AVALIAÇÃO DA QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE SOJA CONVENCIONAL COLETADAS EM TRÊS POSIÇÕES DA PLANTA

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1 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE SOJA CONVENCIONAL COLETADAS EM TRÊS POSIÇÕES DA PLANTA Tiago R. Sousa¹*(PG), Marina C. Guerrero²(PG), Itamar R. Teixeira³(PQ), Sebastião P. Silva Neto 4 (PQ) 1 Eng. Agrônomo, Mestrando em Produção Vegetal, Bolsista CAPES, Universidade Estadual de Goiás, (GO), 2 Eng. Agrônoma, Mestranda em Produção Vegetal, Universidade Estadual de Goiás, (GO) 3 Docente, Universidade Estadual de Goiás, Ipameri, (GO) 4 Pesquisador, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados, Planaltina (DF) RESUMO: Este trabalho teve por objetivo avaliar a qualidade fisiológica de sementes de cultivares convencional de soja produzidas no Estado de Goiás, em função dos diferentes hábitos de crescimento e posição de coleta ao longo do dossel da planta. Empregou-se o delineamento inteiramente ao acaso, fatorial 5 x 3, com quatro repetições, sendo os tratamentos constituídos de lotes de sementes oriundas de cinco cultivares convencionais apresentando diferentes hábitos de crescimento. BRS 7580, BRS 7980, BRS 8381, BRS 6780 e BRS 6980, colhidas em diferentes posições da planta: TS - terço superior, TM - terço médio, e TI - terço inferior). Houve diferença entre os materiais genéticos estudados quanto a qualidade fisiológica das sementes colhidas em diferentes partes da planta. As cultivares BRS 7580, BRAS 6780, BRS 6980, BRS 7980 produziram sementes de qualidade superior quando colhidas no terço médio da planta. As sementes da cultivar BRS 8381 apresentaram menor potencial fisiológico, independente da posição na planta em que as sementes foram colhidas. Palavras-chave: Glycine max L.. Melhoramento convencional. Fisiologia da planta. Qualidade de semente. Introdução A utilização de semente de soja de alta qualidade associada a boas práticas de semeadura assegura o estabelecimento de uma população de plantas vigorosas e em número adequado, sendo a base para o sucesso da lavoura, contribuindo para alcançar altas produtividades (França Neto et al., 2010). Contudo, a produção de semente de soja de alta qualidade é um desafio para o setor sementeiro, principalmente em regiões tropicais e subtropicais (Krzyzanowski, 2008). Nessas regiões, é imprescindível o emprego de técnicas especiais, uma delas pode ser um rigoroso controle da qualidade, o que é constantemente impulsionado pela competitividade do mercado (Ávila et al., 2007). Visando a redução dos efeitos que possam interferir na qualidade do lote de sementes, esse controle deve-se estender

2 até a comercialização, garantindo a qualidade genética, fisiológica, sanitária e a pureza física. No caso especifico da soja há poucas informações sobre a qualidade fisiológica de sementes desses novos materiais coletadas em diferentes posições ao longo do dossel da planta, assim como a relação existente entre a qualidade fisiológica de sementes de soja em função dos hábitos de crescimento. Estas lacunas trazem à tona a necessidade de novos estudos que devem ser realizados a fim de avaliar e auxiliar na tomada de decisão. Desta forma, este trabalho teve por objetivo avaliar a qualidade fisiológica de sementes de cultivares convencional de soja, em função dos diferentes hábitos de crescimento e da sua posição de coleta ao longo do dossel da planta. Material e Métodos As sementes utilizadas neste estudo foram provindas de plantas coletadas nos campos de produção de sementes de soja convencional na safra agrícola 2014/2015, situada no município de Ipameri, GO. Empregou-se o delineamento inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 5 x 3, com quatro repetições. BRS 7580 (hábito de crescimento determinado, ciclo de 110 dias), BRS 7980 (hábito de crescimento determinado, ciclo de 120 dias), BRS 8381 (hábito de crescimento semi-determinado, ciclo de 130 dias), BRS 6780 (hábito de crescimento indeterminado, ciclo de 95 dias) e BRS 6980 (hábito de crescimento indeterminado, ciclo de 100 dias), colhidas em diferentes posições da planta: TS - terço superior, TM - terço médio) e TI - terço inferior). Para a colheita, foram selecionadas quatro linhas de cinco metros em quatro repetições, a fim de obter maior representatividade da área. Das sementes trilhadas foram retiradas amostras de 02 (dois) kg para cada terço médio de cada cultivar. A qualidade fisiológica das sementes de soja foi determinada por meio dos seguintes testes: germinação, primeira contagem, envelhecimento acelerado e condutividade elétrica. Germinação - TPG (Teste Padrão de Germinação): foi realizado com quatro subamostras de 50 sementes, dispostas em substrato de papel do tipo germitest, umedecidos com água destilada. As leituras foram efetuadas no oitavo dia após a semeadura, computando-se as porcentagens de plântulas normais (Brasil, 2009).

3 Teste de primeira contagem: Foi conduzido em conjunto com o teste de germinação, sendo computado o percentual de plântulas normais no quinto dia. Envelhecimento Acelerado (EA): Foram distribuídas 250 sementes/repetição em caixa plástica gerbox com tela, conforme metodologia recomendada por Krzyzanowski et al. (1999). Condutividade Elétrica (CE): foi realizado no sistema de copos, conforme a metodologia recomendada por Krzyzanowski et al. (1999). Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância, e as diferenças detectadas entre tratamentos foram discriminadas pelo teste de Skott Knott, a 5% de probabilidade. Os cálculos estatísticos foram realizados por meio do software SISVAR. Resultados e Discussão A qualidade fisiológica das sementes oriundas dos diferentes materiais genéticos, colhidas em posições distintas ao longo do dossel da planta diferenciouse entre sim nos testes de germinação, primeira contagem, envelhecimento acelerado e condutividade elétrica. No teste padrão de germinação (TPG), as cultivares BRS 7580, BRS 6780 apresentou maior germinação superando a BRS 7980, BRS 6980 e a BRS 8381 (Tabela 1). Tabela 1. Médias dos valores do teste de germinação (TPG), primeira contagem de germinação (PC), envelhecimento acelerado (EA) e condutividade elétrica (CE) de sementes de diferentes cultivares de soja. Cultivar TPG (%) PC (%) EA (%) CE (μs -1 cm -3.g -1 ) BRS a a a b BRS a b b d BRS c c c e BRS a a a a BRS b b b c Média *Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Skott Knot a 5% de probabilidade. Para a variável primeira contagem de germinação, os dados mostraram que ambas cultivares tiveram comportamento inferior ao de germinação. O maior valor encontrado foi de 93.67% para a cultivar BRS 7580, e o menor valor encontrado no cultivar BRS 8381 de 68.33%, mostram menor potencial fisiológico dessa cultivar.

4 Essas diferenças de comportamento observadas entre as cultivares de soja, pode ser explicada pela diferença genética entre elas (Krzyzanowski et al., 1993). Os maiores valores obtidos no teste de envelhecimento acelerado foram a cultivar BRS 7580, BRS 6780 apresentando desempenho semelhantes, indicando potencial fisiológico superior, não diferindo estatisticamente entre ambas, mas diferindo do segundo grupo composto pelas cultivares BRS 6980 e BRS 7980 que apresentou valores inferiores e classificadas como intermediárias (Tabela 1). Sendo assim, o menor valor foi apresentado pelo cultivar BRS 8381 com 68.83%, apresentando menor potencial fisiológico em relação as demais cultivares. Portanto, podem funcionar como importante ferramenta nos programas de melhoramento genético de soja, possibilitando a detecção de cultivares produtoras de sementes capazes de germinar em percentuais iguais ou acima do padrão de comercialização (80%) (BRASIL, 2009), mesmo sob condições adversas, como altas temperatura e umidade relativa do ar. Quanto ao desempenho das sementes no teste de condutividade elétrica, as cultivares BRS 7580, BRS 6780, BRS 6980, BRS 7980 apresentaram os menores valores respectivamente e foram classificadas como sendo de potencial fisiológico superior e apresentaram valores próximo ao determinado para sementes de soja com alto vigor que, segundo AOSA (2002), está entre 60 e 70μS.cm -1.g -1, enquanto que 70 a 80 μs.cm -3.g -1 são valores com tendência para médio vigor. Entretanto, o resultado do cultivar BRS 8381 apresentou valor de (Tabela 1), não indicando necessariamente baixo vigor, já que todas apresentaram germinação igual ou superior a 80%. Para Krzyzanowski (1999), o genótipo é um dos fatores que influenciam os resultados do teste de condutividade elétrica. Os resultados evidenciaram que a cultivar BRS 7580 e BRS 6780 foram as que apresentaram maior potencial fisiológico para ambos os testes estudados, seguido de BRS 7980 e BRS Avaliando o comportamento das cultivares observa-se que a BRS 8381 mostrou-se estatisticamente menor qualidade fisiológica em relação as demais cultivares.

5 Considerações Finais Dentre as cultivares estudadas, BRS 7580, BRS 6780, BRS 7980, BRS 6980 apresentaram maior potencial fisiológico para todas as variáveis analisadas. Podendo ser recomendadas para ser utilizada em regiões com probabilidade de ocorrer altas temperatura e umidade durante e logo após a semeadura no campo. As sementes da cultivar BRS 8381 apresentou menor potencial fisiológico para todas as variáveis analisadas em relação as demais. Quanto ao padrão mínimo de germinação exigido pelo Ministério da Agricultura para comercialização de semente (> 80%), as sementes das cultivares usadas nesse estudo, apresentam características superiores pelo teste padrão de germinação. Agradecimentos Apoio Financeiro: CAPES, UEG, FAPEG e Ypameri Sementes. Referências ASSOCIATION OF OFFICIAL SEED ANALYSTS. Seed vigor testing handbook. Lincoln: AOSA, p. (Contribuition, 32) ÁVILA, M.R.; BRACCINI, A.L.; SCAPIM, C.A.; MANDARINO, J.M.G.; ALBRECHT, L.P.; VIDIGAL FILHO, O.P. Componentes do rendimento, teores de isoflavonas, proteínas, óleo e qualidade de sementes de soja. Rev. Bras. Sem. 29: , BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Secretaria de Defesa Agropecuária. Brasília: Mapa/ACS, p. FRANÇA-NETO, J. B.; KRZYZANOWSKI, F. C.; HENNING, A. A. A importância do uso de sementes de soja de alta qualidade. [S.l: s.n], (Folder, n. 1). KRZYZANOWSKI, F. C.; FRANÇA NETO, J. B.; HENNING, A.A.; COSTG, N.P. O controle de qualidade agregando valor à semente de soja série sementes. Londrina, Embrapa CNPSo p. (Circular Técnica 54). KRZYZANOWSKI, F.C.; VIEIRA, R.D. Deterioração controlada. In: KRZYZANOWSKI, F.C.; VIEIRA, R.D.; FRANÇA NETO, J.B. (Ed.) Vigor de sementes: conceitos e testes. Londrina: ABRATES, cap.6.1, p.6-8. KRZYZANOWSKI, F. C.; GILIOLI, J. L.; MIRANDA, L. C. Produção de sementes nos cerrados. In: ARANTES N. E.; SOUZA, P. I. M. (eds.) Cultura da soja nos cerrados. Piracicaba: POTAFOS, p

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