Identificação, mapeamento e comercialização de alface em Cáceres, Mato Grosso Brasil

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1 Identificação, mapeamento e comercialização de alface em Cáceres, Mato Grosso Brasil Adriano Mitio Inagaki 1 ; Marla Silvia Diamante 1 ; Santino Seabra Júnior 2 ; Maria Cândida Moitinho Nunes 2 ; Mônica Bartira da Silva 3 ; Sandra Mara Alves da Silva Neves 4. 1 Universidade Estadual do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Graduando em Agronomia, Av. São João sn, Cáceres-MT. 2 Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Depto. de Agronomia, Av. São João sn, Cáceres MT. 3 Universidade Estadual do Oeste do Estado do Paraná (UNIOESTE), campus de Marechal Cândido Rondon-PR. 4 Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Depto. de Geografia, Av. São João sn, Cáceres MT. RESUMO A alface é produzida por agricultores familiares, representando grande importância para o mercado local do município de Cáceres-MT. A pesquisa teve como objetivo avaliar a comercialização e a distribuição das áreas de cultivo de alface em Cáceres/MT. As unidades produtivas de alface foram identificadas e catalogadas, através de visitas a feira central, lojas agropecuárias e indicação de outros produtores seguindo a metodologia bola de neve. As coordenadas das áreas e dos locais de comercialização foram através de um receptor GPS de navegação e utilizados na elaboração de um mapa. Foram identificados 38 produtores de alface, dentre estes, três produtores possuem duas propriedades cada, totalizando 41 unidades produtivas. Em meio a todas as áreas, apenas quatro se localizam na zona rural a cerca de 20 km de distância do centro do município, e demais 38 unidades produtivas distribuídas na região periférica de Cáceres-MT, essa preferência existe devido à facilidade de comercialização local estando próximos aos principais pontos de vendas. Para os locais de comercialização houve prevalência da feira livre (55,2%) e Mercados (34,2%). Cerca de 58% dos produtores procuram diversificar os pontos de comercialização. S353

2 Palavras-chave: Lactuca sativa L., georreferenciamento, familiar. ABSTRACT agricultura Identification, mapping and marketing of lettuce in Caceres, Mato Grosso, Brazil Lettuce is produced by family farmers, representing importance for the local market in the city of Cáceres-MT. The research aimed to evaluate the marketing and distribution of crop fields of lettuce in Cáceres / MT. Productive units of lettuce were identified and cataloged by visiting the exhibition center, pet stores and indication of other producers followed the methodology snowball. The coordinates of the areas and places of marketing have been through a GPS navigation receiver and used in the preparation of a map. We identified 38 lettuce growers, among them, three producers have two properties each, totaling 41 plants. Amid all areas, only four are located in rural area, about 20 km away from the center of the city, and 38 other production units distributed in the peripheral region of Cáceres-MT, this preference exists because of the ease of being local marketing near major points of sales. For the local market there was a prevalence of street fair (55.2%) and Markets (34.2%). About 58% of producers seek to diversify the points of sale. Keywords: Lactuca sativa L., georeferencing, family farming. INTRODUÇÃO A alface (Lactuca sativa L.) é cultivada de maneira intensiva e geralmente através de agricultura familiar, responsável pela geração de cinco empregos diretos por hectare (COSTA e SALA, 2005), sendo uma das hortaliças folhosas mais consumidas do Brasil. Os canais de comercialização geralmente são feiras livres, quitandas, mercadinhos, sacolões, supermercados (pequenos, médios, grandes e hipermercados) e, em menor escala, diretamente ao produtor (SAABOR, 2001). Apesar das limitações climáticas para o cultivo de alface em regiões tropicais como em Cáceres/MT, há uma alta demanda de consumo desta hortaliça, sendo este último um fator que estimula a produção local. Deste modo, o georreferenciamento vem como uma ferramenta de auxílio de refêrencia sobre a distribuição das unidades produtivas de alface, possibilitando a elaboração de um mapa com um banco de dados das áreas produtoras. Atualmente, o S354

3 georreferenciamento é bastante utilizado para distribuição, orientação e localização de áreas, possibilitando a associação de informações, por meio do Banco de Dados Geográfico BDG em um Sistema de Informação Geográfica SIG. O mapeamento das unidades produtivas de alface facilita o monitoramento das áreas, bem como possibilita maiores contribuições voltadas às políticas públicas, além de atuar como um facilitador da pesquisa e extensão junto aos produtores. Diante do exposto, essa pesquisa teve como objetivo avaliar a comercialização e a distribuição das áreas de cultivo de alface em Cáceres-MT. MATERIAL E MÉTODOS A pesquisa foi realizada em unidades produtivas que cultivam hortaliças e em locais de comercialização de Cáceres, Mato Grosso - Brasil, durante o período do Janeiro a Fevereiro de O município possui uma área de ,399 km², estando localizado na região sudoeste de Mato Grosso. Situado a 215 km da capital, Cuiabá e tem aproximadamente habitantes (IBGE, 2010). Conforme Fornelos e Neves (2007) o clima de Cáceres é o Tropical de Altitude, terceiro megatérmico (a temperatura média do mês mais frio é superior a 18ºC), com inverno seco (maio - outubro) e chuvas no verão (novembro - abril). A vegetação que recobre o município é a de Cerrado e no entorno dos canais fluviais ocorre a Floresta Estacional. Apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,737, abaixo da média do Estado, que é de 0,773, que se encontra por sua vez abaixo da média da região Centro-Oeste do País, com 0,788 (IBGE, 2000). As unidades produtivas de alface foram identificadas e catalogadas, por meio de visitas a lojas agropecuárias, locais de comercialização, e através da indicação de outros produtores de alface de acordo com a metodologia Bola de Neve (BAYLEY, 1994). Os produtores devidamente identificados foram entrevistados por meio de um questionário estruturado para características de comercialização da alface. Após, as áreas de cultivo de alface de cada propriedade foram definidas através de um passeio dirigido juntamente ao proprietário atual da área, com a utilização de um GPS de navegação, sendo realizado o georreferenciamento das hortas. No ArcGis 9.2 os pontos e as trilhas foram editados, e utilizadas na geração do mapa das áreas e calculado o seu tamanho médio, foi associada no Banco de Dados Geográficos BDG no ArcGis 9.2, de cada unidade mapeada as suas características. S355

4 Os dados das unidades produtoras registrados nos questionários das entrevistas foram analisados por meio de estatísticas descritiva: frequência relativa (Fr) em função dos dados de comercialização. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram identificadas 41 unidades produtivas de alface em Cáceres/MT, presentes em 11 bairros, havendo a prevalência do cultivo em bairros periféricos da área urbana quais sejam: Carrapatinho, Garcês, Guanabara, Jardim Padre Paulo, Jardim do Trevo, Lobo, Nova Era, Olhos d água, Santo Antônio, Vitória Régia, Vila Real (Figura 1). Dentre as 41 unidades produtivas há três produtores que possuem duas áreas cada, para os devidos produtores, a adoção de nova área, justifica-se com a intenção de aumentar sua produção, a soma das duas unidades produtivas de alface do primeiro produtor totalizou a área de m², o segundo produtor com m² e o último produtor cadastrado representou m² de área voltadas para produção de hortaliças. O tamanho total das hortas em Cáceres variou de 303 m² a m² onde a área média é cerca de m², e caracterizaram-se em propriedades pertencentes à agricultura familiar. As unidades produtoras estavam presentes em 27,5% de todos os bairros do município, sendo em maior número de unidades, ocorreram nos bairros Olhos d água (7) e Vila Real (4), representando 17 e 12%, respectivamente, das unidades produtivas de hortaliças folhosas de Cáceres-MT. Quatro unidades produtivas se situaram na zona rural, cerca de 20 km do centro de Cáceres próximo a BR-070, e apenas três deles voltadas à produção de hortaliças no Programa de incentivo a agricultura familiar de Cáceres, o Cinturão Verde, que representa a área do município destinada à agricultura em pequena escala. Devido à distância das propriedades rurais aos locais de comercialização, principalmente as hortaliças folhosas, quando transportadas, podem apresentar dificuldades em manter a qualidade dos produtos devido a sua perecibilidade e também observada à utilização de meio de transporte precária. Apenas um produtor de hortaliça produz em sistema hidropônico. Nessa propriedade, foram observadas algumas dificuldades para produção, como por exemplo, a falta de assistência técnica especializada e a aquisição de insumos adequados, sendo estes mais onerosos, tendo que ser comprados em outras cidades. S356

5 As áreas destinadas para cultivo de hortaliças localizadas na zona rural do município obtiveram a média de m², constatando que a área média das unidades produtivas de alface da zona rural tende a ser maior que a área média da zona urbana (2.742 m²). Apesar dos produtores terem a alface como cultura principal, eles adotam a sucessão de cultura nas propriedades, principalmente com espécies como: couve, cebolinha, salsa, coentro e rúcula, realizando um cultivo intensivo na área, o que não caracteriza um manejo com princípios rotacionistas de produção. Desta forma, há um alto investimento em manejos e insumos, pelos produtores, na busca de aumento na produção, problemas estes que seriam minimizados com o uso de técnicas de manejo adequados como, já citado, a rotação de culturas. Foram identificadas cinco principais modalidades de meios para comercialização para alface em Cáceres-MT, as quais são: feira livre, mercados, em propriedade particular, mercado do Produtor (ambiente coberto disponibilizado pela prefeitura) e outras formas como: restaurantes; escolas; ponto próprio de venda (quitandas) que neste caso a preferência do produtor por estes pontos pode estar ligada a facilidade na comercialização onde ele não necessita pagar taxas de venda, licença municipal ou qualquer burocracia exigida para comercialização de seus produtos, ou seja, todo lucro obtido é do produtor; e por meio de intermediários (serviços terceirizados) pois o escoamento de produção é deficiente, isto ocorre devido a poucos produtores possuírem veículos adequados para o transporte das hortaliças até os pontos de comércio. A venda de hortaliças em atacado não é realizada, isto ocorre por que as áreas de produção geralmente são pequenas, outro fator é a grande dificuldade de cultivo que esta diretamente relacionada às variáveis climáticas. Assim pode-se observar que a característica dos produtores de Cáceres quanto a forma de comercialização pode ser definida como varejista, em concordância com Sato et al. (2006) em seu estudo do Fluxo de comercialização de hortaliças produzidas na região Alto Cabeceiras do Tietê SP, que define varejo como sendo as feiras livres, os sacolões, as quitandas, as mercearias e os mercadinhos. A feira livre (55,2%) e Mercados (34,2%) são os principais centros de comercialização, e 58 % dos produtores procuram diversificar os pontos de comercialização (Tabela 1). Face ao exposto, de acordo com Schultz et al. (2001) a comercialização direta, através das feiras livres, propicia a aproximação dos produtores rurais com os consumidores finais, proporcionando para ambas as partes S357

6 trocas de experiências, que estimulem uma nova forma de ver a produção e a comercialização agrícola, sendo assim, de acordo com Vasques e Soares (2003), as feiras livres também são uma das formas mais importantes de organização dos pequenos produtores familiares, para comercialização de seus produtos, eliminando os intermediários, garantindo a comercialização de uma parcela da produção de hortaliças, maior lucratividade e segurança aos consumidores. A maioria dos produtores prefere não utilizar apenas os mercados como comercialização, por apresentarem instabilidade no fechamento de contratos, sendo flexíveis em assumir a produção do produtor. Assim, 26,3% dos produtores preferem comercializar seus produtos em sua propriedade, dispensando maiores danos ocorridos em processos pós colheita, em consequencia facilita a aproximação com o consumidor. AGRADECIMENTOS Agradecemos o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Mato Grosso (FAPEMAT) pelo financiamento do projeto (Processo /2010) e pela bolsa de extensão em interface com a pesquisa (FAPEMAT). REFERÊNCIAS BAILEY, K Methods of social research. New York: The Free Press. COSTA CP; SALA FC A evolução da alfacicultura brasileira. Horticultura Brasileira. 23: 1(artigo de capa). FORNELOS, LF; NEVES, SMAS Uso de modelos digitais de elevação (MDE) gerados a partir de imagens de radar interferométrico (SRTM) na estimativa de perdas de solo. Revista Brasileira de Cartografia, 59: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Censo Demográfico. Disponível em IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Censo Demográfico. Disponível em SAABOR, A Comercialização de hortaliças sob o enfoque do mercado varejista. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 41. Resumo. Brasília: SOB: (CD-ROM). SATO, GS; MARTINS, SS; CARVALHO, YMC; MILANI, AA; CUNHA, RP Fluxo de comercialização de hortaliças produzidas na região do alto Tietê. In: XLIV S358

7 CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL, Fortaleza. Questões agrárias, educação no campo e desenvolvimento. SCHULTZ, G; ÁVILA, E; NASCIMENTO, LFM do As cadeias produtivas de alimentos orgânicos dos municípios de Porto Alegre/RS frente á evolução das demandas do mercado: lógica de produção com distribuição. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ECONOMIA E GESTÃO DOS NEGÓCIOS AGRO ALIMENTARES, 3. Anais... Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo: (CD-ROM). VASQUES, F; SOARES, A Cinturão verde e preservação ambiental. Revista da Emater, 78: S359

8 Figura 1. Distribuição espacial das unidades produtivas de alface em Cáceres, Mato Grosso Brasil. Spatial distribution of production units of lettuce in Caceres, Mato Grosso, Brazil. Fonte: Projeto Cultivo de alface em Cáceres-MT: perspectivas e desafios. (SERPEGEO). Cáceres, UNEMAT, S360

9 Tabela 1. Quantidade e ocorrência de produtores que comercializam alface em diferentes locais em Cáceres, Mato Grosso Brasil. Number of producers that sell lettuce at different places in Caceres, Mato Grosso, Brazil. Fonte: Projeto Cultivo de alface em Cáceres-MT: perspectivas e desafios. (SERPEGEO). Cáceres, UNEMAT, Diferentes locais de vendas Nº de produtores Fr (%) Feira livre 11 26,2 Feira livre e Mercados 1 2,4 Feira livre e na propriedade 5 11,9 Feira livre, Mercado do produtor, Mercados e na propriedade 1 2,4 Feira livre, Mercados e na propriedade 3 7,1 Feira livre, Mercados e outros 1 2,4 Mercado do produtor 6 14,3 Mercado do produtor e outros 1 2,4 Mercados 3 7,1 Mercados e na propriedade 1 2,4 Mercados e outros 1 2,4 Feira livre, Mercados e outros 2 4,8 Outros 6 14,3 TOTAL S361

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