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1 VI REUNIÃO PARDEV 17/5/2012 Fala abertura Laís Abramo 1. A Cooperação Sul Sul é um importante e estratégico instrumento de parceria (partnership) para o desenvolvimento, capaz de contribuir para o crescimento econômico, a redução da pobreza e das desigualdades e a inclusão social, a construção de um mundo mais justo, equilibrado, igualitário e sustentável. 2. Trata-se de um esforço comum dos povos e países do Sul, baseado na idéia de que, através de um espírito de solidariedade ativa, os países em desenvolvimento podem construir soluções criativas e soberanas aos seus problemas. 3. Consiste em um instrumento importante em uma estratégia voltada à independência econômica e autoconfiança dos países em desenvolvimento, baseada em seus objetivos comuns. 4. Trata-se de uma estratégia complementar à cooperação Norte-Sul e que não tem o objetivo de substituí-la. O fortalecimento da Cooperação Sul-Sul não deve ser considerado uma alternativa ao compromisso assumido pelos países desenvolvidos em assistir os países em desenvolvimento e que foi expressa, entre outras instâncias e mecanismos, nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. 5. Ela deve ser orientada pela demanda (as prioridades devem ser definidas pelos países receptores da cooperação) e não comporta nenhum tipo de condicionalidade. 6. O Programa de Parceria entre a OIT e o governo brasileiro para a promoção da Cooperação Sul-Sul está demarcado dentro desses princípios e objetivos. Tem como objetivo central promover a Agenda do Trabalho Decente, que, juntamente com os objetivos do desenvolvimento humano, são caminhos para a justiça social e marcos para o desenvolvimento dos povos.

2 7. Tem também como marco as prioridades dos Programas de Trabalho Decente de cada país e das prioridades estabelecidas em outras instâncias regionais ou sub-regionais (CPLP e Mercosul) 8. Trata-se de uma experiência recente, mas que vem se consolidando e ampliando rapidamente: a. 2005: primeiros projetos de combate ao trabalho infantil (Angola e Moçambique e Haiti) executados pela OIT com recursos do governo brasileiro b. 2006: CSS ressaltada como uma das estratégias de implementação da Agenda Nacional de Trabalho Decente, lançada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em maio desse ano durante a XVI Reunião Regional Americana, realizada em Brasília c. Dezembro de 2007: Memorando de Entendimento para o Estabelecimento da Iniciativa de Cooperação Sul-Sul no Combate ao Trabalho Infantil d. Março de 2009: Ajuste Complementar ao Acordo entre o Brasil e a OIT para a Implementação do Programa de Parceria entre a OIT e o Brasil para a Promoção da Cooperação Sul-Sul (marco jurídico fundamental) e. Maio de 2009: Documento do Programa de Parceria Sul-Sul na Prevenção e Eliminação do Trabalho Infantil nas Américas instrumento programático entre o Brasil e a OIT Objetivo: sistematizar as experiências desenvolvidas no Brasil, com apoio da OIT, e apoiar sua replicabilidade em outros países, de acordo com as metas estabelecidas na Agenda Hemisférica de Trabalho Decente f. Junho de 2009: Documento do Programa de Parceria Sul-Sul na Área de Seguridade Social: Instrumento programático assinado entre o Brasil e a OIT

3 Objetivo: contribuir para aumentar a cobertura e efetividade dos sistemas de seguridade social, no marco da Agenda do Trabalho Decente, por meio da cooperação Sul-Sul. g. Outubro de 2009: assinatura dos primeiros projetos no âmbito do programa de combate ao trabalho infantil (Bolívia, Equador, Paraguai e Timor Leste). h. Fevereiro 2010: Declaração Conjunta entre o Governo brasileiro (Federal e estado da Bahia), a OIT e o governo da República Dominicana em matéria de trabalho decente, com ênfase na experiência da Agenda Bahia de Trabalho Decente 9. Significado dessa experiência para todos os parceiros envolvidos (países cooperantes e a OIT): outra vez tomando como referência as palavras do Ministro Celso Amorim, na sua intervenção de ontem, No mais das vezes não se trata só de emprestar ou doar dinheiro, mas de transferir conhecimentos de um país em desenvolvimento que passa ou passou por desafios semelhantes 10. Ou seja, mais do que a entrega ou disponibilização de recursos financeiros, o objetivo principal desse programa de parcerias é disponibilizar e compartilhar experiências que permitam avançar na agenda do trabalho decente. 11. As áreas/temas escolhidas pelos países parceiros são aquelas nas quais o Brasil reconhecidamente conseguiu avançar significativamente, em um periodo relativamente curto de tempo, em problemas tão graves como o trabalho infantil e o trabalho forçado. Ou nos quais a capacidade propositiva do país tem abertos caminhos promissores, como o da construção das agendas locais de trabalho decente e a promoção de empregos verdes; 12. Áreas e experiências nas quais a OIT, ao longo do tempo, participou, apoiou, ajudou a desenvolver, contribuiu para a consolidação e a validação de boas práticas, ajudou a consolidar atores e instituições a transformar pequenos projetos piloto em políticas públicas. 13. RESPONSABILIDADES DAS PARTES

4 14. GOVERNO BRASILEIRO: a. Compartilhar o conhecimento e colocar à disposição de outros países em desenvolvimento as experiências exitosas de instituições especializadas nacionais, sem a imposição de condicionalidades e em respeito aos princípios de soberania, contribuindo com o progresso socioeconômico de outros povos nas áreas consideradas mais relevantes pelos próprios países. b. Contribuir com recursos humanos e financeiros para a execução dos projetos e ações acordadas entre o Brasil e os países interessados. 15. PAÍSES PARCEIROS a. Definir as áreas de seu interesse para a cooperação com o Brasil. b. Participar na elaboração, discussão e aprovação das propostas de projetos. c. Colocar à disposição os recursos humanos necessários à realização das atividades acordadas. d. Compartilhar suas experiências com o Brasil e demais países envolvidos no programa. 16. OIT a. Facilitar a transferência e adaptação à realidade sócio-econômica e institucional dos países parceiros de práticas, experiências e conhecimentos desenvolvidos no Brasil. b. Contribuir na identificação e especificação da demanda dos países parceiros, em conformidade com suas prioridades nacionais e com os respectivos Programas de Trabalho Decente por País (PTDP). c. Sistematizar e validar as boas práticas e lições aprendidas no Brasil, assegurando a qualidade técnica das ações a serem

5 desenvolvidas por entidades brasileiras responsáveis por prestar a cooperação (governamentais ou não governamentais). 17. VANTAGENS DA COOPERAÇÃO TRIANGULAR a. Sistematização e difusão das boas práticas desenvolvidas nos projetos de cooperação tradicionais. b. Aumento do impacto e escala das ações de cooperação bilaterais. c. Diversificação dos parceiros na implementação da cooperação sulsul bilateral. d. Reforço dos laços sul-sul e fortalecimento da gestão da cooperação. 18. Em síntese, a OIT desenvolve atualmente 3 modalidades de cooperação Sul-Sul com Brasil: a) OIT Brasil (ABC) - terceiro país (ou grupo de países) em desenvolvimento (TRIANGULAR): A OIT intermedia a demanda e a possibilidade de oferta e cooperação e co-executa o projeto. b) OIT ABC - um país doador tradicional terceiro país em desenvolvimento (TRIANGULAR): A OIT realiza as estratégias da primeira modalidade e adicionalmente promove a capacitação e sinergia de recursos dos doadores tradicionais c) OIT ABC terceiro país em desenvolvimento (BILATERAL): A OIT promove e apoia o diálogo social entre o Brasil e um país em desenvolvimento a partir da solicitação de uma das partes e apenas acompanha o processo. A cooperação se desenvolve de forma bilateral.

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