entidade contratante, de direito público ou privado, comprovando o fornecimento, compatível com o objeto da presente licitação, de acordo com o lote cotado. 3.4 Documentos relativos à Qualificação Econômico-Financeira a) Balanço Patrimonial e Demonstrações contábeis do último Exercício fiscal do Proponente, vedada a sua substituição por balancetes ou balanços provisórios, assinado pelo contador responsável; a.1) Comprovante do Registro de Inscrição no Conselho Regional de Contabilidade, do contador responsável pelas demonstrações acima citadas. b) A comprovação da boa situação financeira do Licitante será baseada na obtenção do Índice de Liquidez Geral (ILG) igual ou maior que um (= ou >1), resultante da aplicação da seguinte fórmula: ILG = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo b.1) A empresa que apresentar resultado menor que um (< 1), na apuração do índice referido acima, quando de sua habilitação, deverá comprovar que possui capital mínimo ou patrimônio líquido mínimo igual ou superior a 10% (dez por cento) do objeto ora licitado, através de balanço patrimonial integralizado, do último exercício exigido na forma da lei; c) Para empresas constituídas como sociedades civis, não sujeitas à legislação comercial, certidão negativa de declaração de insolvência, expedida pelo distribuidor da sede da matriz da empresa; c.1) Poderá ser apresentada certidão positiva da ações civis, desde que esteja acompanhada de certidões ou documentos emitidos posteriormente àquela certidão, que comprovem não se tratar de ações de declaração de insolvência;

13 13 d) Para empresas regidas pela legislação comercial, certidão negativa de falência e concordata, expedida pelo distribuidor da sede da matriz da empresa. 3.5 Declaração do Licitante de que não possui em seu quadro de pessoal empregados com menos de 18 (dezoito) anos em trabalho noturno, perigoso ou insalubre e de 16 (dezesseis) anos em qualquer trabalho, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 (quatorze) anos, nos termos do inciso XXXIII, do art. 7º da Constituição da República, conforme "Modelo 1" contido no Anexo I deste Edital. 3.6 Declaração, sob as penalidades da lei, de que seus dirigentes, sócios e gerentes não mantêm vínculo empregatício com o Órgão patrocinador da licitação, conforme Modelo 2 contido no Anexo I do Edital. 3.7 Declaração, sob as penalidades da lei, de que o Licitante não está sendo punido com declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração, conforme "Modelo 3" contido no Anexo I do Edital. É de fundamental importância para a Administração saber informações acerca dàquele que quer contratar. Se o licitante terá condições técnicas, fiscais e econômicas de cumprir com o eventual contrato e se este possui conhecimento técnico suficiente para executar o contrato. A previsão de empate na modalidade do Pregão, tendo em vista a sua caracteristica de menor preço só existe em razão da Lei 123/2006, em seus artigos 44 e 45, a seguir: Art. 44. Nas licitações será assegurada, como critério de desempate, preferência de contratação para as microempresas e empresas de pequeno porte. 1º Entende-se por empate aquelas situações em que as propostas apresentadas pelas microempresas e empresas de pequeno porte sejam iguais ou até 10% (dez por cento) superiores à proposta mais bem classificada. 2º Na modalidade de pregão, o intervalo percentual estabelecido no 1º deste artigo será de até 5% (cinco por cento) superior ao melhor preço. Art. 45. Para efeito do disposto no art. 44 desta Lei Complementar, ocorrendo o empate, proceder-se-á da seguinte forma: I - a microempresa ou empresa de pequeno porte mais bem classificada poderá apresentar proposta de preço inferior àquela considerada vencedora do certame, situação em que será adjudicado em seu favor o objeto licitado; II - não ocorrendo a contratação da microempresa ou empresa de pequeno porte, na forma do inciso I do caput deste artigo, serão convocadas as remanescentes que porventura se enquadrem na hipótese dos 1º e 2º do art. 44 desta Lei Complementar, na ordem classificatória, para o exercício do mesmo direito; III - no caso de equivalência dos valores apresentados pelas microempresas e empresas de pequeno porte que se encontrem nos intervalos estabelecidos nos 1º e 2º do art. 44 desta Lei Complementar, será realizado sorteio entre elas para que se identifique aquela que primeiro poderá apresentar melhor oferta.

14 14 1º Na hipótese da não-contratação nos termos previstos no caput deste artigo, o objeto licitado será adjudicado em favor da proposta originalmente vencedora do certame. 2º O disposto neste artigo somente se aplicará quando a melhor oferta inicial não tiver sido apresentada por microempresa ou empresa de pequeno porte. 3º No caso de pregão, a microempresa ou empresa de pequeno porte mais bem classificada será convocada para apresentar nova proposta no prazo máximo de 5 (cinco) minutos após o encerramento dos lances, sob pena de preclusão. Uma vez cumpridas as fases internas e externas do Pregão, ficam mais visíveis os princípios norteadores que demandam de sua criação, os quais estão descritos no item 5 do presente artigo, bem como ao atendimento de outros principios como a celeridade, a seletividade, a economicidade e a eficácia. 4 Características do Pregão Conforme Fernandes (2006), na interpretação das regras do pregão, os autores tendem a destacar características que distinguem essa modalidade das demais, e assim, acabam por atribuir características peculiares para esse novo instrumento. Portanto, o pregão dispõe das seguintes características: Limitação ao uso a compras e serviços comuns; Possibilidade de o licitante reduzir o valor da proposta durante o certame, presencial ou virtual; Inversão das fases de julgamento da habilitação e da proposta; Unificação da fase recursal, no pregão, apenas uma no final do processo licitatório. 5 Sobre os Princípios São princípios aplicados ao Pregão, a legalidade, a impessoabilidade, a moralidade, a publicidade, a vinculação ao instrumento convocatório, o julgamento objetivo, a competitividade, a razoabilidade e a proporcionalidade. I. Legalidade: As ações do administrador público devem estar estritamente de acordo com o que a Lei autoriza. II. Impessoalidade: intimamente ligada ao princípio da isonomia, em que todos devem ser tratados de forma igual, uma vez que o procedimento licitatório é destinado a todos os interessados, sem nenhum favorecimento. III. Moralidade e Probidade Administrativa: o processo deve ser conduzido com honestidade e seriedade, de forma lícita. IV: Publicidade: deve-se dar ampla divulgação do instrumento convocatório a fim de garantir que todos os interessados possam ter conhecimento e acesso ao certame. V. Vinculação ao Instrumento Convocatório: Cumprir com as condições impostas, impedindo que sejam considerados critérios diferentes dos especificados no decorrer do processo. VI. Julgamento Objetivo: o julgamento das propostas deve ser feito de acordo com os critérios especificados no edital. VII. Competitividade: é necessário que haja competição para a existência da licitação.

15 15 VIII. Razoabilidade: evitar o excesso de formalismo, afastando a inabilitação e desclassificação das propostas dos licitantes por fatos irrelevantes que não afetam a objetividade das propostas. IX. Proporcionalidade: traduz-se na necessidade de equilíbrio na seleção da proposta mais vantajosa para a Administração Pública. Em suma, os princípios norteadores são preceitos que devem ser seguidos para que a licitação por meio do pregão eletrônico ocorra de forma isonômica e transparente. Destaca-se a legalidade por tratar-se de procedimento estritamente vinculado às leis. O princípio do julgamento objetivo é uma decorrência do princípio da legalidade em face que o julgamento das propostas deve ser realizado em conformidade aos critérios fixados no instrumento convocatório. O princípio da impessoalidade está vinculado aos princípios da isonomia e do julgamento objetivo, uma vez que consagra que na Administração Pública os licitantes devam ser tratados igualmente, não se admitindo nenhum tipo de vantagem a um licitante em detrimento dos demais. O princípio da publicidade diz respeito a divulgação do procedimento licitatório, bem como aos atos da Administração nas várias fases do processo licitatório. O princípio da proporcionalidade impõe limitação à discricionariedade administrativa, de forma que exista uma proporção entre os meios utilizados pela Administração e os fins por ela almejados. O princípio da moralidade é tido como um dos deveres da Administração Pública, informando que suas atribuições devam se desempenhadas da melhor maneira possível. Segundo Maria Sylvia Zanella (2006), o princípio da convocação ao instrumento convocatório diz respeito tanto à Administração quanto aos licitantes. Assim sendo, a Administração não pode descumprir as condições descritas no edital, ao qual se encontra vinculado, sendo que sua inobservância enseja a nulidade do procedimento. Ainda para Maria Sylvia Zanella, a adjudicação compulsória veda que a Administração atribua o objeto da licitação a outrem que não o vencedor. Cumpre-se ressaltar que a Administração não está obrigada a firmar contrato, mas ao fazê-lo deverá ser vinculado ao licitante vencedor, caso leve o procedimento licitatório a termo. 6 As vantagens do Pregão Eletrônico Confome exposto até o momento, a criação da modalidade Pregão ensejou em consideráveis vantagens aos procedimentos licitatórios. A sua forma eletrônica tornou ainda mais dinâmico o processo, contribuindo para a celeridade e a economicidade. Antes da Lei do Pregão, Airton Rocha Nóbrega descreveu a visão negativa que se tinha dos procedimentos licitatórios: A licitação, não raro, é vista como um procedimento burocrático que apenas se presta a entravar as contratações pretendidas pela Administração, compelindo-a a aceitar propostas que nem sempre se mostram vantajosas, seja porque o preço cotado não guarda compatibilidade com preços de mercado, seja porque o produto ofertado, embora mais barato, não detém qualidade e apenas acarreta prejuízo.

16 16 A máquina burocrática do Estado favorecia a morosidade dos procedimentos licitatórios, particularmente durante a fase de habilitação, em virtude da obrigatoriedade de conferência da documentação dos licitantes de maneira isonômica. Note-se as palavras de Joel de Menezes Niebuhr: Recorde-se o procedimento de habilitação previsto na Lei nº 8.666/93: a comissão de licitação deve abrir os envelopes de habilitação de todos os licitantes, verificar documento por documento e franquear vistas a todos os licitantes, para que possam impugnar os apresentados pelos seus pares. Proposta alguma impugnação, a comissão deve analisá-la e, de qualquer modo, avaliar os documentos apresentados, posicionando-se a respeito da conformidade ou desconformidade deles com o pedido no edital. Essa decisão deve ser publicada na Imprensa Oficial, se todos forem cientificados, pessoalmente e naquela oportunidade, da decisão tomada pela comissão ( 1 do artigo 109 da Lei nº 8.666/93). Realizada a intimação dos licitantes, a comissão deve conceder-lhes o prazo de 5 (cinco) dias úteis para interporem os recursos que reputem cabíveis (alínea a do inciso I do artigo 109 da Lei nº 8.666/93), que terão efeito suspensivo ( 2º do mesmo artigo), abrindo vistas, em seguida e pelo mesmo prazo, para os demais se manifestarem. Enfim, pronunciando-se sobre os eventuais recursos, a autoridade competente expressa decisão administrativa definitiva sobre a habilitação. Se comparado as modalidades previstas na Lei 8.666/1993, particularmente quanto aos prazos de publicidade, abertura, recursos e conclusão, bem como a modalidade a ser escolhida em razão do preço, uma vez que o critério de escolha está relacionado ao valor estimado da contratação, as vantagens da utilizaação do Pregão, na sua forma eletrônica são latentes. O Pregão pode ser utilizado independente do valor estimado para a contratação, sendo que o único critério para sua aplicabilidade é se a natureza do bem ou do serviço que se pretende contratar é considerada comum. Provavelmente a maior vantagem esteja no fator economicidade, uma vez que existe a previsão dos licitantes ofertarem lances consecutivamente inferiores ao último registrado, o que acirra a competitividade entre os participantes do certame, favorecendo a obtenção de um preço mais justo pela Administração. No caso específico do CEPEL, a economia resultante da aplicação da modalidade de Pregão nos últimos 6 (seis) anos será demonstrada com dados objetivos no último tópico deste artigo. Outra grande vantagem é a inversão na fase externa entre a habilitação e a apresentação da proposta de preço, já abordada no item 3 - Entendendo o Pregão, deste artigo Destaque-se novamente a celeridade contida no prazo de 08 (oito) dias entre a publicação do Edital e a apuração dos preços, bem como o prazo médio de conclusão de 17 (dezessete) dias, muito inferior ao das demais modalidades. A celeridade também pode ser observada no caso de eventuais impugnações ou recursos. Estabele o art. 4º, inc. XVIII da Lei nº /2002, que qualquer licitante poderá manifestar imediata e motivadamente a intenção de recorrer, quando lhe será concedido o prazo de 3 (três) dias para apresentação das razões do recurso, ficando as demais licitantes desde logo intimadas para apresentar contrarrazões em igual

17 17 número de dias, que começarão a correr do término do prazo do recorrente, sendo-lhes assegurada vista imediata dos autos. O CEPEL estabelece em seus editais um prazo de 24 (vinte e quatro) horas, contado a partir do status de Declarado Vencedor no site de licitações do Banco do Brasil, para a manifestação de recurso, e uma vez apresentada as razões que o ensejaram passa-se a contar o prazo estabelecido em Lei. Na forma eletrônica inexiste a obrigatoriedade de publicação das decisões referentes aos recursos na imprensa oficial, bastando para tanto, a divulgação através do site de licitações provedor do órgão licitante. Outra vantagem está na inovação do procedimento ser realizado por meio da internet. Dessa forma, toda a interação entre a Administração e os licitantes se faz pelos sites de licitações, possibilitando a redução dos custos operacionais e de pessoal, tanto por parte dos licitantes, visto que não há a necessidade de suas presenças físicas, o que reduz o custo de locomoção, hospedagem e alimentação e possibilita a oferta de um melhor preço, quanto pela Administração, que passou a disponibiliuzar apenas um empregado (pregoeiro) e não mais uma comissão de licitação, como nas demais modalidades. A abrangência do Pregão em âmbito nacional também merece destaque. Empresas de todo o país podem participar dos certames em condições de igualdade independente de sua localização regional, bastando pata tanto terem a disposição a ferramenta web e o devido cadastro no site de licitações gerando uma maior competitividade e distribuição de renda. Compete também ao sistema o ordenamento dos lances e a apuração do menor preço, reduzindo o trabalho do pregoeiro e confiando maior celeridade ao procedimento. Da mesma forma o próprio sistema identifica a condição de micro-empresa ou empresa de pequeno porte dos licitantes, para que se estabeleça o direito de preferência em caso de empate nos preços, conforme art. 44 da Lei Complementar nº 123/2006, já apresentado neste artigo. Uma vez que toda a fase de credenciamento e apresentação de propostas é realizada por meio da Internet, há uma redução significativa nos custos de impressão e energia elétrica, visto que não mais existirá o enorme volume de papel que formava os processos licitatórios traduzindo em benefícios ao meio-ambiente. 7 Desvantagens do Pregão Eletrônico O pregão eletrônico apresenta uma série de vantagens que justificam sua implantação e utilização, conforme destacado acima, mas também, apresenta alguns pontos negativos a serem vencidos por esta modalidade de licitação tanto em relação ao caráter tecnológico do processo, quanto ao caráter jurídico. No atual contexto, faz-se necessário a ampliação dos objetos licitáveis pelo Pregão através de alteração dos decretos 3555/00 e 5450/05, de modo a proporcionar maior agilidade aos órgão públicos em função de suas especificidades, uma vez que bens e serviços comuns são tratados genericamente pela legislação.

18 18 Um outro aspecto é o de que o Pregão deveria permitir uma melhor avaliação técnica, ou seja, uma pré-qualificação dos licitantes anterior a fase de propostas de forma a balizar a melhor tomada de decisão pelo pregoeiro quanto a desclassificação do licitante, haja vista que nem sempre a habilitação do proponente atende às necessidades do objeto licitado. Desta forma, a análise técnica preliminar permitiria julgar a metodologia, os recursos humanos e materiais e as tecnologias utilizados na confecção das propostas. A obrigatoriedade de se comprar pelo menor preço por vezes também se constitui em desvantagem, pois pode acarretar na aquisição de produtos ou contratação de serviços de baixa qualidade. No que concerne ao campo da Tecnologia e Informação, a evolução ocorre muito rapidamente. Desta forma, os sistemas e plataformas de compras públicas utilizados para o processamento do pregão eletrônico não acompanham os avanços tecnológicos. Em alguns casos a própria navegabilidade dos sites de licitações se tornam barreiras tanto aos seus operadores (pregoeiro, equipe de apoio e autoridade superior) quanto aos licitantes e aos cidadãos comuns na busca de informações. Segundo Niebuhr (2004), se por um lado, o pregão eletrônico amplia a competitividade, por outro, se utilizado indistintamente, para objetos cujos fornecedores ainda não disponham de tecnologia, o efeito tende a ser contrário, restringindo a competitividade. Ainda para Niebuhr (2004) tal desvantagem pode ser perfeitamente contornada, desde que haja sensibilidade para saber quando e em que situação utilizar o pregão eletrônico. A obrigatoriedade do tempo randômico por vezes também se constitui em desvantagem no Pregão Eletrônico. Se por um lado incita a disputa entre os licitantes, por outro limita a oferta de uma melhor proposta de preço, tendo em vista que um licitante vencendo a disputa pode ser surpreendido por um lance adversário e com o imediato encerramento do tempo randômico sem que tenha a oportunidade de ofertar um novo lance inferior ao último registrado no sistema. Desta forma, o fator sorte passa a ser o diferencial para a obtenção da melhor proposta de preço. Ou seja, afora o critério injusto da questão, não se deveria admitir que o fator sorte seja o elemento primordial para uma compra pública, tendo em vista que nem sempre o licitante que tenha a condição de ofertar a melhor proposta seja aquele declarado o vencedor do certame. 8 O sistema de registro de preço e o pregão eletrônico Para as contratações através da modalidade pregão, o critério utilizado é o de menor preço. No entanto, o artigo 11 da Lei nº /02, possibilitou o registro de preço por pregão, desde que o objeto se enquadre no conceito de bens e serviços comuns (CAMARÃO, 2006), conforme listados no anexo II do Decreto 3.555/00, uma vez que, até então, a concorrência era a modalidade adequada para realizar a licitação pelo critério de registro de preço.

19 19 A principal vantagem do registro de preço para o pregão está na celeridade que esse tipo de licitação proporciona, pois torna o processo mais ágil, podendo atender a diversos órgãos ou unidades, que almejam adquirir o mesmo tipo de bens, por meio de uma única licitação. 9 A Aplicação do Pregão Eletrônico no CEPEL 9.1 O CEPEL O Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Eletrobras CEPEL) foi criado em 1974 e sua sede está localizada no Rio de Janeiro. Faz parte do grupo Eletrobras e tem 39 anos em pesquisa e desenvolvimento relacionado a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e sendo considerado o maior centro de pesquisas em energia elétrica do hemisfério sul. Conta com 30 laboratórios, sendo 20 deles localizados na unidade Ilha do Fundão enquanto que outros 10 estão localizados na unidade Adrianópolis, em Nova Iguaçu, onde são efetuados ensaios envolvendo de alta e média tensão, alta corrente, alta e média potência etc. O CEPEL, ao longo da sua existência, tem trabalhado no desenvolvimento de projetos de transmissão de energia elétrica que buscam maior eficiência e economia, num esforço sistemático de pesquisas no sentido de aumentar a capacidade de transmissão de energia nos corredores. Atualmente encontra-se em fase de construção o Laboratório de Ultra Alta Tensão (LabUAT) com características únicas para a realização de ensaios e pesquisas em linhas de transmissão de potência elevada. O Laboratório de Ultra Alta Tensão disponibilizará de três fontes de 750 kv em corrente alternada, que podem ser combinadas para a realização de ensaios disruptivos de até kv, dois retificadores de 800 kv, 50 ma cada um, que podem ser combinados para a realização de ensaios disruptivos de até kv, um gerador de impulso de 6,4 MV, 640 kj e um gerador de 2,0 MV, 100 kj. Com essas fontes poderão ser ensaiadas configurações de linhas de transmissão em Ultra Alta Tensão de alto desempenho tanto em corrente alternada quanto em corrente contínua, níveis estes adequados para atender os requisitos previstos para aplicação de tecnologias de transmissão em UAT no Brasil. O quadro técnico do CEPEL é organizado em oito departamentos: Departamento de Automação de Sistemas (DAS) Departamento de Redes Elétricas (DRE) Departamento de Tecnologias Especiais (DTE) Departamento de Linhas e Estações (DLE) Departamento de Otimização Energética e Meio Ambiente (DEA) Departamento de Tecnologia de Distribuição (DTD) Departamento de Laboratórios de Adrianópolis (DLA) Departamento de Laboratórios do Fundão (DLF) O CEPEL também abriga em suas instalações o Centro Brasileiro de Referência para as Energias Solar e Eólica (CRESESB)

20 20 Para viabilizar a execução dos seus projetos, o Centro conta com recursos da holding ELETROBRAS e aportes financeiros de seus sócios fundadores (FURNAS, CHESF, ELETRONORTE, ELETROSUL), bem como dos 20 (vinte) sócios não fundadores, dentre os quais, CEEE, CELESC, CEMIG, COPEL, CPFL, ENERSUL, ESCELSA, CESP E CELPE, e ainda, dos sócios especiais CGTE, GERASUL, LIGHT, NOS, CENPES, ELETRONUCLEAR, TRACTEBEL e ITAIPU BINACIONAL. 9.2 Implantação e Resultados do Pregão Eletrônico no CEPEL Este artigo tem por objetivo avaliar e explorar quantitativamente e qualitativamente a utilização do pregão eletrônico em empresa pública de pesquisa, nos critérios economicidade, agilidade e eficácia, nas compras realizadas no período de 2007 a No CEPEL Centro de Pesquisas de Energia Elétrica, o pregão eletrônico foi implantado efetivamente no exercício de 2007 e suas licitações são realizadas através do portal do Banco do Brasil. O ano de 2007 foi peculiar para o CEPEL com a implantação definitiva da modalidade de licitação do Pregão Eletrônico ao rol de suas atividades. No dia 19/01/2007, o CEPEL realizou o primeiro Pregão Eletrônico do exercício 2007, cujo objeto foi a contratação de Serviços de Jardinagem. Somente nesta licitação o percentual de economia superou em 29% (vinte e nove por cento) ao valor orçado. Ao longo do exercício confirmou-se a expectativa de celeridade, eficiência, eficácia e, sobretudo, economicidade, nas compras públicas realizadas pelo Centro. Paralelamente foram reduzidas consideravelmente as aquisições através das demais modalidades de Convite, Tomada de Preços e Concorrência. Um aspecto favorável do Pregão Eletrônico, prontamente identificado no CEPEL, foi o tempo médio de processamento desde a publicação do Edital à homologação pela autoridade competente, de 17 dias corridos, bem como a significativa redução de impugnações aos Editais e Recursos Administrativos, comuns nos demais procedimentos licitatórios. Em 2007, foram publicados 73 (setenta e três) Editais de Pregão Eletrônico. Deste total 23 (vinte e três) procedimentos dividem-se em fracassados, cancelados, desertos ou revogados; 03 (três) encerraram o exercício em fase de contratação e 47 (quarenta e sete) foram concluídos com êxito, representando uma economicidade acumulada de R$ 1,409 milhão, equivalente a 14% (quatorze por cento) sobre o montante orçado. A economia gerada constitui recursos que permitiu ao CEPEL investir em novas aquisições para a modernização, aparelhamento e revitalização tecnológica do Centro.

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