CONSIDERAÇÕES PARA APERFEIÇOAMENTO DO PL 6662/2016. Brasília

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1 CONSIDERAÇÕES PARA APERFEIÇOAMENTO DO PL 6662/2016 Brasília 2017

2 1. INTRODUÇÃO E CONTEXTO INICIAL Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 6662/2016, que institui o Sistema Nacional de Segurança Pública - SINASP e se destina a estabelecer diretrizes gerais e princípios fundamentais para organização e funcionamento de todos os agentes envolvidos com Segurança Pública, a qual, sendo responsabilidade e dever de todos, deve somar esforços da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, em uma abordagem multidisciplinar e sistêmica, priorizando a vida e buscando a atuação conjunta e coordenada de todos, com o objetivo de garantir a eficiência das atividades desenvolvidas. Trata-se de um importante marco legal de institucionalização de regras aplicadas a uma política nacional de segurança pública racional e integrada, com intercâmbio de informações e aplicações de meios padronizados de coleta de dados, definição de metas, ações do Conselho Gestor e participação efetiva da sociedade. Todavia, justamente como forma de contribuir para eficácia e aplicabilidade das normas consubstanciadas nesta proposição, sugerimos a seguir aperfeiçoamentos em alguns dispositivos, com vistas a fortalecer seu escopo e espírito legal. 2. SUGESTÕES DE EMENDAS DE REDAÇÃO AO SUBSTITUTIVO DO DEPUTADO ALBERTO FRAGA O substitutivo apresentado pelo eminente deputado Alberto Fraga é o que mais se adéqua à técnica legislativa e à juridicidade, bem como aos fins propostos no projeto de lei. Assim, optamos por apresentar aperfeiçoamentos redacionais em dispositivos específicos, os quais seguem elencados.

3 TEXTO ORIGINAL: Art. 11. Os agentes públicos devem observar as seguintes diretrizes na elaboração e na execução dos planos de segurança pública: XIII incentivar a criação de perícia oficial, compreendendo funções de perícia criminalística e medicina legal, com autonomia administrativa e funcional, de modo a assegurar condições ao desempenho de suas funções. XIII- incentivar a criação de perícia oficial de acordo com o artigo 144, 1º e 4º da Constituição Federal a critério dos Estados, compreendendo funções de perícia criminalística e medicina legal, com autonomia administrativa e funcional, de modo a assegurar condições ao desempenho de suas funções.(grifos nossos) Justificativa: A forma apresentada pode deflagrar medidas administrativas ou atos normativos internos que estabelecem novas formatações da perícia em dissonância com a estrutura vigente de acordo com o artigo 144, 1º e 4º da Constituição Federal, tendo em vista que as perícias encontram-se respectivamente vinculadas ao Departamento da Polícia Federal e às Polícias Civis, sendo fundamental a delimitação da observância do critério da norma constitucional em vigência. TEXTO ORIGINAL: Art. 15 7º Poderão ser instituídas forças tarefas, de coordenação conjunta, para atuação em local de grande incidência criminal, por tempo determinado, com a participação do Ministério Público e do Poder Judiciário. 7º Poderão ser instituídas equipes integradas dentre as instituições previstas nos artigos 144, I, II, III, IV, V da Constituição Federal, de coordenação conjunta, para atuação em local de grande incidência criminal, por tempo determinado.(grifos nossos) Justificativa: O termo força tarefa não é adequado na doutrina policial nem é definido no âmbito da legislação processual penal em vigor, podendo haver criação

4 setoriais ad hoc de servidores de diversas instituições que possam conflitar com os critérios legais de competência e atribuição. Consideramos mais pertinente o termo equipes integradas, mantendo a eficácia da finalidade do dispositivo, que é justamente dar executoriedade a ações integradas de prevenção e combate à criminalidade dentre as diversas instituições de segurança pública previstas no artigo 144 da Constituição Federal. TEXTO ORIGINAL: Art. 29. É considerado de natureza policial e de bombeiro, para todos os fins legais e regulamentares, o tempo de serviço prestado pelos profissionais referidos no art. 144 da Constituição na Secretaria Nacional de Segurança Pública, e em cargos em comissão ou funções de confiança do SINASP. Art. 29. É considerado de natureza policial e de bombeiro, para todos os fins legais e regulamentares, o tempo de serviço prestado pelos profissionais referidos no art. 144 da Constituição na Secretaria Nacional de Segurança Pública, e em cargos em comissão ou funções de confiança do SINASP, bem como em outro ente federado em funções de confiança vinculadas à segurança pública. (grifos nossos) Justificativa: Inúmeros são os casos em que, bombeiros militares, policiais militares ou civis são designados para atuarem em funções de segurança ligadas à segurança pública nos municípios ou em outros entes federados, sem que haja segurança jurídica de ser considerado seu tempo de serviço como inerente à atividade policial, causando prejuízos a seus direitos funcionais. Assim, se torna essencial acréscimo dessa redação, contemplando os casos. TEXTO ORIGINAL Art. 30. A função policial e bombeiro é considerada técnica, perigosa e insalubre para todos os efeitos legais, aplicando-se à remuneração dos profissionais de segurança pública, civis e militares, o disposto no 4º do art. 39 da Constituição Federal.

5 Art. 30. A função policial e de bombeiro é considerada técnica, perigosa e insalubre para todos os efeitos legais, podendo ser aplicada à remuneração dos profissionais de segurança pública, civis e militares, o disposto no 4º do art. 39 da Constituição Federal. Justificativa: Diversos são os entes federados que não adotam o sistema remuneratório de subsídio disposto no artigo 39, 4º, da Constituição Federal, de modo que criar uma obrigatoriedade neste dispositivo poderá violar a cláusula pétrea prevista no artigo 60, parágrafo 4º, inciso I, da Constituição Federal, pois caracterizaria invasão de competência e atribuição de um ente federado a União sobre os Estados, sendo mais adequado estabelecer a possibilidade da implantação daquele sistema remuneratório. CONCLUSÃO Na certeza de nosso propósito de contribuir para a segurança pública encaminhamos este singelo estudo técnico com recomendações a quem clamamos pela adoção de seus fundamentos. Brasília, 11 de outubro de 2017 Carlos Eduardo Benito Jorge Presidente da ADEPOL do Brasil

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