N/Referência: P.º R.P. 118/2016 STJSR-CC Data de homologação:

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1 DIVULGAÇÃO DE PARECER DO CONSELHO CONSULTIVO N.º 1/ CC /2017 N/Referência: P.º R.P. 118/2016 STJSR-CC Data de homologação: Recorrente: Francisco J.., representado por Constantino.., advogado. Recorrido: Conservatória do Registo Predial de.. Assunto: Pedido de registo de aquisição com base em contrato promessa de partilha por divórcio que, conjuntamente com a cópia da escritura de partilha respetiva, integram certidão judicial extraida de processo de inventário instaurado para partilha de bem não partilhado, com decisão transitada em julgado, de extinção da instância, por inutilidade/impossiblidade superveniente, com fundamento na circunstância, não existente, de o bem a partilhar se encontrar já registado a favor do promitente adquirente Contrato promessa de partilha por divórcio versus partilha por divórcio sob condição suspensiva( divórcio). Palavras-chave: Contrato promessa de partilha por divórcio Promessa de partilha por divórcio, sob condição suspensiva - Relatório 1. O prédio a que respeita o pedido de registo cuja qualificação é objeto da presente impugnação é o descrito sob o nº 824/ da freguesia de A, relativamente ao qual se encontram em vigor duas inscrições de aquisição: - Ap de 1987/12/15 - Aquisição de 1/2 a favor de Francisco J... e mulher, Ana M..., casados na comunhão de adquiridos, por compra; - Ap de 1987/12/22 Aquisição de 1/2, em comum e sem determinação de parte ou direito A favor de Joana. L, viúva, e do mencionado Francisco J..., por dissolução da comunhão conjugal e sucessão hereditária de Merceano. L.. 2. No dia 16 de agosto de 2016 foram pedidos por Constantino, advogado, dois registos: - Pela Ap. 4..., a aquisição de 1/2 a favor de Francisco J..., casado com... Vaz L..., na comunhão dos adquiridos, mediante apresentação de Certidão judicial emitida em 15 de julho de 2016 pelo Tribunal da Comarca de. S Inst. Central F. e Men.-J1, respeitante ao Pº 6008/05.2TB - Autos de Inventário/Partilha de Bens Em Casos Especiais e de certidão do assento de nascimento do dito Francisco J... A referida certidão judicial inclui cópia de contrato promessa de partilha celebrado, por documento particular, entre o referido Francisco J... e a ex-mulher, Ana M... e cópia da escritura pública de 1/5

2 partilha por divórcio, celebrada entre os mesmos, entretanto casados com... Vaz L... e António P, respetivamente 1. É o seguinte o teor da sentença transitada em julgado: «Conforme se verifica dos autos, em especial de fls. 184, o imóvel a partilhar não é já um terreno, mas sim um prédio urbano. Tal terreno, ademais por acessão imobiliária, passou a constituir este último. O qual está, e bem, registado unicamente em nome do requerente/ cabeça de casal, conforme aliás vertido em contrato promessa de partilha. Pelo que se mostra despicienda a inquirição de testemunhas arroladas. Termos em que declaro extinta a instância, por impossibilidade/inutilidade superveniente, com custas pelo mínimo». - Pela Ap. 48, a transmissão da posição de Joana L na dita inscrição da Ap... de 1987/12/22, a favor do mesmo Francisco J..., mediante apresentação de escritura de habilitação de herdeiros e certidão fiscal. 1 A mesma certidão judicial Inclui também o teor do pedido formulado na propositura do inventário para partilha de bem comum do casal, por apenso à ação de divórcio, nos seguintes termos: «FRANCISCO J. ( ) Vem propor contra ANA M. ( ) Por apenso à ação de Divórcio acima referida, o presente Inventário para Partilha de bens comuns do casal, nos termos e com os seguintes fundamentos: 1º O requerente foi casado com a requerida de 04/10/75 a 11/10/90, no regime de comunhão de adquiridos. 2º O casamento foi dissolvido por divórcio decretado por sentença proferida nos autos principais em 23 de outubro de 1990, já transitada em julgado. 3º À data do divórcio existiam, e existem ainda hoje, pelo menos um bem comum que nunca foi partilhado. 4º Por escritura lavrada no.. Cartório Notarial de., a fls. 46 a 48ºv. do Livro de Notas 447L, em 27 de setembro de 2000, fizeram as partilhas extrajudiciais da maior parte dos bens( cfr. Doc 1 que se junta e que se dá por integralmente reproduzido para todos os efeitos legais). Todavia, 5º A casa de morada de família sita em V.., não consta dessa escritura, muito embora na altura, e por acordo das partes tivesse ficado definido que seria atribuída para o cônjuge marido, ora requerente (Contrato Promessa de Partilha Doc 2). 6º O requerente não pretende manter por mais tempo a presente situação de comunhão. 7º Todavia, não foi possível acordarem quanto à partilha extrajudicial. 8º Sendo mais velha, incumbe à requerida o exercício do cargo de cabeça de casal ( nº 2 do art.º 1404º do Código de Processo Civil). Nestes termos e nos demais de direito aplicáveis, requer a Vª Ex.a se digne mandar instaurar o presente Inventário para Partilha de bens comuns, notificando-se a requerida para prestar juramento e declarações como cabeça de casal.». 2/5

3 3. O registo da Ap foi efetuado tal como foi pedido, mas o da Ap foi recusado nos seguintes termos: «Recusado o registo de aquisição, pedido a coberto a Ap de 16/08/2016, por falta de título. O prédio objeto de registo encontra-se registado, na proporção de 1/2, a favor de Francisco J.. e mulher Ana M... casados na comunhão de adquiridos, por compra (Cfr. Ap... de 1987/12/15). Assim, o título para se proceder ao registo que ora se pretende efetuar será uma partilha do património comum do dissolvido casal, extrajudicial ou judicial, de onde conste além do mais, a necessária adjudicação. Fundamento legal: artigos 43º nº 1, 68º e 69º, nº 1 b) do Código de Registo Predial.» 4. Inconformado com a recusa, veio Francisco J... interpor o presente recurso, cujos termos aqui se dão por integralmente reproduzidos, alegando, em síntese, que o registo foi recusado apesar «de ter havido um contrato promessa, junto com a certidão, no seu ponto 14, em que diz o seguinte: A propriedade de todos os restantes bens do primeiro e segundo outorgante será transferida, após o divórcio para o segundo outorgante. O recurso mostra-se concluído nos seguintes termos: «( ) 4ª - Ser o registo da aquisição efetuada a favor de Francisco J... com base no contrato promessa e 2 partilha junto à certidão judicial que se anexa. 5ª- Por consequência ser feita a transmissão a favor de Francisco J..., com base nos documentos que se anexam, que consubstanciam o acordo entre as partes.» 5. Em cumprimento do disposto art. 142º-A/1 do CRP, a recorrida lavrou despacho, cujos termos aqui damos por integralmente reproduzidos, no qual apreciou os argumentos constantes do recurso e concluiu pela sustentação da qualificação impugnada. Saneamento: O processo é o próprio, as partes legítimas, o recurso tempestivo e inexistem questões prévias ou prejudiciais que obstem ao conhecimento do mérito. Pronúncia: A posição deste Conselho vai expressa na seguinte Deliberação 2 O recorrente terá pretendido escrever de em vez de e. 3/5

4 1. O contrato promessa de partilha por divórcio 3 não produz efeitos reais, pelo que só com a celebração do contrato de partilha objeto da promessa se dará a divisão do património integrante da comunhão conjugal, com preenchimento das meações de cada um dos cônjuges com bens concretos. 2. A circunstância de, em contrato justamente designado por Contrato promessa de partilha de bens, ter ficado a constar que a transferência dos bens se produzirá após o divórcio, não confere a tal contrato a natureza de partilha de bens sob condição suspensiva Sendo indiscutível que a decisão judicial de extinção da instância por inutilidade/impossibilidade superveniente proferida no processo de inventário instaurado para partilha dos bens comuns do dissolvido casal, não constitui título para registo de aquisição causado por partilha, é para lá disso manifesto que a decisão assentou na existência de uma situação registal diversa da que realmente existia, já que, contrariamente ao que é afirmado - «O qual está, e bem, registado unicamente 3 Pode hoje considerar-se pacífico, quer na jurisprudência quer na doutrina, o entendimento de que, em tese geral, é legalmente admissível este tipo de contrato, obviamente no pressuposto de que sujeito à condição suspensiva do divórcio. No sentido de que assim é (pacífico), cfr. Ac. do S.T.J. de 22/02/2007, in bem como a jurisprudência e doutrina nele indicada. Que tenhamos conhecimento, as únicas ocasiões em que este Conselho teve oportunidade de tomar posição sobre a questão, fê-lo no sentido contrário, mas apoiado na jurisprudência ao tempo defendida pelo S.T.J.. Referimo-nos aos Pºs 21/96 R.P.4 e 68/96 R.P.4, respetivamente in BRN nº8/96 e 4/97, que se apoiaram nos Ac. do S.T.J. de 02/02/1993 e 26/05/1993, e Pº R.P. 50/97 DSJ-CT, in BRN nº 2/98, no qual a questão foi apenas aflorada, pois que o que estava em discussão era a (in)admissibilidade da partilha sob condição suspensiva. A alteração de posição do S.T.J. deu-se com o Ac. 23/02/1999, in do qual consta que : «Não é de seguir, porém, essa orientação, por fundamentos que se reconduzem aos da solução predominante na jurisprudência das Relações e, em especial, aos expostos por Guilherme F.F. de Oliveira, na Rev. Leg. J., 129º, p. 279 e segtes, em anotação favorável a acórdão da R.C. de » 4 Não são de suscitar-se quaisquer dúvidas de que nos encontramos perante um contrato promessa de partilha de bens comuns, sob condição suspensiva do divórcio, quer em razão da forma utilizada (consta de documento particular, nem sequer legalizado por reconhecimento das assinaturas dos outorgantes), quer em razão do seu conteúdo ( está designado por «Contrato Promessa de Partilha de Bens», constando do nº1 que «Primeira e segundo outorgantes assinarão requerimento de divórcio por mútuo consentimento»). Tanto assim é que, após o divórcio, foi celebrada a partilha dos bens, com exclusão do bem aqui em causa, e que ambos os contratos instruíram o pedido de instauração do inventário de que foi extraída a certidão judicial apresentada. Assim, não se impõe que aqui se tome posição sobre a questão da (in)admissibilidade da partilha dos bens comuns sob a condição suspensiva do divórcio. Ainda assim, parece-nos pertinente deixar nota de que este Conselho já teve oportunidade de tomar posição sobre a questão, no já mencionado Pº R.P. 50/97 DSJ-CT, tendo o então Diretor-geral dos Registos e do Notariado, em face do empate verificado na votação do parecer, decidido dar procedência do recurso, com os fundamentos constantes de informação anexa do Ex.mo Notário Carvalho Botelho, na qual consta a defesa da tese da admissibilidade legal de tal contrato. Também consta em anexo parecer solicitado a Inocêncio Galvão Telles, que se igualmente se pronunciou pela teses da admissibilidade legal. Cfr., num e noutro dos sentidos, as referências doutrinárias constantes daquelas diversas peças do processo. 4/5

5 em nome do requerente/ cabeça de casal, conforme aliás vertido em contrato promessa de partilha» - a metade indivisa que se pretendia ver partilhada se encontra inscrita como bem comum do casal 5. Em face do exposto, propomos a improcedência da presente impugnação. Deliberação aprovada em sessão do Conselho Consultivo de 19 de janeiro de Luís Manuel Nunes Martins, relator. Esta deliberação foi homologada pelo Senhor Presidente do Conselho Diretivo, em O facto de estar afastada do âmbito da qualificação a apreciação do mérito da decisão judicial, para mais numa situação em que a mesma não titula qualquer facto sujeito a registo, não podemos deixar de referir que, unicamente perante os elementos disponibilizados pela certidão judicial, nos causa estranheza que a situação registal do bem tenha sido interpretada no sentido em que o foi. 5/5

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