CPC 27 - IMOBILIZADO CPC Prof. Ms. Maurício F. Pocopetz

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2 CPC 27 - IMOBILIZADO CPC - 27 Prof. Ms. Maurício F. Pocopetz

3 OBJETIVO É estabelecer o tratamento contábil para ativos imobilizados, de forma que os usuários possam discernir a informação sobre o investimento da entidade em seus ativos imobilizados e suas mutações. Principais pontos considerados: Reconhecimento dos ativos Determinação dos seus valores contábeis Valores da depreciação Perdas por desvalorização

4 ALCANCE Este CPC não se aplica na contabilização de: Ativos imobilizados classificados como mantidos para venda (CPC 31); Ativos biológicos relacionados com atividades agrícolas (CPC29); Reconhecimento e mensuração de ativos de exploração e avaliação (CPC 34); Direitos sobre jazidas e reservas minerais.

5 DEFINIÇÕES ATIVO IMOBILIZADO é o item tangível que: É mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; Se espera utilizar por mais de um período; Correspondem aos direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens.

6 DEFINIÇÕES VALOR CONTÁBIL é valor pelo qual um ativo é reconhecido após a dedução da depreciação e da perda por redução ao valor recuperável acumuladas CUSTO É o montante de caixa ou equivalente de caixa pago ou o valor justo de qualquer outro recurso dado para adquirir um ativo na data de sua aquisição ou construção, ou ainda, se for o caso, o valor atribuído ao ativo quando inicialmente reconhecido de acordo com as disposições de outros CPCs. VALOR DEPRECIÁVEL é o custo de um ativo ou outro valor que substitua o custo menos o valor residual. DEPRECIAÇÃO É a alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo da sua vida útil.

7 DEFINIÇÕES VALOR ESPECÍFICO PARA A ENTIDADE (VALOR EM USO) é o valor presente dos fluxos de caixa que a entidade espera: Obter com o uso contínuo de um ativo e com a alienação ao final da vida útil; Incorrer para a liquidação de um passivo; VALOR JUSTO (fair value) é o valor pelo qual um ativo pode ser negociado entre partes interessadas, conhecedoras do negócio e independentes entre si, com ausência de fatores que pressionem para a liquidação da transação ou que caracterizem uma transação compulsória. PERDA POR REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL é o valor pelo qual o valor contábil de um ativo ou uma unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável.

8 DEFINIÇÕES VALOR RECUPERÁVEL é o maior valor entre o valor justo menos os custos de venda de um ativo e seu valor em uso. VALOR RESIDUAL DE UM ATIVO é o valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já estivesse a idade e a condição esperada para o fim de sua vida útil VIDA ÚTIL é: O período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar o ativo O número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter pela utilização do ativo

9 RECONHECIMENTO O custo de um ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: For provável que os futuros benefícios econômicos associados aos item fluirão para a entidade; O custo do item puder ser mensurado confiavelmente; Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como imobilizado quando a entidade espera usá-los por mais e um período. Itens que só podem ser utilizados em conexão com ativos, também são contabilizados como ativo imobilizado.

10 CUSTOS INICIAIS A entidade avalia todos os seus custos de ativos imobilizados no momento em que eles são incorridos. Esses custos incluem custos incorridos inicialmente para adquirir ou construir um item de ativo imobilizado e os custos incorridos posteriormente para: Renová-lo; Substituir suas partes; ou Dar manutenção.

11 CUSTOS SUBSEQUENTES A entidade não reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado os custos de manutenção periódica do item; Alguns equipamentos requerem substituição em intervalos regulares, e, nesse caso, se atender aos critérios de reconhecimento deverá ser contabilizado como imobilizado se as peças substituídas forem baixadas; Manutenções ou inspeções regulares, quando forem condição necessária para a utilização do ativo, o custo é reconhecido no valor contábil do bem, desde que atenda aos critérios de reconhecimento; Qualquer custo remanescente de inspeções anteriores deverá ser baixado.

12 MENSURAÇÃO O custo de aquisição de um ativo imobilizado compreende: Seu preço de aquisição, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos Quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condições necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração A estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e de restauração do local no qual este está localizado.

13 MENSURAÇÃO Exemplos de custos diretamente atribuíveis: Custos dos benefícios a empregados (CPC 33 Benefícios a Empregados) decorrentes diretamente da construção ou aquisição do item imobilizado; Custos de preparação do local; Custos de fretes e manuseios; Custos de instalações e montagens; Custos de testes para verificar se o ativo está funcionando corretamente; Honorários profissionais.

14 MENSURAÇÃO Exemplos que não são custos de um item de ativo imobilizado: Custos de abertura de uma nova instalação; Custos incorridos na introdução de um novo produto ou serviço; (incluindo propaganda e atividades promocionais) Custos de transferência das atividades para novo local ou para nova categoria e clientes; (incluindo custos de treinamentos) Custos administrativos e outros custos indiretos;

15 MENSURAÇÃO O reconhecimento dos custos no valor contábil de um item do ativo imobilizado cessa quando o item está no local e condições operacionais pretendidas pela administração, logo não faz parte dos custos de aquisição os seguintes valores: Custos incorridos durante o período em que o ativo capaz de operar nas condições operacionais pretendidas pela administração não é utilizado ou está sendo operado a uma capacidade inferior à sua capacidade total; Prejuízos operacionais iniciais; Custos de realocação ou reorganização de parte ou de todas as operações da entidade.

16 MENSURAÇÃO O custo de ativo construído pela própria empresa determina-se utilizando os mesmo princípios de ativo adquirido, ou seja, deve ser retirado do custo qualquer parcela de lucro existente; Gastos anormais na elaboração desse ativo (perdas) não devem ser alocados nos custos do ativo gerado internamente. O reconhecimento dos juros de empréstimos no imobilizado deve ser feito considerando os preceitos do CPC 20 Custos de Empréstimos.

17 VIDA ÚTIL Para a definição da vida útil de um ativo os seguintes fatores devem ser considerados: Uso esperado do ativo que é avaliado com base na capacidade ou produção física esperado do ativo; Desgaste físico normal esperado; Obsolescência técnica ou comercial; Limites legais ou semelhantes no uso do ativo.

18 VIDA ÚTIL A vida útil é definida em termos da utilidade esperada do ativo para a entidade, logo, a vida útil de ativo pode ser menor do que a sua vida econômica. Vida útil é diferente de vida econômica; A estimativa da vida útil do ativo é uma questão de julgamento baseado na experiência da entidade com ativos semelhantes;

19 DEPRECIAÇÃO Cada componente de um item de ativo imobilizado com custo significativo em relação ao custo total do item deve ser depreciado separadamente; Um componente significativo de um item de ativo imobilizado pode ter a vida útil e o método de depreciação iguais aos do item principal; O valor depreciável de um ativo deve ser apropriado de forma sistemática ao longo de sua vida útil; O valor residual e a vida útil de um ativo são revisadas pelo menos ao final de cada exercício e, se as expectativas diferirem das estimativas anteriores, a mudança deve ser contabilizada como mudança de estimativa contábil, segundo o CPC 23.

20 DEPRECIAÇÃO A depreciação deve ser reconhecida ainda que seu valor justo exceda o seu valor contábil, desde que o valor residual do ativo não exceda o seu valor contábil O valor depreciável de um ativo é determinado após a dedução de seu valor residual. Na prática, o valor residual de um ativo frequentemente não é significativo e por isso imaterial para o cálculo do valor depreciável O valor residual de um ativo pode aumentar. A despesa de depreciação será zero enquanto o valor residual subseqüente for igual ou superior ao seu valor contábil. A depreciação de um bem deve cessar quando o ativo é classificado como mantido para venda ou na data em que o ocorrer a baixa desse ativo.

21 MÉTODOS DE DEPRECIAÇÃO Há vários métodos de depreciação, porém: O método deve refletir o consumo pela entidade dos benefícios econômicos futuros O método de depreciação deve ser revisado pelo menos ao final de cada exercício e, se houver alteração significativa no padrão de consumo previsto, o método de depreciação de ser alterado para refletir essa mudança Os métodos de depreciação são: Linear Método da soma dos dígitos dos anos (método dos saldos decrescentes) Método das unidades produzidas Método das horas trabalhadas

22 LINEAR A depreciação pelo método linear resulta em despesa constante durante a vida útil do bem, caso o valor residual não se altere. Fórmula: C - VR Dep = Onde: Dep = Depreciação C = Custo de aquisição do bem VR = Valor residual Vue = Vida util estimada VUe

23 SOMA DOS DÍGITOS A depreciação pelo método da soma dos dígitos dos anos resulta em despesa crescentes ou decrescentes durante a vida útil do bem, caso o valor residual não se altere. Fórmula: Onde: Dep = Depreciação N = Período a ser depreciado Ʃ AVU = Somatório dos anos de vida útil N Dep = Ʃ AVU

24 UNIDADES PRODUZIDAS A depreciação pelo método das unidades produzidas resulta em despesa de depreciação variável durante a vida útil do bem, caso o valor residual não se altere. Fórmula: Onde: Dep = Depreciação QdP = Quantidade produzida ETP = Estimativa total de produção QdP Dep = ETP

25 HORAS DE TRABALHO A depreciação pelo método das horas de trabalho resulta em despesa de depreciação variável durante a vida útil do bem, caso o valor residual não se altere. Fórmula: Onde: Dep = Depreciação HTP = Horas de trabalho do período ETH = Estimativa total de horas HTP Dep = ETH

26 REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS Impairment é o instrumento utilizado para adequar um ativo a sua real capacidade de retorno econômico; O impairment é aplicado para: Ativo corpóreo Intangível de vida útil definida Intangível de vida útil indefinida Ativos disponíveis para venda Ativos decorrentes de operações descontinuadas Outros ativos mencionados em pronunciamentos do CPC 26

27 REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS Caso existam evidências claras de que os ativos estão registrados por valor não recuperável no futuro, a entidade deverá imediatamente reconhecer a desvalorização, por meio da constituição de provisão para perdas; Valor recuperável de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa é o maior valor entre o valor líquido de venda de um ativo e seu valor em uso. 27

28 REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS Um ativo está desvalorizado quando seu valor contábil excede seu valor recuperável. Se houver qualquer indício de que essa perda possa ter ocorrido, uma entidade deve fazer uma estimativa formal do valor recuperável. A entidade deve avaliar, no mínimo ao fim de cada exercício social, se há alguma indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. 28

29 Valor contábil líquido Compara Valor recuperável Valor líquido de venda Escolhe o maior valor Valor em uso

30 REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS Em alguns casos, estimativas, médias e cálculos sintéticos podem oferecer uma aproximação razoável dos cálculos para determinar o valor líquido de venda ou o valor em uso; Custo x benefício; 30

31 INDENIZAÇÃO DE PERDA POR DESVALORIZAÇÃO A indenização de terceiros por item do ativo imobilizado que tenham sido desvalorizados, perdidos ou abandonados deve ser reconhecida como resultado quando a indenização se tornar recebível.

32 BAIXAS O valor contábil de um item do ativo imobilizado deve ser baixado: Por ocasião de sua alienação Quando não há expectativa de benefícios econômicos futuros com a sua utilização ou alienação Ganhos e perdas decorrentes da baixa devem ser reconhecidos no resultado quando o item é baixado. Os ganhos não devem ser reconhecidos como receita de venda

33 DIVULGAÇÃO As demonstrações devem divulgar, para cada classe de ativo imobilizado: Os critérios de mensuração utilizados para determinar o valor contábil bruto; Os métodos de depreciação utilizados; As vidas úteis e as taxas de depreciação utilizados; O valor contábil bruto e a depreciação acumulada (mais as perdas por redução ao valor recuperável) no início e no final do período;

34 DIVULGAÇÃO A conciliação do valor contábil no início e no final do período; A existência de valores contábeis de ativos cuja titularidade é restrita (garantias, leasing); O valor dos gastos reconhecidos no valor contábil de um item do ativo imobilizado durante sua construção; O valor dos compromissos contratuais advindos da aquisição de ativos imobilizados;

35 DIVULGAÇÃO O valor das indenizações de terceiros por itens do ativo imobilizado; A depreciação de período, bem como a depreciação acumulada; A natureza e o efeito de mudanças de estimativas contábeis.

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