Influência da estrutura da vegetação sobre o uso de diferentes fitofisionomias por Sapajus xanthosternos num fragmento de Mata Atlântica

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1 Influência da estrutura da vegetação sobre o uso de diferentes fitofisionomias por Sapajus xanthosternos num fragmento de Mata Atlântica Saulo M. Silvestre, José Paulo Santana, Renato R. Hilário, Patrício A. da Rocha, Raone Beltrão-Mendes, Stephen F. Ferrari Pirenópolis, GO Brasil 2017

2 Introdução A extensão de uma área não é capaz por si só de determinar a qualidade do hábitat para as espécies animais que lá vivem Os primatas neotropicais, por serem arborícolas, evidenciam a relação de dependência dos animais de características específicas do habitat Cada espécie possui seu próprio conjunto de requerimentos e preferências de habitat e são esses aspectos que determinam, entre outras coisas, o valor de uma área para a sua conservação (Mittermeier & van Roosmalen 1981)

3 Introdução Sapajus xanthosternos Região limitada ao sul pelo Rio Jequitinhonha e ao norte e oeste pelo Rio São Francisco, abrangendo os estados de Sergipe, Bahia e Minas Gerais (Rylands et al. 2005). (IUCN, 2014)

4 Introdução Alta flexibilidade ecológica (Fragaszy et al. 1990) Frugívoras-insetívoros, são capazes de explorar uma vasta gama de recursos alimentares A disponibilidade de frutos do ambiente é um aspecto-chave para macacos-prego: Tamanho e padrão de utilização das áreas de vida; Tamanho e padrão de fissão dos grupos; Densidades populacionais. (Izar 2004) (Suscke, 2009)

5 Introdução A distribuição dos recursos alimentares é um forte influenciador do padrão de uso da área de vida para grupos de macacos-prego (Chapman 1988; Brown & Zunino 1990; Zhang 1995). Numa escala mais ampla de análise, entretanto, outras variáveis podem influenciar em quais porções da floresta são efetivamente utilizadas pelos macacos-prego constituindo as áreas de vida dos grupos residentes. Objetivo: Descrever o uso de diferentes fitofisionomias de um fragmento florestal por uma população de macacos-prego-do-peito-amarelo, relacionando-o a aspectos do habitat como características estruturais e de disponibilidade de frutos.

6 MÉTODOS Área de estudo Fazenda Rio Fundo (FRF) 800 ha Município de Itaporanga D Ajuda, Sergipe, no nordeste brasileiro. Localização do fragmento da Fazenda Rio Fundo em Itaporanga D'Ajuda, Sergipe.

7 MÉTODOS Área de estudo Entre as formações nativas: FM: Floresta madura FS: Floresta secundária RE: Restinga arbustiva MT: Matas de tabuleiro

8 MÉTODOS Coleta de dados Maio de 2015 a fevereiro de pontos amostrais Cinco em cada tipo de habitat (FM; FS; RE; MT). Uma parcela (100 m²) por ponto Uma armadilha-fotográfica por ponto Fenologia: parcelas de 1 a 12. Distribuição dos 20 pontos amostrais dentro do fragmento da FRF.

9 MÉTODOS Coleta e análises de dados Estrutura do habitat Indivíduos arbóreos com perímetro do caule igual ou superior a 10 cm Densidade de indivíduos arbóreos; Área basal; Altura (estimada visualmente). Fenologia Amostragem semiquantitativa Índices ponderados de Fournier (Silva et al. 2014) Uso das fitofisionomias Visitas independentes: vídeos num mesmo ponto com > 1 hora de intervalo entre si; Frequência de registros: intensidade de uso da fitofisionomia.

10 RESULTADOS E DISCUSSÃO Esforço amostral Estrutura do habitat 910 árvores avaliadas Fenologia 468 árvores monitoradas Armadilhas-fotográficas armadilhas-dia; 361 armadilhas-dia por habitat; vídeos diurnos; 430 vídeos de macacos-prego -> 39 visitas independentes Hábitat Número de registros FM 12 FS 27 RE 0 MT 0

11 RESULTADOS E DISCUSSÃO Disponibilidade de frutos e os registros de macacos Incluindo todos os habitats Não significativo p = 0.282, r² = 0.005; df = 38 Apenas FM e FS Não significativo p = 0.197, r² = 0.040, df = 18

12 RESULTADOS E DISCUSSÃO Estrutura da vegetação e os registros de macacos Correlação altura e área basal: p < 0.001, r = 0,73 Densidade de árvores e registros p = 0,131; r² = 0,09; df = 18 Área basal e registros: p = 0,032; r² = 0,402; df = 18 AIC = 20,464 Altura e registro de macacos: p = 0.028; r²=0.424; df = 18 AIC =

13 RESULTADOS E DISCUSSÃO Altura das árvores e quantidade de registros Apenas pontos com registros Sem influência sobre nº de registros p = 0.675, r² = , df = 7 Essa não é uma relação linear, em que quanto maior a altura das árvores, maior será a frequência do utilização da área pelos macacos Existe um limiar, abaixo do qual os macacos-prego evitam utilizar uma dada área

14 RESULTADOS E DISCUSSÃO Estrutura da vegetação e preferências de hábitat Quando se fala em uso do espaço, existe mais que uma escala de análise Diferentes escalas -> Diferentes fatores -> Diferentes padrões Na escala de área de vida o padrão de uso do espaço de macacos-prego é determinado pela distribuição do principal recurso alimentar utilizado (Chapman 1988; Brown & Zunino 1990; Zhang 1995). Numa análise em que porções ocupadas e não ocupadas (ou intensamente ocupadas e pouco ocupadas) de uma mesma área/fragmento são avaliadas, o padrão é determinado por um conjunto maior de parâmetros ambientais do habitat, que inclui, por exemplo, o porte das árvores dos habitats disponíveis.

15 RESULTADOS E DISCUSSÃO Porque preferir florestas com árvores maiores? Porte das árvores: Locomoção e Exposição a predadores terrestres Macacos-prego apresentam padrão locomotor predominantemente quadrúpede; Utilizam suportes arbóreos de tamanho médio (Fleagle & Mittermeier 1981). Disponibilidade de suporte: Reduz gastos energéticos relacionados a locomoção; Especialmente vantajoso para populações em que filhotes são observados ao longo de todo o ano; Risco de predação Maior distância de predadores terrestres e maior mobilidade em casos de encontros.

16 RESULTADOS E DISCUSSÃO Porque preferir florestas com árvores maiores? O padrão observado revela uma preferência de habitat, não uma limitação ecológica Áreas com árvores de menor porte são evitadas pelos macacos-prego-de-peito amarelo quando há disponibilidade de hábitats com árvores maiores na área. Esses resultados expandem a discussão sobre determinantes dos padrões de ocupação do hábitat por macacos-prego e fornecem informações úteis ao planejamento de medidas direcionadas à conservação de uma espécie criticamente em perigo de extinção, o macaco-prego-do-peito-amarelo.

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