SEÇÃO 27 REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS. Dezembro Elaborado por:

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1 Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo Telefones: , (teleatendimento); fax web: Rua Rosa e Silva, 60 Higienópolis São Paulo SP Presidente: Domingos Orestes Chiomento Gestão REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS SEÇÃO 27 Elaborado por: Francisco Antonio Bezerra O conteúdo desta apostila é de inteira responsabilidade do autor (a). A reprodução total ou parcial, bem como a reprodução de apostilas a partir desta obra intelectual, de qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos xerográficos, de fotocópias e de gravação, somente poderá ocorrer com a permissão expressa do seu Autor (Lei n. 9610) TODOS OS DIREITOS RESERVADOS: É PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTA APOSTILA, DE QUALQUER FORMA OU POR QUALQUER MEIO. CÓDIGO PENAL BRASILEIRO ARTIGO 184. Dezembro 2011 Acesso gratuito pelo Portal do CRC SP

2 CPC PME NBC TG 1000 SEÇÃO 27 - REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS CONCEITUAÇÃO LEI Nº 6.404/76, art. 183 Contempla a análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no Imobilizado e no Intangível. Outras regras para redução aos valores prováveis de realização têm sua aplicação há mais tempo, como provisões para devedores duvidosos com Contas a Receber e a adoção de custo ou mercado, dos dois o menor, para os Estoques. 2

3 Seção 27 CONCEITUAÇÃO Uma perda por desvalorização ocorre quando o valor contábil do ativo excede seu valor recuperável. Esta Seção deve ser aplicada ao tratamento contábil de redução ao valor recuperável de todos os ativos, exceto os seguintes, para os quais outras Seções desta Norma estabelecem a exigência de redução ao valor recuperável. CONCEITUAÇÃO Seção 27 - Alcance - Deve ser aplicada ao tratamento contábil de redução ao valor recuperável de todo os ativos, exceto os seguintes: Tributos diferidos ativos. Ativos provenientes de benefícios a empregados. Ativos financeiros (Seções 11 e 12). Propriedades para investimentos mensuradas a valor justo. Ativos biológicos e produtos agrícolas mensurados a valor justo. 3

4 CONTAS QUE PODEM SER IMPACTADAS Empresa ABC Balanço Patrimonial em 31 de dezembro de 2011 e 2010 (Expresso em milhares de reais) ATIVO Circulante Caixa e Equivalentes de Caixa Contas a Receber Adiantamentos a Terceiros Impostos a Compensar Estoques Outras Obrigações Não Circulante Depósitos Judiciais Investimento em Coligadas Imobilizado Intangível TOTAL ATIVO CONTAS QUE PODEM SER IMPACTADAS PASSIVO Circulante Saques a Descoberto em Bancos Fornecedores Empréstimos a Pagar Impréstimos e Contribuições a Recolher Outras Obrigações Não Circulante Empréstimos a Pagar Provisão para Contingências Patrimônio Líquido Capital Social Ajuste a Valor Patrimonial (-) Ações em Tesouraria Reserva de Lucros TOTAL PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO

5 CONTAS QUE PODEM SER IMPACTADAS EMPRESA ABC Demonstração do Resultado do Exercício (Expressa em milhares de reais) Receita Líquida em Vendas Custo dos Produtos Lucro Bruto Receitas / Despesas Operacionais Outras Receitas Custo de Distribuição Despesas Administrativas Outras Despesas CONTAS QUE PODEM SER IMPACTADAS Resultado antes das Receitas e Despesas Financeiras Resultado Financeiro Líquido Resultado antes dos Tributos sobre o Lucro IR e CSLL Resultado líquido das Operações Continuadas Resultado líquido das Operações Descontinuadas Resultado Líquido do Período

6 DEFINIÇÕES Termos importantes: Despesas de venda ou de baixa são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda ou à baixa de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa, excluindo as despesas financeiras e de impostos sobre o resultado gerado. DEFINIÇÕES Termos importantes: Valor justo líquido de despesa de venda é o montante a ser obtido pela venda de um ativo ou de unidade geradora de caixa em transações em bases comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, menos as despesas estimadas de venda. 6

7 DEFINIÇÕES Termos importantes: Perda por desvalorização é o montante pelo qual o valor contábil de um ativo ou de unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável. Valor recuperável de um ativo ou de unidade geradora de caixa é o maior montante entre o seu valor justo líquido de despesa de venda e o seu valor em uso. DEFINIÇÕES Termos importantes: Vida útil é: (a) o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar um ativo ou (b) o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter do ativo. 7

8 DEFINIÇÕES Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados, que devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa. Valor residual é o valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil. DEFINIÇÕES Mercado ativo é um mercado no qual todas as seguintes condições existem: (a) os itens transacionados no mercado são homogêneos; (b) vendedores e compradores com disposição para negociar podem ser encontrados a qualquer momento para efetuar a transação e (c) os preços estão disponíveis para o público. 8

9 QUANDO FAZER O TESTE? Fluxo para avaliar a recuperabilidade de ativos Início Existe um indicador de perda? Não Sim Fazer o Teste de Recuperabilidade Qual o maior valor? Valor Líquido de Venda Valor em Uso Não fazer o teste Valor Recuperável Valor Contábil Não Fim Perda por Desvalorização Sim O Valor Recuperável é menor que o Valor Contábil? INDICADORES 27.7 A entidade deve avaliar, no encerramento de suas demonstrações contábeis, se existe qualquer indicação de que um ativo possa estar desvalorizado. Se tal indicação existir, a entidade deve estimar o valor recuperável do ativo. Se não existir indicação de desvalorização não é necessário estimar o valor recuperável. 9

10 INDICADORES 27.8 Caso não seja possível ou aplicável estimar o valor recuperável do ativo individualmente, a entidade deve estimar o valor recuperável da unidade geradora de caixa da qual o ativo é parte, mediante a adoção de projeções dos fluxos de caixa da unidade geradora de caixa. INDICADORES 27.9 FONTES EXTERNAS a) Redução sensível do valor de mercado do ativo em relação ao que seria esperado pela passagem do tempo ou de seu uso normal. b) Alterações adversas significativas no contexto operacional da entidade por decorrências tecnológicas, de mercado, econômicas ou legais 10

11 INDICADORES c) Alterações nas taxas de juros de mercado ou de retorno sobre investimentos afetam significativamente as taxas de desconto utilizadas para cálculo do valor de uso do ativo e reduzem o seu valor justo. d) O valor contábil dos ativos líquidos da entidade é maior que o valor justo estimado da entidade como um todo. INDICADORES 27.9 FONTES INTERNAS a) Evidências de obsolescência ou de dano físico do ativo. b) Mudanças significativas voltadas à reestruturação ou descontinuidade operacional, que podem resultar e que o ativo se torne inativo ou tornar sua vida útil definida ou propenso à alienação 11

12 INDICADORES c) Evidências baseadas em relatórios internos dando conta de que o desempenho econômico do ativo é ou será pior que o esperado. INDICADORES REVISÃO DE DEPRECIAÇÕES OU AMORTIZAÇÕES Nos casos de ativos sujeitos a depreciações ou amortizações, os indícios de desvalorização podem indicar que a entidade deveria revisar a vida útil remanescente do bem ou, ainda, o seu valor residual sem, necessariamente, reconhecer uma desvalorização para o valor do ativo, propriamente dito. 12

13 VALOR RECUPERÁVEL Conceituação Valor recuperável do ativo ou da unidade geradora de caixa é o maior valor entre o valor justo deduzido das despesas para vender (valor líquido de venda) e o seu valor em uso. VALOR LÍQUIDO L DE VENDA Conceituação Valor líquido de venda é o valor que seria obtido em transações em bases comutativas, entre partes conhecedoras e interessadas, menos as despesas para venda. Não existindo contrato de venda firme para o ativo ou mercado ativo para sua cotação, a entidade deveria utilizar a melhor informação disponível, levando em conta possíveis transações recentes dentro do mesmo setor. 13

14 VALOR EM USO Conceituação Valor em uso é o valor presente dos fluxos de caixa futuros que se espera obter daquele ativo, levando em conta os seguintes procedimentos: a)estimativa das futuras entradas e saídas de caixa a serem obtidas pelo uso contínuo do ativo e pela sua alienação final e b)aplicação de taxa de desconto adequada a esses fluxos de caixa futuros. FLUXO DE CAIXA FUTURO Cuidados Adicionais e Exclusões dos fluxos a)entradas e saídas de caixa oriundas de financiamentos. b)recebimentos ou pagamentos de tributos sobre a renda. c)futuras reestruturações, melhorias ou aprimoramentos no desempenho do ativo com os quais a entidade ainda não está compromissada. 14

15 TAXAS DE DESCONTOS As taxas devem ser aplicadas antes dos tributos, objetivando refletir o valor do dinheiro no tempo. Cuidado especial para não ajustar a taxa de desconto aos riscos específicos de uso do ativo que já tenham sido considerados nas projeções originais, no sentido de se evitar dupla contagem. EXEMPLO PRÁTICO APLICÁVEL AOS ESTOQUES 15

16 ESTOQUES Aplicação da Redução 27.2 No fechamento do balanço a entidade deve avaliar se quaisquer estoques estão desvalorizados, de forma individualizada ou para grupo de itens similares. ESTOQUES A avaliação se dá por comparação do valor contábil com o preço de venda menos os custos para completar a formação dos estoques e vendê-los. Esta redução é uma perda por desvalorização e deve ser reconhecida como despesa no resultado do exercício. 16

17 EXEMPLO DE CÁLCULO DA REDUÇÃO Estoques são avaliados pelo menor valor entre o custo e o valor realizável líquido. Valor realizável líquido é o preço de venda estimado, diminuído dos custos, para completar a produção e despesas de vendas. Valor total Preço de venda (estimado) (-) Custos para completar a produção (em processo) (-) Despesas de vendas Total Valor líquido realizável do estoque Custo de produção em processo Ajuste ao valor realizável líquido (3.000) Reversão ESTOQUES 27.4 Se os fatos que justificaram a redução não existem mais ou o acréscimo no valor de venda evidenciam que as potenciais perdas não mais se materializarão, a entidade deve reverter a perda por desvalorização e reconhecê-la como receita no resultado do exercício. 17

18 RECONHECIMENTO Perda por Desvalorização para Unidade Geradora de Caixa (UGC) A perda por desvalorização somente será reconhecida se o valor recuperável da UGC for menor que o seu valor contábil e obedecerá a seguinte ordem: Primeiro A baixa se dá para qualquer ágio registrado por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) alocado à UGC. RECONHECIMENTO Segundo - Para os demais ativos da unidade de maneira proporcional ao seu valor contábil considerado na unidade. Contrapartida do reconhecimento da perda e reversão quando deixar de existir a razão da perda (exceção de ágios por rentabilidade futura) = resultado do exercício. 18

19 RECONHECIMENTO - LIMITE A redução do valor contábil de qualquer ativo da unidade geradora de caixa não pode ser inferior aos seguintes valores: a)valor líquido de venda (se determinável). b)valor de uso (se determinável) e c) zero. REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DO ÁGIO POR EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA (GOODWILL) Trata-se de um ativo intangível que, sozinho, não pode ser vendido, nem, tampouco, consegue gerar fluxos de caixa para a entidade que sejam independentes dos fluxos de caixa de outras unidades. Portanto, o valor justo do ágio necessita ser obtido pela mensuração do valor justo da unidade geradora de caixa da qual o ágio faz parte. 19

20 REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL A perda por desvalorização aplicável ao ágio por rentabilidade futura não deve ser revertida em período subsequente. EXEMPLO PRÁTICO ENVOLVENDO INTANGÍVEL (UGC) 20

21 EXEMPLO Direito de Uso de Franquias - Redução a Valor Recuperável Aquisição de Franquias pelo valor de R$ 140 mil. Direito de exploração por prazo estimado em 5 anos. Franquias com Marcas estabelecidas no mercado e UGC estabelecidas e identificáveis. Faturamento previsto de R$ 30 mil anuais, com crescimento de 10%. Descrição Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 TOTAL Faturamento de Franquias Ajuste a Valor Presente - VP Taxa de Desconto - Ano 14,0% 14,0% 14,0% 14,0% 14,0% Faturamento de Franquias - Ajustado a VP Fluxo de Caixa Descontado Valor Pago Capacidade de Realização 115% 21

22 EXEMPLO Ao final do primeiro ano, foram efetuadas novas avaliações das Unidades Geradoras de Caixa UGC. Mudanças comportamentais e de mercado indicam que o faturamento real do primeiro ano com franquias foi de R$ (queda de 35%). FLUXO DE CAIXA DESCONTADO PROJETADO PARA OS PRÓXIMOS QUATRO ANOS CONSIDERANDO FATURAMENTO REAL NO PRIMEIRO ANO Descrição Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 TOTAL REAL Faturamento de Franquias Ajuste a Valor Presente - VP Taxa de Desconto - Ano 14,0% 14,0% 14,0% 14,0% 14,0% Faturamento de Franquias - Ajustado a VP SALDO INICIAL SEGUNDO ANO Direito de Uso - Franquias Amortização Anual (28.000) Saldo Primeiro Ano Valor Recuperável Ajuste a Valor Recuperável (24.700) SALDO INICIAL SEGUNDO ANO Fluxo de Caixa Descontado Direito de Uso - Franquias Capacidade de Realização 78% Descrição Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Saldo Direito de Uso Franquias - Inicial Amortização Anual - Projetadas (21.825) (21.825) (21.825) (21.825) Saldo Direito de Uso Franquias - Final

23 DIVULGAÇÃO As seguintes divulgações são requeridas: a) O valor das perdas e das reversões reconhecidas no resultado do período e contas nas quais se encontram registradas. DIVULGAÇÃO b) Tais informações devem ser explicitadas, separadamente, para os seguintes ativos: Estoques. Imobilizado. Ágios. Intangíveis (outros, além de ágio). Investimentos em coligadas. Investimentos em empreendimentos controlados em conjunto. 23

24 CONTATO: 24

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